
Ano 11 | nº 2715 | 20 de maio de 2026
ABRAFRIGO NA MÍDIA
ABRAFRIGO: Exportações de carne bovina aceleram em abril, mas proximidade do fim da quota chinesa preocupa
As exportações de carne e derivados de bovinos no mês de abril alcançaram valor mensal recorde para ano de 2026, com receitas de US$ 1,743 bilhão e crescimento de 28% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em volume, foram embarcadas 319,23 mil toneladas, crescimento de 4% no mesmo período comparativo.
Os dados, compilados pela ABRAFRIGO com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), mostram que o avanço dos preços internacionais segue impulsionando o desempenho do setor em ritmo superior ao crescimento físico dos embarques, refletindo movimentos de valorização da arroba do boi gordo e de valorização cambial. No acumulado do primeiro quadrimestre, as exportações totais alcançaram US$ 6,083 bilhões, crescendo 31% sobre o mesmo período do ano anterior, enquanto o volume total embarcado somou 1,146 milhão de toneladas (+9%). A carne bovina in natura, que representa 91% das exportações totais do setor, totalizaram US$ 5,552 bilhões entre janeiro e abril de 2026, resultado 35% superior ao do mesmo período de 2025, enquanto o volume embarcado foi de 952,74 mil toneladas (aumento de 15,43%). A China ampliou ainda mais sua liderança como principal destino das exportações brasileiras. Entre janeiro e abril, os chineses importaram 461.185 toneladas, avanço de 19,4%, sobre os resultados de 2025, enquanto as receitas cresceram 42,9%, alcançando US$ 2,693 bilhões. O país respondeu por 44,3% de toda a receita das exportações brasileiras do setor, frente a 40,6% em 2025. Considerando apenas as vendas de carne bovina in natura, a participação da China subiu para 48,5% de janeiro a abril de 2026, ante 45,85% do mesmo período do ano anterior. Estima-se que, até abril de 2026, o Brasil tenha comercializado o equivalente a aproximadamente 70% da sua quota de 1,106 milhão de toneladas, estabelecida em função de medidas de salvaguardas aplicadas pelo governo chinês às importações do produto. Restariam, dessa forma, em torno de 330 mil toneladas a serem exportadas livres da tarifa extraquota de 55%, o que significa algo como pouco mais de 2 meses de exportações brasileiras para a China, ou seja, maio e junho, em se mantendo a tendência de exportações dos últimos meses, conforme se pode observar no gráfico abaixo, o que tem gerado dúvidas e preocupações em toda a cadeia produtiva da carne bovina brasileira. As vendas de carne bovina in natura para os Estados Unidos, segundo maior mercado de exportação, cresceram 14,7% de janeiro a abril de 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior, somando US$ 814,57 milhões. O volume embarcado para aquele mercado cresceu 14,24% no mesmo período, totalizando 135,64 mil toneladas. Considerando toda a cesta de produtos e derivados bovinos, as vendas para os Estados Unidos alcançaram US$ 1,007 bilhão no primeiro quadrimestre de 2026 (+16,7%). O Chile teve uma das expansões mais consistentes entre os grandes mercados. As compras avançaram 24,1% em volume e 35% em faturamento, totalizando US$ 286,1 milhões. Já a Rússia voltou a ganhar relevância com o quarto lugar nas exportações brasileiras, com crescimento de 46,9% nos embarques (40.245 toneladas) e de 61,7% na receita, chegando a US$ 178,4 milhões. Na Europa, o destaque ficou com os Países Baixos, que consolidaram a 5a posição entre os maiores importadores, como importante porta de entrada da carne brasileira no continente. As exportações para o mercado holandês dispararam 319,7% em volume (28.883 toneladas) e 123,5% em faturamento, alcançando US$ 148,3 milhões. O país saltou da sétima para a quinta posição no ranking de compradores da carne bovina brasileira. O Oriente Médio também manteve trajetória positiva. O Egito ampliou as compras em 53% em valor, para US$ 130,4 milhões, enquanto os Emirados Árabes elevaram os desembolsos em 53,5%, atingindo US$ 92 milhões. No Sudeste Asiático, a Indonésia chamou atenção pelo crescimento explosivo: alta de 788,9% em volume (de 1.687 toneladas para 15.000 toneladas) e de 412,5% na receita, alcançando US$ 41 milhões. Na direção oposta, a Argélia registrou a maior retração entre os principais mercados. O faturamento das exportações caiu 59,4%, para US$ 54 milhões, reduzindo a relevância do país no ranking dos importadores. Também houve recuos em mercados tradicionais como Arábia Saudita, Reino Unido, Singapura e Espanha. O Extremo Oriente manteve ampla liderança como principal destino da proteína bovina brasileira. As exportações para a região somaram US$ 2,86 bilhões, alta de 43%, impulsionadas sobretudo pela demanda chinesa. O Sudeste Asiático também ganhou relevância, com crescimento de 33% na receita, enquanto a Europa Ocidental avançou 42%, beneficiada pela forte expansão das vendas aos Países Baixos. No total, 112 países aumentaram suas aquisições enquanto outros 52 reduziram suas compras do produto brasileiro.
