CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2772 DE 10 DE AGOSTO DE 2026

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Ano 11 | nº 2772 | 10 de agosto de 2026

 

NOTÍCIAS

Boi gordo: mercado paulista encerra semana firme

China mantém liderança, mas reduz compras

O mercado do boi gordo em São Paulo encerrou a semana sem alterações nas cotações, segundo a análise da sexta-feira (7) do informativo “Tem Boi na Linha”, publicado pela Scot Consultoria. Com a oferta de animais controlada, os frigoríficos avançaram nas compras de forma cautelosa, enquanto as escalas de abate atendiam, em média, oito dias. O mercado abriu a sexta-feira com poucos negócios fechados. Apesar da oferta controlada, os compradores que precisavam recompor as escalas conseguiam adquirir animais, desde que aceitassem os preços pedidos pelos vendedores. A indústria, por sua vez, manteve uma postura cautelosa e avançou nas compras sem pressa, buscando as melhores oportunidades de negócio. Com esse cenário, as cotações permaneceram estáveis para todas as categorias. Segundo a Scot Consultoria, o viés para o início da próxima semana era de preços firmes. A principal atenção, porém, estava voltada para o comportamento das vendas de carne bovina durante o fim de semana, especialmente por causa da comemoração do Dia dos Pais. A expectativa era de que a data contribuísse para estimular o consumo. Caso as vendas não correspondessem ao esperado, o movimento poderia limitar a sustentação dos preços do boi gordo e reduzir o espaço para novas altas. No mercado externo, o Brasil exportou 227,9 mil toneladas de carne bovina in natura em julho, com média diária de embarques de 9,9 mil toneladas. O volume representou queda de 17,7% em relação ao mesmo período de 2025, que havia registrado o melhor julho da série histórica. Apesar da redução no volume, o preço médio da tonelada avançou 14,4% na comparação anual e alcançou US$ 6,4 mil. O aumento do valor pago pela carne, contudo, não foi suficiente para compensar a queda nos embarques. O faturamento de julho somou US$ 1,4 bilhão, 5,8% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025. Segundo a análise, o resultado foi reflexo do menor volume exportado. Até aquele momento, julho apresentava o pior desempenho de 2026 em volume embarcado. Em faturamento, porém, o mês ocupava a quarta posição, enquanto o preço médio por tonelada estava em terceiro lugar no ano. No acumulado de janeiro a julho de 2026, o Brasil já havia exportado 1,7 milhão de toneladas de carne bovina, volume 10,2% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O ano também ocupava a primeira posição em faturamento. A Ásia continuava como principal destino da carne bovina brasileira, com a China na liderança. Em julho, o país asiático respondeu por 36,6% do volume total exportado pelo Brasil. No acumulado do ano, a participação chinesa chegou a 50,7%. Os Estados Unidos permaneciam como o segundo maior cliente da carne bovina brasileira, tanto no resultado de julho quanto no acumulado de janeiro a julho. Apesar da liderança chinesa, o informativo chamou atenção para a redução das compras no mercado asiático. Em julho, o volume de carne bovina in natura importado pela China foi o menor registrado pelo país em 2026 e ficou 47,8% abaixo do volume adquirido em junho, que havia sido o maior do ano. O movimento ocorre em meio ao avanço do Brasil sobre a cota estabelecida pela salvaguarda chinesa. De acordo com a análise, esse cenário pode estar trazendo maior cautela às compras e aos embarques destinados ao país. Com o mercado interno de São Paulo encerrando a semana estável e o cenário externo ainda marcado pelo desempenho das exportações, o comportamento da demanda por carne bovina passa a ser um dos principais pontos de atenção para os próximos dias.

