CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2769 DE 05 DE AGOSTO DE 2026

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Ano 11 | nº 2769 | 05 de agosto de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: alta na cotação das fêmeas em São Paulo

Vaca e novilha sobem em São Paulo, em um mercado de oferta contida e negociações seletivas.  

Segundo levantamento da Scot Consultoria, as cotações da vaca e novilha terminadas subiram R$ 2/@ na terça-feira, em São Paulo, para R$ 322/@ e R$ 337/@, respectivamente (no prazo). Por sua vez, o boi gordo paulista destinado ao mercado interno segue em R$ 348/@, enquanto o “boi-China” está em R$ 350/@. A cotação da vaca e a da novilha subiu R$2,00/@ em São Paulo. Para o boi gordo e para o “boi China”, estabilidade. A oferta esteve controlada, mas a indústria também estava comprando controladamente. Negociações dentro das referências resultavam em vendas, porém com volumes fracionados. Por outro lado, ofertas abaixo das referências ou pedidos acima dos preços que estavam vigentes não evoluíam para negócios fechados, refletindo a resistência de compradores e vendedores em ceder nas negociações. A escala de abate estava, em média, para seis dias. Na Bahia, nas duas praças baianas a cotação subiu, completando dois dias consecutivos de alta, reflexo da menor oferta de boiadas. Na região Sul, alta de R$2,00/@ para todas as categorias. Na região Oeste, após as altas registradas no dia anterior (3/8) para as fêmeas, o mercado abriu estável para a vaca e para a novilha. Contudo, para o boi gordo, alta de R$2,00. A escala de abate estava, em média, entre cinco e oito dias. Na região Oeste do Maranhão, na comparação feita dia a dia, alta de R$3,00/@ para a cotação do boi gordo. Para a vaca e para a novilha, estabilidade. A escala de abate estava, em média, para seis dias.

SCOT CONSULTORIA

Mercado físico do boi gordo com pouco movimento

Evolução das escalas de abate somada ao ritmo semanal de exportação ainda são variáveis chave a serem acompanhadas pelo mercado no curtíssimo prazo. O mercado físico do boi gordo apresenta poucas novidades ainda com indústrias ausentes da compra de gado.

No Tocantins e no Pará, a alta predomina, com escalas de abate encurtadas, exigindo uma postura mais agressiva na compra de gado na tentativa de alongar as escalas de abate, ainda em uma posição bastante desconfortável. A evolução das escalas de abate somada ao ritmo semanal de exportação ainda são variáveis chave a serem acompanhadas pelo mercado no curtíssimo prazo. Nesse contexto, a balança comercial que será divulgada no próximo dia 6 será de grande importância, disse o analista da Consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias. Arroba de boi gordo: Em São Paulo, a referência média para a arroba do boi ficou em R$ 348,67, na modalidade a prazo. Em Goiás, a indicação média foi de R$ 330,11. Em Minas Gerais, a arroba teve preço médio de R$ 331,18. Em Mato Grosso do Sul, a arroba foi indicada em R$ 335,91. Em Mato Grosso, a arroba ficou indicada em R$ 329,32. O mercado atacadista se depara com preços acomodados no início da semana, ainda contando com grande expectativa em torno da demanda de Dia dos Pais, que se soma à entrada dos salários na economia e costuma motivar o consumo de carne bovina. De acordo com o Iglesias, como ponto de inflexão é válido mencionar que a carne bovina segue perdendo competitividade na comparação com as proteínas concorrentes, em especial se comparado a carne de frango. O quarto dianteiro permanece precificado a R$ 21, por quilo. Ponta de agulha foi cotada a R$ 20, por quilo. Quarto traseiro ainda é cotado a R$ 26,50, por quilo.

SAFRAS NEWS

Contratos futuros do boi gordo estão crescendo

“O mercado como um todo está ativamente buscando fazer hedge para se proteger das oscilações da arroba nos próximos meses”, informou a equipe de especialistas da consultoria Agrifatto.

