CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2797 DE 15 DE SETEMBRO DE 2026

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Ano 11 | nº 2797 | 15 de setembro de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: estabilidade nas praças paulistas

Com poucos negócios na segunda-feira, as cotações não mudaram.

Pelos dados da Scot Consultoria, o animal terminado sem padrão-exportação segue valendo R$ 345/@ no interior de São Paulo, enquanto o “boi-China” está cotado em R$ 350/@. A oferta estava ajustada e suficiente para atender às escalas, e a semana começou com poucos negócios. Dessa maneira, a cotação não mudou. A escala estava, em média, para sete dias. Na região Noroeste do Paraná, a cotação da novilha caiu R$3,00/@. Para as demais categorias, os preços não mudaram. As escalas estão, em média, para nove dias. No mercado atacadista da carne com osso, na última semana, as vendas no varejo estiveram boas, impulsionadas pelo feriado de 7 de setembro e pelo recebimento dos salários. Esse movimento repercutiu no atacado, com aumento de pedidos para reposição. Do lado da disponibilidade, a oferta de boi capão esteve boa e atendeu à demanda. Por outro lado, a oferta de boi inteiro esteve menor no período. Nesse cenário, as cotações das carcaças casadas reagiram, com altas para todas as categorias, exceto para o boi capão. A cotação da carcaça casada do boi inteiro e da vaca, subiu 1,1%, ou R$0,25/kg. Para a da novilha, a alta foi de 0,4%, ou R$0,10/kg. A tendência é de perda de ritmo nas vendas com a virada da quinzena, devido à redução do poder aquisitivo do consumidor. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio subiu 5,5%, ou R$0,40/kg. A cotação do suíno especial subiu 6,6%, ou R$0,50/kg.

SCOT CONSULTORIA

Arroba do boi sobe, mas exportações de carne têm queda de 29% no início de setembro

Quantidade total embarcada pelo país chegou a 40,582 mil toneladas, com média diária de 10,145 mil toneladas nos primeiros dias do mês

O mercado físico do boi gordo registrou um cenário de leve alta nos preços ao longo da semana, com a arroba indicada em R$ 350 na última sexta-feira (11). Segundo o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, o posicionamento mais confortável das escalas de abate por parte dos frigoríficos, especialmente os de maior porte, contribuiu para esse movimento. De acordo com ele, o movimento do mercado futuro ainda chama a atenção, com importante descolamento dos preços entre o mercado físico e os contratos setembro, outubro, novembro e dezembro operando em patamares firmes. “O motivo da alta expressiva ao longo da semana ainda são especulações ligadas à China, com um possível retorno precoce fazendo uso de rotas marítimas mais extensas. Do ponto de vista da logística, parece pouco provável que essa movimentação aconteça considerando o adicional de custos envolvidos”, avalia. As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 249,076 milhões em setembro (4 dias úteis), com média diária de US$ 62,269 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A quantidade total exportada pelo país chegou a 40,582 mil toneladas, com média diária de 10,145 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.137,60. Em relação a setembro de 2025, houve baixa de 22,5% no valor médio diário da exportação, queda de 29,1% na quantidade média diária exportada e avanço de 9,3% no preço médio. Conforme Iglesias, o mercado atacadista registrou uma semana de alta nas cotações para os cortes do traseiro bovino. A entrada dos salários na economia e a aceleração da reposição entre o atacado e o varejo contribuiu para sustentar os preços. Ainda assim, a carne bovina segue enfrentando forte concorrência da carne de frango e dos ovos, produtos que apresentam maior competitividade no atual ambiente de consumo. O mês de setembro tende a permanecer desafiador para as vendas, considerando a escassez de datas comemorativas e eventos capazes de impulsionar a demanda. Quarto do traseiro bovino: foi precificado a R$ 26,50 por quilo, alta de 1,92% ante os R$ 26,00 registrados no final da semana passada Quarto do dianteiro do boi: foi cotado a R$ 19,00 por quilo, queda de 5,00% ante os R$ 20,00 praticados no fechamento da última semana.

