CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2704 DE 05 DE MAIO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2704 | 05 de maio de 2026

 

NOTÍCIAS

Preço do boi cai em São Paulo

Carne bovina registra queda no atacado

A Scot Consultoria informou, em análise divulgada na segunda-feira (4) no informativo “Tem Boi na Linha”, queda nas cotações do boi gordo em São Paulo. Segundo a consultoria, o aumento da oferta contribuiu para a melhora das escalas de abate e pressionou os preços, com recuo de R$ 5,00 por arroba para o boi gordo e de R$ 2,00 por arroba para a novilha, enquanto as demais categorias permaneceram estáveis. De acordo com a Scot Consultoria, as escalas de abate estavam, em média, em 10 dias, indicando maior conforto para a indústria frigorífica no curto prazo. No mercado atacadista de carne com osso, a consultoria aponta que as vendas no varejo foram fracas na última semana de abril, o que reduziu os pedidos de reposição no atacado. A expectativa de aumento na demanda antes do feriado de 1º de maio não se confirmou, uma vez que o varejo ainda operava com estoques elevados. Com isso, as cotações das carcaças casadas recuaram. Segundo a Scot Consultoria, a carcaça do boi capão registrou queda de 0,4%, equivalente a R$ 0,10 por quilo, enquanto a do boi inteiro caiu 2,1%, ou R$ 0,50 por quilo. Entre as fêmeas, a carcaça da vaca teve recuo de 1,5%, ou R$ 0,35 por quilo, e a da novilha caiu 1,1%, equivalente a R$ 0,25 por quilo. Para os próximos dias, a expectativa da consultoria é de melhora nas vendas e maior firmeza nas cotações. No segmento de proteínas alternativas, a Scot Consultoria destaca alta nos preços. A cotação do frango médio subiu 2,7%, ou R$ 0,18 por quilo, enquanto o suíno especial registrou valorização de 3,3%, equivalente a R$ 0,30 por quilo. No mercado futuro, o contrato do boi gordo com vencimento em abril de 2026 foi liquidado no último dia útil do mês, na B3. Segundo o indicador da bolsa, a arroba foi cotada a R$ 356,15. Já o indicador do Cepea encerrou o período em R$ 358,16 por arroba, enquanto o indicador da Scot Consultoria ficou em R$ 361,38 por arroba.

SCOT CONSULTORIA

Preço do boi gordo começa o mês de maio com queda em São Paulo

Alguns frigoríficos seguiram ausentes das compras, avaliando as melhores estratégias para a semana. Sazonalidade aponta para uma maior disponibilidade de gado em alguns Estados durante o mês de maio

O mercado pecuário começou o mês de maio com quedas em importantes regiões do país. A tendência foi de manutenção do padrão dos negócios da semana passada, com alguns frigoríficos permanecendo ausentes da compra de gado e avaliando as melhores estratégias a serem adotadas no restante da semana, destaca a consultoria Safras & Mercado. Segundo a Scot Consultoria, na segunda-feira (4/5), nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado, a cotação do boi gordo caiu R$ 5 para R$ 355 a arroba no pagamento a prazo. O preço da novilha recuou R$ 2, para R$ 340 a arroba. As demais categorias (“boi China” e vaca) não tiveram alteração. Além das praças paulistas, outras 11 regiões tiveram quedas no preço do boi gordo, enquanto 19 permaneceram com as cotações estáveis. Apenas em Roraima foram registrados valores mais altos. Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, destaca que a sazonalidade aponta para uma maior disponibilidade de gado em alguns Estados durante o mês de maio, em especial em Minas Gerais e Goiás, onde a condição das pastagens é mais complicada. Já no Mato Grosso, os pastos contam com maior vigor, ampliando a capacidade de retenção. “Não por acaso, os preços dentro do mercado mato-grossense superam os do mercado paulista”, destaca o especialista. No último dia útil de abril (30/4), na B3, aconteceu a liquidação do contrato futuro do boi gordo, cujo código é BGIJ26. A cotação da arroba nesse vencimento ficou em R$ 356,15. Na última semana de abril, as vendas no varejo estiveram fracas, repercutindo no atacado, que recebeu poucos pedidos para reposição de mercadoria, afirma a Scot Consultoria. A expectativa de boas vendas antecipadas no atacado, em função do feriado de 1º de maio, não aconteceu, com o varejo ainda estocado. Dessa forma, a cotação das carcaças casadas caiu. Para os próximos dias, é esperado que as vendas melhorem e que as cotações apresentem firmeza.