Entre o final de maio/26 e o encerramento de julho/26, o volume total de contratos futuros em aberto praticamente dobrou no mercado do boi gordo da B3, saltando de cerca de 32 mil para quase 61 mil, informa a Agrifatto, consultoria que acompanha as negociações no setor pecuário. “Esse salto nos gráficos traduz uma mensagem: o mercado como um todo está ativamente buscando fazer hedge para se proteger das oscilações da arroba nos próximos meses”, disse a consultoria. O vencimento de julho/26, por estar no seu ciclo final, apresentou uma queda acentuada em seus volumes, observam os analistas. “Isso ocorreu porque o preço do papel passa a convergir com o preço do mercado físico da arroba, levando os agentes a realizarem seus lucros e encerrarem posições”, explicou a Agrifatto. Seguindo uma lógica parecida de curto prazo, o contrato de agosto/26 começou a mostrar sinais de esgotamento e consolidação a partir do dia 24 de julho de 2026.  “O grande recado estratégico, no entanto, aponta para o pico do boi de confinamento”, analisa a consultoria, acrescentando que “o contrato de outubro/26 do boi gordo desponta como a grande estrela da B3 neste momento, assumindo a liderança isolada em liquidez e volume de negociações, o que lhe confere um espaço muito maior para valorização quando comparado com o papel de agosto/26”. Esse otimismo, continua a Agrifatto, também leva consigo o interesse pelos meses de setembro/26 e novembro/26, enquanto posições mais distantes, como dezembro/26, ainda operam de forma muito tímida e pouca liquidez. Entre os contratos em negociação, agosto/26 encerrou a semana cotado a R$ 347,80/@, com alta de 0,81% em relação à sexta-feira anterior, enquanto setembro/26 fechou a R$ 348,35/@, com elevação de 0,62% na mesma base de comparação. Nos vencimentos mais longos, houve uma realização pontual de lucros. O contrato de outubro/26 recuou 0,31%, encerrando a sexta-feira (31/7) cotado a R$ 353,45/@, enquanto o papel de novembro/26 apresentou queda semanal de 0,78%, fechando a semana em R$ 355,65/@. Apesar desse ajuste nos contratos de longo prazo, os ágios permanecem elevados em relação ao mercado físico. Pelas cotações atuais da B3, o mercado projeta o encerramento do ano com preços R$ 16,71/@ acima do indicador físico atual. Para os vencimentos de curto prazo, os prêmios são mais modestos, com ágios de R$ 2,51/@ para agosto/26 e R$ 3,06/@ para setembro/26, indicando menor expectativa de valorização no horizonte imediato. Ao longo da última semana de julho/26, o mercado futuro do boi gordo manteve o movimento de aumento no interesse dos participantes. O número de contratos em aberto na B3 avançou 9,59%, alcançando 58.475 contratos, enquanto a média das cotações registrou alta de 0,84%, encerrando a semana em R$ 357,96/@, informou a Agrifatto. “Em relação ao fluxo de negociações, o mercado segue predominantemente comprador, evidenciado pela entrada líquida de novos participantes na ponta compradora”, destaca a consultoria Agrifatto. A principal exceção, dizem os analistas, foi o primeiro vencimento de 2027 (janeiro), que apresentou predominância de vendas, “comportamento que pode estar relacionado à sua ainda baixa liquidez”. O contrato de outubro/26 permanece como o vencimento de maior liquidez da curva, concentrando 20.287 contratos em aberto, relata a Agrifatto. “Mesmo diante da recente correção nos preços dos contratos mais longos, a continuidade da entrada de novos compradores sugere que parte do mercado tem aproveitado o aumento do ‘embarrigamento’ da curva para montar posições compradas”, disse a consultoria.

PORTAL DBO

Embaixador defende planejamento do Brasil diante de novas tendências comerciais da UE

Chefe da missão brasileira na União Europeia diz que país deve tentar se antecipar às exigências comerciais europeias

