
Ano 11 | nº 2763 | 28 de julho de 2026
NOTÍCIAS
A semana começou sem mudança na cotação da arroba do boi gordo em São Paulo
Parte da indústria esteve fora das compras, enquanto as negociações ocorreram nas referências da sexta-feira anterior. O mercado havia iniciado a semana sem mudança na cotação do boi gordo, da vaca gorda e da novilha.
Conforme dados apurados pela Scot Consultoria, o boi gordo sem padrão-exportação e “boi-China” seguem valendo R$ 344/@ (valor bruto, no prazo) no Estado de São Paulo – portanto, sem ágio para o animal abatido mais jovem, com até 30 meses. Por sua vez, na mesma praça, a vaca e a novilha gordas seguem cotadas em R$ 317/@ e R$ 330/@, respectivamente. Parte da indústria esteve fora das compras, definindo as estratégias para a semana. As que estavam ativas ofertavam as cotações vigentes da sexta-feira anterior. Havia frigoríficos abastecidos que abriram o dia ofertando preços menores, porém sem negócios fechados. As escalas de abate atendiam, em média, a uma semana. Havia ofertas acima das cotações vigentes, mas não em volume suficiente para se tornarem referência de mercado. No Espírito Santo, na comparação com o fechamento da sexta-feira anterior (24/7), o mercado abriu com alta de R$2,00/@ na cotação da novilha. Para as demais categorias, estabilidade. As escalas de abate atendiam, em média, a cinco dias. No mercado atacadista da carne com osso, a cotação da carcaça subiu. Esse aumento veio da maior procura e da redução da oferta devido à diminuição dos abates. As compras entre os atacadistas continuaram dosadas para evitar sobras. A expectativa era de que os preços se mantenham até o início de agosto. A cotação da carcaça casada do boi capão subiu 3,3%, ou R$0,75/kg. A do boi inteiro subiu 3,9%, ou R$0,85/kg. A cotação da carcaça casada da vaca subiu 5,5%, ou R$1,15/kg. A da novilha subiu 3,7%, ou R$0,80/kg. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio caiu 1,3%, ou R$0,20/kg. A do suíno especial caiu 7,1%, ou R$0,60/kg.
SCOT CONSULTORIA
Arroba teve alta de 4,5% na semana passada, mas elevação não deve se sustentar no curto prazo
Frigoríficos têm buscado alongar suas escalas de abate, mas demanda interna e externa mostra sinais de enfraquecimento
O mercado físico do boi gordo registrou negociações mais aquecidas no decorrer da semana, em meio à tentativa dos frigoríficos de alongar as escalas de abate. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o cenário de oferta mais restrita no momento levou as indústrias a desembolsarem valores maiores pela arroba do boi. “Por outro lado, chama a atenção a demanda fragilizada, especialmente na exportação. O ritmo de embarques vem apresentando arrefecimento semana após semana, com o esgotamento precoce da cota chinesa”, avalia. Conforme o especialista, outro ponto a ser mencionado é que o mercado interno apresenta no momento um padrão de preços mais acomodado para a carne no atacado, o que traz maior pressão aos frigoríficos. “Mesmo assim, para evitar uma ociosidade maior, mais indústrias anunciaram férias coletivas no decorrer da semana”, acrescenta. Variação de preços do boi gordo. Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 23 de julho: São Paulo (Capital): R$ 345, avanço de 4,55% perante os R$ 330 praticados na última semana. Goiás (Goiânia): R$ 320, estável em relação ao valor praticado no final da semana anterior. Minas Gerais (Uberaba): R$ 320, alta de 3,23% perante os R$ 310 praticados na semana anterior. Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 335, aumento de 3,08% frente aos R$ 325 registrados na semana anterior. Mato Grosso (Cuiabá): R$ 320, sem mudanças frente ao valor praticado no fechamento da semana passada. Rondônia (Vilhena): R$ 320, acréscimo de 3,23% em relação aos R$ 310 registrados no encerramento da semana passada. O mercado atacadista registrou preços de estáveis a mais baixos durante a semana, em meio ao ambiente de negócios mais fraco observado durante a segunda quinzena do mês, que conta com um menor apelo ao consumo. Iglesias lembra que a carne bovina segue menos competitiva em relação às proteínas concorrentes, especialmente na comparação com a carne de frango. Quarto dianteiro: foi cotado a R$ 19 por quilo, estável frente ao valor praticado na semana passada. Quarto traseiro: precificado a R$ 25,50 por quilo, recuo de 1,92% frente aos R$ 26 praticados na semana anterior. As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 896,768 milhões em julho até o momento (13 dias úteis), com média diária de US$ 68,982 milhões, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A quantidade total exportada pelo país chegou a 140,389 mil toneladas, com média diária de 10,799 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.387,70. Em relação a julho de 2025, houve alta de 3,3% no valor médio diário da exportação, queda de 10,3% na quantidade média diária exportada e avanço de 15,1% no preço médio.
