CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2777 DE 17 DE AGOSTO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2777 | 17 de agosto de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo perde força e encerra semana estável em SP

Boi gordo sobe até R$ 3/@ em Goiás e Tocantins

O mercado do boi gordo em São Paulo encerrou a semana sem mudanças nas cotações, segundo análise divulgada na sexta-feira (14) no informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria. Com poucos negócios e oferta de bovinos ajustada à procura, os frigoríficos reduziram as ofertas após formarem programações de abate que atendiam, em média, sete dias. Na comparação diária, as cotações permaneceram estáveis em São Paulo. A oferta de boiadas esteve na medida da demanda, enquanto a redução do volume de animais abatidos ajudou a dar sustentação ao mercado. Com as programações de abate formadas, os frigoríficos passaram a buscar melhores condições de compra e reduziram as ofertas pelos animais. Apesar da sustentação proporcionada pela menor quantidade de bovinos abatidos, o cenário para o início da segunda quinzena de agosto era de maior pressão sobre o mercado. Segundo dados divulgados pela Scot Consultoria, o escoamento da carne bovina no mercado interno seguia lento, enquanto as exportações apresentavam arrefecimento. A combinação entre consumo doméstico mais fraco e menor ritmo das vendas externas reduzia o espaço para novas altas nas cotações. Em Tocantins, a cotação do boi gordo subiu. A menor oferta de bovinos sustentou as altas, mas os ajustes foram moderados diante também da redução da demanda. Na região Sul do Estado, a cotação do boi gordo avançou R$ 1,00 por arroba. Os preços da vaca e da novilha permaneceram estáveis. Na região Norte, o boi gordo também teve alta de R$ 1,00 por arroba, enquanto as cotações da vaca e da novilha subiram R$ 2,00 por arroba. A arroba do “boi China” permaneceu estável em Tocantins. Em Goiás, houve movimentos diferentes entre as regiões. Na comparação diária, foram registradas altas para o “boi China” e para o boi gordo na região Sul do Estado. Na região de Goiânia, as cotações permaneceram estáveis para todas as categorias. Na região Sul, o preço do boi gordo subiu R$ 3,00 por arroba, enquanto as cotações da vaca e da novilha não apresentaram mudanças. O “boi China” também registrou valorização de R$ 3,00 por arroba na região Sul de Goiás. O comportamento regional mostra que a oferta de bovinos continua sendo um dos principais fatores de sustentação das cotações, embora a demanda por carne e o ritmo das exportações possam limitar o espaço para novas altas no curto prazo.

SCOT CONSULTORIA

O mercado atacadista confirma a tendência de queda e apresenta recuo em suas cotações

O mercado físico do boi gordo apresenta manutenção do padrão das negociações em grande parte do país.

O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias ressalta que os frigoríficos de maior porte ainda desfrutam de uma posição mais confortável em suas escalas de abate, enquanto as indústrias de menor porte apresentam maiores dificuldades. “Este é o ponto central para o restante do mês, se haverá disponibilidade de gado nas próximas semanas que seja capaz de atender as necessidades da indústria frigorífica. A Balança Comercial divulgada semanalmente é outro fator importante para a formação dos preços”, ressaltou Iglesias. Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 347,58. Goiás: R$ 336,25. Minas Gerais: R$ 339,76. Mato Grosso do Sul: R$ 342,61. Mato Grosso: R$ 333,24. O mercado atacadista confirma a tendência de queda e apresenta recuo em suas cotações. A expectativa é de menor ritmo de reposição, diante da perda de efeito da entrada dos salários na economia e do encerramento da demanda associada ao Dia dos Pais. “Os cortes bovinos continuam perdendo competitividade em relação às proteínas concorrentes, especialmente na comparação com a carne de frango”, disse Iglesias. Quarto dianteiro: R$ 21,20 por quilo, queda de R$ 0,30. Ponta de agulha: R$ 19,70 por quilo, queda de R$ 0,30. Quarto traseiro: segue a R$ 27,00 por quilo.