O chefe da missão brasileira junto à União Europeia, embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva, afirmou na terça-feira (4/8) que o Brasil precisa ter uma “visão realista” do mercado europeu. Ele defendeu um planejamento de longo prazo para o país frente às novas tendências comerciais e a tentativa de se antecipar a essas exigências. “Essas tendências não vão embora. Precisamos nos antecipar às medidas, fazer um planejamento de longo prazo e ter uma visão realista do mercado europeu”, disse o embaixador durante uma reunião fechada do Grupo de Trabalho sobre o Acordo Mercosul-União Europeia, criado pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Nelsinho Trad (PSD-MS). As informações foram divulgadas pela assessoria do parlamentar. O tema da reunião foram as exigências da UE de comprovação pelo Brasil de medidas de controle para o não uso de antimicrobianos na exportação de proteínas animais e derivados para lá. Sem atender a esses critérios, as exportações brasileiras poderão ser bloqueadas daqui um mês. O embaixador destacou que o Brasil “precisará comprovar, por meio de auditorias, a capacidade de segregar os produtos destinados ao mercado europeu”. Na prática, o Brasil precisa demonstrar que a carne destinada à União Europeia não veio de animais submetidos aos usos de antimicrobianos proibidos pelo bloco. Para isso, a produção precisa ser identificada e acompanhada ao longo de toda a cadeia, de modo que apenas os produtos conformes sejam certificados para exportação. O chefe da missão brasileira na UE ainda sugeriu a realização de uma reunião com o novo embaixador da União Europeia no Brasil, o diplomata português Francisco André, nomeado em junho deste ano, sobre o assunto. No encontro, Fernanda Maciel Carneiro, representante da CNA, disse que a ciência deve preponderar nesse tipo de decisão. “O Brasil atende às exigências dos mercados mais complexos do mundo. Precisamos compreender quais requisitos ainda impedem o reconhecimento do nosso sistema sanitário”, afirmou. O secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Philip Fox, relatou que o comércio internacional passa por um período de maior fragmentação, marcado pela multiplicação de acordos comerciais e pelo uso crescente de normas regulatórias como instrumento de política comercial, o que torna o ambiente mais “desafiador para países exportadores”. Segundo ele, o Ministério da Agricultura já encaminhou ampla documentação técnica às autoridades europeias. Agora, com o acordo Mercosul-UE em vigor desde maio, há uma oportunidade para fortalecer o diálogo político, segundo o embaixador.

GLOBO RURAL 

ECONOMIA

Dólar fecha em alta ante real antes de anúncio de sanção dos EUA a embaixadora brasileira

O dólar fechou a terça-feira com alta ante o real, refletindo o temor de novas sanções dos Estados Unidos ao Brasil, além da expectativa de novos cortes da taxa básica Selic.

O avanço das cotações no Brasil foi sustentado ainda pela queda do petróleo Brent no exterior, já que o país é exportador da commodity.

O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,84%, aos R$5,1304. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,53%. Com o mercado à vista já fechado, o Departamento de Estado dos EUA anunciou que o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, chefe da missão brasileira nos EUA, foi cancelado. Às 17h32, já após essa notícia, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais líquido — subia 0,62% na B3, aos R$5,1570. No início do dia o dólar chegou a operar em queda ante o real, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante divisas emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano, em meio à expectativa de que EUA e Irã possam chegar a um acordo de paz. No entanto, o dólar ganhou força gradativamente ante o real pela manhã e, durante a tarde, acelerou com a notícia de que o Brasil esperava pelo anúncio de novas sanções diplomáticas dos EUA. A notícia foi dada pelo site da Exame. As novas sanções seriam uma reação dos EUA após o governo brasileiro ter negado vistos para duas autoridades norte-americanas que viriam ao país para, na visão do Planalto, interferir nas eleições de outubro. Assim, após atingir a cotação mínima intradia de R$5,0707 (-0,33%) às 9h01, o dólar à vista marcou a máxima de R$5,1480 (+1,19%) às 15h47.

O pico do dólar ocorreu em paralelo às máximas das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) em vários vencimentos e à perda de força do Ibovespa. Durante o dia, profissionais ouvidos pela Reuters também citaram, como justificativa para o dólar forte, a expectativa de que o Banco Central anuncie novo corte de 25 pontos-base da taxa Selic na quarta-feira, para 14,00% ao ano, podendo promover outra redução de 25 pontos-base em setembro. Essa possibilidade foi reforçada pela manhã por dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrando que a produção industrial caiu 1,8% em junho ante maio, mais que a retração de 0,8% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. Na comparação com junho de 2025, houve alta de 1,7%, também abaixo da projeção de 3,0%. “A precificação (de corte de 25 pontos-base da Selic na quarta-feira) já vinha sendo feita. Nosso juro real continua bom, mas um pouco pior do que estava antes, e a produção industrial abaixo do esperado acaba dando espaço para a Selic cair mais”, comentou durante a tarde Nicolas Gomes, especialista em câmbio da Manchester Investimentos. De acordo com Gomes, o recuo do petróleo Brent, para abaixo dos US$80 o barril, também justificava o avanço do dólar ante o real.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda com Itaú e Petrobras após superar 180 mil pontos

