CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2719 DE 26 DE MAIO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2719 | 26 de maio de 2026

 

NOTÍCIAS

Estabilidade nas cotações do mercado do boi gordo em São Paulo

Com parte do mercado fora das compras na segunda-feira, as cotações permaneceram estáveis.

Pelos dados da Scot, no interior de São Paulo, o boi gordo sem padrão-exportação segue valendo R$ 345/@, enquanto o “boi-China” está cotado em R$ 348/@ (valores brutos, no prazo). A semana começou com pouca movimentação no mercado, com os negociadores aguardando um melhor posicionamento para fechar negócios. Dessa forma, as cotações não mudaram. As escalas de abate estavam, em média, para nove dias. Em Alagoas, o mercado está firme e a referência não mudou. As escalas estavam, em média, para sete dias. No mercado atacadista da carne com osso, na última semana, tanto as vendas no varejo quanto no atacado permaneceram em ritmo desacelerado, reflexo do menor poder aquisitivo dos consumidores com o avanço do mês. No entanto, o volume disponível de carne na ponta distribuidora foi suficiente para suprir a demanda, mantendo o cenário equilibrado. Dessa forma, após quatro semanas consecutivas de queda, a cotação das carcaças casadas permaneceu estável.

SCOT CONSULTORIA

Arroba do boi gordo a R$ 340 ou R$ 370? Copa do Mundo e China definirão preços

Maior demanda interna durante evento esportivo pode equilibrar pressão baixista vinda da ausência de compras do gigante asiático nos próximos meses

Os preços da arroba do boi gordo devem se estabilizar entre R$ 340 e R$ 345 neste final de maio e ao longo de todo o mês de junho, distante dos patamares do primeiro quadrimestre do ano, quando chegaram próximos a R$ 370 em São Paulo. A análise é do coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri. Segundo ele, esse movimento baixista ocorre em função de oferta mais confortável por conta da entressafra do capim e pela carga maior de bovinos que vem chegando ao mercado. “No entanto, o fator de maior peso é a menor demanda de exportação e a competição interna com a carne de frango e o suíno, tendo em vista que no intervalo de um ano, os cortes bovinos tiveram alta significativa e as proteínas concorrentes seguiram o caminho inverso”, destaca. O especialista ainda ressalta que, por enquanto, não há indicativos de acertos entre as autoridades chinesas e brasileiras a respeito do pedido do Brasil de preencher a cota de exportação de outros países que não estão conseguindo atender a parte que lhes cabe nas entregas ao gigante asiático. “Nesse aspecto, ainda temos a Austrália como concorrente, que também pleiteia uma fatia maior diante dos números de entrega abaixo do esperado de outros fornecedores, como os Estados Unidos.” Ao passo que a demanda chinesa pela carne bovina brasileira tende a se enfraquecer nos próximos meses, sendo um componente de pressão para a arroba, por outro lado, entre 11 de junho e 19 de julho, a demanda interna deve se aquecer por conta do período da Copa do Mundo. “Estudos já mostram que temos um aumento de 10% no consumo de proteínas em período de Copa do Mundo. Além disso, quando analisamos o comportamento da arroba do boi em anos em que esse evento esportivo ocorre, somando, ainda, as eleições, a tendência é de aumentos de preço no segundo semestre quando comparamos anos sem essas ocasiões”, pontua Fabbri. O mercado atacadista teve preços levemente mais fracos para a carne bovina ao longo desta semana. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a expectativa é de continuidade do movimento de queda no decorrer desta segunda quinzena de maio. “É um período pautado por menor apelo ao consumo diante da descapitalização do consumidor médio. Além disso, a carne bovina se depara com menor competitividade na comparação com as proteínas concorrentes, em especial na relação com a carne de frango”, contextualiza. Assim, o quarto traseiro bovino fechou a semana cotado a R$ 27,00 por quilo, enquanto o dianteiro registrou R$ 21,00 por quilo e a ponta de agulha foi precificada a R$ 20,00 por quilo. As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 913,250 milhões nos primeiros dez dias úteis de maio, com média diária de US$ 91,325 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A quantidade total exportada pelo país chegou a 141,349 mil toneladas, com média diária de 14,135 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 10.381,10. Em relação a maio de 2025, houve alta de 69,1% no valor médio diário da exportação, ganho de 36,2% na quantidade média diária exportada e avanço de 24,2% no preço médio.