SCOT CONSULTORIA

Boi gordo: sexta-feira fechou com poucos negócios

Quadro geral do setor ainda aponta para limitação de oferta, de acordo com a consultoria Safras & Mercado

O mercado físico do boi gordo apresentou fluxo de negócios inexpressivo no decorrer da sexta-feira (7). No geral, os frigoríficos ainda encontram alguma dificuldade na composição de suas escalas de abate. Indústrias de maior porte, que ofertaram férias coletivas recentemente têm conseguido organizar as escalas de outras unidades próximas; no entanto, o quadro geral ainda aponta para limitação de oferta. Mais uma vez é válido mencionar que a evolução das escalas de abate e o ritmo de exportação divulgado semanalmente são variáveis importantes para interpretar os movimentos no curtíssimo prazo, disse o analista da Consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias. Preço médio da arroba do boi gordo: São Paulo: R$ 352 (a prazo). Goiás: R$ 335,82. Minas Gerais: R$ 336,76. Mato Grosso do Sul: R$ 342,84. Mato Grosso: R$ 332,57. O mercado atacadista se depara com preços firmes para a carne bovina. A expectativa é de uma reposição mais lenta a partir da próxima semana, considerando a perda de efeito da entrada dos salários na economia, além disso, a demanda relacionada ao Dia dos Pais se concentra na primeira semana do mês. Os cortes bovinos seguem perdendo competitividade na comparação com as proteínas concorrentes, em especial se comparado a carne de frango, disse Iglesias. O quarto dianteiro permanece precificado a R$ 21,50 por quilo. A ponta de agulha segue cotada a R$ 20 por quilo. O quarto traseiro ainda é cotado a R$ 27 o quilo.

ESTADÃO CONTEÚDO

Boi gordo sobe no físico, mas futuro pede cautela

As escalas de abate apresentaram movimentos mistos

O mercado do boi gordo encerrou a semana com preços firmes no físico, enquanto os contratos futuros passaram a indicar maior cautela para o segundo semestre. Segundo a StoneX, a valorização foi disseminada entre as principais praças produtoras, com São Paulo renovando máximas ao longo da semana e fechando como a região mais valorizada do país, perto de R$ 345,47 por arroba. As escalas de abate apresentaram movimentos mistos, mas permaneceram em níveis que ainda refletem uma oferta insuficiente para reduzir de forma estrutural a pressão de compra da indústria. O quadro foi mais apertado nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde as programações operaram com menor folga. No mercado de reposição, os preços oscilaram entre momentos de fraqueza e recuperação. O boi magro terminou a semana em alta, embora a relação de troca continue desfavorável ao invernista. Esse cenário tende a limitar o ritmo de reposição no médio prazo e reforça a perspectiva de uma oferta mais restrita adiante. As exportações continuam funcionando como suporte para os preços domésticos, com a demanda chinesa mantendo papel relevante no fluxo de vendas externas. Já no mercado futuro, a alternância entre altas e correções expressivas nos vencimentos de outubro e novembro mostra que os agentes ainda buscam um novo ponto de equilíbrio depois do ciclo recente de valorização. Para a próxima semana, as atenções devem se concentrar no comportamento das escalas de abate no Sudeste, na evolução dos dados de exportação e na definição de uma direção mais clara para a curva futura, especialmente nos contratos ligados ao segundo semestre.

AGROLINK

Mercado do boi gordo: alta na cotação na região de Belo Horizonte, MG

O mercado registrou alta para a cotação de todas as categorias na região. 

Na primeira semana de agosto, na região da capital mineira, pastagens com capacidade de suporte que permitiram ao pecuarista segurar a boiada no campo e a demanda firme, favoreceram o movimento de alta na semana. Desta forma, na comparação semanal, a cotação das três categorias subiu na região. A arroba do boi gordo registrou alta de 1,8%, ou R$6,00, negociada em R$334,50. Para a vaca, a alta foi de 3,3%, ou R$10,00/@, negociada em R$305,00/@. Para a arroba da novilha, a alta foi de 3,0%, ou R$9,50, comercializada em R$324,50. O diferencial de base do boi gordo está em R$10,00/@, ou 2,9% abaixo do registrado em São Paulo, onde a arroba está cotada em R$344,50. Todos os preços são a prazo, descontados o Senar e o Funrural. No curto prazo, o viés é de alta para as cotações.

