CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2791 DE 04 DE SETEMBRO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2791 | 04 de setembro de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: cotação reage em São Paulo

Oferta controlada e maior interesse de compra sustentam alta do boi China e da novilha. Apesar das vendas de carne não terem ganhado a força esperada, a oferta controlada e a maior iniciativa dos compradores na aquisição de boiadas fizeram com que a cotação da arroba do “boi China” e da novilha subisse. Na comparação feita dia a dia, a cotação de ambas as categorias subiu R$3,00/@.

O ágio entre o boi gordo e o “boi China” era de R$3,00/@. A diferença entre as categorias estava estreita, e o ágio observado era mais uma banda de referência para os negócios do que um prêmio. Na média, as escalas de abate cobriam uma semana. Uma parte da indústria, porém, estava programada para a primeira quinzena do mês e fazia ofertas abaixo das referências. Apesar da oferta controlada, não se tratava de um quadro de escassez de matéria-prima e se as vendas não ganhassem força a pressão baixista tendia a voltar ao mercado. Na Bahia, em relação ao dia anterior, a cotação nas praças pecuárias baianas subiu R$2,00/@ para as fêmeas. As escalas de abate estavam curtas e atendiam, em média, entre três e cinco dias. No Espírito Santo, a oferta de gado estava enxuta, o que sustentou o mercado. Entre as fêmeas, a oferta mais restrita trouxe altas para as categorias. Na comparação feita dia a dia, alta de R$2,00/@ na cotação da vaca e da novilha. Para o boi gordo e o “boi China”, estabilidade. As escalas de abate atendiam, em média, a cinco dias.

SCOT CONSULTORIA

Boi gordo: preços voltam a subir com encurtamento das escalas de abate

No atacado, há perspectiva de alta no curtíssimo prazo, mas elevada disponibilidade de carne suína, de frango e ovos limita elevação acentuada

O mercado físico do boi gordo registrou preços mais altos nas principais praças de produção e comercialização do país ao longo da quarta-feira (2). O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias ressalta que as escalas de abate estão mais curtas neste início de mês. “Temos expectativa de aquecimento nos preços da carne no atacado na primeira quinzena, período de crescimento sazonal do consumo”, disse. Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 345,17 — ontem: R$ 344,85. Goiás: R$ 335,32 — ontem: R$ 334,46. Minas Gerais: R$ 334,00 — ontem: R$ 333,82. Mato Grosso do Sul: R$ 343,32 — ontem: R$ 337,36. Mato Grosso: R$ 327,77 — ontem: R$ 327,32. O mercado atacadista registrou preços estáveis no dia. Segundo Iglesias, há perspectiva de alta no curtíssimo prazo, mas em contrapartida, a elevada disponibilidade de carne suína, carne de frango e ovos mantém essas proteínas altamente competitivas e limita o potencial de valorização da carne bovina. Quarto traseiro: permanece cotado a R$ 26 por quilo. Quarto dianteiro: segue negociado a R$ 20,00 por quilo. Ponta de agulha: continua precificada a R$ 18,80 por quilo.

SAFRAS NEWS

Boi/Cepea: Indicador avança 10% em um ano

As cotações do boi gordo estiveram firmes em agosto, diante sobretudo da oferta mais restrita de animais prontos para abate.

Segundo pesquisadores do Cepea, a expectativa de preços ainda maiores no curto prazo deixou pecuaristas retraídos das vendas de novos lotes. Na primeira quinzena de agosto, o Indicador do boi gordo CEPEA/ESALQ no estado de São Paulo registrou média de R$ 347 e passou para o patamar de R$ 344 na segunda metade do mês, seguindo firme até o final do período. A média do Indicador em agosto foi de R$ 345,92, elevações de 3,1% em relação a julho e de 9,8% frente a agosto do ano passado, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de julho/26). Segundo pesquisadores do Cepea, a menor disponibilidade de animais e a perspectiva de oferta de confinamento neste ano abaixo da observada em 2025 reduzem o espaço para quedas mais acentuadas das cotações.

CEPEA 

ECONOMIA

Dólar zera perdas da manhã e fecha acima dos R$5,10

Após oscilar perto dos R$5,07 no início da sessão, o dólar se reaproximou da estabilidade e encerrou a quinta-feira acima dos R$5,10, com parte do mercado aproveitando as cotações mais baixas para comprar moeda, enquanto no exterior o dia foi de queda para a divisa norte-americana.