O Ibovespa fechou com um declínio modesto na terça-feira, após superar os 180 mil pontos, pressionado principalmente por Itaú Unibanco, antes da divulgação do balanço do segundo trimestre, e Petrobras, com novo declínio do preço do petróleo no exterior

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,15%, a 177.732,99 pontos, de acordo com dados preliminares, chegando a 180.679,47 na máxima e marcando 177.580,77 na mínima do dia.

REUTERS

Inadimplência no crédito rural deve seguir elevada até 2027, dizem analistas

Em junho deste ano, indicador ficou em 7,5% entre produtores pessoas físicas, pouco abaixo dos 7,6% do mês anterior, conforme dados do Banco Central. Desde o recorde de 7,7% em fevereiro deste ano, a inadimplência entre produtores pessoas físicas oscilou para 7,2% em março, 7,5% em abril e 7,6% em maio

Os níveis de inadimplência do crédito rural no sistema financeiro ficaram em 7,5% entre as pessoas físicas e em 0,8% entre as empresas do agronegócio em junho. No primeiro caso, houve ligeira queda em relação a maio, quando o indicador foi de 7,6%. No segundo, estabilidade. Especialistas, porém, ainda não consideram haver melhora no cenário de endividamento do campo e acreditam na manutenção desses percentuais em patamares altos até o próximo ano. Os índices de inadimplência registrados em junho de 2026 representam avanços de 0,9 ponto percentual e 0,2 ponto percentual, para pessoas físicas e jurídicas, respectivamente, neste ano. Em 12 meses, o incremento é ainda mais expressivo. Os dados consideram operações de crédito rural com recursos direcionados dos depósitos à vista e da poupança rural. A inadimplência dos produtores rurais pessoas físicas nas instituições financeiras estava em 0,8% em junho de 2023. Em três safras, o índice cresceu mais de nove vezes. Passou para 1,6% na metade de 2024, para 3,5% em 2025 e para 7,5% agora. O pico foi em fevereiro de 2026, quando chegou a 7,7%, segundo dados do Banco Central. A inadimplência nas operações a taxas reguladas para pessoas físicas ficou em 3,3% em junho, mesmo patamar de maio. Nos financiamentos a juros de mercado houve recuo, de 13,5% para 13%. Desde o recorde de 7,7% em fevereiro deste ano, a inadimplência entre produtores pessoas físicas oscilou para 7,2% em março, 7,5% em abril e 7,6% em maio. O percentual de operações inadimplentes é mais equilibrado entre as pessoas jurídicas. Há três anos, estava em 0,4% e dobrou no período. O pico, perto de 6%, foi entre junho de 2019 e outubro de 2020. De janeiro a março deste ano ficou em 0,7% e desde abril está em 0,8%. Para David Télio, diretor de Novas Estruturas Financeiras da TerraMagna e especialista em crédito para o agronegócio, a inadimplência se mantém alta devido à baixa rentabilidade dos produtores e aos juros altos. Ele acredita na estabilização desses percentuais devido à diminuição da alavancagem no campo, com possível redução dos níveis a partir do próximo ano. “A expectativa é de redução dos níveis de inadimplência a partir de 2027 até 2030, com melhora na rentabilidade e equilíbrio sobre os investimentos”, afirmou ao Valor. Ele disse que o cenário vai impactar a aquisição de insumos na safra 2026/27 e resultar em uma provável redução de área plantada, mesmo com o acesso dos produtores a financiamentos junto a distribuidores e via mercado de capitais. O saldo “problemático” da carteira ativa de crédito rural ficou em R$ 197,1 bilhões em junho, próximo de 22,5% do total. São R$ 20,9 bilhões em operações atrasadas, R$ 31,6 bilhões em prorrogadas, R$ 106,4 bilhões em financiamentos renegociados ou R$ 38,1 bilhões inadimplentes. Outros R$ 681,8 bilhões de financiamentos estão em curso normal. Em maio, o saldo problemático de R$ 202,4 bilhões, sobre uma base sem problemas também mais alta, de R$ 688,3 bilhões. O saldo total da carteira ativa de crédito rural saiu de R$ 890,6 bilhões em maio para R$ 897 bilhões em junho de 2026. Nos últimos meses, houve um crescimento das operações em atraso, aquelas não pagas entre 15 e 90 dias após o vencimento. Como mostrou o Valor em maio, representantes de bancos e cooperativas de crédito já relatavam um aumento desse movimento diante da expectativa dos produtores com a aprovação de alguma medida de socorro aos endividados. Em março, a carteira de operações em atraso estava em R$ 14,6 bilhões. Passou para R$ 15 bilhões em abril, R$ 18,3 bilhões em maio e quase R$ 21 bilhões em junho. As carteiras inadimplentes (com atrasos acima de 90 dias) e renegociada ficaram estáveis. Houve recuo no saldo dos financiamentos prorrogados, de R$ 38,4 bilhões para R$ 31,6 bilhões. Consultor jurídico do agronegócio e ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, José Carlos Vaz observou que os dados não incluem as dívidas privadas, fora dos bancos, e ainda não capturaram o efeito da Medida Provisória 1.376/2026, que autorizou a renegociação de débitos nas instituições financeiras em julho.