SCOT CONSULTORIA

Queda nos abates em julho limita oferta e ajuda a sustentar preços do boi mesmo com desaceleração das exportações

Levantamento preliminar de Safras & Mercado aponta redução de 21,6% nos abates em julho e queda de 32% entre as fêmeas. Em julho, o Brasil abateu 822 mil bovinos a menos que no mesmo mês do ano passado.

Os números preliminares de julho levantados pela Consultoria Safras & Mercado, elaborado pelo analista Fernando Henrique Iglesias, ajudam a explicar esse aparente paradoxo. O Brasil abateu aproximadamente 2,99 milhões de bovinos no mês, considerando os sistemas de inspeção federal, estadual e municipal. O volume representa uma queda de 21,6% em relação a julho de 2025, quando os abates alcançaram 3,81 milhões de cabeças. A retração na oferta é importante porque acontece justamente quando o mercado começa a lidar com uma mudança da demanda com a redução do ritmo das exportações para a China, diante do esgotamento da cota que permite a entrada da carne brasileira no mercado chinês sem a tarifa adicional prevista pela salvaguarda. Em outras circunstâncias, uma desaceleração das exportações poderia aumentar a disponibilidade de carne no mercado interno, reduzir a necessidade de compra dos frigoríficos e, consequentemente, pressionar a arroba. Mas não é exatamente isso que está acontecendo. O mercado está mostrando que não basta olhar apenas para a demanda para entender o comportamento da arroba. Se os frigoríficos reduzem o ritmo de compra, mas encontram também menos animais disponíveis, o ajuste necessário sobre os preços pode ser bem menor. Em outras palavras, a China pode comprar menos carne, mas também há menos boi chegando ao gancho. E julho trouxe uma sinalização particularmente relevante sobre a oferta futura. O dado mais expressivo do relatório está no abate de fêmeas. Foram abatidas 760,6 mil fêmeas sob inspeção federal em julho, contra aproximadamente 1,119 milhão no mesmo mês de 2025. Uma redução de 32% em apenas um ano. Trata-se, segundo a Safras & Mercado, da menor quantidade mensal de fêmeas abatidas desde dezembro de 2024. A mudança fica ainda mais evidente quando observada a sequência dos últimos meses. Ou seja, entre março e julho, o abate mensal de fêmeas caiu em aproximadamente 335 mil cabeças. O movimento é relevante porque as fêmeas tiveram participação importante na ampliação da oferta de animais nos últimos anos. Agora, a forte desaceleração desse fluxo começa a retirar parte dessa disponibilidade do mercado. No acumulado de janeiro a julho, o abate de fêmeas sob inspeção federal soma 6,696 milhões de cabeças, queda de 9,6% frente às 7,409 milhões registradas no mesmo intervalo de 2025. Os próprios números gerais mostram uma mudança expressiva. Depois de 3,49 milhões de bovinos abatidos em junho, o volume estimado para julho caiu para 2,99 milhões, redução de aproximadamente 500 mil cabeças de um mês para outro. Ainda assim, Iglesias não projeta necessariamente uma repetição desse piso em agosto. A expectativa é de que os abates apresentem alguma recuperação em relação a julho, embora permaneçam abaixo dos níveis registrados em agosto de 2025. O comportamento dos abates passa a ser tão importante quanto o desempenho das exportações para determinar os próximos movimentos do mercado. E há um número que resume bem essa nova equação: em julho, o Brasil abateu 822 mil bovinos a menos que no mesmo mês do ano passado.

