CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2705 DE 06 DE MAIO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2705 | 06 de maio de 2026

 

NOTÍCIAS

Negócios no mercado do boi gordo em São Paulo estão sem força

Escalas alongadas e consumo lento enfraquecem as negociações, com mercado dependente da retomada das vendas de carne.

Pelos dados da Scot Consultoria, que monitora 33 praças brasileiras, em São Paulo, o boi gordo destinado ao mercado interno está cotado em R$ 355/@, o “boi-China” sai por R$ 363/@, a vaca gorda vale R$ 330/@ e a novilha terminada é vendida por R$ 340/@ (valores brutos, no prazo). Com escalas de bom tamanho e as vendas de carne devagar, as negociações estavam sem força. Parte da indústria frigorífica não estava ativamente nas compras, e as ordens de compra das que estavam nada mudaram em relação ao dia anterior. As escalas de abate estavam, em média, para 10 dias. As cotações vigentes não agradavam à ponta vendedora. Para os próximos dias, o rumo do mercado dependia do volume de negócios realizados e da retomada das vendas de carne no mercado interno. No Pará, a oferta havia melhorado e os negócios aumentaram. Nesse contexto, as escalas avançaram e atendiam, em média, entre nove e 11 dias. Com isso, na comparação feita dia a dia, nas três praças pecuárias paraenses, a cotação caiu. Na região de Marabá, a cotação do boi gordo e a da novilha caiu R$3,00/@. Para a vaca, estabilidade. Na região de Redenção, a cotação da vaca caiu R$3,00/@. As cotações do boi gordo e da novilha ficaram estáveis. A cotação do “boi China” não havia mudado. Na região de Paragominas, a cotação do boi gordo e do “boi China” caiu R$2,00/@, e a da vaca e a da novilha não mudou. No Espírito Santo, o mercado esteve firme e a cotação não mudou. As escalas de abate estavam, em média, para nove dias.

SCOT CONSULTORIA

Mercado do boi gordo pressionado e em alerta quanto as influências do clima nas pastagens

Correção sazonal, consumo interno fragilizado e incertezas com a China explicam recuo, enquanto oferta limitada sustenta viés de alta no ano.

O mercado do boi gordo no Brasil iniciou maio sob pressão de baixa, após um mês de abril marcado por recordes nominais nas cotações em diversas praças pecuárias. Segundo Felipe Fabre, o movimento de recuo já era esperado e está alinhado ao comportamento sazonal típico do período, especialmente após uma primeira quinzena firme e com forte ritmo de comercialização por parte dos pecuaristas. Entre os principais fatores de pressão estão o aumento pontual da oferta, favorecido por condições climáticas menos favoráveis em algumas regiões do Centro-Oeste, e a maior capacidade da indústria em alongar suas escalas de abate. Além disso, o mercado doméstico tem mostrado limitações na absorção de preços mais elevados, com o consumo pressionado pelo alto nível de endividamento das famílias e pela concorrência com proteínas mais acessíveis, como frango e suíno. Esse cenário também impacta o atacado, reduzindo a sustentação das cotações da carne bovina. No mercado externo, apesar do bom desempenho das exportações, há incertezas relacionadas à cota chinesa, especialmente quanto ao ritmo de preenchimento ao longo de maio. Ainda assim, a diversificação dos destinos — com destaque para Estados Unidos, Chile, Rússia e países do Sudeste Asiático — tem contribuído para manter a demanda internacional aquecida. Paralelamente, o mercado futuro já precifica um movimento de queda mais acentuado até agosto, refletindo o período de transição para a entressafra do capim. Apesar da pressão de curto prazo, a avaliação predominante é de que os fundamentos seguem construtivos para o restante de 2026. A oferta de animais tende a ser mais cadenciada em comparação ao ano anterior, limitando quedas mais intensas. Nesse contexto, ajustes negativos devem ocorrer de forma pontual, mas o viés estrutural permanece positivo, com maior sustentação do que pressão baixista ao longo do ano.