SAFRAS NEWS
Programa de carne livre de desmatamento tenta escapar da sobretaxa chinesa
Principal argumento do Imaflora, que coordena a iniciativa, é que não se trata de uma commodity comum. Chineses estariam dispostos a pagar até 10% a mais pela carne livre de desmatamento
Lançado em outubro de 2025 com o objetivo de atender à demanda chinesa por carne bovina livre de desmatamento, o programa Beef on Track busca uma forma de exportar o produto fora da cota de salvaguarda estabelecida pelo país asiático. O governo chinês implementou em 2026 uma sobretaxa de 55% caso os embarques do produto brasileiro ultrapassem um volume de 1,1 milhão de toneladas por ano. A proposta está em discussão com os chineses, mas enfrenta resistências. O principal argumento do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), responsável pelo programa, é que a carne certificada pelo Beef on Track não é uma commodity comum, uma vez que entrega atributos ambientais e de rastreabilidade que atendem aos objetivos da política de sustentabilidade do governo chinês. “Para eles (chineses) é interessante e para o Brasil também, porque seria uma outra forma de conseguirmos colocar esse produto no mercado sem precisar pagar essa sobretaxa”, afirma a coordenadora de projetos do Imaflora, Louise Nakagawa. No entanto, o entendimento do instituto é de que os chineses têm se mostrado inflexíveis. O Beef on Track visa servir como uma plataforma para compradores, frigoríficos, varejistas e instituições financeiras. O objetivo é agregar valor à carne brasileira, atender mercados que exigem comprovação de origem e permitir o pagamento de um prêmio ao produtor e ao frigorífico. De acordo com Louise, os chineses estão dispostos a pagar até 10% a mais pela carne certificada. A expectativa é de que a comercialização da carne certificada tenha início em 2027. O ano de 2026 está sendo dedicado à construção do sistema, elaboração de padrões, auditorias, cadeia de custódia e aprovação institucional. Após a conclusão dos pilotos, o sistema será submetido ao Inmetro, e posteriormente ao órgão equivalente na China. Somente após essas aprovações a carne poderá utilizar oficialmente o selo Beef on Track. Um acordo foi firmado no início de junho com a Tianjin Meat Association (TMA), organização que representa cerca de 100 empresas da região de Tianjin, muitas das quais são importadoras da carne brasileira. O acordo prevê inicialmente o embarque de 50 mil toneladas de carne, volume equivalente a cerca de 2,5 mil contêineres de 20 toneladas. Tianjin possui o maior porto de águas profundas da China, por onde chega a maior parte da carga. O Beef on Track não cria um sistema de rastreabilidade, mas reconhece sistemas já existentes, como o Passaporte Verde (Mato Grosso), o programa de rastreabilidade do Pará e os sistemas adotados pelos próprios frigoríficos. São quatro níveis de certificação: bronze, prata, ouro e platina (nível máximo). Segundo Louise, o platina é o nível desejado por grandes compradores internacionais, como McDonald’s, Carrefour e Walmart. Esse nível exige rastreabilidade dos fornecedores indiretos, desmatamento zero e maior padrão socioambiental. “Eles (chineses) precisam cumprir a NDC (contribuição nacionalmente determinada, na sigla em inglês) de neutralizar a emissão de carbono até 2060. Tem todo o trabalho da China de querer acabar com esse estigma, de país que não tem preocupação (com a sustentabilidade). Além disso, há uma classe média chinesa crescendo exponencialmente e com preocupações ambientais bastante fortes”, argumenta a coordenadora de projetos do Imaflora. Os frigoríficos que já cumprem os Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) do Ministério Público Federal atendem boa parte dos requisitos, no entendimento do Imaflora. “Todos os frigoríficos que tiverem uma nota acima de 95% nas auditorias do TAC já vão ser BoT Bronze, automaticamente, sem precisar passar por novas auditorias”, explica Marina Piatto, diretora executiva do Imaflora. Isso elimina o custo adicional com a certificação para os frigoríficos.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Dólar fecha em alta no Brasil com exterior no radar
O dólar fechou a segunda-feira em alta no Brasil, acompanhando o desempenho da divisa norte-americana no exterior, que seguiu forte mesmo em meio ao alívio nos mercados globais após a trégua nos ataques entre Estados Unidos e Irã.