SAFRAS NEWS

Receita das exportações de carne bovina cresce em maio com avanço no preço médio e ritmo forte nos embarques

As exportações brasileiras de carne bovina in natura seguem aquecidas em maio de 2026, crescendo pela valorização da proteína no mercado internacional.

Até a terceira semana do mês, o faturamento das vendas externas já alcançou US$ 1,321 bilhão, superando os US$ 1,134 bilhão registrados durante todo o mês de maio de 2025. O desempenho foi sustentado pelo aumento do preço médio pago pela carne bovina brasileira. Até a terceira semana de maio de 2026, o valor médio da tonelada exportada chegou a US$ 6.492, acima dos US$ 5.202 de maio do ano passado. A receita média diária alcançou US$ 88 milhões até a terceira semana do mês, enquanto em maio de 2025 o valor ficou em US$ 54 milhões por dia. O crescimento da receita média diária foi de 63,1% na comparação anual. Em maio, até aqui, o Brasil exportou 203.480 toneladas de carne bovina in natura. O total embarcado durante todo o mês de maio de 2025, somou 218.003 toneladas. Na média diária, os embarques brasileiros chegaram a 13.565 toneladas em maio deste ano. Em maio de 2025, a média diária registrada foi de 10.381 toneladas.

SECEX/MDIC

Demanda externa segue firme, mas mercado interno pressiona a arroba

A demanda internacional pela carne bovina brasileira segue aquecida, com destaque para as compras da China. O movimento ganhou força diante das incertezas sobre as cotas de importação chinesas.

Em entrevista ao Agricultura BR, do Canal do Boi, o analista da Scot Consultoria, Gustavo Duprat, destacou que o Brasil exportou 141,3 mil toneladas de carne bovina in natura até o 10º dia útil de maio. O volume equivale a 65,0% do total embarcado em maio de 2025, quando foram exportadas 218,0 mil toneladas. O faturamento também avançou em ritmo forte. No mesmo período, a receita com os embarques já somava 81,0% do valor registrado em maio de 2025. No mercado interno, maio trouxe pressão sobre a arroba do boi gordo. As escalas de abate ficaram mais confortáveis, a oferta de animais aumentou e o consumo perdeu força na segunda quinzena. Com isso, as cotações do boi, gordo da vaca e da novilha recuaram em São Paulo. Apesar da pressão no curto prazo, alguns fatores indicam um cenário menos negativo para os próximos meses. A expectativa é de oferta mais restrita, diante da retenção de fêmeas e da menor disponibilidade de animais de reposição. O mercado acompanha as conversas entre representantes dos governos brasileiro, australiano e chinês sobre uma possível flexibilização das cotas de importação da China. Até o momento, porém, não há definição. Do lado da oferta, os dados do IBGE ajudam a explicar o comportamento recente dos preços. No primeiro trimestre de 2026, o abate de bovinos sob algum tipo de inspeção sanitária somou 10,3 milhões de cabeças. O volume foi 3,3% maior que o registrado no primeiro trimestre de 2025, mas ficou 6,8% abaixo do observado no quarto trimestre de 2025. O analista da Scot Consultoria destaca que apesar do aumento anual no total de abates, os abates em estabelecimentos com inspeção federal caíram 1,3% no período. Isso indica que a alta foi puxada pelos sistemas estaduais e municipais de inspeção. Como esses estabelecimentos tendem a atender o mercado doméstico, os números sugerem uma demanda interna mais aquecida por carne bovina no primeiro trimestre. O mercado externo segue firme, mas o ritmo das cotações dependerá do comportamento do consumo e da oferta no mercado interno.