SAFRAS NEWS

Boi e vaca firmam alta na região de Paragominas, PA

A cotação do boi gordo e a da vaca subiu. Para a novilha, a semana foi de estabilidade.

Na segunda semana de agosto, na região de Paragominas no Pará, a cotação do boi gordo e a da vaca registrou alta na comparação semana a semana, sustentada pela menor oferta. A novilha permaneceu estável. A arroba do boi gordo subiu 2,4%, ou R$8,00, negociada em R$344,50. Para a vaca gorda, a alta foi de 0,6%, ou R$2,00/@, negociada em R$321,50/@. Enquanto a arroba da novilha não registrou variação no período, cotada em R$324,50. Não houve diferencial de base para o boi gordo, com a arroba em São Paulo cotada, em média, em R$344,50. Todos os preços são a prazo, descontados o Senar e o Funrural. No curto prazo, o viés é de estabilidade à alta na região.

SCOT CONSULTORIA 

Mercado do boi gordo teve semana de preços estáveis e poucos negócios

Frigoríficos reduziram as ofertas e passaram a buscar melhores condições de compra. A redução do volume de bovinos abatidos também ajudou a sustentar o mercado

O mercado pecuário teve uma semana marcada pela estabilidade na maior parte das regiões brasileiras, com poucos negócios fechados diariamente e uma oferta de boiadas atendendo à procura, informa a Scot Consultoria. Com as programações formadas, os frigoríficos reduziram as ofertas e passaram a buscar melhores condições de compra. A redução do volume de bovinos abatidos também ajudou a sustentar o mercado. Contudo, com o escoamento de carne no mercado interno lento, somado ao arrefecimento das exportações de carne bovina, o viés para o início da segunda quinzena de agosto era de mercado pressionado. Na sexta-feira (14/8), das 33 regiões monitoradas pela Scot Consultoria, 25 não tiveram alterações no preço do boi gordo na comparação diária. Foram registradas altas no Triângulo Mineiro, Belo Horizonte (MG), norte de Minas Gerais, sul de Goiás, oeste do Rio Grande do Sul, oeste do Maranhão e sul e norte de Tocantins. Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado, a cotação seguiu em R$ 350 a arroba para o pagamento em 30 dias. Os preços do “boi China”, da vaca e da novilha também não mudaram. Já o indicador Cepea/Esalq, baseado nos negócios realizados no Estado de São Paulo, apontou a cotação de R$ 346,75 nesta sexta-feira, uma queda semanal de 0,21%. No acumulado de agosto, o indicador registra estabilidade, com uma leve alta de 0,06%. Os frigoríficos de maior porte ainda desfrutam de uma posição mais confortável em suas escalas de abate, enquanto as indústrias de menor porte apresentam maiores dificuldades, destaca a consultoria Safras & Mercado. “Este é o ponto central para o restante do mês, se haverá disponibilidade de gado nas próximas semanas que seja capaz de atender as necessidades da indústria frigorífica”, afirma Fernando Iglesias, analista da Safras. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) ressalta que a carcaça casada de boi tem mantido diferença consistente em relação ao boi gordo. Na parcial de agosto até o dia 13, o boi esteve cotado, em média, a R$ 347,84 a arroba, segundo o indicador Cepea, enquanto a carcaça casada esteve, em média, a R$ 361,65 a arroba. A diferença é de R$ 13,81, com vantagem para a carne. O mercado atacadista confirma a tendência de queda e apresenta recuo em suas cotações, destaca a Safras. A expectativa é de menor ritmo de reposição, diante da perda de efeito da entrada dos salários na economia e do encerramento da demanda associada ao Dia dos Pais, concentrada na primeira semana do mês.