SAFRAS NEWS

CEPEA: Receita recorde e custos mais controlados projetam margem histórica para o confinamento em 2026

Estudo do Cepea indica resultado próximo de R$ 1,2 mil por cabeça nos últimos lotes do ano, mas compra do boi magro, eficiência alimentar e proteção do preço de venda continuam determinantes para a rentabilidade

O confinamento de bovinos caminha para encerrar 2026 com uma das melhores relações entre custos e receita dos últimos anos. Levantamento divulgado na sexta-feira (11) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Tortuga/DSM, aponta a possibilidade de lucro histórico para os animais comercializados no final do ano, sustentado principalmente pela valorização do boi gordo. O estudo considera um macho inteiro Nelore com peso de entrada de 375 quilos e saída com 540 quilos, rendimento de carcaça de 55% e permanência de 105 dias no confinamento. A simulação adota nível básico de tecnologia nutricional. Pelos parâmetros utilizados, o animal termina o ciclo com aproximadamente 19,8 arrobas de carcaça. Na parte futura do levantamento, a receita é projetada com base nos contratos do boi gordo negociados na B3. O gráfico do Cepea mostra que a receita por animal pode superar R$ 7,3 mil nos lotes vendidos em novembro. Já o custo total, incluindo a aquisição do boi magro, alimentação e demais despesas operacionais, fica próximo de R$ 6,2 mil por cabeça. Com isso, a margem projetada se aproxima de R$ 1,2 mil por animal. Os valores são aproximados, uma vez que o informativo apresenta a evolução dos resultados em formato gráfico. A perspectiva favorável não ocorre porque os custos do confinamento recuaram de forma expressiva. A compra do boi magro, principal componente do desembolso, continuou avançando ao longo de 2026. Os gastos com dieta e as demais despesas operacionais também permanecem relevantes. O principal fator de melhora é a valorização mais intensa da receita. A linha do faturamento projetado sobe com maior força na segunda metade do ano e amplia a diferença em relação ao custo total da operação. Essa relação é importante porque o confinador trabalha com duas pontas: compra um animal mais leve, normalmente caro, e precisa vendê-lo meses depois por um preço que cubra o boi magro, a alimentação, os custos financeiros e as demais despesas da engorda. Em 2026, a valorização esperada para o boi gordo vendido no final do ciclo estaria superando o crescimento dos custos, abrindo uma margem que não aparece com a mesma intensidade em outros momentos da série iniciada em 2018. Embora o cenário indicado pelo Cepea seja positivo, a margem apresentada não representa um lucro garantido para todos os confinadores. O resultado de cada propriedade depende do preço pago pelo boi magro, do custo da dieta, do ganho médio diário, da conversão alimentar, do período de permanência e do peso efetivamente entregue ao frigorífico. A expectativa de lucro histórico torna o confinamento mais atrativo e pode estimular a colocação de animais nos cochos. Entretanto, uma expansão mais forte da oferta de bovinos terminados também pode aumentar a pressão sobre as cotações no período de saída dos lotes.

CEPEA 

Custo alimentar não eleva lucro do confinamento no Centro-Oeste em agosto

No Sudeste, o movimento foi inverso, com alta de 1,59%, para R$ 1.163,88 por cabeça, o maior resultado desde abril.

