
Ano 11 | nº 2776 | 14 de agosto de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: sem mudanças em São Paulo
Mercado estável, com oferta e demanda em equilíbrio.
Na avaliação da Scot Consultoria, em São Paulo, a oferta de boiadas e a procura pela matéria-prima estão equilibradas. “Os frigoríficos negociam com cautela, comprando apenas o necessário para manter as escalas confortáveis, que atendem, em média, a 8 dias”, relata a Scot. Porém, diz a consultoria, o escoamento da carne no mercado interno paulista está lento, o que limita espaço para novas altas nas cotações da arroba. Pelos dados da Scot, no interior de’ São Paulo, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 350/@, o “boi China” em R$ 352/@, a vaca gorda em R$ 325/@ e a novilha terminada em R$ 337/@ (valores brutos, no prazo). As cotações ficaram estáveis na comparação feita dia a dia. A oferta de boiadas e a procura estavam equilibradas. Os frigoríficos negociavam com cautela, comprando apenas o necessário para manter as escalas confortáveis, que atendiam, em média, a oito dias. E a oferta seguiu controlada pela ponta vendedora. O escoamento da carne no mercado interno estava lento para o momento, o que limitava espaço para novas altas. No Paraná, a cotação do boi gordo subiu R$2,00/@. A cotação da vaca e a da novilha não mudou. No Pará, após a valorização do boi gordo em todas as praças no dia anterior, a cotação não mudou. A oferta, porém, seguiu enxuta e os frigoríficos encontraram dificuldade para a formação das escalas. Na exportação de carne bovina in natura, na primeira semana de agosto, o volume exportado foi de 52,4 mil toneladas, com uma média diária de 10,5 mil toneladas, queda de 17,9% frente ao embarcado por dia em agosto de 2025. A cotação média da tonelada ficou em US$6,2 mil, alta de 10,5% na comparação com o mesmo período de 2025.
SCOT CONSULTORIA
Boi gordo tem negociações acima da referência no Norte e abaixo no Centro-Sul
Atual diferença nas escalas de abate dos frigoríficos no topo do mapa exerce pressão sobre os valores negociados
O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com predominante acomodação nos preços. O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Iglesias ressalta que diante do atual posicionamento das escalas de abate, o cenário tem se mostrado mais complicado na Região Norte, que ainda apresenta muitas negociações acima da referência média. “No Centro-Sul o mercado está mais acomodado, com manutenção do padrão de negócios. É válido mencionar que os frigoríficos de maior porte já contam com maior incidência de animais de parceria. Além disso, as férias coletivas possibilitaram a reorganização das escalas de abate de outras unidades próximas”, contextualiza. O especialista ainda destaca que os frigoríficos de menor porte ainda enfrentam mais dificuldade na composição das escalas. Preços médios do boi gordo: São Paulo: R$ 349,33 — ontem: R$ 350,33. Goiás: R$ 338,07 — ontem: R$ 337,43. Minas Gerais: R$ 338,53 — ontem: R$ 337,35. Mato Grosso do Sul: R$ 342,66 — ontem: R$ 342,70. Mato Grosso: R$ 333,45 — ontem: R$ 333,27. O mercado atacadista apresenta preços firmes para a carne bovina. “A expectativa é de menor ritmo de reposição ao longo desta semana, diante da redução do efeito da entrada dos salários na economia e do encerramento da demanda relacionada ao Dia dos Pais”, conta Iglesias. Ele completa dizendo que os cortes bovinos continuam perdendo competitividade frente às proteínas concorrentes, especialmente na comparação com a carne de frango. Quarto dianteiro: segue a R$ 21,50 por quilo. Ponta de agulha: permanece a R$ 20,00 por quilo. Quarto traseiro: continua a R$ 27,00 por quilo.
SAFRAS NEWS
Boi/Cepea: Exportações diminuem, mas preço elevado limita queda na receita
Após registrarem o melhor primeiro semestre da história, os embarques brasileiros de carne bovina iniciaram a segunda metade de 2026 em ritmo mais moderado.