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NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo inicia semana estável
Exportações de carne crescem 36% em maio
Pelos dados da Scot Consultoria, no mercado paulista, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 348/@, o “boi-China” está valendo R$ 353/@, a vaca gorda é vendida por R$ 318/@ e a novilha terminada está apregoada em R$ 333/@ (valores brutos, no prazo). O mercado do boi gordo iniciou a terça-feira com ritmo lento de negociações em São Paulo, segundo análise divulgada no informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria. Parte dos frigoríficos permaneceu fora das compras ao longo do dia, avaliando estratégias de atuação diante de escalas de abate consideradas mais confortáveis. De acordo com a consultoria, os frigoríficos que estiveram ativos tentaram pressionar as cotações logo na abertura do mercado, mas poucos negócios foram efetivados. A movimentação ficou condicionada à aceitação dos pecuaristas em negociar a preços menores, o que acabou mantendo os valores estáveis ao longo do dia. Ainda conforme a análise da Scot Consultoria, as escalas de abate em São Paulo estavam, em média, programadas para 10 dias, cenário que contribuiu para a postura mais cautelosa das indústrias frigoríficas. No Rio de Janeiro, o mercado registrou recuo nas cotações. Na comparação diária, o preço caiu R$ 2,00 por arroba para todas as categorias acompanhadas pela consultoria. O desempenho das exportações brasileiras de carne bovina in natura também segue no radar do setor. Apesar da perda de ritmo em relação à primeira semana do mês, os embarques continuam em níveis elevados. Até a segunda semana de maio, o Brasil exportou 141,3 mil toneladas, com média diária de 14,1 mil toneladas, volume 36,2% superior ao registrado por dia em maio de 2025. Segundo a análise da Scot Consultoria, o preço médio da tonelada exportada ficou em US$ 6,4 mil, alta de 24,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. Caso o ritmo atual seja mantido, maio de 2026 poderá se consolidar como o melhor maio da série histórica em volume exportado de carne bovina, além de registrar o maior volume mensal embarcado no ano. O faturamento das exportações também avança em ritmo acelerado. Impulsionado pelos preços mais altos pagos pela carne bovina brasileira, o acumulado de maio já corresponde a 80,5% de toda a receita registrada em maio de 2025, mesmo com apenas 10 dias úteis contabilizados. A expectativa do mercado é de que, mantidos os embarques e os preços atuais, o faturamento das exportações brasileiras de carne bovina possa superar US$ 1,8 bilhão no mês, alcançando novo recorde histórico para o período.