O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de apenas 0,04%, a R$5,1043. No ano, a divisa passou a acumular queda de 7,01%. Às 17h22, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,29% na B3, aos R$5,1400. Mas a sessão desta quinta-feira também foi de baixa do dólar ante outras divisas no exterior, em paralelo ao recuo firme dos rendimentos dos Treasuries após o diretor do Federal Reserve Christopher Waller afirmar, durante evento da Reuters em Washington, que, se os dados confirmarem o arrefecimento das pressões inflacionárias, ele tende a defender a manutenção dos juros nos EUA. Um dos destaques foi a queda forte do dólar ante o iene, em meio ao aumento das apostas de que o Banco do Japão (BoJ) subirá juros para conter a inflação. No Brasil, porém, alguns agentes aproveitaram o dólar mais fraco para recomprar moeda, o que reconduziu a cotação para acima dos R$5,10. “O dólar veio desde a abertura com um viés de baixa. Os ativos locais como o real (estavam) se beneficiando da queda lá fora do dólar, seguindo a (baixa da) curva de rendimentos dos Treasuries”, pontuou o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo. “E aí, rompendo o R$5,10, (surge) muita ordem de compra, até pelas estimativas do mercado serem de um dólar mais alto no final do ano. Os otimistas estão dizendo R$5,20, os pessimistas R$5,40”, acrescentou Bergallo. “O dólar está barato.” Após marcar a cotação mínima intradia de R$5,0702 (-0,71%) às 9h32, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1147 (+0,16%) às 13h22, em meio à busca dos agentes pela moeda. No restante da tarde, as cotações se mantiveram próximas da estabilidade. No exterior, às 17h17 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,61%, a 98,988.

REUTERS

Ibovespa fecha quase estável com realização de lucros após encostar em 189 mil pontos

O Ibovespa fechou quase estável nesta quinta-feira, enfraquecido por movimentos de realização de lucros após se aproximar dos 189 mil pontos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com variação negativa de 0,01%, a 185.195,42 pontos, de acordo com dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 188.891,50 pontos (+1,99%). Mas o ímpeto arrefeceu, pressionado particularmente por Vale e Petrobras. Na mínima, o índice chegou a 184.718,36 pontos (-0,26%).  O volume financeiro na bolsa somava R$32,3 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Fim da escala 6×1 eleva custo de trabalho e afeta PIB, aponta FGV Ibre

Hora efetivamente trabalhada poderá subir 20% em setores com jornada de 44 horas; impacto sobre valor adicionado seria de 2,9%

O fim da escala 6×1 e a redução de jornada trazem riscos de aumento de custo do trabalho mesmo para as empresas cujos funcionários cumprem carga horária inferior a 40 horas por semana e esquema 5×2, aponta estudo de pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Há ainda um efeito negativo sobre a economia como um todo, que pode reduzir em 2,9% o valor adicionado, uma variável próxima ao Produto Interno Bruto (PIB), que exclui impostos e subsídios. A estimativa é que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e que ainda precisa ser votada no plenário da casa, signifique uma alta de até 20% do custo do trabalho. Parte desse aumento viria pela redução da jornada semanal, e parte, pelo crescimento das horas remuneradas, ao passar de um para dois o número de dias de descanso pago. Pelas contas dos especialistas, as empresas com carga de 44 horas por semana seriam as mais afetadas, com aumento total de 20%. Desse total, 9,1% seriam ocasionados pela elevação no total de horas remuneradas, e 10%, pela redução da jornada de trabalho, que reduz as horas efetivamente trabalhadas. Os cálculos não consideram eventuais medidas de adaptação por parte das companhias para mitigar o efeito das mudanças. Além disso, a partir de conversas com especialistas em legislação trabalhista, tem como base a avaliação de que os trabalhadores poderão ir à Justiça para questionar o ponto das horas remuneradas. No trabalho, os autores Fernando de Holanda Barbosa Filho, Paulo Peruchetti e Janaína Feijó projetam também que a PEC que reduz a carga de 44 para 40 horas por semana representará uma perda de 2,9% do valor adicionado. As contas dos pesquisadores mostram que os efeitos se dão de forma heterogênea entre os segmentos da economia, com impacto maior no valor adicionado naqueles com uso intensivo de mão de obra. “O trabalhador que continuar empregado, trabalhando menos horas e com um dia a mais de folga terá ganho de bem-estar e qualidade de vida”, afirma Barbosa Filho. “Apesar dos benefícios, as mudanças na jornada e na escala de trabalho têm custos e efeitos econômicos diversos. Se for para mudar, é preciso buscar as melhores formas de implementar e reduzir custos”, defende. O estudo do FGV Ibre faz ampla revisão da literatura sobre redução de jornada de trabalho. A partir de experiências internacionais, os autores avaliam que a diminuição da carga horária não eleva nem reduz significativamente o nível de emprego. Um fenômeno mais observado é o aumento da rotatividade, com empresas substituindo trabalhadores mais caros por baratos. Para os economistas, há algumas condições que poderiam minimizar os efeitos adversos da redução da jornada de trabalho. Uma delas é a adoção gradual, em etapas, para que as empresas tenham tempo de se adaptar. Os pesquisadores defendem que a redução de jornada seja combinada com investimentos em produtividade: modernização organizacional, automação onde for viável, reorganização de turnos e programas de formação profissional.