Segundo o Cepea, a desaceleração de julho está principalmente relacionada à redução das exportações para a China, após a forte antecipação das vendas a esse mercado nos primeiros meses do ano e o avanço do preenchimento da cota estabelecida pelo país, que, segundo o governo chinês, já está em 90%. De acordo com dados da Secex, as exportações brasileiras de carne bovina somaram 257,983 mil toneladas em julho, queda de 16,83% frente ao mesmo mês de 2025. A receita obtida, por sua vez, recuou em intensidade bem menor, saindo de US$ 1,66 bilhão em julho do ano passado para US$ 1,56 bilhão em julho deste ano, retração de 6,02%. Pesquisadores do Cepea ressaltam que a diferença entre a retração anual do volume exportado e a da receita revela que a carne bovina brasileira vem sendo comercializada internacionalmente a valores mais elevados.
CEPEA
ECONOMIA
Dólar sobe pela quarta sessão seguida e acumula alta de 2% na semana
O dólar fechou a quinta-feira mais uma vez em leve alta frente ao real, marcando a quarta elevação consecutiva da divisa em uma sessão em que novos dados no Brasil e no exterior não foram suficientes para direcionar fortemente a moeda norte-americana.
O dólar à vista fechou o dia com alta de 0,23%, aos R$5,1896, acumulando avanço de 2,07% na semana. No ano, a moeda norte-americana ainda cai 5,45% ante o real. Às 17h07, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,05% na B3, a R$5,2125 na venda. Dados divulgados pelo governo dos EUA nesta quinta mostraram que os preços ao produtor nos EUA ficaram estáveis em julho, após uma queda de 0,1% em junho, segundo dado revisado. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,2% do índice, após recuo de 0,3% divulgado anteriormente em junho. O dado contribuiu para nova queda nas apostas de uma elevação da taxa básica de juros do Federal Reserve em setembro, após índice de inflação ao consumidor divulgado na véspera já ter tido impacto semelhante ao vir em linha com o esperado. Às 17h13, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — tinha variação positiva de 0,03%, a 99,974. A moeda norte-americana tinha variações mistas modestas contra pares emergentes do real no final da tarde, com o peso chileno caindo 0,09%, enquanto o peso mexicano subia 0,12%. No cenário doméstico, o IBGE informou pela manhã que o varejo brasileiro encerrou o segundo trimestre com alta nas vendas maior do que o esperado em junho, de 0,5%, acelerando o ritmo em relação ao mês anterior. O dia foi de nova queda do Ibovespa — a oitava seguida — em sessão marcada pela repercussão de nova bateria de resultados corporativos. “O dólar sobe aqui no Brasil hoje por questões mais domésticas do que propriamente uma questão da moeda americana em relação ao restante do mundo”, disse o economista-chefe da Forum Investimentos, Bruno Perri em nota, destacando um movimento de aversão ao risco impactado pelo cenário eleitoral e por uma temporada de balanços, segundo ele, com resultados abaixo das expectativas.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda pelo 8º pregão seguido com balanços sob holofotes
O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira pelo oitavo pregão seguido, com Hapvida capitaneando as perdas no dia com um tombo de mais de 30% após resultado pior do que o esperado, em sessão marcada pela repercussão de nova bateria de resultados corporativos.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,23%, a 167.098 pontos, de acordo com dados preliminares, após registrar 166.196,92 pontos na mínima e 168.515,49 pontos na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somava R$25,4 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Vendas no varejo do Brasil avançam 0,5% em junho, diz IBGE
As vendas no varejo brasileiro avançaram 0,5% em junho na comparação com o mês anterior e subiram 2,9% sobre um ano antes, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira. A expectativa em pesquisa da Reuters era de alta de 0,30% na comparação mensal e de avanço de 2,35% sobre um ano antes.