SCOT CONSULTORIA
Com Copa do Mundo, Brasil aumenta venda de carne bovina para os EUA
Americanos aceleram importações, principalmente da proteína magra para processamento
Exportação feita pelo Brasil sobe 37% no primeiro trimestre, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA
Uma semana após o anúncio da União Europeia de que pode suspender importações de carne do Brasil a partir de setembro, os preços do boi não tiveram grandes mudanças no campo. A arroba está sendo negociada a R$ 345, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). A Europa paga bem pela carne brasileira, mas representa apenas 3% das exportações brasileiras. A UE ameaça, mas precisa da carne brasileira. No primeiro quadrimestre, o bloco comprou 35 mil toneladas do Brasil, 17% a mais do que em igual período do ano passado. Os europeus pagaram US$ 8.625 por tonelada, bem acima dos valores pagos pelos chineses e americanos. Os olhares do mercado brasileiro estão voltados, no entanto, para os Estados Unidos, de acordo com Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea. A poucas semanas do início da Copa do Mundo de futebol, o país se prepara para um movimento maior de turistas e aumento no consumo de hambúrgueres. Além disso, é um período de férias nos EUA, o que eleva o consumo. Os números do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) da segunda-feira (18) já indicam esse movimento. As importações americanas de carne bovina atingiram o recorde de 272 mil toneladas em março, 19% a mais do que no mesmo mês de 2025. Só do Brasil, os americanos importaram 26% a mais naquele mês, informou o órgão americano. No primeiro trimestre, as compras externas totais de carne bovina pelos Estados Unidos somam 775 mil toneladas, 15% a mais do que em igual período de 2025. Os números da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), mais atualizados, indicam que o Brasil exportou 150 mil toneladas para os EUA no primeiro quadrimestre, 10% a mais ante 2025. Carvalho diz que a demanda é forte também por parte da China. Falta carne no mundo e o país asiático faz estoques. Os números de exportação do Brasil para a China mostram que o volume recorde de importações pelos chineses se dá mais por uma demanda deles do que por uma corrida brasileira para uma antecipação de vendas, devido à cota de 1,1 milhão de toneladas. Os chineses compraram 474 mil toneladas do Brasil no primeiro quadrimestre, 21% a mais do que em 2025, pagando US$ 5.744 por tonelada, 19% a mais do que em igual período de 2025. Se eles não estivessem precisando de carne, estariam forçando uma queda dos preços. Nos quatro primeiros meses deste ano, a China já despendeu US$ 2,7 bilhões na compra de carne bovina brasileira, 44% a mais do que de janeiro a abril de 2025. Com relação à questão da União Europeia, o pesquisador do Cepea afirma que há espaço para negociações antes de a medida entrar em vigor. Mesmo assim, a União Europeia teria de comprar produto de outros países, como Argentina e Uruguai. E estes deixariam espaço para o Brasil em seus mercados.
FOLHA DE SP
ECONOMIA
Dólar à vista fecha em alta de 0,86%, a R$5,0416 na venda
O dólar fechou a terça-feira novamente em alta e próximo dos R$5,05, impulsionado pelo avanço da moeda norte-americana no exterior e pelo cenário político brasileiro, após nova pesquisa eleitoral mostrar queda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial.
Em novo episódio do escândalo do banco Master, Flávio Bolsonaro confirmou no início da tarde que se reuniu com o ex-dono da instituição, Daniel Vorcaro, em 2025, após o banqueiro ter sido preso pela primeira vez. dólar à vista fechou em alta de 0,86%, aos R$5,0416. No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,15% ante o real. Às 17h04, o dólar futuro para junho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 1,01% na B3, aos R$5,0580. A sessão foi marcada pelo avanço do dólar em todo o mundo, influenciado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, mesmo depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, adiou um ataque militar planejado para a terça-feira. Trump afirmou que há “uma chance muito boa” de um acordo com o país na área nuclear, mas nesta terça-feira disse que os EUA podem precisar atacar o Irã novamente. O avanço no Brasil foi amplificado novamente pelo cenário político. Uma nova pesquisa Atlas/Bloomberg apontou pela manhã que as intenções de voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno da disputa pelo Planalto subiram de 46,6% para 47%, enquanto o percentual de Flávio Bolsonaro caiu de 39,7% para 34,3%. Nas simulações de segundo turno, Lula avançou de 47,8% para 48,9%, enquanto o senador caiu de 47,8% para 41,8%. A queda de Flávio Bolsonaro ocorre na esteira da publicação de reportagem do Intercept Brasil informando que o senador pediu R$134 milhões a Vorcaro para financiar um filme sobre a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado. A pesquisa Atlas ouviu 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio. A primeira reportagem sobre a relação entre Flávio e Vorcaro foi publicada pelo Intercept Brasil na tarde do dia 13. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. No início da tarde da terça-feira, Flávio admitiu que se reuniu pessoalmente com Vorcaro em São Paulo, após o banqueiro ter tido sua primeira prisão preventiva substituída pelo uso de tornozeleira, no final de 2025. “Quando surgem notícias que fortalecem a perspectiva de reeleição do presidente Lula, há um aumento na percepção de riscos fiscais para os ativos brasileiros e, consequentemente, uma maior exigência de prêmios de risco pelos investidores, movimento que tende a pressionar negativamente a moeda brasileira”, disse pela manhã Leonel de Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da Stonex, em comentário escrito.
