CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2784 DE 26 DE AGOSTO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2784 | 26 de agosto de 2026

 

NOTÍCIAS

Queda na cotação da arroba do boi gordo em São Paulo

Poucas vendas no fim de semana pressionaram a arroba.

Em São Paulo, o animal sem padrão-exportação agora vale R$ 343/@, enquanto o “boi-China” está cotado em R$ 346/@ (valores brutos, no prazo), de acordo com os números da Scot. Com vendas aquém do esperado no fim de semana, evidenciando a sazonalidade do fim de mês (quando a população está com menor poder aquisitivo), a terça-feira começou com a ponta compradora comprando menos e pressionando a cotação da arroba do boi gordo. Algumas indústrias abriram o dia com ofertas de compra abaixo das referências, mas praticamente não tiveram sucesso nas negociações. Em função disso, a cotação caiu R$2,00/@ para o boi gordo e o “boi China”. Para as demais categorias, a cotação ficou estável. A escala de abate atende, em média, a sete dias. Regiões de Belo Horizonte, Triângulo e Norte de Minas Gerais. As vendas de carne travaram nos últimos dias e as indústrias precisaram tirar um pouco o pé das compras, o que pressionou a cotação da arroba. Na região de Belo Horizonte, a cotação caiu R$5,00/@ para todas as categorias. As escalas de abate estão, em média, para cinco dias. Na região do Triângulo, a cotação caiu R$2,00/@ para todas as categorias. As escalas de abate estão, em média, para 11 dias. Na região Norte, a cotação ficou estável. As escalas de abate estão, em média, para sete dias.  Na exportação de carne bovina in natura, até a terceira semana de agosto, o Brasil exportou 141,1 mil toneladas de carne bovina in natura, com uma média diária de 9,4 mil toneladas, volume 26,4% abaixo do registrado em agosto de 2025. Por outro lado, a cotação média da tonelada ficou em US$6,2 mil, alta de 10,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. Com mais da metade dos dias úteis de agosto transcorridos, o volume exportado até agora está 127,3 mil toneladas abaixo do exportado em agosto do ano passado, evidenciando a queda da exportação para a China.

SCOT CONSULTORIA

Mercado por conta das escalas de abate confortáveis dos grandes frigoríficos

O mercado físico do boi gordo apresentou preços em predominante acomodação na segunda-feira (24), em um ambiente ainda pautado por tentativas de compra em níveis mais baixos.

Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos de maior porte ainda se deparam com escalas de abate mais confortáveis, posicionadas entre seis e oito dias úteis na média nacional. “Além disso, as vendas da carne bovina no atacado permanecem enfraquecidas em uma semana pautada por fraco consumo. O ritmo diário das exportações permanece deprimido, recuando para 9,4 mil toneladas, consequência da ausência temporária da China em meio ao esgotamento precoce da cota chinesa”, contextualiza. Por fim, Iglesias conta que ainda há especulações em torno da cota de 300 mil toneladas que devem ser oficializadas pelo governo norte-americano, com o mercado aguardando pelas regras de elegibilidade para entender os reais impactos sobre o setor. Preços médios do boi gordo: São Paulo: R$ 341,92. Goiás: R$ 334,29. Minas Gerais: R$ 334,88. Mato Grosso do Sul: R$ 336,27. Mato Grosso: R$ 327,23. O mercado atacadista segue fragilizado, com expectativa de novas quedas nas cotações. Iglesias pontua que a demanda permanece enfraquecida, em razão do menor estímulo ao consumo, com perspectiva de continuidade desse cenário no curtíssimo prazo. “As proteínas concorrentes mantêm elevada competitividade, em um ambiente caracterizado pelo excesso de oferta de carne suína, carne de frango e ovos”, aponta o analista. Quarto traseiro: R$ 26,00 por quilo. Quarto dianteiro: R$ 20,00 por quilo. Ponta de agulha: R$ 19,00 por quilo.

