
Ano 11 | nº 2750 | 09 de julho de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi: cai a cotação da vaca em São Paulo
Compras moderadas e escalas atendidas mantiveram a pressão sobre o mercado do boi gordo. Na comparação feita dia a dia, a cotação da vaca caiu R$5,00/@. Para as demais categorias, estabilidade.
Segundo levantamento da Scot Consultoria, no mercado paulista, os lotes de boi gordo direcionado ao mercado interno, de “boi-China”, de vaca gorda e de novilha terminada são negociados, respectivamente, por R$ 330/@, R$ 335/@, R$ 307/@ e novilha R$ 322/@ (preços brutos e a prazo). O volume de negócios fechados esteve baixo. A indústria estava oferecendo preços menores, enquanto a ponta vendedora resistia a essas ofertas. Entretanto, havia quem negociava diante das ofertas vigentes, permitindo a composição das escalas aos poucos. As escalas de abate atendiam, em média, a uma semana, e não havia interesse em alongá-las. Alguns frigoríficos deixaram de abater aos sábados e ajustavam as programações para evitar estoques e manter as escalas. Os frigoríficos com maior necessidade ou negociando lotes maiores ofertavam preços ligeiramente acima das referências, mas esses negócios foram pontuais. No Mato Grosso do Sul, em meio a um mercado nacional pressionado, as cotações não mudaram. Apesar da demanda moderada, a oferta de gado gordo estava enxuta, sustentando as cotações. Na comparação feita dia a dia, as cotações ficaram estáveis e, ao longo da segunda semana de julho, em nenhuma das três praças pecuárias a cotação caiu. Em Santa Catarina, a cotação não mudou. As escalas de abate atendiam, em média, sete dias.
SCOT CONSULTORIA
Preços do boi gordo evidenciam ‘guerra’ entre pecuarista e frigoríficos
Analista diz que produtor fica em desvantagem para cadenciar o ritmo dos negócios por conta do atual momento das pastagens. O mercado físico do boi gordo ainda se depara com inexpressivo fluxo de negociações no decorrer da semana.
O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias salienta que os pecuaristas relutam em entregar os animais nas atuais condições de preço, enquanto os frigoríficos que ainda operam com escalas encurtadas tentam sustentar a pressão baixista. “No entanto, é válido ressaltar que as condições para cadenciar o ritmo dos negócios são piores no momento, considerando o atual momento das pastagens, além da necessidade de girar os negócios nos confinamentos, operação que representa crescimento representativo dos custos a cada dia adicional”, detalha. Segundo ele, o virtual esgotamento da cota chinesa é um elemento importante a ser mencionado neste momento, com as indústrias ainda operando com maior capacidade ociosa para se adequar a uma realidade de menor exportação para o principal mercado do Brasil nos últimos anos. Preços médios do boi gordo: São Paulo: R$ 327,50 — ontem: R$ 327,83. Goiás: R$ 314,71 — ontem: R$ 314,71. Minas Gerais: R$ 309,41 — ontem: R$ 309,65. Mato Grosso do Sul: R$ 322,61 — ontem: R$ R$ 320,80. Mato Grosso: R$ 317,70 — ontem: R$ 317,30. No mercado atacadista, o mercado atacadista se depara com preços estáveis. A eliminação precoce da seleção brasileira de futebol resulta em uma expectativa mais comedida de consumo em relação à Copa do Mundo. “A carne bovina ainda perde competitividade se comparado as proteínas concorrentes, em especial em relação à carne de frango”, destaca. Quarto dianteiro: R$ 20,00 por quilo. Quarto traseiro: R$ 25,50 por quilo. Ponta de agulha: R$ 18,50.
