CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2754 DE 15 DE JULHO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2754 | 15 de julho de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo buscando definição

Baixo volume de negócios marcou o mercado paulista, com queda para o “boi China”.

O mercado abriu o dia com poucos negócios em São Paulo. Parte das indústrias aguardou uma posição mais clara do escoamento da carne no mercado interno antes de lançar as ordens de compra. Houve tentativas de negociar abaixo dos preços de referência, mas os vendedores estiveram resistentes à comercialização nesses patamares. Apenas a cotação do “boi China” caiu, com recuo de R$2,00/@. O mercado especulado foi a causa. Para as demais categorias, a cotação não mudou. As escalas de abate atenderam, em média, a seis dias. No Pará, o mercado esteve equilibrado entre oferta e demanda. Pelo lado da oferta, os pecuaristas mantiveram uma postura retraída na comercialização. Já a demanda esteve devagar, diante do lento escoamento da carne. A única mudança ocorreu na praça de Redenção, onde a cotação do boi gordo subiu R$3,00/@. Nas regiões de Marabá e Paragominas, a cotação não mudou. Na exportação de carne bovina in natura, até a segunda semana de julho, o volume exportado foi de 104,6 mil toneladas, com uma média diária de 13,0 mil toneladas, aumento de 8,7% frente ao embarcado por dia em julho de 2025. A cotação média da tonelada ficou em US$6,3 mil, alta de 15,0% na comparação com o mesmo período de 2025.

SCOT CONSULTORIA 

Arroba do boi gordo reage e tem elevação nas principais praças de comercialização

Indústria convive com oferta restrita de animais terminados, o que explica negociações acima da referência média

O mercado físico do boi gordo apresentou algumas negociações acima da referência média em meio ao encurtamento das escalas de abate ao longo da terça-feira (14). Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a oferta de animais terminados tem se mostrado restrita neste momento, fazendo com que as negociações estejam pouco fluídas no decorrer da primeira quinzena do mês. “O ritmo de embarques permanece satisfatório neste momento. Apesar de um menor ritmo diário em julho, a quantidade embarcada segue em níveis historicamente elevados, sintoma de que o Brasil está conseguindo diversificar seus mercados. A expectativa é que nas próximas semanas o ritmo diário de embarques siga em declínio”, disse. Média da arroba do boi: São Paulo: R$ 328,42 — ontem: R$ 327,17. Goiás: R$ 314,93 — ontem: R$ 314,71. Minas Gerais: R$ 310,18 — ontem: R$ 309,12. Mato Grosso do Sul: R$ 326,82 — ontem: R$ 324,20. Mato Grosso: R$ 314,73 — ontem: R$ 314,19. O mercado atacadista se depara com preços estáveis. O ambiente de negócios sugere por menor suporte aos preços no restante do mês, com o efeito da entrada dos salários na economia passando a ser menos impactante. “A carne bovina vem perdendo competitividade na comparação com as proteínas concorrentes, que voltam a acusar sinais de fragilidade, em especial a carne de frango”, assinalou Iglesias. Quarto dianteiro: R$ 19,00 por quilo. Quarto traseiro: R$ 26,00 por quilo. Ponta de agulha: R$ 18,00 por quilo

SAFRAS NEWS 

A exportação de couro bovino foi recorde no primeiro semestre, mas o faturamento caiu

Apesar do volume recorde a mudança nas categorias de couro exportado prejudicou o faturamento.

A exportação no primeiro semestre de 2026, em volume, foi recorde. O embarque foi de 324 mil toneladas de peles e couros. Esse volume foi 6,1% maior na comparação com o primeiro semestre de 2025, cujo desempenho fora de 305,3 mil toneladas, e 9,1% acima do primeiro semestre de 2024, cujo desempenho fora de 297,1 mil toneladas. Somente em junho, o embarque foi de 49,8 mil toneladas, alta de 23,8% ante junho de 2025 (40,2 mil toneladas), o que reforçou o desempenho do semestre.

