
Ano 11 | nº 2792 | 08 de setembro de 2026
NOTÍCIAS
Boi China teve terceira alta na semana que passou
Indonésia habilita mais 21 plantas brasileiras
A cotação do “boi China” subiu R$ 2,00 por arroba na sexta-feira (4), em São Paulo, pelo segundo dia consecutivo e pela terceira vez na semana, segundo dados divulgados pelo informativo pecuário Tem Boi na Linha. O movimento ocorre em meio à cautela dos frigoríficos diante do desempenho das vendas de carne e à retração dos vendedores, que esperam melhores negócios. Em São Paulo, parte dos frigoríficos saiu das compras nesta sexta-feira para avaliar o comportamento das vendas de carne durante o fim de semana e o feriado de segunda-feira (7/9). Com o cenário ainda entre fraco e razoável no mercado interno, as indústrias mantêm uma postura cautelosa diante das especulações de alta. Segundo dados divulgados pelo Tem Boi na Linha, os frigoríficos estão comprando apenas o necessário para atender aos pedidos. As escalas de abate estavam, em média, programadas para oito dias.
Do lado vendedor, a oferta também está retraída. Diante das especulações de alta no mercado, os produtores aguardam melhores oportunidades de negociação. Mesmo com o menor volume de vendas de carne, a menor oferta de boiada contribuiu para a valorização do “boi China”. A categoria avançou R$ 2,00/@ na sexta-feira, registrando o segundo dia consecutivo de alta e a terceira valorização ao longo da semana. No Rio de Janeiro, a cotação do boi gordo subiu R$ 3,00/@ na sexta-feira. Para as demais categorias, os preços permaneceram estáveis. Segundo dados, as escalas de abate no estado estavam, em média, programadas para cinco dias. A movimentação do mercado ocorre paralelamente à ampliação do acesso da carne bovina brasileira ao mercado internacional. A Indonésia habilitou mais 21 estabelecimentos brasileiros para exportação, elevando para 73 o número de plantas autorizadas a atender o país, pertencentes a 26 empresas. As unidades habilitadas estão distribuídas por 10 estados: Acre, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Tocantins. De acordo com os dados divulgados no material, o Brasil exportou cerca de 43 mil toneladas de carne bovina para a Indonésia em 2025. Em 2026, até julho, os embarques somaram aproximadamente 39 mil toneladas. A ampliação das habilitações reforça a importância da Indonésia como destino para a carne bovina brasileira e amplia o espaço para novas parcerias. No cenário atual de mudanças nas relações comerciais, a abertura e a consolidação de novos destinos ganham importância estratégica para a diversificação dos mercados, especialmente enquanto não se regulariza, por exemplo, o acesso ao mercado da União Europeia.
SCOT CONSULTORIA
Preços do boi gordo finalizam a semana passada em nova alta
Escalas de abate encurtadas de frigoríficos de menor porte elevam a média do valor praticado
O mercado físico do boi gordo encerra a semana ainda apresentando moderado movimento de alta.
O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias chama a atenção para a discrepância dos preços no mercado físico em comparação ao futuro, em especial quando se trata do vencimento setembro, muito acima das negociações registradas no balcão de São Paulo. “No contexto geral o ambiente de negócios ainda sugere por alguma alta, em especial quando se trata de negociações envolvendo frigoríficos de menor porte, que encontram maior dificuldade na composição das suas escalas de abate”, pontua. Segundo Iglesias, os frigoríficos de maior porte ainda contam com a incidência de animais de parceria e utilizam confinamento próprio para atender suas necessidades. Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 346,75. Goiás: R$ 335,89. Minas Gerais: R$ 335,29. Mato Grosso do Sul: R$ 344,20. Mato Grosso: R$ 329,59. O mercado atacadista inicia o mês de setembro com preços mistos, com vendas mais fracas do que o previsto inicialmente. “É válido mencionar que a carne bovina perde em competitividade na comparação com as proteínas concorrentes, em especial ante a carne de frango e os ovos”, ressalta o analista. Iglesias ressalta que a expectativa é de um mês complexo em termos de venda, uma vez que há poucos pontos de consumo. Quarto traseiro: R$ 26,50 por quilo, alta de R$ 0,50. Quarto dianteiro: R$ 19,00, por quilo, queda de R$ 1,00. Ponta de agulha: R$ 18,50, por quilo, baixa de R$ 0,30. As exportações de carne bovina in natura do Brasil renderam US$ 1,206 bilhão em agosto (21 dias úteis), com média diária de US$ 57,463 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A quantidade total exportada pelo país chegou a 195,715 mil toneladas, com média diária de 9,319 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.165,70. Em relação a agosto de 2025, houve baixa de 19,7% no valor médio diário da exportação, queda de 27,1% na quantidade média diária exportada e avanço de 10,1% no preço médio.
