CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2702 DE 30 DE ABRIL DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2702 | 30 de abril de 2026

 

 NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: queda nas cotações em São Paulo

Oferta maior e escalas mais confortáveis mantiveram o mercado pressionado, com recuos nas cotações e maior poder de negociação dos compradores.

O mercado esteve pressionado. O aumento da oferta de boiadas e o alongamento das escalas ampliaram o poder de negociação dos compradores. Com isso, as ofertas de compra caíram pelo terceiro dia consecutivo. Na comparação feita dia a dia, a cotação boi gordo e a da vaca caiu R$1,00/@, e a da novilha permaneceu estável. A cotação do “boi China” caiu R$2,00/@. As escalas de abate estavam, em média, para dez dias. Agentes de mercado relataram que ofertas de compra de R$360,00/@ do boi gordo ou acima não encontraram resistência nas negociações, permitindo compras com facilidade. Já nas tentativas de comprar abaixo dessa faixa de preço, a dificuldade para fechar negócios aumentou. Apesar disso, houve negócios com preços menores, porém sem volume suficiente para consolidarem referência. Em Goiás, assim como em outros estados, as cotações em Goiás estavam pressionadas. O aumento da oferta, as escalas mais confortáveis, redução da capacidade de suporte das pastagens e uma ponta vendedora mais disposta a negociar, antecipando novas quedas, sustentaram o movimento de pressão. Com isso, na comparação feita dia a dia, em ambas as praças goianas a cotação caiu. Na região de Goiânia, a cotação do boi gordo e a da vaca caiu R$2,00/@ e R$3,00/@, respectivamente. Para a novilha, não houve alteração. As escalas de abate estavam, em média, para 12 dias. Na região Sul, a queda foi de R$3,00/@ do boi gordo, R$5,00/@ da vaca e R$3,00/@ da novilha. As escalas de abate estavam, em média, para sete dias. A cotação do “boi China” caiu R$2,00/@. Com a vigência da salvaguarda chinesa em vigor desde 1º de janeiro, que limitou a exportação de carne bovina a 1,1 milhão de toneladas sem o acréscimo dos 55,0% em taxas, a cotação da arroba do “boi China” aumentou em todas as praças pecuárias no primeiro quadrimestre do ano. A maior variação foi em Mato Grosso, e a menor, no Espírito Santo. No fechamento de março, 46,3% da cota havia sido preenchida. Para abril, a estimativa é de que o preenchimento seja de 64,9%, considerando as 205,5 mil toneladas embarcadas entre fevereiro e março, ainda em trânsito para a China.

SCOT CONSULTORIA

Boi gordo recua nas principais praças, com pressão maior em Goiás e Minas Gerais

Oferta maior em regiões com pastagens degradadas pressiona preços, enquanto mercado monitora exportações e demanda interna enfraquecida

O mercado físico do boi gordo volta a registrar tentativas de compra em níveis mais baixos. Ao longo da semana, o movimento ganha caráter uniforme, com recuos sendo observados nas principais praças pecuárias do país. Em estados como Goiás e Minas Gerais o movimento pode ser mais intenso, dada a pior condição das pastagens após um mês de abril de estresse hídrico, acelerando o desgaste. As pastagens estão mais vigorosas no Mato Grosso e no restante da região Norte, o que oferece uma expectativa de quedas menos acentuadas em um primeiro momento, considerando a maior capacidade de retenção entre os pecuaristas. O mercado também está atento em relação a progressão da cota chinesa, com expectativa de esgotamento em meados de junho, o que tem sido precificado de maneira contundente no mercado futuro, disse o analista da Consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias.

