
Ano 11 | nº 2781 | 21 de agosto de 2026
NOTÍCIAS
Sem mudança no mercado do boi em São Paulo
Mercado abre estável, oferta de boiadas controladas e escalas formadas até o fim do mês.
Na comparação feita dia a dia, a cotação não mudou em São Paulo.
A oferta estava controlada, e as compras haviam ocorrido dentro da referência, com os frigoríficos com escalas formadas até o fim do mês e com isso pressionando a cotação do boi gordo. No Mato Grosso, na comparação feita dia a dia, nas quatro praças pecuárias mato-grossenses, a cotação do boi gordo ficou estável, com oferta de boiadas advindas de confinamentos. Para as fêmeas, quedas em três das quatro praças pecuárias. Na Pesquisa trimestral de abate de bovinos, no segundo trimestre de 2026, o abate de bovinos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária foi de 10,72 milhões de cabeças. Uma alta de 1,3% em relação ao segundo trimestre de 2025 e aumento de 4,2% frente ao primeiro trimestre de 2026. A produção de carcaças foi de 2,76 milhões de toneladas, um aumento de 3,0% na comparação feita ano a ano e aumento de 4,7% em relação ao trimestre anterior. Os dados fazem parte dos primeiros resultados das Pesquisas Trimestrais da Pecuária, divulgados em 19 de agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
SCOT CONSULTORIA
Frigoríficos seguem pressionando os pecuaristas, buscando por preços mais baixos
O mercado físico do boi gordo registrou preços mais baixos nas principais regiões de produção e comercialização do Brasil
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos seguem pressionando os pecuaristas, buscando por preços mais baixos, sem encontrar grandes dificuldades para a formação de suas escalas de abate. “A demanda interna de carne bovina está mais lenta no mercado interno, movimento típico para uma segunda quinzena de mês, ajudando a pressionar os preços da arroba do boi. Ao mesmo tempo, as exportações estão mais enfraquecidas por conta do fim da cota chinesa, aumentando a oferta doméstica”, ressaltou. Preços médios da arroba no Indicador do Boi Datagro para 9 praças de comercialização: São Paulo: R$ 343,74. Bahia: R$ 321,17. Goiás: R$ 335,07. Minas Gerais: R$ 339,13. Mato Grosso do Sul: R$ 339,96. Mato Grosso: R$ 333,82. Pará: R$ 336,71. Rondônia: R$ 328,68. Tocantins: R$ 334,81. No atacado, os preços da carne bovina se acomodaram depois da queda registrada ontem. Quarto traseiro: R$ 27,00 por quilo. Quarto dianteiro: R$ 21,00 por quilo. Ponta de agulha: R$ 19,50 por quilo
SAFRAS NEWS
Como as novas tarifas dos EUA atingem a cadeia da pecuária de corte brasileira
A carne bovina ficou de fora das duas novas sobretaxas norte-americanas. Já os coprodutos couro e sebo podem chegar a 37,5% e a incidência muda conforme o código HTSUS de cada item.
A ideia de que todo produto brasileiro embarcado para os Estados Unidos paga uma alíquota única e elevada é falsa. A incidência varia conforme o produto e, sobretudo, conforme o código na Tarifa Harmonizada dos Estados Unidos (HTSUS, na sigla em inglês). Duas sobretaxas foram criadas com base na Seção 301 do Trade Act de 1974, a lei norte-americana que autoriza retaliação comercial. A primeira, de 25,0%, decorre de uma investigação sobre comércio digital, tarifas preferenciais, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento. A segunda, de 12,5%, resulta de investigação distinta, sobre trabalho forçado. Cada uma tem base legal, data de vigência e lista de exceções, e não alcança os mesmos produtos. A sobretaxa de 25,0% foi determinada por memorando presidencial de 15 de julho de 2026 e formalizada em ato do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). Ela incide sobre produtos declarados a partir de 22 de julho de 2026, no código 9903.05.01 do Capítulo 99 da HTSUS. A sobretaxa de 12,5% consta de ato do USTR referente às investigações de trabalho forçado e vale a partir de 24 de julho de 2026, o Brasil foi enquadrado no código 9903.05.27, com alíquota cheia de 12,5%. Em sentido estrito, ficou fora das duas novas sobretaxas. As listas de exceções de ambas as medidas incluem, expressamente, a carne fresca ou refrigerada (posição 0201 da HTSUS), a carne congelada (0202), os miúdos e despojos comestíveis (0206), a carne salgada ou seca (0210.20.00) e as preparações e conservas de carne bovina, como o corned beef (subposição 1602.50). Para esses itens, portanto, a sobretaxa da Seção 301 foi zero. Isso não significa entrada livre de imposto. A tarifa aduaneira normal continua a ser cobrada, a carne bovina brasileira está sujeita à quota tarifária dos Estados Unidos, com alíquota reduzida dentro da quota — tarifa de US$44,00 por tonelada, para carne bovina in natura, fresca, refrigerada ou congelada — e de 26,4% fora da quota. O que as exceções afastam são as sobretaxas de 25,0% e de 12,5%.
