
Ano 8 | nº 1766 | 01 de julho de 2022
NOTÍCIAS
Cotação do boi China sobe em São Paulo
As recentes altas da cotação da arroba do boi gordo estimularam os negócios em São Paulo, resultando em preços estáveis, porém firmes, para o boi gordo e vaca gorda na comparação feita com o levantamento anterior (29/6). Para novilha gorda, a cotação subiu R$2,00/@.
Negócios para bovinos com até quatro dentes subiram R$5,00/@ na comparação com o último levantamento. Em Três Lagoas – MS, as escalas se alongaram no estado e, na comparação com o dia anterior, as cotações permaneceram estáveis para todas as categorias. Em Goiânia – GO, com escalas encurtando na região, os compradores melhoraram a oferta em R$2,00/@ de boi gordo. As cotações da vaca gorda e da novilha gorda permaneceram estáveis. Nos últimos 30 dias, o preço do boi-China subiu R$ 25/@ no mercado de São Paulo, saltando de R$ 305/@, em 30 de maio, para R$ 330/@, nesta quinta-feira, 30 de junho. Os dados acima foram apurados pela equipe de analistas da Scot Consultoria, de Bebedouro, que acompanha diariamente o mercado pecuário. Só na quinta-feira, o animal com padrão para clientes do mercado chinês avançou R$ 5/@ nas praças paulistas, chegando aos 330/@ já citados acima. Por sua vez, o macho gordo e a vaca gorda destinados ao consumo doméstico (abatidos em São Paulo) registraram estabilidade na quinta, fechando o dia valendo os mesmos R$ 317/@ e R$ 287/@, respectivamente, da quarta-feira (29/6). Porém, cotação da arroba do boi gordo que atende ao mercado interno subiu R$ 17,50/@ no acumulado de junho (para os R$ 317/@, referência que não era observada desde meados de abril/22). A novilha gorda, porém, sofreu reajuste diário de R$ 2/@ neste último dia do mês, subindo para R$ 304/@ (no prazo, valor bruto) em São Paulo, informa a Scot.
SCOT CONSULTORIA
Boi/Cepea: Peso médio de bezerro atinge recorde no 1º semestre
Dados do Cepea mostram que o peso médio do animal de reposição (de 8 a 12 meses, nelore, comercializado em Mato Grosso do Sul) neste ano (de janeiro a junho) está em 213,15 quilos por cabeça
Trata-se de um recorde, tanto considerando-se os seis primeiros meses de anos anteriores como também as médias anuais, desde fevereiro de 2000 (início da série do bezerro do Cepea). Esse cenário evidencia que, apesar dos elevados custos de produção, o pecuarista brasileiro vem investindo em tecnologia ao longo dos últimos anos. E os resultados destes esforços vêm sendo observados pelo aumento na oferta de reposição e, sobretudo, pelo maior peso do bezerro.
Cepea
Boi gordo: mercado começa a acomodar, mas preço segue firme
Ambiente de negócios ainda é complicado para alongar as escalas de abate, avalia analista da Safras & Mercado
O mercado físico de boi gordo registrou preços firmes na quinta-feira (30). Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o ambiente de negócios sugere acomodação no curto prazo. O patamar atual de preços teve boa aderência por parte do pecuarista e resultou em um bom fluxo de negociações. Já os frigoríficos caminham para fechar a semana com escalas de abate mais bem posicionadas. “Em todo caso, não parece haver capacidade para testar o mercado neste momento, em um ambiente ainda complicado para alongar as escalas de abate. Já a entrada de animais negociados na modalidade a termo tem sido útil para a indústria frigorífica exportadora”, afirma Iglesias. Dessa forma, a referência para a arroba do boi na capital de São Paulo ficou em R$ 327 na modalidade a prazo. Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 299. Cuiabá (MT) registrou preço de R$ 295. Já Uberaba (MG) teve preço de R$ 320 por arroba, enquanto Goiânia (GO) a cotação foi de R$ 305. O mercado atacadista segue com preços acomodados para a carne bovina. O ambiente de negócios ainda sugere alguma alta das cotações no decorrer da primeira quinzena de julho, período que conta com maior apelo ao consumo, avaliando a entrada dos salários na economia como motivador da reposição entre atacado e varejo. O quarto dianteiro permaneceu com preço de R$ 17,55 por quilo. A ponta de agulha permaneceu com preço de R$ 17,10 por quilo. O quarto traseiro ainda teve preço de R$ 22,65 por quilo.