SCOT CONSULTORIA

Mato Grosso bate recorde de abate de bovinos jovens, diz Imea

Avanço do abate precoce acompanha a modernização da pecuária mato-grossense, com maior investimento em genética, nutrição e intensificação da produção, avalia o Imac

Mato Grosso registrou entre janeiro e abril de 2026 o maior percentual de abate de bovinos jovens da série histórica iniciada em 2006 pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). No período, 44% dos animais abatidos no estado tinham até 24 meses de idade, índice muito acima do registrado no início da série, quando esse percentual era de apenas 2%. Na avaliação do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), o avanço do abate precoce acompanha a modernização da pecuária mato-grossense, com maior investimento em genética, nutrição e intensificação da produção. “Animais mais jovens permanecem menos tempo no sistema produtivo, o que reduz a emissão de metano por cabeça e aumenta a eficiência da pecuária. Além disso, o abate precoce contribui para uma carne de melhor qualidade, mais padronizada e alinhada às exigências do mercado internacional”, afirma, em nota, o diretor de Projetos do Imac, Bruno de Jesus Andrade. O desempenho da produção ocorre em meio ao avanço das exportações de carne bovina do estado. Em abril de 2026, Mato Grosso registrou recorde de embarques para o mês, com 84,1 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC) exportadas, volume 2,1% superior ao registrado em março e 18,98% acima do mesmo período de 2025. A receita das exportações mato-grossenses somou US$ 408,66 milhões, crescimento de 9,38% em relação ao mês anterior e de 47,86% na comparação anual. Dados do Imea, com base na Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostram ainda que Mato Grosso respondeu por 24,62% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil em abril de 2026, mantendo a liderança nacional nos embarques da proteína. A China permaneceu como principal destino da carne bovina mato-grossense, concentrando 59% das exportações do estado em abril. No cenário nacional, os chineses responderam por 51,55% dos embarques brasileiros no período. “Mato Grosso vem consolidando sua posição como principal exportador de carne bovina do país. Esses resultados mostram a capacidade do estado de aumentar a produção, ganhar eficiência e atender mercados cada vez mais exigentes em qualidade e regularidade”, destaca o diretor de Projetos do Imac.

ASCOM IMAC 

GOVERNO

Governo trabalha para rever cota de exportação de carne para China

Regra chinesa estabelece limite anual de compras de 1,1 milhão de toneladas de carne brasileira com imposto reduzido. Ministro Márcio Elias Rosa também está otimista com negociação de acordo comercial entre Mercosul e Canadá

O governo brasileiro tem trabalhado com autoridades chinesas para rever a atual cota de 1,1 milhão de toneladas de exportação de carne bovina no mercado da China. A afirmação foi feita na segunda-feira (25/5) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa. Atualmente, a regra estabelece cota anual de 1,1 milhão de toneladas de carne brasileira, com tarifa de 12%. Vendas que passem essa cota contam com tributo de 55%. “O Brasil consegue exportar além da cota e ainda assim é competitivo. Mas o ideal é que fiquemos sem cota. Sem sobrecarga [de tributo]”, disse o ministro. “Nós estamos construindo um bom diálogo para que, no ano que vem, a gente reveja essa salvaguarda da cota para exportação”, destacou. Ao falar ainda sobre temas relacionados ao comércio exterior brasileiro, o ministro informou ainda que a Pasta está otimista com negociação de acordo comercial entre Mercosul e Canadá. “O Ministério das Relações Exteriores é quem lidera esse diálogo com o Canadá. Mas eu diria que já há um consenso, em torno de 60% do que tem que ser negociado”. afirmou. “E é por isso que eu acho que nós estamos caminhando para uma conclusão [do fechamento de acordo]. A expectativa é que seja esse ano, ainda no terceiro mandato no presidente Lula. Não deve demorar 20 anos, como demorou com o Mercosul e União Europeia”, disse. O ministro deu as declarações após participar de seminário de celebração do Dia Nacional da Indústria, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

VALOR ECONÔMICO

ECONOMIA

Dólar fecha em leve baixa ante o real com expectativa de acordo no Oriente Médio

O dólar fechou a segunda-feira com uma leve variação negativa ante o real, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante quase todas as demais divisas no exterior, em meio ao otimismo de que Irã e Estados Unidos possam chegar a um acordo para encerrar a guerra.