SCOT CONSULTORIA 

ECONOMIA

Dólar fecha no menor nível em um mês sob influência da inflação dos EUA

O dólar fechou a terça-feira em queda no Brasil e novamente abaixo dos R$5,10, na esteira do recuo da moeda norte-americana também no exterior, após dados de inflação dos Estados Unidos em junho ficarem abaixo do esperado.

O dólar à vista encerrou a sessão com queda de 1,12%, aos R$5,0739. Essa é a menor cotação de fechamento desde 15 de junho, quando o dólar atingiu R$5,0666. No ano, a moeda norte-americana passou a acumular baixa de 7,56% ante o real. Às 17h04, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 1,15% na B3, aos R$5,1000. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos recuou 0,4% em junho, conforme o Departamento do Trabalho, mais que a projeção de queda de 0,1% dos economistas consultados em pesquisa da Reuters. Nos 12 meses até junho, o CPI subiu 3,5%, menos que os 3,8% projetados. O núcleo de inflação, que exclui componentes voláteis como alimentos e energia, ficou estável em junho e subiu 2,6% na base anual — menos que os 2,9% anteriores. O CPI foi bem recebido pelos investidores, que reduziram as apostas de que o Federal Reserve subirá sua taxa de referência, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, no fim deste mês. Em reação, o dólar cedeu ante as demais divisas globais, incluindo o real. “O resultado reduz a expectativa de que o Federal Reserve precise elevar os juros no curto prazo. Com uma inflação mais comportada, diminui também a perspectiva de maiores retornos dos títulos do Tesouro americano, o que tende a enfraquecer o dólar frente às demais moedas”, avaliou Lucca Bezzon, analista de Inteligência de Mercado da Stonex. “Mas não vejo fatores para o dólar se manter abaixo de R$5,10. O próprio (boletim) Focus continua projetando um dólar a R$5,20 no fim do ano, e o Focus costuma ser otimista”, opinou Matheus Massote, especialista em câmbio da One Investimentos. Na segunda-feira, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim de 2026 está em R$5,20 e no final de 2027 em R$5,28.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta com maior apetite a risco após dados fracos de inflação nos EUA

Queda nos juros futuros domésticos impulsiona principal índice da B3

Números abaixo do esperado para o índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos promoveram um alívio na curva de Treasuries, o que teve reflexo nos juros futuros domésticos e impulsionou a bolsa local. Diante do maior apetite por risco global, os novos ataques entre EUA e Irã ficaram em segundo plano. Na máxima intradiária, o Ibovespa chegou a tocar os 177.179 pontos, mas perdeu força no começo da tarde, em virtude da forte volatilidade de blue chips. No fim do dia, o índice encerrou com ganho de 0,51%, aos 176.641 pontos, distante da mínima de 175.743 pontos. Depois de ultrapassar os US$ 87 o barril na máxima do dia, os preços de petróleo fecharam em alta, mas longe das máximas após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que não irá mais aplicar a taxa de 20% sobre a escolta de navios no Estreito de Ormuz. A forte volatilidade nos preços de petróleo ajudou a incrementar as oscilações de ações de petroleiras. Após começar o dia em alta, os papéis da Petrobras terminaram mistos: as PN fecharam no zero a zero, enquanto as ON cederam 0,50%, o que pode indicar venda do papel por parte de investidores estrangeiros. Bancos também encerraram em direções opostas: as ON do Banco do Brasil ficaram no topo das maiores valorizações entre as blue chips, com uma alta de 1,73%. Já as ON da Vale ganharam 1,59%, em um dia de alta forte dos preços de minério de ferro em Dalian, na China. O volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 16,8 bilhões e de R$ 21,8 bilhões na B3. Em Wall Street, o dia também foi de ganhos. No fim, o Nasdaq subiu 0,90%; o S&P 500 avançou 0,38%; e o Dow Jones fechou estável (+0,02%).

VALOR ECONÔMICO 

Após duas altas, produção da agroindústria recua

Dados do FGV Agro mostram reversão de tendência em maio e queda na atividade em 2026.

Para FGV, “é preciso observar se o número de maio é um ponto fora da curva ou uma reversão da resiliência que a agroindústria vinha apresentando ao longo dos meses”.