Referência média da arroba do boi gordo: Em São Paulo, a referência média para a arroba do boi ficou em R$ 357,83, na modalidade à prazo. Em Goiás, a indicação média foi de R$ 341,43 para a arroba do boi gordo. Em Minas Gerais, a arroba teve preço médio de R$ 340,29. No Mato Grosso do Sul, a arroba foi indicada em R$ 350,80 No Mato Grosso, a arroba ficou indicada em R$ 356,42. O mercado atacadista ainda se depara com preços em predominante acomodação ao longo da terça-feira. O ambiente de negócios ainda sugere por menor espaço para reajustes no decorrer do restante do mês, considerando o menor apelo ao consumo durante a segunda quinzena do mês. Além disso, os preços da carne bovina ainda perdem competitividade na comparação com as proteínas concorrentes, em especial na comparação com os preços da carne de frango. Quarto traseiro: R$ 28,50 por quilo; Quarto dianteiro: R$ 23,50 por quilo; Ponta de agulha: R$ 21,50 por quilo.

SAFRAS NEWS

ECONOMIA

Selic cai para 14,50% e novos cortes dependem da guerra

BC evita se comprometer com mais reduções na taxa básica de juros e reconhece piora no cenário de inflação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) confirmou a expectativa da ampla maioria de economistas e participantes do mercado ao reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual em decisão unânime na quarta-feira, a 14,50%. O comunicado que acompanhou a decisão, porém, foi interpretado como conservador e abriu espaço para que o ciclo de flexibilização dos juros seja interrompido em breve. Em meio ao choque de oferta de petróleo por conta da guerra no Oriente Médio, o Copom reforçou o aumento das incertezas e a piora do quadro inflacionário. A projeção do colegiado para o horizonte relevante da política monetária sofreu revisão relevante, passando de 3,3% no terceiro trimestre de 2027 para 3,5% no quarto trimestre do ano que vem. “Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados”, diz o comunicado do Copom divulgado na quarta-feira. Para Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, o comunicado foi duro e evidenciou o fato de que o ciclo de cortes da Selic depende do andamento da guerra no Oriente Médio. Na avaliação da economista, por não ter encerrado o ciclo agora, a autarquia deixa a mensagem de que irá continuar cortando a taxa básica nas próximas reuniões, mas de forma cautelosa. Para Rafael Cardoso, economista-chefe do banco Daycoval, o comunicado foi duro a ponto de indicar a possibilidade de pausa do ciclo de cortes da Selic. Ele destaca o aumento significativo da projeção de inflação do BC, o que o surpreendeu, uma vez que esperava manutenção da projeção em 3,3%. Apesar da piora do quadro inflacionário com a guerra no Oriente Médio, fatores como a apreciação do real desde a reunião anterior do Copom, a rolagem do horizonte do terceiro para o quarto trimestre do ano que vem e a expectativa por uma Selic mais alta no relatório Focus poderiam compensar a perspectiva de IPCA mais elevado no curto prazo. Para Felipe Rodrigo Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, a mudança da projeção de inflação de 3,3% para 3,5% é um sinal do Copom ao mercado. Ele também esperava a manutenção da projeção em 3,3%, com possibilidade de aumento para 3,4%, e por isso diz ter sido surpreendido. Diante das sinalizações mais conservadoras do Copom no comunicado de ontem, a possibilidade de aceleração do ritmo de cortes para 0,5 ponto percentual, por ora, não é plausível, aponta Oliveira. De visão mais pessimista em relação à maioria do mercado, o economista-chefe da Adam Capital, Juliano Cecílio, entende que a decisão de cortar a Selic mostra que o BC não está dando peso aos fatores que alimentam a inflação neste momento. Na leitura de Cecílio, o ciclo de cortes da Selic não deve se estender por muito tempo.

VALOR ECONÔMICO

Dólar fecha em leve alta no Brasil em linha com exterior

O dólar fechou a quarta-feira em alta no Brasil, voltando ao patamar de R$5,00, com o real acompanhando o desempenho fraco de divisas pares em meio ao fortalecimento da moeda norte-americana e do petróleo no exterior, em um dia marcado por decisões de juros nos Estados Unidos e no Brasil.