SCOT CONSULTORIA

ECONOMIA

Dólar fecha em forte queda e vai a R$ 4,91, menor patamar desde janeiro de 2024

Alívio na percepção de risco global foi o gatilho para a apreciação do câmbio brasileiro

O dólar à vista exibiu forte desvalorização frente ao real na sessão da terça-feira, chegando ao menor patamar desde fim de janeiro de 2024. O alívio na percepção de risco global foi o gatilho para a apreciação do câmbio brasileiro, que exibiu um movimento em linha com o observado na maioria dos mercados mais líquidos, em especial emergentes, ainda que em uma magnitude superior aos pares. O bom desempenho do real continuou ancorado no enfraquecimento global da moeda americana, nos juros muito elevados no país, na volatilidade contida e nos termos de troca favoráveis, conforme apontaram operadores de câmbio. Além do já mencionado, a internalização de dólares por parte de exportadores neste período do ano teria dado ajuda adicional. Encerradas as negociações da terça-feira, o dólar à vista registrou queda de 1,12%, cotado a R$ 4,9121, o menor patamar de fechamento desde o dia 26 de janeiro de 2024, quando a moeda americana terminou negociada a R$ 4,9105. Na mínima do dia, o dólar bateu em R$ 4,9060 e encostou na máxima de R$ 4,9527. Já o euro comercial teve depreciação de 1,12% frente ao real, a R$ 5,7448, o menor patamar desde junho de 2024. Perto do fechamento, o real apresentava o melhor desempenho frente ao dólar, na relação das 33 moedas mais líquidas acompanhadas pelo Valor. O dólar também recuava 0,84% ante o peso mexicano, 0,77% contra o peso chileno e 0,73% ante o rand sul-africano. Já o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, avançava 0,10%, aos 98,473 pontos. Victor Scalet, estrategista macro da XP, lembra que o real tem se destacado, mas não é algo exclusivo de agora. “Isso já era uma tendência observada antes da guerra [no Oriente Médio], desde o fim de 2025, mas o movimento foi acentuado do início dos conflitos para frente”, afirma. Ainda na leitura de Scalet, os preços das commodities, em especial do petróleo, tem dado suporte ao real por conta dos termos de troca do Brasil, mas o que mais importante nesse movimento hoje é a dinâmica do dólar fraco. O chefe da tesouraria de um grande banco local diz que tem observado internalizações de exportadores, mas que o bom desempenho do real se dá pelo interesse que a moeda desperta pelos altos juros e pelos termos de troca.

VALOR ECONÔMICO

Ibovespa fecha em alta com alívio no petróleo, ata do Copom e balanços

Nova rodada de resultados corporativos e a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) também ajudaram a impulsionar o índice