Maio foi um mês “complicado” para a agroindústria do Brasil. A conclusão é do Núcleo de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV Agro). O PIMAgro, indicador que mede a atividade do setor, caiu 2,8% em comparação com maio do ano passado e 0,2% em relação a abril. “Nas próximas divulgações, é preciso observar se o número de maio é um ponto fora da curva ou uma reversão da resiliência que a agroindústria vinha apresentando ao longo dos meses”, observa o FGV Agro em nota. No comparativo anual, a agroindústria de produtos alimentícios e bebidas teve queda de 3,5%, com desempenho negativo tanto na categoria de alimentos (-3,7%) quanto na de bebidas (-2,6%), mostra o indicador. Entre os alimentos, os de origem vegetal tiveram queda de 6,9%, a primeira desde julho de 2025. Segundo o FGV Agro, houve baixa na produção de itens como óleos e gorduras, arroz, trigo e refino de açúcar. O aumento da produção de café evitou uma retração ainda maior. A produção de alimentos de origem animal caiu 1,5% na comparação com maio do ano passado, efeito da redução de abates de bovinos, suínos, aves e pescados no período. A agroindústria de itens não alimentícios diminuiu sua atividade em 1,8%. O segmento de produtos têxteis teve baixa de 5,6%, com tendência negativa desde outubro de 2025. O de insumos agropecuários caiu 4,5%. “Foi o sétimo mês consecutivo de contração interanual. Em maio, o resultado foi influenciado, principalmente, pela redução da produção de intermediários para fertilizantes, tratores e máquinas e adubos e fertilizantes”, diz o FGV Agro. A indústria de produtos florestais também registrou retração (-3,5%). Por outro lado, as de biocombustíveis cresceram 9,6% e a de fumo, 0,8%. O desempenho da agroindústria em maio deixou o acumulado de 2026 negativo em 0,1% em comparação com o mesmo intervalo do ano passado. É uma reversão de tendência. No primeiro quadrimestre do ano, o setor apontou uma expansão de 0,7% em relação ao intervalo de janeiro a abril de 2025. A categoria de produtos não alimentícios foi determinante para o resultado acumulado de janeiro a maio. A retração de 1,9% pesou mais do que o crescimento da atividade industrial dos produtos alimentícios e bebidas, de 1,3%. A categoria de alimentos sozinha teve alta de 1,3% no período e a de bebidas, de 1,2%.

VALOR ECONÔMICO 

Safra de 2026 deve alcançar 347,4 milhões de toneladas, diz IBGE

Arroz, o milho e a soja representam 92,8% da estimativa da produção nacional de grãos. Área a ser colhida para a safra de 2026 ficou em 83,2 milhões de hectares

A safra brasileira de grãos, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 347,4 milhões de toneladas em 2026, alta de 0,4% ante 2025. A estimativa é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou na terça-feira (14/7) o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de junho. Ainda segundo o instituto, no entanto, na comparação com a LSPA de maio de 2026, a previsão é 0,8% inferior, um decréscimo de 3 milhões de toneladas. O IBGE informou ainda que a área a ser colhida para a safra de 2026 ficou em 83,2 milhões de hectares, na projeção de junho. Isso significa aumento de 1,9% frente à área colhida em 2025 (crescimento de 1,6 milhão de hectares ante ano anterior); mas sendo 0,1% inferior (decréscimo de 60.985 hectares) ante projeção de maio. O arroz, o milho e a soja, os três principais produtos deste grupo, representam 92,8% da estimativa da produção nacional de grãos, e respondem por 87,4% da área a ser colhida na safra desse ano. Para a soja, a estimativa de produção foi de 174,8 milhões de toneladas. Esse patamar será recorde, caso alcançado, detalhou o instituto, e representa alta de 0,1% ante estimativa anterior, do IBGE, referente a maio. O acréscimo é de 5,3% ante a safra anterior, que foi de 166,1 milhões de toneladas. Quanto ao milho, a estimativa é de 136,5 milhões de toneladas (29,7 milhões de toneladas na 1ª safra e 106,8 milhões de toneladas na 2ª safra). A projeção total é 2,1% inferior à de estimativa anterior, de maio, e 3,7% menor que a safra passada. Para o milho primeira safra, a estimativa é 0,2% abaixo de estimativa anterior, referente a maio, mas 15,6% acima de safra de 2025. Para o milho segunda safra, a projeção é 2,6% inferior, ante LSPA anterior, de maio. Ante a safra passada, a produção do item para esse ano é 7,9% menor, resultado do declínio de 9% no rendimento médio – já que a área, para o milho segunda safra, apresenta crescimento de 1,2%, em 2026, ante safra anterior, detalhou o IBGE. O instituto detalhou ainda que, na safra 2026 ante safra 2025, estão previstos acréscimos, na área a ser colhida, de 1,3% na da soja; de 2,7% na do milho (aumentos de 9,1% no milho 1ª safra e o já mencionado aumento de 1,2% no milho 2ª safra) e de 15,6% na do sorgo. Em contrapartida, estão previstas reduções de área de 5% na do algodão herbáceo (em caroço); de 12,3% na do arroz em casca; e de 3,9% na do feijão.

