CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2714 DE 19 DE MAIO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2714 | 19 de maio de 2026

 

NOTÍCIAS

Cotação do boi gordo não mudou em São Paulo

Com parte dos frigoríficos fora das compras, a cotação não mudou na segunda-feira.

Segundo apuração da Scot Consultoria, o boi gordo destinado ao mercado interno paulista está cotado em R$ 348/@, enquanto o boi enviado para a China está apregoado em R$ 353/@ (valores brutos, no prazo). A semana começou com poucos negócios. Boa parte dos compradores ainda não abriu as ofertas, aguardando o desempenho do mercado atacadista no final de semana, e parte deles estava com escalas confortáveis e sem urgência, aguardando oportunidades. As escalas de abate estavam, em média, para 10 dias. No Espírito Santo, após a queda na cotação das fêmeas na última sexta-feira (15/5), os preços permaneceram estáveis hoje para todas as categorias. No mercado atacadista da carne com osso, na última semana, apesar da expectativa de aumento dos pedidos de reposição por parte do varejo após o fim de semana do Dia das Mães, o volume foi insuficiente para aquecer o setor atacadista, que seguiu com movimentação moderada ao longo do período. Diante desse cenário, a cotação de todas as carcaças caiu. A cotação da carcaça casada do boi capão caiu 2,4%, ou R$0,60/kg, e a do boi inteiro caiu 1,3%, ou R$0,30/kg. Entre as fêmeas, a queda da cotação da carcaça casada da vaca foi de 1,6%, ou R$0,35/kg. Já a da novilha foi de 3,3%, ou R$0,75/kg. O destaque foi a carcaça 1×1 do traseiro do boi capão, cuja cotação caiu 3,5%, ou R$0,95/kg. A tendência é de manutenção desse cenário, devido ao avanço do mês. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio caiu 3,5%, ou R$0,25/kg. A cotação do suíno especial caiu 3,2%, ou R$0,30/kg.

SCOT CONSULTORIA

Arroba do boi gordo: pastagens e ausência de indústrias definem preços

Cenário geopolítico, com China, Estados Unidos e União Europeia no tabuleiro, também definirão cotações ao longo do mês, diz analista

O mercado físico do boi gordo abriu a semana com algumas tentativas de compra em patamares mais baixos de preço, enquanto muitas indústrias permanecem ausentes das negociações, avaliando as melhores estratégias a serem adotadas no curtíssimo prazo. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, em estados como Goiás, Minas Gerais e São Paulo, a pressão de queda é mais intensa em função da pior condição das pastagens. “Em Rondônia o mercado ainda conta com maior firmeza, contando com negócios acima da referência média, consequência da melhor condição das pastagens no estado”, detalha. De acordo com ele, o contexto geopolítico segue relevante, com progressão das cotas chinesas, mudanças regulatórias na União Europeia e com perspectiva de redução das tarifas de importação por parte dos Estados Unidos, compondo o pacote de notícias que podem impactar na formação dos preços durante o mês de maio. Média de preço da arroba do boi: São Paulo: R$ 343,17 — na sexta: R$ 345,42. Goiás: R$ 326,07 — na sexta: R$ 327,68. Minas Gerais: R$ 325,88 — na sexta: R$ 325,59. Mato Grosso do Sul: R$ 344,55 — na sexta: R$ 345,45. Mato Grosso: R$ 352,57 — na sexta: R$ 352,57. O mercado atacadista se depara com acomodação em seus preços. A expectativa é de continuidade do movimento de queda no decorrer da segunda quinzena do mês, período pautado por menor apelo ao consumo. “Além disso, a carne bovina se depara com menor competitividade na comparação com as proteínas concorrentes, em especial ante à carne de frango”, apontou Iglesias. Quarto traseiro: R$ 27,50 por quilo; Quarto dianteiro: R$ 21,50 por quilo; Ponta de agulha: R$ 20,00.