O Ibovespa encerrou em alta na terça-feira, em meio ao alívio na percepção de risco global, com a manutenção do cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, apesar de relatos de ataques iranianos aos Emirados Árabes Unidos. A nova rodada de resultados corporativos e a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) também ajudaram a impulsionar o índice, que subiu 0,62%, aos 186.754 pontos, após oscilar entre 185.364 pontos e 187.428 pontos. A queda do petróleo, somada à leitura de que o Copom manteve em aberto a possibilidade de reduzir a Selic em 0,5 ponto percentual, deu apoio às ações ligadas à economia doméstica. Por outro lado, a queda das ações da Petrobras diminuiu o ímpeto do Ibovespa, cujo volume financeiro somou R$ 19,3 bilhões, enquanto a B3 movimentou R$ 25,9 bilhões. O movimento positivo também foi observado nas bolsas americanas, além de resultados trimestrais saudáveis. O S&P 500 ganhou 0,81% e o Nasdaq avançou 1,03% e renovaram recordes, enquanto o Dow Jones subiu 0,73%. No cenário geopolítico, petróleo tipo Brent (referência mundial) com vencimento em julho teve queda de 3,99%, cotado a US$ 109,87 por barril. Já o WTI (referência americana) com entrega prevista para junho caiu 3,90%, a US$ 102,27 por barril. O alívio nos preços ajudou a queda dos juros futuros e, por consequência, uma valorização das ações brasileiras no pregão. Ainda assim, as declarações contraditórias seguem no centro das atenções do conflito no Oriente Médio. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que o Irã quer fazer um acordo e que os EUA podem fazer o que quiserem com o país persa. “O que não gosto no Irã é que eles falam comigo com muito respeito, e depois vão à televisão dizer: ‘Não falamos com o presidente!’ Eles estão jogando. Podemos fazer o que quisermos com eles”. Gestores ouvidos pelo Valor nos últimos dias afirmam que o cenário atual já foi incorporado aos preços, por isso houve esse movimento mais contido, que traz apoio aos ativos de risco, tanto aqui quanto nos Estados Unidos, com a valorização das bolsas de Nova York. Como resultado, as ações ligadas ao petróleo sofreram baixas: as ordinárias e preferenciais da recuaram 1,38%, cada, enquanto as ações ON da Brava perderam 1,39% e as da Prio cederam 0,94%. Na sessão, os balanços bem-recebidos pelo mercado também ajudaram a bolsa brasileira. Entre as maiores valorizações, as ações da Ambev disparam 15,30%, após a publicação dos resultados do primeiro trimestre acima do esperado. O grande destaque da companhia foi o desempenho de vendas de cerveja no mercado brasileiro, que bateu recorde, segundo analistas.

VALOR ECONÔMICO

EMPRESAS

EUA investigam JBS e MBRF e oferecem recompensa a denunciantes

Departamento de Justiça apura possíveis violações das leis antitruste, segundo as autoridades locais. Os quatro maiores frigoríficos controlam 85% do processamento de carne bovina nos Estados Unidos

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu investigação sobre possíveis práticas anticompetitivas no mercado da carne contra JBS, National Beef (controlada pela MBRF) e outras duas indústrias do setor. Os detalhes foram anunciados na segunda-feira (4/5), em entrevista coletiva em Washington. De acordo com as autoridades locais, mais de 3 milhões de documentos já foram analisados e centenas de agentes da cadeia foram ouvidos, incluindo pecuaristas, produtores e processadores. Segundo o Departamento de Justiça, a investigação apura possíveis violações das leis antitruste no mercado de carne nos Estados Unidos, incluindo práticas que podem ter permitido a troca de informações comercialmente sensíveis entre concorrentes, com impacto direto na formação de preços. Os quatro maiores frigoríficos – JBS, Cargill, Tyson Foods e National Beef – controlam 85% do processamento de carne bovina nos Estados Unidos, segundo a secretária de Agricultura, Brooke Rollins. “Essas empresas têm uma capacidade sem precedentes de exercer poder de mercado e influenciar os preços pagos pelo gado, certamente mais do que se tivéssemos uma concorrência maior”, afirmou Brooke, durante a coletiva. As autoridades dos EUA apontam que esse nível de concentração reduz a concorrência, diminui o poder de negociação dos pecuaristas e pode facilitar o conluio. “Esse modelo de negócios permite que os concorrentes troquem informações comercialmente sensíveis sobre todos os aspectos da indústria de proteínas, e aumentou os preços do frango, da carne suína e do peru”, disse o procurador-geral interino, Todd Blanche. A ofensiva inclui ainda um programa de incentivo a denunciantes. Pessoas com informações sobre práticas ilegais podem receber entre 15% e 30% das multas aplicadas, caso as denúncias resultem em condenações superiores a US$ 1 milhão. De acordo com ele, medidas serão anunciadas ao final desta semana que devem afetar diretamente os preços das proteínas animais. O anúncio da investigação ocorre num momento de alta nos preços da carne bovina e redução do rebanho nos EUA, que chegou ao menor nível desde 1950 (86,2 milhões de cabeças). As empresas citadas foram procuradas pela reportagem, mas não se manifestaram.