O dólar à vista fechou em alta de 0,39%, aos R$5,0021. Às 17h23, o dólar futuro para maio — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,65% na B3, aos R$5,0090. No exterior, o dólar operou com força, com o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,38%, a 98,966. Nesse contexto, a divisa também registrou ganhos contra pares do real, como o peso chileno e o peso mexicano. O fortalecimento do dólar se deu em meio ao avanço do petróleo, com os contratos do Brent fechando em alta de 6,08%, a US$118,03 por barril, depois que o Wall Street Journal citou autoridades dos EUA dizendo que o presidente dos EUA, Donald Trump, instruiu assessores a se prepararem para um bloqueio prolongado do Irã. Ainda no exterior, o foco também se voltou para a decisão de juros do Federal Reserve, que manteve as taxas de juros estáveis, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, como esperado pelo mercado, citando a inflação elevada em seu comunicado. Para os economistas do Bank of America, a principal mudança no comunicado do BC divulgado ao fim da reunião de quarta-feira deve ser “uma caracterização menos favorável da dinâmica da inflação e das expectativas, que se distanciaram ainda mais da meta”. “Com o horizonte de política monetária relevante passando para o 4º trimestre de 2027, o Copom deve manter a porta aberta para novos cortes graduais, dependendo dos dados que forem divulgados e da contenção dos efeitos de segunda ordem”, disse o banco em relatório. A agenda doméstica também contou com os dados de emprego do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostraram que o Brasil abriu 228.208 vagas formais de trabalho em março, bem acima do esperado por economistas. Pela manhã, também foi divulgado que os preços ao produtor no Brasil subiram 2,37% em março.

REUTERS

Ibovespa cai 2% e reverte alta no mês em dia com foco em juros, balanços e petróleo

A quarta-feira foi de forte correção negativa na bolsa paulista, com o Ibovespa fechando abaixo dos 185 mil pontos e revertendo os ganhos de abril. 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em queda de 2,05%, a 184.750,42 pontos, no sexto pregão seguido de baixa e agora acumulando um declínio de 1,45% em abril. No ano, ainda sobe 14,66%. Na mínima da sessão, o índice chegou a 184.504,18 pontos. Na máxima, marcou 188.709,96 pontos. O volume financeiro na bolsa somou R$28,94 bilhões. “O pregão de hoje foi marcado por cautela global”, afirmou a estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, destacando que o Ibovespa foi pressionado por movimentos de realização de lucros após a recente corrida em direção aos 200 mil pontos. A disparada dos preços do petróleo no exterior, em meio a receios envolvendo a situação no Oriente Médio, apoiou a alta das ações da Petrobras, mas minou o apetite a risco, acentuando preocupações com a inflação e o crescimento global. O Federal Reserve manteve a taxa de juros na faixa atual de 3,50% a 3,75%, em sua decisão mais dividida desde 1992, e destacou que os desdobramentos da guerra no Oriente Médio estão contribuindo para um alto nível de incerteza sobre as perspectivas econômicas. De fato, o cenário geopolítico continua ditando o rumo dos mercados, mas resultados corporativos no Brasil também ocuparam as atenções, com investidores repercutindo os balanços e perspectivas de empresas como Vale, WEG e Santander Brasil. Dados da B3 continuam a mostrar saída líquida de recursos estrangeiros nos últimos pregões. O saldo em abril segue positivo, em R$8,2 bilhões até o dia 27, mas até o dia 15 havia uma entrada líquida de R$14,6 bilhões. Tal capital foi responsável pelos últimos recordes do Ibovespa, que se aproximou da marca inédita de 200 mil em meados do mês.

REUTERS

Governo registra pior déficit primário para março em quase 30 anos com pagamento de precatórios

Rombo de R$ 73,78 bi superou projeção do mercado. Déficit acumulado em 12 meses alcança R$ 136,5 bilhões, equivalente a 1,03% do PIB