SAFRAS NEWS

Confinamento bovino em MT deve crescer 55% em 2026, aponta projeção do Imea

Expansão da atividade em Mato Grosso está concentrada nos confinamentos de grande porte.

A engorda de gado em confinamento em 2026 deve atingir 1,44 milhão de cabeças em Mato Grosso, segundo revelou o 1° levantamento do Instituto Mato-grossense em Economia Agropecuária (Imea), publicado na quinta-feira (14). A expectativa é que o estado tenha um volume 55,39% superior, na comparação com o ano de 2025. O levantamento do Imea foi feito durante o mês de abril e, segundo o instituto, esse avanço no confinamento deve ser sustentado pela produção de grande porte. De acordo com o estudo, os confinamentos com capacidade acima de 5.001 cabeças devem responder por 80,92% de toda a expectativa de confinamento em 2026, representando cerca de 1,17 milhão de bovinos. A região Oeste lidera a intenção de confinamento com 407.912 cabeças, um aumento de 50% em relação ao ano passado. Em seguida aparece o Norte mato-grossense (333.487). Depois vêm Sudeste (192.500), Nordeste (153.414), Centro-Sul (143.573), Médio-Norte (134.573), e Noroeste (78.154). Além do avanço projetado, mesmo em um cenário de preços elevados para o boi gordo, os confinadores têm ampliado o uso de mecanismos de proteção de preço em 2026. Esse comportamento reflete uma postura mais cautelosa do setor diante do aumento das incertezas no cenário econômico e geopolítico internacional. Neste 1° levantamento do Imea em 2026, outro ponto de destaque é a melhora da relação de troca entre boi gordo e milho. O custo médio da diária confinada apresentou leve queda, passando de R$ 13,15 para R$ 13,05 por cabeça/dia, influenciado principalmente pela desvalorização do milho no estado. A pesquisa do Imea aponta que os custos seguem pressionados pelo aumento do frete e do diesel, fatores que ainda impactam diretamente a operação dos confinamentos. A expansão da atividade em Mato Grosso está concentrada nos confinamentos de grande porte, que devem registrar crescimento de 21,83% em relação ao ano anterior. Já os confinamentos menores, especialmente os com capacidade de até 1 mil cabeças, devem apresentar retração de 4,58%, refletindo maior dificuldade em absorver os custos mais elevados da reposição bovina. Segundo o levantamento, existe uma preocupação crescente com a oferta de bezerros no mercado, consequência do elevado abate de fêmeas registrado nos últimos ciclos pecuários. O cenário reduz a disponibilidade de animais para reposição e mantém os preços elevados. O estudo do Imea mostra que o confinamento deve seguir com um papel estratégico no abastecimento da indústria frigorífica durante a entressafra pecuária, ao longo do segundo semestre de 2026. Entre julho e dezembro, devem ser enviados para abate 82,6% dos animais confinados, mantendo a forte concentração da oferta no segundo semestre, período em que ocorre uma redução da capacidade de suporte da pastagem e o confinamento ganha importância no sistema engorda.

IMEA

ECONOMIA

Dólar volta a fechar abaixo de R$5,00 após Trump adiar ataque contra o Irã

O dólar fechou a segunda-feira em queda firme e novamente abaixo dos R$5,00, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado o adiamento de um ataque militar programado para a terça-feira contra o Irã.