O dólar à vista encerrou o dia com variação positiva de 0,62%, aos R$5,1130. Às 17h43, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,41% na B3, aos R$5,1200. O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, disse ao programa “Fox News Sunday” e a outros veículos de comunicação dos EUA que o presidente Donald Trump havia decidido suspender os ataques para dar mais tempo à diplomacia. Na segunda-feira, Trump afirmou que os EUA estão mantendo “boas negociações” com o Irã e que “há uma boa chance de que algo possa acontecer” em relação a um possível acordo. Ele também ameaçou com uma “forte ação militar” caso a diplomacia fracasse. A trégua fez os contratos futuros do petróleo Brent caírem 8,7%, fechando a US$88,36 o barril, menor valor desde 17 de julho. Nesse contexto, a divisa norte-americana apresentou desvalorização em relação ao euro e ao iene, e um desempenho misto em relação a moedas emergentes pares do real. Contudo, o dólar se recuperou no exterior das mínimas do dia, uma vez que a queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano foi mais modesta em comparação com a queda nos rendimentos em outros mercados, oferecendo suporte à moeda norte-americana. Isso se refletiu no Brasil, com o dólar subindo ante o real, ainda que, em tese, a trégua no Oriente Médio deveria trazer alívio para o mercado de câmbio doméstico. Segundo analistas, fatores locais pesaram nas negociações. “Em resumo, o real opera hoje dividido entre o alívio global, com petróleo em queda e trégua no Oriente Médio, e o componente doméstico, político e fiscal, que sustenta alguma demanda por proteção. Dia de digestão e não de tendência definida nos mercados”, disse Rafael Stephano, advisor sênior da Blue3 Investimentos. Na segunda-feira, pesquisa BTG/Nexus apontou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manteve com 47% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que caiu um ponto percentual, para 43%, em relação ao levantamento anterior publicado em 13 de julho. Pela manhã, a pesquisa Focus do Banco Central mostrou que as projeções para o câmbio no final de 2026 se mantiveram em R$5,20, enquanto para o final de 2027 houve aumento de R$5,28 na semana anterior para R$5,29. Nesta semana, a agenda traz os dados de julho do IPCA-15 na terça-feira, enquanto, no exterior, as atenções se voltam para a decisão de política monetária do Federal Reserve, na quarta-feira.
REUTERS
Ibovespa retoma 175 mil pontos com maior apetite por risco e apesar de Petrobras
Tombo de quase 9% dos preços de petróleo levou a uma redução do prêmio de risco geopolítico
Em um dia mais positivo para mercados emergentes e de baixa liquidez no mercado acionário local, o Ibovespa apresentou ganhos desde o começo da sessão, mas ampliou a alta mais perto do fechamento diante da recuperação das ações da Vale. O tombo de quase 9% dos preços de petróleo levou a uma redução do prêmio de risco geopolítico, o que impulsionou a tomada de risco nas bolsas globais. O movimento só não foi mais expressivo aqui no Brasil, em virtude da queda mais intensa das ações da Petrobras. Depois de oscilar entre os 174.048 pontos e os 175.555 pontos, o Ibovespa encerrou em alta de 0,74%, aos 175.334 pontos. Mais uma vez, o volume financeiro negociado pelo índice foi baixo e chegou a R$ 13,5 bilhões, o que é bem inferior à média diária de R$ 21,7 bilhões registrada desde o começo do ano. O giro financeiro na B3 também foi reduzido e chegou a apenas R$ 19,1 bilhões. Após um fim de semana sem hostilidades, os avanços diplomáticos entre EUA e Irã fizeram os preços do petróleo tombarem ontem. O recuo afetou em cheio as ações da Petrobras: no fim, as PN da petroleira cederam 2,84%, ao passo que as ON tiveram perdas de 3,15%. Depois de oscilar entre perdas e ganhos durante uma boa parte do dia, as ações da Vale terminaram com alta de 0,60%. Pela manhã, os papéis cederam diante do aumento do risco de governança corporativa após o conselheiro da Marcelo Gasparino ter enviado uma carta de renúncia ao conselho da mineradora. O pedido do executivo surgiu após o colegiado destituir Gasparino do cargo na última quarta-feira (22), em razão da suspeita de vazamento de informações confidenciais. Durante a tarde, porém, o executivo afirmou, em carta enviada à Vale, que não houve divulgação de informação relevante não pública da mineradora, o que pode ter ajudado a garantir certo alívio aos papéis, segundo alguns analistas. “Não houve intenção de obter qualquer vantagem, interferir na negociação de valores mobiliários ou expor manifestações confidenciais de outros administradores. Tampouco foi demonstrado qualquer prejuízo à companhia ou aos seus acionistas em decorrência desse encaminhamento”, disse Gasparino na carta. “A notícia sobre o Gasparino é ruim, mas é muito mais ruído do que algo que vai mudar de fato na empresa. A Previ não conseguiu nem eleger o conselheiro que queriam…”, diz. “O mercado tem dado um ‘downplay’ [menor importância] nas notícias envolvendo mudanças no conselho”, avalia um analista, que não quis se identificar. Bancos, por outro lado, subiram em bloco, especialmente as units do Santander, que tiveram alta de 3,87%. A instituição financeira apresenta os números do seu balanço na próxima quarta-feira (29). Entre as maiores altas ficaram as ações ON da MBRF, que subiram 7,08%. Segundo analistas, as ações foram beneficiadas por uma confluência positiva de fatores. Primeiro, o Departamento de Agricultura dos EUA informou a reabertura gradual das importações de gado vivo do México, que estavam interrompidas há mais de um ano. Além disso, os papéis foram beneficiados pelo anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que Brasil e Coreia do Sul criaram um grupo de trabalho para tentar destravar as negociações no âmbito do acordo comercial entre o Mercosul e o país asiático, que estão paralisadas desde 2019. Também foi acertada a realização de uma missão sanitária sul-coreana ao Brasil no próximo mês, o que poderá abrir o mercado do país asiático aos frigoríficos brasileiros e contribuir para o avanço nas negociações Mercosul-Coreia do Sul.