AGÊNCIA SAFRAS
Rabobank aponta recorde no volume e no faturamento nas exportações de carne bovina no segundo semestre de 2022
O banco projeta um crescimento de cerca de 10% nos embarques com relação a 2021
O Banco Holandês indicou que as exportações de carne bovina devem ter bons ritmos embarcados no segundo semestre de 2022, principalmente pelas vendas aquecidas para a China, Estados Unidos, Egito e Emirados Árabes. O banco projeta um crescimento de cerca de 10% nos embarques com relação a 2021. O mercado chinês deve se manter como o maior destino da carne bovina brasileira, elevando a participação para 49% do total embarcado com 437 mil toneladas compradas até maio/22. O aumento é de 38% com relação ao mesmo período do ano anterior, conforme apontou o Rabobank. Em seguida vem os Estados Unidos, representando 8% do total exportado e somando 71 mil toneladas no mesmo período, alta de 110% no comparativo anual. Com isso, as exportações somaram 887 mil toneladas em volume e USD 5 bilhões em faturamento, aumento de 25% e 56%, respectivamente, no comparativo anual. Ainda de acordo com o banco holandês, o cenário de dicotomia entre demanda interna e externa tem elevado o peso das exportações na precificação do boi gordo, somado ao período de entressafra de produção e ao maior interesse dos frigoríficos exportadores por novos lotes de gado, os preços que estavam em queda desde abril já começam a dar sinais de recuperação. Apesar dos preços futuros mostrando recuperação para o segundo semestre e se aproximando dos R$ 338,00/@, a pressão nas margens do confinamento acabou desestimulando os pecuaristas a investir no primeiro giro e isso reforça que os preços devem seguir sustentados no terceiro trimestre deste ano, caso não ocorram embargos mais severos as exportações. Os preços do bezerro se mantêm em queda contínua desde janeiro/2022, acumulando desvalorização de 6% com relação a maio/2022. No entanto, os preços da ração, apesar da melhora nas cotações nos dois últimos meses, ainda se mantêm com alta real de 7% no comparativo anual. “O volume importante de fêmeas abatidas nessa primeira metade do ano tem reforçado a tendência de inversão do ciclo pecuário. Os preços ainda sustentados da ração também devem favorecer a demanda pela carne bovina em comparação com as carnes de frango e suína”, informou o Rabobank. Com relação ao consumo doméstico no curto prazo, as campanhas eleitorais e a Copa do Mundo de futebol devem ser fatores positivos para a demanda interna.
Rabobank
Carne bovina: valor de arroba do boi gordo deve estabilizar em MT
Para o 2o semestre de 2022, as expectativas são de preços mais estáveis para a arroba do boi gordo mato-grossense, segundo a B3. Após um cenário de intensa pressão na arroba devido à maior oferta de bovinos em maio, o movimento das cotações tende a se inverter nos próximos meses com o período de entressafra
De acordo com a B3, são esperadas leves valorizações nos preços até novembro, quando se prevê o pico de R$ 303,29/@. Esse cenário se deve ao período final da entressafra do boi, em que se tem menores ofertas dos animais terminados. Por outro lado, a partir de então o indicador tende a diminuir para R$ 303,11/@ em dezembro, movimento pautado no aumento da oferta, devido ao período das águas. Por fim, um ponto de atenção se dá pelo lado da demanda, uma vez que, além das festividades anuais de final de ano, as eleições e a copa do mundo tendem a influenciar para um incremento no consumo da proteína, fator que pode impulsionar o preço.
