
Ano 11 | nº 2709 | 12 de maio de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: queda na cotação das fêmeas em São Paulo
A melhora na oferta e o alongamento das escalas pressionaram as cotações.
Após a queda da cotação das fêmeas na última sexta-feira (8/5), a semana começou com um recuo de R$1,00/@ para a vaca e de R$2,00/@ para a novilha. Lembrando que segunda-feira é um dia ruim de mercado. As escalas de abate estavam, em média, para 10 dias. Já há negócios sendo realizados abaixo da referência, mas em volume insuficiente para determinar referência no mercado. No Rio de Janeiro, apesar da pressão, a cotação permaneceu estável para todas as categorias. As escalas de abate estavam, em média, para cinco dias. No Mercado atacadista da carne com osso, na última semana, as vendas foram boas no varejo, impulsionadas pelo recebimento dos salários e pelo Dia das Mães. No atacado, apesar da melhora nos pedidos de reposição, o movimento não foi suficiente para sustentar as cotações, uma vez que melhorou a oferta de carne. A cotação de todas as carcaças caiu. A cotação da carcaça casada do boi capão caiu 0,6%, ou R$0,15/kg. A do boi inteiro caiu 0,9%, ou R$0,20/kg. Para a carcaça casada da vaca, a queda foi de 1,6%, ou R$0,35/kg. Para a da novilha, o recuo foi de 1,1%, ou R$0,25/kg. A expectativa é de que, entre hoje e amanhã, o setor sinta melhor o reflexo das vendas do varejo no fim de semana, com maiores pedidos de reposição, podendo trazer sustentação aos preços. No mercado de proteínas alternativas, o frango médio* subiu 3,6%, ou R$0,25/kg. Por outro lado, a cotação do suíno especial** ficou estável.
SCOT CONSULTORIA
Carne processada em maio já pode ser sobretaxada pela China
Carga despachada no mês tende a chegar no gigante asiático em 50 dias, inserindo-a na sobretaxa
O boi gordo comprado pelos frigoríficos ao longo do mês de maio e a ser processado em carne, embalado e despachado em contêineres já pode ser sobretaxado em 55% por conta do tempo de viagem, entre 45 e 50 dias, para chegar à China. A avaliação é do coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri. Isso porque diante da cota imposta pelo país asiático em 2026, de 1,1 milhão de toneladas, importadores se apressaram a garantir volumes da proteína, escapando de cobranças adicionais. “Então, agora, o comprador já está mais desacelerado em relação a essa demanda”, contextualiza. No domingo (10), porém, o governo chinês anunciou que as importações da proteína brasileira atingiram 50% da quantidade total especificada. Em março, a Austrália, outro grande exportador para os asiáticos, já havia preenchido a metade do volume que lhe cabe, de 205 mil toneladas. Fabbri também pondera que no mercado interno, os preços do frango e do suíno caíram nas últimas semanas, o que deixa o boi menos competitivo no atacado, levando o mercado a reduzir aquisições. “Diante desses fatores, a expectativa é de queda para a arroba do boi em maio, um mês que, historicamente, é desfavorável, já que desde 2003, em apenas dois anos tivemos um mês de maio com preços da arroba maiores do que os registrados em abril. Acreditamos que os preços girem entre R$ 340 e R$ 345 na praça-base São Paulo ao longo do mês”, conclui. Mesmo diante dos preparativos para o Dia das Mães, data que, historicamente, eleva o consumo interno de carne bovina, o mercado físico do boi gordo registrou uma semana de preços acomodados. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Iglesias, houve tentativas de compra em patamares mais baixos em estados como Goiás, Minas Gerais e São Paulo. “Por outro lado, em Mato Grosso observou-se um encurtamento das escalas de abate, levando a indústria local a elevar os preços pagos ao pecuarista”, contextualiza. Os valores da arroba do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 7 de maio: São Paulo (Capital): R$ 350, baixa de 2,78% frente aos R$ 360 praticados na semana passada; Goiás (Goiânia): R$ 340, queda de 1,45% ante aos R$ 345 registrados no final da semana anterior; Minas Gerais (Uberaba): R$ 340, inalterado frente ao fechamento da semana passada; Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 350, sem mudanças em relação ao encerramento da última