VALOR ECONÔMICO

GOVERNO

Ministro diz que é ‘inaceitável’ ausência do Brasil da lista de exportadores de carne à União Europeia

Indústrias dizem “ter esperança” de que país poderá manter vendas de carne bovina à EU. UE retirou o Brasil da lista de nações aptas a exportar produtos de origem animal ao bloco alegando que o país não conseguiu comprovar que segue as regras sobre o uso de antimicrobianos

O governo federal trabalha para reverter a barreira imposta pela União Europeia à entrada de produtos de origem animal do Brasil e busca garantir a permanência do país na lista de fornecedores do bloco, disse o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. Em conversa com a imprensa durante o Congresso do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), em São Paulo, nesta terça-feira (4/8), ele afirmou que “o governo está disposto a trabalhar tanto do ponto de vista técnico, quanto do ponto de vista diplomático e político” para reverter a decisão da UE. Ele acrescentou que representantes brasileiros já realizaram reuniões com a Comissão Europeia. A União Europeia excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos derivados de animais a partir de 3 de setembro, alegando que o país não comprovou o cumprimento das exigências do bloco em todo o ciclo de vida dos animais. A Europa proíbe o uso em animais de antimicrobianos como promotores de crescimento e de medicamentos destinados ao uso humano. O governo vem tentando negociar com o bloco um prazo de transição para entregar o controle completo do ciclo de vida dos bovinos. Também estuda proibir o uso dos insumos de forma geral no país – regra hoje mais restritiva para os exportadores que enviam carne aos europeus – como sinalização do cumprimento futuro das exigências para a UE. De acordo com o ministro, “é inaceitável para o Brasil estar fora da lista”. Ele afirmou que exigências como as relacionadas ao uso de antimicrobianos podem demandar um período de adaptação dos produtores, mas disse que o Brasil continua reconhecido como fornecedor do bloco. “Nós fornecemos para eles há muito tempo, há décadas, e para muitos mercados que são tão ou mais exigentes do que o mercado europeu”, disse. Além disso, de Paula afirmou que o governo trabalha para evitar que as restrições afetem a cadeia produtiva e apontou para uma possível fase de transição. Segundo ele, há expectativa de que essas cadeias estejam habilitadas a continuar fornecendo produtos ao mercado europeu já no início de setembro. Paralelamente às negociações com o bloco europeu, o ministro destacou que o governo busca diversificar os mercados compradores e citou a missão técnica da Coreia do Sul, prevista para agosto. “Por mais importante que seja qualquer mercado, precisamos ter essa capacidade de sobreviver sem ele”, disse. De Paula também destacou que o Brasil exporta para 180 países e territórios e já abriu 664 mercados. Segundo o ministro, a presença brasileira em diferentes destinos demonstra a qualidade, a competitividade e a eficiência do sistema sanitário nacional.