Em sintonia com a baixa da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, o dólar à vista fechou em baixa de 1,34%, aos R$4,9987. No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,93% ante o real. Às 17h04, o dólar futuro para junho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 1,17% na B3, aos R$5,0150. O dólar cedeu durante toda a sessão no Brasil, com os investidores promovendo ajustes técnicos após a disparada da última semana e reagindo ao recuo da divisa ante outras moedas no exterior. “O dólar subiu demais com o caso do (senador) Flávio Bolsonaro. Houve uma alta agressiva, e hoje está tendo um ajuste, com a melhora do ambiente também no exterior”, disse no início da tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. Na semana passada, uma reportagem do Intercept Brasil havia informado que Flávio pediu ao ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, R$134 milhões para bancar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. Flávio Bolsonaro nega ter cometido qualquer irregularidade e alega ter buscado recursos privados para um filme sobre a história do pai, sem oferecer vantagens em troca. O viés de baixa para o dólar na segunda-feira foi intensificado no fim da tarde após Trump informar pelas redes sociais o adiamento de um ataque militar contra o Irã que estava programado para terça-feira. Ainda que não haja uma solução para o conflito, que segue prejudicando o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz, o anúncio de Trump trouxe certo alívio para os investidores, que temem o fim do cessar-fogo entre os países. “O câmbio passa por um ajuste técnico e testa o patamar de R$5,00, monitorando também o alívio temporário no exterior trazido pelos sinais de distensão entre EUA e Irã, que chegaram a arrefecer os preços das commodities na parte da tarde”, pontuou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. No mercado de câmbio brasileiro, ficou em segundo plano a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que caiu 0,7% em março ante fevereiro na série com ajustes sazonais. O resultado foi pior que a retração de 0,2% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. Na comparação com março do ano passado, houve ganho de 3,1% pela série sem ajustes.

REUTERS

Ibovespa fecha abaixo dos 177 mil pontos pressionado por Vale

O Ibovespa fechou com um declínio modesto na segunda-feira, pressionado principalmente pela Vale, em dia de queda dos contratos futuros do minério de ferro na China, enquanto a Petrobras abandonou o sinal negativo e avançou, com os preços do petróleo retomando a alta no exterior. 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,17%, a 176.975,82 pontos, após marcar 175.811,33 na mínima e 177.329,88 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$24,19 bilhões. Desde meados de abril, quando o Ibovespa renovou recordes e alimentou expectativas de bater a marca inédita de 200 mil pontos, a bolsa paulista tem experimentado uma correção, com a perda desde então somando quase 11%. Como pano de fundo está o fluxo negativo de estrangeiros, com maio registrando saída líquida de quase R$3,9 bilhões até o dia 14, conforme dados da B3, excluindo ofertas de ações (follow-ons e IPOs). Abril ainda fechou com saldo positivo de quase R$3,2 bilhões – mas até o dia 15 eram R$14,6 bilhões. Na segunda-feira, a agenda macro destacou números mais fracos do que o esperado sobre a atividade econômica do país em março, conforme o IBC-Br, enquanto a pesquisa Focus mostrou aumento nas previsões para a Selic no final do ano, agora estimada em 13,25%. Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, não sustentou os ganhos e fechou em baixa de 0,07%.

REUTERS

FOCUS: Mercado projeta inflação de 4,92% em 2026

Expectativa é de que economia cresça 1,85% no ano

A expectativa do mercado financeiro para inflação e juros subiu na comparação com a semana passada. As projeções relacionadas a câmbio e economia se mantiveram estáveis, segundo o Boletim Focus, divulgado na segunda-feira (18) pelo Banco Central (BC). De acordo com o levantamento, a previsão do mercado é de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial de inflação do país, feche 2026 em 4,92%. É a décima semana consecutiva com previsão de alta inflacionária. Na semana passada, o mercado projetava um índice ligeiramente menor (4,91%). Há quatro semanas, a inflação projetada para 2026 estava em 4,8%. Para os anos subsequentes, as projeções de inflação são de 4% em 2027 e de 3,65% em 2028. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação no Brasil desacelerou em abril, fechando o mês em 0,67%, pressionada pelos preços de alimentos e bebidas (1,34%). Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para o Brasil é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%. Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente em 14,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. O Boletim Focus aumentou em 0,25 ponto percentual as projeções para a Selic ao final do ano – passando dos 13% projetados nos meses anteriores para 13,25%. Para 2027 e 2028, a previsão é de que a Selic feche em 11,25% e 10%, respectivamente. As previsões do mercado financeiro para a economia e para o dólar ficaram estáveis, na comparação com a semana passada. O mercado financeiro projeta uma cotação de R$ 5,20 para a moeda estadunidense ao final de 2026. Para 2027, a projeção é de que o dólar feche o ano em R$ 5,27, e em R$ 5,34, em 2028. Em relação à economia, o Boletim Focus mantém a previsão há três semanas, de que o Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas produzidas no país) feche 2026 com crescimento de 1,85%. Para 2027 e 2028, as expectativas são de que o PIB seja de 1,77% e 2%, respectivamente.