GLOBO RURAL 

ECONOMIA

Dólar tem alta leve ante o real após novas ações militares do Irã no Estreito de Ormuz

O dólar fechou a segunda-feira com leve alta ante o real, acompanhando o avanço quase generalizado da moeda norte-americana no exterior, após notícias de novas ações militares do Irã no Estreito de Ormuz e ataques do país a áreas dos Emirados Árabes Unidos.

O dólar à vista fechou o dia em alta de 0,31%, aos R$4,9679. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular queda de 9,49% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para junho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,43% na B3, aos R$5,0020. A moeda norte-americana oscilou em alta durante praticamente todo o dia, ainda que com variações modestas, em meio à reescalada do conflito no Oriente Médio. Os EUA afirmaram que alguns de seus destroieres estavam dentro do Golfo Pérsico e que dois navios mercantes com bandeira norte-americana cruzaram o Estreito de Ormuz em segurança, o que foi negado pelos iranianos. O Irã disse ter disparado contra um navio de guerra norte-americano que se aproximava do estreito, forçando-o a retornar. As autoridades iranianas divulgaram ainda um mapa com uma área marítima expandida agora sob seu controle, que se estende muito além do Estreito de Ormuz para incluir vastas áreas de águas internacionais, incluindo longos trechos do litoral dos Emirados Árabes Unidos — que sofreram ataques do Irã com drones e mísseis. “O exterior influenciou as cotações no Brasil, ainda em função do imbróglio no Oriente Médio”, comentou durante a tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. Ainda assim, a divisa se manteve abaixo dos R$5,00. “Com o dólar perto dos R$5,00, alguns exportadores saem vendendo e há operações de ‘stop loss’ (parada de perdas). Isso realmente tem segurado as cotações do dólar, que segue com tendência de queda”, acrescentou Rugik. “Se não fosse o problema da guerra, ele poderia estar até mais baixo.” No boletim Focus divulgado pela manhã pelo Banco Central, a mediana das projeções dos economistas para o dólar no fim deste ano seguiu em R$5,25. Já a inflação esperada para este ano subiu de 4,86% para 4,89% e para 2027 permaneceu em 4,00%. Sem efeitos para as cotações, na agenda doméstica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou medida provisória instituindo o Novo Desenrola — programa do governo federal para negociação de dívidas de pessoas físicas, micro e pequenas empresas e pequenos produtores rurais. Até R$15 bilhões em garantias da União serão usados para viabilizar juros mais baixos aos devedores, com um impacto fiscal de até R$5 bilhões.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda com Vale e bancos entre as maiores pressões

O Ibovespa fechou em queda na segunda-feira, abaixo dos 186 mil pontos, com blue chips como Vale e Itaú Unibanco entre as maiores pressões de baixa, enquanto Embraer figurou entre os destaques positivos após receber encomenda do Oriente Médio.

