
Ano 11 | nº 2712 | 15 de maio de 2026
NOTÍCIAS
Estabilidade no mercado do boi gordo em São Paulo
Oferta ajustada, escalas confortáveis e cautela da indústria mantêm pressão sobre o mercado do boi gordo.
Pelos números levantados pela Scot Consultoria em São Paulo, o boi gordo destinado ao mercado interno segue cotado em R$ 350/@, o animal padrão-China vale R$ 355/@, a vaca gorda é negociada em R$ 320/@ e a novilha acabada é vendida a R$ 333/@ (valores brutos, no prazo). Após as quedas registradas no dia anterior para todas as categorias, o mercado abriu o dia com estabilidade. Os fundamentos de mercado, contudo, erão os mesmos: oferta atendendo à demanda, sem excedentes, e escalas confortáveis. A ponta vendedora estava ativa nas negociações, mesmo com os recuos na cotação ao longo da quinzena, estimulada pela diminuição da capacidade de suporte das pastagens e pela possibilidade de novas quedas no curto prazo. Do lado da ponta compradora, havia apetite nas compras, mas os frigoríficos já se atentavam para não formar estoques elevados diante da possibilidade de retração do consumo com a entrada da segunda quinzena do mês. Esse cenário mantinha a pressão sobre os preços. As escalas de abate estavam, em média, para 11 dias. Em Alagoas, o mercado abriu o dia ofertando R$5,00/@ a menos para a vaca. Para o boi gordo e para a novilha, estabilidade. As escalas de abate atendiam, em média, para uma semana. No Acre, o mercado esteve firme e a cotação não mudou. As escalas de abate estavam, em média, para 14 dias. Em Roraima, na comparação feita dia a dia, o boi gordo registrou alta de R$5,00/@. Para a vaca e para a novilha, não houve alterações.
SCOT CONSULTORIA
Boi gordo: mercado segue pressionado com incertezas nas exportações
Estados onde os preços estavam em alta começam a dar sinais de queda moderada, como Mato Grosso
O mercado físico do boi gordo ainda se depara com a tradicional pressão sazonal de oferta. O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias destaca que o movimento de queda começa a se manifestar em estados que não sentiam seus efeitos, a exemplo de Mato Grosso. “Em mercados onde a pressão baixista foi mais acentuada em abril o que se evidencia é uma maior acomodação neste momento, com exceção de Minas Gerais, que volta a conviver com mais negócios abaixo da referência média”, ressalta. Segundo ele, o mercado ainda acompanha com proximidade as questões inerentes às exportações brasileiras, relacionadas a importadores relevantes, como a União Europeia, Estados Unidos e China. Média da arroba do boi: São Paulo: R$ 349 — ontem: R$ 349,67. Goiás: R$ 329,86 — ontem: R$ 330,54. Minas Gerais: R$ 330,59 — ontem: R$ 334,71. Mato Grosso do Sul: R$ 348,52 — ontem: R$ 348,86. Mato Grosso: R$ 355,27 — ontem: R$ 357,50. O mercado atacadista se depara com estabilidade dos preços da carne bovina. O ambiente de negócios sugere por menor espaço para reajustes nos próximos dias, em linha com um perfil de consumo menos aquecido durante a segunda quinzena do mês. “Além disso, a competitividade em relação às proteínas concorrentes segue problemática, em especial na comparação com a carne de frango”, assinalou Iglesias. Quarto traseiro: segue a R$ 27,50 por quilo; Quarto dianteiro: permanece a R$ 21,50 por quilo; Ponta de agulha: se mantém a R$ 20,00
SAFRAS NEWS
BOI: Embarques somam 950 mil toneladas no 1º quadrimestre
Exportações de carne bovina in natura estão em ritmo intenso
Desde março de 2025, as exportações de carne bovina in natura estão em ritmo intenso, com os volumes mensais ultrapassando 200 mil toneladas. De acordo com dados da Secex, nos quatro primeiros meses de 2026, o Brasil já embarcou 953,606 mil toneladas de carne bovina in natura, volume 15,2% maior que o registrado no mesmo período de 2025 e quase 30% acima do observado no primeiro quadrimestre de 2024. Em abril de 2026, especificamente, a quantidade exportada somou 251,944 mil toneladas, a maior já registrada para o mês em toda a série histórica da Secex. Dentre os principais destinos da proteína, a China segue como a principal compradora do produto nacional, com aquisições de 135,472 mil toneladas apenas em abril de 2026, crescimento de 32,8% frente a março. No quadrimestre, o total exportado é ainda mais expressivo, de 460,888 mil toneladas, alta de 19,3% em relação ao mesmo período do ano anterior (386,351 mil toneladas). Segundo pesquisadores do Cepea, o ambiente externo deve se tornar desafiador para o Brasil nos próximos meses, tanto pelo lado chinês (cotas) quanto pela União Europeia, que anunciou ontem a lista de países que cumprem as regras exigidas pelo bloco contra o uso excessivo de antimicrobianos em produtos de origem animal e excluiu o Brasil – vale lembrar que os embarques nacionais de carne bovina ao bloco têm 4% de representatividade no total, em média. Independentemente desse cenário, a oferta global da proteína está reduzida.