SAFRAS NEWS
Exportações de carne bovina para a China em agosto caíram a menor nível desde 2021
Desempenho já era esperado por conta do esgotamento precoce da cota chinesa. Embarques de carne bovina à China somaram 16,080 mil toneladas em agosto, volume quase 90% inferior ao do mesmo mês de 2025
As exportações brasileiras de carne bovina à China somaram 16,080 mil toneladas em agosto, volume quase 90% inferior às 158,06 mil toneladas enviadas ao país em igual mês do ano passado, de acordo com relatório da Safras Consultoria, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em julho, as exportações já tinham sido 47,8% menores do que no mesmo mês de 2025, com 82,7 mil toneladas. O volume de agosto representou o pior desempenho das exportações brasileiras do produto aos chineses desde dezembro de 2021, quando o Brasil estava impedido de vender carne bovina ao país em razão da suspeita de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EBB), mais conhecida como “doença da vaca louca”, conforme a Safras. “Esse desempenho já era esperado, pelos embarques muito aquém do habitual, por conta do esgotamento precoce da cota disponibilizada pela China”, disse a consultoria em relatório. “O Brasil segue apostando na diversificação para conseguir evoluir nos embarques, mas substituir a China tem se mostrado uma tarefa complexa.” Pelos cálculos da consultoria, o Brasil já extrapolou o volume de 1,106 milhão de toneladas que a China estabeleceu para o país exportar sem aplicação de tarifa adicional de 55%. Foram 1,205 milhão de toneladas, considerando as cerca de 176,4 mil embarcadas em novembro e pouco mais de 149,5 mil enviadas aos chineses em dezembro, que chegaram aos portos da China em 2027 e, por isso, foram contabilizadas na cota de 2026. Já pelos dados oficiais chineses, que contabilizam os volumes que desembarcaram no país, o Brasil utilizou 91,53% de sua cota, de acordo com a Safras. A Austrália também utilizou a totalidade do volume sem tarifa extra, ou 101,61%; a Argentina usou 52,4%; Uruguai, 28,05%; Nova Zelândia, 36,44%; e Estados Unidos, 0,6% de uma cota de 164 mil toneladas.
VALOR ECONÔMICO
Mercado do boi gordo encerrou a semana passada com preços estáveis e cautela nos negócios
Exportações brasileiras de carne bovina caíram em agosto. Parte dos frigoríficos saiu das compras de gado para avaliar como será o desempenho das vendas de carne no fim de semana e no feriado
O mercado pecuário encerrou a semana passada com estabilidade e cautela nos negócios, informa a Scot Consultoria. Na sexta-feira (4/9), parte dos frigoríficos saiu das compras de gado para avaliar como será o desempenho das vendas de carne neste fim de semana e no feriado do Dia da Independência (7/9), para se posicionar. Até o momento, o escoamento de carne bovina no mercado interno está entre fraco e razoável. Com isso, as indústrias estão cautelosas em meio às especulações de alta e compram apenas o necessário para atender os pedidos. Do outro lado, diante das especulações de alta no mercado, a ponta vendedora está retraída, na expectativa de melhores negócios. Na sexta-feira, das 33 regiões monitoradas pela Scot Consultoria, 29 não tiveram alterações nos preços do boi gordo na comparação diária. Houve quedas em Três Lagoas (MS), sul da Bahia e noroeste do Paraná, enquanto no Rio de Janeiro as cotações subiram. Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado, o preço do boi gordo seguiu em R$ 345 a arroba para o pagamento em 30 dias. As cotações da vaca e da novilha também não mudaram. Já o preço do “boi China” subiu R$ 2, para R$ 350 a arroba. Foi o segundo dia consecutivo de alta e a terceira vez nesta semana. Já o indicador Cepea/Esalq do boi gordo, baseado nos negócios realizados no Estado de São Paulo, fechou a semana com a cotação de R$ 347,70 a arroba, uma alta de 0,96% nos primeiros quatro dias de setembro. Em uma semana, o avanço acumulado foi de 0,68%. No mercado de reposição, o indicador do bezerro, baseado no Mato Grosso do Sul, fechou a sexta-feira com o preço médio de R$ 3.397,99 a cabeça, uma queda acumulada de 0,16% no início de setembro e de 0,19% na comparação semanal. Os dados de exportação de agosto, divulgados na sexta-feira pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), confirmam redução nos embarques de carne bovina in natura em agosto. Foram embarcadas 195.715 toneladas. No mesmo mês do ano passado, o volume foi de 268.562 toneladas, o que representa um recuo de 27,12%. Por outro lado, o preço médio pago por tonelada foi de US$ 6.165,74. Em comparação com agosto do ano passado (US$ 5.600,47), houve aumento de 10,1%.