O governo central registrou um déficit primário de R$ 73,783 bilhões em março deste ano, informou o Tesouro Nacional na quarta-feira (29). O resultado, o pior para o mês da série histórica iniciada em 1997, teve impacto de uma antecipação em pagamentos de precatórios, segundo o governo. O rombo fiscal de março foi maior que o projetado pelo mercado. Economistas consultados pela agência Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, seria deficitário em R$ 71,627 bilhões no mês passado. No mesmo mês de 2025, houve superávit de R$ 1,527 bilhão. O desempenho do mês passado é resultado de receitas líquidas —que excluem transferências para governos regionais— de R$ 196,098 bilhões, um aumento real de 7,5% frente ao mesmo período de 2025, e despesas totais de R$ 269,881 bilhões, alta real de 49,2%. De acordo com o Tesouro, a disparada nas despesas foi impulsionada pelo cronograma de pagamentos de precatórios, que neste ano concentrou desembolsos em março, contra pagamentos principalmente em julho no ano passado. Esse efeito de calendário, segundo a secretaria, levou a um pagamento adicional de R$ 34,9 bilhões em sentenças judiciais, R$ 28,6 bilhões em benefícios previdenciários e R$ 11,3 bilhões em gastos com pessoal. Do lado das receitas, houve aumento de 6,2% na coleta de tributos administrados pela Receita e alta de 5,9% na arrecadação líquida da Previdência. No acumulado em 12 meses, o governo central registrou um déficit de R$ 136,5 bilhões, ou 1,03% do PIB (Produto Interno Bruto).

REUTERS

Guerra faz IGP-M de 2,73% em abril ser o maior desde maio de 2021

Os efeitos da guerra no Oriente Médio foram sentidos diretamente no bolso dos consumidores e dos produtores brasileiros e fizeram o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), conhecido como “inflação do aluguel”, fechar abril em 2,73%, o maior patamar mensal desde maio de 2021 (4,10%).

No mês anterior, março, o IGP-M tinha marcado 0,52%. Em abril de 2025 era 0,24%. No acumulado de 12 meses, o indicador soma 0,61%, interrompendo a sequência de cinco meses seguidos de deflação, ou seja, inflação negativa. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). O economista do Ibre Matheus Dias ressalta que “todos os índices registraram influências diretas do conflito geopolítico na região do Estreito de Ormuz”. “Nos preços ao produtor, o grupo de matérias-primas brutas avançou quase 6%, em decorrência do choque provocado pela guerra. Além disso, observam-se repasses mais relevantes em produtos da cadeia petroquímica, como sacos ou sacolas plásticas para embalagem, itens de grande importância no varejo”. Dias destaca que os preços ao consumidor “refletem de forma significativa o impacto dos combustíveis”. “Com destaque para a gasolina, que subiu, em média, 6,3% em abril, e para o diesel, cuja alta foi de 14,9%”. A inflação dos combustíveis, além de afetar o custo do transporte, também se espalha por outros componentes da economia, como os alimentos, por causa da alta do frete, por exemplo. O óleo diesel é o principal combustível utilizado pelos caminhões. O governo brasileiro tem tomado medidas para conter a escalada dos derivados de petróleo, com medidas como a isenção de cobrança de impostos e subsídio a produtores e importadores. A FGV leva em conta três componentes para apurar o IGP-M. O de maior peso é o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a inflação sentida pelos produtores e responde por 60% do IGP-M cheio. Em abril, o IPA apresentou alta de 3,49%, a maior desde maio de 2021 (5,23%). Outro componente do IGP-M é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do indicador. Em abril, o IPC subiu 0,94%. Veja quais foram as maiores pressões de alta nos preços às famílias em abril: – Gasolina: 6,29%. Leite tipo longa vida: 9,20%.  Tomate: 13,44%. Óleo diesel: 14,93%. Tarifa de eletricidade residencial: 0,80%. O grupo transporte, que reflete diretamente a alta dos combustíveis, viu expansão média de preços de 2,26%. O terceiro componente medido pela FGV é o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que subiu 1,04% no mês. O IGP-M é conhecido como inflação do aluguel porque o acumulado de 12 meses costuma ser base para cálculo de reajuste anual de contratos imobiliários. Além disso, o indexador é utilizado para reajustar algumas tarifas públicas e serviços essenciais.