VALOR ECONÔMICO
Mercado vê inflação a 5,12% este ano no Focus, mas eleva projeções para 2027 e 2028
A expectativa para a inflação neste ano caiu pela quarta semana seguida na pesquisa Focus que o Banco Central divulgou na segunda-feira, mas as projeções para 2027 e 2028 aumentaram.
O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa para a alta do IPCA em 2026 caiu a 5,12%, de 5,15% na semana anterior.
O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. No entanto, as projeções para a inflação no próximo ano e em 2028 subiram 0,02 ponto percentual, respectivamente a 4,22% e 3,80%. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento este ano permaneceu em 1,99%, e para 2027 caiu a 1,60%, de 1,65% no levantamento anterior. A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que segue a expectativa de que o Comitê de Política Monetária do BC reduza a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual na reunião da próxima semana, a 14,00%, terminando o ano neste patamar. Para 2027 foi mantida a projeção de que a Selic ficará em 12,0%.
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Confiança do consumidor no Brasil cai em julho com piora da percepção sobre o presente, diz FGV
A confiança dos consumidores brasileiros recuou pelo terceiro mês consecutivo em julho e chegou ao menor nível em quatro meses, com piora na percepção sobre o presente, mostraram dados da Fundação Getulio Vargas divulgados na segunda-feira.
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da FGV teve no mês queda de 0,4 ponto, indo a 88,3 pontos, menor nível desde março. O Índice de Situação Atual (ISA) recuou 2,6 pontos, para 84,4 pontos, com piora principalmente da percepção sobre o orçamento financeiro das famílias. “Entre as faixas de renda, os consumidores de menor renda tiveram maior participação na queda do indicador agregado”, explicou Anna Carolina Gouveia, economista do FGV IBRE. Já o Índice de Expectativas (IE) subiu 1,1 ponto, para 91,5 pontos, após dois meses de quedas. Gouveia destacou que, até o mês passado, a piora da confiança se dava pela deterioração das expectativas futuras, enquanto a percepção sobre o presente seguia em melhora. “Embora ainda possa refletir uma calibragem dos resultados anteriores, a virada de chave observada neste mês pode sinalizar que o pessimismo em relação ao futuro começa a influenciar a avaliação atual dos consumidores, especialmente de sua situação financeira”, disse ela. “O alto endividamento e inadimplência das famílias, junto a um contexto de juros fortemente restritivo, segue sendo o principal ponto de pressão do orçamento do consumidor, influenciando sua percepção sobre a economia”, completou. A taxa básica de juros está atualmente em 14,25% ao ano e o Banco Central volta a se reunir na próxima semana para decidir sobre a política monetária.