CEPEA/ESALQ
ECONOMIA
Dólar tem correção técnica e fecha abaixo de R$5,00 com cenário político ainda no foco
Após o forte avanço da véspera, o dólar passou por correção técnica e fechou a quinta-feira novamente abaixo dos R$5,00, em meio aos desdobramentos políticos de reportagem ligando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, atualmente preso.
O dólar à vista encerrou a sessão com queda de 0,37%, aos R$4,9872. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular baixa de 9,14% ante o real. Às 17h02, o dólar futuro para junho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,40% na B3, aos R$5,0055. Na quarta-feira, a moeda norte-americana à vista havia avançado 2,27%, aos R$5,0059, após uma reportagem do Intercept Brasil afirmar que Flávio negociou com Vorcaro R$134 milhões para bancar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. Flávio Bolsonaro negou ter cometido qualquer irregularidade em sua relação com Vorcaro, alegando ter buscado recursos privados para um filme sobre a história do pai, sem oferecer qualquer vantagem em troca. Procurada, a defesa de Vorcaro não quis comentar a reportagem do Intercept. Daniel Vorcaro está no centro do escândalo da liquidação do Master, acusado de cometer fraudes bilionárias. Ele negocia atualmente uma proposta de delação premiada que pode atingir parlamentares e outras autoridades. Na manhã da quinta-feira, em nova fase da operação Compliance Zero, a Polícia Federal prendeu Henrique Vorcaro, pai de Daniel. No entanto, após a disparada da véspera, a sessão desta quinta-feira foi de ajustes nas cotações do dólar ante o real. “Depois de o mercado reagir inicialmente ao aumento das incertezas eleitorais e fiscais, levando o dólar novamente acima de R$ 5,00, o câmbio passou a corrigir parte do movimento, acompanhando também um ambiente externo mais favorável”, pontuou no fim da tarde Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. No exterior, os investidores seguiram atentos ao noticiário geopolítico. Em Pequim, o presidente dos EUA, Donald Trump, discutiu a guerra contra o Irã com o presidente da China, Xi Jinping, enquanto novos ataques a embarcações foram registrados perto do Estreito de Ormuz.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta em dia de recuperação
O Ibovespa fechou em alta na quinta-feira, após três quedas seguidas, com Itaú Unibanco entre os principais suportes, em mais um pregão marcado pela repercussão de resultados corporativos, incluindo os números de Banco do Brasil, CSN e Braskem.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 0,80%, a 178.521,87 pontos, de acordo com dados preliminares, após acumular um declínio de 3,8% nos primeiros pregões da semana, fechando na véspera em uma mínima desde 20 de março. Na máxima da sessão, chegou a 179.475,97 pontos. Na mínima, a 177.103,81 pontos. O volume financeiro somava R$27,48 bilhões antes dos ajustes finais. Wall Street corroborou a recuperação local, assim como o alívio nos rendimentos dos Treasuries e a acomodação do petróleo, um dia após noticiário envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) azedar o humor na B3.