GLOBO RURAL

Carne bovina: saída de China e eu pode elevar oferta interna em até 32%

Estudo da Agrifatto aponta setembro como período mais crítico, com maior oferta de carne no mercado doméstico e possível pressão sobre a arroba do boi gordo

A saída simultânea da China e da União Europeia do mercado comprador pode provocar uma mudança importante na dinâmica da carne bovina brasileira nos próximos meses. Com menos espaço para as exportações, uma parcela significativa da produção destinada ao exterior poderá permanecer no mercado interno, aumentando a disponibilidade de carne no País. Estudo da Agrifatto estima que, no período mais crítico, a oferta de carne bovina no mercado interno pode aumentar em até 32%. O impacto ganha ainda mais relevância diante da dificuldade de redirecionar esse volume para outros destinos, mesmo com o crescimento das compras de países como Estados Unidos, Argentina e Uruguai. Para o pecuarista, o cenário acende um alerta para o mercado do boi gordo. O aumento da oferta doméstica de carne bovina pode limitar a reação dos preços da arroba justamente em um momento de menor disponibilidade de animais terminados e de expectativa de valorização associada à virada do ciclo pecuário.

AGRIFATTO

ECONOMIA

Dólar tem mais longa sequência de altas do ano e atinge maior cotação desde final de março

O dólar fechou a sessão desta sexta-feira em alta firme contra o real, na contramão do exterior, marcando a maior sequência de altas diárias do ano em meio a um movimento de aversão ao risco nos mercados brasileiros e acumulando na semana uma valorização de 2,7%.

O dólar à vista fechou o dia com alta de 0,61%, aos R$5,2213 na venda, maior cotação desde 30 de março. Foi a quinta sessão consecutiva de alta — mais longa sequência desde dezembro do ano passado, quando houve sete altas seguidas. No ano, a moeda norte-americana agora tem queda de 4,88% ante o real. Às 17h03, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,78% na B3, a R$5,242. A desvalorização do real — que nesta sessão acompanhou queda do Ibovespa e alta generalizada dos juros futuros — se dá em meio a uma saída de capital do mercado brasileiro, à medida que grandes fundos reduzem sua exposição ao Brasil no período pré-eleitoral. Após saldo positivo em julho, dados da B3 mostram uma saída líquida de R$13,56 bilhões em capital externo da bolsa em agosto até o dia 12. Já no exterior o dólar tinha queda após dados dos EUA mostrando uma queda inesperada das vendas no varejo em julho reforçarem apostas do mercado de que o Federal Reserve não elevará a taxa de juros em setembro. O indicador veio após dados benignos de inflação nos EUA esta semana já terem contribuído para essa tendência. Às 17h15, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,27%, a 99,652. Ainda assim, o aumento das tensões no Oriente Médio afetava o humor dos investidores e impulsionava os futuros do petróleo Brent. Os Estados Unidos disseram que podem manter indefinidamente um bloqueio naval contra o Irã e aumentar a pressão econômica sobre o país, enquanto as negociações de cessar-fogo permanecem paralisadas — cenário que se soma aos ataques a mais dois navios no Estreito de Ormuz, o que deixou o tráfego na região praticamente parado.

REUTERS

Ibovespa recua e fecha semana com maior série de perdas diárias desde 2023

O Ibovespa reduziu as perdas no fim do pregão, mas ainda fechou em queda nesta sexta-feira, a nona seguida, em meio à saída de estrangeiros da bolsa paulista, com o último pregão da semana também marcado por vencimento de opções sobre ações e repercussão de balanços.

O movimento recente mais negativo tem como pano de fundo preocupações com o efeito do nível elevado de juros na atividade econômica e a perspectiva fiscal do país, além de incertezas eleitorais e geopolíticas. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,13%, a 166.876,91 pontos, acumulando uma perda de 3,27% na semana, de acordo com dados preliminares. Na mínima do dia, chegou a 164.835,38 pontos. Na máxima, a 167.099,46 pontos. Com tal desempenho, o Ibovespa completou a maior série de perdas desde as 13 quedas seguidas de 1º a 17 de agosto de 2023. Na atual sequência de nove baixas, acumulou um declínio de 6,25%, que reduziu ainda mais a alta no ano, agora para 3,57%, conforme informações antes dos ajustes finais. O volume financeiro nesta sexta-feira somava R$27 bilhões.