Agência Safras
ECONOMIA
Dólar tem maior avanço mensal desde março de 2020 com temores de recessão e riscos locais
O dólar encerrou esta quinta-feira em alta contra o real, registrando em junho seu maior avanço mensal desde o início da pandemia de Covid-19, resultado que ajudou a moeda norte-americana a marcar forte ganho trimestral, em meio a temores globais de recessão e incertezas fiscais domésticas
A divisa norte-americana negociada no mercado interbancário fechou a sessão em alta de 0,77%, a 5,2311 reais. Em junho, o dólar saltou 10,03%, seu melhor mês desde março de 2020 (+15,92%), quando os mercados globais sentiram o choque inicial da pandemia de Covid-19. No segundo trimestre, o ganho acumulado da moeda norte-americana contra a brasileira foi de 9,83%. Isso não compensa a baixa de 14,55% vista no período de janeiro a março, mas reduz as perdas do dólar no acumulado de 2022 para 6,14%. A divisa está 13,53% acima da mínima para encerramento deste ano, de 4,6075, atingida no início de abril. “A aversão a risco é global, não vale só para o real. Existe esse medo generalizado de uma recessão global, e, quando isso acontece, o investidor fica mais propenso a ir para ativos seguros”, como o dólar, disse à Reuters Michelle Hwang, estrategista de câmbio e juros do BNP Paribas. Os receios econômicos têm sido alimentados principalmente pelo posicionamento agressivo dos principais bancos centrais, que indicaram repetidas vezes que seguirão firmes no aperto da política monetária à medida que buscam domar a inflação, mesmo que isso tenha impacto negativo sobre o crescimento. Daqui para a frente, incertezas fiscais nacionais devem ditar o comportamento do dólar, em meio à tramitação no Congresso de uma PEC que estabelece um estado de emergência para ampliar auxílios sociais já existentes e criar um novo benefício destinado a transportadores autônomos, com custo total estimado em 38,75 bilhões de reais. “O que o mercado teme… não é o impacto previsto, e sim entender o quanto ‘a porta ficou aberta’ para prorrogações ou até aumentos adicionais de gastos mais para frente, principalmente levando em conta que teremos eleições no fim do ano, fato que deve começar a reger os ânimos do mercado a partir do recesso parlamentar do meio deste ano”, disse em nota Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.
REUTERS
Ibovespa tem pior mês desde tombo com pandemia em 2020 por preocupação com recessão global
O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, afetado pelas preocupações com o ritmo do crescimento econômico global, que também foram determinantes para que junho registrasse a pior performance mensal desde março de 2020
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,08%, a 98.541,95 pontos, tendo tocado 97.758 pontos no pior momento, nova mínima intradia desde 4 de novembro de 2020. O volume financeiro somou 27,5 bilhões de reais. No mês, o Ibovespa caiu 11,5%, maior queda percentual desde março de 2020, quando foi duramente afetado pelo alastramento da pandemia pelo Brasil. O desempenho trimestral também foi o pior desde o começo de 2020, com perda de 17,88%. Em 2022, cai 5,99%. Na visão do sócio e estrategista da Meta Asset Management, Alexandre Póvoa, os bancos centrais dos países desenvolvidos estão nitidamente atrás da curva em relação à inflação, o que tem afetado prognósticos de investidores sobre a atividade econômica. “A sensação de descontrole fez com que os investidores, antevendo um aperto monetário mais forte, começassem a projetar um cenário de recessão mundial, ou até pior, a estagflação”, acrescentou o gestor. A economista-chefe da Claritas, Marcela Rocha, disse que, além da preocupação adicional com o comportamento dos preços nesse mês, a sinalização dos BCs de que estão dispostos atuar para conseguir arrefecer a inflação o mais rápido possível levou inevitavelmente a uma discussão sobre qual será o tamanho da desaceleração da atividade econômica. “E esse cenário de juro alto, inflação persistente e recessão não é um cenário benéfico para emergentes, afinal é um cenário de propensão menor a risco e maior dificuldade de atração de investimentos dada toda a incerteza”, afirmou. Para Póvoa, o mercado ainda está sob intensa neblina, dado que os BCs mundiais não estão seguros nem em relação ao ritmo e nem em relação ao final do processo de aperto monetário. “Sem essa visibilidade, dificilmente as bolsas se recuperarão.” No Brasil, ele avalia que a bolsa vive o “pior dos mundos”, com ações de commodities sofrendo pelo receio de deterioração de atividade e as de mercado doméstico sendo penalizadas pelo estresse na curva de juros em razão de riscos fiscais. O governo lançar mão de medidas fiscais, na visão de Póvoa, “claramente com fins eleitoreiros”, afetou o mercado de DI e NTN-Bs, aumentando a transferência de dinheiro de fundos de ações e multimercados a produtos de renda fixa. “E os resgates obrigam os gestores a vender, amassando ainda mais as cotações.” Rocha também destacou que o componente de incerteza fiscal afetou os ativos brasileiros nesse mês. “A mensagem (do governo com as últimas medidas propostas) é que houve novamente um enfraquecimento da âncora fiscal…e esse enfraquecimento ocorre próximo à eleição, o que indica que novos furos no teto de gastos não podem ser descartados”, afirmou. Para Póvoa, uma boa notícia em relação ao Brasil é que já há uma maior clareza sobre até que ponto o BC irá na taxa Selic, algo entre 13,5% e 14%, ficando nesse nível por muito tempo. “Além disso, tem muita barganha já na bolsa. O problema é saber quem vai comprar. O investidor local só quer saber de renda fixa e o estrangeiro está completamente avesso a risco. Enquanto isso, sofremos todos.”