VALOR ECONÔMICO

GOVERNO

Brasil ameaça retaliar UE se negociações sobre embargo a carnes não avançarem

O governo brasileiro pode recorrer a medidas de reciprocidade contra embargo europeu a produtos de origem animal do Brasil, de acordo com um comunicado conjunto dos ministérios de Agricultura e de Relações Exteriores na quinta-feira.

A retaliação ocorreria caso as negociações com os europeus não tenham uma solução satisfatória, observou a nota. O comunicado foi publicado no dia em que começou a vigorar um embargo da União Europeia a produtos de origem animal do Brasil, atingindo exportações avaliadas em US$1,84 bilhão em 2025, principalmente carnes. A suspensão das importações desses produtos brasileiros acontece, segundo a Comissão Europeia, porque o bloco europeu ainda busca garantias do Estado sobre a ausência de substâncias antimicrobianas no processo produtivo no país. A nota do governo brasileiro expressa “profunda preocupação” com o início da implementação das restrições impostas pela União Europeia. Diz ainda que o governo brasileiro mantém contato contínuo com a União Europeia e com os setores produtivos envolvidos, com vistas à continuidade dos fluxos comerciais, mas faz uma ameaça de retaliação. “Caso as tratativas não conduzam tempestivamente a uma solução satisfatória, o governo brasileiro reserva-se o direito de recorrer aos instrumentos cabíveis para assegurar condições equilibradas de comércio, inclusive às medidas de reciprocidade previstas no ordenamento jurídico nacional, bem como aos mecanismos pertinentes previstos no Acordo Mercosul-União Europeia e no sistema multilateral de comércio”, afirmou. No comunicado o governo brasileiro acrescenta que os produtos afetados pelas novas restrições foram objeto de cotas e reduções tarifárias no âmbito do Acordo Mercosul-União Europeia, e que a “exclusão desses produtos do mercado europeu anula uma parte importante dos ganhos obtidos pelo Brasil nas negociações”.

REUTERS

SUÍNOS & FRANGOS

Suínos/Cepea: Animal vivo nunca esteve tão barato em SP

O preço médio real do suíno vivo em agosto na praça SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba) é o menor da série histórica do Cepea, iniciada em março de 2002 – os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de julho de 2026. 

 Vale lembrar que o Cepea vem verificando um movimento de queda nos preços desde o começo deste ano e, mais recentemente, as desvalorizações foram intensificadas pela enfraquecida demanda pela carne suína na ponta final do mercado, o que reduziu as compras de lotes de animais por parte da indústria. Dados do Cepea mostram que o preço do suíno vivo posto na indústria em SP-5 teve média de R$ 4,97/kg em agosto, queda de 4% em relação a julho (R$ 5,18/kg). Até então, a menor média real havia sido verificada em julho de 2006, quando esteve em R$ 5,06/kg. Outro fator determinante para o recuo nos preços tem sido a elevada oferta de carne no mercado interno. Estimativas do Cepea apontam que agosto foi o segundo mês de maior produção de carne em 2026 (atrás apenas de julho), o que resultou em oferta interna na casa de 400 milhões de toneladas. Assim, a demanda interna foi insuficiente para absorver toda essa quantidade.