REUTERS 

Varejo e vagas temporárias impulsionaram confiança no emprego em julho, diz FGV

Parcela dos que responderam ser muito improvável ou improvável perder o principal emprego ou a fonte de renda foi de 59,3%, em julho, maior fatia na série da pesquisa, atualmente em sua 14ª edição

A perspectiva de um maior número de vagas temporárias disponíveis no segundo semestre pode ter impulsionado resultados mais favoráveis na Sondagem do Mercado de Trabalho da Fundação Getulio Vargas (FGV). A avaliação é de Rodolpho Tobler, economista da fundação responsável pelo indicador. Na sondagem, veiculada na sexta-feira (14) pela fundação, a parcela dos que responderam ser muito improvável ou improvável perder o principal emprego ou a fonte de renda foi de 59,3%, em julho. Foi a maior fatia na série da pesquisa, atualmente em sua 14ª edição, disse Tobler. Ao mesmo tempo, a fatia dos que informaram ser “provável ou muito provável” perder o emprego foi a menor da série da sondagem. “O que temos visto é que os trabalhadores ainda têm se enxergado em uma posição ainda muito favorável, no sentido de não entender que há algum risco, um grande risco, de perder o principal trabalho, a ocupação, nos próximos meses”, resumiu ele. O especialista foi questionado sobre como entender os dados da sondagem com o comportamento da economia de serviços, que emprega mais da metade do mercado formal brasileiro. Em junho, dado mais recente dessa atividade, mapeado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou estabilidade ante maio. Tobler respondeu ser possível que os sinais de desaceleração no setor de serviços, embora já visíveis nos dados do IBGE, ainda não tenham sido totalmente percebidos pelos trabalhadores – ou não tenham levado a demissões em massa por parte das empresas do setor. Outro ponto levantado pelo técnico é o fato de que comércio, também nos dados do IBGE, mostrou dados bons, com a segunda alta consecutiva no volume de vendas no varejo restrito, em junho ante maio. Esse é um setor bastante empregador, lembrou ele. Também o varejo é muito favorecido pela abertura de vagas temporárias, no segundo semestre, acrescentou. Assim, a expectativa do trabalhador de encontrar uma economia mais aquecida, nos últimos seis meses do ano, principalmente no varejo, o que sempre ocorre, historicamente, também pode ter contribuído para o resultado positivo delineado na sondagem da fundação, notou. “Quando entramos no segundo semestre, é natural que as pessoas fiquem mais animadas ou até um pouco mais seguras em relação ao seu trabalho. Porque, de fato, ali no final do ano costuma ter esse aquecimento maior [na economia]” disse. Assim, ele não descartou a continuidade, dessa percepção mais favorável do trabalhador, nos próximos meses, o que pode gerar novos impactos positivos, na sondagem.

VALOR ECONÔMICO 

Economistas veem déficit primário maior em 2026 e 2027 e dívida mais alta ano que vem, mostra Prisma

Economistas consultados pelo Ministério da Fazenda pioraram suas projeções para o déficit primário do governo central em 2026 e 2027, prevendo também uma dívida pública mais alta no ano que vem, mostrou o relatório Prisma divulgado na sexta-feira.

A mediana das expectativas para o déficit primário em 2026 passou para R$59,145 bilhões no relatório de agosto, de R$58,077 bilhões em julho. Para 2027, a previsão é de déficit de R$55,000 bilhões. O governo tem como meta alcançar um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto em 2026 e de 0,50% em 2027, mas há despesas que não são consideradas para efeitos da meta, que conta ainda com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB. O Prisma estimou que a dívida bruta do governo ficará em 83,00% do PIB em 2026, mesma previsão apontada em julho. Para 2027, a expectativa é que o indicador salte para 86,77% do PIB, acima dos 86,50% estimados no mês anterior. A equipe econômica do governo tem argumentado que o endividamento segue elevado apesar de uma melhora em resultados primários ao longo dos anos por conta do nível alto da taxa básica Selic, que eleva o gasto com juros da dívida pública. A Selic está atualmente em 14,00% ao ano após quatro cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, mas o Banco Central não indicou o que fará com os juros básicos na próxima reunião, em setembro. Do lado da arrecadação, a expectativa mediana da receita líquida do governo central para este ano apontada no Prisma subiu para R$2,574 trilhões, de R$2,567 trilhões no levantamento anterior. Para 2027, a projeção é de R$2,732 trilhões, mesmo nível do levantamento anterior. Na frente dos gastos, houve leve queda na previsão para as despesas do governo central neste ano, a R$2,624 trilhões, de R$2,626 trilhões anteriormente. No caso de 2027, a projeção das despesas é de R$2,787 trilhões, acima dos R$2,776 trilhões apontados um mês antes.

