
Ano 11 | nº 2788 | 01 de setembro de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: agosto encerrou com estabilidade nos preços em São Paulo
Com poucos negócios, a cotação não mudou.
Segundo levantamento da Scot Consultoria, o boi gordo direcionado ao mercado doméstico está cotado em R$ 342/@ no mercado paulista, enquanto o “boi-China” vale R$ 344/@ (valores brutos, no prazo). A semana começou devagar, com parte das indústrias fora das compras. No entanto, os compradores que estão negociando encontraram um volume de oferta maior do que o comum para o início da semana. As escalas de abate atendiam, em média, a nove dias. No Acre, a cotação não mudou em relação à sexta-feira (28/8). No Espírito Santo, a cotação do boi gordo e da novilha subiu. A cotação da vaca não mudou. A cotação do boi gordo e do “boi China” subiu R$3,00/@, e a da novilha subiu R$2,00/@. No mercado atacadista da carne com osso, na última semana de agosto, as vendas no varejo estiveram fracas, com poucos pedidos para reposição de estoque. Dessa maneira, a cotação da carcaça casada caiu, com exceção da cotação da carcaça casada do boi capão, que subiu. A cotação da carcaça casada do boi capão subiu 1,1%, ou R$0,25/kg, enquanto a do boi inteiro caiu 0,9%, ou R$0,20/kg. Entre as fêmeas, a cotação das carcaças casadas caiu 0,7%, ou R$0,15/kg. A tendência é de que as vendas recuperem o fôlego com a primeira semana de setembro. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio subiu 2,0%, ou R$0,13/kg. Já a cotação do suíno especial não mudou na comparação feita semana a semana.
SCOT CONSULTORIA
Arroba do boi caiu em agosto, mas setembro deve ser de ampla recuperação
Novo mês já deve marcar o começo de atendimento da demanda chinesa de 2027 pelos frigoríficos brasileiros. O mercado físico do boi gordo apresentou cotações de estáveis a mais baixas durante a semana.
De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, a decisão dos Estados Unidos de isentar 300 mil toneladas de carne bovina (cortes do dianteiro para produção de hambúrgueres) das cotas tarifárias, não impactou incisivamente sobre as negociações cotidianas. O especialista aponta que a euforia ficou restrita ao mercado futuro, que experimentou agressivo movimento de alta no decorrer dos últimos dias. “Para a primeira quinzena de setembro, a medida norte-americana deverá ter impacto limitado, com a indústria ainda calculando a viabilidade da ampliação dos embarques para este mercado”, destaca. Segundo ele, o ambiente de negócios no Brasil seguiu pautado por maior conforto das escalas de abate, em especial para os frigoríficos de maior porte, o que contribuiu para a queda de preços em algumas praças. E em setembro, como será o mercado? Para setembro, quatro indícios apontam para um mercado pecuário de altas consistentes na arroba do boi gordo, na opinião do coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri: Os frigoríficos estarão concentrados na compra de bovinos jovens para abate, principalmente na segunda quinzena do mês, já pensando em garantir estoque para atender a cota de 2027 de exportação à China. No contexto da estação de monta e oferta de bovinos, os meses de setembro a dezembro, geralmente, têm menor participação de fêmeas nos abates em comparação aos bimestres anteriores, ou seja, é outro ponto que deve pesar em precificação, visto que a menor oferta deve fazer a demanda se recuperar no setor exportador. A decisão do governo dos Estados Unidos de liberar até 300 mil toneladas de carne a tarifa zero deve beneficiar o Brasil. “Trata-se de um novo componente que impulsiona o comportamento da arroba do boi, já que a medida é válida por 90 dias e deve se estender até praticamente o fim do ano.” O mercado interno deve receber sustentação com o início das campanhas eleitorais e a distribuição das verbas do fundo partidário. “É um valor substancial que entra no mercado brasileiro e ajuda no consumo de carne bovina no país”, arremata. Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 27 de agosto: São Paulo (Capital): R$ 340, queda de 4,23% frente aos R$ 355 praticados na semana anterior. Goiás (Goiânia): R$ 330, baixa de 1,49% ante os R$ 335 registrados no final da última semana. Minas Gerais (Uberaba): R$ 335, sem mudanças frente aos valores do fechamento da semana passada. Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 340, inalterado ante o final da semana anterior. Mato Grosso (Cuiabá): R$ 335, baixa de 1,47% ante os R$ 340 registrados no encerramento da última semana. Rondônia (Vilhena): R$ 333, retração de 1,48% perante os R$ 338,00 praticados na semana passada. O mercado atacadista registrou preços enfraquecidos durante a semana, ainda com perspectiva de queda no curto prazo. A demanda segue fragilizada, em meio ao menor apelo ao consumo. “Paralelamente, as proteínas concorrentes permanecem altamente competitivas, em um cenário marcado pela oferta excessiva de carne suína, carne de frango e ovos”, detalha Iglesias. Quarto do dianteiro do boi: R$ 20 por quilo, 4,76% abaixo dos R$ 21 praticados na semana passada. Quarto do traseiro bovino: R$ 26 por quilo, baixa de 3,70% ante os R$ 27 registrados na semana anterior. As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 873,580 milhões em agosto até o momento (15 dias úteis), com média diária de US$ 58,238 milhões, conforme os dados semanais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A quantidade total exportada pelo país chegou a 141,071 mil toneladas, com média diária de 9,404 mil toneladas. Já o preço médio da tonelada ficou em US$ 6.192,50. Em relação a agosto de 2025, houve baixa de 18,6% no valor médio diário da exportação, queda de 26,4% na quantidade média diária exportada e avanço de 10,6% no preço médio.
SAFRAS NEWS
A cotação do gado exportado atinge o maior preço da série histórica
Em julho a exportação perdeu volume, mas o gado embarcado esteve cotado em US$1.516,66 por cabeça, o maior valor já registrado. A exportação até julho foi de 743,7 mil cabeças, 30,3% maior que no mesmo período de 2025.
A exportação de gado fechou os sete primeiros meses de 2026 com 743,7 mil cabeças embarcadas, o melhor desempenho de janeiro a julho de toda a série iniciada em 1997. A exportação está 30,3% maior. No mesmo período de 2025 a exportação foi de 570,9 mil cabeças, um recorde para a época. Junho fechou em 136,8 mil cabeças, recorde para o mês e acima das 119,3 mil exportadas em junho de 2024. Com isso, o primeiro semestre terminou com 676,0 mil cabeças embarcadas, 39,8% acima das 483,5 mil do mesmo período de 2025. Em julho, porém, o ritmo diminuiu. Caiu para 67,6 mil cabeças, o menor volume desde fevereiro, com queda de 22,7% ante julho de 2025 (87,5 mil cabeças) e de 35,3% na comparação com julho de 2024 (104,5 mil), recorde para o mês. Ainda assim, é o quarto melhor julho da série histórica. A desaceleração veio acompanhada de alta nos preços. Em julho, a cotação/bovino embarcado foi de US$1.516,66, a maior da série histórica e 20,1% acima do melhor mês anterior a 2026. No ano, o preço por cabeça vinha de US$1.345,27 em junho e de US$1.065,73 em maio, o piso de 2026. No ano, a exportação de gado está em US$932,3 milhões, alta de 74,0% sobre os US$535,9 milhões de janeiro a julho de 2025. Em apenas sete meses, o setor faturou mais do que em qualquer ano completo da série, com a única exceção de 2025, e chegou a 89,2% do total do ano passado. Em julho, dois destinos concentraram os embarques. A Turquia levou 29,5 mil cabeças, 43,6% do total, e o Marrocos, 27,2 mil, ou 40,2%. Atrás estão o Iraque, com 5,7 mil cabeças (8,4%), o Líbano, com 2,3 mil (3,3%), e o Egito, com 2,2 mil (3,2%). Juntos, os cinco responderam por 98,8% do gado exportado no mês. Entre os estados de origem, o Pará embarcou 36,9 mil cabeças em julho, 54,6% do total, pelo Porto de Vila do Conde. Na sequência apareceram São Paulo, com 9,8 mil cabeças (14,4%), o Paraná, com 6,8 mil (10,1%), o Rio Grande do Sul, com 6,7 mil (9,9%), e Minas Gerais, com 3,3 mil (4,9%). Os demais embarques somaram 6,1%. Os dados preliminares da balança comercial (Secex) mostram que, nos 10 primeiros dias úteis de agosto, o Brasil exportou 39,0 mil toneladas de animais vivos, volume superior às 26,6 mil toneladas