CEPEA 

Nas barreiras às carnes do Brasil, o frango merece maior atenção

País tem mais fôlego na disputa internacional pelo mercado de carne bovina. Na avicultura, a concorrência é maior com a presença da China na exportação

Na imposição das barreiras às carnes brasileiras, como a que entrou em vigor nesta quinta-feira (3) por parte da União Europeia, o Brasil precisa se preocupar mais com o frango do que com o boi. A concorrência internacional favorece a bovinocultura, mas deve ficar mais acirrada na avicultura. O cenário para a carne bovina brasileira é mais tranquilo devido à queda de rebanhos em produtores importantes, como os Estados Unidos, e à difícil recuperação no curto prazo. Já no frango, há uma concorrência forte vinda da China, que, de importadora, passou a ser exportadora nesse setor. O país asiático está em busca de novos mercados, com preços competitivos. Inclusive, aumentou muito a participação no mercado da União Europeia, que está impondo amarras ao produto brasileiro. A produção mundial de carne bovina deve atingir 62 milhões de toneladas, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Desse volume, 12,4 milhões têm origem no Brasil e 11,7 milhões nos Estados Unidos, os dois principais mercados mundiais. A União Europeia, que está deixando de comprar a carne brasileira enquanto o país não provar que parou de usar substâncias antimicrobianas na produção animal, tem um rebanho em queda e elevados custos de produção, devido a insumos e pressões regulatórias. Apesar de uma retração no consumo, o bloco vai continuar dependente de carne bovina. As exportações globais de carne bovina devem somar 13,8 milhões de toneladas neste ano, e 4,3 milhões saem do Brasil. Com isso, o país aumenta a participação no mercado mundial para 31%, bem acima dos 24% de 2022. Com um dos principais rebanhos, e ganhando produtividade nos anos recentes, o Brasil não deve ser ameaçado por outros produtores, dentro de condições normais de mercado. Pontualmente, como ocorre neste ano, pode ter uma evolução menor das exportações do que em alguns concorrentes, como a Argentina. O país vizinho encontrou uma situação favorável neste ano devido ao tamanho da cota recebida da China, abertura maior do mercado dos Estados Unidos e ocupação de parte da carne que os europeus não vão importar do Brasil. No mercado de carne bovina, o Brasil tem poucos concorrentes à vista para os próximos anos. Não é o que ocorre com o frango, onde a concorrência deverá ser maior, principalmente da China. Assim como ocorreu com a produção de carne suína, que se recuperou rapidamente após a ocorrência da peste suína africana, a de frango também vem aumentando, e a China está com sobra para exportações. Os chineses têm um consumo baixo de carne de frango, apenas 11 kg por pessoa por ano. Nos Estados Unidos são 55, e no Brasil, 47. A população chinesa perdeu ritmo de crescimento, e o volume disponível para exportações aumentou. Com subsídios governamentais, a produção de carne de frango deste ano deverá atingir 17,3 milhões de toneladas no país asiático, a segunda maior do mundo, supera a brasileira e fica abaixo apenas da dos Estados Unidos. Com um produto competitivo, os chineses remodelam seu mercado de exportação e aumentam a participação na Ásia, África, Europa e Oriente Médio. Neste ano, devem conquistar a terceira posição entre os principais exportadores, desbancando a Tailândia, tradicional concorrente do Brasil. Em 2020, os chineses exportaram 388 mil toneladas de carne de frango. Neste ano, o volume deverá somar 1,4 milhão de toneladas, segundo o Usda. A produção aumentou 19% no período, enquanto o consumo interno cresceu 6%. O Japão era o grande mercado em 2020, quando 42% das exportações chinesas ficavam com os japoneses. No ano passado, essa participação recuou para 19%. Mas a China ampliou a participação em outras regiões. A União Europeia, que era destino de 5% da carne de frango, em 2020, agora recebe 10%. A Rússia, sem grande expressão nas exportações chinesas há alguns anos, deve ficar com 11%. No setor de carne suína, o ponto central do mercado mundial é a China, que passou por uma séria crise sanitária a partir de 2018. Naquele ano, a produção era de 54 milhões de toneladas, e a necessidade de importação do país era de 1,54 milhão. Em 2020, sob os efeitos da peste suína africana, a produção do país caiu para 36 milhões, e as importações subiram para 5,3 milhões. Nesse período, o Brasil foi um dos principais beneficiados com as compras chinesas. A recomposição do setor foi tão rápida que o país está agora com uma política para reduzir o número de matrizes. A produção avançou muito e começa a afetar a rentabilidade do setor. A previsão do Usda é de uma oferta interna de 59,5 milhões de toneladas neste ano. Com isso, as importações recuam para 1 milhão, o que obriga o Brasil a buscar outros mercados. O setor chinês de avicultura deve seguir o mesmo caminho.

FOLHA DE SÃO PAULO

imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br

POWERED BY NORBERTO STAVISKI EDITORA LTDA

Whatsapp 041 999368886

 

 

abrafrigo

Leave Comment