GLOBO RURAL
Bezerro valoriza mais que boi magro e boi gordo em 2026
Menor oferta eleva preço do bezerro
Os preços dos bovinos de reposição seguem em alta no mercado brasileiro em 2026, em meio à menor oferta e à demanda firme para recria e terminação. Segundo dados divulgados pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), com base em análise quinzenal do Cepea, a valorização é mais acentuada entre os bezerros. Entre janeiro e agosto, os valores deflacionados pelo IGP-DI avançaram 7,83% para o bezerro, considerando o Indicador CEPEA/ESALQ de Mato Grosso do Sul. No mesmo período, o boi magro acumulou alta de 1,77%, enquanto o boi gordo registrou valorização de 5,89%. Segundo dados divulgados pelo Deral/Seab, a menor disponibilidade de bezerros está relacionada ao aumento do descarte e dos abates de fêmeas em períodos de cotações elevadas e oferta enxuta de animais. O movimento reduziu a disponibilidade da categoria para reposição. Com a oferta menor, os bezerros passaram a apresentar a maior valorização entre os animais analisados. A alta acumulada de 7,83% entre janeiro e agosto reflete esse cenário de menor disponibilidade no mercado brasileiro. Para o boi magro, a procura por animais de melhor qualidade e com potencial de ganho de peso mantém as cotações sustentadas. A valorização, porém, tem sido mais limitada. Segundo dados divulgados pelo Deral/Seab, um dos fatores que restringem a alta do boi magro é a menor demanda dos confinadores. Em 2026, esses agentes demonstram maior cautela diante das incertezas nos mercados da China, Europa e Estados Unidos. As perspectivas de rentabilidade da terminação também influenciam o comportamento da demanda. Com maior cautela por parte dos confinadores, o ritmo de valorização do boi magro permanece abaixo do observado entre os bezerros. O mercado de reposição, portanto, atravessa 2026 com comportamentos diferentes entre as categorias. Enquanto a oferta mais restrita impulsiona a valorização dos bezerros, a procura seletiva por animais de qualidade sustenta os preços do boi magro, mas encontra limites na cautela dos confinadores. Segundo dados divulgados pelo Deral/Seab, o cenário combina menor disponibilidade de animais de reposição com demanda firme para recria e terminação, ao mesmo tempo em que as incertezas nos mercados externos e as perspectivas de rentabilidade influenciam as decisões dos confinadores.
DERAL/SEAB-PR
Mercado do boi gordo: as cotações subiram no Espírito Santo
Oferta mais enxuta sustentou a valorização da arroba do boi gordo, da vaca e da novilha.
Apesar da demanda mais arrefecida por parte da ponta compradora, a primeira semana de setembro foi marcada pela alta da arroba no mercado do boi gordo no Espírito Santo, sustentada principalmente pela oferta mais enxuta. Assim, na comparação semanal, as cotações subiram para as três categorias. A cotação da arroba do boi gordo subiu 0,9%, ou R$3,00, negociada, em média, a R$334,50. Tanto para a vaca gorda quanto para a novilha gorda, a cotação da arroba subiu 1,3%, ou R$4,00, comercializadas, em média, a R$312,00 e R$321,50, respectivamente. O diferencial de base está em R$5,00/@, ou 1,5% menor, com a arroba do boi gordo em São Paulo cotada em R$339,50. Todos os preços são a prazo, descontados o Senar e o Funrural. Para o curto prazo, a expectativa é de estabilidade a alta, com a demanda por carne bovina podendo aumentar, sustentada pelo recebimento salarial.
SCOT CONSULTORIA
Sem China, exportação de carne bovina cai 23% em relação a 2025
Vendas externas de agosto ficaram em 225 mil toneladas, abaixo também do recorde de 317 mil toneladas de junho. Apesar dessa queda, exportação de proteína animal em geral bate recorde de US$ 23 bi
As exportações brasileiras de carne bovina recuaram para 225 mil toneladas em agosto, 23% a menos do que as do mesmo mês do ano passado. Em comparação com o recorde de 317 mil toneladas registrado em junho deste ano, quando o mercado estava aquecido devido às antecipações de compras, a retração é de 29%. As antecipações ocorreram porque a cota chinesa para a carne bovina brasileira sem a taxa extra de 55% já estava sendo completada, e a União Europeia anunciava restrições às importações de proteína animal brasileira a partir de setembro. A China é a responsável por essa desaceleração de agosto. Foram enviadas apenas 16,1 mil toneladas dessa proteína para o país asiático no mês passado, volume bem inferior ao recorde de 158 mil de junho. Europeus e americanos compensaram, em parte, a queda das importações da China. Livres das pesadas taxas do ano passado, os brasileiros colocaram 35 mil toneladas de carne bovina no mercado americano em agosto, acima das 26 mil de junho. Já os europeus, com a proximidade do embargo às compras do produto brasileiro, que entrou em vigor neste mês elevaram as importações para 23,3 mil toneladas no mês passado, bem acima das 12,5 mil de julho, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). Apesar da perda de ritmo das exportações de carne bovina, o setor de proteínas animais continua aquecido neste ano. Incluindo as carnes bovina, de frango e suína, o país já colocou 7 milhões de toneladas no mercado externo de janeiro a agosto, 11% a mais do que em igual período do ano passado. Em valores, a soma sobe para o recorde de US$ 23 bilhões, 20% a