SAFRAS NEWS

Abate de bovinos cresce 1,3% no segundo trimestre e supera 10,7 milhões de cabeças, aponta IBGE

O abate de bovinos voltou a crescer no Brasil no segundo trimestre de 2026.

De acordo com os primeiros resultados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram abatidas 10,72 milhões de cabeças sob algum tipo de inspeção sanitária entre abril e junho. O volume representa uma alta de 1,3% em relação ao segundo trimestre de 2025 e um crescimento mais expressivo, de 4,2%, na comparação com os primeiros três meses deste ano. A produção de carcaças bovinas alcançou 2,76 milhões de toneladas, com aumento de 3% na comparação anual e de 4,7% frente ao primeiro trimestre de 2026. O fato de o peso das carcaças ter avançado mais do que o número de cabeças abatidas indica um aumento no peso médio dos animais enviados aos frigoríficos. Pelos dados preliminares, o peso médio ficou próximo de 257,5 quilos de carcaça por bovino, ante aproximadamente 253,3 quilos no mesmo período de 2025. O movimento pode estar relacionado à maior participação de animais terminados em sistemas intensivos e ao avanço dos abates de bovinos de confinamento. Entretanto, a composição dos abates por categoria — machos e fêmeas — será determinante para uma avaliação mais aprofundada sobre a oferta futura de animais e o estágio do ciclo pecuário. Apesar do crescimento na comparação anual, os números mostram uma oferta sem expansão acelerada. O abate aumentou 1,3%, enquanto a produção de carne avançou principalmente pelo maior peso das carcaças. Essa diferença é relevante para o mercado do boi gordo, pois indica que parte do aumento da disponibilidade de carne não veio, necessariamente, de uma forte ampliação do número de animais abatidos.

IBGE

Tombo nas exportações brasileiras de carne bovina pode ficar acima de 30% em agosto/26

Efeito-China: embarques deste mês devem girar em torno de 180 mil toneladas, ante 268,4 mil toneladas obtidas em agosto/25, prevê Agrifatto

No acumulado das três primeiras semanas de agosto/26 (15 dias úteis), as exportações brasileiras de carne bovina in natura (fresca, congelada e resfriada) somaram 141,07 mil toneladas, com média diária de 9,40 mil toneladas, com queda de 26,4% sobre o volume médio diário registrado em agosto de 2025 (12,78 mil toneladas), de acordo com dados levantados pelo Portal DBO, com base em informações disponíveis no site da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em receita, os embarques atingiram US$ 873,58 milhões nesta parcial de agosto/26, com receita diária de US$ 58,24 milhões, um recuo de 18,6% em relação ao faturamento diário obtido em igual mês do ano passado, de US$ 71,59 milhões. O valor da tonelada embarcada no acumulado dos primeiros 15 dias deste mês ficou em US$ 6,192.5, um aumento de 10,6% em relação ao preço médio obtido em agosto de 2025, de US$ 5,600.7/t. Segundo estimativa da Agrifatto, as vendas externas brasileiras de carne bovina in natura podem ficar em torno de 180 mil toneladas em agosto/26, o que representaria uma forte queda de 33% sobre o resultado registrado em agosto de 2025, de 268,4 mil toneladas. O resultado negativo esperado para agosto/26 reflete a freada brusca nos embarques para o mercado da China, decisão que leva em conta o esgotamento iminente da cota anual de salvaguarda de 1,1 milhão de toneladas. Para o volume que exceder o limite anual da cota, o governo chinês estabeleceu a cobrança de tarifa adicional de 55% (além da convencional taxa de 12% já aplicada ao produto brasileiro). Diante das novas regras chinesas, as vendas ao país asiático travaram a partir de meados de julho/26, pois eventuais remessas já correriam risco de desembarcar em território chinês sob a tarifação adicional. O Brasil exportou 227,94 mil toneladas de carne bovina in natura em julho/26, o que significou uma queda de 18% sobre o volume registrado em igual mês de 2025, de 276,88 mil toneladas, de acordo com dados da Secex. Em faturamento, os embarques da proteína in natura atingiram US$ 1,447 bilhão, com retração de 6% sobre o resultado de julho/25, de US$ 1,536 bilhão. O preço médio da tonelada embarcada, porém, subiu 14,4%, para US$ 6.350,5, ante o valor médio computado em igual mês do ano passado, de US$ 5.549,4/tonelada.