GLOBO RURAL

Frigorífico Santa Lúcia pede recuperação judicial após perdas por tempestade

Em dezembro, chuvas danificaram as instalações da empresa e paralisaram os abates por 72 dias, afetando o endividamento do grupo. Frigorífico Santa Lúcia em Araguari (MG); mais de 2.000 metros quadrados de área industrial foram destruídos por tempestade

O Frigorífico Santa Lúcia protocolou na última semana um pedido de recuperação judicial na 1ª Vara Cível da Comarca de Araguari (MG), em conjunto com a Central Carnes e Frios, que integra o mesmo grupo familiar. Segundo comunicado divulgado na terça-feira (5/5), uma tempestade ocorrida em 30 de dezembro de 2025 danificou gravemente as instalações da empresa e paralisou os abates por 72 dias, afetando o endividamento do grupo. O valor da dívida não foi revelado. “A tempestade que atingiu a cidade foi classificada como uma das maiores chuvas já registradas no município. No Frigorífico Santa Lúcia, na Rua Júlio César de Souza, mais de 2.000 metros quadrados de área industrial foram destruídos em poucas horas, incluindo os setores de abate, graxaria, miúdos, vestiários e sala de máquinas”, disse a empresa. A companhia ressaltou que, ainda assim, honrou integralmente com salários e benefícios, uma folha mensal de aproximadamente R$ 1 milhão, usando recursos de caixa que estavam destinados a investimentos. “Mais de 350 colaboradores diretos seguem em atividade, com remanejamento de equipes para as frentes de reconstrução”, acrescentou, no comunicado. Para o frigorífico, a recuperação judicial, se deferida, será uma forma de renegociar as dívidas, reconstruir a operação e “reduzir a dependência de estruturas financeiras tradicionais que, ao longo dos anos, passaram a consumir parcela significativa da geração de caixa da atividade”.

GLOBO RURAL

Os desafios e avanços do açougue da JBS como varejo

O balanço de 2025 do grupo informa que a JBS Brasil registrou recorde de vendas no ano, com crescimento de 21% frente a 2024