mais do que no mesmo período do ano anterior. A China importou 1,3 milhão de toneladas de carne do Brasil até agosto, o mesmo volume de 2025. Houve redução nas compras das carnes bovina e suína, mas aumento nas de frango. Essa alta ocorre porque os chineses passaram boa parte do ano passado sem adquirir carne brasileira de frango, devido à primeira ocorrência de gripe aviária no país. Com a volta da China e da União Europeia, as exportações brasileiras de carne de frango já estão próximas de 4 milhões de toneladas neste ano e rendem US$ 7,6 bilhões. Ásia e África também elevaram as compras. O Brasil aumentou também as exportações de carne suína, que já atingem 1 milhão de toneladas, com receitas de US$ 2,43 bilhões. Filipinas, com 184 mil, e Japão, com 127 mil, lideram as compras desses produtos brasileiros. A China, que chegou a ser a maior importadora, adquirindo 391 mil toneladas de janeiro a agosto de 2021, reduziu as compras para 89 mil toneladas neste ano. Os chineses, após a ocorrência da peste suína, refizeram toda a estrutura de produção de carne suína, estão com uma oferta superior ao consumo e reduzem as importações. Mesmo com a queda de compras da China, os brasileiros ampliaram as vendas para o mercado asiático, que adquiriu 680 mil toneladas até agosto, 10% a mais do que em igual período de 2025. O Brasil, que vem com um ritmo acelerado de produção e de exportação de proteínas nos anos recentes, vai encontrar um cenário bem diferente nestes últimos meses do ano. As exportações de carne bovina para a China agora estão com uma taxa de 67%, e a União Europeia também impôs barreiras às proteínas brasileiras a partir deste mês. No caso da China, o Brasil volta a ter nova cota sem os 55% a partir de janeiro. No da União Europeia, o período de interrupção das compras será mais longo.
FOLHA DE SP
Virada do ciclo pecuário deve reduzir abate e produção de carne bovina no Brasil em 2027
USDA projeta queda de 2,6% nos abates e de 2% na produção, enquanto retenção de fêmeas favorece aumento da oferta de bezerros
A pecuária brasileira deve entrar em 2027 com os efeitos mais claros da virada do ciclo pecuário, caracterizada pela redução do abate, menor produção de carne bovina e avanço da retenção de animais para recomposição do rebanho. Apesar da oferta mais ajustada, a demanda internacional deve continuar funcionando como importante sustentação para o setor exportador brasileiro. A avaliação consta de levantamento feito pela consultoria Terra Investimentos/Terra Agro Insights, elaborado a partir do relatório Livestock and Products Annual, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na última quinta-feira (3). O documento confirma a expectativa de redução dos abates brasileiros em 2027 em razão do início da fase de reconstrução do rebanho. Segundo os números compilados pela consultoria, o abate de bovinos deverá alcançar 48,2 milhões de cabeças em 2027, queda de 2,6% em relação à estimativa para 2026. Como consequência, a produção brasileira de carne bovina é projetada em 12 milhões de toneladas equivalente-carcaça, recuo de 2%. O movimento ocorre simultaneamente à recuperação da produção de bezerros. A projeção aponta para 50 milhões de bezerros nascidos em 2027, crescimento de 3,6% sobre a estimativa deste ano. Com menos carne disponível, o USDA projeta também uma redução do consumo brasileiro. A estimativa apresentada pela Terra Investimentos é de 7,94 milhões de toneladas equivalente-carcaça em 2027, queda de 2% frente à projeção de 2026. As exportações são estimadas em 4,10 milhões de toneladas equivalente-carcaça, apenas 1% abaixo da previsão para este ano. Mesmo atravessando uma fase de menor oferta, o país deve permanecer como maior produtor e exportador mundial de carne bovina, segundo o USDA. Já as exportações brasileiras de gado vivo deverão sentir uma retração bem mais expressiva. A projeção é de 1 milhão de cabeças em 2027, queda de 20%, frente ao recorde estimado de 1,25 milhão de animais em 2026. O relatório chama atenção ainda para três mercados que poderão determinar o comportamento das exportações brasileiras ao longo de 2027: China, Estados Unidos e União Europeia. No caso chinês, a consultoria destaca o impacto da cota de 1,11 milhão de toneladas. Em 2026, esse volume foi preenchido em meados de julho. Mantido o ritmo dos embarques, a cota referente a 2027 poderia ser atingida já em abril, tornando a administração dos volumes destinados ao principal comprador brasileiro um ponto estratégico para o setor. Os Estados Unidos, por outro lado, permanecem como uma oportunidade importante. A oferta norte-americana continua apertada, ampliando sua necessidade de importação e favorecendo fornecedores externos. Já na União Europeia, o cenário é mais desafiador. As novas exigências relacionadas à resistência antimicrobiana passaram a restringir o acesso de produtos brasileiros ao bloco a partir de 3 de setembro, adicionando uma nova variável ao comércio internacional de proteínas. O quadro projetado para 2027 mostra, portanto, duas forças atuando simultaneamente sobre a pecuária brasileira. De um lado, a virada do ciclo reduz a disponibilidade de bovinos para abate e limita a produção de carne. Do outro, a demanda externa continua suficientemente forte para manter os embarques próximos aos níveis atuais.