A cena geopolítica continuou no radar dos investidores da bolsa paulista, que também analisaram o anúncio do Novo Desenrola, programa do governo federal para renegociação de dívidas para famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,92%, a 185.600,12 pontos, tendo marcado 185.537,58 pontos na mínima e 187.666,20 pontos na máxima.  O volume financeiro somou R$26,38 bilhões na volta do fim de semana prolongado. De acordo com analistas do Itaú BBA, o Ibovespa permanece acima da região de 184.300 pontos, que o mantém em tendência de alta no curto prazo, mas a perda desse nível pode abrir espaço para quedas até 179.700 e 174.900 pontos. Para retomar força e atrair fluxo comprador, o Ibovespa precisa romper a resistência em 189.100 pontos, afirmaram no relatório Diário do Grafista. Estrategistas da XP veem a bolsa brasileira com um movimento de correção, que pode continuar no curto prazo, em função de fatores técnicos, posicionamento e fluxos. “Ainda assim, continuamos vendo o Brasil como um vencedor relativo no cenário global e esperamos que os fluxos sigam positivos para emergentes e para o Brasil, especialmente quando os riscos geopolíticos diminuírem”, afirmou a equipe chefiada por Fernando Ferreira. “Além disso, embora o mercado tenha corrigido, as estimativas de lucro por ação continuam sendo revisadas para cima”, afirmaram em relatório a clientes, elevando também o valor justo do Ibovespa para o final de 2026 para 205 mil pontos, de 196 mil anteriormente. No Brasil, o governo lançou o Novo Desenrola, prevendo utilizar até R$15 bilhões em garantias da União para viabilizar juros mais baixos aos devedores, em uma resposta aos altos níveis de endividamento da população. O anúncio incluiu regras mais duras para a concessão de empréstimos com desconto em folha por aposentados do INSS e servidores públicos.

REUTERS

Focus: inflação de 2026 sobe pela 8ª semana seguida e Selic vai a 10% em 2029

Relatório mostra alta nas projeções de inflação, com estabilidade nas estimativas de crescimento e juros

A mediana das projeções para a inflação de 2026 voltou a subir no Boletim Focus divulgado em 4 de maio de 2026 pelo Banco Central, passando de 4,86% para 4,89%, na oitava alta consecutiva. O mercado também passou a ver juros mais altos no longo prazo, com a Selic em dois dígitos em 2029. Para 2026, a projeção do IPCA subiu para 4,89%, marcando a oitava alta consecutiva após sair de 4,86% na semana anterior e de 4,36% há quatro semanas. Para 2027, a estimativa permaneceu em 4,00% pela primeira semana. Já para 2028, a projeção avançou para 3,64%, na segunda alta consecutiva. Para 2029, o mercado manteve a estimativa em 3,50%, nível estável há 35 semanas. No IGP-M, a projeção para 2026 avançou para 5,50%, registrando a nona alta consecutiva. Para 2027, a estimativa ficou em 4,00%, estável há 11 semanas. Em 2028, houve leve alta para 3,83%, enquanto para 2029 a projeção foi mantida em 3,70% pela terceira semana seguida. Nos preços administrados, a expectativa para 2026 permaneceu em 4,98%. Para 2027, a projeção seguiu em 3,80%, estável há três semanas. Já para 2028 e 2029, as estimativas foram mantidas em 3,50%, estáveis há 23 e 42 semanas, respectivamente. A projeção de crescimento do PIB para 2026 foi mantida em 1,85%. Para 2027, a estimativa recuou para 1,75%, na primeira queda após estabilidade em 1,80%. Já para 2028, o mercado manteve a projeção em 2,00% há 112 semanas. Para 2029, a estimativa também permaneceu em 2,00%, estável há 59 semanas. A projeção para o dólar em 2026 ficou em R$ 5,25, estável pela primeira semana, após queda frente às estimativas de quatro semanas atrás. Para 2027, a expectativa recuou para R$ 5,30. Em 2028, o câmbio foi ajustado para R$ 5,39, também na primeira queda, enquanto para 2029 a projeção caiu para R$ 5,40, acumulando três semanas consecutivas de recuo. A taxa Selic para 2026 foi mantida em 13,00% ao ano pela segunda semana consecutiva. Para 2027, a projeção seguiu em 11,00%, também estável há duas semanas. Em 2028, a estimativa foi mantida em 10,00% pela 15ª semana consecutiva. Já para 2029, houve leve alta para 10,00%.