REUTERS
Na presença de Lula, governo antecipa dados e anuncia criação de 2,1milhões de empregos
Em geral, as informações da Rais são divulgadas uma vez por ano, em dezembro, e não semestralmente
O governo federal anunciou a criação de 2,1 milhões empregos formais no primeiro semestre deste ano, um crescimento de 4,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados são da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), que, como o nome revela, geralmente é divulgada uma vez por ano, em dezembro, e não semestralmente. Pré-candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou do evento. Ao todo, o emprego formal no 1º semestre soma 62,891 milhões de vagas. Diferentemente do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que registra mensalmente apenas os registros de Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a Rais também compila dados sobre o emprego no setor público, dependente do investimento do governo, e de outros tipos de vínculos, como trabalhadores avulsos, dirigentes sindicais, trabalhadores cedidos e diretores não empregados. Na gestão Lula, desde janeiro 2023, foram criados pouco mais 10,1 milhões de empregos formais, informou a subsecretaria de Estatística do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Paula Montagner, sem explicar exatamente por que foi feita a mudança de período de anúncio, para 3,5 anos. Em plena pré-campanha, Lula tem buscado participar de boas notícias, embora sua presença não seja comum nem na divulgação anual. O número supera a proposta do plano de governo lulista em 2022 prometia a criação de pelo menos 8 milhões de empregos nos quatro anos. Em sua fala, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, fez um apelo contra a flexibilidade dos contratos. “Se nós olharmos o que está acontecendo no mercado de trabalho, número poderia ser maior, porque o que temos que computar são os PJs [pessoas jurídicas], que foram substituindo o trabalho formal”, ponderou. “Ao estimular pejotização, estamos fragilizando fundo de financiamento e Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Quem quer empreender tem lugar ao sol, tem apoio do governo.” “A criação de 10 milhões de empregos é muito positiva, é para comemorar, mas com uma preocupação. Como vamos trabalhar o futuro do trabalho brasileiro? Movimentação ancorada, de forma segura, na CLT, onde vamos continuar abastecendo fundo de garantia para financiar o desenvolvimento do nosso pais”, sugeriu o ministro.
VALOR ECONÔMICO
Conab aumenta projeção e estima safra de grãos de 360,8 milhões de toneladas
Na comparação com 2024/25, o incremento é de 2,4%, ou 8,5 milhões de toneladas a mais. Segundo a Conab, o resultado é influenciado pelo crescimento de 2,1% na área cultivada, estimada em 83,5 milhões de hectares
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para cima a projeção para a safra 2025/26 de grãos, confirmando a expectativa de recorde. O levantamento divulgado nesta quinta-feira (13/8) aponta que o volume colhido será de 360,8 milhões de toneladas, cerca de 700 mil toneladas a mais em relação ao relatório divulgado em julho. Na comparação com o ciclo 2024/25, o incremento é de 2,4%, o que representa 8,5 milhões de toneladas a mais. Os números apontam para produção recorde em quatro cultivos: soja, milho, algodão e sorgo. Segundo a Conab, o resultado é influenciado pelo crescimento de 2,1% na área cultivada, estimada em 83,5 milhões de hectares. Já a produtividade média nacional das lavouras deve ficar em 4,3 mil quilos por hectare, número próximo ao registrado na safra passada. Principal cultivo agrícola do país, a soja tem produção estimada em 180,5 milhões de toneladas, número levemente inferior ao registado no levantamento de julho – quando foram estimadas 180,6 milhões de toneladas. Na comparação com a safra passada, houve incremento de 5,2% na produção. A colheita da safra de verão da oleaginosa já está encerrada, mas ainda há áreas sendo cultivadas em Roraima, Alagoas e Tocantins. Segundo o gerente de acompanhamento de safras da Conab, Fabiano Vasconcellos, o ajuste na estimativa se deveu ao desempenho da segunda safra em Tocantins. Já o milho deve atingir produção total de 143 milhões de toneladas somadas as três safras, acima do previsto no relatório anterior. O volume representa um crescimento de 1,3% em relação à safra passada. O desempenho é atribuído principalmente à primeira safra, cuja produção aumentou em mais de 18%. Na segunda safra, que é a maior, houve uma leve oscilação para baixo na comparação com o ciclo passado. A terceira safra, semeada no Nordeste, enfrenta condições climáticas adversas e deve cair na comparação com o ciclo 2024/25. No algodão, a produção está prevista em 5,8 milhões de toneladas para o produto em caroço, o que resulta em 4,1 milhões de toneladas de pluma. É a maior safra da série histórica da Conab. A colheita já alcançou 43,7% da área. Já o feijão deve registrar uma produção total próxima a 3 milhões de toneladas, somadas as três safras da leguminosa, volume 3,2% inferior