de todo o mês de agosto de 2025. Em média diária, o avanço é de 208,2%. Convertido em cabeças, estimamos que o que já saiu nos 10 primeiros dias úteis equivale a cerca de 90,0 mil bovinos. Para o mês fechado, a estimativa é de mais de 120,0 mil cabeças embarcadas, o que colocaria agosto entre os dois melhores meses da série, perto do recorde mensal de 125,4 mil cabeças de agosto de 2024. A frota ancorada reforça a leitura. Contabilizamos 10 navios transportadores de bovinos em pé em fundeio no Porto de Vila do Conde-PA e mais um atracado, com capacidade de carga somada estimada em 64,5 mil cabeças e tempo de carregamento da ordem de 30 dias. Confirmada a estimativa, o Brasil chegaria a cerca de 864,0 mil cabeças em oito meses, 82,2% de tudo o que exportou em 2025. Se os quatro meses finais apenas repetirem o desempenho do ano passado, quando somaram 397,8 mil cabeças, 2026 fecharia perto de 1,26 milhão de cabeças, contra 1,05 milhão em 2025. Mantido o preço médio de 2026, US$1.253,71 por cabeça, e sem supor nenhuma valorização adicional, a receita do ano fecharia perto de US$1,58 bilhão, 51,3% acima dos US$1,05 bilhão de 2025, que é o recorde atual. E mesmo no cenário em que o preço recuasse ao patamar médio do ano passado, US$995,44 por cabeça, o ano ainda terminaria em US$1,45 bilhão. Ou seja, 2026 não deve ser só recorde de quantidade. É de faturamento também.
SCOT CONSULTORIA
ECONOMIA
Dólar tem baixa leve sob influência do noticiário político e do exterior
O dólar fechou a segunda-feira com leve baixa no Brasil, influenciado pelo noticiário político, pelo avanço dos preços internacionais do petróleo e pelo recuo da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior.
O dólar à vista encerrou o dia com baixa de 0,28%, aos R$5,1814. No ano, a divisa passou a acumular recuo de 5,60%. Às 17h03, o dólar futuro para outubro — que na segunda-feira passou a ser o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,13% na B3, aos R$5,2170. A primeira parte da sessão foi marcada, entre outros fatores, pela definição da taxa Ptax de fim de mês. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa). No início da tarde, o BC informou que a Ptax fechou em R$5,1816 para venda e R$5,1810 para compra. Mais cedo, duas pesquisas eleitorais reforçaram a percepção de que a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro pelo Planalto segue acirrada. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Lula com 47,1% das intenções de voto em um segundo turno da disputa presidencial, contra 42,6% de Flávio Bolsonaro — uma diferença menor que a vista em julho, quando os percentuais eram de 49,2% e 42,9%, respectivamente. A margem de erro é de 1 ponto percentual. Já a pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula com 46% no segundo turno, contra 45% de Flávio, com os dois em empate técnico já que a margem de erro é de dois pontos percentuais. À tarde, com efeitos mais perceptíveis no mercado de renda fixa, o ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a suspensão da propaganda eleitoral do empresário Renan Santos (Missão) em sites, blogs e outros aplicativos não informados à Justiça Eleitoral. Ele também barrou repasses do fundo eleitoral e o direito de Renan Santos participar de debates em meios de comunicação, entre outras determinações. Conforme a decisão, a candidatura de Renan Santos à Presidência contava com dois perfis irregulares nas redes sociais que estavam divulgando conteúdos favoráveis a ele, com milhares de seguidores. No exterior, o dia também foi de baixa do dólar ante boa parte das demais divisas, ainda que as variações fossem modestas, com as tensões no Oriente Médio novamente no foco. Os Estados Unidos realizaram ataque na ilha iraniana de Larak no fim de semana, enquanto o Irã respondeu disparando contra forças norte-americanas estacionadas na Jordânia. As ações militares impulsionaram o preço do petróleo Brent para acima dos US$90 o barril — algo que tende a favorecer o avanço do real, já que o Brasil é exportador da commodity. Às 17h06, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,23%, a 99,415.