REUTERS 

Agroindústria teve retração de 0,3% no primeiro semestre

Enquanto indústrias de alimentos e bebidas ainda tiveram crescimento, os segmentos não alimentícios tiveram queda. Indústria de alimentos cresceu no primeiro semestre

A agroindústria começou o ano com a produção em alta, mas perdeu força ao longo dos meses seguintes e encerrou o primeiro semestre com retração acumulada de 0,3%, de acordo com o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV (FGV Agro). Entre os segmentos, os comportamentos foram distintos. Enquanto as indústrias não alimentícias tiveram contração de 2% no semestre, as de alimentos e bebidas cresceram 1,1% no período. Para o FGV Agro, “a desaceleração da economia brasileira e as turbulências no setor externo explicam a perda de ritmo do setor” no semestre. A indústria com pior desempenho no semestre foi a de insumos agropecuários (queda de 8,3% na produção). O segmento já vinha registrando retração desde 2025 e teve o desempenho agravado pela guerra no Oriente Médio, dado seus “potenciais efeitos sobre custos e disponibilidade de insumos”, explicou o centro de estudos. Outros segmentos que também tiveram desempenho negativo no semestre foram os de produtos têxteis (-5%) e produtos florestais (-2,4%). Já as indústrias de biocombustíveis tiveram aumento da produção, com alta de 18,1% no semestre, puxadas pelo aumento da moagem de cana-de-açúcar. Também houve alta de 1,6% na produção das indústrias de fumo. O comportamento das agroindústrias também foi distinto na comparação entre o primeiro e o segundo trimestres. Entre janeiro e março, o indicador subiu 0,3% em relação ao mesmo período ao ano passado, enquanto entre abril e junho a produção caiu 0,8%. No segmento de produtos alimentícios e bebidas, todas as indústrias tiveram aumento de produção no primeiro semestre. O destaque foram as indústrias de bebidas alcoólicas e não alcoólicas — ambas cresceram 1,5%. Já a produção das indústrias de alimentos de origem animal subiu 1,3%, puxada por carne e de laticínios. As indústrias de alimentos de origem vegetal cresceram 0,4% até junho, sustentadas por conservas e sucos, óleos e gorduras, moagem de trigo e café. Enquanto esse segmento avançou 4,4% no primeiro trimestre, no trimestre seguinte contraiu 2,7%. Somente em junho, o PIMAgro caiu 0,9% na comparação anual, a segunda baixa consecutiva. Para o FGV Agro, a agroindústria deverá ser impactada no segundo semestre do ano pelo preenchimento da cota chinesa para a carne bovina. Isso porque a produção destinada ao país asiático vinha dando fôlego para um dos segmentos mais dinâmicos do indicador. A interrupção dos embarques de produtos de origem animal à União Europeia, que deve entrar em vigor em 3 de setembro, também deve afetar o indicador.

VALOR ECONÔMICO 

Agronegócio bate recorde de exportações em julho com US$ 16,34 bilhões

Soja lidera, frango bate recorde e China concentra 34,5% das vendas.