GLOBO RURAL

Produção de grãos no Brasil é estimada em 360,1 milhões de toneladas, diz Conab

Volume representa um acréscimo de 7,8 milhões de toneladas em relação à temporada passada. Soja tem produção estimada em 180,6 milhões de toneladas, avanço de 5,3%

A produção de grãos da safra 2025/26 está estimada em 360,1 milhões de toneladas, alta de 2,2% em relação ao registrado no ciclo anterior, informou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta terça-feira (14/7). O número representa um recorde para o país, com 7,8 milhões de toneladas a mais do que a temporada passada. Em relação ao levantamento divulgado em junho, houve uma revisão para cima de 0,4%, motivada principalmente por incrementos nas colheitas de soja e de milho. De acordo com a Conab, o resultado reflete o aumento da área destinada para o cultivo de grãos no país, projetada em 83,5 milhões de hectares. Já a produtividade média nacional das lavouras deve se manter estável, prevista em 4.311 quilos por hectare. Segundo o gerente de acompanhamento de safras da Conab, Fabiano Vasconcellos, o clima em junho apresentou chuvas nas cinco regiões do país, porém em menor volume no Nordeste, o que compromete em certa medida os níveis de umidade no solo. Principal cultura agrícola do país, a soja tem produção estimada em 180,6 milhões de toneladas, avanço de 5,3% em relação à safra passada. O desempenho é resultado do aumento de 2,7% na área cultivada, aliado ao pacote tecnológico utilizado pelos produtores e às condições climáticas favoráveis, segundo a Conab. “Temos alguns Estados com cultivo ainda acontecendo, em Roraima, Tocantins e Alagoas. Essas lavouras vão ter colheitas a partir de agosto, mas no geral esses números não devem se alterar tanto”, afirma Vasconcellos. A colheita das três safras de milho está estimada em 141,7 milhões de toneladas, volume 0,4% superior ao ciclo passado. A primeira safra do cereal já está quase toda colhida, e a produção está estimada em 29,6 milhões de toneladas. Já na segunda safra do grão, a colheita atinge 38,9% da área destinada e deve totalizar 109,43 milhões de toneladas. “Devemos observar no próximo mês um avanço substancial da colheita do milho segunda safra”, ressalta Vasconcellos. Para a terceira safra, espera-se uma produção de 2,7 milhões de toneladas. A colheita do arroz também está encerrada, e o cereal apresenta uma produção de 11,1 milhões de toneladas, 13,1% abaixo do volume produzido na safra passada, reflexo de uma menor área destinada ao produto. No caso do feijão, a produção total estimada é de 3 milhões de toneladas, 1,4% inferior ao ciclo anterior. O volume colhido de arroz e feijão garante o abastecimento no mercado doméstico, segundo a Conab. O algodão tem produção prevista em 4,06 milhões de toneladas de pluma, com 8,1% da área já colhida, 78,4% em maturação e 13,5% em formação de maçãs. O trigo, que ainda está sendo semeado, deve ter uma redução de 23,5% no volume, segundo a Conab. O resultado reflete tanto a menor área como a expectativa de uma menor produtividade.