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Ibovespa recua com exterior desfavorável e pesquisa eleitoral no radar
O sinal negativo prevalecia na bolsa paulista na terça-feira, com o Ibovespa chegando a trabalhar em níveis de janeiro, em meio a um ambiente externo desfavorável para o mercado brasileiro e com nova pesquisa eleitoral também no radar.
Por volta de 11h25, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caía 1,05%, a 175.122,46 pontos, mas chegou a 173.543,76 no pior momento, mínima intradia desde 22 de janeiro. O volume financeiro somava R$6,27 bilhões. Em abril, o Ibovespa superou pela primeira vez os 199 mil pontos durante o pregão do dia 14, alimentando expectativas de que romperia a marca inédita dos 200 mil pontos. Mas o fôlego arrefeceu, minado principalmente pela saída de estrangeiros da bolsa. De acordo com dados da B3, até o dia 15, o saldo de capital externo estava negativo em R$9,6 bilhões, excluindo ofertas de ações (follow-ons e IPOs). Abril ainda fechou com saldo positivo de quase R$3,2 bilhões – mas até o dia 15 eram R$14,6 bilhões. No ano, a bolsa ainda registra uma entrada líquida de R$46,9 bilhões. O Ibovespa, que chegou a acumular uma valorização de mais de 23% até meados de abril (considerando dados de fechamento), agora soma uma alta de menos de 9%. Embora uma parte da correção ditada pelo fluxo estrangeiro reflita uma rotação para ações de tecnologia no exterior, em movimento alinhado com outros emergentes, estrategistas também têm citado efeito da perspectiva de um ciclo de corte de juros mais lento do que anteriormente esperado no mercado. O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, disse nesta terça-feira que a autoridade monetária pretende manter os juros básicos em nível restritivo até que esteja convencida de que a inflação no país caminha em direção à meta de 3%. Os preços do petróleo recuavam nesta sessão, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter suspendido um ataque contra o Irã para permitir negociações para pôr fim à guerra no Oriente Médio. Mas o novo patamar das cotações da commodity tem alimentado preocupações com a inflação no mundo, incluindo o Brasil, mesmo com medidas recentes do governo para amenizar o impacto. O cenário eleitoral no país também é acompanhado e nesta sessão destacava a pesquisa Atlas/Bloomberg mostrando que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu terreno na disputa presidencial, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem. A maior parte do período da pesquisa, de 13 a 18 de maio, ocorreu após a publicação de reportagem sobre relações de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
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BC pretende manter Selic restritiva até inflação caminhar para a meta, diz diretor David
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, disse nesta terça-feira que a autoridade monetária pretende manter os juros básicos em nível restritivo até que esteja convencida de que a inflação no país caminha em direção à meta de 3%.
Em evento promovido pelo Santander, David voltou a afirmar que o BC se preocupa com a desancoragem das expectativas de mercado para períodos mais longos, especialmente 2028, que tendem a ser menos sensíveis a choques momentâneos. “O que mais nos preocupou foi o fato de as expectativas de inflação para 2028 subirem… o que dificulta nosso trabalho”, afirmou. O mercado espera que a inflação fique em 3,65% ao fim de 2028, segundo o boletim Focus, acima do centro da meta de 3%, que tem uma tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. O BC cortou a Selic em 0,25 ponto percentual em abril, a 14,50%, em movimento que tem chamado de “calibração”, com David reforçando que a autarquia terminará o ciclo de com juros ainda em nível restritivo. De acordo com o diretor, o conflito no Irã pegou o Brasil em uma situação melhor do que outros pares, com o país tendendo a ter um crescimento econômico maior do que o esperado por ser superavitário no comércio de petróleo. Ele ponderou, no entanto, que esse deve ser um crescimento mais restritivo do que em outros momentos porque deve se observar uma renda disponível menor das famílias diante do aumento de preços de alimentos e combustíveis. O diretor acrescentou que o nível de incerteza, ampliado com o início do conflito, impede o BC de indicar o que fará com a taxa Selic nas próximas reuniões. Para David, a atividade econômica no Brasil, que vinha rodando acima de seu potencial, agora está em patamar neutro –que tende a não pressionar a inflação. O diretor afirmou que o conflito no Oriente Médio mudou preços relativos no mundo e isso pode ser transmitido para os índices de inflação. Ele defendeu que o BC não reaja a dados únicos ou mudanças pontuais de preços. “O Banco Central não vai atacar qualquer mudança nos preços que possa ocorrer devido ao conflito, mas também não vai tolerar que isso se transforme em inflação no futuro”, disse. O diretor afirmou que as avaliações do BC são feitas com cautela e serenidade diante do elevado nível de incerteza no ambiente, ressaltando que a política monetária está funcionando. David disse ainda que o novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas do governo, traz mais uma camada de incerteza porque pode gerar efeitos distintos — pessoas gastando mais após “limparem” seus nomes e pessoas com menos renda disponível porque vão gastar para quitar seus débitos. Na apresentação, ele tratou dos desafios enfrentados pelo BC nos últimos anos, citando a irrigação de recursos na economia com uma série de iniciativas, como o aumento do nível de crédito, a política de ganhos reais de salário-mínimo, o pagamento de precatórios represados e o maior nível de bancarização. David também citou preocupação apresentada por agentes de mercado de que o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda poderia pressionar a inflação e dificultar o trabalho do BC.