semana; Mato Grosso (Cuiabá): R$ 360, sem modificações ante ao fechamento da semana passada; Rondônia (Vilhena): R$ 330, estável perante o fechamento do mês anterior. No mercado atacadista, o analista de Safras & Mercado ressalta que os preços sinalizaram alguma acomodação, mesmo em meio à entrada de salários na economia e a comemoração do Dia das Mães. O analista acrescenta que o mercado não oferece espaço para altas contundentes, considerando que o atual nível de preços já assume patamares proibitivos para boa parcela da população. “A competitividade da carne bovina é menor na comparação com as proteínas concorrentes, em especial em relação com a carne de frango”, pontua. Quarto do dianteiro: precificado a R$ 23 por quilo na semana, recuo de 2,13% frente aos R$ 23,50 no final da semana passada; Cortes do traseiro bovino: cotados a R$ 28,00 por quilo, queda de 1,75% frente aos R$ 28,50 encerrados no final da semana anterior. As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 1,572 bilhão em abril (20 dias úteis), com média diária de US$ 78,625 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A quantidade total exportada pelo país chegou a 251,944 mil toneladas, com média diária de 12,597 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.241,50. Em relação a abril de 2025, houve alta de 29,4% no valor médio diário da exportação, ganho de 4,3% na quantidade média diária exportada e avanço de 24,1% no preço médio.
SCOT CONSULTORIA/AGÊNCIA SAFRAS
Produtividade cai e pressiona custo de confinamento de gado no país em abril
O movimento atingiu tanto o Centro-Oeste quanto o Sudeste
A menor produtividade dos lotes abatidos impactou diretamente o resultado econômico
A redução na quantidade de arrobas produzidas por animal abatido foi o principal fator de pressão sobre a rentabilidade do confinamento bovino no Brasil em abril de 2026, segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), calculado pela Ponta Agro. O movimento atingiu tanto o Centro-Oeste quanto o Sudeste e elevou o custo da arroba produzida, mesmo com relativa estabilidade no custo diário da alimentação. De acordo com o levantamento, o custo alimentar seguiu sob controle nas duas principais regiões produtoras. No Centro-Oeste, o ICAP ficou em R$ 13,36 por cabeça/dia, alta de 0,98% em relação a março. Já no Sudeste, houve recuo de 1,31%, com o índice atingindo R$ 12,03, consolidando o segundo mês consecutivo de custos inferiores aos do Centro-Oeste. Apesar desse cenário, a menor produtividade dos lotes abatidos impactou diretamente o resultado econômico. No Centro-Oeste, as arrobas produzidas por animal caíram de 8,40 para 7,80, elevando o custo da arroba produzida em 18,76%, para R$ 228,94. No Sudeste, a queda também foi registrada, embora de forma mais moderada, resultando em aumento de 6,43% no custo da arroba, para R$ 205,96. Com isso, a rentabilidade do confinamento recuou em ambas as regiões. No Centro-Oeste, o lucro por cabeça foi estimado em R$ 851,04, queda de 33,44% frente ao mês anterior. No Sudeste, o resultado foi de R$ 1.116,80 por animal, redução de 11,90% no mesmo comparativo. Segundo a Ponta Agro, o principal destaque do mês foi a mudança no vetor de pressão sobre as margens. Diferentemente de períodos anteriores, o impacto não veio do custo da dieta, mas da queda na eficiência produtiva dos animais terminados. “A redução das arrobas produzidas elevou o custo unitário da produção e reduziu a lucratividade do confinamento nas duas regiões monitoradas”, afirma o boletim. No mercado físico, a arroba apresentou leve alta, sendo cotada a R$ 346,00 no Centro-Oeste e R$ 351,00 no Sudeste. Ainda assim, o avanço não foi suficiente para compensar a perda de produtividade. No mercado de exportação, o Sudeste manteve vantagem, com lucro estimado em R$ 1.186,10 por cabeça, frente a R$ 952,82 no Centro-Oeste, beneficiado por uma estrutura de custos mais eficiente. Mesmo com a queda mensal, a Ponta Agro destaca que a rentabilidade do confinamento segue em patamares historicamente elevados. “O mês reforça que, além do custo alimentar, a produtividade dos lotes abatidos passa a ter papel decisivo na margem final da atividade”, completa a empresa em nota.