AGÊNCIA BRASIL

Preços ao produtor no Brasil voltam a subir sob impacto de guerra no Oriente Médio

Os preços ao produtor no Brasil subiram 2,37% em março, abandonando a queda de 0,16% de fevereiro, impulsionados pelo maior aumento em cerca de cinco anos dos preços da indústria extrativa, e sob o impacto do conflito no Oriente Médio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quarta-feira.

No acumulado em 12 meses, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) ainda registra queda, de 1,54%, mas essa é a menor taxa de deflação desde setembro de 2025. “Essa alta pode ser explicada, em grande parte, pelo contexto de maior instabilidade no cenário internacional, especialmente no Oriente Médio, cujos conflitos tiveram início no final de fevereiro, mas que se intensificaram durante o mês de março e fizeram com que preços mais altos fossem observados em 18 dos 24 setores analisados na pesquisa”, disse Murilo Alvim, gerente do IPP, em nota. A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã vem elevando os preços do petróleo diante do fechamento do Estreito de Ormuz e provocando repercussões mundiais nos preços, sem perspectiva de resolução em breve. O Banco Central anuncia sua decisão de política monetária nesta quarta-feira, com expectativa de corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros Selic, atualmente em 14,75%, depois de pregar cautela diante do conflito. Em março, a indústria extrativa apresentou alta de 18,65% nos preços, a maior desde fevereiro de 2021, e foi responsável por 0,81 ponto percentual do resultado geral do IPP. “Essa alta foi puxada, principalmente, pelos maiores preços dos óleos brutos de petróleo, já que as tensões geopolíticas têm impactado a oferta global da commodity, que também está com seu escoamento dificultado pelas restrições de navegação no Estreito de Ormuz”, disse Alvim. O IBGE também destacou os avanços dos preços de outros produtos químicos (5,03%), refino de petróleo e biocombustíveis (4,24%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (2,50%). Já o setor de alimentos registrou aumento de 1,90% nos preços, após 10 resultados negativos consecutivos, marcando a leitura mais elevada desde novembro de 2024 (2,18%). “Essa variação foi puxada principalmente pelos laticínios, cujo grupo econômico teve um aumento de 9,66% no mês em um cenário de menor oferta de leite in natura no mercado, combinado com um custo de produção que vem se mantendo em patamares elevados. Além dos laticínios, vale mencionar os preços das carnes e dos açúcares”, disse o gerente do IBGE. O IPP mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, isto é, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação.

REUTERS

Brasil abre 228 mil vagas formais em março, segundo Caged

No mês, foram 2,5 milhões de contratações e 2,2 milhões de desligamentos. O resultado ficou acima do esperado. Pesquisa da agência Reuters com economistas apontava expectativa de criação líquida de 150 mil vagas.

O Brasil gerou 228,2 mil vagas de trabalho formal em março, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados na quarta-feira (29) pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego). O número representa um aumento na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando houve apenas 79 mil postos criados. O resultado veio acima do esperado: pesquisa da agência Reuters com economista apontava expectativa de criação líquida de 150 mil vagas. Em março, o país teve 2,5 milhões de contratações e 2,2 milhões de desligamentos. No acumulado dos últimos 12 meses, o saldo é de 1,1 milhão de empregos formais criados, que totalizam 49 milhões de vínculos. Esse saldo representa uma queda na comparação com o mesmo período do ano passado, entre abril de 2024 e março de 2025, quando o acumulado era 34,3% maior, com 1,6 milhão de novos postos de trabalho. O resultado para março também está um pouco abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Entre janeiro e março de 2025, o acumulado foi de 675 mil empregos formais criados, enquanto, no mesmo período deste ano, o número foi de 613 mil. O setor com maior número absoluto de novas vagas foi o de serviços, com 152 mil postos formais, seguido pelo setor de construção, com mais 38,3 mil, e indústria, com 28,3 mil. No setor de serviços, houve alta no segmento de atividades administrativas, com mais 38,7 mil postos, seguido pelo de saúde humana e serviços sociais, que teve aumento de 22,3 mil. Dentre os setores, a agropecuária foi o único que registrou saldo negativo, com menos 18 mil postos formais de trabalho. Segundo o MTE, a queda maior foi para os cultivos de maçã, soja e laranja. Por estado, as maiores altas foram no Acre (AC), onde houve aumento de 0,92% no total de empregos formais, seguido por Roraima (RR), com 0,88%, e Piauí (PI), com 0,86%. Já os menores saldos foram em Alagoas, com queda de 1,10%, Mato Grosso, com redução de 0,17% e Sergipe, com menos 0,09%. No acumulado de janeiro a março, foi o setor de comércio que registrou saldo negativo, com menos 19 mil postos formais no período –puxado pela queda no comércio de vestuário e de calçados. Neste período, as maiores variações foram para Goiás, com aumento de 2,33% no total de postos formais, seguido pelo Mato Grosso, com alta de 2,27%, e de Santa Catarina, com 2,26%. Alagoas teve a maior queda também no acumulado, com menos 2,23% de postos formais.