INFOMONEY 

Índice de Confiança Empresarial tem queda em abril, informa FGV

Foi o terceiro mês consecutivo de baixa, refletindo a piora das expectativas, segundo a entidade

O Índice de Confiança Empresarial (ICE) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) recuou 1 ponto em abril, para 90,6 pontos. Na métrica de médias móveis trimestrais, o índice teve queda de 0,6 ponto. “A confiança empresarial recuou pelo terceiro mês consecutivo em abril, refletindo a piora das expectativas, enquanto a avaliação da situação atual dos negócios permanece relativamente estável. Ao ampliar a incerteza sobre a trajetória da inflação e dos juros, o conflito no Oriente Médio segue como o principal fator de preocupação das empresas. Embora a queda do ICE nos últimos meses tenha sido moderada, a persistência do conflito tende a manter os níveis de confiança em patamares baixos por mais tempo”, avaliou Aloisio Campelo Jr., pesquisador do FGV Ibre. Em abril, o Índice da Situação Atual Empresarial (ISA-E) manteve-se praticamente estável, com recuo de 0,1 ponto, para 93,2 pontos. O índice segue acomodado em torno dos 93 pontos ao longo de 2026, sinalizando estabilidade na percepção sobre o nível de atividade econômica. Entre seus componentes, o indicador que mede a satisfação com a situação atual dos negócios avançou 0,7 ponto, para 92,1 pontos, enquanto o indicador que mede o nível de demanda no momento presente cedeu 0,8 ponto, para 94,4 pontos. O Índice de Expectativas Empresariais (IE-E), por sua vez, diminuiu 1,9 ponto no mês, ficando em88,1 pontos. O índice acumula três recuos consecutivos, revertendo a sequência de cinco altas que havia marcado o final de 2025 e o início deste ano, sinalizando cautela crescente dos empresários em relação aos próximos meses. Entre seus componentes, o indicador que mede o otimismo com a demanda nos três meses seguintes teve baixa de 2,7 pontos, para 88 pontos, e o indicador que capta as expectativas em relação à evolução dos negócios seis meses à frente caiu 1,2 ponto, para 88,3 pontos.

VALOR ECONÔMICO 

INTERNACIONAL

Exportações de carne bovina da Austrália de abril disparam para mais de 140 mil toneladas

Os Estados Unidos e a China continuaram a dominar o comércio de exportação de carne bovina da Austrália durante abril, mostram os dados mensais de embarques divulgados pelo Departamento de Agricultura.