GLOBO RURAL
Trump deve reduzir tarifas sobre importações de carne bovina nos EUA
Os Estados Unidos há mais de um ano lidam com escassez de gado para abate, o que tem elevado os preços da carne bovina no país. O rebanho de gado bovino dos EUA atingiu recentemente o mais baixo nível em 75 anos
O governo dos Estados Unidos planeja reduzir, temporariamente, tarifas aplicadas às importações de carne bovina. Segundo reportagem do The Wall Street Journal que cita fontes a par do assunto, o país pode suspender tributos aplicados a importações que excedam cotas estabelecidas com os vários parceiros comerciais de carne bovina, medida que poderia permitir um maior volume de importação a custos mais baixos. O WSJ disse também que o governo americano ainda planeja medidas para reduzir custos dos pecuaristas, como instruir a agência federal para pequenas empresas a aumentar os empréstimos e o acesso a capital para os criadores, entre outras ações. A administração Trump deve, além disso, reduzir algumas regulamentações para os criadores de gado, incluindo normas do Departamento de Agricultura (USDA) que os obrigam a usar brincos eletrônicos nos animais. Os Estados Unidos há mais de um ano lidam com escassez de gado para abate, o que tem elevado os preços da carne bovina no país — a carne moída é vendida atualmente a valores 40% superiores aos de cinco anos atrás, segundo o jornal americano. O rebanho de gado bovino dos EUA atingiu recentemente o mais baixo nível em 75 anos, de acordo com a Bloomberg. Com isso, os preços cobrados de consumidores atingiram patamares recordes enquanto as margens de lucro de frigoríficos diminuíram. O governo do presidente Donald Trump vem buscando alternativas para contrabalançar as altas do boi gordo e da carne bovina. Em fevereiro, ampliou a cota de importação de carne da Argentina. A administração Trump também investiga produtoras de carne que atuam no país, entre as quais JBS e a National Beef, controlada pela MBRF, por supostas práticas anticompetitivas que estariam levando às altas da carne. Segundo a Bloomberg, com base em dados do USDA, os EUA devem importar volume recorde de carne bovina neste ano. No caso da carne do Brasil, a administração Trump já havia suspendido, em novembro do ano passado, a cobrança de tarifa adicional de 40% que incidia sobre o produto e outros itens alimentícios brasileiros exportados ao país. O Brasil tem ampliado suas exportações de carne bovina ao país, hoje o segundo principal destino do produto, atrás apenas da China. Nos primeiros quatro meses do ano, foram embarcadas 149,8 mil toneladas de carne bovina para os americanos, 13,7% do total exportado pelo Brasil.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Dólar mostra estabilidade no Brasil após EUA rejeitarem acordo com Irã sobre guerra
Em uma sessão de liquidez limitada, o dólar oscilou em margens estreitas e fechou a segunda-feira perto da estabilidade, ainda que no exterior a divisa norte-americana tenha sustentado ganhos ante algumas divisas de países emergentes, após os EUA rejeitarem a resposta do Irã à proposta de paz norte-americana.