É nos coprodutos que a sobretaxa pesa. As peles em bruto e salgadas (posição 4101) não constam de nenhuma das duas listas de exceção e ficam sujeitas às duas medidas. No couro curtido e acabado (posições 4104 e 4107) há uma assimetria relevante, alguns códigos específicos de couro bovino curtido —4104.11.20, 4104.41.50, 4104.49.10, 4104.49.50, 4107.11.20 e 4107.12.20 — estão excluídos apenas da sobretaxa de 25,0%, mas não dá de 12,5%, os demais couros permanecem alcançados pelas duas. O mesmo raciocínio vale para o sebo bovino e as gorduras (posições 1502, 1503, 1516 e 1518), para a gelatina, o colágeno e seus peptídeos (3503 e 3504), para a albumina e o plasma de sangue (3502), para ossos, chifres e cascos (0506 e 0507), tripas, bexigas e estômagos (0504), glândulas e outros produtos de origem animal (0510 e 0511), e ainda para as farinhas de carne, ossos e sangue e as preparações para alimentação animal, inclusive pet food (2301 e 2309). Nenhum desses grupos aparece nas listas de exceção — o que os coloca, em regra, sob as duas sobretaxas.
A finalidade industrial, alimentícia, farmacêutica ou energética do produto pode alterar o código HTSUS e, com ele, o enquadramento. Sebo destinado a biodiesel, à indústria química ou à cosmética, por exemplo, pode ser classificado de forma distinta do sebo comestível. Por isso, cada embarque deve ser conferido pelo código efetivamente declarado. Para os produtos alcançados pelas duas sobretaxas, a soma tem respaldo no próprio texto legal. As notas do Capítulo 99 que instituem cada medida determinam que a alíquota adicional se aplica “em adição” às demais tarifas do mesmo subcapítulo e às tarifas gerais dos capítulos 1 a 97. Como as duas medidas da Seção 301 estão nesse mesmo subcapítulo, um coproduto não excluído de nenhuma delas tende a receber 25,0% mais 12,5%, resultando em sobretaxa combinada de 37,5%, além da tarifa aduaneira normal. Vale a ressalva metodológica, os documentos analisados não permitem confirmar, de forma definitiva e para cada código, todos os detalhes da incidência. A cobrança efetiva deverá ser validada na entrada aduaneira concreta e nas orientações atualizadas da CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos, na sigla em inglês).
SCOT CONSULTORIA
Compras indiretas de gado na Amazônia feitas a partir de 2027 vão entrar na mira do MPF
A partir de 2028, Procuradoria vai monitorar as transações feitas ao menos 12 meses antes.