à safra passada. “É uma produção bem ajustada ao consumo interno, mas permite exportar parte dessa produção para alguns países também”, afirmou Vasconcellos. A produção de arroz está prevista em 11,1 milhões de toneladas, queda de 13%, influenciada pela queda de 14% na área de plantio. A colheita está praticamente finalizada, com alguns Estados ainda em cultivo – o que não deve alterar a estimativa, segundo a companhia. A redução na área deve-se principalmente às condições de mercado à época do plantio, que influenciaram a implementação da cultura. O sorgo confirmou o aumento da sua relevância no cenário nacional. O aumento estimado é de quase 33% na área, com uma produção de 7,4 milhões de toneladas – aumento de 20,7% em relação à safra passada. O principal fator de preocupação é com relação à safra de trigo. A estimativa da Conab é de que a área recue 20,4%, o que deve ocasionar uma retração de 26,2% na produção, totalizando 5,8 milhões de toneladas. Além disso, há o temor sobre o impacto do El Niño na região Sul, principal produtora do cereal. “As projeções é que tenhamos chuvas bastante acentuadas pelo menos até outubro, talvez se prorrogando até novembro. Isso, principalmente no Rio Grande do Sul, poderá comprometer a qualidade desse trigo”, afirma o presidente da Conab, Silvio Porto.
GLOBO RURAL
EMPRESAS
Lucro da MBRF teve queda de 19,5% no 2º trimestre
A receita líquida da empresa, resultado da fusão entre Marfrig e BRF, atingiu R$ 40,7 bilhões
A MBRF, uma das maiores empresas globais de alimentos, informou nesta quinta-feira (13/8) que registrou um lucro líquido de R$ 69 milhões no segundo trimestre do ano, uma queda de 19,5% em comparação com os R$ 85 milhões de igual período de 2025. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 3,2 bilhões, 5,4% superior ao do intervalo de abril a junho do ano passado, segundo o balanço financeiro. A receita líquida da empresa, resultado da fusão entre Marfrig e BRF, atingiu R$ 40,7 bilhões, alta de 4,9% na mesma base de comparação. “A companhia demonstrou desempenho sólido, transformando receita em lucro, mesmo num ambiente macroeconômico bastante desafiador. Avançamos em nossa plataforma multiproteína, focados em valor agregado, qualidade, capilaridade”, disse a jornalistas o CEO da MBRF, Miguel Gularte. A queda no lucro no período refletiu principalmente os juros maiores, tendo em vista taxas mais altas do que um ano antes, e os impactos negativos da variação cambial, segundo o vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores, José Ignacio Scoseria. A MBRF encerrou o segundo trimestre com R$ 1,420 bilhão em juros provisionados, 22,7% mais do que em igual período de 2025. Também reportou variação cambial negativa de R$ 111 milhões. Um ano antes, tinha registrado variação cambial positiva de R$ 3 milhões. A dívida líquida consolidada cresceu 19,7% na comparação anual, para R$ 45,008 bilhões, e a alavancagem em reais — relação entre a dívida líquida e o Ebitda de 12 meses encerrado em junho — aumentou para 3,41 vezes, de 2,74 vezes um ano antes. O “consumo relevante” de capital de giro no trimestre dificultou a redução da alavancagem, disse Scoseria. Contribuíram para esse cenário a continuidade do conflito no Oriente Médio e o nível de estoque de produtos da BRF no mar, os preços do boi em níveis elevados e a plena ocupação dos confinamentos da empresa na América do Sul. A formação de estoques para as festas de fim de ano foi outro fator que elevou o uso de capital de giro. “Estamos conseguindo abastecer a região [Oriente Médio], com rentabilidade muito boa, porém com estoque maior. Estamos confiantes de que no segundo semestre traremos o capital de giro de volta para a companhia e começaremos a trajetória de desalavancagem”, afirmou Scoseria. Apesar do lucro menor, a companhia conseguiu ampliar receitas e Ebitda de todas os negócios. Na operação de carne bovina da América do Norte, a receita líquida foi 14,9% maior, de US$ 3,748 bilhões, e o Ebitda ajustado foi 1,7% superior, de US$ 26 milhões, mesmo com o boi caro no país. O negócio de carne bovina da América do Sul teve receita de R$ 6,389 bilhões, 26,4% superior à do segundo trimestre do ano passado, com Ebitda ajustado de R$ 570 milhões, avanço de 22,1% sobre igual período de 2025. A receita líquida da BRF cresceu 1,1%, para R$ 15,428 bilhões, com Ebitda ajustado de R$ 2,596 bilhões, alta de 3,8% na comparação anual. O volume vendido no Brasil subiu 4,6% e, no exterior, a evolução dos preços em dólar e a conquista de 34 novas habilitações ampliaram o acesso a mercados. A Sadia Halal, de negócios no Oriente Médio, teve receita líquida de US$ 590 milhões, 16,6% maior que no segundo trimestre de 2025, e Ebitda ajustado de US$ 95 milhões, o dobro de um ano antes. A companhia destacou no comunicado sinergias que seguem sendo extraídas da fusão de BRF e Marfrig. Foram R$ 158 milhões no trimestre, obtidos em várias áreas. No Brasil, com a integração comercial, o portfólio de bovinos foi estendido a mais de 20 mil novos pontos de venda.