“Apesar das condições monetárias restritivas, vimos o Brasil crescer acima das expectativas ano após ano até o ano passado”, disse o diretor.
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GOVERNO
Na China, ministro da Agricultura vai discutir cota de carne
André de Paula cumpre agenda com autoridades chinesas em sua primeira viagem internacional desde que assumiu o ministério: tratativas para a abertura de mercado para miúdos de suínos
Em sua primeira viagem internacional como ministro da Agricultura, André de Paula está na China, maior parceiro comercial do agro brasileiro, nesta semana. Ele terá reuniões em Pequim com autoridades sanitárias e do comércio chinês e tentará a flexibilização da cota de importação de carne bovina, para que o Brasil possa utilizar volumes não preenchidos por outros fornecedores, como Estados Unidos e Uruguai. A pauta inclui ainda tratativas para a abertura de mercado para miúdos de suínos, item mais avançado na negociação com os chineses neste momento. O Brasil pleiteia também concessões para miúdos e carne bovina com osso e do cálculo biliar — as pedras de vesículas dos animais que têm alto valor agregado e são cobiçadas pela medicina tradicional local. Também estão na mesa de negociação os reconhecimentos de todo o Brasil como zona livre de aftosa sem vacinação e de risco insignificante para o mal da vaca louca. O governo tenta ainda o aval chinês para a regionalização das medidas de embargo para a gripe aviária. Ao Valor, em Xangai, onde participou da inauguração do estande da Associação Brasileira das da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) na Sial, o ministro disse que espera passar uma mensagem ao governo chinês de continuidade nas negociações. “Não estamos em um novo governo, essa é uma passagem que tem a marca da continuidade”. O Brasil deve apresentar uma lista de quase 40 frigoríficos para pleitear novas habilitações. São empresas de carnes bovina, suína e de aves que já cumprem os requisitos técnicos do protocolo sanitário com a China e aguardam aval para iniciar embarques. O ministro acredita na possibilidade de novas habilitações ainda em 2026, apesar do cenário incerto e limitado por conta da cota para a carne bovina. Ele quer ampliar as habilitações para pequenos e médios frigoríficos e tentar o aval para a primeira planta do Nordeste, única região do país sem unidades autorizadas a comercializar carne bovina com os chineses. “Eu entendo que esse critério de prestigiar regiões que têm uma participação ainda discreta, pequena, faz diferença. Tenho a expectativa de que a gente possa avançar nesse sentido, prestigiando não apenas os grandes, com um olhar diferenciado para essa questão da regionalidade”, afirmou. “Todas as vezes em que uma planta é habilitada, é quase como uma marca temporal. A história passa a ser contada como antes e depois da habilitação”, completou o ministro. O Brasil tem 146 unidades habilitadas para exportação de carnes à China. Dessas, 67 são de carne bovina, 19 de carne suína e 59 de produtos avícolas, além de uma planta nordestina autorizada a exportar carne de cavalo, burro ou mula. Em 2024, os chineses habilitaram 38 frigoríficos brasileiros. A autorização mais recente, de novembro de 2025, foi para um entreposto de produtos avícolas da Aurora Alimentos em Santa Catarina. A cota para importação de carne bovina brasileira é de 1,1 milhão de toneladas em 2026, e mais de 50% já havia sido preenchida com os volumes que chegaram ao país até março. Em 2025, o Brasil vendeu quase 1,7 milhão de toneladas da proteína aos chineses. O pedido é para que Pequim possa redirecionar volumes de outros países que não sejam utilizados, estimado em 500 mil toneladas.