PORTAL DBO

ECONOMIA

Dólar fecha abaixo dos R$5,15 após oscilar em margens estreitas

Em uma sessão de agenda relativamente esvaziada de indicadores econômicos, o dólar oscilou em margens estreitas e encerrou a terça-feira com leve baixa ante o real, com os investidores atentos ao noticiário sobre a guerra no Oriente Médio.

O dólar à vista fechou o dia com queda de 0,23%, aos R$5,1414. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,33%. Às 17h09, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,33% na B3, aos R$5,1490. Os investidores globais mantiveram nesta terça-feira o Oriente Médio no radar, após os EUA ampliarem as sanções econômicas ao Irã, ameaçando excluir do sistema financeiro baseado em dólar os países que continuarem a negociar com Teerã. Em reação, o Irã classificou como “flagrante ilegalidade” a aplicação de sanções pelos EUA e afirmou ter discutido com Omã uma proposta para um “corredor de navegação temporário conjunto” pelo Estreito de Ormuz, além de um plano para remover as minas do local. Cerca de 20% do petróleo e do gás comercializado no mundo circulam pelo estreito. Neste cenário, o dólar cedeu ante divisas como o rand sul-africano e a rupia indiana, mas se manteve próximo da estabilidade ante o real e o peso mexicano durante a maior parte do dia. “O que está influenciando os preços é a tentativa de acerto diplomático para reabrir o Estreito de Ormuz. Isso deu um impulso leve para as moedas ligadas a commodities, em um ambiente um pouco mais para o risco”, comentou durante a tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “Mas o mercado está curto, sem muitos negócios, aguardando as decisões sobre o conflito no Irã”, acrescentou. À tarde, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmou que o governo brasileiro terá uma reunião na próxima segunda-feira com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. A reunião foi agendada após conversa na sexta-feira entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano, Donald Trump, o primeiro contato entre ambos desde que os EUA adotaram novas tarifas contra produtos brasileiros. No exterior, às 17h08 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,09%, a 98,872.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta com apoio de bancos e Vale

O Ibovespa fechou em alta na terça-feira, ampliando a sequência positiva, em movimento sustentado principalmente por ações de bancos e da Vale.

A queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano favoreceu o fluxo comprador na bolsa paulista, com dados recentes também mostrando algum retorno do fluxo estrangeiro para as ações brasileiras. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,61%, a 174.667,94 pontos, no quinto pregão seguido com sinal positivo, de acordo com dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 174.784,92 pontos. Na mínima, 171.178,87. O volume financeiro no pregão somava R$25,05 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Arrecadação federal de tributos soma R$ 289,3 bi em julho

A arrecadação federal de impostos alcançou R$ 289,346 bilhões em julho de 2026 e registrou alta real (corrigida pela inflação) de 8,97%, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Os dados foram divulgados pela Receita Federal. No acumulado do ano até julho, a arrecadação atingiu, por sua vez, R$ 1,876 trilhão, aumento real de 6,98%. Sem correção inflacionária, a arrecadação mostrou elevação de 13,82% em julho. Considerando somente as receitas administradas pela Receita, houve alta real de 7,71% em julho, somando R$ 268,859 bilhões. No ano, as administradas somaram R$ 1,791 trilhão, alta real de 6,96%. Já a receita própria de outros órgãos federais (onde estão os dados de royalties de petróleo, por exemplo) foi de R$ 20,486 bilhões em julho, alta real de 28,87% ante o mesmo mês no ano passado. No ano, a arrecadação de outros órgãos alcançou R$ 85,312 bilhões, alta real de 7,33%. Inicialmente, a divulgação da arrecadação federal de julho de 2026, prevista para esta terça-feira (25), havia sido adiada pela Receita Federal devido a um conflito de agenda na sala onde seria realizada a entrevista coletiva. Segundo a assessoria do órgão, a alteração ocorreu “em função de uma demanda externa”. Os dados, porém, foram publicados no fim da manhã no site da Receita.