LIVESTOCK AND PRODUCTS ANNUAL – USDA
ECONOMIA
Dólar fecha em alta ante real após dados de emprego nos EUA
O dólar fechou a sexta-feira em alta ante o real após dados do governo dos EUA indicarem geração de postos de trabalho acima do esperado no país em agosto, enquanto no Brasil a disputa pela Presidência seguiu no radar dos investidores.
O dólar à vista fechou a sessão com ganho de 0,50%, a R$5,1296, mas ainda assim encerrou a semana com queda acumulada de 1,28%. No ano, a divisa acumula baixa de 6,55%. Às 17h09, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,49% na B3, aos R$5,1565. Relatório do Departamento do Trabalho dos EUA mostrou que a economia norte-americana criou 162 mil postos de trabalho em agosto, quase três vezes a projeção de 56 mil vagas calculada por economistas ouvidos pela Reuters. A taxa de desemprego no país ficou em 4,1% em agosto, em linha com o esperado. Após a divulgação, os rendimentos dos Treasuries ganharam força — em especial os de curto prazo, em meio às apostas de que o Federal Reserve poderá subir juros no curto prazo. O dólar também ganhou força ao redor do mundo, firmando-se em alta ante boa parte das demais divisas, incluindo o real. No Brasil, porém, parte das atenções seguiu voltada para a corrida presidencial. A nova pesquisa do Datafolha, publicada na noite de quinta-feira, mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 46% das intenções de voto na simulação de segundo turno, contra 44% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os dois estão em empate técnico, já que a margem de erro é de 2 pontos percentuais. O resultado representa uma diminuição numérica da distância entre Lula e Flávio. No levantamento anterior, eles tinham 47% e 43%, respectivamente. Durante a tarde, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que a balança comercial brasileira registrou superávit de US$7,394 bilhões em agosto, com as vendas para os EUA apresentando alta apesar das tarifas.
REUTERS
Ibovespa fecha com declínio modesto, mas tem 2ª melhor semana do ano com estrangeiro
O Ibovespa fechou com um declínio discreto na sexta-feira, pressionado principalmente pelas ações da Petrobras, mas assegurou o segundo melhor desempenho semanal do ano com o retorno de estrangeiros e a disputa presidencial no foco.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,16%, a 184.890,49 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 186.544,81 pontos na máxima e 183.251,93 pontos na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somava R$19,05 bilhões antes dos ajustes finais, em dia também marcado pela repercussão de dados do mercado de trabalho norte-americano. Na semana, o Ibovespa acumulou uma valorização de 5,25%, conforme as informações preliminares. No ano, só perde para a alta de 8,53% registrada na semana encerrada em 23 de janeiro.
REUTERS
Preços mundiais dos alimentos atingem maior nível desde 2022, em meio a riscos de oferta, diz FAO
Os preços mundiais dos alimentos subiram em agosto para o nível mais alto desde o final de 2022, à medida que condições climáticas adversas e perturbações causadas pela guerra no Mar Negro aumentaram a preocupação com o abastecimento de alimentos básicos, informou na sexta-feira a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
O calor extremo e a seca na Europa, a ameaça de um fenômeno climático El Niño severo e as turbulências comerciais causadas pelas guerras na Ucrânia e no Irã abalaram os mercados agrícolas, levando os preços dos grãos a máximas de três anos e os do açúcar a um pico de um ano. O Índice de Preços de Alimentos da FAO, que acompanha as variações mensais de uma cesta de commodities alimentícias comercializadas internacionalmente, registrou média de 133,3 pontos em agosto, acima dos 130,8 pontos revisados de julho. Esse foi o maior valor desde novembro de 2022, embora esteja quase 17% abaixo do pico recorde registrado em março de 2022, após a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia. “O aumento dos preços globais dos alimentos em agosto é um alerta de que o prêmio de risco está retornando aos mercados de alimentos: choques climáticos, tensões geopolíticas e interrupções na logística comercial estão convergindo para restringir as expectativas de oferta”, afirmou o economista-chefe da FAO, Máximo Torero, em comunicado. Os índices de referência da FAO para cereais, óleos vegetais, açúcar, carne e laticínios subiram em agosto. As condições climáticas extremas na Europa afetaram as perspectivas para as safras de milho e beterraba sacarina, bem como a produção pecuária, enquanto o El Niño previsto alimentou preocupações com a produção de óleo de palma e açúcar na Ásia, informou a organização. A escalada dos ataques no Mar Negro reduziu os embarques de grãos da Rússia e da Ucrânia em meio à guerra que já dura quatro anos e meio, enquanto o conflito entre os EUA e o Irã estava prejudicando o fluxo de fertilizantes para as culturas. Entre as categorias de alimentos, o índice de preços de cereais da FAO subiu 2,2% em relação ao mês anterior, atingindo o nível mais alto desde maio de 2024, e o índice de óleos vegetais subiu 0,6%, atingindo uma máxima desde junho de 2022. O índice de referência da agência para o açúcar saltou 11,9%, atingindo o maior nível desde junho de 2025, com a menor produção na crucial região centro-sul do Brasil somando-se às preocupações climáticas na Europa e na Ásia.