O volume total para todos os mercados de exportação no mês passado atingiu 140.943 toneladas, um aumento de 13.770 toneladas, ou 11%, em relação a abril do ano passado, e apenas moderadamente inferior ao número de março, que foi excepcional e ficou pouco abaixo de 150.000 toneladas. Março foi, na verdade, o segundo maior volume de embarques já registrado pelo país. Menos dias úteis devido aos feriados da Páscoa e do Dia do ANZAC podem ter limitado o volume do mês passado de ser ainda maior. O resultado foi sustentado por altas taxas de abate semanal nacional desde o final de fevereiro, incluindo algumas das maiores semanas de produção vistas desde o período de descarte da seca de 2015. A menos que as taxas de produção diminuam substancialmente na segunda metade deste ano, é cada vez mais provável que a Austrália atinja um novo recorde histórico de exportação de carne bovina em 2026. O volume total para todos os mercados de exportação nos primeiros quatro meses do ano já alcançou 506.000 toneladas, um aumento de mais de 67.000 toneladas, ou 15%, em relação ao ano passado — que havia gerado o recorde anual anterior de 1,5 milhão de toneladas. As exportações de animais terminados em confinamento recuaram um pouco no mês passado, acompanhando a tendência geral desde março, atingindo 40.093 toneladas, alta de 8% em relação ao ano anterior, mas bem abaixo das mais de 50.000 toneladas registradas em março. Os Estados Unidos continuaram a liderar os negócios de exportação no mês passado, respondendo por 41.174 toneladas em abril, queda de apenas 869 toneladas, ou 2%, em relação a março, mas quase 11% acima de abril do ano passado. No acumulado de janeiro a abril, as exportações para os portos das costas Leste e Oeste dos EUA atingiram 146.956 toneladas, um aumento de 17.600 toneladas, ou 13,6%, em relação aos mesmos quatro meses do ano anterior. As exportações para a China ficaram abaixo do que muitos esperavam, considerando o possível acionamento da tarifa de salvaguarda dentro da cota australiana de 220.000 toneladas para 2026. Na prática, o comércio tem sido mais equilibrado do que muitos previam no início do ano, quando a nova cota foi imposta, com algumas projeções agora indicando que a cota pode ser preenchida apenas entre o final de julho ou agosto. Os embarques de abril para a China atingiram 29.583 toneladas, cerca de 3.300 toneladas, ou 10%, abaixo do mês anterior, e bem abaixo das previsões iniciais de que o volume mensal poderia ultrapassar 40.000 toneladas à medida que a corrida para exportar antes do preenchimento da cota ganhasse ritmo. No acumulado do ano, a Austrália já enviou 106.145 toneladas para a China, um aumento de 29.500 toneladas, ou 38%, em relação ao mesmo período do ano passado. Esse número sugere que a Austrália ainda não atingiu 50% de sua cota de 2026, embora haja alguma defasagem entre os registros do DAFF e os da GACC da China. Em outros mercados importantes do norte da Ásia, Japão e Coreia do Sul apresentaram bom desempenho em abril. O Japão respondeu por 20.504 toneladas em abril, com a fase final das compras para as celebrações da Golden Week, que começaram em 29 de abril. Grande parte dessas compras ocorreu em março, quando os embarques atingiram 23.861 toneladas, representando uma queda de 14% no mês seguinte. A variação cambial do iene japonês em abril também não ajudou. Os embarques para o Japão no mês passado caíram 940 toneladas, ou 4%, em relação a abril do ano passado. Após um mês forte em março, quando importou quase um recorde de 25.543 toneladas, a demanda da Coreia do Sul recuou um pouco em abril, para 22.365 toneladas — ainda assim um nível muito alto, considerando os padrões históricos, diante da oferta restrita de carne bovina dos EUA. No acumulado do ano, a Coreia já importou 79.518 toneladas de carne australiana, aumento de 14.700 toneladas, ou quase 23%, em relação ao mesmo período do ano anterior. No sudeste asiático, o comércio com a Indonésia — tradicionalmente o quinto maior mercado de carne bovina da Austrália — continua enfrentando dificuldades devido a questões de licenças de importação. As exportações de abril chegaram a apenas 3.750 toneladas — praticamente metade do volume registrado no mesmo período do ano passado — enquanto o acumulado até o fim de abril soma 8.738 toneladas, mais de 9.000 toneladas abaixo do ano anterior. Entre os mercados emergentes, o Canadá continua se destacando como um destino relativamente novo para a carne bovina australiana. O comércio em abril atingiu 4.744 toneladas, um aumento de 1.422 toneladas em relação ao ano anterior. No acumulado do ano, o volume já alcançou 15.700 toneladas, crescimento adicional de 33% em relação ao ano passado.