GLOBO RURAL

EMPRESAS

Broto e iRancho lançam novo sistema de gestão da pecuária de corte

Manejo e a coleta de dados podem ser feitos de modo 100% offline. Para Thiago Parente, CEO da iRancho, ferramenta pretende centralizar gestão interna de pecuaristas

O Broto, ecossistema digital de agronegócio do Banco do Brasil, e a agtech iRancho, anunciaram na terça-feira (14/7) o lançamento do Broto Gestão Pecuária, sistema de gestão da pecuária de corte que atesta a rastreabilidade individual dos animais. O sistema, segundo a empresa, permite ao pecuarista controlar seu rebanho com maior eficiência, aumentar sua produtividade e tomar decisões baseadas em dados confiáveis. Clientes que utilizam a solução indicaram que sua implementação pode reduzir pela metade o tempo dedicado ao manejo do rebanho e aumentar em duas vezes o giro de caixa da propriedade com o abate precoce. De acordo com Thiago Parente, CEO da iRancho, o objetivo é promover uma transformação estrutural na pecuária brasileira. “A solução nasce para resolver um paradoxo do setor: produtores que movimentam milhões de reais, mas cuja gestão interna ainda é uma incógnita. Dar visibilidade e confiabilidade à sua produção representa uma virada de jogo para a pecuária”, diz. José Evaldo Gonçalo, presidente do Broto, destaca o papel da plataforma em aproximar o pecuarista da tecnologia de ponta. “A pecuária brasileira é referência mundial, e o futuro do setor passa pela gestão eficiente e pela rastreabilidade. Ao integrar a expertise da iRancho em tecnologia de gestão pecuária à plataforma Broto, colocamos ao alcance do bovinocultor uma solução antes restrita às grandes operações, e mostramos que profissionalizar a atividade é acessível e decisivo para a perenidade do negócio”, afirma. O sistema centraliza dados que antes ficavam dispersos permitindo ao produtor o uso dessas informações para uma gestão mais organizada e eficiente da fazenda. O manejo e a coleta de dados podem ser feitos de modo 100% offline.

VALOR ECONÔMICO

INTERNACIONAL

Ofensiva da carne bovina brasileira nos EUA derruba competitividade dos cortes australianos

Enquanto a China fecha as portas, Brasil muda o mapa do comércio mundial da proteína e pressiona concorrente australiano no mercado norte-americano