SAFRAS & MERCADO

Com cota preenchida, exportações de carne bovina para a China caem pela metade em julho

No acumulado do ano, as vendas em geral são maiores em volume e valor. Com o pé no freio nos negócios com a China, as vendas totais de carne bovina do Brasil recuaram 16,1%

As exportações de carne bovina do Brasil para a China caíram pela metade em julho na comparação com o mês anterior diante do avanço do preenchimento da cota anual estabelecida por Pequim. Os frigoríficos brasileiros embarcaram 85,7 mil toneladas da proteína para os portos chineses no mês passado, o pior resultado mensal de 2026. O volume é 47% menor que as 161,8 mil toneladas de junho. O faturamento caiu 50,3% no período, de US$ 1,08 bilhão para R$ 537,8 milhões. Com o pé no freio nos negócios com o principal cliente, as vendas totais do Brasil recuaram 16,1% em volume e 5,5% em valor na comparação com julho de 2025. A quantidade embarcada foi de 264,4 mil toneladas e o faturamento foi de US$ 1,58 bilhão. No acumulado do ano, há avanços de 9,9% e 28,3%, respectivamente. Os dados consideram carnes in natura, industrializadas e salgadas, gorduras, tripas e miúdos. A cota chinesa, de 1,106 milhão de toneladas, leva em conta apenas a carne in natura, cujo embarque do Brasil foi de 82,7 mil toneladas em julho, com receita de US$ 529,2 milhões. O avanço de preenchimento da cota gerou ajustes em toda a cadeia bovina. Os abates em geral no país recuaram 21,5% em julho, segundo dados preliminares da consultoria Safras & Mercado. Os confinamentos também trabalharam mais ociosos no mês passado. Oficialmente, a China considera que mais de 80% da cota brasileira já foi preenchida até junho, com a entrada de 872,2 mil toneladas da proteína nacional. Pequim leva em consideração a data de desembaraço dos produtos na aduana. Como as cargas embarcadas no Brasil levam até dois meses para chegar aos portos chineses, a avaliação é que esse volume já foi esgotado, mas que a contabilização será feita até setembro. No acumulado do ano, o Brasil exportou 856,7 mil toneladas de carne bovina in natura para a China, 8,4% a mais que as 790 mil toneladas embarcadas nos sete primeiros meses de 2025. A receita das vendas em 2026 está em US$ 5,3 bilhões, quase 31% a mais que os R$ 4 bilhões faturados pelos frigoríficos no mesmo período do ano passado. O preço médio aumentou 20,8% de janeiro a julho, para US$ 6,2 mil por tonelada. No fim de junho, as indústrias brasileiras começaram a frear o ritmo de produção e embarques para a China para evitar que as cargas cheguem ao destino fora da cota e sejam sobretaxadas em 55%. Havia a expectativa de que os volumes fossem menores do que o registrado pela balança comercial. Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, disse que o ritmo das exportações para a China começou forte em julho e caiu ao longo do mês. Para agosto, a expectativa é de queda mais acentuada. Ele considera que parte do produto exportado pelo Brasil será sobretaxado pela China. Os cálculos dele mostram que a cota brasileira já excedeu mais de 80 mil toneladas. “As exportações para a China fizeram o pior resultado do ano em julho de 2026 e o ritmo diário das exportações de carne bovina caiu substancialmente, com 9,9 mil toneladas por dia, este é o pior resultado em meses”, disse. A média diária do início do mês estava acima de 13 mil toneladas. “Ainda havia frigoríficos arriscando enviar carne para a China na primeira semana do mês, mas depois isso cessou”, avaliou. Ele ressaltou que os frigoríficos têm encontrado alternativas para diversificar a exportação, como o aumento das vendas para os Estados Unidos, Chile e Egito. Em julho, os chilenos compraram 19,2 mil toneladas do Brasil, alta de 50,2%. A União Europeia também aumentou as compras em 52,6%, para 12,5 mil toneladas. “O problema é que não existe outra na China no mundo”, afirmou. Dados preliminares de julho apontam para abates de 2,9 milhões de cabeças de gado, queda de 21,57% em relação ao mesmo mês de 2025. Segundo Iglesias, o resultado é indicativo importante da menor disponibilidade de animais e da maior ociosidade da indústria. “Os confinamentos trabalharam mais ociosos, com menos capacidade de confinamento pela expectativa de exportação mais lenta. Isso mostra que os pecuaristas também se prepararam para esse ambiente”, disse o analista. Essa menor disponibilidade de gado foi a principal justificativa para a retomada do movimento de alta dos preços do boi gordo, mesmo em um ambiente de exportações em queda, concluiu. Com o recuo nos embarques para a China, o principal cliente do setor, as exportações totais de carne bovina do Brasil recuaram 16,1% em volume e 5,5% em valor na comparação com julho de 2025. O volume embarcado foi de 264,4 mil toneladas e o faturamento foi de US$ 1,58 bilhão. No acumulado do ano, no entanto, o resultado é positivo. Os frigoríficos brasileiros registram alta de 9,9% no volume exportado, para 1,96 milhão de toneladas de carne bovina para todos os destinos, e acréscimo de 28,3% no valor, para US$ 11,4 bilhões. Os principais destinos em termos de volume de janeiro a julho foram a China (880,3 mil toneladas), os Estados Unidos (223,8 mil toneladas), o Chile (89,9 mil toneladas), a Rússia (74,3 mil toneladas) e a União Europeia (63,7 mil toneladas). Outros países têm aumentado as compras em termos percentuais, mas em volumes ainda pequenos. É o caso do Vietnã, mercado aberto em 2025, que expandiu em 375,4% as importações de carne bovina brasileira neste ano, para 8,4 mil toneladas até julho. A Indonésia avançou 242,1%, com a aquisição de 43,7 mil toneladas. A vizinha Argentina também comprou 139,5% mais proteína brasileira, com 16,2 mil toneladas importadas.