AGÊNCIA SAFRAS
Cadeia da pecuária tenta alinhar solução sobre uso de antimicrobianos
União Europeia exige que exportações para lá sejam livres desses produtos e vai bloquear embarques brasileiros a partir de setembro se não houver comprovação técnica. O tema tem gerado divergências na cadeia pecuária nos últimos meses
Representantes da indústria de carnes, de pecuaristas e do Ministério da Agricultura se reuniram na quarta-feira (8/7) na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, para tentar alinhar uma solução sobre o uso de antimicrobianos no país. A União Europeia exige que as exportações para lá sejam livres desses produtos e vai bloquear a entrada de proteínas e derivados brasileiros a partir de setembro se não houver comprovação técnica, com impacto anual de até US$ 1,8 bilhão. O tema tem gerado divergências na cadeia pecuária nos últimos meses. A indústria pediu ao governo a proibição do uso de antimicrobianos no país como resposta aos europeus e garantia de não uso no país para evitar um fechamento do mercado, mas os criadores são contra. Ao mesmo tempo, o Ministério da Agricultura determinou, desde a semana passada, o controle de ciclo completo da vida dos animais e a segregação daqueles que serão abatidos com destino à Europa. A senadora e ex-ministra Tereza Cristina (PP-MS) intermediou o encontro para “colocar todo mundo na mesma página”. Na terça-feira (7/7), o ministro da Agricultura, André de Paula, encaminhou respostas a um requerimento de informações do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES) sobre a eventual exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados para a UE a partir de 3 de setembro e as providências que foram adotadas pela Pasta desde 2022 para adequação da cadeia pecuária brasileira às exigências europeias. O ministério responsabilizou, em parte, o setor privado pela falta de uma solução prévia que evitasse o veto europeu. “Alguns dos antimicrobianos proibidos pela União Europeia encontram-se regularmente registrados no Brasil para uso na bovinocultura, na avicultura de corte e postura e na suinocultura, apresentando finalidade veterinária relevante para os sistemas de produção pecuária. Sendo assim, as providências necessárias para viabilizar a exportação dependem, em grande medida, do desenvolvimento e da implementação, pelo setor produtivo, de sistemas de controle privados capazes de garantir a segregação da produção em conformidade com os requisitos da União Europeia”, escreveu a Pasta. A documentação relata troca de e-mails e a realização de reuniões desde 2023 entre o ministério e entidades dos segmentos envolvidos e potencialmente impactados. Foram ao menos 32 tratativas desde então. “Os setores produtivos foram alertados de que os sistemas de controle necessários ao cumprimento dos requisitos da União Europeia possuem natureza privada, já que não havia perspectiva de proibição de uso no Brasil dos antimicrobianos vedados pela UE”, informou a Pasta. A intenção da reunião da quarta-feira, segundo fontes, foi nivelar as conversas e definir qual estratégia será adotada pelo Brasil para não fragilizar a imagem do país lá fora, não gerar questionamentos à credibilidade da fiscalização sanitária nacional nem gerar implicações comerciais relevantes. Uma avaliação que será feita é sobre um apoio uniforme à estratégia de segregação ou ao banimento dos antimicrobianos. A CNA já se posicionou contra a proibição dos produtos. Um alerta feito pelos pecuaristas é que isso pode gerar implicações no boi China. Isso porque um dos produtos que a indústria quer banir, a monensina, é usada como melhorador de desempenho e eficiência alimentar, que ajuda o gado a atingir peso mais jovem. O animal abatido para envio de carnes aos chineses deve ter, no máximo, 30 meses. Argentina e Uruguai já baniram o uso de antimicrobianos, mas nesses países os laboratórios passaram a oferecer produtos alternativos aos pecuaristas. No Brasil, não há substitutos viáveis, dizem fontes. Ao mesmo tempo, as raças criadas por pecuaristas argentinos e uruguaios são europeias e mais precoces. Já no Brasil, prevalece a criação de zebuínos, que não atingem o ponto de abate tão rapidamente sem o uso de indutores como a monensina, que não é um hormônio.
GLOBO RURAL
Ministério responsabiliza parte do setor privado por veto da UE às proteínas brasileiras
Foram ao menos 32 tratativas desde 2023, com alertas sobre a necessidade de adotar controles no campo e na indústria. UE exige não uso de antimicrobianos na cadeia pecuária e retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados a partir de setembro
O Ministério da Agricultura responsabilizou, em parte, o setor privado pela falta de uma solução prévia para atender às exigências de fiscalização sanitária da União Europeia que pudesse evitar o bloqueio das exportações para lá. O bloco exige comprovação do não uso de antimicrobianos na cadeia pecuária e retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados a partir de 3 de setembro de 2026. O posicionamento está em uma documentação enviada na terça-feira (7/7) pelo ministro da Agricultura, André de Paula, como resposta a um requerimento de informações do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES). O parlamentar questionou quais foram as providências adotadas pela Pasta desde 2022 para adequação da cadeia pecuária brasileira às exigências europeias. “As providências necessárias para viabilizar a exportação dependem, em grande medida, do desenvolvimento e da implementação, pelo setor produtivo, de sistemas de controle privados capazes de garantir a segregação da produção