O dólar à vista fechou com queda de 0,19%, aos R$5,0193. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 8,56% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para junho — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,50% na B3, aos R$5,0245. A liquidez, no entanto, era limitada em função do feriado do Memorial Day nos Estados Unidos, com apenas cerca de 125 mil contratos de dólar para junho negociados até este fim de tarde. Após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar no sábado que os negociadores estão “chegando muito mais perto” de finalizar um acordo, nesta segunda-feira o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse que há uma “coisa bastante sólida sobre a mesa em termos de capacidade de abrir o estreito (de Ormuz)”. Durante a tarde, o jornal Nikkei informou que EUA e Irã estão discutindo um plano para abrir o Estreito de Ormuz cerca de 30 dias depois que os dois países chegarem a um acordo para encerrar as hostilidades. Neste período, o Irã removeria as minas colocadas no estreito. O otimismo de que possa haver um acordo levou o petróleo Brent a ser cotado abaixo de US$100 o barril durante toda a sessão, enquanto o dólar cedeu ante quase todas as demais divisas, incluindo o real, o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano. O índice do dólar também cedia ante uma cesta de divisas fortes. “Estamos alinhados com o exterior, com o DXY (índice do dólar) ajustando. Há aí como pano de fundo um alívio no cenário geopolítico”, comentou o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta com apoio externo, mas liquidez reduzida com feriado nos EUA

A bolsa paulista começou a semana com viés positivo, em meio ao forte recuo dos preços do petróleo no exterior, com a continuidade das negociações entre Estados Unidos e Irã ocupando o centro das atenções.

A liquidez no pregão, porém, foi reduzida, sem a referência das bolsas norte-americanas, fechadas em razão de feriado nos Estados Unidos. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 0,91%, a 177.815,72 pontos, na máxima do dia. Na mínima, marcou 176.210,38 pontos. O volume financeiro somou R$14,54 bilhões, ante uma média diária de R$33,3 bilhões em maio. A alta na segunda-feira ocorre após o Ibovespa fechar em queda na última sexta-feira e cravar a maior sequência de perdas semanais desde 2018, em movimento ditado principalmente pela saída de estrangeiros das ações brasileiras. A trégua foi endossada particularmente pelo alívio dos preços do petróleo no exterior, com o barril sob o contrato Brent caindo quase 7% no final da tarde, a US$96,30. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na segunda-feira que as negociações com o Irã estavam indo “bem”, mas alertou sobre novos ataques se elas falharem. Será “apenas um Grande Acordo para todos, ou nenhum Acordo”, escreveu no Truth Social. De acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, conclusões foram alcançadas em muitos tópicos, mas isso não significa que os lados estavam próximos de um acordo. O principal negociador do Irã e seu ministro das Relações Exteriores estavam em Doha para discutir um possível acordo, com as conversas focadas principalmente no Estreito de Ormuz e nos estoques de urânio.

REUTERS

Focus traz inflação de 2026 acima de 5% e alta da projeção do IPCA para os próximos 12 meses

A projeção mediana do Relatório de Mercado Focus para a inflação suavizada nos próximos 12 meses subiu de 3,95% para 4,07%. Essa é a primeira alta depois de cinco semanas.

Para o IPCA cheio, a mediana do Focus superou 5%. A projeção passou de 4,92% na semana passada para 5,04% hoje. Essa é a décima primeira semana consecutiva de alta nesse indicador. Para o fim de 2027, a mediana também subiu, ficando em 4,01%. Para os anos de 2028 e 2029, as projeções ficaram inalteradas em 3,65% e 3,50%, respectivamente. O indicador de inflação suavizada ganhou relevância com a regulamentação da meta contínua, adotada a partir de 2025. Nesse regime, o cumprimento do objetivo é apurado pelo IPCA acumulado em 12 meses. A meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo, e o alvo é considerado perdido se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos. A projeção mediana para a Selic no fim de 2026 voltou a subir. No relatório de hoje, está em 13,25%. Para os próximos anos, a estimativa ficou inalterada. O mercado espera a Selic em 11,25% no fim de 2027 e em 10% no fim de 2028 e no fim de 2029. A mediana do Focus para o crescimento do PIB em 2026 teve leve ajuste, de 1,85% para 1,89%. Para 2027, caiu para 1,70%. As projeções para 2028 e 2029 permaneceram em 2,0%. A mediana do Focus para o dólar no fim de 2026 caiu pela primeira vez, de R$ 5,20 para R$ 5,17. Para o fim de 2027, seguiu a trajetória de queda e recuou a R$ 5,26. As medianas indicaram ainda R$ 5,30 para o fim de 2028 e R$ 5,40 para 2029. O Focus considera, para o câmbio anual, a média da taxa em dezembro – e não a cotação do último dia útil do ano, como ocorria até 2020.