BEEF CENTRAL

MEIO AMBIENTE

Comissão Europeia propõe excluir couro de lei antidesmatamento

Produto será isento de novas exigências de rastreabilidade; Parlamento e Conselho podem rejeitar a medida. ONGs criticam retirada e afirmam que mudança limita abrangência do regramento

A Comissão Europeia propôs excluir o couro da lista de produtos sujeitos à lei antidesmatamento (EUDR, na sigla em inglês) da União Europeia ao mesmo tempo em que incluiu o café solúvel e derivados do óleo de palma no escopo da legislação. A decisão foi comunicada na segunda-feira (4), e o Parlamento ou o Conselho europeus ainda podem rejeitar as mudanças. A proposta receberá contribuições do público até 1º de junho. Jessika Roswall, comissária para o Meio Ambiente, Resiliência Hídrica e Economia Circular Competitiva, afirmou que as alterações representam uma simplificação que deve reduzir os custos anuais de conformidade para as empresas em cerca de 25%. “Nossos esforços estão totalmente focados em facilitar a implementação da maneira mais eficiente possível. Agora, todos precisamos trabalhar para uma entrada em vigor bem-sucedida da lei até o final de 2026, tendo em mente seu importante objetivo de reduzir o desmatamento globalmente”, declarou. A EUDR (Regulação de Desmatamento da União Europeia) exige que empresas de diversos segmentos, como carne e soja, comprovem a ausência de desmate em suas cadeias produtivas para acessar o mercado europeu. A Comissão manteve a previsão de que a lei entre em vigor a partir de 30 de dezembro, com prazos escalonados. Organizações socioambientais criticam a exclusão do couro e afirmam que a mudança limita a abrangência da lei. Para Andrea Carta, estrategista jurídico do Greenpeace europeu, a alteração é inaceitável e abre uma brecha para agradar marcas de moda. “A cadeia de suprimentos de couro continua sendo um fator de destruição florestal tanto quanto era quando foi incluída na lei”, disse. Daniela Ikawa, da ONG Climate Rights International, afirma que os exportadores brasileiros continuarão impactados perante as leis europeias. “Mesmo que a proposta da Comissão Europeia de retirar o couro do Regulamento de Desmatamento seja aprovada, outras leis da UE já estabelecem que as empresas devem rastrear de onde vem o gado e comprovar que não há ligação com trabalho escravo, outros abusos a direitos, ou desmatamento”, afirma. Produtos fora do escopo da EUDR ainda serão fiscalizados pelo regulamento da União Europeia sobre trabalho forçado, que deve entrar em vigor em dezembro de 2027. A Climate Rights Internacional diz que as empresas ainda precisarão vincular suas cadeias de fornecimento a locais específicos onde o gado foi criado e apresentar provas confiáveis de que os produtos são livres de desmatamento. “No caso das cadeias de gado no Brasil, isso continua sendo particularmente desafiador, já que os animais frequentemente passam por várias fazendas antes do abate, e muitas empresas ainda não têm capacidade de identificar ou monitorar fornecedores indiretos”, afirma a ONG.

FOLHA DE SÃO PAULO

FRANGOS & SUÍNOS 

Pamplona Alimentos alcança frota 100% modernizada e eleva padrão de bem-estar animal no transporte de suínos

Empresa conclui adequação total de caminhões com tecnologia avançada e supera exigências regulatórias, fortalecendo estratégia sustentável no setor suinícola