A JBS encomendou um levantamento para a empresa de pesquisas NielsenIQ (NIQ) para confirmar se o seu programa de açougues para o varejo vinha dando resultado. Os dados reforçaram a percepção positiva, só que fazer esse modelo rodar nos últimos tempos envolveu enfrentar barreiras estruturais e econômicas no setor. As dificuldades financeiras de parte do varejo de 2021 para cá, o crescimento das cadeias de atacarejo na última década — onde o açougue nunca foi o foco dos investimentos até anos atrás — e a competição no setor de carnes a obrigou a ir atrás de novos clientes e a repensar o produto. Além disso, num mercado varejista altamente pulverizado, como o brasileiro, há muitas redes regionais, especialmente no sul do Brasil — que tem demanda específica por diferentes tipos de carnes e de marcas — que não entraram nesse programa da JBS, apurou o Valor. O Friboi+ é o programa da JBS em parceria com o varejo, criado em 2001, em que a companhia fornece treinamento aos funcionários das unidades para melhor exposição e redução de perdas e rupturas de produtos. Já a loja fornece o espaço e tem a garantia de abastecimento estável, mesmo em períodos de eventual maior risco ao fornecimento. O balanço de 2025 do grupo informa que a JBS Brasil registrou recorde de vendas no ano, com crescimento de 21% frente a 2024. A empresa até cita ali que os preços mais altos compensaram parcialmente o forte aumento nos custos do gado, mas afirma também que parte da alta veio da oferta de produtos de valor agregado por meio do Friboi+, o programa de especialização em açougue. Com o avanço acelerado do atacarejo no Brasil, que já é 43% da receita com venda de alimentos no país, segundo dados de dezembro da NIQ, a JBS teve que se aproximar das grandes atacadistas e fazer um trabalho para fechar parcerias pelo Friboi+. O ponto é que a venda de carnes não era vista como categoria destino no atacado, segundo consultores, ou seja, o cliente não saía de casa para ir necessariamente ao açougue nessas lojas. Mas ao mesmo tempo, o atacarejo virou uma potência no Brasil, enquanto os hipermercados, canal forte das marcas de carnes, foram encolhendo rapidamente na última década. Levantamento da NIQ obtido pelo Valor mostra que, enquanto a frequência de clientes subiu 6,2% nos atacarejos em 2025 frente a 2024, a média no varejo em geral (todos os canais) caiu 4,8%. Desde 2020, calcula-se que cerca de 500 atacarejos foram abertos no país e 300 hipermercados fecharam as portas. Essa transformação no mapa dos canais de compra no país obrigou as indústrias a se mexerem, inclusive os frigoríficos. O Assaí fechou um acordo com a JBS com o Friboi+ em 2020 e dois anos depois veio o Atacadão, as duas líderes desse setor. O Carrefour, maior rede de varejo do Brasil, não é parceiro da empresa. Vinte e cinco anos depois do início do Friboi+, considerando as cerca de 400 mil lojas de supermercados, hipermercados e atacarejo no país, segundo dados da Abras, a associação do setor, a JBS tinha cerca de duas mil unidades parceiras por meio do Friboi+, segundo informações prestadas pelo grupo ao Valor em 2023. Quase três anos antes, no fim de 2019, eram 1.040 lojas. Portanto, o total representa cerca de 0,5% da base de lojas do varejo e atacarejo naquele período. Uma rede de supermercados de São Paulo ouvida, e que faz parte do programa, disse que, num período de falta de mão-de-obra especializada, num cenário de crise de pessoal no setor, a possibilidade de ter equipe treinada sem custo, acaba sendo um impulsionador para adesão ao modelo. “Nessa escassez de mão- de-obra que vivemos, é algo que é colocado na conta de fatores favoráveis ao acordo”, disse a fonte. “Para redes com problema de contratação e sem muita experiência em açougue isso ajuda. Mas para quem tem o açougue ‘na mão’, aí é diferente, tem que analisar se vale a pena porque fica com espaço da loja comprometido com eles”, afirma um diretor de uma cadeia com 200 pontos de venda, parte deles participante do Friboi+. Nas câmaras frias das lojas, na área de vendas ao lado dos açougues, a JBS expõe as marcas Friboi Reserva, Seara Reserva, Maturatta, 1953, Do Chef com material publicitário destacando o chamado “Friboi+ Açougue Nota 10”. A JBS afirma que os números da NIQ mostram uma vitória do modelo. De acordo com os dados passados ao Valor pela empresa, as lojas grandes no país com o programa tiveram uma alta de 63% na venda de todas as cestas de produtos no acumulado de 2025 versus 2024, frente àquelas sem o programa. Em lojas de tamanho médio cresceu 15% e nas pequenas, 316%. Nos atacarejos, a alta é mais discreta — nas unidades grandes, médias e pequenas, 26%, 8% e recuo de 1%, respectivamente. A pesquisa não informa, porém, como outros aspectos, que poderiam também ter efeito nas vendas, foram isolados nesta metodologia. “As lojas com o açougue tiveram uma alta média de 30% nas vendas totais no ano passado”, disse Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS, maior produtora de proteína do mundo. “Fazemos uma gestão de categorias junto com as empresas, e há uma melhora de nível de serviço. Isso porque, onde estamos com esse modelo não tem ‘out of stock’, há garantia de recebimento, e acaba sendo um processo de construção de confiança com o parceiro”, afirma. Nas câmaras frias, ao lado dos açougues, ficam os itens fatiados das marcas. Em cima desses valores, o lojista pode trabalhar promoções. Há autonomia das redes em determinar os preços finais dos produtos, mas ali evita-se guerra declarada de preços. “Ao trabalhar itens de maior valor agregado no programa naturalmente se fica meio amarrado em fazer menos promoções”, diz um consultor de grandes cadeias do setor. A JBS disse que vem trabalhando o tema das ofertas no Friboi+. “Desde 2018 passamos a ter preços promocionais em peças já fracionadas a vácuo que mandamos para a loja, de um quilo a 1,5 quilo, e resolvemos isso com essas opções”, disse o CEO da Friboi, Renato Costa. “A iniciativa ajuda a diferenciar o sortimento, você sai da guerra de preço, porque essa guerra não ajuda a loja”, afirma Tomazoni. “Aumentamos a margem da loja com a venda de maior valor agregado, com suporte completo na execução, ativação e gestão de categoria. Elevamos o tíquete médio vendido e a frequência de compras”, diz ele. “Usar a nossa carne” O programa não envolve um contrato assinado com a loja de espaço garantido de exposição ou verba paga. Mas fontes de redes da área comercial afirmam que fica claro entre as partes que não se aceita que nas prateleiras onde estão as carnes da JBS pode entrar produto de concorrente. A entrada de outras empresas nesse mercado de parceria compartilhada de açougues também teria sido um novo fator nessas negociações. O Valor apurou que a Marfrig teria sondado varejistas com acordos de treinamento de mão de obra envolvendo as suas carnes.