BROADCAST

Confiança do consumidor no Brasil recua em maio após dois meses de alta, diz FGV

A confiança dos consumidores brasileiros recuou em maio após dois meses de alta, influenciada principalmente pelas expectativas sobre o futuro, mostraram dados da Fundação Getúlio Vargas divulgados na segunda-feira

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da FGV teve no mês queda de 0,3 ponto, para 88,8 pontos. “Após dois meses de alta, a confiança do consumidor recua moderadamente num movimento de acomodação”, disse Anna Carolina Gouveia, economista do FGV IBRE. “O resultado de maio da sondagem reforça um cenário de manutenção das condições econômicas atuais, mas com maior cautela em relação à trajetória dos próximos meses”. O Índice de Expectativas (IE) recuou 1,0 ponto em maio, chegando a 91,3 pontos. Já o Índice de Situação Atual (ISA) avançou 0,8 ponto, alcançando 86,1 pontos, maior nível desde dezembro de 2014 (86,5 pontos). Entre os quesitos que compõem o IE, o indicador de situação econômica local futura recuou 2,6 pontos, para 102,9 pontos, menor nível desde janeiro de 2026 (102,2 pontos).

REUTERS

Alimentos e bebidas puxaram produção da agroindústria em março

Alta foi de 2,9% em março na comparação anual, de acordo com o Índice de Produção Agroindustrial. Indústria de alimentos sustenta crescimento e ajuda agroindústria a ficar no positivo

A produção das agroindústrias do Brasil teve crescimento de 2,9% em março, na comparação anual, puxada sobretudo pelos segmentos de alimentos e bebidas, de acordo com o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pelo Centro de Estudos do Agronegócio da FGV, o FGV Agro. O centro observou que o número de dias úteis de março deste ano foi maior que o de igual mês do ano passado, o que favoreceu o resultado, mas pode ter criado alguma distorção nas estatísticas. O desempenho das agroindústrias tem alternado entre altas e baixas nos últimos meses. Ainda assim, no acumulado do primeiro trimestre do ano, o resultado foi de aumento de 0,4%. Entre os segmentos, porém, o resultado foi distinto. Enquanto as indústrias de alimentos cresceram 2,7% e as de bebidas, 3,3%, as indústrias não alimentícias recuaram 2,7%. Segundo o FGV Agro, os segmentos associados à indústria de produtos alimentícios, de bebidas e de biocombustíveis estiveram entre os poucos da indústria de transformação com desempenho positivo no primeiro trimestre. As indústrias de alimentos e bebidas são as que vêm apresentando ganhos mais consistentes. Somente em março, o conjunto das indústrias desse segmento teve um aumento na produção de 5,1% na comparação anual, o que marcou a sétima alta seguida. Também foi o maior avanço para o mês de março desde 2022. O segmento de produtos de origem animal liderou os ganhos, com alta de 6,2%, dado o forte crescimento da produção de carnes e laticínios. Já o de alimentos de origem vegetal avançou 4,6%, impulsionado pela produção de conservas e sucos, óleos e gorduras, arroz e trigo. Houve ainda um aumento de 5% na produção da indústria de bebidas alcoólicas em março, o que contribuiu para que o segmento de bebidas crescesse 2,1%.