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GOVERNO
Lula anuncia grupo de trabalho para acordo Mercosul-Coreia do Sul e missão a frigoríficos brasileiros
O acesso da carne ao mercado sul-coreano era apontado como um dos principais entraves às negociações. Coreia do Sul exige um alto padrão sanitário para a importação de carnes, tema considerado sensível para Brasil, Argentina e Uruguai
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Brasil e Coreia do Sul decidiram criar um grupo de trabalho para identificar os principais pontos sensíveis de cada lado e tentar destravar as negociações no âmbito do acordo comercial entre o Mercosul e o país asiático, que seguem paralisadas desde 2019. O vice-presidente Geraldo Alckmin será o coordenador pelo lado brasileiro do grupo de trabalho. O governo sul-coreano deve indicar alguém seu representante em breve. Segundo Lula, também foi acertada a realização de uma missão sanitária sul-coreana ao Brasil em agosto, etapa que poderá abrir o mercado do país asiático aos frigoríficos brasileiros e contribuir para o avanço das negociações entre Mercosul-Coreia do Sul. A reportagem apurou que a missão será realizada entre 11 e 20 de agosto para avaliação do sistema sanitário brasileiro. Após a auditoria presencial, que será realizada por uma das duas agências estatais responsáveis pelas avaliações sanitárias, o processo com a Coreia do Sul é apenas documental. Os sul-coreanos importam cerca de 600 mil toneladas de carne bovina por ano, principalmente dos Estados Unidos e da Austrália. “Após 17 anos de negociação, temos agora o compromisso concreto da missão da certificação sanitária ao Brasil no próximo mês, um passo decisivo para o acesso dos frigoríficos brasileiros ao mercado coreano”, afirmou Lula ao lado do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, durante visita de Estado do líder sul-coreano ao Brasil. O acesso da carne ao mercado sul-coreano era apontado como um dos principais entraves às negociações. Isso porque a Coreia do Sul exige um alto padrão sanitário para a importação de carnes, tema considerado sensível para Brasil, Argentina e Uruguai, onde o produto de origem animal tem peso relevante na pauta exportadora. Como mostrou o Valor em junho, produtores agropecuários sul-coreanos resistem à ampliação da concorrência de fornecedores do Mercosul, em um movimento semelhante ao observado durante as negociações do acordo entre o bloco econômico e a União Europeia. Durante o discurso, Lula destacou o crescimento do comércio bilateral, apesar do avanço do unilateralismo e do protecionismo no cenário internacional. Em 2025, a balança comercial entre Brasil e Coreia do Sul somou US$ 10,8 bilhões. Segundo o presidente, o volume ainda é “pequeno diante do tamanho da Coreia e do Brasil”. “A partir da reunião de hoje, no ano que vem o saldo comercial será bem maior do que os US$ 11 bilhões”, pontuou. Os dois países assinaram memorandos de entendimento de cooperação em áreas como semicondutores, inteligência artificial, minerais críticos, transição energética, saúde, fármacos, cosméticos, cultura, educação e esportes. “Há muito espaço para avançar”, disse Lula, em referência aos investimentos e à cooperação bilateral. O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, afirmou que Seul pretende aprofundar a parceria com o Brasil. “Por meio desse acordo, vamos criar uma base estável de oferta, fortalecendo a cooperação mútua de maneira benéfica”, declarou.
VALOR ECONÔMICO
Abertura de mercados para produtos animais brasileiros na China, no Paraguai e em Palau
As autoridades sanitárias da China, do Paraguai e de Palau comunicaram a abertura de mercados para produtos brasileiros.
Com a China, foi assinado protocolo sanitário que autoriza a exportação de cálculos biliares bovinos brasileiros. O Paraguai aprovou o modelo de Certificado Sanitário Internacional (CSI) para a exportação de suínos vivos destinados ao abate. Palau, por sua vez, aprovou os modelos de CSI para a exportação de carnes bovina, ovina, caprina e suína.
MAPA
INTERNACIONAL
Rebanho bovino dos EUA dá primeiros sinais de estabilização, mas recuperação deve ser lenta
Depois de anos de redução do rebanho bovino, os Estados Unidos começam a dar os primeiros sinais de estabilização. Os dados mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam um leve aumento no número total de bovinos, mas especialistas avaliam que ainda é cedo para falar em uma retomada consistente da produção.
O cenário continua marcado por retenção limitada de fêmeas, custos elevados e desafios estruturais que devem prolongar o ciclo de oferta restrita e preços firmes. O relatório mostra que o rebanho total de bovinos e bezerros alcançou 94,2 milhões de cabeças, crescimento de apenas 0,2% em relação ao ano anterior. Embora seja a primeira alta após vários anos de queda, o aumento foi considerado insuficiente para caracterizar o início de uma fase acelerada de expansão do rebanho. Segundo Patrick Linnell, diretor de pesquisa de mercado da CattleFax, os números sugerem que o setor provavelmente ficou para trás do ponto mais baixo do ciclo pecuário, mas a recuperação deverá ocorrer de forma lenta e gradual. Outro dado reforça essa avaliação: o número de vacas de corte continuou diminuindo. O rebanho de matrizes de corte caiu 1%, para 28,5 milhões de cabeças, enquanto o número de novilhas destinadas à reposição aumentou 3%, chegando a 3,8 milhões de animais. Para os analistas, esse pequeno crescimento na retenção de fêmeas representa um primeiro sinal de mudança, mas ainda muito discreto para indicar uma reconstrução efetiva do rebanho. Especialistas da Universidade Estadual de Oklahoma compartilham da mesma visão. Para eles, o setor está tentando estabilizar a produção, mas ainda não há evidências suficientes para afirmar que a fase de reconstrução do rebanho tenha começado oficialmente. A expectativa é que apenas os próximos levantamentos confirmem se o número de matrizes realmente deixará de cair. Embora a seca continue sendo um dos principais obstáculos para a expansão da pecuária norte-americana, ela está