AGÊNCIA BRASIL

Fazenda vê inflação bater no teto da meta em 2026 sob efeito do conflito no Irã

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda elevou nesta segunda-feira suas projeções de inflação para 2026 e 2027, prevendo que o IPCA atingirá o teto da meta neste ano sob impacto do conflito no Irã.

A SPE também projetou um crescimento de 2,3% do PIB neste ano, mesmo nível estimado em março. A secretaria estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará 2026 em 4,5%, contra 3,7% previstos antes. Em 2027, a previsão é de inflação de 3,5%, ante previsão de 3,0% feita em março. “A perspectiva de maior inflação no ano reflete, principalmente, desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e seus derivados”, disse a SPE. O país tem uma meta contínua de inflação de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos — de 1,5% a 4,5%. Apesar da elevação da estimativa para o comportamento dos preços, a Fazenda está mais otimista do que agentes de mercado, que esperam uma inflação de 4,92% neste ano, acima do teto da meta, segundo o mais recente boletim Focus do Banco Central. De acordo com a SPE, parte da pressão de alta da inflação tende a ser atenuada pela taxa de câmbio mais apreciada e uma previsão de mercado de Selic mais alta no fim deste ano, além das medidas adotadas pelo governo para amortecer elevações de preços de combustíveis. A SPE destacou uma deterioração “relevante” no cenário internacional desde o início do conflito no Oriente Médio, com piora nas perspectivas de crescimento da atividade econômica dos países e maior pressão inflacionária global. A pasta observou que indicadores do primeiro trimestre deste ano sugerem aceleração da atividade no Brasil após crescimento praticamente nulo no fim de 2025, apesar de destacar números elevados de endividamento e inadimplência. A expectativa, segundo a SPE, é de uma desaceleração econômica no segundo e terceiro trimestres, com ligeira retomada no final do ano. A secretaria ainda afirmou no relatório que medidas adotadas pelo governo para mitigar efeitos econômicos da guerra no Irã, incluindo subvenções e cortes tributários para combustíveis, geram custo fiscal inferior ao aumento esperado da arrecadação derivada do choque de petróleo, já que o Brasil é exportador líquido do produto. “As estimativas iniciais da SPE apontam que, combinando o crescimento esperado no pagamento de royalties, dividendos, IRPJ e CSLL, somados ao imposto de exportação, pode-se esperar um aumento da arrecadação da ordem de R$8,5 bilhões ao mês”, apontou o documento.

REUTERS

Atividade econômica cai mais do que o esperado em março, mas tem alta de 1,3% no 1º tri, mostra BC

A atividade econômica do Brasil registrou desempenho positivo no primeiro trimestre deste ano mesmo depois de ter recuado mais do que o esperado em março, em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio, apontou dados do Banco Central divulgados na segunda-feira.