As exportações australianas de carne bovina “magra” (baixo teor de gordura, própria para a fabricação de hambúrgueres) vem apresentando tendência de queda desde novembro do ano passado, quando atingiu níveis recordes. Segundo exportadores ouvidos pela Beef Central, esse movimento reflete diretamente as mudanças no fluxo de carne bovina brasileira e australiana para o mercado norte-americano. A Austrália atingiu sua cota para a China em 18 de junho e passou a enfrentar tarifa de 55%. O Brasil, por sua vez, também está próximo de alcançar esse limite. Segundo informa a Beef Central, o aumento da oferta brasileira nos Estados Unidos é “100% responsável” pela queda dos preços da carne australiana destinada à indústria. “No início do ano, a carne bovina fresca norte-americana com 90% de carne magra era negociada entre 420 e 430 centavos de dólar por libra, enquanto o produto australiano tinha um desconto de cerca de 40 centavos”, afirmou. “Hoje a diferença chega a US$ 1 por libra. A carne fresca americana está sendo negociada a 463 centavos por libra, a australiana congelada entre 360 e 365 centavos, enquanto o produto brasileiro custa cerca de 315 centavos”, disse o trader à reportagem da Beef Central. Segundo ele, a diferença se explica por dois fatores: a redução contínua da produção de carne bovina nos Estados Unidos e o aumento acelerado das exportações brasileiras para aquele mercado, à medida que o Brasil se aproxima de preencher sua cota destinada à China. Isso reduz a demanda e pressiona os preços da carne australiana. O trader afirma que o Brasil já embarca mais de 50 mil toneladas de carne bovina por mês para os Estados Unidos, superando os volumes australianos. “Em 2021 e 2022, o Brasil exportava aproximadamente 100 mil toneladas por ano para os EUA. Hoje esse mesmo volume é embarcado em apenas dois meses. Essa é a dimensão da mudança”. Ele acredita que essa tendência deverá se intensificar nos próximos meses, conforme as compras chinesas diminuam e o Brasil direciona ainda mais carne para o mercado norte-americano. Segundo a Beef Central, outro fator de incerteza continua sendo o momento em que a China voltará a comprar carne australiana destinada ao consumo em 2027. A principal dúvida é se Pequim permitirá que importadores utilizem armazéns frigorificados alfandegados para estocar carne ainda em 2026 e liberá-la apenas no início de 2027, evitando assim a tarifa de 55%. Segundo o Beef Central, o governo chinês ainda não forneceu uma posição definitiva, embora a Embaixada da Austrália em Pequim esteja tratando do assunto. Alguns operadores acreditam que, sem uma orientação clara, diferentes portos chineses poderão adotar interpretações distintas sobre o uso desses armazéns. Caso o armazenamento alfandegado seja autorizado, compradores chineses poderão retomar as aquisições já em outubro/26, formando estoques para liberação em janeiro/27. “Se isso não ocorrer, as compras (de carne bovina da Austrália) deverão ser adiadas para apenas algumas semanas antes do início de 2027, tempo suficiente para que a carga complete a viagem marítima e entre no país já no novo ano, escapando da tarifa adicional”, relata o portal australiano. Mesmo com a autorização, operadores alertam que os volumes enviados por Brasil, Austrália e outros exportadores poderão ser tão elevados que a capacidade dos armazéns frigorificados nos portos chineses poderá se tornar insuficiente.

BEEF CENTRAL

Importações de carne bovina pelos EUA desaceleram, mas Brasil continua na liderança

No período de janeiro a maio deste ano (últimos dados oficiais), os importadores norte-americanos elevaram as compras da Austrália e reduziram as aquisições da proteína brasileira

Segundo dados do analista e professor da Derrell Peel, da Universidade Estadual de Oklahoma, no período acumulado dos primeiros cinco meses deste ano, as importações totais de carne bovina dos EUA aumentaram 9,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Trata-se do menor aumento para o período desde 2023. Por sua vez, em maio/26, as importações de carne bovina caíram 5% em comparação com igual mês de 2025, a primeira queda mensal anual desde novembro de 2025 e a maior baixa mensal desde março de 2023, relata Peel. Segundo o analista, a queda nas importações norte-americanas em maio foi liderada por uma redução de 41,5% nas compras da proteína brasileira em comparação com o mesmo período do ano anterior. No acumulado de janeiro a maio de 2026, as importações do Brasil caíram 6,8% em relação ao mesmo intervalo de 2025. No entanto, o Brasil continua sendo o principal fornecedor de carne bovina ao mercado dos EUA, com participação de 22,3% no ranking. A Austrália é a segunda maior fonte de importação de carne bovina dos EUA, que elevou em 11,8% as compras do país em maio/26, na comparação com maio/25, enquanto no acumulado do ano o avanço foi de 12% (em relação ao mesmo período de 2025). Com isso, a participação australiana no total das importações norte-americanas subiu para 20,3%, reduzindo a diferença para o Brasil. Considerando a mesma base de comparação, o Uruguai, sexto maior exportador de carne bovina aos EUA, registrou queda de 45,7% em maio/26, mas acumulou alta de 5,2% no acumulado do ano. Simultaneamente, as importações de carne bovina da Argentina aumentaram devido ao aumento da Cota Tarifária Econômica (CTE) específica para o país. As importações de carne bovina da Argentina subiram 113,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, representando atualmente 4,3% do total das importações. Isso coloca a Argentina em sétimo lugar, subindo da oitava posição no ano passado entre as fontes de importação de carne bovina. (A Argentina representa 32,5% da categoria “Outros” em 2026). “Como esperado, o aumento das importações de carne bovina da Argentina foi significativamente compensado pela diminuição das importações de outras origens – neste caso, Brasil e Uruguai”, observa Peel. Com 15% do total das importações, o Canadá ocupa a terceira posição no ranking, com um aumento de 12,3% em maio/26 em comparação com maio/25 e avanço de 4% no acumulado do ano. O México é a quarta maior fonte de importação de carne bovina dos EUA, com um aumento de 27,4% no acumulado do ano, representando 11,9% do total. Segundo o analista norte-americano, o aumento na quantidade da proteína importada do México no acumulado do ano foi o maior entre todas as fontes, colocando o país vizinho à frente da Nova Zelândia nos primeiros cinco meses do ano. Com isso, a Nova Zelândia agora é a quinta maior fonte de importação de carne bovina, com uma queda de 3,6% no acumulado de 2026 e representando 10,3% do total das importações. Na avaliação de Peel, as importações de carne bovina dos EUA representam uma importante contribuição para o abastecimento total da proteína no país, sobretudo para o mercado de carne moída.