GLOBO RURAL
CARNES
Abates de bovinos, suínos e frangos cresceram no primeiro trimestre
Aumentos foram na comparação anual; em relação ao quarto trimestre de 2025, houve recuos
No caso dos bovinos, o abate somou 10,29 milhões de cabeças no país no primeiro trimestre de 2026, aumento de 3,3% em comparação igual período de 2025. Os abates de bovinos, suínos e frangos no Brasil aumentaram no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. Já em comparação ao trimestre anterior, os três segmentos registraram recuos. As informações são das “Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro, e da Produção de Ovos de Galinha”, divulgadas na terça-feira (19/5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No caso dos bovinos, o abate somou 10,29 milhões de cabeças no país no primeiro trimestre de 2026, aumento de 3,3% em comparação igual período de 2025. Em relação ao quarto trimestre de 2025, houve queda de 6,8%. O abate de bovinos resultou em 2,63 milhões de toneladas de carcaças, um crescimento de 5,1% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e redução de 10,2% em relação ao quarto trimestre de 2025. A aquisição de couro, por sua vez, ficou estável no primeiro trimestre de 2026, ante igual período de 2025, para 10,76 milhões de peças inteiras de couro. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, esse número indica queda de 3,3% do volume recebido pelos curtumes. Os dados vêm de instalações que efetuam curtimento de pelo menos 5.000 unidades inteiras de couro cru bovino por ano. Segundo o IBGE, o abate de suínos cresceu 5,5% no Brasil no primeiro trimestre de 2026, ante igual período de 2025, para 15,27 milhões de cabeças. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, houve recuo de 0,1%. O peso acumulado das carcaças de suínos chegou a 1,37 milhão de toneladas no terceiro trimestre, com aumento de 2,6% em relação a igual período de 2025 e redução de 3% ante o quarto trimestre de 2025. O abate de frangos no Brasil somou 1,71 bilhão de frangos no primeiro trimestre de 2026, o que representou aumento de 3,7% em relação a igual período de 2025. Frente ao quarto trimestre, houve redução de 0,4%. O peso acumulado das carcaças foi de 3,73 milhões de toneladas no segundo trimestre, com aumento de 7% em relação a igual período de 2025 e de 2,3% ante o quarto trimestre.
GLOBO RURAL
FRANGOS & SUÍNOS
Exportações de proteínas animais avançam em maio
Dados da Secex mostram ritmo forte nos embarques de aves e carne suína, enquanto pescado registra desempenho mais moderado.
Segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), até a segunda semana de maio de 2026, os embarques de carnes de aves e miudezas comestíveis frescas, refrigeradas ou congeladas somaram 238,3 mil toneladas. A receita acumulada alcançou US$ 450,4 milhões no período, com média diária de US$ 45 milhões. O volume médio exportado diariamente pelo setor avícola ficou em 23,8 mil toneladas por dia útil. O preço médio pago pela proteína brasileira chegou a US$ 1.889 por tonelada, mantendo a carne de frango entre os produtos mais competitivos do mercado internacional. A carne suína também apresentou desempenho consistente nas exportações brasileiras ao longo da primeira metade de maio. Segundo os números da Secex, o setor embarcou 55,5 mil toneladas até a segunda semana do mês. A receita acumulada com os embarques de carne suína fresca, refrigerada ou congelada atingiu US$ 138,4 milhões. A média diária de faturamento ficou em US$ 13,8 milhões, enquanto o volume médio exportado alcançou 5,5 mil toneladas por dia útil. O preço médio da carne suína exportada pelo Brasil ficou em US$ 2.491 por tonelada. Entre as proteínas analisadas pela Secex, o pescado inteiro vivo, morto ou refrigerado registrou menor participação nos embarques brasileiros durante maio. Até a segunda semana do mês, o setor exportou 419,7 toneladas. A receita obtida com os embarques de pescado somou US$ 2,15 milhões no período. A média diária de faturamento ficou em US$ 215 mil, enquanto o volume médio embarcado alcançou 42 toneladas por dia útil. Mesmo com participação reduzida em comparação às carnes de aves e suína, o pescado apresentou preço médio mais elevado por tonelada. O valor médio negociado chegou a US$ 5.122 por tonelada.
SECEX/MDIC
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