FOLHA DE SP

CARNES

ABPA lança Relatório Anual 2026 com dados oficiais da avicultura e da suinocultura do Brasil

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) lançou hoje o Relatório Anual 2026, publicação oficial da avicultura e da suinocultura do Brasil, que consolida os dados finais de 2025 para produção, exportação, consumo e indicadores estratégicos do setor.

A nova edição apresenta, de forma detalhada, os números oficiais de segmentos como carne de frango, carne suína, ovos, carne de pato e material genético avícola, além de informações completas sobre exportações por estado, abates por estado, alojamento de matrizes e estrutura produtiva, considerados indicadores-chave para o planejamento e a competitividade do setor. Entre os destaques do relatório está a confirmação do protagonismo global do Brasil na produção e exportação de proteína animal. O país se mantém como maior exportador mundial de carne de frango e terceiro maior produtor global, além de avançar no cenário internacional da suinocultura, assumindo a terceira posição entre os maiores exportadores de carne suína do mundo. Quadro-resumo – principais indicadores do setor em 2025. Carne de frango: Produção: 15,289 milhões de toneladas. Exportações: 5,324 milhões de toneladas. Receita de exportações: US$ 9,8 bilhões. Abates: 5,706 bilhões de cabeças. Matrizes de corte (alojamento): 63,0 milhões de cabeças. Posição global: 1º exportador / 3º produtor. Consumo per capita: 46,7 kg/hab. Carne suína: Produção: 5,592 milhões de toneladas. Exportações: 1,510 milhão de toneladas. Receita de exportações: US$ 3,6 bilhões. Abates: 48,5 milhões de cabeças. Matrizes ativas: 2,247 milhões de cabeças. Posição global: 4º produtor / 3º exportador. Consumo per capita: 19,1 kg/hab.

ABPA

SUÍNOS & FRANGOS 

Emissões da suinocultura podem superar 10,7 mil Gg de CO₂eq até 2030

Estudo projeta aumento de metano e óxido nitroso com crescimento dos rebanhos. Os três estados do Sul concentram mais de 45% das emissões do setor.