GLOBO RURAL

Ministro diz que Brasil trabalha para manter em primeiro momento exportação de aves à UE

O governo brasileiro trabalha, em um primeiro momento, para o Brasil seguir exportando pelo menos carne de aves para a Europa, após a União Europeia ter excluído proteínas de origem animal brasileiras dos produtos autorizados a entrar no bloco a partir de 3 de setembro.

“Trabalhamos em um primeiro momento para que os efeitos não possam chegar às cadeias cujo ciclo é menor, e, portanto, tem todas as condições para que já no início de setembro esteja habilitado para seguir fornecendo o nosso produto…”, disse o ministro da Agricultura, André de Paula, durante evento do setor de aves em São Paulo. Além da carne de frango, outros produtos de origem animal, como carne bovina, ficaram de fora da lista de produtos autorizados pela União Europeia, devido a regras sobre o uso de antimicrobianos, que não são permitidos pela UE. No caso dos bovinos, o ciclo de criação é mais longo que o de frango, que é de pouco menos de dois meses. Paula afirmou ainda que o governo brasileiro trabalha para listar todos os produtos, classificando a proibição como “inaceitável”. “Estar na lista significa o reconhecimento de que o nosso sistema é eficiente… fornecemos para eles há décadas e para muitos mercados tão ou mais exigentes que o mercado europeu”, afirmou a jornalistas. O Brasil é o maior exportador global de carnes de frango e bovina. O ministro disse também que há processos para a abertura de novos mercados, como a carne bovina para a Coreia do Sul. Ele afirmou estar confiante de que o país asiático abrirá seu mercado ao Brasil, após recente encontro do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília. O governo brasileiro também quer ampliar vendas de carne suína para a Coreia do Sul, que hoje compra apenas o produto com origem em Santa Catarina. “Estamos trabalhando para ampliar para o Rio Grande do Sul.”

REUTERS

INTERNACIONAL

Com os custos do boi em alta, Tyson Foods reduz sua previsão de lucros nos EUA

Para o seu negócio de carne bovina, a empresa prevê um prejuízo operacional ajustado de US$ 500 milhões a US$ 650 milhões

Reportagem da Reuters da segunda-feira (3/8) repercutiu comunicado da gigante norte-americana Tyson Foods, que anunciou redução na sua previsão de lucro anual, alertando que as perdas em seu negócio de carne bovina aumentariam devido à escassez de oferta de animais nos EUA, que mantém os custos da pecuária elevados. Segundo a reportagem, os frigoríficos norte-americanos perderam dinheiro em seus negócios de carne bovina porque o aumento dos custos do gado superou os ganhos com a alta dos preços de bifes e carne moída no país. “O corte na previsão da Tyson sinaliza mais dificuldades financeiras para o setor, depois que a empresa fechou uma enorme fábrica de carne bovina no Nebraska este ano e reduziu as operações em uma unidade no Texas, demitindo milhares de trabalhadores”, recorda a Reuters. O rebanho bovino dos EUA caiu para o nível mais baixo em 75 anos depois que uma seca prolongada devastou pastagens no oeste dos EUA e o Estado de Washington suspendeu as importações de bovinos vivos do México numa tentativa de impedir a entrada da mosca varejeira, praga que se alastrou em território mexicano. No entanto, o parasita foi detectado em junho/26 em fazendas norte-americanas, após migrarem para o norte através da América Central. Diante da pressão para reduzir os custos para o consumidor, o governo Trump também afirmou que planeja começar a suspender a proibição de importação de bovinos vivos ainda neste mês de agosto. “A reabertura da fronteira mexicana não resolverá toda a lacuna de perdas de carne bovina que estamos vendo atualmente”, disse o CEO Donnie King, em teleconferência. Ele acrescentou: “A retomada das importações americanas poderia levar a alguma melhora em 2027 e nos anos seguintes”. A Tyson prevê um lucro operacional ajustado para o ano fiscal de 2026 entre US$ 2,1 bilhões e US$ 2,3 bilhões, em comparação com a previsão anterior de US$ 2,2 bilhões a US$ 2,4 bilhões. Para o seu negócio de carne bovina, a empresa prevê um prejuízo operacional ajustado de US$ 500 milhões a US$ 650 milhões, em comparação com a previsão anterior de um prejuízo de US$ 350 milhões a US$ 500 milhões, informou a Reuters. O volume de vendas de carne bovina caiu 15,9% no trimestre encerrado em 27 de junho, enquanto os preços subiram 12,1%, comparou a Tyson.