BEEF CENTRAL

SUÍNOS 

Suíno vivo atinge menor valor real desde 2006 em SP-5

Cotações caem pelo sexto mês seguido, enquanto exportações batem recorde no semestre e ajudam a escoar a oferta.

O suíno vivo foi negociado, em média, a R$ 5,25/kg na região SP-5 em junho. O preço recuou 2,9% frente a maio e 41,2% na comparação anual. Em termos reais, a cotação foi a menor desde julho de 2006. As exportações somaram o recorde de 785,4 mil toneladas no primeiro semestre.  A queda dos insumos estabilizou a relação de troca do produtor paulista. A carcaça suína perdeu competitividade frente às carnes bovina e de frango. Os preços do suíno vivo posto na indústria recuaram pelo sexto mês consecutivo em junho de 2026. Na região SP-5, que reúne Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba, a média mensal ficou em R$ 5,25/kg, queda de 2,9% frente a maio e de 41,2% na comparação com junho de 2025. Em termos reais, foi o menor valor desde julho de 2006. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o movimento está relacionado ao crescimento do plantel de matrizes nos últimos quatro anos, enquanto a demanda doméstica não avançou na mesma proporção. As exportações contribuíram para o escoamento, mas ainda não foram suficientes para absorver o excedente de oferta. No primeiro semestre, o Brasil exportou 785,4 mil toneladas de carne suína, maior volume da série da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) para o período. O resultado representa alta de 10% frente aos seis primeiros meses de 2025. Pela primeira vez, todos os meses do semestre registraram embarques superiores a 110 mil toneladas. Em junho, foram exportadas 131,1 mil toneladas, avanço de 2,5% sobre maio, mas recuo de 3,3% na comparação anual. As Filipinas lideraram os destinos, com 214 mil toneladas no semestre, crescimento de 32%. O volume ficou próximo da soma adquirida por Japão, China e Chile, que totalizou 217 mil toneladas. Em junho, o milho e o farelo de soja recuaram 2,8%, enquanto o suíno vivo em SP-5 caiu 2,9%. Com isso, foi interrompida a sequência de oito meses de piora na relação de troca com o milho. O produtor paulista conseguiu adquirir 4,95 quilos de milho ou 3,15 quilos de farelo de soja com a venda de um quilo do animal vivo, resultados praticamente estáveis frente a maio. A carcaça suína especial teve média de R$ 8,58/kg na Grande São Paulo, queda de 1% frente a maio e menor valor real desde setembro de 2018. Mesmo com o aumento sazonal da demanda, os estoques da indústria permaneceram elevados. Como o frango resfriado e a carcaça bovina recuaram com maior intensidade, a carne suína perdeu competitividade diante das duas proteínas. O movimento interrompeu oito meses de ganhos frente à carne bovina e dois meses frente ao frango.

FEED&FOOD

imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br

POWERED BY NORBERTO STAVISKI EDITORA LTDA

Whatsapp 041 999368886

 

abrafrigo

Leave Comment