Regras do TAC da Carne serão estendidas aos fornecedores indiretos ‘nível 1’
O Ministério Público Federal (MPF) passará a exigir, a partir de janeiro de 2027, que as vendas de gado feitas por fornecedores indiretos de frigoríficos na Amazônia Legal não sejam de áreas oriundas de desmatamento ilegal ou com outras irregularidades socioambientais, como prevê o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) da Carne. A vigência da nova regra foi adiada em seis meses em relação ao previsto inicialmente. O monitoramento passa, assim, a abranger os chamados fornecedores indiretos “nível 1”, ou seja, os pecuaristas que vendem gado às fazendas para a engorda final dos animais antes do abate. Serão considerados fornecedores indiretos todos aqueles imóveis rurais que tenham vendido bovinos aos fornecedores diretos entre 12 e 24 meses antes da compra final pelo frigorífico. O recorte temporal foi estabelecido para evitar que fossem contados animais adquiridos muito recentemente, que não tenham tido tempo para engordar até serem vendidos ao frigorífico, nem muito tardiamente, que já possam ter sido vendidos a outros frigoríficos. Até então, o MPF exigia o monitoramento e a auditoria das compras de gado apenas das compras diretas de gado dos frigoríficos. O TAC da Carne já prevê desde 2019 que as empresas signatárias não comprem animais provindos de nenhuma área com desmatamento ilegal, mas até então o monitoramento e auditoria dos dados era um desafio. Serão contabilizadas as vendas de gado dos fornecedores indiretos feitas a partir de 2027, mas o MPF só começará a monitorar as compras feitas em 2028, levando em consideração os dados das transações feitas a partir de 2027. A partir de janeiro de 2029, o MPF deverá avisar o frigorífico sobre as inconformidades dos fornecedores indiretos a partir de dados de uma plataforma criada pela UFMG que cruza automaticamente dados das Guias de Trânsito Animal (GTAs), Cadastros Ambientais Rurais (CARs) e outras bases de dados públicas. Os avisos serão dados quando ao menos 30% das compras de gado feitas pelo fornecedor direto tiverem problemas. Com o aviso dado, o frigorífico deverá bloquear as compras dos fornecedores diretos que tenham comprado os animais dos fornecedores indiretos com irregularidades. Caso tenha ocorrido uma identificação falsa de irregularidade, o fornecedor direto terá que provar a regularidade da fazenda de onde comprou o animal para engorda. Segundo o procurador Ricardo Negrini, “se o CAR [Cadastro Ambiental Rural] estiver validado e sem passivo, está resolvido o problema da propriedade rural. Isso serve como desbloqueio”. O fornecedor indireto de pequeno porte, com propriedades de até quatro módulos fiscais, também poderá ser desbloqueado caso entre em um programa de restauração produtiva via sistemas agroflorestais (SAF). Segundo Negrini, também poderá ser bloqueado o fornecedor direto que tenha comprado animais de fazendas irregulares em outros biomas que sejam monitorados pelo Prodes.
GLOBO RURAL
Em dois anos, 8% do gado vendido a frigoríficos na Amazônia teve problema socioambiental
Empresas devem mostrar que não compram animais de áreas com desmatamento ilegal, terras indígenas, unidades de conservação ou fazendas com trabalho análogo à escravidão
As compras auditadas envolveram 26 milhões de cabeças de gado. Quase 8% do gado vendido diretamente para frigoríficos da Amazônia Legal tiveram alguma inconformidade socioambiental entre 2023 e 2024, de acordo com o último ciclo de auditorias do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne na Amazônia. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (20/8) pelo Ministério Público Federal (MPF) e referem-se às vendas realizadas entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024. O patamar, de 7,51%, precisamente, ficou acima do limite de tolerância de inconformidade estabelecido pela Procuradoria, de 4%. Pelo compromisso assumido pelos frigoríficos no TAC da Carne, as empresas devem mostrar que não estão comprando gado de áreas com desmatamento ilegal, de terras indígenas, de unidades de conservação ou de fazendas com trabalho análogo à escravidão.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar fecha em alta no Brasil com ambiente externo negativo
O dólar fechou a quinta-feira em alta contra o real, refletindo o ambiente externo mais avesso ao risco, onde a divisa norte-americana reverteu as perdas da véspera e os rendimentos dos Treasuries voltaram a subir.
O dólar à vista fechou em alta de 0,31%, aos R$5,1937 na venda. Às 17h36, o contrato de dólar futuro para setembro — atualmente o mais negociado no Brasil — subia 0,30% na B3, aos R$5,2080. No mesmo horário, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,05%, a 98,880. O principal vetor dos movimentos dos mercados globais na quinta-feira foi o mercado de títulos dos Estados Unidos. Na quarta-feira, o anúncio do Tesouro dos EUA de que dobrará o volume das recompras de títulos de prazo mais longo no próximo trimestre para pelo menos US$4 bilhões fez os rendimentos caírem fortemente, principalmente nos títulos mais longos. Esse movimento fez o dólar enfraquecer perante a maioria das divisas globais, favorecendo o real.
Contudo, todo esse movimento perdeu força nesta quinta, com os rendimentos voltando a exibir tendência de alta, assim como o dólar, em meio a dúvidas dos investidores em relação à durabilidade do efeito das medidas anunciadas e preocupações em relação à dívida pública americana. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou no início da tarde que pode aumentar novamente o volume de títulos que o governo irá recomprar. O comentário arrefeceu parte da alta dos rendimentos dos Treasuries, mas sem grande impacto. Em outra frente, os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em alta de 2,36%, para US$93,78 o barril, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou sobre retaliações contra nações que apoiam o Irã, diminuindo ainda mais o apetite por ativos de risco no mercado global. “A combinação entre petróleo em alta, rendimentos americanos elevados e maior aversão ao risco reduziu o espaço para valorização dos ativos emergentes”, disse Marcos Praça, diretor de análises da Zero Markets Brasil.