VALOR ECONÔMICO

TECNOLOGIA

Olho do Dono põe Austrália e China em plano de expansão

Startup, que usa câmeras 3D e inteligência artificial para pesar gado bovino, avança no Brasil e define prioridades no exterior

A startup Olho do Dono, que utiliza câmeras 3D e tecnologia baseada em inteligência artificial para estimar o peso do gado bovino sem uso de balanças convencionais, abriu negociações para entrar nos mercados chinês e australiano, acelerando, com isso, a internacionalização de suas operações. Hoje, o Brasil concentra 88% dos clientes da empresa, que também tem negócios na Argentina, onde fica 6% da clientela, no Paraguai (4% dos clientes), além de Bolívia e México, com 1% cada. Em paralelo, a startup também se reforça no mercado brasileiro, que tem o maior rebanho comercial do mundo – são 238,2 milhões de cabeças, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Há um mês, a empresa fechou um contrato para atender a Fazenda Bom Futuro, que tem mais de 150 mil cabeças de gado, distribuídas por 21 propriedades em Mato Grosso. Segundo Renan Medeiros, coordenador técnico da Fazenda Bom Futuro, os testes de pesagem com a tecnologia da agtech apresentaram diferença de apenas 0,1% para a pesagem em balança tradicional. Ele afirma ser possível pesar 500 cabeças de gado em 20 minutos. “Essa tecnologia nos permite até fazer auditorias em outras fazendas”, observou. Os novos passos no exterior e a expansão dos negócios no Brasil ocorrem em um momento em que entram novos recursos na companhia. A BR Angels, grupo formado por mais de 400 altos executivos que são também investidores, aportou R$ 350 mil na Olho do Dono. Esse montante soma-se aos R$ 2,2 milhões que a empresa levantou em uma rodada de investimento que concluiu em setembro do ano passado. A tecnologia da agtech já pesou 2 milhões de bovinos. Câmeras instaladas no curral permitem ao pecuarista pesar os animais diretamente no pasto, o que acelera esse trabalho, já que, com a tecnologia, não é necessário levar o gado até a balança no curral. A Olho do Dono quer ser uma alternativa também para pecuaristas de menor porte. Segundo Pedro Henrique Mannato, presidente executivo (CEO) da empresa, atualmente, os menores clientes da agtech têm no mínimo 500 cabeças de gado, mas isso deve mudar em breve. A empresa fez uma parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) para levar a tecnologia também a pequenos criadores, além de prestar consultorias, a partir de julho deste ano. “Uma fazenda com 100 cabeças de gado pode pesar e contar seu rebanho em três minutos”, afirma o executivo. O ingresso da BR Angels na lista de investidores da Olho do Dono foi um movimento pouco usual para o grupo, afirma Orlando Cintra, fundador e CEO da BR Angels. “Aconteceu um fenômeno pouco comum: vários investidores do BR Angels que não entraram na primeira rodada, queriam investir”, relatou. Segundo ele, a aprovação do aporte adicional só ocorreu quando Mannato explicou que o novo montante seria utilizado para aumentar e melhorar a equipe de vendas e marketing. “Muitas vezes, mais dinheiro até atrapalha um negócio em expansão, mas ele me provou o uso claro desse novo valor”, disse. Sem informar valores, Mannato diz que, nos seis meses após o investimento de setembro de 2025, o faturamento da Olho do Dono cresceu 100% em relação ao mesmo período de um ano antes. Segundo ele, o investimento em marketing e em equipe de vendas foi responsável pelo aumento, e os R$ 350 mil terão o mesmo destino. No total, a agtech capixaba, que nasceu em Vitória em 2015, já captou R$ 6 milhões desde sua fundação. A tecnologia da Olho do Dono é baseada em inteligência artificial e visão computacional. O recurso utiliza uma câmera 3D portátil, sem necessidade de internet. Segundo o CEO da empresa, com a adoção é possível reduzir em até 95% o tempo de pesagem. Ela dá como exemplo o caso de um lote de 335 animais, cuja pesagem levaria seis horas e demorou 15 minutos com a tecnologia. No modelo convencional de pesagem, os vaqueiros conduzem os animais até o curral, onde ficam imobilizados para a pesagem, uma técnica que pode ser estressante para os bovinos. A Olho do Dono também está aprimorando a tecnologia para monitorar o comportamento dos animais e os testes estão em andamento. Mannato diz que a ideia é identificar um animal que não está indo beber água, por exemplo.