REUTERS
Ibovespa fecha o dia em alta com Petrobras, mas termina agosto com sinal negativo
O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira pelo nono pregão seguido, em movimento sustentado principalmente pelas ações da Petrobras, mas terminou agosto com sinal negativo.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 1,01% na sessão, a 177.431,23 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 178.585,94 na máxima e 175.664,62 pontos na mínima do dia. O volume financeiro somava R$20,25 bilhões antes dos ajustes finais de fechamento, em sessão também marcada por rebalanceamento de índices MSCI. Em agosto, o Ibovespa acumulou uma variação negativa de 0,32%, quase zerando as perdas do mês, que viu o índice trabalhar abaixo dos 165 mil pontos no pior momento.
REUTERS
Governo prevê superávit primário de R$18,6 bi para 2027 em projeto orçamentário
O governo apresentou na segunda-feira o projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 ao Congresso Nacional prevendo um superávit primário de R$18,6 bilhões, o equivalente a 0,13% do PIB, no que o governo vem chamando de resultado efetivo, que não considera exceções à meta fiscal.
De acordo com o Ministério do Planejamento e Orçamento, o saldo positivo vai a R$83,4 bilhões (ou 0,56% do PIB) quando são retiradas essas despesas não contabilizadas no cálculo da meta, como parte dos precatórios e outras exclusões legais. O documento também projetou alta de 2,46% para o Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem, ante estimativa de crescimento de 2,5% feita em julho. Em relação à inflação, a projeção para o IPCA ficou em 3,6%, mesmo patamar de julho. A meta de resultado primário — que não inclui despesas com juros — para 2027 é de superávit de 0,50% do PIB. A regra prevê uma banda de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos, além das exceções.
REUTERS
Mercado reduz projeções de alta do IPCA e do PIB de 2026, mostra Focus
Para 2027, especialistas elevaram a mediana das expectativas para a inflação oficial, de 4,25% para 4,28%
A mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação oficial brasileira em 2026 caiu de 5,02% para 5,01%, de acordo com o relatório Focus, do Banco Central (BC), divulgado na segunda-feira (31) com estimativas coletadas até a última sexta-feira (28). Para 2027, a mediana das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 4,25% para 4,28%, e, para 2028, continuou em 3,80%. O IPCA 12 meses suavizado subiu de 4,42% para 4,53%. Para a taxa básica de juros (Selic), a mediana das estimativas se manteve em 13,75% em 2026. Para 2027, permaneceu em 12%, e, para 2028, seguiu em 10,50%. A mediana das projeções para o crescimento da economia brasileira em 2026 recuou de 1,95% para 1,92%. Para 2027, a mediana das expectativas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) continuou em 1,50% e, para 2028, também se manteve em 1,98%. A mediana das projeções para o dólar no fim de 2026 se manteve em R$ 5,20. Para 2027, a mediana das expectativas para a moeda americana continuou em R$ 5,30, e, para 2028, também seguiu em R$ 5,30.