REUTERS
Desemprego no Brasil vai abaixo de 10% pela 1ª vez desde início de 2016, mas rendimento ainda sofre
A taxa de desemprego no Brasil caiu mais do que o esperado no trimestre até maio e foi abaixo de 10% pela primeira vez desde o início de 2016, com o país registrando o maior número de pessoas ocupadas da série histórica, mas ainda com fortes perdas de rendimento
A taxa de desemprego brasileira atingiu 9,8% no trimestre até maio, ante 11,2% nos três meses imediatamente anteriores, encerrados em fevereiro. O dado da Pnad Contínua divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira é o mais baixo desde a taxa de 9,6% vista nos três meses até janeiro de 2016 –também última vez em que ficou em apenas um dígito. A leitura ainda é a menor para trimestres encerrados em maio desde 2015 (8,3%) e ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de 10,2%. Nos três meses até abril, a taxa havia sido de 10,5%. Depois de a taxa de desemprego no Brasil ter chegado perto de 15% com as medidas de restrição contra a Covid-19, o mercado de trabalho vem apresentando recuperação, principalmente depois de o setor de serviços ter se favorecido com a vacinação. Nos três meses até maio, o Brasil tinha 97,516 milhões de ocupados –o maior contingente da série histórica, iniciada em 2012–, o que representa uma alta de 2,4% sobre o trimestre até fevereiro e de 10,6% ante o mesmo período de 2021. Já o total de desempregados caiu 11,5% sobre os três meses imediatamente anteriores, a 10,631 milhões. Ante o trimestre até maio de 2021 a queda foi de 30,2%. “Foi um crescimento expressivo e não isolado da população ocupada. Trata-se de um processo de recuperação das perdas que ocorreram em 2020, com gradativa recuperação ao longo de 2021”, explicou a coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy. “No início de 2022, houve uma certa estabilidade da população ocupada, que retoma agora sua expansão em diversas atividades econômicas”, completou. Os trabalhadores com carteira assinada no setor privado aumentaram 2,8% no trimestre até maio sobre o período imediatamente anterior, enquanto os que não tinham carteira cresceram 4,3%. Já a taxa de informalidade foi de 40,1% da população ocupada, contra 40,2% no trimestre anterior e 39,5% no mesmo trimestre de 2021, de acordo com o IBGE. Mas apesar da melhora do mercado de trabalho, isso não está se traduzindo em melhora do rendimento, com os trabalhadores sofrendo ainda com a inflação elevada. Nos três meses até maio, o rendimento real do trabalhador foi de 2.613 reais, estabilidade frente ao trimestre imediatamente anterior e queda de 7,2% sobre o mesmo período de 2021. “Essa queda do rendimento é puxada, inclusive, por segmentos da ocupação formais, como o setor público e o empregador. Até mesmo dentre os trabalhadores formalizados há um processo de retração”, disse Beringuy, explicando que isso pode ser efeito da própria inflação, mas também da estrutura de rendimento atual dos trabalhadores, com um peso maior de trabalhadores com rendimentos menores.
REUTERS
Emprego: agricultura demite 22 mil no trimestre encerrado em maio, segundo IBGE
Setor foi o único a registrar fechamento de vagas no período, de acordo com Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua
A agricultura foi o único setor que registrou fechamento de vagas no trimestre encerrado em maio, com 22 mil demissões em relação ao trimestre terminado em fevereiro, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados nesta quinta-feira (30) pelo IBGE. Na passagem do trimestre terminado em fevereiro para o trimestre encerrado em maio houve geração de vagas nas atividades: comércio (281 mil ocupados), indústria (312 mil), construção (210 mil), informação, comunicação e atividades financeiras (311 mil), administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (466 mil), serviços domésticos (111 mil), outros serviços (182 mil ocupados), alojamento e alimentação (186 mil) e transporte (224 mil). Em relação ao patamar de um ano antes, houve ganhos em todas as atividades. A agricultura admitiu 110 mil trabalhadores, e a administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais contratou 580 mil trabalhadores a mais. A construção contratou 866 mil, o comércio absorveu 2,475 milhões. Alojamento e alimentação abriram 1,144 milhão de vagas, e serviços domésticos ganharam 990 mil trabalhadores. A indústria contratou 1,253 milhão de funcionários, enquanto o setor de informação, comunicação e atividades financeiras absorveu 449 mil. Transporte ganhou 629 mil vagas, e outros serviços admitiram 878 mil pessoas.