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), apresentou em março queda de 0,7% na comparação com o mês anterior, segundo dado dessazonalizado. Foi o primeiro recuo mensal neste ano e o mais intenso desde maio de 2025, além de ter sido pior que a expectativa em pesquisa da Reuters de retração de 0,2%. Ainda assim, o índice registrou expansão de 1,3% nos três primeiros meses do ano em relação ao quarto trimestre de 2025. Dados do PIB mostraram que a economia brasileira cresceu apenas 0,1% no quarto trimestre de 2025. O IBGE divulgará os dados do PIB do primeiro trimestre em 29 de maio. O mês de março foi marcado por incertezas geopolíticas após o início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, que fechou o Estreito de Ormuz e elevou os preços do petróleo. Isso por sua vez levantou preocupações com a inflação em todo o mundo. No Brasil, o IPCA de março já mostrou o impacto da guerra com alta de 0,88% diante do aumento dos preços de transportes e alimentos. Em abril, a alta do IPCA desacelerou a 0,67%. O BC decidiu no final de abril cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a 14,50%, mas pregou cautela dizendo que precisará incorporar novas informações para definir a política monetária à frente. A abertura dos dados do BC na segunda-feira mostra que em março houve perdas generalizadas na atividade econômica frente ao mês anterior, com quedas de 0,2% na agropecuária e na indústria e de 0,8% dos serviços. No mês, dados separados do IBGE mostraram que o setor de serviços teve a maior queda desde novembro de 2024, de 1,2%, enquanto a produção industrial desacelerou com um crescimento de 0,1%. Por outro lado, as vendas no varejo cresceram em março pelo terceiro mês seguido, renovando o recorde da série histórica com alta de 0,5%, de acordo com o IBGE. Os dados do IBC-Br mostraram que, no primeiro trimestre, a indústria avançou 1,3%, enquanto a agropecuária e os serviços tiveram ambos expansão de 1,0%. Na comparação com março do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 3,1%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um avanço de 1,8%, segundo números não dessazonalizados. A mais recente pesquisa Focus realizada pelo Banco Central mostrou que a expectativa do mercado para a expansão do PIB em 2026 é de 1,85%, indo a 1,77% em 2027.

REUTERS

IGP-10 sobe menos do que o esperado em maio, mostra FGV

O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) registrou alta de 0,89% em maio, depois de subir 2,94% no mês anterior, em resultado que ficou abaixo do esperado diante da desaceleração de matérias-primas brutas no atacado.

Com isso, o IGP-10 passa a acumular em 12 meses avanço de 1,46%, de acordo com os dados divulgados nesta segunda-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV). A expectativa em pesquisa da Reuters para a leitura mensal era de alta de 1,11%. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), que mede a variação dos preços no atacado e responde por 60% do índice geral, teve avanço de 0,95% em maio, depois de subir 3,81% no mês anterior. A alta das matérias-primas brutas no IPA desacelerou a 0,06% no mês, depois de ter disparado 7,01% em abril. “Esse movimento refletiu influências negativas relevantes, como minério de ferro, que caiu 4,67%, além de álcool etílico anidro, cana-de-açúcar, café em grão e suínos, todos com quedas expressivas no mês. O recuo desses itens ajudou a compensar pressões ainda presentes em alguns produtos agropecuários e industriais”, explicou Matheus Dias, economista do FGV IBRE. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10), que responde por 30% do índice geral, registrou a alta de 0,68% em maio, depois de subir de 0,88% em abril. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10), por sua vez subiu 0,86% no mês, depois de uma alta de 0,88% em abril. O IGP-10 calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência.

REUTERS 

INTERNACIONAL

Preços globais da carne bovina atingem novo recorde histórico

Reduções simultâneas nos rebanhos bovinos nos EUA e na Europa explicam, em parte, a disparada nas cotações mundiais da proteína em 2026