A expansão da pecuária de pequenos animais no Brasil deve elevar de forma direta as emissões de gases de efeito estufa até 2030. O estudo do FGV Agro indica que o aumento dos rebanhos será acompanhado por crescimento nas emissões de metano e óxido nitroso, com concentração em regiões já consolidadas na produção. O levantamento estima as emissões com base nas metodologias do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), considerando duas principais fontes: fermentação entérica e manejo de dejetos. No caso da fermentação entérica, processo digestivo que gera metano, as emissões acompanham diretamente o crescimento dos rebanhos. Para suínos, a projeção é de cerca de 1.330 gigagramas de CO₂ equivalente até 2030. Entre caprinos, o volume pode atingir aproximadamente 2.260 Gg CO₂ eq., enquanto os ovinos devem alcançar cerca de 3.590 Gg CO₂ eq., registrando o maior crescimento entre as cadeias. “As emissões crescem de forma proporcional à expansão da produção, o que exige atenção crescente à eficiência e às práticas de mitigação”, ressalta a pesquisadora do FGV Agro, Janaína Ferreira Guidolini. A distribuição das emissões segue o mapa da produção. Na suinocultura, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina concentram cerca de 53% das emissões associadas à fermentação entérica. Minas Gerais aparece na sequência, com aproximadamente 11% do total nacional. Para caprinos e ovinos, o predomínio é do Nordeste. Estados como Piauí, Pernambuco, Bahia e Ceará concentram a maior parte das emissões, refletindo a presença histórica desses rebanhos na região. O manejo de dejetos representa um segundo vetor relevante de emissões, com liberação de metano e óxido nitroso. Na suinocultura, as emissões de óxido nitroso devem passar de 778 Gg CO₂ eq. para cerca de 918 Gg CO₂ eq. até 2030. Já o metano pode crescer de 9.164 Gg CO₂ eq. para aproximadamente 10.790 Gg CO₂ eq. no mesmo período. Santa Catarina lidera nesse indicador. O estado pode responder por cerca de 2.430 Gg CO₂ eq. de metano, o equivalente a 22,5% do total nacional, além de aproximadamente 281 Gg CO₂ eq. de óxido nitroso, cerca de 30,6% das emissões do país. Paraná e Mato Grosso também figuram entre os principais emissores e, juntos com Santa Catarina, concentram mais de 45% do metano gerado pela suinocultura. Entre caprinos, as emissões de metano oriundas de dejetos podem atingir cerca de 98,9 Gg CO₂ eq., crescimento de 40% frente a 2023. Bahia, Pernambuco e Piauí respondem por aproximadamente 78% desse total. Nos ovinos, a projeção é de cerca de 138 Gg CO₂ eq., com concentração de 61% em Bahia, Pernambuco e Ceará. Os dados apontam uma relação direta entre expansão produtiva e aumento das emissões, com forte concentração geográfica. Esse padrão permite direcionar políticas públicas e investimentos para regiões específicas, aumentando a eficiência das estratégias de mitigação. Entre as alternativas disponíveis, o estudo destaca o uso de biodigestores para captura de metano e geração de energia, além de ajustes na nutrição animal para reduzir emissões da fermentação entérica. Essas soluções podem reduzir o impacto ambiental sem comprometer a produtividade. Para Janaína, a adaptação será determinante. “A adoção de tecnologias voltadas à redução de emissões será um fator central para garantir a competitividade da pecuária nos próximos anos”, afirma. A pressão por redução de emissões tende a se intensificar, especialmente em mercados internacionais. O desempenho ambiental da cadeia passa a influenciar acesso a mercados, financiamento e posicionamento comercial. O estudo indica que o crescimento da pecuária de pequenos animais no Brasil dependerá não apenas da expansão dos rebanhos, mas da capacidade do setor em incorporar práticas que reduzam o impacto climático e atendam às exigências de sustentabilidade.

O PRESENTE RURAL

Exportações de frango mantêm receita, mas volume recua

As exportações brasileiras de carnes de aves in natura movimentaram US$ 706,7 milhões na quarta semana de abril de 2026, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). 

No período, o país embarcou 380,5 mil toneladas, refletindo um cenário de ajuste no comércio internacional. Na comparação com abril de 2025, quando a receita foi de US$ 808 milhões e o volume chegou a 440,3 mil toneladas, os números indicam retração nos embarques e sinais positivos na média diária da receita. O faturamento médio diário alcançou US$ 44,1 milhões na quarta semana de abril, superando os US$ 40,4 milhões registrados em abril de 2025. O volume médio diário embarcado foi de 23,7 mil toneladas, acima das 22 mil toneladas observadas na média de abril de 2026. Quando comparado ao desempenho total do ano passado, desaceleração no volume exportado. O preço médio da tonelada exportada ficou em US$ 1.857 na quarta semana de abril de 2026, levemente acima dos US$ 1.834 registrados em abril de 2025. Na comparação por média diária, houve avanço de US$ 9,3 na receita, enquanto o volume apresentou recuo de 8%. Já o preço teve leve variação negativa de 1,2%.

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