em conformidade com os requisitos da União Europeia”, escreveu a Pasta na resposta enviada ao deputado, obtida pela reportagem. Procurado, o ministério ainda não respondeu. O espaço segue aberto. A documentação relata troca de e-mails e a realização de reuniões desde 2023 entre o ministério e entidades dos segmentos envolvidos e potencialmente impactados. Foram ao menos 32 tratativas desde então, com alertas sobre a necessidade de adotar controles no campo e na indústria. “Os setores produtivos foram alertados de que os sistemas de controle necessários ao cumprimento dos requisitos da União Europeia possuem natureza privada, já que não havia perspectiva de proibição de uso no Brasil dos antimicrobianos vedados pela UE”, informou a Pasta. Na documentação, o ministério cita que alguns dos antimicrobianos proibidos pela União Europeia encontram-se regularmente registrados no Brasil para uso na bovinocultura, na avicultura de corte e postura e na suinocultura, apresentando finalidade veterinária relevante para os sistemas de produção pecuária. No texto, a Pasta ressalta ainda que cabe à Secretaria de Defesa Agropecuária avaliar, por meio de verificação oficial, “a capacidade destes sistemas de controle privados de garantir o cumprimento dos requisitos da União Europeia, conferindo o devido respaldo à certificação oficial dos produtos exportados”. Em outro trecho, o ministério disse que “não há elementos no processo que permitam afirmar que a exclusão do Brasil decorreu de falha administrativa, atraso regulatório ou insuficiência diplomática”. A Pasta relatou ainda que o eventual bloqueio é considerado uma “barreira sanitária” pelo governo brasileiro. “Toda restrição de qualquer origem não tarifária é uma nova barreira. No entanto, não se pode classificar de imediato como uma barreira comercial, mas uma barreira sanitária”. As exportações brasileiras dos setores listados para a União Europeia alcançaram US$ 1,388 bilhão em 2023, US$ 1,455 bilhão em 2024 e US$ 2,026 bilhões em 2025. No acumulado de 2026 até março, somaram US$ 768,8 milhões, informou o ministério. A “exposição comercial” à UE é mais significativa para os segmentos de carnes de aves e carne bovina. “Esses setores e suas respectivas cadeias exportadoras, incluindo plantas habilitadas, produtores fornecedores, operadores logísticos e demais prestadores vinculados ao comércio exterior desses produtos, tendem a ser os mais suscetíveis a efeitos adversos em caso de suspensão das exportações ao mercado europeu. Os impactos efetivos, entretanto, dependerão da duração da restrição, da possibilidade de redirecionamento para outros mercados e da evolução das tratativas técnicas e regulatórias conduzidas pelas áreas competentes”, informou o ministério. O Ministério da Agricultura destacou a homologação, no fim de maio, do Protocolo de Exportação de Bovinos Livres de Medicamentos Antimicrobianos, de adesão voluntária e que assegura a não utilização de antimicrobianos durante toda a vida do animal, a manutenção da rastreabilidade individual contínua e a conjugação de controles privados com verificação oficial. Mesmo assim, a certificação deve demorar, ao menos, dois anos, prazo entre o nascimento e o abate dos animais a partir de agora. O pedido de um período de transição, para evitar a interrupção das exportações, não foi aceito pela UE. “Em 20 de maio de 2026, o embaixador do Brasil relatou reunião com a Direção Geral da DG SANTE [autoridade sanitária europeia], responsável pela avaliação dos documentos. Na reunião foi informado que a DG SANTE não se manifestaria sobre o protocolo e não aceitaria a proposta do período de transição do protocolo”, relatou a Pasta. Para a cadeia de aves, de ciclo mais curto, já houve alinhamento com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo a Pasta, foram definidos os controles a serem adotados pela cadeia produtiva para garantir a verificação do atendimento dos requisitos da UE, já que os animais têm ciclo de vida mais curto, de cerca de 40 dias. “Em relação ao controle oficial a campo, as verificações serão programadas anualmente com base em amostragem baseada em risco, contemplando estabelecimentos avícolas que fornecem aves e ovos a agroindústrias habilitadas a exportar para a União Europeia”, explica o documento. As verificações serão conduzidas in loco pelo Serviço Veterinário Oficial (SVO), para “avaliar a utilização ou a existência de indícios de uso de antimicrobianos e de promotores de crescimento, em alinhamento com a legislação da União Europeia e com base nas garantias de autocontrole fornecidas pelo setor privado”. Os servidores federais vão verificar as dependências das granjas e analisar documentos, como registros dos lotes em produção, com foco no uso de medicamentos para fins terapêuticos via água de bebida, na composição da ração fornecida, para avaliação de utilização de promotores de crescimento, e na respectiva rastreabilidade. O processo também prevê a emissão do Boletim Sanitário pelo médico veterinário responsável, no envio das aves para o abate, com a consolidação das informações referentes aos diagnósticos realizados, aos medicamentos administrados, à duração dos tratamentos e à comprovação do cumprimento dos respectivos períodos de carência. O documento é submetido à avaliação do Serviço de Inspeção Federal (SIF) com antecedência mínima de 24 horas à realização do abate. O novo procedimento já começou a ser aplicado na semana passada. A expectativa é que a comprovação seja validada pelos europeus. Mesmo assim, há possibilidade de o comércio ser suspenso em setembro e retomado alguns meses depois.