VALOR ECONÔMICO
BC enxuga US$ 10,5 bilhões de swap cambial sem diminuir reservas internacionais
Redução gradual do instrumento é estratégia da autoridade monetária para conter pressão na taxa de juros em dólar no Brasil
Com o leilão na semana passada do chamado “casadão”, a operação de venda de dólares à vista conjugada com a compra no mercado futuro, o Banco Central (BC) reduziu ao longo dos últimos 15 meses um total de US$ 10,5 bilhões do seu estoque de swap cambial. O enxugamento se deu em um ambiente global construtivo para o câmbio doméstico e para as reservas internacionais do país, que no período não diminuíram, apesar das vendas de dólares pela autoridade no mercado à vista. Pelo contrário, os dados do BC mostram que o colchão de moeda estrangeira aumentou em mais de US$ 25 bilhões nesse intervalo. “O Banco Central está com um estoque confortável, aproximando-se do seu pico histórico. Então, essas reduções [de estoque de swap cambial] pelo ‘casadão’ estão muito longe de serem algo preocupante”, afirma o sócio fundador da Eytse Estratégia, Sérgio Goldenstein. Com o “casadão”, é comum surgir questionamentos entre os investidores sobre o uso dessa ferramenta por conta do receio em torno de reduzir o volume de reservas cambiais, ainda que elas se mantenham em nível elevado. No começo de julho de 2025, quando a autoridade monetária começou a reduzir seu estoque de swap cambial, as reservas internacionais somavam US$ 345 bilhões, enquanto no fim de julho deste ano chegaram a US$ 370 bilhões, segundo os dados do balanço de pagamentos, divulgados pelo BC. Números mais atualizados, mas com menos detalhes da expansão, indicam que o montante continuou a subir, chegando a US$ 375 bilhões no dia 21 de agosto. “Há diferentes fatores que explicam o crescimento das nossas reservas”, diz Goldenstein. “Não houve compra de dólares no mercado à vista para isso, como aconteceu no passado. Pelo contrário, com o ‘casadão’ houve venda de US$ 5 bilhões à vista, mas não é só isso que explica a composição das reservas.” O estrategista da Eytse lembra, por exemplo, que o crescimento vem da própria redução da linha, a venda de dólares com compromisso de recompra. “Se pela leitura do BC, à medida que você adota a linha, você reduz a reserva, quando você se desfaz dessa linha, você devolve o dinheiro às reservas”, afirma. “Só aí, já há uma boa contribuição para elevar o estoque de moeda. Também tem grande peso os juros das reservas [provenientes de títulos soberanos nos quais as reservas são aplicadas].” Além dos juros, rubricas como variação por paridade (se as moedas da reserva do país valorizaram ou não) e demais linhas ajudam a explicar o aumento desse estoque. Já a variação por preço (o quanto um título ou o ouro apreciou/depreciou) é um fator negativo nesta conta nos últimos meses. Ao somar todos os fatores, a reserva do BC subiu algo em torno de US$ 25,6 bilhões.
VALOR ECONÔMICO
Confiança empresarial deve continuar a ‘andar de lado’ ou cair nos próximos meses, diz FGV
Segundo a fundação, o Índice de Confiança Empresarial teve o segundo recuo consecutivo em agosto, com queda de 0,5 ponto, para 91,1 pontos, após cair 1,4 ponto em julho
O Índice de Confiança Empresarial (ICE) teve o segundo recuo consecutivo em agosto, com queda de 0,5 ponto, para 91,1 pontos, após cair 1,4 ponto em julho, informou na segunda-feira (31) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com a queda, o patamar de confiança se reduziu para menor nível desde janeiro (91 pontos), informou Aloisio Campelo, economista da fundação. Incertezas nos fronts macroeconômico, político e internacional, que impedem o empresário de prover projeções mais certeiras sobre o futuro de seus negócios, levaram ao atual cenário, disse o economista. Para o técnico, esse quadro de maior incerteza, em agosto, deve continuar. Isso fará com que o indicador de confiança continue a “andar de lado” ou até cair mais um pouco, com pouca chance de recuperação significativa no curto prazo, afirmou. Ao detalhar o resultado de agosto do índice, o especialista ponderou que a maioria dos componentes usados para