VALOR ECONÔMICO

ECONOMIA

Ibovespa fecha em queda com cena corporativa em foco; Petrobras PN cai 3%

O sinal negativo prevaleceu na bolsa paulista nesta sexta-feira, com o Ibovespa fechando na mínima em um mês, em meio à repercussão de uma nova bateria de resultados corporativos, com Petrobras entre as maiores pressões, mesmo após um dos maiores lucros trimestrais da sua história.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,73%, para 172.513,42 pontos, chegando a 172.131,20 na mínima do dia. No melhor momento, nos primeiros negócios, avançou a 176.116,84 pontos. Na semana, o Ibovespa acumulou uma perda de 3,08%. Na visão do responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, houve um combo de notícias locais que acabaram pesando no Ibovespa. Do lado corporativo, ele destacou a indicação da Petrobras de que é muito improvável o pagamento de dividendos extraordinários neste ano, enquanto os resultados de Lojas Renner e Magalu foram bem ruins, contaminando o setor. “Tudo isso afasta ainda mais o estrangeiro, que não vê nenhum gatilho no curto prazo para manter recurso na bolsa brasileira”, afirmou. “Hoje, me pareceu um pouco um cenário de ‘jogando a toalha'”, acrescentou, citando a forte queda de ações blue chips como Itaú, além da Petrobras. “O mercado local está muito barato ainda, isso justifica o movimento mais lateralizado das últimas semanas/meses, mas conforme a sensação de piora dos fundamentos da economia aumenta, pode cair mais”, avaliou. “Os últimos dados de atividade econômica mostram uma desaceleração, inadimplência alta, dívida do país subindo. Sem um choque nas expectativas, fica difícil mudar a tendência”, acrescentou Pedroso. Investidores também analisaram dados do mercado de trabalho norte-americano, que registrou o fechamento de 23 mil postos no mês passado, ante previsão de abertura de 80 mil vagas. A taxa de desemprego caiu de 4,2% em junho para 4,1% em julho. Em Wall Street, o S&P 500 fechou em alta de 0,62%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA recuava a 4,6433% no final da tarde, de 4,6882% na véspera.

REUTERS

Dólar cai ante real após queda inesperada do emprego nos EUA

O dólar fechou a sexta-feira em queda no Brasil e encerrou a semana abaixo dos R$5,10, após o fechamento inesperado de postos de trabalho nos EUA em julho pesar sobre a moeda norte-americana em todo o mundo.