GLOBO RURAL
Cadeia pecuária ainda busca consenso sobre exportações para a UE
Reunião sobre o tema foi realizada na quarta-feira, mas nenhuma decisão foi tomada. Indústrias de carne pediram ao Ministério da Agricultura o banimento do uso de antimicrobianos no Brasil; pecuaristas são contra
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou que a reunião realizada na manhã da quarta-feira entre pecuaristas, indústria de carnes e governo serviu de alinhamento para firmar um posicionamento único da cadeia sobre o uso de antimicrobianos no país e o atendimento às exigências da União Europeia para manter as exportações. Segundo ela, nenhuma decisão foi tomada até agora e outras reuniões serão realizadas em breve. A ex-ministra da Agricultura citou a necessidade de ouvir os pontos de todos os agentes envolvidos para definir uma estratégia governamental de atuação nesse tema. Ela reforçou que o Brasil consegue controlar o uso desses produtos e fazer a comprovação exigida pela Europa. “O problema é que precisamos alinhar os conceitos, e isso não tinha sido feito até então. Precisamos unir os elos, para não deixar ninguém vulnerável. O produtor precisa do frigorífico e o frigorífico precisa do produtor”, afirmou à reportagem. A reunião foi realizada em Brasília, na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Recentemente, as entidades das indústrias de carnes bovinas e de aves pediram ao Ministério da Agricultura o banimento total do uso de antimicrobianos no Brasil como forma de garantir aos europeus que os produtos exportados para lá estão livres desses medicamentos. Os pecuaristas são contra e alegam aumento de custos na produção se não houver possibilidade de usar alguns desses itens. “Foi uma reunião muito boa, de alinhamento e posicionamento entre a cadeia. Vamos fazer outras reuniões como essa nos próximos dias”, afirmou Tereza Cristina. Segundo ela, não houve definição sobre um eventual apoio unânime da cadeia para o banimento de antimicrobianos nem para os mecanismos de segregação dos animais e comprovação de não uso dos medicamentos proibidos pela UE. Ela disse ainda que a reunião busca formar uma base para traçar estratégias de atuação. “Ouvimos os pontos de todos os lados, do produtor, dos frigoríficos, do governo e dos clientes, que é a União Europeia. Tínhamos que alinhar isso para encontrar qual será a estratégia”, acrescentou.
GLOBO RURAL
TECNOLOGIA
Embrapa Cria uma Espécie de Impressão Digital para Identificar Carnes
A identificação da espécie de origem de um corte de carne acaba de ganhar uma ferramenta desenvolvida no Brasil. Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), localizada na capital Campo Grande, e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) criaram uma metodologia baseada em espectrometria de massas capaz de diferenciar carnes bovinas, suínas, de frango e de tilápia em aproximadamente 20 minutos.
O método também distingue amostras de bovinos das raças Nelore e Angus, o que abre espaço para aplicações em certificação de produtos de maior valor agregado. “Foi possível construir um banco de dados com perfis de massa das proteínas de diferentes carnes para, por exemplo, avaliar a qualidade do produto ou para fins de fiscalização”, afirma Newton Verbisck, pesquisador da Embrapa Gado de Corte e coordenador do estudo. A tecnologia utiliza a espectrometria de massas MALDI-TOF, técnica já empregada em diversas áreas da pesquisa científica e no diagnóstico de microrganismos na pecuária. Segundo os pesquisadores, esta é a primeira aplicação da ferramenta no Brasil para diferenciar tecidos de espécies animais distintas e identificar carnes mesmo após congelamento ou fritura. O processo funciona a partir da análise das proteínas presentes na carne. Cada espécie produz um perfil molecular específico, comparável a uma impressão digital. Esses perfis são registrados em um banco de dados que permite reconhecer posteriormente a origem da amostra analisada. Além da identificação entre bovinos, suínos, aves e peixes, os testes conseguiram separar carnes das raças Nelore e Angus. Segundo Verbisck, o protocolo desenvolvido simplifica as etapas laboratoriais e reduz o tempo de análise sem comprometer a precisão dos resultados. Enquanto métodos baseados em análises genéticas costumam demandar mais tempo e custos maiores, a nova metodologia realiza todo o procedimento em cerca de 20 minutos. A tecnologia pode ampliar o controle de qualidade na cadeia de proteínas animais. Entre as aplicações previstas estão programas de certificação, rastreabilidade biológica, fiscalização sanitária e combate à substituição indevida de carnes, prática que causa prejuízos ao consumidor e ao mercado formal. O banco de dados criado pelos pesquisadores também foi estruturado para receber novos perfis moleculares. A expectativa da equipe é ampliar gradualmente a base de informações até incluir diferentes espécies e produtos comercializados no mercado brasileiro, aumentando a capacidade de identificação da ferramenta. O método começa com a retirada de um pequeno fragmento da parte interna da carne, evitando interferências superficiais. As proteínas são extraídas em solução específica, preparadas para ionização por laser e analisadas no espectrômetro de massas. Em poucos segundos, o equipamento determina o perfil molecular da amostra, que é comparado ao banco de dados para identificar sua origem. A Embrapa avalia que a metodologia pode fortalecer programas de certificação de carnes premium, apoiar órgãos de fiscalização e oferecer uma alternativa mais rápida para confirmar a autenticidade de produtos destinados ao mercado interno e às exportações.
FORBES
ECONOMIA
Dólar fecha perto da estabilidade apesar das tensões no Oriente Médio
O dólar fechou a quarta-feira perto da estabilidade ante o real, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha sustentado ganhos ante outras divisas de países emergentes, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o acordo provisório com o Irã foi encerrado.