REUTERS
Ibovespa fecha quase estável com quadro de incertezas ainda minando apetite a risco
O Ibovespa fechou quase estável na quinta-feira, após trocar de sinal algumas vezes no pregão, com a bolsa ainda vulnerável às incertezas envolvendo as eleições e o cenário fiscal e às preocupações com o nível de juros do país e seus reflexos na atividade econômica.
Vale e Petrobras representaram um suporte positivo relevante, enquanto bancos continuaram enfraquecidos pelas preocupações com o cenário do crédito e da inadimplência no país. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa registrou variação positiva de 0,03%, a 167.888,99 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 169.752,35 pontos na máxima e 166.965,79 pontos na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somava R$25,5 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Déficit primário estrutural do governo central alcança 1,4% do PIB até junho, diz IFI
Número é o dobro do registrado no mesmo período de 2025, quando o resultado negativo foi de 0,7% do PIB
O déficit primário estrutural do governo central alcançou 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no acumulado de quatro trimestres até junho deste ano, de acordo com estimativas divulgadas na quinta-feira (20) pela Instituição Fiscal Independente (IFI). O número é o dobro do registrado no mesmo período de 2025, quando o resultado negativo foi de 0,7% do PIB. O resultado estrutural das contas públicas é aquele que exclui eventos não recorrentes, como receitas e despesas extraordinárias, e ajusta os dados aos efeitos do ciclo econômico e do preço do petróleo. O objetivo é avaliar como estão as contas públicas sem fatores atípicos ou influência de ciclo econômico. Já o resultado primário convencional inclui três componentes: as receitas e despesas estruturais (o chamado resultado estrutural), as receitas e despesas não recorrentes (atípicas) e os dados cíclicos. Esse resultado primário convencional do governo central passou de um superávit de 0,1% do PIB para déficit de 1,1% do PIB no acumulado em quatro trimestres até junho deste ano. A piora de 1,2 ponto percentual é reflexo do aumento do déficit estrutural e da redução das contribuições positivas dos componentes cíclico e não recorrente, explica a IFI. O déficit estrutural foi quem deu a maior contribuição individual para a piora do resultado convencional, ao passar do saldo negativo de 0,7% para 1,4% do PIB. Já o saldo das receitas e despesas não recorrentes foi positivo, mas encolheu de 0,5% para 0,2% do PIB entre o acumulado de quatro trimestres encerrados em junho de 2025 e de 2026. Em valores nominais, caiu de R$ 57,6 bilhões para R$ 22,8 bilhões. Ou seja, houve uma queda no componente atípico do resultado primário convencional. A principal razão foi a redução das receitas atípicas, que passaram de R$ 87,2 bilhões para R$ 40,2 bilhões no período. Entre os fatores que explicam essa queda estão a redução das antecipações de dividendos e a ausência de receitas ligadas a concessões e outorgas, à transação tributária e à transferência de depósitos judiciais da Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro. Ou seja, essas receitas entraram no período de 2024 até meados de 2025, mas não se repetiram de lá para cá. As despesas atípicas também caíram no período, de R$ 29,6 bilhões para R$ 17,4 bilhões, mas a redução de R$ 12,2 bilhões não foi suficiente para neutralizar a perda de R$ 47 bilhões nas receitas não recorrentes líquidas. Pelo lado do componente cíclico, os dados da IFI também mostram perda de força. O resultado desse componente passou de superávit de 0,4% para 0,1% do PIB entre os acumulados de quatro trimestres até junho de 2025 e de 2026, respectivamente. O movimento foi associado à redução do hiato do produto, que, segundo as estimativas da IFI, caiu de 1,1% no segundo trimestre do ano passado para 0,5% no segundo trimestre deste ano. Isso significa que a economia continuou operando acima do seu nível potencial estimado, mas a distância em relação a esse nível diminuiu. Esse efeito, contudo, foi compensado pelo aumento das receitas de royalties e participações especiais. Os economistas Rafael Bacciotti e Alexandre Andrade, que assinam o estudo que consta no Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de agosto da IFI, alertam que a deterioração do resultado estrutural e o impulso fiscal expansionista da política econômica são pontos de atenção para o acompanhamento da trajetória fiscal. “Também merece atenção a possibilidade de perda de intensidade dos componentes cíclico e não recorrente, que ainda contribuem positivamente para o resultado convencional”, afirmam os economistas no RAF de agosto.