REUTERS
Conab: Safra brasileira de grãos pode alcançar recorde e chegar a 358 milhões de toneladas
Impulsionada pelo bom desempenho da soja, do milho e do sorgo, produção pode crescer 1,6% em relação ao ciclo anterior, segundo levantamento da Conab; expectativa é de que a soja atinja marco histórico de 180 milhões de toneladas produzidas
A produção de grãos brasileira está estimada em 358 milhões de toneladas. O volume é 1,6% superior ao obtido na safra passada, o que representa um incremento de 5,7 milhões de toneladas no montante a ser colhido. Os números apontam a expectativa de recorde na safra, impulsionada pelo bom desempenho da soja, do milho e do sorgo, conforme dados apresentados no 8º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na quinta-feira (14). Projetada em 180,1 milhões de toneladas, a produção de soja deve atingir um marco inédito, superando a previsão anterior em 978 mil toneladas, o equivalente a um ajuste de 0,5%, com 98,3% da área já colhida. Em termos de volume a ser obtido, é esperado um crescimento de 8,6 milhões de toneladas para a oleaginosa em referência à safra 2024/25, o que representa um aumento de 5%, marcando o sétimo crescimento nas últimas dez safras. Destaque também para o milho primeira safra, que voltou a apresentar aumento na área semeada em relação aos últimos anos, o que reflete em uma colheita de aproximadamente 28,5 milhões de toneladas, superando em 3,5 milhões de toneladas a produção anterior, e para o sorgo, que pode chegar a 7,6 milhões de toneladas produzidas. Para o total das três safras do milho, a Companhia estima que seja colhida a segunda maior produção da série histórica, estipulada em 140,2 milhões de toneladas. Em relação ao último levantamento, os dados apontam um ganho de 0,4%, correspondente a 600 mil toneladas. Com 71,5% da área colhida até o início de maio, a primeira safra do cereal registrou um incremento de 1,8% em relação ao levantamento anterior, com alta de 493 mil toneladas. Concluída a semeadura, a 2ª safra deve atingir 108,5 milhões de toneladas, com leve queda de 0,6% em comparação ao ciclo anterior. Nos estados de Goiás e Minas Gerais, essa variação decorre da influência climática sobre a produção e, no panorama nacional, os dados ainda apontam aumento de 2,1% na área plantada. A perspectiva de incremento de até 23,8% para o sorgo está associada ao avanço significativo na área cultivada, uma vez que o cereal, além de ter maior tolerância à deficiência hídrica, apresenta destinação bastante próxima à do milho. A área plantada cresceu em todas as regiões do país, especialmente no Centro-Oeste, com aumento de 50,7%. Maior produtor nacional na safra 2024/25, o estado de Goiás deve ter um ganho de 40,3% na produção, superando o volume de 2,2 milhões de toneladas. “Esse crescimento é explicado pela migração estratégica de áreas originalmente destinadas ao milho. Com o encerramento da janela ideal de semeadura desse cereal, parte dos produtores optou pelo sorgo, considerando sua maior adaptação a janelas de cultivo tardias, em razão da maior tolerância da cultura a períodos de déficit hídrico, além da possibilidade de utilização do grão em diferentes segmentos, como na alimentação animal e produção de etanol”, analisa o gerente de Acompanhamento de Safras da Conab, Fabiano Vasconcellos. A indústria de etanol deve impulsionar o consumo interno do milho, que tende a avançar em 4,6% em relação à temporada passada, estimada em 94,86 milhões de toneladas. A Conab também avalia que as exportações do produto seguirão elevadas, superando o ciclo 2024/25 e podendo alcançar 46,5 milhões de toneladas, o que se deve à boa produção. Ainda assim, o estoque de passagem do cereal no final da atual safra deve ficar próximo a 12,98 milhões de toneladas. Para a soja, as exportações do grão acompanham os números positivos da safra, com estimativa de que os embarques cheguem a 116 milhões de toneladas, crescimento de 7,25% se comparado com a temporada de 2024/25.
CONAB
Taxa de desemprego sobe em 15 das 27 unidades da federação no 1º trimestre
Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e se referem à comparação com os três últimos meses de 2025
Quinze das 27 unidades da federação tiveram alta na taxa de desemprego no primeiro trimestre deste ano, em comparação ao observado no quarto trimestre de 2025, mostram dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) Trimestral, divulgados na quinta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desemprego nacional no primeiro trimestre subiu para 6,1%, ante 5,1% do quarto trimestre, como já divulgado pelo IBGE. A taxa de 6,1% é a menor para um quarto trimestre de toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Hoje, o instituto detalha o resultado por unidades da federação. No primeiro trimestre de 2026, a maior taxa de desemprego no país foi registrada no Amapá (10%) e a menor, em Santa Catarina (2,7%). No Estado de São Paulo, o desemprego ficou em 6% no primeiro trimestre, frente a 4,7% no quarto trimestre. No Rio de Janeiro, o desemprego passou de 6,9% no quarto trimestre para 7,3% no primeiro trimestre de 2026. A taxa de desemprego por sexo foi de 5,1% para os homens e 7,3% para as mulheres no primeiro trimestre. Já a taxa de desocupação por cor ou raça se manteve abaixo da média nacional para os brancos (4,9%) e acima para os pretos (7,6%) e pardos (6,8%).
VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS
Lucro da MBRF cresceu 26,8% no primeiro trimestre, para R$ 111 milhões
Aumento das exportações de carnes bovina e de frango ajudou a impulsionar o resultado da companhia
A MBRF, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, registrou lucro líquido de R$ 111 milhões no primeiro trimestre deste ano, um resultado 26,8% superior ao do mesmo período de 2025, segundo balanço que a companhia divulgou na quinta-feira (14/4). A receita líquida foi de R$ 39,453 bilhões nos três primeiros meses de 2026, ficando quase estável (-0,1%) na comparação com os R$ 39,480 bilhões de um ano antes. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da empresa, de R$ 3,096 bilhões, foi 3,2% menor que os R$ 3,199 bilhões do primeiro trimestre de 2025. As exportações, em especial de carne bovina da América do Sul e da unidade de negócios BRF, sustentaram a rentabilidade da companhia, disse a jornalistas o diretor vice-presidente de finanças e relações com investidores, José Ignácio Scoseria Rey. O retorno de embarques de aves para a União Europeia e de frango à China, a partir do Rio Grande do Sul, foi responsável pelo desempenho, segundo o comunicado de resultados. No primeiro trimestre, a MBRF atingiu recorde nas exportações diretas de aves e suínos, aumentando em 43% os embarques para a Europa e em 18% para a Ásia, na comparação com o quarto trimestre de 2025. A empresa também elevou em 12 pontos percentuais sua participação nas exportações a países do Golfo, entre fevereiro e março. “A crescente demanda global por proteínas impulsionou a empresa em seus segmentos de atuação, com destaque para nossas exportações”, disse, no comunicado, o diretor presidente global da MBRF, Miguel Gularte. Outra unidade de negócios que contribuiu para os lucros foi a de carne bovina da América do Sul, que elevou em 28% as exportações, equilibrando a queda de 1,9% do volume no mercado doméstico. A receita líquida e o Ebitda ajustado do segmento cresceram em proporções maiores, refletindo preços mais altos. A receita líquida avançou 23,1% no primeiro trimestre na comparação anual, para R$ 6,154 bilhões, e o Ebitda ajustado, 34,9%, para R$ 616 milhões. Na BRF, responsável por 79% do Ebitda da companhia, o volume exportado aumentou 0,9%, mas a queda de 5,5% no mercado interno levou a um volume total 2,6% menor. A receita líquida do negócio recuou 3,2% na mesma base de comparação, para R$ 14,933 bilhões, com quedas tanto no mercado interno quanto no externo. O Ebitda ajustado também diminuiu, 10%, para R$ 2,477 bilhões. “Estamos vendo o mercado externo, para carne bovina e frango, extremamente demandado”, disse Scoseria Rey. A habilitação de 74 plantas da empresa para exportação de janeiro a abril também contribuiu para as vendas ao exterior, afirmou Gularte. A operação de carne bovina da MBRF na América do Norte, com a National Beef, continuou sendo afetada pela baixa oferta de gado bovino, agravada pelo inverno rigoroso no início do ano. A demanda não dá sinais de arrefecimento, disse a companhia, mas custos altos dos animais seguem comprimindo as margens de lucro. No primeiro trimestre, o lucro bruto da operação caiu 14,1% na comparação anual, para US$ 57 milhões, enquanto o Ebitda ajustado cresceu 71,7%, para US$ 10 milhões. A receita líquida, de US$ 3,491 bilhões, foi 6,9% maior. Sinergias No comunicado, a MBRF informou que obteve R$ 126 milhões em sinergias (ganhos com a fusão de e Marfrig) no trimestre, cerca de 20% do previsto para o ano. No programa MBRF+, de iniciativas focadas em eficiência, o ganho de R$ 296 milhões. “Temos a expectativa de que 2026 será melhor que 2025. Estamos trabalhando para isso, com confiança de que isso vá ocorrer”, afirmou Gularte na entrevista. O executivo comentou, ainda, a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a vender produtos de origem animal ao bloco, alegando o não cumprimento de regras relacionadas ao uso de microbianos. “Tudo indica que é questão de validação de processo. O Brasil terá de demonstrar que os seus produtos não têm esse risco”, disse o diretor presidente global da MBRF.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