longe de ser o único fator limitante. O estudo destaca que o envelhecimento dos produtores, a escassez de mão de obra, o aumento dos custos de produção, a expansão urbana e a competição pelo uso da terra também reduzem a velocidade de recuperação do rebanho. Mesmo nas regiões onde as condições climáticas melhoraram, esses fatores estruturais continuam limitando novos investimentos na atividade. Um dos aspectos mais curiosos do atual ciclo é que os preços elevados dos bezerros, normalmente vistos como um fator positivo para a pecuária, acabam retardando a reconstrução do rebanho. Com a valorização recorde dos animais jovens, muitos pecuaristas optam por vender as novilhas em vez de mantê-las como futuras matrizes. A decisão aumenta a receita imediata da fazenda, mas reduz a velocidade de expansão do rebanho nacional. Segundo Patrick Linnell, esse comportamento é compreensível diante da forte valorização do mercado, mas ajuda a explicar por que a retenção de fêmeas continua ocorrendo de forma bastante cautelosa. O relatório do USDA sobre confinamentos apresenta um cenário semelhante ao observado no inventário bovino. O número de bovinos em confinamento permaneceu elevado, mas as entradas de novos animais caíram 3% em relação ao ano anterior, refletindo a menor disponibilidade de bezerros no mercado. Ao mesmo tempo, as saídas para abate também recuaram 3%, registrando o menor volume para o mês de junho desde o início da série histórica, em 1996. A combinação entre menor oferta de animais para reposição e permanência mais longa dos bovinos nos confinamentos tem resultado em carcaças mais pesadas. Esse ganho de peso ajuda parcialmente a compensar a menor oferta de animais, mas não altera o quadro de disponibilidade restrita de bovinos para abate. Além disso, a participação de novilhas nos confinamentos permaneceu próxima da média histórica, indicando que os produtores ainda não intensificaram a retenção de fêmeas para reprodução. Esse comportamento reforça a expectativa de uma recuperação lenta do rebanho. Na avaliação dos especialistas, os dados divulgados pelo USDA não alteram a perspectiva positiva para os preços do boi nos Estados Unidos. Apesar das recentes oscilações do mercado futuro, a oferta continua limitada e o setor ainda não iniciaram um processo consistente de retenção de novilhas suficiente para ampliar significativamente o rebanho. Segundo Derrell Peel, da Universidade Estadual de Oklahoma, o pico dos preços ainda não foi alcançado. Ele avalia que, enquanto a retenção de fêmeas permanecer limitada, a oferta continuará apertada e os preços deverão seguir sustentados nos próximos anos. Caso o setor demore a aumentar de forma mais consistente o número de matrizes, a expansão do rebanho poderá ser adiada inclusive para 2028.
DROVERS
MEIO AMBIENTE
Estudo propõe protocolo unificado para rastrear cadeias de soja e carne no Brasil
Instituto WRI entende que o país já possui ferramentas para monitorar desmatamento e rastreabilidade, mas com critérios diferentes. Documento propõe acelerar o monitoramento dos fornecedores indiretos
Um estudo inédito do instituto WRI Brasil propôs um protocolo unificado para as cadeias de soja e carne bovina brasileiras, visando facilitar o comércio com a China e atender às exigências internacionais sem criar regras. O grupo responsável entende que o Brasil já possui ferramentas suficientes para monitorar desmatamento e rastreabilidade, mas ressalta que elas são pulverizadas e utilizam critérios diferentes. A ideia é integrar essas iniciativas em um único referencial. O estudo analisou 21 iniciativas, entre protocolos, certificações, acordos voluntários, plataformas públicas e sistemas de rastreabilidade. O diagnóstico é de que há diferenças em critérios de avaliação, datas de corte para desmatamento, controle de fornecedores indiretos e mecanismos de auditoria e verificação. Essa discrepância dificulta a compreensão pelos compradores internacionais e reduz a credibilidade dos sistemas, segundo os organizadores. De acordo com o WRI, compradores internacionais enfrentam dificuldades para entender qual protocolo seguir, enquanto investidores encontram dificuldades para avaliar riscos. O documento Tracing Responsibility: Strengthening Deforestation Monitoring in Brazil’s Soy and Beef Supply Chains (Rastreando a responsabilidade: Fortalecimento do monitoramento do desmatamento nas cadeias de suprimento de soja e carne bovina do Brasil) foi desenvolvido com apoio da BV Rio, da Amigos da Terra, dos Principles for Responsible Investment (PRI – Londres), do WRI China e da Proforest (Pequim). A ideia não é criar regras, mas integrar as existentes. A proposta prevê harmonização dos critérios técnicos, integração das bases de dados, simplificação de auditorias, entre outros itens. Segundo o instituto, um protocolo unificado representa uma oportunidade para melhorar a rastreabilidade, reduzir riscos reputacionais e alinhar os sistemas nacionais às expectativas internacionais, incluindo as previstas no Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento (EUDR). “Em termos gerais, trata-se de um caminho estratégico para alinhar os diferentes atores, fortalecer a credibilidade das cadeias produtivas e apoiar a implementação de compromissos bilaterais de sustentabilidade”, afirma o relatório divulgado nesta terça-feira (28/7). O estudo destaca ainda que a China é o maior comprador das commodities agropecuárias brasileiras, e que o Brasil e o gigante asiático podem liderar a construção de um padrão internacional para cadeias livres de desmatamento. No caso da pecuária, o documento propõe acelerar o monitoramento dos fornecedores indiretos, não esperar que a identificação individual obrigatória esteja totalmente implementada e migrar gradualmente para sistemas individuais de rastreabilidade. Para a soja, as recomendações incluem ampliar a rastreabilidade até a fazenda de origem, integrar tradings, cooperativas e plataformas estaduais, unir notas fiscais para fortalecer a rastreabilidade e criar mecanismos de bloqueio de fornecedores que descumprirem critérios socioambientais.