VALOR ECONÔMICO
GOVERNO
Carne bovina: Brasil reacende aposta na Coreia do Sul, que paga US$ 10 mil/t para cortes resfriados
Técnicos sul-coreanos estão em missão no País com o objetivo inspecionar de perto os frigoríficos exportadores brasileiros
A Coreia do Sul iniciou na terça-feira (11/8) uma missão sanitária no Brasil para inspecionar frigoríficos de carne bovina e avaliar o sistema de fiscalização, um importante passo para a almejada abertura comercial do “valioso” mercado sul-coreano, que paga pela commodity preços bem superiores aos negociados outros grandes países importadores. A missão prevê visitar frigoríficos em Estados como Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco, uma jornada prevista para se encerrar em 20 de agosto (quarta-feira). “O mercado da Coreia figura entre os que mais pagam pela proteína bovina, com preços médios de US$ 6,4 mil a US$ 6,5 mil por tonelada (congelada) e superiores a US$ 10 mil por tonelada para cortes resfriados”, informou a Agrifatto, que divulgou na quinta-feira (13/8) um relatório aos seus assinantes específico sobre o tema. Em 27 de julho de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o presidente da Coreia do Sul, em Brasília. Na ocasião, os governos de ambos os países assinaram cinco acordos de cooperação, e a importação de carne bovina brasileira esteve entre os temas abordados nas negociações bilaterais. Antes da reunião no Brasil, os dois presidentes haviam se encontrado em Seul em fevereiro/26, quando assinaram um plano de ação de quatro anos para o período de 2026 a 2029, concordando que a Coreia avaliaria os riscos da importação de carne bovina brasileira. A Agrifatto lembra que, em 2025, o Brasil cumpriu um dos principais requisitos exigidos pelos coreanos, ao obter junto o reconhecimento de país livre de febre aftosa sem vacinação. No entanto, concluída a missão no País, ainda restarão etapas documentais e trâmites internos do governo sul-coreano, sem prazo definido. “O consenso do setor é que a primeira exportação dificilmente ocorre antes de 2027”, adiantaram os analistas da Agrifatto. Com cerca de 52 milhões de habitantes, o país apresenta perfil de consumo premium, sustentado mais pela qualidade alimentar do que pelo crescimento populacional. Segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), o consumo doméstico da Coreia avançou de 720 mil toneladas, em 2015, para 950 mil toneladas em 2025, com projeção de 955 mil toneladas em 2026. A produção interna, informou a Agrifatto, atingiu cerca de 360 mil toneladas em 2025, tornando o país altamente dependente de importações para suprir sua demanda. Em 2025, a Coreia do Sul importou 580 mil toneladas de carne bovina, e 62% de toda a proteína consumida no país no ano passado veio de origem externa, destaca a consultoria. Segundo estima a Agrifatto, em um cenário conservador, a participação brasileira entre 5% e 10% das importações sul-coreanas representaria de 30 mil a 60 mil toneladas adicionais ao ano, com impacto mais relevante em faturamento do que em volume. De acordo com apuração da Agrifatto, a Coreia do Sul tem forte preferência por carne in natura, especialmente resfriada, com destaque para os cortes do bulgogi (alcatra e contrafilé fatiados) e do galbi (costela). “O Brasil tende a competir principalmente nos segmentos de cortes dianteiros e industriais, em que o custo de produção compensa a desvantagem tarifária”, relata a consultoria, acrescentando que, nos cortes nobres, a concorrência com a carne norte-americana de confinamento é mais difícil. Segundo a Agrifatto, os principais fornecedores ao país asiático são EUA, com tarifa zero, e Austrália, que em 2026 esgotou sua cota preferencial de 196 mil toneladas já em julho, passando a operar com tarifa de 24% no segundo semestre. “Esse esgotamento abre janela relevante para novos fornecedores”, dizem os analistas. O Brasil entraria sob a tarifa MFN de 40%, prevê a Agrifatto, mas a carne chegaria mais barata ao mercado sul-coreano. “Estimativas de paridade de importação colocam a carne brasileira em torno de US$ 7.252 por tonelada, 10% abaixo da australiana (US$ 7.993) e 21% abaixo da americana (US$ 8.750)”, contabiliza a Agrifatto.