REUTERS
Balança comercial registra superávit de US$ 7,39 bi em agosto, alta de 23,8%
Exportações somaram US$ 33,158 bilhões, alta de 12,2%, e as importações alcançaram US$ 25,764 bilhões, alta de 9,2%
A balança comercial registrou superávit de US$ 7,394 bilhões em agosto. O número foi divulgado na sexta-feira (4) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O resultado foi 23,8% superior ao registrado no mesmo período de 2025, cujo saldo foi positivo de US$ 6,0 bilhões. As exportações somaram US$ 33,158 bilhões em agosto, alta de 12,2%. Já as importações alcançaram US$ 25,764 bilhões, alta de 9,2%. No acumulado do ano, o superávit foi de US$ 55,318 bilhões, alta de 28,2%. As exportações somaram US$ 250,855 bilhões, alta de 10,3%. Já as importações alcançaram US$ 195,538 bilhões, alta de 6,1%. A corrente de comércio, soma de exportações e importações, alcançou US$ 446,393 bilhões, alta de 8,4%. As exportações brasileiras para China, um dos principais destinos dos produtos brasileiros, caíram 10,9% em agosto, em relação ao mesmo mês do ano anterior. Recuou de US$ 9,361 bilhões para US$ 8,340 bilhões. Já para os Estados Unidos, as exportações tiveram uma alta de 12,1% no mesmo período, de US$ 2,845 bilhões para US$ 3,190 bilhões. De acordo com o Mdic, as vendas totais para a Ásia subiram 0,7%, para US$ 13,571 bilhões. Na mesma base de comparação, as vendas para a América do Norte subiram 11,5%. Para a América do Sul, caíram 1,5%, enquanto para a Europa avançou 44,9%. As exportações agropecuárias cresceram 11,4% em agosto, em relação ao mesmo mês do ano anterior. No caso da indústria extrativa, houve alta de 16,4%, enquanto no caso da indústria de transformação houve alta de 10,2%.
VALOR ECONÔMICO
GOVERNO
Brasil amplia exportação de carne bovina à Indonésia
Brasil agora tem 73 plantas autorizadas a exportar carne bovina para a Indonésia. As novas habilitações são resultado das negociações conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) junto às autoridades indonésias.
A carne bovina brasileira ganhou espaço no mercado da Indonésia com a habilitação de 21 novos estabelecimentos para exportação. Após a aprovação, o país asiático passou a contar com 73 SIFs brasileiros autorizados, pertencentes a 26 empresas. A aprovação ocorreu após auditoria realizada pela Direção-Geral de Pecuária e Saúde Animal (DGLAHS), do Ministério da Agricultura da Indonésia, entre 27 de junho e 5 de julho de 2026. Foram 21 estabelecimentos brasileiros auditados e que foram habilitados. As novas autorizações contemplam unidades da Frigomarca, Frigorífico Silva, Frigosul, Golden Imex, JBS, Masterboi, Naturafrig e Plena. Os estabelecimentos estão distribuídos pelos estados do Acre, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Tocantins. Desde 2025, o Brasil recebeu 52 novas habilitações para atender ao mercado indonésio. Com isso, o número de plantas autorizadas passou de 21 para 73, crescimento de cerca de 247%. A rodada anterior de habilitações ocorreu em setembro de 2025, quando 17 novas unidades brasileiras foram autorizadas segundo o Mapa. No mesmo ano, a Indonésia também ampliou o acesso da carne bovina brasileira para produtos como carne com osso, miúdos, produtos cárneos e preparados de carne. O avanço das autorizações acompanha o crescimento da relação comercial entre os dois países. Segundo dados divulgados pela Secex, o Brasil exportou 43,2 mil toneladas de carne bovina para a Indonésia em 2025. Com esse volume, a Indonésia encerrou o ano como o 13º maior destino da carne bovina brasileira. O país asiático tem mais de 280 milhões de habitantes e representa um mercado relevante para a estratégia brasileira de diversificação dos destinos das exportações.