GLOBO RURAL
SUÍNOS & FRANGOS
Excesso de oferta derruba preço do suíno abaixo de R$ 5/kg no Brasil
Aumento da produção elevou os abates em 6,5% em 13 meses e adicionou 379 mil toneladas de carne ao mercado. Mesmo com exportações 8,5% maiores no primeiro semestre, produtores enfrentam forte queda de rentabilidade.
O primeiro semestre de 2026 encerrou com um movimento que contrariou as expectativas de parte da cadeia produtiva de suínos. Mesmo com o avanço das exportações brasileiras de carne suína e a manutenção da competitividade do produto no mercado internacional, o crescimento da produção doméstica ampliou a disponibilidade interna em um ritmo superior à capacidade de absorção do mercado, pressionando as cotações e reduzindo as margens dos produtores. A análise da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) aponta que a combinação entre expansão do plantel, ganhos de produtividade e aumento dos volumes abatidos alterou o equilíbrio de oferta e demanda observado no início de 2025. O maior número de animais disponíveis para abate elevou a oferta de carne no mercado interno, enquanto o consumo doméstico não acompanhou a mesma velocidade de crescimento. O resultado foi uma reversão rápida do cenário positivo registrado anteriormente. Nos primeiros meses de 2026, os preços pagos ao produtor e os valores das carcaças iniciaram uma trajetória de queda que marcou um dos ciclos de maior pressão sobre a rentabilidade da suinocultura na história recente. Em algumas regiões produtoras, o preço recebido pelo suíno vivo recuou para patamares inferiores a R$ 5 por quilo, valor considerado insuficiente para cobrir os custos de produção em diversas propriedades. A queda atingiu principalmente produtores independentes, mais expostos às oscilações de mercado e sem contratos de fornecimento que ofereçam maior previsibilidade de receita. Nem o desempenho recorde das exportações brasileiras de carne suína in natura foi suficiente para sustentar os preços pagos ao produtor. Entre janeiro e junho de 2026, os embarques somaram 683,8 mil toneladas, alta de 8,5% em relação ao mesmo período de 2025. O crescimento foi impulsionado principalmente pelos embarques de março (+28,2%), abril (+9,7%) e janeiro (+13,8%). Apenas junho registrou retração, com queda de 5,4% frente ao mesmo mês do ano anterior. Embora os dados oficiais de abate estejam consolidados apenas até o primeiro trimestre de 2026, eles já evidenciam uma trajetória consistente de expansão da produção e da oferta de carne suína no mercado interno. Entre março de 2025 e março de 2026, o volume de abates aumentou durante 13 meses consecutivos na comparação com os mesmos meses do ano anterior, acumulando um acréscimo de 379 mil toneladas de carcaças (+6,51%). Em número de animais, isso representa aproximadamente 3,24 milhões de suínos abatidos a mais (+5,13%), volume equivalente à incorporação de pouco mais de 100 mil matrizes ao plantel tecnificado nacional, atualmente estimado em cerca de 2,2 milhões de fêmeas. No mesmo período, as exportações brasileiras de carne suína in natura também registraram crescimento, com aumento de 164,3 mil toneladas (+12,61%). Apesar do desempenho recorde dos embarques, esse avanço não foi suficiente para absorver toda a produção adicional. Como resultado, a disponibilidade de carne suína no mercado interno aumentou em aproximadamente 215 mil toneladas (+4,76%) ao longo desses 13 meses, o equivalente a um acréscimo superior a 900 gramas por habitante ao ano no consumo aparente. Os dados preliminares do Serviço de Inspeção Federal (SIF), ainda sujeitos à consolidação, indicam uma desaceleração no ritmo de crescimento dos abates nos dois últimos meses em comparação com igual período de 2025. O mesmo movimento é observado nas exportações, sinalizando que a expansão da produção pode perder intensidade no segundo semestre. Embora essa tendência aponte para uma estabilização da oferta, a disponibilidade de carne suína no mercado interno deverá permanecer significativamente acima da registrada no início de 2025, período em que o equilíbrio entre oferta e demanda sustentava preços mais elevados ao produtor. Outro aspecto relevante observado em 2026 é a forte vantagem econômica das exportações em relação às vendas no mercado doméstico. A comparação entre o preço da carcaça suína especial em São Paulo (SP) e o valor médio da carne suína in natura exportada, convertido para reais, mostra que o diferencial de preços atingiu níveis historicamente elevados. Em junho, esse spread alcançou quase 50%, enquanto a média acumulada do ano chegou a 32%, muito acima dos pouco mais de 12% registrados em 2025.