VALOR ECONÔMICO

Confiança do consumidor em agosto teve pior queda em20 meses, aponta FGV

Economista da fundação, Anna Carolina Gouveia não descarta novos recuos no ICC, já que os fatores macroeconômicos que inibem o consumo devem permanecer até o fim do ano

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 3,6 pontos em agosto, para 84,7 pontos, quarta queda consecutiva, informou, na terça-feira, (25), a Fundação Getulio Vargas (FGV). Além de levar o índice ao menor patamar desde novembro de 2022 (83,5 pontos), a queda foi a mais forte desde janeiro de 2025 (-4,4 pontos), disse Anna Carolina Gouveia, economista da fundação. A especialista não descartou novos recuos no ICC. Isso porque fatores macroeconômicos que inibem o consumo devem permanecer até o fim do ano, disse. A queda no ICC foi causada tanto por respostas relacionadas ao presente quanto ao futuro, pontuou ela. Em agosto, o Índice de Situação Atual (ISA), um dos dois componentes do ICC, caiu 0,6 ponto, para 83,8 pontos. O Índice de Expectativas (IE), por sua vez, recuou 5,4 pontos, para 86,1 pontos. “O que tivemos esse mês foi uma queda forte, uma queda relevante e espalhada por quase que todos os indicadores e faixas de renda”, resumiu Gouveia. Sobre faixas de renda, a técnica se refere à evolução do ICC por quatro categorias de ganhos mensais, também mapeadas pela fundação. Em agosto, entre consumidores com renda até R$ 2.100,00 mensais, o ICC caiu 1,4 ponto; nos com ganhos entre R$ 2.100,01 e R$ 4.800,00, a queda foi de 4,2 pontos. Por sua vez, na faixa entre R$ 4.800,01 e R$ 9.600,00, o recuo foi de 5,3 pontos e, nos com ganhos acima de R$ 9.600,01, a retração foi de 0,9 ponto. Uma série de fatores, no contexto macroeconômico, conduziu ao desempenho, reiterou ela. Dois deles são os elevados patamares de endividamento e de inadimplência das famílias. A técnica pontuou que esses indicadores continuam em patamares historicamente elevados e desafiam o orçamento familiar, especialmente ente faixas de renda mais baixas. Outro aspecto a ser considerado, disse a técnica, é o ritmo do emprego. Os mais recentes resultados do mercado de trabalho mostraram leve desaceleração, lembrou Gouveia, o que traz impacto ao humor do consumidor, disse. Além disso, o consumidor está cauteloso quanto à inflação. Isso se notou no tópico “expectativas de inflação dos consumidores para próximos 12 meses” que consta na Sondagem do Consumidor – pesquisa do qual o ICC é indicador-síntese. De julho a agosto, a expectativa subiu de 5,8% para 6,2%. “Não temos inflação ‘explodindo’. Mas temos, pontualmente, uma inflação, principalmente em alimentos”, observou. “E tem previsão de piora [em inflação de alimentos] por conta, principalmente, do El Niño”, disse se referindo ao fenômeno climático que pode afetar a oferta de produtos agrícolas. Assim como a especialista não visualiza mudanças, em curto e médio prazos, nesses aspectos macroeconômicos, ela não descartou novos recuos no ICC. “O desenho que se tem feito até o momento [da trajetória do ICC] é de desaceleração”, reconheceu.