Carne bovina: Rabobank prevê exportações fortes para Austrália em 2026 e 2027
Demanda contínua dos mercados internacionais, liderada pelos EUA, está fornecendo um importante suporte aos preços pecuários do país da Oceania
A indústria de carne bovina da Austrália deverá permanecer sólida até 2026, apesar dos níveis recordes de produção, impulsionada pela forte demanda global e pela resiliência dos mercados de exportação, destaca o site australiano Food Processing, com base em dados em relatório anual Australian Beef Seasonal Outlook 2026, elaborado pelo RaboResearch, braço de pesquisa e inteligência do Rabobank. Segundo o estudo, embora os níveis recordes de oferta – com altos estoques de gado e volumes máximos de abate – apresentem riscos, principalmente se as condições climáticas piorarem, a demanda contínua dos mercados internacionais, liderada pelos EUA, está fornecendo um importante suporte aos preços pecuários na Austrália. O autor do relatório, Angus Gidley-Baird, analista sênior de proteínas animais do RaboResearch, afirmou que anos consecutivos de condições climáticas favoráveis permitiram que a indústria pecuária australiana reconstruísse os níveis de estoque para o que a RaboResearch acredita ser o próximo pico cíclico. “Isso vai gerar volumes recordes de abate e produção de gado em 2026”, disse Gidley-Baird, acrescentando: “Apesar desses volumes históricos, um mercado global forte está sustentando preços de exportação recordes e, por sua vez, preços historicamente altos para o gado, particularmente para o gado terminado.” O estudo do RaboResearch prevê que esse forte mercado de exportação de carne bovina australiana continuará ao longo de 2026 e em 2027, impulsionado principalmente pela demanda de importação do mercado norte-americano. O estudo afirma ainda que as pressões inflacionárias da guerra com o Irã e o impacto sobre a confiança do consumidor precisarão ser monitorados. “Espera-se que o forte mercado de exportação dê suporte ao mercado interno de gado australiano e acreditamos que isso deverá manter os preços em níveis próximos aos observados durante o primeiro trimestre”, disse Gidley-Baird. Segundo ele, a deterioração das condições sazonais seria o maior risco para o sistema. “Com um elevado número de cabeças de gado, as condições de seca sazonal — como as que estão sendo vivenciadas em partes de Nova Gales do Sul — podem forçar os produtores a venderem seus animais rapidamente em um mercado com excesso de gado”, afirmou Gidley-Baird. Gidley-Baird disse também que a nova cota de importação chinesa para carne bovina australiana em 2026 (205.000 toneladas) terá alguns impactos no cronograma. Com base nos volumes de exportação atuais, a RaboResearch acredita que a Austrália atingirá o limite da cota em maio ou junho. Segundo o analista, o preenchimento total da cota pode afetar as compras dos frigoríficos australianos nessa época, já que eles buscarão diversificar sua atuação para outros mercados. Embora o Oriente Médio seja um mercado pequeno para as exportações de carne bovina australiana e um ator relativamente pequeno nos mercados globais de carne bovina, Gidley-Baird afirmou que o conflito atual na região tem o potencial de aumentar os custos e causar interrupções nas cadeias de suprimento de carne bovina. “O aumento dos custos de combustível e frete pode impactar as estratégias de fornecimento dos compradores de gado”, disse ele, acrescentando: “As pressões inflacionárias também podem afetar os padrões de gastos do consumidor nos mercados de exportação. Os mercados asiáticos são possivelmente mais vulneráveis, dada a sua maior dependência do fornecimento de petróleo do Oriente Médio.”