cálculo do ICE mostrou recuo ante julho. O Índice de Situação Atual (ISA), um dos dois subtópicos do indicador, caiu 0,9 ponto, para 90,3 pontos; e o Índice de Expectativas (IE) recuou 0,2 ponto para 90,3 pontos. Por setores, três dos quatro que fazem parte do índice mostraram queda de confiança em agosto ante julho. É o caso de indústria (-3,5 pontos), comércio (1,3 ponto) e construção (-0,6 ponto). Com as quedas, os indicadores de confiança desses setores diminuíram para 93,7 pontos, 84,2 pontos e 91,9 pontos, respectivamente. Já serviços mostrou alta de 1,2 ponto, na mesma comparação, para 89 pontos. Campelo chamou atenção para o fato de a indústria sentir mais o quadro incerto, na conjuntura macroeconômica e no ambiente político. “A indústria começou bem o ano e vinha em ritmo relativamente mais forte, mas em algum momento houve um descasamento da demanda e dos estoques”, disse. Ele ponderou que também não ajudou o fato de o governo americano ter lançado nova rodada de “tarifaço” contra produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Outro ponto destacado por Campelo é que, mesmo com alta em agosto, a confiança de serviços segue em patamar baixo, na faixa dos 80 pontos. O mesmo pode se falar de comércio, disse, também no patamar de 80 pontos. Ele recordou que, nos indicadores de confiança da FGV, quanto mais longe de 100 pontos, pior o humor do empresariado do setor. Já a construção, com mais de 90 pontos, comentou, tem se posicionado com pontuação acima das outras atividades, em confiança, sustentada por obras em infraestrutura, e pelo programa habitacional do governo “Minha Casa, Minha Vida.” Assim, como não acredita em mudanças rápidas, nos atuais quadros macroeconômico, político e internacional, o especialista não descartou novos recuos, no ICE. “O índice tende a ficar ou ‘andando de lado’, ou a caindo mais um pouco. Não vejo muita chance de ele voltar a subir”, resumiu.
VALOR ECONÔMICO
Governo projeta PIB de 2,46%em 2027 e salário-mínimo de R$ 1.741
No Projeto de Lei Orçamentária Anual, o governo ainda considera que a taxa básica de juros (Selic) média será de 12,53% em 2027
O governo federal trabalha com projeção de crescimento econômico de 2,46% em 2027, segundo os parâmetros previstos na proposta de Orçamento para o próximo ano, divulgada na segunda-feira (31) pelos ministérios do Planejamento e Orçamento e da Fazenda. O texto leva oficialmente o nome de Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). No Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), enviado em abril ao Congresso Nacional, a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) era de 2,56% em 2027. Já a estimativa de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2027 foi projetada em 3,60% no Ploa, contra os 3,04% previstos no PLDO. Por sua vez, para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), a projeção do Orçamento é de 3,69%, contra os 3,06% do PLDO. O governo ainda considera que a taxa básica de juros (Selic) média será de 12,53% em 2027, de acordo com os parâmetros do Ploa. Atualmente, a Selic está em 14% ao ano. Por fim, o Ploa prevê a taxa de câmbio média em R$ 5,22 no ano que vem, ante US$ 5,47 do PLDO. O projeto prevê que o salário-mínimo passará dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741 no ano que vem. A informação já havia sido antecipada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. O valor considera a correção pelo INPC acumulado em 12 meses até novembro de 2026, de 4,93%, acrescida de um ganho real de 2,3%. No PLDO, o salário-mínimo previsto para 2027 era de R$ 1.717. O salário-mínimo é o indexador de benefícios previdenciários atrelados ao piso. Também serve de parâmetro para corrigir o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o abono salarial e o seguro-desemprego. O valor exato do mínimo em 2027 será fixado no fim do ano pelo governo, via decreto presidencial, seguindo a política de valorização do piso salarial. Bolsa Família O projeto não prevê reajuste do benefício médio do Bolsa Família em 2027, afirmou o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.