As exportações brasileiras do agronegócio alcançaram US$ 16,34 bilhões em julho de 2026, maior valor já registrado para o mês. O resultado representa crescimento de 5,4% frente aos US$ 15,50 bilhões de julho de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) analisados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O agronegócio respondeu por 47,9% das exportações totais brasileiras no período. O complexo soja liderou entre os setores, com US$ 7,15 bilhões e avanço de 22,4%, seguido pelas carnes, que movimentaram US$ 2,91 bilhões, alta de 5,2%. A soja em grãos respondeu sozinha por US$ 5,87 bilhões, crescimento de 17,4%, com embarques recordes de 13,4 milhões de toneladas. A China absorveu 70% do valor exportado da oleaginosa no mês. Na proteína animal, a carne de frango in natura alcançou recorde para meses de julho, com receita de US$ 876,17 milhões, alta de 33,9%. O volume avançou 24,9%, para 430,74 mil toneladas, enquanto o preço médio aumentou 7,2%. A carne bovina in natura movimentou US$ 1,45 bilhão, queda de 5,8%, com redução de 17,7% no volume embarcado. O preço médio, por outro lado, subiu 14,4%. A China permaneceu como principal destino, apesar da retração das compras. Já a carne suína in natura somou US$ 277,93 milhões, recuo de 6,5% em receita, mesmo com aumento de 2,3% no volume. O Japão assumiu a liderança entre os destinos no mês, com US$ 60,84 milhões. Entre janeiro e julho, as exportações do agronegócio atingiram o recorde de US$ 103,4 bilhões, crescimento de 6% sobre 2025. Soja em grãos e carne bovina foram os principais responsáveis pela expansão. A China manteve-se como principal mercado no acumulado, com US$ 36,2 bilhões e participação de 35%.

MAPA 

EMPRESAS

MBRF deve redirecionar aos EUA carne brasileira que iria para a China

Empresa também busca reverter a decisão do governo chinês de suspender as importações de carne da planta de Tacuarembó, no Uruguai. MBRF pretende continuar atendendo o mercado chinês com carne bovina proveniente das operações no Uruguai e na Argentina

O CEO da MBRF, Miguel Gularte, disse a jornalistas que, diferentemente do que vem fazendo para o mercado do Oriente Médio — formar estoques de frango para continuar suprindo a região —, a empresa não está fazendo estoques de carne bovina para abastecer a China quando a cota de exportação brasileira ao país, sem tarifa de 55%, for preenchida. Segundo Gularte, a empresa pretende continuar atendendo o mercado chinês com carne bovina proveniente das operações no Uruguai e na Argentina. “Não precisamos fazer um estoque de contingência para usar em 2027 [com a China]. Podemos seguir operando de forma normal, direcionando aos Estados Unidos a carne brasileira e continuar exportando para a China e atendendo o nosso portfólio de clientes através do Uruguai e Argentina”, disse o executivo. Na sexta-feira (14/8), Gularte afirmou a analistas que a empresa vem trabalhando com o governo do Uruguai para reverter a decisão da China de suspender as importações de carne bovina da planta de Tacuarembó. A decisão foi informada por autoridades chinesas no dia 6 de agosto, segundo comunicado do governo uruguaio do dia 7 de agosto. “Esperamos que essa suspensão ocorra em um tempo mais curto. Estamos trabalhando com o governo do Uruguai para que isso seja revertido e, se não acontecer no curto prazo, estamos absolutamente preparados para redirecionar a outras plantas”, afirmou Gularte a analistas. Conforme o comunicado do ministério da agricultura, pecuária e pesca do Uruguai, autoridades sanitárias da China informaram a detecção de resíduos do medicamento veterinário chamado “imidocarb” acima do limite permitido em um embarque de carne bovina sem osso produzida na unidade. O comunicado do governo uruguaio diz ainda que no dia 19 de maio a Administração Geral de Aduanas de China (GACC) já havia informado ter encontrado imidocarb acima do limite permitido em outra carga de carne da planta da MBRF no Uruguai. O consumo de carne de frango no mercado brasileiro melhorou sequencialmente, mês após mês, durante o primeiro semestre, segundo o CEO da MBRF, Miguel Gularte. O executivo participou nesta manhã de teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre de 2026. “Isso é explicado por nossa assertividade e capilaridade, e força das marcas. Vemos claramente uma priorização, pelo consumidor, das proteínas”, disse Gularte a analistas. O executivo comentou que o quadro de demanda continua “bastante” favorável também no mercado internacional. Ele destacou que a decisão da companhia de garantir o suprimento de alimentos em países do Oriente Médio após o início do conflito na região, em fevereiro, se mostrou acertado. A Sadia Halal, de negócios no Oriente Médio, registrou aumento de 16,6% da receita líquida, que somou US$ 590 milhões, e dobrou o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, para US$ 95 milhões. A empresa também exporta para a região a partir do Brasil. “Se naquela região o conceito de segurança alimentar era muito valioso, com o conflito se potencializou. E se estava mais concentrado na Arábia Saudita, passou para toda a região”, disse Gularte. Questionado sobre um eventual enfraquecimento do varejo no próximo ano, Gularte reforçou que as carnes e outros produtos com proteínas continuarão entre as categorias mais resilientes em 2027. O CEO lembrou que a empresa fez nos últimos anos investimentos em produtos de maior valor agregado e com preparo mais prático, cuja demanda segue firme tanto no mercado interno quanto externo. “São produtos que têm resiliência de consumo maior do que produtos in natura”, explicou Gularte.