MAPA/AGROLINK
INTERNACIONAL
Tarifas mudam rota da carne australiana: vendas à China despencam e EUA absorvem maior volume
As mudanças tarifárias impostas por alguns dos principais compradores de carne bovina da Austrália já começam a alterar de forma clara o destino das exportações do país.
Em agosto, os embarques australianos somaram 128,8 mil toneladas, queda de 10% em relação a julho. Segundo o Beef Central, porém, boa parte dessa redução está relacionada à menor produção durante o inverno australiano, e não necessariamente a uma retração da demanda internacional. No acumulado de janeiro a agosto, a Austrália já exportou 1,078 milhão de toneladas de carne bovina, volume 9% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Por trás desse desempenho positivo, entretanto, há uma mudança importante na distribuição dos embarques entre os principais mercados. A maior transformação aconteceu na China. Em agosto, os embarques australianos para o mercado chinês ficaram em apenas 7,79 mil toneladas. No mesmo mês de 2025, haviam alcançado 22,3 mil toneladas — quase três vezes o volume atual. A queda está diretamente relacionada ao sistema de cotas adotado pela China. A Austrália atingiu sua cota de 205 mil toneladas para 2026 ainda em 19 de junho. Desde então, os embarques que excedem o limite estão sujeitos a uma tarifa de 55%. Mesmo com a tarifa elevada, o comércio não parou completamente. Cortes de maior valor, incluindo carne Wagyu e Angus com maior marmoreio, continuam chegando aos segmentos premium do varejo e do food service chinês. Antes de a cota ser atingida, alguns importadores chineses também aumentaram seus estoques de carne australiana para garantir produto durante o restante do ano. A cota será zerada e reiniciada em 1º de janeiro. Enquanto a China perde participação, os Estados Unidos seguem comprando grandes volumes. A Austrália embarcou 43,98 mil toneladas para os EUA em agosto, alta de 8% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, o volume já chega a 335,2 mil toneladas, crescimento de 17%.
A demanda americana tem sido sustentada pela baixa produção doméstica e pela ausência de importações de bovinos vivos do México, entre outros fatores. Parte da carne que perdeu espaço no mercado chinês também vem sendo direcionada aos compradores americanos. Esse movimento, porém, pode enfrentar um novo elemento nos próximos meses: a concorrência brasileira. Segundo a publicação australiana, o mercado acompanha os possíveis efeitos da retirada temporária da tarifa de 26,4% que incidia sobre determinadas importações brasileiras pelos Estados Unidos. Com o Brasil também próximo de atingir sua cota no mercado chinês, existe a expectativa de maior direcionamento da carne brasileira para os EUA. Outros mercados asiáticos ajudaram a absorver parte da oferta australiana. O Japão importou 25,79 mil toneladas em agosto, crescimento de 32% sobre o mesmo mês do ano passado. No acumulado de 2026, as compras japonesas chegam a 176,2 mil toneladas, 10% acima de 2025. Já a Coreia do Sul apresentou movimento semelhante ao observado na China. O país atingiu sua cota anual em 23 de julho, fazendo com que uma tarifa adicional de 24% passasse a incidir sobre a carne australiana. Como resultado, os embarques caíram de um recorde de 29,07 mil toneladas em julho para 17,69 mil toneladas em agosto, redução de 41% em apenas um mês. Os números de agosto mostram que a demanda internacional pela carne australiana permanece elevada, mas as barreiras comerciais estão provocando uma redistribuição dos embarques. China e Coreia do Sul perderam força após o acionamento de tarifas associadas às cotas, enquanto Estados Unidos e Japão ampliaram suas compras.