O dólar à vista fechou o dia com baixa de 0,41%, aos R$5,0845. Na semana, porém, a divisa acumulou alta de 0,31%. No ano, a baixa acumulada é de 7,37%. Às 17h05, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,59% na B3, aos R$5,1105. O Departamento do Trabalho informou pela manhã que foram fechados 23 mil postos de trabalho nos EUA em julho, contrariando a expectativa de economistas ouvidos em pesquisa da Reuters de abertura de 80 mil vagas. A taxa de desemprego ficou em 4,1%, ante 4,2% projetados. O dado anterior foi revisado para pior, passando a apontar criação de 20 mil vagas em junho, ante os 57 mil postos de trabalho inicialmente informados. A surpresa negativa com o relatório de empregos disparou a queda forte dos rendimentos dos Treasuries e a venda da moeda norte-americana, com os investidores avaliando que a fraqueza dos dados reduz as chances de o Federal Reserve subir juros no curto prazo. No Brasil, após atingir a cotação máxima intradia de R$5,1044 (-0,02%) às 9h29, pouco antes do relatório, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,0721 (-0,65%) às 9h34, já depois dos dados. O movimento estava em sintonia com a queda do dólar ante outras divisas de países emergentes, como o rand sul-africano e o peso mexicano. “O dólar vem operando no lado negativo principalmente pela desaceleração do emprego nos EUA, que reduz a força do dólar globalmente (DXY), diminuindo a pressão compradora na moeda frente ao real”, resumiu à tarde Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital.

REUTERS

Preços mundiais dos alimentos atingem maior nível em 3 anos em julho, diz FAO

Os preços mundiais dos alimentos subiram em julho para o nível mais alto em mais de três anos, à medida que condições climáticas adversas e a escalada da guerra no Golfo e no Mar Negro impulsionaram os mercados de commodities agrícolas, informou na sexta-feira a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O Índice de Preços de Alimentos da FAO, que acompanha as variações mensais de uma cesta de commodities alimentícias comercializadas internacionalmente, registrou média de 131,1 pontos em julho, acima dos 130,3 pontos de junho, e atingiu o maior nível desde janeiro de 2023. O economista-chefe da FAO disse à Reuters nesta semana que o mundo enfrenta mais uma onda de inflação alimentar, já que as guerras no Irã e na Ucrânia, somadas ao El Niño, criam uma tempestade perfeita de custos mais altos e rendimentos agrícolas mais baixos. Um aumento de 3,4% em relação ao mês anterior no índice de preços de cereais da FAO impulsionou a tendência de julho, alimentada, por sua vez, por um salto de 5,8% nos preços do trigo, informou a agência. Os mercados de trigo foram afetados por preocupações com interrupções nas exportações do Mar Negro e danos causados pelo calor às safras em regiões produtoras importantes, informou a agência. O índice de óleos vegetais da FAO subiu 2%, atingindo o nível mais alto desde junho de 2022. Os preços mais altos do petróleo bruto, em meio à escalada da guerra no Irã e à forte demanda por biodiesel, sustentaram os preços do óleo de palma e de soja, embora os preços do óleo de colza e de girassol tenham recuado. Os preços do açúcar subiram 5,6% devido a preocupações climáticas na Europa e na Ásia e às expectativas de uma demanda mais forte por etanol no Brasil. Em contrapartida, os preços da carne caíram 2,8% em relação à alta recorde registrada em junho, informou a FAO. Os preços das carnes de aves, suínos e bovinos caíram, embora os preços da carne ovina tenham atingido um recorde em meio à escassez de oferta para exportação na Oceania. Os preços dos laticínios caíram 0,7%. O índice geral de preços de alimentos da FAO para julho ficou ligeiramente acima da máxima dos últimos três anos, registrada em abril. A leitura mais recente ficou, no entanto, 18,2% abaixo do pico registrado em março de 2022, que se seguiu à invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia.