GLOBO RURAL

FriGol tem queda de 97,5% no lucro líquido no segundo trimestre

Rentabilidade foi pressionada pela valorização da arroba do boi gordo, em um cenário de menor oferta de gado no Brasil. A FriGol abateu 225.527 bovinos no trimestre, uma alta de 45,9% em relação ao mesmo período de 2025

A processadora de carne bovina FriGol encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 2,2 milhões, queda de 97,5% em relação ao mesmo período no ano passado (R$ 86,6 milhões). Segundo a companhia, a rentabilidade foi pressionada pela valorização da arroba do boi gordo, em um cenário de menor oferta de gado no Brasil, além da forte base de comparação do segundo trimestre de 2025. O Ebitda, lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 52,9 milhões, recuo de 65,7% na comparação anual, com margem de 3,4%. A FriGol abateu 225.527 bovinos no trimestre, uma alta de 45,9% em relação ao mesmo período de 2025, resultado da parceria firmada neste ano para a prestação de serviços de industrialização em três plantas em Rondônia (duas em JiParaná e uma em Rolim de Moura). A receita líquida atingiu R$ 1,55 bilhão, alta de 57,6% em relação ao segundo trimestre de 2025 e recorde para a companhia. A receita bruta cresceu 56,5%, para R$ 1,62 bilhão. De acordo com a empresa, o avanço refletiu a alta dos preços no mercado chinês. No Brasil, o faturamento cresceu 70%, mesmo diante de um cenário de consumo e preços estáveis. “Nossa estratégia foi direcionar esforços para produtos de maior valor agregado e ampliar nossa presença em novas praças, como os estados de Rondônia, Acre, Amazonas e Roraima”, afirmou Luciano Pascon, CEO da FriGol, em nota. Pascon também destacou a diversificação dos mercados externos. As exportações responderam por 52,4% da receita bruta no trimestre, enquanto o mercado brasileiro representou 47,6%. No mercado interno, os volumes vendidos das linhas Chef, Angus, BBQ Secrets e Açougue Completo cresceram 20% em relação ao segundo trimestre de 2025. A companhia também inaugurou cinco lojas Açougue Completo FriGol em São Paulo e duas lojas Açougue FriGol em Porto Velho (RO).

GLOBO RURAL

Resultados da Sadia Halal deixam companhia bem-posicionada para futuro IPO, diz CEO da MBRF

Os resultados recordes da Sadia Halal reforçam o potencial de uma futura oferta pública inicial de ações (IPO) da unidade da MBRF voltada ao Oriente Médio, afirmou o CEO da companhia, Miguel Gularte, na sexta-feira.

“A Sadia Halal performou um resultado que foi o dobro do ano anterior, o que nos deixa muito bem-posicionados para o futuro IPO… com certeza vai ser um êxito para a Sadia Halal”, disse o executivo em teleconferência para comentar os resultados do segundo trimestre da MBRF.