O preço global da carne bovina atingiu US$ 3,42 por libra-peso (US$ 7.540/tonelada) na última semana, um novo recorde histórico e quase três vezes acima do valor registrado há seis anos, US$ 1,20 libra-peso (US$ 2,646/tonelada), informou a plataforma digital da revista European Business Magazine (EBM). Na avaliação da revista, a resposta para a disparada nas cotações da proteína bovina envolve “o acordo UE-Mercosul, o menor rebanho bovino dos EUA desde 1951, um ciclo de recuperação biológica que não pode ser acelerado e uma estrutura regulatória europeia que vem reduzindo silenciosamente a oferta de gado do continente há anos”. “Os mercados de commodities vêm emitindo esse sinal há meses. O que mudou esta semana foi que todos perceberam”, disse a publicação. Desde julho de 2020, os preços da carne moída dispararam 48%, enquanto os da carne bovina em bifes subiram 41%, com os consumidores gastando aproximadamente 25% a mais com alimentação em casa em comparação com cinco anos atrás. “Esses números não são passageiros. São o resultado de uma crise estrutural de vários anos que continua se agravando”, alertou a EBM. A contração do rebanho bovino nos EUA foi inicialmente impulsionada por secas severas nas Grandes Planícies, forçando os pecuaristas a venderem o gado reprodutor que não podiam mais alimentar. Com isso, o plantel norte-americano caiu para 86,2 milhões de cabeças, a menor população registrada desde 1951. Enquanto isso, o rebanho local de vacas de corte caiu para 27,6 milhões de cabeças, um nível não visto desde 1961. No início de 2026, recorda o portal, o mercado pecuário dos EUA entrou no que os analistas chamam de “fundo cíclico da fase de contração” e, mesmo com a melhora dos níveis de umidade em algumas regiões, a recuperação do rebanho está se mostrando extremamente lenta. Até meados de abril de 2026, o abate de novilhos nos EUA caiu 8,2% em relação ao ano anterior e o de novilhas, 11,5%, resultando em uma redução de 9,6% no abate total de animais confinados. Por sua vez, o abate norte-americano de vacas de corte caiu 17,4% em relação ao ano anterior, marcando o quarto ano consecutivo de quedas de dois dígitos. Nos dois primeiros meses de 2026, diz a EBM, as importações de carne bovina dos EUA aumentaram aproximadamente 60% em relação ao ano anterior nos dois primeiros meses de 2026, à medida que os Estados Unidos tentavam compensar seu déficit interno com recursos dos mercados internacionais. Simultaneamente, a China está acima dos níveis de importação de 2025, em parte devido às mudanças previstas nas cotas, que antecipam as compras para o início de 2026 – o que significa que a oferta global está sendo absorvida mais rapidamente do que em qualquer outro momento do ciclo. O terceiro fator que explica a valorização da carne é biológico, diz o texto. Uma vaca tem um período de gestação de nove meses e, após o nascimento do bezerro, leva mais 18 a 22 meses para atingir o peso ideal para o abate. Mesmo que as condições melhorem hoje, o mercado varejista não verá o consequente aumento na oferta de carne bovina até 2028 ou 2029. Além disso, a Europa não é mera espectadora desta crise – é coautora, aponta a EBM. Os preços da carne bovina e da vitela aumentaram, em média, 10% em toda a UE em 2025, com vários países registrando aumentos dramaticamente maiores – República Tcheca com alta de 18,4%, Portugal com 18,2%, Eslovênia com 18,2% e Irlanda com 17,5%. O mecanismo é idêntico ao dos EUA: menos animais, mesma demanda, diz a reportagem. O principal fator é o declínio contínuo do número de animais de criação nos Estados-Membros da UE – uma tendência particularmente acentuada no setor da carne bovina, onde os ciclos de produção são longos e a recuperação dos rebanhos leva anos, ressaltou o texto. Só na Irlanda, o abate nacional diminuiu em cerca de 200.000 animais em 2025 em comparação com 2024. A ironia política é gritante. O acordo UE-Mercosul, que levou os agricultores europeus a Bruxelas para bloquear com tratores – agora em vigor provisoriamente a partir de maio de 2026 – oferece uma quota anual de 99 mil toneladas de carne bovina com uma taxa de 7,5%, o que poderia aliviar parcialmente a lacuna de oferta criada pela política europeia. No entanto, o Brasil, o maior exportador mundial de carne bovina, está em fase de recomposição do rebanho. “A oferta global de que a Europa precisa não existe nas quantidades exigidas pela política”, observa a reportagem. Os pecuaristas estão experimentando uma lucratividade sem precedentes, enquanto os processadores, que atuam como intermediários entre eles e o consumidor, estão sendo pressionados, compara a EBM. Analistas preveem que os preços do gado confinado chegarão a US$ 255 a US$ 265 por 45 kg (100 libras), à medida que o mercado atingir seu ponto mais restrito em meados de 2026, com a demanda sem mostrar sinais de desaceleração, apesar dos preços recordes no varejo. Prevê-se que os preços da carne bovina e da vitela aumentem 6,3% em 2026 na Europa, somando-se ao aumento de 12,1% registrado em março de 2026 em comparação com o ano anterior, enquanto as cotações do gado devem subir 16,2% em relação aos valores computados em março de 2025. Com apenas sinais limitados de retenção de novilhas, não se espera um crescimento significativo nos rebanhos bovinos da Europa em 2026. A oferta restrita contínua e a produção em declínio sustentarão preços médios mais altos este ano e em 2027. O piso biológico para uma recuperação significativa da oferta é 2028, no mínimo. O preço atual de US$ 3,42 não representa o pico. Provavelmente, é o ponto médio, informa a reportagem. “A questão para os políticos europeus não é se os preços da carne bovina estão muito altos. É se as escolhas regulamentares feitas em nome da redução das emissões alteraram permanentemente a estrutura de custos da proteína mais básica da dieta europeia”, conclui o texto.