VALOR ECONÔMICO

Ministro da Fazenda prevê mínimo de R$ 1.741 em 2027 e indexação de benefícios do INSS

Governo projeta alta das despesas obrigatórias um pouco inferior ao aumento geral do Orçamento no próximo ano, diz ministro da Fazenda

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na segunda-feira (24) que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 será enviado ao Congresso Nacional com uma previsão de salário-mínimo de R$ 1.741, o que representa uma alta de R$ 120 em relação ao valor praticado neste ano. Ele também disse que o valor será usado para corrigir os benefícios previdenciários atrelados ao piso salarial e demais políticas vinculadas ao piso, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o seguro-desemprego e o abono salarial. “O salário-mínimo, com os reajustes previstos em lei, chega a R$ 1.741 no ano que vem. E, necessariamente cumprindo a legislação, dentro do nosso espírito de privilegiar a população mais carente, vai [indexar também] a Previdência, para os benefícios sociais que têm indexação do salário-mínimo”, disse Durigan. O valor do salário-mínimo que constará no PLOA de 2027 será uma previsão. O montante exato será definido apenas no fim do ano, para considerar a inflação medida pelo INPC acumulada em 12 meses até novembro mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. O ministro também antecipou que o governo projeta um aumento das despesas obrigatórias um pouco inferior ao aumento geral do Orçamento no próximo ano. “Portanto, as medidas todas que nós fomos adotando, elas têm esse condão de dar racionalidade, de modo que a regra com o ganho real do arcabouço fiscal já vai ter um crescimento maior do que as obrigatórias amplamente consideradas”, explicou. Ele ressaltou que a proposta orçamentária a ser encaminhada ao Congresso para 2027 será bem diferente da deixada pelo então governo Bolsonaro para 2023, que previa cortes em políticas sociais. “O Orçamento está muito bem encaminhado, com o salário-mínimo definido e muito diferente do que outros ministros já defenderam. Lembrando que o ex-ministro Paulo Guedes defendeu a desvinculação do mínimo da Previdência”, disse Durigan. O ministro acrescentou que a peça orçamentária será encaminhada “sem armadilhas”. “A gente tem uma peça orçamentária que prevê um resultado positivo, com todos os benefícios sociais, com todo o cumprimento da legislação.” A proposta orçamentária foi discutida com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma reunião no Palácio do Planalto. O PLOA será encaminhado ao Congresso até segunda (31). Como mostrou o Valor, integrantes do atual governo começaram a discutir internamente uma proposta de diferenciação entre a política de valorização do salário-mínimo para os trabalhadores da ativa e o reajuste de benefícios previdenciários e assistenciais vinculados ao piso. Técnicos fizeram simulações de cenários que preservariam ganhos acima da inflação para os dois grupos, mas em ritmos distintos, mantendo para os trabalhadores da ativa a regra atual, que prevê reajuste real de até 2,5%, e estabelecendo um percentual menor para os inativos. Durigan informou, ainda, que o PLOA de 2027 será enviado com a previsão de receita dos novos tributos da reforma tributária do consumo, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo. Conforme mostrou o Valor, havia uma indefinição se a peça seria encaminhada ao Congresso com os tributos atuais que incidem sobre o consumo ou com os novos tributos. A CBS e o Seletivo entram em vigor em 2027, mas suas alíquotas ainda não foram definidas. A equipe econômica decidiu na semana passada que seria importante enviar o PLOA já com a CBS e o Seletivo, mas faltava o aval de Lula, o que aconteceu hoje. “Isso, foi batido o martelo”, disse Durigan. Conforme mostrou o Valor, a Receita Federal enviou na última quarta-feira (19) aos órgãos técnicos as projeções atualizadas de receita do PLOA 2027 considerando a CBS e o Seletivo. Isso exigiu que as áreas técnicas usassem os últimos dias para recalcular as projeções de arrecadação de suas respectivas áreas, considerando os novos tributos. O PLOA de 2027 trará, portanto, a estimativa de arrecadação global para a CBS e o Seletivo, em substituição aos atuais impostos federais que incidem sobre o consumo. Não haverá divulgação das alíquotas na proposta, como já era esperado, por não haver essa necessidade. No caso da CBS, a divulgação oficial da alíquota acontecerá somente no fim de outubro, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) enviará ao Senado Federal o projeto de resolução com a alíquota. No caso do Seletivo, o Ministério da Fazenda trabalhava para que a medida provisória (MP) que trará as alíquotas fosse apresentada junto com o PLOA ou no começo de setembro. A tendência agora é que a apresentação da MP fique para setembro.