O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,11%, aos R$5,1484. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 6,21% ante o real. Às 17h02, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,28% na B3, aos R$5,1780. Após novos ataques do Irã a bases norte-americanas no Golfo Pérsico, Trump afirmou mais cedo nesta quarta-feira que o acordo provisório para encerrar a guerra com o Irã “acabou” e ameaçou o país com novas ofensivas na noite da quarta-feira. “Eles são escória. São pessoas doentes. São liderados por pessoas doentes”, declarou Trump a repórteres em Ancara, onde participava de uma cúpula da Otan. “Para mim, é apenas perda de tempo lidar com eles.” Durante a tarde, em uma fala menos incisiva, Trump disse não acreditar que um conflito em grande escala com o Irã venha a eclodir após os ataques militares de ambos os lados. Ainda assim, o petróleo Brent se manteve em alta firme durante todo o dia, perto dos US$80 em alguns momentos, enquanto os rendimentos dos Treasuries avançaram, em meio a preocupações renovadas de que a guerra pressione a inflação norte-americana. Nos mercados de moedas, o dólar subiu ante divisas de emergentes como a rupia indiana, o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano. No Brasil, o dólar oscilou entre a cotação máxima de R$5,1846 (+0,60%) às 9h01, logo após a abertura, e a mínima de R$5,1364 (-0,34%) às 9h54, ainda na primeira hora de negócios. Na maior parte da sessão, no entanto, a moeda se manteve próxima da estabilidade. Profissionais do mercado citaram o fato de o Brasil, como exportador de petróleo, ser favorecido quando o preço da commodity avança, o que estaria contribuindo para as cotações do dólar não avançarem ante o real. No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap para rolagem do vencimento de 3 de agosto. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$3,909 bilhões em junho. No exterior, às 17h10, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,20%, a 100,980. Nesta quinta-feira, apesar do feriado da Revolução Constitucionalista de 1932 no Estado de São Paulo, a B3 funcionará normalmente, incluindo a negociação com dólar futuro e cupom cambial.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com Oriente Médio e juros dos EUA em foco
O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, perdendo o patamar dos 170 mil pontos no pior momento, com o Oriente Médio e a política monetária norte-americana ocupando as atenções de investidores.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,79%, a 170.653,45 pontos, após chegar a 169.972,40 pontos na mínima. Na máxima do dia, marcou 172.017,57 pontos. O volume financeiro somou R$21,75 bilhões. O pregão abriu pressionado pela declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que um acordo provisório para encerrar a guerra com o Irã “está acabado”, depois que Teerã realizou novos ataques a bases norte-americanas no Golfo. Em uma escalada de hostilidades, o Irã informou ter atacado instalações militares dos EUA no Barein e no Kuweit, após forças norte-americanas atingirem alvos iranianos em resposta a ataques contra navios-tanque no Estreito de Ormuz. Trump alertou o Irã de que os EUA provavelmente realizarão novos ataques na noite desta quarta-feira, mas disse que não acredita que um conflito em grande escala venha a eclodir. Os preços do petróleo responderam com alta relevante aos últimos eventos naquela região. O barril sob o contrato Brent fechou em alta de 5,2%, a US$78,02. No final da tarde, o Exército dos EUA informou que forças armadas norte-americanas estavam realizando novos ataques contra o Irã. Em Wall Street, o índice acionário S&P 500 cedeu 0,28%, refletindo também a repercussão da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, quando a taxa de juros de referência dos EUA foi mantida na faixa de 3,50% a 3,75%. O documento mostrou aumento da preocupação com a inflação no encontro do mês passado, o primeiro sob o comando de Kevin Warsh, com alguns participantes vendo motivos para elevar o juro imediatamente, embora tenham apoiado a manutenção. Na visão da economista Andressa Durão, do ASA, a ata confirma que o cenário base do Fed para a política monetária mudou de uma expectativa de manutenção da taxa de juros ao longo deste ano para a possibilidade de novas altas. A B3 funcionará normalmente da quinta-feira, feriado no Estado de São Paulo que celebra a Revolução Constitucionalista de 1932.
REUTERS
Brasil tem fluxo cambial positivo de US$3,909 bi em junho, diz BC
O Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$3,909 bilhões em junho, conforme dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central.
Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$5,831 bilhões em junho. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de junho foi positivo em US$9,740 bilhões. Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Na semana passada, de 29 de junho a 3 de julho, saíram do país US$4,218 bilhões. No acumulado do ano até 3 de julho, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$16,824 bilhões.