Março também foi marcado pela quebra na tendência de retração do setor não alimentício. Após 11 meses de recuo na produção, esse conjunto de indústrias teve incremento de 0,1% no mês na comparação anual. O FGV Agro observou, porém, que a variação pode ser fruto do maior número de dias úteis em relação a março de 2025. O desempenho dessas indústrias não foi uniforme. Enquanto houve alta de 29,6% nos segmentos de biocombustíveis e de 1,6% na indústria de têxteis, houve retrações nos setores de insumos agropecuários (-2,2%), de produtos florestais (-4,7%) e de fumo (-4,4%).

VALOR ECONÔMICO

CARNES 

Embarques de carnes do Brasil avançam na parcial de maio, aponta Secex

Números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) publicados na segunda-feira informam que as exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada avançaram 30,7% no período, para 13.565 toneladas ao dia, indicando embarques de mais de 200 mil toneladas no acumulado do mês.

Já a carne de aves, notadamente de frango, também registrou crescimento de 35%, para 23.168 toneladas ao dia. No acumulado do mês, ainda com cinco dias úteis para serem contabilizados, os embarques já se aproximam de 350 mil toneladas.

REUTERS

FRANGOS & SUÍNOS

Avicultura de corte amplia produção, mas escala não melhora rentabilidade

Estudo do projeto Campo Futuro, da CNA/Senar da Labor Rural aponta aumento dos custos operacionais e piora na diluição dos custos fixos nas granjas integradas entre 2020 e 2025

A produção de frango em sistemas climatizados cresceu 4,62% entre 2020 e 2025 nos sistemas integrados brasileiros, mas o avanço não se traduziu em melhora da rentabilidade para os produtores. Levantamento do Departamento de Inteligência da Labor Rural, elaborado com dados do projeto Campo Futuro, da CNA/Senar, mostra que o aumento da produção veio acompanhado pela elevação dos custos operacionais e pela deterioração da diluição dos custos fixos dentro das granjas. Segundo o relatório, o crescimento no número de aves entregues por ano foi impulsionado principalmente por ganhos de eficiência técnica, como redução da mortalidade, aumento no número de lotes anuais e expansão da área produtiva nas propriedades. Ainda assim, os indicadores econômicos demonstraram dificuldades para transformar o avanço produtivo em ganho real de escala. Os dados mostram que a renda bruta unitária apresentou crescimento de 5,51% no período analisado. Ao mesmo tempo, o custo operacional efetivo avançou 8,7%, pressionado principalmente pelas despesas com energia elétrica, aquecimento e mão de obra. Para os analistas da Labor Rural, esse descompasso comprometeu a eficiência econômica da atividade integrada. O estudo aponta que a área média por núcleo produtivo passou de 4.393 metros quadrados em 2019 para 4.769 metros quadrados em 2025, crescimento de 8,43%. Apesar da expansão estrutural das granjas, a densidade de alojamento apresentou baixa variação ao longo do período analisado. Entre 2020 e 2025, o número de aves alojadas por metro quadrado recuou de 13,69 para 13,60 aves/m², variação negativa de 0,6%. Segundo o relatório, o aumento da produção esteve mais relacionado aos ganhos de eficiência técnica do que ao aumento da densidade dentro dos aviários. O Departamento de Inteligência da Labor Rural destaca que o crescimento produtivo ocorreu tanto pela ampliação da área quanto pela melhora nos índices zootécnicos. “A expansão produtiva — tanto pela ampliação da área quanto pelos avanços técnicos — não promoveu ganhos reais de escala e não contribuiu para a melhoria da eficiência econômica da avicultura de corte integrada”, apontou o estudo. O levantamento também identificou aumento no custo de implantação das granjas climatizadas do modelo dark house. Em 2020, o investimento médio era de R$ 637 por metro quadrado, considerando instalações e equipamentos, sem incluir o valor da terra. Em 2025, esse custo passou para R$ 647 por metro quadrado, avanço de 1,6% no período. Além do crescimento dos investimentos, o relatório mostrou piora na diluição dos custos fixos por ave entregue. O custo fixo médio passou de R$ 0,66 para R$ 0,79 por ave entre 2020 e 2025, representando deterioração de 19,7% na capacidade média de diluição desses custos dentro da atividade.

CNA/SENAR/LABRO RURAL

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