VALOR ECONÔMICO 

Balança comercial registra superávit de US$ 5,11 bilhões na terceira semana de agosto

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) divulgou, na segunda-feira (24/08), os dados da balança comercial da 3ª semana de agosto de 2026. Até a 3ª semana de agosto/2026, comparado a agosto/2025, as exportações cresceram 14,3% e somaram US$ 24,14 bilhões.

As importações cresceram 13,0% e totalizaram US$ 19,03 bilhões. Assim, a balança comercial registrou superávit de US$ 5,11 bilhões, com crescimento de 19,7%, e a corrente de comércio aumentou 13,7%, alcançando US$ 43,18 bilhões. No acumulado laneiro até 3ª Semana de agosto/2026, em comparação a janeiro/agosto 2025, as exportações cresceram 10,7% e somaram US$ 242,69 bilhões. As importações cresceram 6,2% e totalizaram US$ 188,55 bilhões. Como consequência destes resultados, a balança comercial apresentou superávit de US$ 54,15 bilhões, com crescimento de 30,2%, e a corrente de comércio registrou aumento de 8,7%, atingindo US$ 431,24 bilhões. Até a 3ª semana de agosto/2026, o desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de 9,8% em Agropecuária, que somou US$ 5,20 bilhões; crescimento de 34,2% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 6,87 bilhões e, por fim, crescimento de 6,6% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 11,87 bilhões. A combinação destes resultados levou o aumento do total das exportações. A expansão das exportações foi puxada, principalmente, pelo crescimento nas vendas dos seguintes produtos: Animais vivos, não incluído pescados ou crustáceos (141,9%), Café não torrado ( 26,0%) e Soja ( 11,4%) na Agropecuária; Minérios de cobre e seus concentrados (309,1%), Outros minérios e concentrados dos metais de base (129,6%) e Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus (46,9%) na Indústria Extrativa ; Carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas (44,1%), Farelos de soja e outros alimentos para animais (excluídos cereais não moídos), farinhas de carnes e outros animais ( 38,9%) e Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) (49,9%) na Indústria de Transformação. Por sua vez, ainda que o resultado das exportações tenha sido de crescimento, os seguintes produtos registraram diminuição nas vendas: Milho não moído, exceto milho doce (-23,0%), Mel natural (-21,1%) e Sementes oleaginosas de girassol, gergelim, canola, algodão e outras (-51,8%) na Agropecuária; Minério de ferro e seus concentrados (-15,8%), Minérios de níquel e seus concentrados ( -100,0%) e Minérios de alumínio e seus concentrados (-60,0%) na Indústria Extrativa ; Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (-18,6%), Açúcares e melaços (-45,4%) e Bombas, centrífugas, compressores de ar, ventiladores, exaustores, aparelhos de filtrar ou depurar e suas partes (-63,4%) na Indústria de Transformação. Até a 3ª semana de agosto/2026, o desempenho das importações por setor de atividade econômica foi o seguinte: crescimento de 3,9% em Agropecuária, que somou US$ 0,32 bilhões; queda de -29,7% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 0,88 bilhões e, por fim, crescimento de 16,7% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 17,72 bilhões. A combinação destes resultados motivou o aumento das importações. O movimento de crescimento nas importações foi influenciado pela ampliação das compras dos seguintes produtos: Pescado inteiro vivo, morto ou refrigerado (54,4%), Trigo e centeio, não moídos ( 12,2%) e Produtos hortícolas, frescos ou refrigerados ( 70,7%) na Agropecuária; Outros minerais em bruto ( 9,5%), Minério de ferro e seus concentrados (4.611.293,6%) e Outros minérios e concentrados dos metais de base ( 15,7%) na Indústria Extrativa ; Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) (110,8%), Medicamentos e produtos farmacêuticos, exceto veterinários ( 58,5%) e Válvulas e tubos termiônicas, de cátodo frio ou foto-cátodo, diodos, transistores (69,9%) na Indústria de Transformação.

MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS

INTERNACIONAL

Preço Mundial da Carne Bovina Sobe 35% em Dólares e Argentina Acelera Exportação

À primeira vista, a notícia parece contraditória. A indústria frigorífica da Argentina alerta para uma importante queda da atividade, que se aprofunda com a retenção de matrizes, isto é, com a decisão de não enviar as fêmeas para o abate. Mas, dentro da cadeia de valor, isso é interpretado como uma mudança positiva no ciclo de produção.

Segundo os mais recentes dados divulgados pela Câmara da Indústria e Comércio de Carnes e Derivados da República Argentina (CICCRA), em julho, um total de 338 frigoríficos abateu 1,095 milhão de bovinos, o que representa uma queda de 2,6% em relação ao mês anterior, corrigida a série pelo número de dias úteis, e nada menos que 12,2% abaixo de julho de 2025. Mas a redução do abate não ocorreu de maneira uniforme entre machos e fêmeas. Enquanto entre os machos foi registrada uma queda de 6,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, entre as fêmeas a redução em um ano chegou a 18,7%. Assim, “a relação entre fêmeas e o abate total caiu para 44,3% em julho e ficou dentro dos limites do intervalo compatível com a manutenção do rebanho bovino”, afirma a CICCRA. No jargão pecuário, é o que se conhece como retenção de matrizes, ou seja, enviar menos fêmeas para o abate. As fêmeas são as futuras mães e a verdadeira “fábrica de bezerros” que, segundo as estimativas, serão necessários para atender à crescente demanda local e externa. O que está em jogo atualmente é uma reversão do ciclo pecuário. Fontes do setor indicam que é preciso voltar ao período de julho a outubro de 2022 para encontrar um percentual semelhante de retenção de matrizes. No acumulado dos primeiros sete meses do ano, o abate total chegou a 7,09 milhões de bovinos, o que representa uma queda de 9,8% em relação ao período de janeiro a julho de 2025. Em números absolutos, a produção no setor frigorífico diminuiu em 772.800 cabeças abatidas no acumulado deste ano. “A redução do abate era quase uma previsão difícil de errar no fim do ano passado”, afirma Daniel Urcía, vice-presidente da Federação das Indústrias Frigoríficas Regionais Argentinas (FIFRA) e conselheiro do Instituto de Promoção da Carne Bovina Argentina (IPCVA). Segundo ele, na reversão do ciclo pecuário “ajuda o fato de ter ocorrido uma recuperação internacional da carne”. A pecuária tem um ciclo longo, de três a cinco anos, por isso a tendência deverá permanecer assim por algum tempo. Para Tonelli, a chave do negócio atualmente é reter os animais para aumentar seu peso. Historicamente, o peso médio de abate era de cerca de 280 quilos equivalentes de carcaça com osso, mas o objetivo é chegar a 320 a 330 quilos, com animais de 450 a 550 quilos de peso vivo. “Em nove meses, de novembro do ano passado a julho deste ano, o peso de abate aumentou cerca de 12 quilos por animal”, afirmou o consultor. Ele esclareceu, no entanto, que, embora o abate tenha caído em torno de 10% em razão do ciclo de retenção para recomposição dos estoques, o aumento do peso permite amenizar parcialmente essa redução, e a queda da oferta acaba ficando entre 6% e 7%.

FORBES

Mercado de exportação, apresenta forte demanda e bons preços.

“Os Estados Unidos reduziram seus estoques, assim como a União Europeia e o Brasil”, afirma Daniel Urcía, acrescentando que “a lógica é que, com bons preços do gado e uma demanda externa firme, se esses preços do gado forem mantidos, haverá investimentos no setor”.