CANAL RURAL
Credit Suisse piora projeção de crescimento do Brasil em 2023 e alerta para riscos fiscais
O Credit Suisse reduziu seu prognóstico para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2023 a 0,2%, de 0,9% anteriormente, e chamou a atenção para os riscos fiscais do país e seu possível impacto sobre a inflação e os custos dos empréstimos
O banco suíço manteve a estimativa de crescimento econômico de 2022 inalterada em 1,4%, mas espera que a atividade desacelere ao longo do ano após um primeiro trimestre positivo, devido à redução das economias das famílias, menor impacto da reabertura pós-pandemia e efeitos defasados da elevação dos juros básicos. “Para o ano que vem, esperamos que as condições financeiras globais mais apertadas, devido à pressão inflacionária mais persistente, afetem negativamente o crescimento econômico doméstico, principalmente por meio de redução da demanda e da necessidade de manter uma política monetária doméstica restritiva por um período prolongado”, avaliou o Credit Suisse em relatório assinado por Solange Srour, Lucas Vilela e Rafael Castilho. Segundo o banco, os riscos para o crescimento do PIB brasileiro estão inclinados para baixo, já que a atividade da economia global pode surpreender negativamente, enquanto a aversão a risco no mercado doméstico corre o risco de piorar com a chegada das eleições presidenciais. A frente fiscal também traz ameaças. “A combinação de juros reais superiores ao crescimento econômico, déficits primários recorrentes do governo central e dívida bruta elevada colocou a dívida pública do país no que vemos como um caminho insustentável a médio prazo”, alertou o Credit Suisse. Piora a perspectiva o fato de que os favoritos na corrida pelo Planalto –o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual presidente Jair Bolsonaro (PL)– devem buscar aumentos de gastos caso sejam eleitos, disse o banco. O Credit Suisse avaliou que o processo de desinflação no país provavelmente levará mais tempo sem uma retomada forte do processo de consolidação fiscal. O banco privado vê a inflação medida pelo IPCA superando os tetos das metas oficiais tanto neste ano quanto no próximo, projetando taxas de 7,6% e 5,9%, respectivamente. Os limites superiores dos objetivos perseguidos pelo Banco Central são de 5,0% para 2022 e 4,75% para 2023. Sem o avanço do processo de consolidação das contas públicas, o Brasil pode entrar num “ciclo vicioso de prêmio de risco elevado aumentando os juros neutros”, o que por sua vez retroalimenta o risco fiscal, disse o Credit Suisse. O banco espera que o BC suba a taxa Selic em 0,50 ponto percentual em agosto, a 13,75%, e mantenha esse patamar até o segundo semestre de 2023, antes de encerrar o ano que vem em 10,75%.