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EMPRESAS

JBS e fundo soberano da Indonésia criam joint venture e preveem US$5 bi para crescer

A JBS, maior produtora de carnes do mundo, anunciou na sexta-feira uma parceria estratégica com o Danantara Investment Management, unidade do fundo soberano da Indonésia, e estima investimentos de US$5 bilhões para expandir a produção de proteínas na Indonésia, Austrália, Nova Zelândia e outros mercados do Sudeste Asiático.

Segundo comunicado da empresa, a operação prevê a compra, pelo veículo de investimentos da Indonésia, de 25% de participação nas operações da JBS na Austrália e na Nova Zelândia, por US$2,5 bilhões. Adicionalmente, a joint venture deverá captar até US$2,5 bilhões adicionais em financiamento por meio de dívida externa, elevando o total de recursos a US$5 bilhões. A cifra será destinada a financiar “aquisições, investimentos em projetos ‘greenfield’ e outras oportunidades de crescimento na Indonésia, Austrália, Nova Zelândia e outros mercados do Sudeste Asiático”. Juntos, esses mercados respondem atualmente por aproximadamente 745 milhões de pessoas, ou 9,2% da população mundial, de acordo com a JBS. A joint venture usará as operações australianas da JBS como plataforma para expandir sua atuação em mercados considerados estratégicos para o consumo global de proteína. Atualmente, a JBS produz na Austrália carne bovina, suína, ovina e peixe, além de alimentos preparados. “Estamos construindo uma plataforma mais forte para capturar o crescimento de longo prazo do consumo global de proteína. Ao mesmo tempo, estamos criando as condições para expandir nossa presença na Ásia, uma das regiões mais dinâmicas da indústria”, afirmou Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS, em comunicado. No fechamento do negócio, o Danantara Investment Management fará um aporte inicial de US$800 milhões na joint venture, equivalentes a aproximadamente 9,64% das ações da nova empresa. O saldo remanescente, para integralização dos 25%, deverá ser investido em até três anos seguintes. Após a realização integral do investimento do veículo indonésia, a joint venture buscará a captação de mais de US$2,5 bilhões, em dívida externa. As partes também concordaram com um “lock-up” de cinco anos para suas participações societárias na joint venture, e têm intenção de realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO) do veículo. Em termos de governança, a joint venture será administrada por um conselho de administração composto por até sete membros, formado por dois membros executivos indicados pela JBS e cinco membros não executivos (três indicados pela JBS e dois indicados pelo Danantara Investment Management). A transação está sujeita às aprovações regulatórias necessárias na Austrália e às condições usuais para operações dessa natureza, acrescentou a JBS.

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FRANGOS & SUÍNOS

Preço do suíno vivo em SP atinge terceiro menor patamar da série do Cepea

Demanda enfraquecida e maior oferta interna pressionaram as cotações em julho

Menor demanda e aumento da oferta interna levaram o preço do suíno vivo em SP ao terceiro menor patamar da série histórica do Cepea. O preço médio do suíno vivo recuou pelo quarto mês consecutivo em julho e atingiu o terceiro menor patamar da série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na região de SP-5, que reúne Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba. Segundo pesquisadores do Cepea, a menor demanda pela carne suína e pelo animal vivo pressionou as cotações na segunda quinzena de julho. O período costuma registrar redução no consumo devido ao menor poder de compra da população, movimento que foi reforçado pelas férias escolares. Com isso, as médias do mês recuaram, apesar das altas observadas no início de julho. O cenário de queda nos preços da carne e do suíno vivo em 2026 surpreendeu o setor, que esperava uma demanda firme, como a registrada em 2025. Em comparação com as cotações reais de dezembro, o suíno vivo de SP-5 acumula desvalorização de 43,1%, enquanto a carcaça especial registra queda de 36,2%. Além da demanda enfraquecida, o Centro de Pesquisas avalia que o aumento dos investimentos realizados pelo setor no ano passado resultou em maior produção e, consequentemente, em maior oferta interna de suínos em 2026.

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