VALOR ECONÔMICO

SUÍNOS & FRANGOS

Queda no preço do suíno surpreende setor e compromete primeiro semestre de 2026

Excesso de oferta e retração no consumo interno pressionam mercado, enquanto custos de produção seguem como desafio para suinocultores paulistas.

O mercado de suínos no Brasil atravessa um início de 2026 marcado por forte frustração nas expectativas e pressão sobre os preços, segundo avaliação do presidente da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), Valdomiro Ferreira Júnior. Após projeções otimistas no fim de 2025, o setor foi surpreendido por um cenário adverso nos primeiros quatro meses do ano. De acordo com o dirigente, a cotação do suíno vivo registrou queda expressiva, passando de cerca de R$ 168,00 para R$ 100,00, impactando diretamente a rentabilidade dos produtores. “O mercado nos surpreendeu muito negativamente. Hoje, trabalhamos com preços abaixo do custo de produção”, afirmou. Entre os principais fatores que explicam o recuo, está o crescimento acelerado da produção, especialmente no aumento do plantel. Segundo Ferreira Júnior, o setor não conseguiu antecipar a dimensão dessa expansão, o que resultou em uma oferta acima do esperado. “Tivemos um crescimento rápido no povoamento de animais, o que gerou uma superoferta que não imaginávamos”, explicou. Além disso, o consumo interno também apresentou sinais de enfraquecimento. A perda de poder de compra do consumidor brasileiro contribuiu para a redução da demanda por carne suína, agravando o desequilíbrio entre oferta e procura. “O consumidor acabou se afastando um pouco, o que também pressionou o mercado”, pontuou. A expectativa de recuperação no início de maio não se concretizou, elevando a preocupação quanto ao desempenho do setor no curto prazo. “Há uma incerteza se conseguiremos reverter essa situação nas próximas semanas. Infelizmente, o primeiro semestre já está comprometido”, avaliou. Apesar do cenário desafiador, a queda nos custos com alimentação animal tem amenizado parcialmente as perdas. O milho, por exemplo, apresenta preços significativamente menores em comparação a períodos anteriores, especialmente na região de Campinas. Já o farelo de soja também registra recuo, embora em ritmo mais moderado, influenciado pelo mercado internacional, especialmente pelas dinâmicas entre Estados Unidos e China. Por outro lado, as exportações seguem como um ponto positivo, contribuindo para aliviar parcialmente a pressão sobre o mercado interno.

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