REUTERS
LEGISLAÇÃO
O que é a Lei do Autocontrole, que o governo propõe
Um projeto de modernização da lei de defesa agropecuária brasileira, construído em cooperação do governo com o setor privado, está prestes a ser aprovado pelo Congresso Nacional. E tem o potencial de incrementar a geração de empregos num segmento que já é responsável por 27,6% do PIB
Pelo PL 1.293/2021, de iniciativa do Executivo, já aprovado na Câmara e na Comissão de Agricultura do Senado, as agroindústrias deverão seguir um programa de autocontrole da qualidade de seus produtos de origem animal e vegetal, como já acontece em boa parte dos países que competem com o agronegócio brasileiro. A fiscalização, o poder de polícia administrativa, continuará sendo atribuição dos auditores fiscais federais agropecuários, que não necessariamente vão dar expediente diuturno nas fábricas, mas farão auditagem dos processos para verificar se todas as exigências estão sendo cumpridas. “Hoje somos uma trava para o emprego no Brasil. Há casos de frigoríficos que precisam criar um novo turno, mas como temos de estar dentro do processo, internamente, não temos gente suficiente para atender a demanda”, sublinha a ex-ministra da Agricultura e deputada federal Tereza Cristina (PP-MS). Se aprovada, a lei deve desencadear a criação de 20 mil empregos represados somente nas cadeias de carne suína e de aves, em que o Brasil é 4º e o 1º exportador mundial, respectivamente. “Hoje precisamos de abates extras., e às vezes não tem fiscal para o abate extra. É como o mundo está fazendo, por meio de um sistema Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC). É cuidar do que eu produzo e submeter à análise do serviço veterinário oficial”, destaca Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Na tentativa de acompanhar o ritmo acelerado de crescimento do agronegócio, à primeira vista uma solução simples poderia ser a criação contínua de novas vagas de fiscais agropecuários federais no serviço público, colocando um fiscal em cada linha de produção ou abate. Apesar de haver defasagem no número de fiscais – o secretário de Defesa Agropecuária José Guilherme Leal defende “reposição urgente”, visto que hoje são 2.400 e há vinte anos eram 4.040, – aumentar indefinidamente o número de agentes vai na contramão da gestão de defesa agropecuária adotada por nossos principais concorrentes internacionais. Nem é o recomendado pelo próprio Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou que o Ministério da Agricultura avaliasse “a conveniência de realização de inspeção federal periódica, sem exigir a presença permanente de fiscais federais agropecuários nos estabelecimentos (…) atribuindo a profissional contratado pelas empresas fiscalizadas a responsabilidade pela garantia da qualidade dos produtos de origem animal e do tratamento adequado dos animais, mas mantendo o controle ministerial por meio de auditorias e supervisões periódicas, baseadas em matriz de riscos higiênico-sanitários de acordo com padrões técnicos a serem definidos”. “É o TCU que está dizendo, e sabe por quê? Para proteger o dinheiro do consumidor, para que a gente tenha otimização dos recursos públicos dos nossos auditores. Para que ir todo dia numa planta que nunca tem erro? Vai cuidar de quem tem erro, e quem nunca tem erro você vai analisar uma vez a cada semana, uma vez a cada dez dias, e assim por diante”, sublinha Santin, da ABPA. Atualmente, segundo Santin, esse apoio ao serviço federal já existe e envolve 12 mil auxiliares técnicos de inspeção, pagos pelas empresas e que “estão lá, seguindo ordens do fiscal agropecuário”. O projeto cria, também, o Programa de Incentivo à Conformidade em Defesa Agropecuária, que vai exigir dos estabelecimentos o compartilhamento em tempo real de dados operacionais e de qualidade com a fiscalização agropecuária. Como contrapartida, as empresas que aderirem terão incentivos como uma maior agilidade nas operações de exportação e importação; prioridade na tramitação de processos administrativos; acesso automático às informações de tramitação de processos e dispensa de aprovação prévia de alguns procedimentos, como reforma e ampliação. “Produção de remédio não tem fiscal o dia inteiro em cada planta. E tem falta de segurança? Se eu tomar um remédio errado, posso morrer, não é? – Ricardo Santin, da ABPA. Após anos de debates entre representantes públicos e privados, a saída escolhida foi espelhar o sistema de defesa agropecuário de outros grandes players da produção agropecuária – países da Europa, EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Por lá, já não se pratica o modelo “cartorial” de inspeção, que coloca um fiscal em cada linha de abate. Em vez disso, adota-se a abordagem de análise e gerenciamento de riscos, em que o agente privado estabelece seus processos de garantia de qualidade, faz os registros e controles de todas as etapas, e o fiscal federal atua em cima desses dados, checando informações laboratoriais, realizando auditoria e visitas periódicas às plantas para atestar a conformidade. Para Santin, da ABPA, o sistema digital de fiscalização dificultará desvios, como os investigados na operação Carne Fraca. “Controla mais as fraudes, porque elas não acontecem sozinhas, acontecem na empresa e alguém que fechou o olho. Com o relatório, um hub laboratorial, algoritmo e fiscalização digital, a Inteligência Artificial vai apontar um desvio que está começando a aumentar. E dará o alerta: fiscal, vai lá fiscalizar essa planta”. Reginaldo Minaré, diretor técnico adjunto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), realça que a proposta não surgiu “de forma estranha ao corpo técnico do Ministério da Agricultura”. “O próprio ministério amadureceu esse pensamento. É uma metodologia que certamente trará mais agilidade para o poder público, liberará mais servidores, mais fiscais para trabalhar com essas auditorias”, pondera. Aprovado em caráter terminativo pela Comissão de Agricultura do Senado, o PL 1.293/2021 iria direto para sanção do presidente Jair Bolsonaro, mas um grupo de dez senadores de oposição apresentou requerimento para votação em plenário, que ainda não tem data marcada.