VALOR ECONÔMICO
Dívida bruta brasileira atinge 82,5% do PIB em julho, maior patamar em cinco anos
Do ponto de vista nominal, dívida bruta representa R$ 10,9 trilhões
A dívida pública brasileira chegou a 82,5% do PIB (Produto Interno Bruto) em julho deste ano, o maior patamar desde abril de 2021, segundo dados divulgados na segunda-feira (31) pelo Banco Central. O indicador subiu 0,6 ponto percentual em relação a junho deste ano. A DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) considera o governo federal, os estaduais e as prefeituras, além do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Do ponto de vista nominal, a dívida representa R$ 10,9 trilhões. Em abril de 2021, a dívida registrada foi de 82,62% do PIB, em um momento marcado pela alta dos gastos federais devido à pandemia da Covid-19. O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) envia hoje o Orçamento de 2027 ao Congresso Nacional, com previsão de superávit primário efetivo de R$ 20 bilhões, o que representa o melhor Orçamento enviado ao Congresso desde o que foi enviado em 2014, que previa um superávit de R$ 86 bilhões (em valores da época) para 2025. Embora a previsão de superávit seja a mais positiva em mais de 10 anos, especialistas consideram que o patamar deve ser maior nos próximos anos para equalizar a dívida pública. Em entrevista à TV Globo na última semana, o presidente Lula minimizou a alta da dívida pública. No terceiro mandato do governo Lula, a dívida subiu mais de 10 pontos percentuais. Em dezembro de 2022, o indicador estava em 71,68% do PIB. Especialistas avaliam que essa alta torna urgente a discussão de medidas robustas de ajuste nas contas públicas pelos candidatos que disputam o Palácio do Planalto este ano. No último Relatório de Projeções Fiscais, divulgado ao final de junho pelo Tesouro Nacional, a equipe econômica projeta que a DBGG atingiria o pico de 87,9% do PIB em 2029, quando entraria em trajetória de queda. As estimativas do mercado financeiro, no entanto, são piores, sem apontar para uma estabilização nos próximos anos. O BC explicou que a alta mensal ocorreu devido aos juros nominais apropriados (0,8 p.p.), das emissões líquidas de dívida pública (0,2 p.p.) e do efeito da variação do PIB nominal (-0,5 p.p.). No ano, a alta foi de 3,9 p.p. do PIB. Já quando considerada a variação de 3,9 pontos percentuais do PIB em um ano, a autoridade monetária registrou que esse aumento é resultado da incorporação de juros nominais (5,7 p.p.), das emissões líquidas de dívida (1,5 p.p.), do crescimento do PIB nominal (-3,1 p.p.) e do efeito da valorização cambial (-0,3 p.p.). Em julho, os dados do BC registraram que o setor público atingiu um superávit primário de R$ 1,4 bilhão. No mesmo mês do ano passado, o déficit foi de R$ 66,6 bilhões. O chefe do departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, explicou em entrevista coletiva que um dos principais fatores que explicam essa diferença é o pagamento dos precatórios. Isso porque houve um pagamento expressivo em julho do ano passado — neste ano, isso ocorreu em março.