PORTAL DBO/AGRIFATTO
INTERNACIONAL
USDA corta produção de carne bovina dos EUA e projeta 2,78 mi/t em importações para 2026
Produção americana deve cair para 11,32 milhões de toneladas em 2026, enquanto importações são projetadas em 2,78 milhões de toneladas; cenário reforça importância dos fornecedores externos
No relatório WASDE (OFERTA E DEMANDA) de agosto, divulgado na última quarta-feira (12), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu suas estimativas para a produção americana de carne bovina tanto em 2026 quanto em 2027. Levantamento elaborado por Geraldo Isoldi, da Terra Investimentos, a partir dos números do relatório, mostra que a estimativa para a produção dos Estados Unidos em 2026 caiu para aproximadamente 11,32 milhões de toneladas. Na prática, são cerca de 145,6 mil toneladas a menos em relação à projeção apresentada pelo USDA em julho. Segundo a análise da Terra Investimentos, o USDA atribui os cortes principalmente a um ritmo mais lento de abate e comercialização de bovinos nos Estados Unidos. O USDA estima que os Estados Unidos deverão importar aproximadamente 2,78 milhões de toneladas de carne bovina. De acordo com o levantamento, a expectativa de aumento das compras externas está associada à força da demanda doméstica americana e à disponibilidade de carne proveniente da Oceania. Enquanto compra volumes expressivos, o país também permanece como grande exportador. O USDA projeta exportações americanas de aproximadamente 1,06 milhão de toneladas, em 2026, ligeiramente abaixo da estimativa de julho. “Isso não significa que todo o aumento das importações americanas será automaticamente capturado pelo Brasil”, lembra Geraldo Isoldi. Austrália e Nova Zelândia, especialmente, possuem forte presença no mercado dos Estados Unidos, e o próprio relatório destaca a disponibilidade de produto da Oceania como um dos fatores para o avanço das importações. Outro sinal da oferta ajustada aparece nas projeções para os preços do gado nos Estados Unidos. O levantamento da Terra Investimentos mostra que o USDA trabalha com preço de US$ 242 por 100 libras (cwt) para os novilhos no terceiro trimestre de 2026 e US$ 245/cwt no quarto trimestre. Para 2027, são projetados US$ 245/cwt no primeiro trimestre e US$ 250/cwt no segundo trimestre. Convertendo esses valores para a unidade utilizada pelo pecuarista brasileiro, uma arroba de 15 quilos, e tomando como referência uma cotação de aproximadamente R$ 5,16 por dólar, o preço americano corresponde a cerca de R$ 413/@ no terceiro trimestre de 2026, R$ 418/@ no quarto trimestre, permanece próximo de R$ 418/@ no primeiro semestre de 2027 e alcança aproximadamente R$ 427/@ no segundo semestre do próximo ano. O relatório de agosto trouxe ainda outra novidade para a oferta americana. O USDA confirmou a retomada das importações de gado vivo do México a partir de 24 de agosto, inicialmente exclusivamente pelo porto de entrada de Douglas, no Arizona. Os demais pontos de ingresso permanecem fechados, sem cronograma oficial para reabertura. A entrada dos animais mexicanos pode contribuir para aumentar a disponibilidade de gado nos Estados Unidos, mas, diante do tamanho dos cortes realizados nas projeções de produção, não elimina a necessidade americana de recorrer ao mercado internacional de carne. Como mostra o levantamento de Geraldo Isoldi, da Terra Investimentos, o USDA agora trabalha com um ritmo mais lento de abate nos Estados Unidos em 2026 e 2027, indicação de que as limitações da oferta americana não devem desaparecer rapidamente. Para o Brasil, o impacto potencial ocorre em duas frentes: pela possibilidade de ampliar diretamente os negócios com os Estados Unidos e pela redistribuição dos fluxos globais de carne bovina provocada pela necessidade americana de importação. Em um mercado no qual poucos países possuem capacidade de aumentar significativamente a oferta exportável, a redução da produção da maior economia do mundo transforma-se em um dado estratégico para a pecuária brasileira.