REUTERS
FMI eleva previsão de crescimento do Brasil em 2026 de 1,9% para 2,4%
Na avaliação do Fundo, economia brasileira tem mostrado resiliência, mas desacelera em 2027
O Fundo Monetário Internacional (FMI) fez uma revisão para cima das previsões de crescimento do Brasil em 2026. Em relatório divulgado na quarta-feira, a entidade agora estima que o PIB brasileiro crescerá 2,4% neste ano – uma alta de 0,5 ponto percentual em relação às previsões divulgadas em abril. Para 2027, a nova estimativa do FMI é de expansão de 2,2% para o PIB do país, 0,2 ponto a mais do que no relatório World Economic Outlook (Panorama Econômico Mundial) de abril. Já o PIB global deve crescer 3% neste ano e 3,4% no próximo, segundo o Fundo. No documento, o FMI afirma que o crescimento no Brasil “permanecerá resiliente” neste ano, mas “desacelerará um pouco” em 2027. Parte da revisão se justifica porque o Fundo avalia que exportadores de petróleo que estão fora da zona de conflito no Oriente Médio, caso brasileiro, têm sido favorecidos pela melhora nos termos de troca. Em entrevista coletiva para detalhar o relatório, a diretora-adjunta do Departamento de Pesquisa do FMI, Petya Koeva Brooks, avaliou como “significativo” o ajuste na previsão para a economia brasileira. “Naturalmente, a condição do Brasil como exportador de petróleo, o maior apoio da política fiscal e o consumo privado robusto explicam a revisão para cima das projeções”, disse Brooks, acrescentando que uma forte safra também contribuiu para o crescimento no primeiro trimestre. Nos três primeiros meses de 2026, o PIB brasileiro cresceu 1,1% ante os três meses imediatamente anteriores, no resultado trimestral mais forte em um ano. A projeção do FMI para este ano é mais otimista do que a de economistas consultados pelo Banco Central na pesquisa Focus. Na última segunda-feira, a projeção mediana apontava uma expansão de 1,99% do PIB brasileiro neste ano e de 1,69% no próximo. O Ministério da Fazenda manteve em maio a previsão de que a economia brasileira crescerá 2,3% em 2026, sustentada pela expansão da indústria e dos serviços, apesar de ume esperada desaceleração da agropecuária. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, antecipou na semana passada que o FMI iria revisar para cima a previsão para a economia brasileira neste ano. Em um outro relatório divulgado na última quarta-feira, o FMI já havia afirmado que a economia brasileira permaneceu “notavelmente resiliente” diante de múltiplos choques. O Fundo projetou que, após desacelerar em 2025, o crescimento do Brasil se recuperará neste ano e atingirá cerca de 2,5% no médio prazo.
VALOR ECONÔMICO
Poupança perde R$ 39,4 bi no 1º semestre, 11º período seguido no vermelho
Os saques das cadernetas de poupança superaram os depósitos em R$ 39,356 bilhões no primeiro semestre de 2026, mostra relatório divulgado ontem pelo BC (Banco Central)
O resultado equivale ao 11º semestre consecutivo de perdas da aplicação. O déficit líquido da aplicação entre janeiro e junho deste ano resulta de R$ 2,136 trilhões em novos depósitos e do saque de R$ 2,175 trilhões. Saldo deste ano mantém a sequência de perdas para o período. O período entre janeiro e junho representa o 11º semestre consecutivo com saída líquida de recursos da poupança. Ainda assim, o desempenho foi 20,7% menor do que a baixa verificada no mesmo período do ano passado (R$ 49,6 bilhões). A última captação da aplicação foi registrada em 2020, quando os depósitos superaram os saques em R$ 166,3 bilhões. Na ocasião, as contas foram infladas pelo Auxílio Emergencial, que era depositado nas cadernetas. Em junho, as perdas da caderneta somaram R$ 237,5 milhões. O desempenho negativo ocorreu com o depósito de R$ 378,1 bilhões e a retirada de R$ 378,3 bilhões da poupança no mês. O saldo reverte a entrada líquida de R$ 2,6 bilhões registrada em maio, único resultado mensal positivo deste ano. Com as perdas recentes, o volume de aplicações fechou o primeiro semestre em R$ 1,02 trilhão, valor 0,1% abaixo do apurado há um ano (R$ 1,019 trilhão). Ao final do ano passado, o montante total era de R$ 1,022 trilhão e recuou para R$ 999,8 bilhões no primeiro semestre. Aplicações na poupança rendem 0,5% ao mês + TR (Taxa Referencial). O percentual vale sempre que a taxa básica de juros figurar acima de 8,5% ao ano. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano e a TR oscila próxima de 0% desde 2017. A rentabilidade faz com que a poupança, ainda que seja um investimento visto como confiável pela população e tenha superado a inflação nos últimos anos, perca competitividade frente a outros investimentos conservadores, como CDB, LCI e o Tesouro Selic.