VALOR ECONÔMICO
Intenção de investimento da indústria cai em agosto ao pior patamar em 2026, aponta CNI
Índice caiu 0,6 ponto, de 53,2 em julho para 52,6 pontos, o terceiro recuo consecutivo
O índice que mede a intenção de investimento da indústria caiu 0,6 ponto em agosto, de 53,2 em julho para 52,6 pontos, o terceiro recuo consecutivo e o patamar mais baixo em 2026. Os dados são da Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quinta-feira (20). “A queda da intenção de investimento da indústria resulta da continuidade do ambiente macroeconômico desfavorável para o setor (por conta do) patamar elevado dos juros; aumento dos custos de produção e forte entrada de produtos importados”, explica Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI. A menor propensão para investir dos empresários industriais foi acompanhada pela queda das perspectivas. Em agosto, os índices de expectativa de quantidade exportada e de número de empregados caíram 1,5 e 0,7 ponto, para 49,5 e 49,4 pontos, respectivamente. Com isso, ambos ficaram abaixo da linha de 50 pontos e passaram a indicar projeção de queda das exportações e dos postos de trabalho da indústria nos próximos seis meses. Agosto também apresentou uma diminuição do otimismo dos empresários quanto à compra de insumos e matérias-primas e à demanda dos consumidores nos próximos meses. O primeiro índice caiu 1,2 ponto, para 51,2 pontos; o segundo recuou 0,7 ponto, para 52,6 pontos. Os dois indicadores seguem acima dos 50 pontos, apontando expectativas positivas, ainda que em menor grau do que em julho. Em julho, o índice de evolução da produção industrial subiu 2,6 pontos, para 51 pontos, patamar que aponta crescimento da produção industrial em relação a junho. Foi apenas o segundo mês do ano em que isso ocorreu. A única vez havia sido em março. O índice de evolução do número de empregados também cresceu, 0,4 ponto, para 48,6 pontos. No entanto, continuou abaixo dos 50 pontos, o que significa retração dos postos de trabalho frente ao mês de junho. Já a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) permaneceu em 70%. A UCI está um ponto percentual abaixo do observado em julho de 2024 e de 2025. O índice de evolução do nível de estoques aumentou 1,7 ponto na passagem de junho para julho, chegando aos 51 pontos. O indicador superou a linha de 50 pontos pela primeira vez no ano, sinalizando alta dos estoques de produtos da indústria após oito meses de queda. Ao mesmo tempo, o índice que compara o estoque efetivo com o planejado pelos industriais avançou 0,2 ponto, de 50 para 50,2 pontos. O resultado mostra que o nível de estoques continua em linha com o projetado pelas empresas. Para esta edição da pesquisa, a CNI consultou 1.407 empresas, sendo 578 pequenas, 489 médias e 340 grandes, entre 3 e 12 agosto de 2026.
VALOR ECONÔMICO
SUÍNOS
Preço do suíno segue em queda e setor enfrenta pior momento desde 2022
Além da baixa demanda, há sobreoferta de animais e de carne. Em São Paulo, o patamar de comercialização do suíno vivo em julho foi o terceiro menor de toda a série histórica do Cepea
O mercado independente de suínos em 2026 tem sido marcado por preços baixos, resultando em prejuízos e até mesmo no encerramento das atividades de alguns produtores, informa o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Além da baixa demanda, há sobreoferta de animais e, consequentemente, de carne, o que tem pressionado as cotações do suíno vivo de forma expressiva. Em São Paulo, o patamar de comercialização do suíno vivo em julho foi o terceiro menor de toda a série histórica do indicador Cepea/Esalq, com o preço médio em R$ 5,18 o quilo. Em agosto, as cotações estão ainda mais baixas. Na quarta-feira (19/8), o preço médio do animal para o suinocultor paulista estava em R$ 4,95 o quilo, uma queda de 2,94% desde o início de agosto. Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário é bastante semelhante ao observado em 2022. Para efeito de comparação, o pior momento do mercado naquele ano, nessa mesma praça, foi observado em fevereiro, quando a média era de R$ 5,97 o quilo, em valores reais (deflacionados pelo IGP-DI). Em Santa Catarina, maior produtor de suínos do Brasil, o recuo é ainda maior. A cotação na quarta-feira estava em R$ 4,61 o quilo, uma queda acumulada de 4,95% desde o início de agosto.
CEPEA
imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br
POWERED BY NORBERTO STAVISKI EDITORA LTDA
Whatsapp 041 999368886