O comentário ocorreu após a Sadia Halal mais do que dobrar seu Ebitda ajustado no trimestre, para US$95 milhões, impulsionado por preços mais elevados em meio aos efeitos da guerra entre Irã e Estados Unidos e Israel. A margem Ebitda ajustada avançou 6,9 pontos percentuais na comparação anual, para 16,1%, à medida que a empresa priorizou o abastecimento da região e ampliou estoques. A MBRF anunciou anteriormente um acordo com a Halal Products Development Company (HPDC), subsidiária do fundo soberano da Arábia Saudita, como parte dos preparativos para um IPO da plataforma de produção e distribuição da Sadia Halal no Oriente Médio a partir de 2027, sujeito às condições de mercado.

REUTERS

MBRF espera reduzir alavancagem com mais eficiência e gestão de recursos

Redução de investimentos e conversão de capital de giro em Ebitda fazem parte das estratégias: José Ignacio Scoseria, vice-presidente de finanças da MBRF

A MBRF vem adotando uma série de medidas para reduzir sua alavancagem, que ficou em 3,41 vezes – medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado nos 12 meses encerrados em junho, disse a analistas o vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores da companhia, José Ignacio Scoseria. Ele participou, na sexta-feira (14/8) de teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre de 2026. Os esforços passarão pela busca de mais eficiência e gestão de custos. Em 2026, a companhia tem implementado estratégia já utilizada no ano passado, de travar antecipadamente compras de grãos com entrega e pagamento futuros, a fim de se prevenir contra riscos e oscilações de preços. “Estamos trabalhando com posições alongadas de grãos, não necessariamente com compras físicas, mas contratos a termo, para mitigar riscos e assegurar níveis de preços. Isso não necessariamente tem a ver com dispêndio de capital ou um consumo de capital de giro maior no segundo semestre”, explicou Scoseria a jornalistas. Scoseria disse que a alavancagem atual reflete tanto a baixa contribuição da National Beef ao lucro como as taxas de juros elevadas no Brasil, que se refletem nas dívidas da companhia. Uma das frentes para reduzir a alavancagem será diminuir o Capex (investimentos), o que já vem ocorrendo e deve continuar sendo feito no ano que vem, para o piso da faixa de recursos para manutenções, historicamente entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões, segundo Scoseria. Desse valor, R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões devem ir para a BRF e cerca de R$ 1 bilhão para as operações de bovinos nas américas. Mais sinergias a serem extraídas da fusão de MBRF e Marfrig bem como ações contínuas para elevar a eficiência nas operações também devem ajudar. A conversão de capital de giro consumido no segundo trimestre – com formação de estoques maiores para atender o Oriente Médio, preços de gado mais alto, composição de estoques para festas de fim de ano no Brasil, entre outros fatores – em Ebitda no segundo semestre também deve entrar na conta para diminuir a alavancagem, conforme Scoseria. A favor da empresa há ainda a perspectiva de entrada de recursos relacionados a eventos extraordinários decorrentes do acordo com a Halal Products Development Company (HPDC), subsidiária integral do fundo soberano saudita Public Investment Fund (PIF) e que detém participação na Sadia Halal. “Com tudo isso vamos trazer a alavancagem gradualmente para baixo”, afirmou Scoseria.

VALOR ECONÔMICO

FRANGOS

Frango/Cepea: Preços da carne reagem; embarques têm ritmo recorde

As cotações da carne de frango apresentam reação no mercado doméstico. Segundo o Cepea, o período de pagamento de salários, em que consumidores geralmente têm maior poder de compra, aliado ao de volta às aulas, contribuiu para aquecer a demanda e sustentar os preços da carne.

Agentes consultados pelo Cepea apontam, ainda, que os estoques estão relativamente ajustados à demanda, o que evita pressão sobre as cotações. No mercado externo, o cenário também é de firmeza. Segundo dados da Secex, analisados pelo Cepea, as exportações brasileiras de carne de frango in natura apresentam ritmo recorde na parcial de agosto. Nos cinco primeiros dias úteis do mês, o volume médio diário embarcado atingiu 30 mil toneladas, o maior já registrado em toda a série histórica da Secex, iniciada em 1997.

CEPEA

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