A Pamplona Alimentos, referência na produção de carne suína há 77 anos, concluiu a modernização completa de sua frota de transporte de suínos, alcançando 100% de adequação a um novo padrão estrutural voltado ao bem-estar animal. A iniciativa representa um avanço significativo em uma das etapas mais críticas da cadeia produtiva: a logística. De acordo com estudos do setor, falhas no carregamento e no transporte estão entre os principais fatores de risco, podendo causar perdas de animais e impactos negativos à saúde dos suínos. Pesquisas internacionais também indicam que o calor excessivo durante o transporte pode dobrar a taxa de mortalidade no deslocamento. Para mitigar esses riscos, a empresa implementou melhorias estruturais e tecnológicas em seus caminhões, que agora contam com teto isotérmico para reduzir a incidência de calor, sistemas de bebedouros e nebulização que auxiliam na hidratação e no conforto térmico dos animais, além de monitoramento por rastreamento satelital. A tecnologia permite o acompanhamento em tempo real de rotas, tempo de parada e variáveis operacionais que influenciam diretamente o bem-estar animal e a qualidade da carga transportada. Atualmente, a operação da companhia movimenta cerca de 1,6 milhão de suínos por ano, gerando mais de 159 mil toneladas de carne suína e derivados. A Pamplona Alimentos está presente em 26 estados brasileiros e exporta seus produtos para mais de 20 países. Segundo a diretora-presidente da empresa, Irani Pamplona Peters, o investimento em bem-estar animal faz parte de uma política contínua da organização. “Concluir essa modernização na nossa frota de caminhões demonstra que bem-estar animal é uma decisão de gestão, e não apenas de conformidade regulatória. Estamos continuamente implementando melhorias, investimos em estrutura, tecnologia e capacitação porque entendemos que o transporte influencia diretamente a saúde e a qualidade do produto”, afirma. No país, o transporte de animais é regulamentado por normas do Conselho Nacional de Trânsito (Cotran), como a Resolução 675/2017, e por diretrizes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), incluindo a Instrução Normativa 56/2008, que estabelece recomendações de boas práticas de bem-estar animal. Nos últimos anos, a Pamplona Alimentos estruturou uma agenda pública de metas voltadas ao bem-estar animal, divulgadas anualmente em seu Relatório de Sustentabilidade. O tema é tratado como pilar estratégico dentro da agenda ESG da companhia, abrangendo desde melhorias nas granjas até avanços na logística. “Quando falamos em bem-estar animal, estamos falando de gestão, eficiência produtiva e responsabilidade com toda a cadeia. Esse é um compromisso permanente da Pamplona, acompanhado por metas públicas, indicadores e investimentos contínuos”, conclui a diretora-presidente.

ASSESSORIA DE IMPRENSA 

Suinocultores de MG: suíno vivo a R$ 5,30 contra custo de R$ 6,20

Preços em queda contrastam com alta de 20% sobre custos no ano anterior, alerta Asemg

A suinocultura mineira enfrenta tempos difíceis, com o preço do quilo do suíno vivo em queda e abaixo dos custos de produção. O animal é vendido a R$ 5,30 por quilo, enquanto os custos chegam a R$ 6,20, resultando em prejuízo para os suinocultores. De acordo com a Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), isso representa uma virada drástica em relação ao ano passado, quando os preços superavam os custos em média 20%. O presidente da Asemg, Donizete Ferreira Couto, destaca que a queda nos preços se deve, principalmente, a dois fatores: o aumento da produção de carne suína e a redução do consumo. “No ano passado, tivemos um preço médio em torno de 20% acima do custo e agora, a situação já não está boa. De janeiro a meados de abril, o preço do quilo do suíno vivo caiu 36%, ficando em torno de R$ 5,30 o quilo, com um custo de R$ 6,20”. Minas Gerais mantém o maior consumo per capita de carne suína do Brasil, com aproximadamente 32 quilos por habitante. No entanto, o endividamento da população e o aumento de outros custos domésticos impactam o poder de compra, gerando menor demanda e queda de preços para os suinocultores. No ano passado, segundo os dados divulgados pela Asemg, houve aumento na produção de carne suína em Minas Gerais, o que aconteceu através do ganho em produtividade, uma vez que o rebanho de matrizes caiu. “Produzimos mais carne em 2025, frente a 2024, mesmo com menor número de matrizes. Nossa produção ficou em torno de 620 mil toneladas”. Com a alta na produção e consumo retraído, houve um aumento da oferta no mercado e queda de preços. A retração poderia ter sido ainda maior, mas foi, em parte, reduzida, pelo bom desempenho das exportações. Conforme os dados da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), os embarques da carne suína chegaram a 11,02 mil toneladas entre janeiro e março, e movimentaram uma receita de US$ 22,4 milhões, crescimento de 31,1% e de 24,7% respectivamente.

DIÁRIO DO COMÉRCIO

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