FOLHA DE SÃO PAULO
INTERNACIONAL
UE vai suspender compra de carnes do Brasil nesta semana, dizem deputados europeus
Não deve haver prorrogação da entrada em vigor do bloqueio, que também inclui ovos, mel e pescados. Parlamentar disse que as carnes brasileiras são de “qualidade inferior”
Integrantes do Parlamento Europeu afirmaram na segunda-feira (31/8) que a decisão da União Europeia de bloquear as importações de carnes do Brasil entrará mesmo em vigor na próxima quinta-feira (3/9) apesar dos pedidos do lado brasileiro para reverter ou prorrogar a data de início da suspensão. O eurodeputado irlandês Ciaran Mullooly afirmou, nas suas redes sociais e à imprensa europeia, que a “proibição total” da entrada de carne bovina brasileira na UE foi confirmada pelo gabinete do Comissário Europeu para a Saúde e o Bem-Estar Animal, Oliver Varhelyi. Segundo os relatos do parlamentar, não deve haver prorrogação da data de entrada em vigor do bloqueio, que inclui carne bovina, de aves, ovos, mel, tripas e pescados. No caso da proteína bovina, a perspectiva é que a suspensão dure ao menos dois anos, tempo entre nascimento e abate dos animais. Fontes brasileiras que acompanham o assunto em Brasília e na Europa minimizaram a manifestação do parlamentar europeu e disseram que esse já era o desfecho esperado mesmo com a intensificação das tratativas e os pedidos do Brasil para suspender o bloqueio. Consultado, o Ministério da Agricultura não respondeu até o momento. Em 2025, as exportações de carne de aves e de gado renderam US$ 1,8 bilhão aos frigoríficos brasileiros. O eurodeputado Mullooly afirmou ao site Agriland que houve sugestões de que algumas regiões, ou mesmo fazendas específicas do Brasil, poderiam encontrar uma maneira de obter autorização individual para exportar para a UE, mas isso não ocorrerá. “Missão cumprida. Adeus, carne brasileira: a partir de quinta-feira, 3 de setembro, Ciaran Mullooly (membro do Parlamento Europeu) confirma que ela sai do cardápio”, escreveu em sua rede social. Já o deputado Martin Kenny, porta-voz do partido político irlandês Sinn Féin, cobrou esclarecimentos do ministro da Agricultura da Irlanda, Martin Heydon, sobre o que acontecerá com a carne bovina e de aves brasileiras que estão atualmente em circulação no país quando a proibição da importação dos produtos entrar em vigor na quinta-feira. Ele sugeriu um “recall” de todos os produtos que contenham carnes brasileiras na composição e que os consumidores sejam instruídos pelo governo para “interromper imediatamente” o uso dos alimentos. “As carnes bovina e de aves brasileiras estão sendo proibidas por um bom motivo: o uso de antibióticos e hormônios de crescimento proibidos no Brasil, além da falta de rastreabilidade dos animais. Nós, do Sinn Féin, destacamos esses fatores em nossa oposição ao acordo comercial do Mercosul, além do fato de que os agricultores irlandeses e da UE estão sujeitos a padrões de bem-estar animal excepcionalmente elevados em comparação aos agricultores brasileiros”, completou. Ele disse que as carnes brasileiras são de “qualidade inferior” na comparação com produtos irlandeses e que existem preocupações com a saúde e a segurança alimentar da população local em relação ao consumo desses produtos. “Não podemos ter uma situação em que a proibição entre em vigor na quinta-feira, mas as indústrias de processamento de alimentos e carne continuem a usar carne bovina e de aves brasileiras que importaram antes da entrada em vigor da proibição”, completou.
GLOBO RURAL
SUÍNOS & FRANGOS
Suíno vivo acumula queda de até 5,57% em agosto
Santa Catarina tem o maior recuo do período, enquanto Minas Gerais mantém a maior cotação, de R$ 5,02 por quilo.
Os preços do suíno vivo encerraram a sexta-feira (28) sem variação diária nos cinco estados acompanhados pelo Indicador do Suíno Vivo CEPEA/ESALQ. No acumulado de agosto, porém, todas as praças registraram queda. Em Minas Gerais, o preço ficou em R$ 5,02 por quilo, no sistema posto, com recuo de 4,74% no mês. Em São Paulo, também no posto, a cotação foi de R$ 4,86 por quilo, queda de 4,71% em agosto. No Paraná, o suíno foi cotado a R$ 4,53 por quilo, a retirar, com baixa de 2,58% no mês. No Rio Grande do Sul, o valor ficou em R$ 4,62 por quilo, recuo de 2,94% no acumulado de agosto. Já em Santa Catarina, a cotação chegou a R$ 4,58 por quilo, com a maior queda mensal entre os estados analisados, de 5,57%. Com os dados de 28 de agosto, Santa Catarina apresenta o maior recuo acumulado no mês, enquanto o Paraná registra a menor queda entre as praças acompanhadas. Apesar das diferenças nos percentuais, todas as cotações estão abaixo dos níveis registrados no início de agosto.
CEPEA
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