EUROPEAN BUSINESS MAGAZINE (EBM).

SUÍNOS & FRANGOS

Embrapa aponta queda nos custos da suinocultura e da avicultura de corte em abril

Redução foi registrada nos principais estados produtores, com destaque para o recuo nos gastos com ração.

Em abril, os custos de produção de suínos e frangos de corte apresentaram queda nos principais estados produtores, conforme levantamento mensal da Embrapa Suínos e Aves, divulgado por meio da Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS), disponível no site embrapa.br/suinos-e-aves/cias. No Paraná, o custo de produção do frango de corte foi de R$ 4,70 por quilo em abril, queda de 0,51%, com o ICPFrango atingindo 363,50 pontos. No acumulado do ano (jan–abr), o índice registra alta de 0,91%, enquanto, em 12 meses, a variação é negativa em 3,76%. Os custos com ração, que representam 63,52% do total, recuaram 0,64% no mês e acumulam queda de 8,45% em 12 meses. Em Santa Catarina, o custo de produção do suíno vivo passou de R$ 6,30 em março para R$ 6,25 em abril, redução de 0,83%, com o ICPSuíno em 357,63 pontos. No acumulado do ano, o índice apresenta queda de 3,52% e, em 12 meses, de 2,88%. A ração, responsável por 72,44% do custo total, caiu 0,52% no mês e acumula redução de 2,48% no ano.

EMBRAPA SUÍNOS E AVES 

Exportações de frango somam 1,94 milhão de toneladas e batem recorde no primeiro quadrimestre de 2026

Embarques no quadrimestre e no mês de abril atingem os maiores volumes da série histórica.

As exportações brasileiras de carne de frango bateram recorde no primeiro quadrimestre de 2026, conforme dados divulgados pelo Cepea na sexta-feira (15). Com base na série histórica da Secex, iniciada em 1997, o volume exportado entre janeiro e abril foi o maior já registrado para esse período. Segundo o levantamento, o Brasil embarcou 1,94 milhão de toneladas de carne de frango nos quatro primeiros meses do ano, ultrapassando o recorde anterior de 1,93 milhão de toneladas alcançado no último quadrimestre de 2025. Somente em abril, os embarques totalizaram 486,5 mil toneladas, o maior volume já observado para o mês em toda a série histórica. Embora tenha havido retração de 3,5% na comparação com março, o resultado ficou 2,2% acima do registrado em abril do ano passado. O Cepea destaca que a demanda aquecida aliada à oferta mais restrita em algumas regiões manteve os preços da carne de frango em alta por mais uma semana. Para a segunda quinzena de maio, agentes consultados avaliam que esse movimento de valorização pode perder intensidade, diante da redução do poder de compra da população no fim do mês. Mesmo assim, parte dos agentes acredita que ainda pode haver espaço para pequenos reajustes positivos, a depender das condições de oferta e demanda em cada região.

CEPEA 

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