REUTERS

SUÍNOS

O desafio não é produzir, é defender o que o Brasil produz

Palestra no 4º Congresso de Suinocultores do Paraná mostrou que competitividade brasileira vai muito além do custo de produção e alerta para a necessidade de valorizar patrimônio sanitário, tecnologia e imagem do país diante de um mercado internacional cada vez mais disputado.

A competitividade da suinocultura brasileira costuma ser explicada por fatores conhecidos: abundância de grãos, disponibilidade de água, clima favorável e um sistema produtivo tecnificado. Embora todos esses elementos sejam determinantes, eles não são suficientes para explicar por que o Brasil se consolidou entre os principais produtores e exportadores mundiais de proteína animal. Em um mundo marcado por conflitos geopolíticos, barreiras comerciais, mudanças no consumo, crises sanitárias e crescente disputa por mercados, o maior patrimônio do setor talvez seja outro: a capacidade de produzir com regularidade, sanidade e credibilidade. Sula Leite, gerente técnica da área internacional da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), durante a palestra no 4º Congresso de Suinocultores do Paraná: “Somos muito bons em produzir suínos, mas ainda somos muito ruins em defender a imagem daquilo que produzimos”. “Precisamos lembrar constantemente quem nós somos dentro da produção mundial de proteína animal. Muitas vezes sofremos da chamada síndrome do vira-lata e deixamos de reconhecer a qualidade do que produzimos. O Brasil construiu uma produção diferenciada, competitiva e respeitada internacionalmente. Quem visita granjas e frigoríficos em outros países percebe que não perdemos para ninguém”. Segundo ela, essa dificuldade de comunicar os próprios diferenciais acaba abrindo espaço para interpretações equivocadas e, em alguns casos, favorece o surgimento de barreiras que extrapolam o campo sanitário. “Nem toda barreira apresentada como sanitária é, de fato, sanitária. Em muitos casos ela atende interesses comerciais. O problema é quando nós mesmos deixamos espaço para que essas restrições sejam criadas. Por isso precisamos defender nossa produção, nosso sistema e tudo aquilo que nos tornou referência internacional.” “Não existe acesso a mercados sem sanidade. É ela que constrói credibilidade internacional. Muitas vezes ouvimos críticas dizendo que alguns procedimentos de biosseguridade são exagerados, mas é justamente esse cuidado que nos colocou em uma posição diferenciada no mundo”.  “Nosso status sanitário virou algo tão comum para nós que, às vezes, esquecemos o quanto ele é extraordinário”, disse. Na avaliação de Sula, o produtor não pode mais enxergar sua atividade apenas a partir da realidade da propriedade rural. Questões sanitárias, econômicas e políticas ocorridas em qualquer parte do planeta têm potencial para alterar custos, demanda e oportunidades comerciais. “A porteira não isola ninguém do que acontece no mundo. O problema da China não é apenas da China. O que acontece com os bovinos, com os suínos, com as aves ou com qualquer grande mercado acaba repercutindo em toda a cadeia de proteínas. Somos uma cadeia longa, extremamente integrada e vulnerável às mudanças globais.” “A vida mostra continuamente que tudo é cíclico. Quantas previsões foram feitas e acabaram mudando completamente por causa de acontecimentos que ninguém imaginava? Por isso tenho muito cuidado quando falamos em projeções. Precisamos trabalhar com planejamento, mas também com capacidade de adaptação.” Segundo a especialista, a combinação entre disponibilidade de grãos, recursos naturais, tecnologia, conhecimento técnico e organização da cadeia continuará colocando o país em posição privilegiada diante da crescente demanda mundial por alimentos. “Os desafios continuarão existindo porque eles acompanham o tamanho da nossa produção. O importante é não baixar a cabeça diante deles. Precisamos continuar trabalhando, preservar aquilo que construímos e lembrar que produzir alimentos com qualidade é, antes de tudo, uma responsabilidade com o consumidor e com o futuro da própria atividade.”

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