GAZETA DO POVO
FRANGOS & SUÍNOS
Preços estáveis para o mercado de suínos
O mês de junho se encerrou marcado por preços médios do suíno vivo em movimento de alta frente aos de maio. Por outro lado, na comparação anual, a média de junho ainda está inferior à do mesmo mês de 2021, em termos nominais.
A reação mensal dos preços, que vem sendo observada em todas as praças acompanhadas pelo Cepea, é resultado da menor oferta de suínos, sobretudo de animais gordos, e do aquecimento da demanda por carne suína. Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 129,00/R$ 138,00, enquanto a carcaça especial cedeu 1,05%/1,01%, custando R$ 9,40 o quilo/R$ 9,80 o quilo. Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quarta-feira (29), houve leve queda de 0,14% em São Paulo, chegando em R$ 7,17/kg, e aumento de 0,48% no Rio Grande do Sul, atingindo R$ 6,23/kg. Ficaram estáveis os preços em Minas Gerais (R$ 7,26/kg), Paraná (R$ 6,48/kg), e em Santa Catarina (R$ 6,32/kg). Na quinta-feira (30), o encerramento do mês de junho para a suinocultura independente também foi marcado por preços estáveis ou leves altas.
Cepea/Esalq
Suinocultura independente: movimento de alta perde força
No Paraná, entre os dias 23/06/2022 a 29/06/2022, o indicador do preço do quilo vivo do Laboratório de Pesquisas Econômicas em Suinocultura (Lapesui) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) teve alta de 0,29%, fechando a semana em R$ 6,69/kg
Em São Paulo, segundo informações da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), o preço se manteve estável no valor de R$ 7,47/kg do animal vivo, com acordo entre frigoríficos e produtores. O presidente da entidade, Valdomiro Ferreira, aponta que “houve pressão por parte do mercado atacadista em relação aos preços de carcaças”. Após três semanas com preço estável em R$ 7,30/kg, na quinta-feira (30) não houve acordo entre suinocultores e frigoríficos, sendo que o valor sugerido pela Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg) foi de R$ 7,50/kg. Conforme a Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), o valor do animal vivo comercializado no mercado independente teve leve melhora, saindo de R$ 6,71/kg vivo para R$ 6,74/kg vivo.
AGROLINK
Suínos/Cepea: Média sobe no comparativo mensal, mas segue menor no anual
Os preços médios do suíno vivo em junho (até o dia 29) apresentam movimento de alta frente aos de maio. Por outro lado, na comparação anual, a média de junho ainda está inferior à do mesmo mês de 2021, em termos nominais
A reação mensal dos preços, que vem sendo observada em todas as praças acompanhadas pelo Cepea, é resultado da menor oferta de suínos, sobretudo de animais gordos, e do aquecimento da demanda por carne suína. Neste último caso, ressalta-se que, tipicamente, as temperaturas mais baixas em junho incentivam o consumo de produtos suinícolas. Além disso, eventos festivos também reforçam a demanda pela proteína. O atual preço médio do animal vivo negociado na região SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba) é de R$ 6,49/kg, aumento de 4,5% em relação ao de maio, mas 8,8% abaixo do patamar do mesmo período do ano passado. No mercado de carnes, as valorizações foram mais comedidas. O preço médio da carcaça especial suína negociada no atacado da Grande São Paulo teve alta de 1,2% de maio para junho, com o produto comercializado a R$ 9,35/kg neste mês.
Cepea
Frango fecha a quinta-feira com mudanças no congelado ou resfriado
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave no atacado ficou estável em R$ 7,40/kg, assim como o frango na granja, custando R$ 6,00/kg
Na cotação do animal vivo, São Paulo ficou sem referência de preço, em Santa Catarina, a ave não mudou de preço, valendo R$ 4,26/kg, assim como no Paraná, custando R$ 5,56/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quarta-feira (29), houve alta de 2,46% para a ave resfriada, alcançando R$ 7,91/kg, e de 0,91% para a congelada, fechando em R$ 7,79/kg.
Cepea/Esalq
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