O cenário atual é ainda mais expressivo quando comparado ao ciclo de forte expansão das exportações entre 2019 e 2021. Mesmo naquele período, impulsionado principalmente pela demanda asiática, o diferencial médio entre os preços do mercado externo e do mercado interno não ultrapassou 30% ao ano. Levantamento da Embrapa mostra que os custos de produção permaneceram relativamente estáveis em junho nos três estados da Região Sul. No entanto, a queda do preço do suíno vivo para abaixo de R$ 5,00/kg, conforme o Indicador Cepea/Esalq, ampliou o resultado negativo da atividade no último mês. Como consequência, o primeiro semestre de 2026 foi marcado por margens financeiras praticamente nulas para os produtores de suínos.
O PRESENTE RURAL/ABCS
Carne suína busca mais espaço no Brasil e no mundo
Após anos de expansão, cadeia aposta em novos produtos, exportações e diversificação para sustentar o crescimento
A carne suína ganhou mais espaço no prato dos brasileiros nos últimos anos. Em 2025, o consumo per capita atingiu 20,3 quilos, segundo levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Há uma década, o patamar era de 16 quilos por pessoa. O valor bruto da produção, valor movimentado pelo setor, avançou 14,6% no ano passado, para R$ 63 bilhões, enquanto o volume produzido cresceu 6%, para 5,6 milhões de toneladas. Depois dos resultados impressionantes, porém, a suinocultura brasileira enfrenta em 2026 um cenário de oferta superior à demanda, na avaliação de Marcelo Lopes, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS). Nos últimos anos, o setor ampliou a produção com investimentos em tecnologia, ganhos de eficiência e expansão das granjas. O crescimento foi impulsionado pelo aumento do consumo interno. Mas depois da fase de expansão consistente entre 2016 e 2022, o mercado entrou em uma fase de acomodação. Desde 2022, o consumo per capita permanece praticamente estável, na faixa dos 19 ou 20 quilos por habitante ao ano. A produção no primeiro trimestre em toneladas cresceu em ritmo mais lento, de 2,6%. A expansão nos últimos anos também foi sustentada pelas exportações, especialmente para a China, que ampliou as compras após a peste suína africana (PSA) reduzir seu rebanho, entre 2018 e 2019. As vendas externas cresceram 11,6% em volume em 2025 (para 1,5 milhão de toneladas) e 19,3% em valor (para US$ 3,6 bilhões). O ritmo se manteve neste ano: no acumulado de 2026 até maio, o valor exportado cresceu 11,9% (para 653 mil toneladas). A produção chinesa, no entanto, vem se recuperando e desde 2023 supera os níveis pré-crise. Lopes, da ABCS, considera que o balanço entre custos e preços estava mais favorável ao produtor até 2025 e, neste ano, entrou em descompasso. Ele avalia que o quilo do suíno vivo (indicador do Cepea/Esalq) num patamar acima de R$ 7 garantiria remuneração adequada ao produtor. Esse valor vem sendo negociado entre R$ 5,30 e R$ 6, dependendo da localidade, levando criadores a operar com prejuízo ou retorno muito baixo. Por isso, o momento exige atenção. A suinocultura brasileira tem investido para elevar ainda mais seus padrões de eficiência e sustentabilidade. Dirceu Talamini, pesquisador na Embrapa Suínos e Aves e doutor em economia rural, explica que a cadeia passou nos últimos anos por forte modernização em genética, biosseguridade, ambiência, sanidade, nutrição, manejo, gestão e logística. Outra frente de trabalho essencial é a agregação de valor à carne suína, contemplando cortes diferenciados, produtos prontos para consumo, porções de tamanhos variados, novas receitas e temperos. Lopes, da ABCS, vê espaço para mais especialização na cadeia. “Quanto mais indústrias houver, mais bem remunerado será o produtor”, completa. O setor também se reorganiza por meio de consolidação. O cenário cria, para os grupos maiores, oportunidades de aquisição das operações de pequenos e médios produtores independentes, que vêm operando com margens apertadas. O processo ocorre num setor que já tem pouca participação dos independentes e se organiza preponderantemente pelos sistemas de cooperativismo e integração (modelo em que a agroindústria fornece animais, ração e outros insumos, para os produtores fazerem a criação e a engorda — o que mitiga riscos da atividade e assegura a destinação da produção).
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