O dólar à vista fechou com leve baixa de 0,10%, aos R$4,8911. Esta é a menor cotação desde 15 de janeiro de 2024, quando a moeda norte-americana encerrou em R$4,8667. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular baixa de 10,89% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para junho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,03% na B3, aos R$4,9165, com apenas cerca de 128 mil contratos negociados até este fim da tarde. O Irã divulgou no domingo uma proposta para dar fim à guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, onde Israel combate os militantes do Hezbollah. O país solicitou uma compensação por danos de guerra e o fim do bloqueio naval dos EUA, com soberania iraniana no Estreito de Ormuz e garantia de que não haverá novos ataques, entre outras exigências. Sem dar detalhes, Trump classificou a proposta como “totalmente inaceitável”, mantendo o impasse sobre a guerra. Nesta segunda-feira, Trump voltou a atacar as exigências do Irã, chamando a proposta — na verdade, uma resposta a outra proposta feita anteriormente pelos EUA — de “estúpida”. Trump disse ainda que o cessar-fogo entre os países está “respirando por aparelhos”. Em reação, o petróleo Brent voltou a subir na segunda-feira, para perto dos US$104 o barril neste fim de tarde, enquanto o dólar sustentou ganhos ante parte das demais divisas, incluindo pares do real como a rupia indiana, o peso chileno e a lira turca. No Brasil, o dólar chegou a registrar leves altas, mas no geral não se afastou da estabilidade, oscilando em margens estreitas durante toda a sessão. Mais cedo, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim deste ano passou de R$5,25 para R$5,20. Há um mês, a cotação projetada era de R$5,37. No caso da Selic, a taxa projetada para o fim de 2026 seguiu em 13,00%, mas para o encerramento de 2027 passou de 11,00% para 11,25%, com os economistas vendo um espaço menor para cortes de juros em meio à continuidade da guerra no Oriente Médio.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda pressionado por ações sensíveis a juros
No setor de proteínas, MINERVA ON fechou em alta de 4,88%, tendo como pano de fundo a notícia de que o presidente dos EUA, Donald Trump, deve assinar decretos na segunda-feira para permitir o aumento das importações de carne bovina para os EUA e apoiar a renovação do rebanho bovino do país, em um esforço para lidar com os altos preços da carne bovina.
O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira, pressionado por ações sensíveis a juros, com a nova alta do preço do petróleo diante do impasse entre Estados Unidos e Irã reforçando preocupações com a inflação e os próximos passos do Banco Central. A temporada de resultados também ocupou as atenções, mas nem os números robustos do BTG Pactual evitaram o fechamento negativo de suas units, enquanto as ações da Telefônica Brasil figuraram entre as maiores baixas após lucro aquém das expectativas. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,19%, a 181.908,87 pontos, mínima de fechamento desde 27 de março. Ao longo da sessão, chegou a 181.614,83 na mínima e marcou 184.530,15 na máxima. O volume financeiro do pregão somou R$29,19 bilhões. A bolsa paulista continua registrando saída líquida de estrangeiros, com o saldo nos primeiros pregões de maio negativo em R$3,3 bilhões, de acordo com dados da B3 até o dia 7. Em abril, ainda houve entrada líquida de quase R$3,2 bilhões (excluindo follow-ons e IPOs). Mas, até o dia 15, esse saldo era de R$14,6 bilhões. “Diminuiu de fato um pouco esse fluxo de estrangeiros, mas eu acho que o Brasil, geopoliticamente, ainda oferece uma oportunidade enorme de investimentos” afirmou na segunda-feira o diretor financeiro do BTG, Renato Cohn, em conversa com jornalistas para comentar o balanço do primeiro trimestre, ressaltando, porém, que o mercado brasileiro e as empresas brasileiras são muito convidativas para o investidor estrangeiro. “Eu acho que isso ainda continua”, afirmou. O movimento acompanha a recuperação das ações de empresas de tecnologia dos Estados Unidos, onde os índices acionários S&P 500 e o Nasdaq renovaram máximas nos últimos pregões. “Parece que a aversão aos EUA diminuiu”, afirmou o gestor de uma empresa de previdência complementar, ressaltando também que, desde o início da guerra, com a revisão nas previsões de inflação para cima, a perspectiva de intensidade de queda da Selic reduziu e alterou o cenário mais favorável ao Brasil. A piora nas projeções para a inflação no Brasil tem como pano de fundo a forte alta dos preços do petróleo no exterior, na esteira do conflito no Oriente Médio que começou no final de fevereiro, quando EUA e Israel atacaram o Irã. De acordo com a análise gráfica semanal do Ibovespa da equipe do BB Investimento, há elementos que sinalizam uma possível continuidade da realização no curtíssimo prazo, mas ainda dentro da tendência primária de alta.