UOL ECONOMIA
Desembolsos do crédito rural caíram 12% na safra 2025/26
Endividamento elevado e aversão a risco tornaram instituições financeiras mais seletivas na concessão de empréstimos aos produtores. Liberação de crédito rural teve a segunda safra seguida de retração
Pressionados pela alta no endividamento rural e com maior aversão ao risco diante dos problemas climáticos e financeiros do campo, bancos pisaram no freio na concessão de financiamentos na safra 2025/26, encerrada na semana passada. O desembolso de recursos das linhas tradicionais do crédito rural recuou 12% na comparação com a temporada anterior. É a segunda safra seguida de queda nos desembolsos. Foram concedidos R$ 338,9 bilhões a pequenos, médios e grandes produtores, com retração nos montantes liberados para custeio (-13%), investimentos (-17%) e comercialização (-25%) e expansão na industrialização (54%). Os dados são do Banco Central, extraídos em 2 de julho a pedido do Valor. A queda se concentrou nos valores liberados a grandes produtores, que acessaram R$ 210,1 bilhões, 19% menos que na safra anterior. Esse público tem se financiado cada vez mais pela emissão de Cédulas de Produto Rural (CPRs). Até maio, haviam sido liberados R$ 185,1 bilhões por esses títulos. O governo ainda não tem os dados consolidados até junho. A expectativa é que os números fechem entre R$ 200 bilhões e R$ 210 bilhões. As concessões de crédito para a agricultura familiar e os médios produtores tiveram ligeiras altas de 3% e 5% respectivamente. Foram liberados R$ 67,4 bilhões pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e R$ 61,4 bilhões no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor (Pronamp). Do montante total, R$ 181,3 bilhões foram liberados para custeio, R$ 84,9 bilhões para investimentos, R$ 37,8 bilhões para comercialização e R$ 34,9 bilhões para industrialização. O desembolso na safra 2025/26 inclui ainda cerca de R$ 47 bilhões de operações realizadas para a renegociação de dívidas rurais, autorizadas pela Medida Provisória 1.314/2025. O valor liberado via linhas de crédito rural na safra 2025/26 é quase 20% menor que o desempenho do ciclo 2023/24, quando foram emprestados R$ 421,8 bilhões aos produtores rurais. Os dados do Banco Central mostram que nas últimas duas temporadas diminuiu a participação dos bancos públicos (-29%) e privados (-25%) na concessão dos financiamentos do Plano Safra e aumentou a fatia desse mercado ocupada pelas cooperativas financeiras (+15%). Para Ivan Wedekin, consultor em crédito rural e ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, chamou a atenção o recuo acentuado dos valores destinados ao custeio nas últimas duas temporadas. O governo justifica que os recursos têm sido liberados para essa finalidade por meio das CPRs. “Mais uma vez o Plano Safra mostra que é uma certa ilusão estatística. Incluíram as CPRs no cálculo do volume de recurso de crédito rural, mas elas não são uma linha de crédito. A CPR é um título de crédito emitido pelo produtor e que não entra na contabilização como empréstimo do crédito rural no Banco Central”, disse. Para 2026/27, o Ministério da Agricultura incluiu R$ 38,5 bilhões de programas independentes e que não são de fontes tradicionais do crédito rural no bolo do Plano Safra. “Não é mais possível fazer política agrícola sem considerar que todo produtor vincula o resultado da sua produção a diversas destinações e financiadores. Também é preciso reconhecer a ineficiência alocativa do subsídio público na equalização de encargos. O Tesouro Nacional não é mais motor da atividade produtiva rural, é freio de mão”, disse José Carlos Vaz, consultor jurídico do Agronegócio e ex-secretário de Política Agrícola do Ministério. Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os bancos têm “escolhido a dedo” para quem vão emprestar. A maior seletividade e cobrança por mais garantias empurraram o produtor para o mercado privado. “A questão é que, mesmo nesse mercado, as coisas também estão mais difíceis. Vemos um clima geral de muita precaução”, disse Guilherme Rios, assessor de Política Agrícola da entidade. Com a manutenção da restrição financeira em 2026/27, a CNA não descarta redução de área plantada no país. “Esta safra vai exigir muita habilidade e jogo de cintura na sua condução. O que se escuta dos produtores é que eles estão reduzindo a área plantada e optando por pacotes tecnológicos mais enxutos. E não é só a dificuldade de conseguir crédito rural que pesa nessas decisões, mas também a falta de ferramentas eficazes para gerenciar riscos”, acrescentou Rios. A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) disse que a conjuntura mais problemática no entorno dos produtores levou a uma reprogramação no campo. “A capacidade de pagamento dos agricultores foi reduzida e as taxas de juros elevadas, junto, ainda, a um câmbio volátil e, adicionalmente, a intensificação das tensões comerciais por conta de conflitos geopolíticos”, afirmou Rodolfo Jordão, coordenador do ramo agropecuário da entidade. Para a safra 2026/27, a OCB prega cautela. “O que se observa na ponta são pacotes tecnológicos mais conservadores, redução nos investimentos de médio e longo prazo e cautela nas decisões inerentes à expansão de área por meio de arrendamento e novas infraestruturas no campo”, afirmou Jordão.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
Argentina pode absorver parte do excedente de carne bovina brasileira após o fim da cota chinesa
Reportagem do jornal Clarin destaca preços competitivos da proteína brasileira, que “custam cerca de 25% menos do que a carne argentina e apresentam qualidade satisfatória, bem aceita pelos consumidores locais”
Nos próximos meses, a Argentina poderá registrar importações recordes de carne bovina do Brasil, na esteira do esgotamento da cota brasileira de exportação para a China e de um suposto bloqueio do mercado da União Europeia, a partir de setembro/26. É o que prevê reportagem publicada no jornal Clarín, citando como fontes importadores e distribuidores da proteína brasileira. Segundo o jornal, com a saída da China do foco do Brasil, é esperada uma “oferta excedente de cortes brasileiros, que custam cerca de 25% menos do que a carne argentina e apresentam qualidade satisfatória, bem aceita pelos consumidores locais”. De acordo com a reportagem do Clarín, as importações totais de carne bovina da Argentina, que vêm crescendo rapidamente, poderão representar entre 2,5% e 3% do consumo doméstico neste ano. Pelos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), no acumulado do primeiro semestre de 2026, as exportações de carne bovina in natura para a Argentina totalizaram US$ 57,7 milhões, o que significou aumento de 163,1% (ou + US$ 37 milhões em comparação ao faturamento registrado em igual período de 2025. O setor exportador de carne bovina do Uruguai registrou um marco histórico em junho/26: o valor médio FOB da proteína atingiu patamares recordes, destacou a Agrifatto. A carne congelada com osso obteve uma média de precificação de US$ 4.812 por tonelada, relata a consultoria. Por sua vez, a carne desossada, o segmento de maior valor agregado, apresentou um desempenho ainda mais contundente: o valor médio saltou para US$ 7.215 por tonelada, rompendo pela primeira vez na história a importante barreira técnica dos US$ 7.000/t.