SUÍNOS & FRANGOS
Mercado mantém estabilidade nas COTAÇÕES do suíno vivo em SP
Bolsa de Suínos definiu manutenção em R$ 106,00/@ na quinta-feira, com 20.700 animais comercializados e relação suíno/milho em 1:1,62
A Bolsa de Suínos do Estado de São Paulo “Mezo Wolters” definiu, na quinta-feira (14), pela manutenção no preço do suíno vivo em R$ 106,00/@. A referência indica estabilidade nas negociações do mercado paulista, com condições Bolsa. Na conversão por quilo, o suíno vivo permaneceu cotado a R$ 5,65/kg. A carcaça resfriada também manteve estabilidade, com referência entre R$ 9,00/kg e R$ 10,00/kg, segundo os dados divulgados pela Bolsa. A manutenção do suíno vivo foi observada ao longo dos últimos dias. Entre 11 e 14 de maio, a referência permaneceu em R$ 5,65/kg, sem alteração nas cotações informadas para o período. O volume comercializado na Bolsa chegou a 20.700 suínos. O número reforça a movimentação do mercado paulista, mesmo em um cenário de estabilidade nos preços pagos pelo animal vivo. Entre os principais indicadores acompanhados pelo setor, o milho apresentou leve recuo. A saca de 60 kg passou de R$ 65,98, em 11 de maio, para R$ 65,35, nesta quinta-feira. Com isso, a relação suíno/milho ficou em 1:1,62. O indicador é acompanhado de perto pela suinocultura, já que o milho tem peso relevante nos custos de alimentação dos animais e influencia diretamente a margem dos produtores. Outro dado apresentado pela Bolsa foi a referência do boi gordo, que recuou de R$ 352,25/@, em 11 de maio, para R$ 346,00/@ nesta quinta-feira. A queda acompanha o comportamento de outros indicadores agropecuários monitorados no período. Para a suinocultura paulista, a combinação entre estabilidade do suíno vivo e recuo no milho pode ajudar os agentes do mercado a avaliar custos, margens e estratégias de negociação nos próximos dias.
FEED&FOOD
Brasil registra quinto recorde consecutivo nas exportações de carne suína
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, o país embarcou 138,3 mil toneladas em abril, o maior volume já registrado desde 1997
As exportações brasileiras de carne suína atingiram um novo recorde em abril de 2026. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o país embarcou 138,3 mil toneladas da proteína no mês, o maior volume já registrado para abril desde o início da série histórica, em 1997. Na comparação com abril de 2025, quando foram exportadas 127,8 mil toneladas, o avanço foi de 8,2%. De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), este foi o quinto mês consecutivo de recorde nas exportações do setor. O movimento reflete a estratégia adotada pela cadeia suinícola nos últimos meses diante da fraqueza do consumo doméstico. Com a demanda interna mais lenta, agentes do setor têm priorizado as negociações com o mercado internacional na tentativa de reduzir a oferta disponível no Brasil e sustentar os preços internos. Apesar do forte desempenho das exportações, o Cepea destaca que os embarques representaram cerca de 26% da produção nacional em abril. Ainda assim, os preços da carne suína recuaram no mercado doméstico. No acumulado do primeiro quadrimestre de 2026, as exportações brasileiras de carne suína somaram 526,4 mil toneladas, crescimento de 14,4% em relação ao mesmo período do ano passado, também segundo dados da Secex.
CEPEA
China Reduz Meta de Suínos em 3,8% para Conter Excesso de Oferta
A meta para suínos será posteriormente ajustada “dinamicamente” com base nas mudanças na eficiência da produção e no consumo de carne suína. Decisão da China considerou a fraca demanda pela proteína
A China reduziu o nível normal de criação de porcas reprodutoras em 3,8%, para 37,5 milhões de cabeças, em um amplo plano anunciado na quinta-feira (14) para controlar a capacidade de produção em meio ao excesso de oferta e à fraca demanda, que levaram os preços da carne suína a mínimas de vários anos. O Ministério da Agricultura da China previu na terça-feira (12) que as importações de soja para o ano-safra de 2026/27 seriam de 95,5 milhões de toneladas métricas, uma queda de 7,6% em relação ao ano anterior, citando uma demanda mais fraca de farelo de soja devido à redução do rebanho de porcas. A meta para suínos será posteriormente ajustada “dinamicamente” com base nas mudanças na eficiência da produção e no consumo de carne suína, segundo o governo. O ministério tem como objetivo manter estável o número de granjas de suínos em larga escala em todo o país, em pelo menos 130.000. Grupos de criação em larga escala com mais de 100.000 porcas reprodutoras serão incluídos em uma lista de monitoramento nacional.
REUTERS
imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br
POWERED BY NORBERTO STAVISKI EDITORA LTDA
Whatsapp 041 996978868