Em junho, dado mais recente disponível, as exportações de carne bovina para todo o mundo subiram para 54.294 toneladas em peso do produto, um aumento de 10,4% em relação a maio de 2026 e de 8,1% na comparação com junho de 2025. Os bons preços são outro componente que estimula a mudança de tendência no negócio pecuário. Segundo dados da FAO, de janeiro de 2024 até agora, um período de 31 meses, a carne bovina no mercado mundial subiu 35% em dólares nominais. A China lidera os mercados de exportação da Argentina, com 52,6% do total embarcado, mas compra cortes baratos, como carnes para conserva, garrão, brazuelo, entre outros, com preços médios de US$ 5.800 por tonelada (R$ 29.900 na cotação atual), que podem chegar a US$ 6.300 por tonelada (R$ 32.490). A parte central do negócio exportador está na União Europeia, que responde por 12% do total, com a Cota Hilton de 29.500 toneladas anuais isentas de tarifa e preços que variam de US$ 16.000 a US$ 18.000 por tonelada (R$ 82.500 a R$ 92.800) e podem chegar a US$ 20.000 por tonelada (R$ 103.125,80). Para esse mercado são exportados filé mignon, bifes de contrafilé largo e estreito e alcatra sem capa, cortes premium. Com os Estados Unidos, que têm 22,8% de participação, até o ano passado o país dispunha de uma cota de 20 mil toneladas anuais sem tarifa, que foi ampliada pelo acordo firmado com o governo de Donald Trump, com preços de US$ 8.200 a US$ 8.500 por tonelada (R$ 42.290 a R$ 43.830). “Foi um golaço termos conseguido essas 80.000 toneladas adicionais. Esperamos renovar e obter para 2027 uma cota de 150.000 toneladas”, afirmou, entusiasmado, o vice-presidente da FIFRA. Ficam de fora mercados como Israel, com 9,1%, para onde são exportados quartos dianteiros a preços de cerca de US$ 12.000 por tonelada (R$ 61.880), além de alguns países da região, como Brasil, Chile e México. No IPCVA, são acompanhadas de perto as negociações em andamento para a venda de carne bovina ao Japão, à Coreia do Sul e à Indonésia. Segundo Daniel Urcía, “é preciso concluir os acordos sanitários, mas são mercados de qualidade interessantes”. Questionado sobre o impacto que isso poderia ter nos preços do mercado interno, ele estimou que “vamos entrar em uma estabilidade de preços, talvez acompanhando a inflação”. E acrescentou: “Com esta situação da economia, não veremos um salto nos preços porque as pessoas não aceitam esses aumentos”. No cenário internacional, a situação é diferente e o mercado não espera novas altas nos preços internacionais.

FORBES

SUÍNOS & FRANGOS

Suínos mantêm crescimento no segundo trimestre

O abate de suínos apresentou expansão.

Foram processadas 15,58 milhões de cabeças durante o segundo trimestre, aumento de 3,2% em relação ao mesmo período de 2025 e de 2% na comparação com o primeiro trimestre de 2026. O peso acumulado das carcaças suínas chegou a 1,49 milhão de toneladas, com crescimento anual de 4,8% e trimestral de 4,5%. Assim como ocorreu na pecuária bovina, o aumento da produção de carne superou o avanço no número de animais abatidos.

IBGE

Frangos recuam na comparação trimestral

No segmento de frangos, o Brasil abateu 1,69 bilhão de cabeças entre abril e junho.

Embora o resultado tenha superado em 2,8% o registrado no segundo trimestre de 2025, houve queda de 1,2% frente aos três primeiros meses de 2026. O peso total das carcaças, porém, alcançou 3,74 milhões de toneladas, crescimento de 5,1% na comparação anual e estabilidade diante do trimestre anterior, com leve alta de 0,1%.

IBGE

imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br

POWERED BY NORBERTO STAVISKI EDITORA LTDA

Whatsapp 041 999368886

 

abrafrigo

Leave Comment