REUTERS
Mercado eleva previsão da inflação para 4,91% este ano
A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, passou de 4,89% para 4,91% este ano. A estimativa está no Boletim Focus da segunda-feira (11), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
Com a guerra do Oriente Médio pressionando o preço dos combustíveis e a inflação, a previsão para o IPCA deste ano foi elevada pela nona semana seguida, estourando o intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC. Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%. Em março, a alta dos preços em transportes e alimentação fez a inflação oficial do mês fechar em 0,88% – ante 0,7% em fevereiro. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,14%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para 2027, a projeção da inflação permaneceu em 4%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,64% e 3,5%, respectivamente. Nesta edição do Focus, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica até o fim de 2026 permaneceu em 13% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida para 11,25% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 10% ao ano. Nesta edição do boletim do Banco Central, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano permaneceu em 1,85%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) variou de 1,75% para 1,76%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos. No Focus desta semana, a previsão da cotação do dólar está em R$ 5,20 para o final deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,30.
AGÊNCIA BRASIL
GOVERNO
CNA solicita medidas emergenciais para reverter falta de vacinas para a pecuária
Entidade encaminhou ofício ao Ministério da Agricultura, diante do desabastecimento do insumo
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) encaminhou, na quarta (6), ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) solicitando medidas emergenciais para enfrentar o desabastecimento de vacinas essenciais para a pecuária nacional. No documento, enviado ao ministro André de Paula, a CNA alerta, com base em informações das Federações de Agricultura e Pecuária de todas as regiões do país, para a escassez de imunizantes usados para combater doenças como clostridioses, influenza equina, encefalomielite, herpesvírus, tétano e leptospirose. “A indisponibilidade desses produtos aumenta o risco sanitário dos rebanhos, com registro de mortalidade de animais em alguns estados”, ressalta no ofício o presidente da CNA, João Martins. Segundo a CNA, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (Sindan) informou que a redução da oferta está relacionada, entre outros fatores, à saída do mercado brasileiro, em 2025, de uma das principais empresas farmacêuticas do setor. “Embora exista expectativa de ampliação da produção a partir de maio, o abastecimento ainda não foi normalizado”, reforça Martins. Desta forma, a Confederação solicita esclarecimentos sobre as medidas adotadas pelo Mapa para orientar a distribuição das vacinas remanescentes entre os estados e sobre as ações emergenciais em andamento para restabelecer a produção e o abastecimento dos imunobiológicos. A CNA propõe, ainda, maior articulação institucional para agilizar registros e ampliar a entrada de novos fornecedores e produtos no mercado. “Estamos à disposição para colaborar tecnicamente com o Ministério na construção de soluções que assegurem a proteção sanitária e a sustentabilidade da pecuária brasileira”, conclui a CNA no ofício. Na semana passada, em reunião na Expozebu, a Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte discutiu o tema e propôs medidas voltadas para o reabastecimento das vacinas no país.