BEEF CENTRAL
SUÍNOS & FRANGOS
Superoferta de suínos derruba preços e aumenta prejuízos dos produtores no Brasil
Maior disponibilidade de animais e carne suína pressionou as cotações em agosto, enquanto queda no preço médio das exportações reduziu o suporte oferecido pelo mercado externo
A elevada oferta de suínos para abate aprofundou a pressão sobre os preços da suinocultura brasileira em agosto. As cotações do animal vivo recuaram nas principais regiões produtoras, enquanto os valores da carcaça e dos cortes comercializados no atacado também perderam força. Embora as exportações brasileiras de carne suína tenham mantido bom desempenho em volume, a redução do preço médio dos embarques limitou a capacidade do mercado externo de compensar as perdas registradas dentro do país. O cenário elevou a apreensão entre os produtores, que enfrentam margens cada vez mais apertadas. De acordo com o analista e consultor da Safras & Mercado, Allan Maia, agosto foi marcado por um ambiente desfavorável às cotações em todo o Brasil. A ampla disponibilidade de animais prontos para o abate permitiu que as indústrias adotassem uma postura mais conservadora nas negociações. O crescimento da oferta também foi influenciado pelo elevado ritmo de abates observado no mês anterior. Em julho, o Brasil registrou o segundo maior volume mensal de abate de suínos de sua história, ampliando a disponibilidade de carne no mercado doméstico. Com excedente tanto de animais vivos quanto de carne no atacado, os frigoríficos encontraram pouca necessidade de elevar as propostas de compra. Esse desequilíbrio entre oferta e demanda bloqueou qualquer tentativa de recuperação dos preços pagos aos suinocultores. O levantamento mensal da Safras & Mercado mostrou queda generalizada nas principais praças brasileiras. No Centro-Sul, o preço médio do suíno vivo recuou 4,42%, passando de R$ 5,00 para R$ 4,77 por quilo. A carcaça suína apresentou desvalorização de 2,91%, com a cotação média diminuindo de R$ 7,73 para R$ 7,50 por quilo. No atacado, o pernil caiu 1,19%, de R$ 9,60 para R$ 9,49 por quilo. Em São Paulo, a arroba suína recuou de R$ 97 para R$ 95. A retração confirma a dificuldade do setor em sustentar os valores diante do aumento da disponibilidade de carne e da postura cautelosa adotada pelos compradores. Nos três estados do Sul, principal região produtora de carne suína do país, os preços também encerraram agosto em queda. No Rio Grande do Sul, o quilo do suíno vivo comercializado no sistema de integração passou de R$ 5,05 para R$ 4,80. No interior gaúcho, a cotação caiu de R$ 4,85 para R$ 4,65. Em Santa Catarina, o preço na integração recuou de R$ 4,95 para R$ 4,65 por quilo. No mercado do interior catarinense, o valor diminuiu de R$ 4,80 para R$ 4,60. No Paraná, o suíno vivo negociado no mercado independente passou de R$ 4,80 para R$ 4,60 por quilo. Já no sistema integrado, a cotação caiu de R$ 5,40 para R$ 5,05. A pressão também se espalhou pelas demais regiões produtoras. Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, o preço do quilo vivo caiu de R$ 4,90 para R$ 4,70. Na integração estadual, a referência recuou de R$ 4,95 para R$ 4,65. Em Goiás, a cotação em Goiânia passou de R$ 5,00 para R$ 4,90 por quilo. No interior de Minas Gerais, o preço caiu de R$ 5,30 para R$ 5,00. No mercado independente mineiro, a retração foi de R$ 5,40 para R$ 5,20 por quilo. Em Mato Grosso, o suíno vivo negociado em Rondonópolis recuou de R$ 5,20 para R$ 5,00. Na integração estadual, a cotação diminuiu de R$ 4,95 para R$ 4,65. O comércio internacional continua absorvendo uma parcela importante da produção brasileira. Em agosto, considerando 15 dias úteis, as exportações de carne suína in natura geraram receita de US$ 184,187 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior. O volume embarcado alcançou 78,649 mil toneladas, equivalente a uma média diária de 5,243 mil toneladas. A receita média por dia útil ficou em US$ 12,279 milhões, enquanto o preço médio foi de US$ 2.341,90 por tonelada. Na comparação com agosto de 2025, a quantidade média diária exportada aumentou 2,4%. Entretanto, o preço médio caiu 9,2%, provocando uma redução de 7% na receita média diária. O crescimento dos embarques ajuda a reduzir parte da disponibilidade doméstica, mas a desvalorização do produto no exterior diminui os resultados financeiros das vendas internacionais. Com menor remuneração por tonelada, as exportações perdem força como instrumento de compensação para a retração observada no mercado brasileiro. O setor passa a depender de uma combinação entre maior demanda interna, ajuste na oferta de animais e recuperação dos preços internacionais para restabelecer as margens. Enquanto esse equilíbrio não ocorre, os suinocultores permanecem pressionados por cotações mais baixas e prejuízos crescentes. A evolução dos abates, o comportamento do consumo doméstico e o ritmo das exportações serão determinantes para a formação dos preços da carne suína nos próximos meses.
PORTAL DO AGRONEGÓCIO
Frango/Cepea: Valores da carne reagem após dois meses de quedas
O preço médio mensal da carne de frango apresentou pequena recuperação em agosto na maior parte das praças acompanhadas pelo Cepea.
De acordo com o Centro de Pesquisas, o movimento esteve atrelado, sobretudo, ao aquecimento da demanda interna, especialmente no início do mês, e ao bom ritmo das exportações. Quanto à oferta, por sua vez, está mais ajustada à demanda. Segundo pesquisadores do Cepea, para este início de setembro, o setor projeta incremento nas vendas internas da carne, sustentado pelo aquecimento da demanda em razão do pagamento de salários previsto no período, o que já vem sendo percebido por agentes consultados pelo Cepea.
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