PORTAL DBO
SUÍNOS
Dona da Sulita vai investir R$ 91 milhões em granja
Master Agroindustrial financiará a maior parte do valor, R$ 72,5 milhões, por meio do programa Mais Inovação do BNDES. Mario Faccin, CEO da Master Agroindustrial: busca por sistema competitivo
A Master Agroindustrial, dona da marca Sulita, investirá R$ 91,2 milhões na implantação de uma granja – núcleo para matrizes de suínos, em Canoinhas (SC). Do valor total, R$ 72,5 milhões serão financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do programa BNDES Mais Inovação. O restante são recursos próprios. A empresa, com sede em Videira (SC), é a maior produtora independente de suínos do país. “Nessa unidade, vamos cruzar as linhas puras para produzir avós e matrizes comerciais. Pouco mais de 50% vão atender os produtores integrados e o restante vai atender o mercado”, afirma Mario Faccin, CEO da Master Agroindustrial. A nova unidade terá capacidade para alojar até 5 mil matrizes e produzir de 150 mil a 160 suínos por ano. “Vamos produzir matrizes comerciais fêmeas na unidade. Os machos vão para terminação”, acrescenta Faccin. A companhia possui, atualmente, 45 mil matrizes. Todo ano, em torno de 25 mil animais mais velhos são substituídos por mais jovens. A companhia planeja ampliar o plantel para 66 mil matrizes até 2028. “Vamos precisar de 35 mil a 36 mil matrizes por ano para fazer a reposição com a expansão”, calcula o CEO. O projeto inclui a instalação de biodigestores para produzir biogás e biofertilizantes a partir dos dejetos animais. O biogás será usado para gerar energia para a indústria, e o biofertilizante será repassado para produtores da região. A Master Agroindustrial estima gerar 70 empregos diretos e 280 indiretos na fase de obras. Com a unidade em operação, serão mantidos 35 postos de trabalho diretos e 140 indiretos. A Master Agroindustrial emprega, atualmente, 2 mil pessoas. “O projeto aprovado pelo BNDES vai contribuir com o melhoramento genético de suínos, com impacto relevante na fronteira tecnológica, a partir da produção interna de material genético, além de ampliar a capacidade de fornecimento tanto para o mercado interno quanto externo, abrindo novos caminhos para exportação na América Latina e em outras regiões”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota. A Master Agroindustrial produz as matrizes, faz o abate de suínos e produz cortes e embutidos, vendidos no Brasil e no exterior. A companhia tem 350 integrados que, juntos, produzem 1,2 milhão de suínos por ano para abate. A meta é chegar a 2,1 milhões de animais abatidos por ano até 2028. Para fazer essa expansão, a companhia espera atrair mais 100 a 150 produtores integrados. O investimento faz parte de um plano para dobrar de tamanho até 2030, ampliando a capacidade diária de abates de 3 mil para 6 mil animais. Para isso, a Master Agroindustrial prevê investir aproximadamente R$ 1 bilhão entre 2025 e 2028. Cerca de R$ 250 milhões serão usados na implantação e modernização de estruturas produtivas nas granjas de produtores integrados. O restante será investido nas operações da companhia. O plano prevê ampliação da linha de processados, área de estocagem e congelamento, e a construção de uma nova fábrica de ração animal, aumentando a capacidade de 27 mil toneladas para 44 mil toneladas de ração por mês. Os aportes também incluem a aquisição de uma nova caldeira para peletização de ração. “A preocupação é que o sistema seja competitivo e agregue valor para a empresa e os nossos produtores parceiros. É um processo que tem melhorado a vida do produtor”, afirma Faccin. Cerca de metade da produção é vendida no mercado interno. A outra parte vai para exportação. Faccin diz que a meta da empresa é elevar as vendas proporcionalmente no Brasil e no exterior.
GLOBO RURAL
imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br
POWERED BY NORBERTO STAVISKI EDITORA LTDA
Whatsapp 041 999368886