CNA
Indústria de proteína animal manifesta preocupação com custo de embalagens
Entidades estão preocupadas com possível revisão das medidas antidumping sobre o polietileno importado dos EUA e Canadá. Custos das resinas utilizadas na fabricação de embalagens já acumulam alta próxima de 70% desde o agravamento do conflito no Oriente Médio
A indústria brasileira de proteína animal manifestou preocupação com os custos de embalagem do setor diante da possível revisão das medidas antidumping sobre o polietileno importado dos Estados Unidos e Canadá. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e outras 18 entidades do setor, a medida representa risco de aumento de custos, pressão inflacionária sobre alimentos e perda de competitividade nas exportações. De acordo com o documento, os custos das resinas utilizadas na fabricação de embalagens para produtos congelados e processados já acumulam alta próxima de 70% desde o agravamento do conflito no Oriente Médio. A possível elevação da tarifa antidumping dos atuais US$ 200 por tonelada para US$ 735, afirma, poderá gerar impacto adicional de cerca de 25% sobre o custo das resinas. Com isso, a indústria projeta uma pressão adicional de 16% a 22% nos custos de embalagens, a depender da tecnologia utilizada. As estimativas indicam que o impacto total nos preços dos produtos, que já supera 5% devido à crise internacional, possa se aproximar de 10% com as novas medidas. O setor também destaca a elevada dependência brasileira de resinas importadas. No último ano, cerca de 50% das importações tiveram origem justamente nos Estados Unidos e Canadá, países afetados pelo antidumping. Ao mesmo tempo, fornecedores alternativos, como Oriente Médio, Ásia e Egito, enfrentam restrições de oferta devido ao cenário geopolítico. Outro ponto ressaltado é a importância dos Estados Unidos como uma das poucas fontes globais de resinas específicas, como as de base metaloceno e octenos, fundamentais para embalagens utilizadas na cadeia de frio e em produtos submetidos a baixas temperaturas. Diante desse cenário, as entidades defendem a adoção de medidas emergenciais para mitigar os impactos, incluindo a avaliação de mecanismos temporários de suspensão ou redução das alíquotas sobre a importação de insumos estratégicos para embalagens, com o objetivo de preservar o abastecimento, a competitividade do setor e o equilíbrio dos preços ao consumidor.
VALOR ECONÔMICO
SUÍNOS & FRANGOS
Dia das Mães reaqueceu a demanda e segurou o preço do suíno vivo
Procura por lombo e costela puxou a carcaça especial em São Paulo, interrompendo a sequência de baixas e reabrindo a janela de reação para as cotações do animal nas granjas.
A procura por lombo e costela nas vésperas do Dia das Mães devolveu fôlego ao mercado e reaqueceu o preço do suíno vivo no Dia das Mães nas principais praças produtoras. Conforme o Cepea/Esalq, a carcaça especial fechou a R$ 8,71/kg no atacado da Grande São Paulo na quarta-feira (6), com alta de 3,44% em três pregões. O movimento interrompeu uma sequência ruim para o suinocultor. Ao longo de abril, a terceira semana consecutiva de queda tinha empurrado as cotações ao menor patamar real em quase dois anos. Agora, o início de mês e a data comemorativa puxam o consumo das gôndolas e reabrem espaço para reação dentro da porteira. Nas granjas do Sul, o salto também apareceu. Em Santa Catarina, o quilo do animal vivo chegou a R$ 4,99, alta de 1,63% na semana. No Paraná, a média subiu para R$ 4,85/kg, avanço de 3,41% no mesmo período, segundo os indicadores do Cepea. O calendário do varejo manda no fluxo do frigorífico. Quando o açougue vende mais costela e lombo, a indústria precisa repor estoque rápido e volta a brigar por carregamentos extras na granja. Foi exatamente o que aconteceu na semana, conforme apontam os pesquisadores do Cepea. Antes, o cenário era oposto. Câmaras frias cheias e consumidor segurando a carteira tinham travado o escoamento. Nem mesmo as exportações recordes seguraram a queda – afinal, o mercado externo absorve menos de 30% da carne produzida no país. Segundo o Cepea, o cenário para os próximos pregões é de estabilidade ou nova alta no animal vivo, justamente por causa do aquecimento na procura pelos cortes. Contudo, o produtor não deve confundir reação pontual com virada de tendência. O Cepea projeta estabilidade ou nova alta nas próximas semanas, sustentada pelo aquecimento recente da demanda por cortes. Ainda assim, a oferta segue alta nas granjas e o consumo interno continua sensível. Passada a data comemorativa, a tendência é de acomodação, não de disparada contínua.
CEPEA/ESALQ
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