TERRA INVESTIMENTOS
CARNES
Custos de produção de frango de corte e de suínos sobem em julho
Os custos de produção do frango de corte e do suíno vivo tiveram alta no mês de julho nos principais estados de referência da avicultura e da suinocultura brasileiras. No Paraná, o custo do frango aumentou 1,39%, enquanto em Santa Catarina, o custo do suíno subiu 1,30%, segundo levantamento mensal da Embrapa Suínos e Aves divulgado na Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS), disponível no site embrapa.br/suinos-e-aves/cias.
Em Santa Catarina, o custo de produção do suíno vivo passou de R$ 6,21 em junho para R$ 6,29 em julho, aumento de 1,30%, com o ICPSuíno chegando aos 359,67 pontos. No acumulado do ano (jan–jul), o índice apresenta queda de 2,97%, mas, nos últimos 12 meses, a alta é de 2,60%. A ração, responsável por 72,52% do custo total em julho, subiu 1,19% no mês, enquanto acumula redução de 1,81% no ano. No Paraná, o custo de produção do frango de corte foi de R$ 4,77 por quilo em julho, em comparação aos R$ 4,71 em junho, alta de 1,39%, com o ICPFrango atingindo 369,20 pontos. No acumulado do ano (jan–jul), o índice registra alta de 2,50%, enquanto, em 12 meses, a variação é de 3,76%. Os custos com ração, que representaram 62,51% do total em julho, subiram 1,67% no mês e acumulam aumento de 1,35% em 12 meses. Os custos de aquisição dos pintainhos de 1 dia (19,83% do total) subiram 1,40% no mês e acumulam 15,07% nos últimos 12 meses. Santa Catarina e Paraná são estados de referência utilizados no cálculo dos Índices de Custo de Produção (ICPs) da CIAS por concentrarem a maior produção nacional de suínos e frangos de corte, respectivamente. A CIAS também disponibiliza estimativas para Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, ampliando o acompanhamento dos custos e oferecendo subsídios à gestão técnica e econômica dos sistemas produtivos. Nos estados da Região Sul (Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul), os custos de produção são calculados e publicados mensalmente, enquanto para Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, a divulgação ocorre em periodicidade trimestral.
EMBRAPA SUÍNOS E AVES
SUÍNOS
Suínos/Cepea: Embarques recuam com redução de compras de países asiáticos
As exportações brasileiras de carne suína recuaram entre junho e julho. Pesquisadores do Cepea apontam que o movimento foi influenciado sobretudo pela redução nas compras de países asiáticos, especialmente das Filipinas, o maior destino da proteína brasileira no mercado internacional.
O Cepea destaca, com base nos dados da Secex, que o ritmo acelerado de compras durante todo o primeiro semestre de 2026 levou esse país a formar estoques maiores, causando um ajuste na demanda no último mês. Segundo o Centro de Pesquisas, retrações nos embarques no começo do segundo semestre são relativamente comuns. Nos últimos 10 anos, variações negativas em julho ocorreram cinco vezes, incluindo no ano passado. Naquela ocasião, conforme apurado pela Secex, a maior parte dos países asiáticos, o que inclui importantes parceiros como a China, as Filipinas e o Japão, diminuiu o ritmo de compras da proteína brasileira.
CEPEA
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