A queda do custo alimentar não foi suficiente para elevar a lucratividade do confinamento de gado bovino no Centro-Oeste em agosto. O custo alimentar recuou 9,38% na região, para R$ 11,89 por cabeça/dia, o segundo menor valor de toda a série histórica. Ainda assim, o maior tempo de cocho – de 99 para 107 dias – e a menor produção – de 8,08 para 7,81 arrobas por animal – contribuíram para aumentar o custo da arroba produzida em 11,07%, para R$ 200,61, e reduzir a lucratividade em 13,63%, para R$ 983,18 por cabeça, segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (Icap). Conforme comunicado da Ponta, o Icap é calculado a partir de dados reais coletados pela Tecnologia de Gestão de Confinamento (TGC), que gerencia cerca de 57% das cabeças confinadas no País. O movimento reduziu significativamente a diferença regional, disse a empresa. Depois de atingir R$ 1,64 em julho, a vantagem do Sudeste caiu para R$ 0,35 por cabeça/dia em agosto, a menor desde o início da inversão regional, em março. Ainda assim, o Sudeste manteve o menor Icap pelo sexto mês consecutivo. No Centro-Oeste, a queda foi puxada principalmente pela dieta de terminação, que recuou 8,45%, para R$ 1.022,62 por tonelada de matéria seca (MS) – o maior alívio mensal de 2026 na região. Os proteicos ficaram 24,85% mais baratos na ponderação, e o DDG (grãos secos de destilaria, coproduto rico em proteína obtido na fabricação do etanol de milho) atingiu o menor preço do ano. Com isso, pela primeira vez desde fevereiro, a dieta de terminação do Centro-Oeste ficou mais barata que a do Sudeste, onde o custo foi de R$ 1.046,27 por tonelada de MS, queda de 1,96%. A redução do custo alimentar, porém, não se traduziu em maior lucratividade no Centro-Oeste, reforçou a Ponta. Além do ciclo mais longo e da menor produção de arrobas, a maior participação de outros custos pressionou o resultado. No Sudeste, o movimento foi inverso, com alta de 1,59%, para R$ 1.163,88 por cabeça, o maior resultado desde abril. Com isso, o Sudeste ampliou a liderança na lucratividade da arroba produzida para R$ 180,70 por cabeça, a maior diferença regional do ano, combinando cotação mais elevada com menor custo de produção. No mercado de exportação (boi China), a vantagem também permaneceu: R$ 1.235,16 por cabeça no Sudeste, contra R$ 1.026,13 no Centro-Oeste.

O ESTADO DE SÃO PAULO

Retenção de fêmeas e maior demanda externa tendem a elevar preço do boi

Abate de matrizes começa a recuar no país; compra adicional de carne bovina pelos EUA e cota da China para 2027 também devem sustentar cotações

Desde o início do mês, as cotações do boi gordo têm se mantido praticamente estáveis nas principais praças pecuárias do Brasil, mas os preços futuros já refletem o novo cenário. Após um primeiro semestre marcado pelo aumento dos abates de gado bovino, já há sinais de redução na oferta de animais no mercado. Pecuaristas estão mantendo mais fêmeas nas propriedades para reprodução, estimulados pelos preços do bezerro e outros animais jovens, e com isso estão enviando menos matrizes para o abate. Essa dinâmica, somada à esperada demanda adicional dos Estados Unidos por carne e ao retorno das compras da China para preencher a cota de 2027, abre espaço para valorizações do boi gordo e da carne, dizem analistas. As cotações dos contratos futuros do boi gordo na B3 com vencimentos nos próximos meses já refletem essa leitura. Na sexta-feira (11), os contratos futuros com vencimento em 30 de setembro fecharam a R$ 358,55 por arroba. Já o contrato para o fim de outubro encerrou a R$ 377,40, e o do fim de janeiro de 2027, a R$ 385,30. A participação das fêmeas no total de animais abatidos no país, considerando apenas as unidades com registro de inspeção federal (SIF), saiu de 44,7% em fevereiro para 32,1% do total em agosto. Além disso, em julho, enquanto o abate de bovinos caiu 22%, o de fêmeas recuou mais, 32%, segundo a Safras & Mercado. “Já começou a retenção de matrizes, com uma leve reversão do ciclo produtivo”, afirma o professor Júlio Barcellos, coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Para ele, esse movimento deve se intensificar até o fim do ano. A participação das fêmeas no abate total continuará caindo nos próximos meses e ao longo de 2027, na avaliação de Alcides Torres, diretor geral da Scot Consultoria. Com isso, a produção de carne tende a diminuir, enquanto frigoríficos buscarão atender às demandas americana e chinesa. Também há a expectativa de que os frigoríficos voltem a produzir carne bovina para a China no último trimestre deste ano. A ideia é embarcar as cargas ainda em 2026 para que cheguem ao país asiático em janeiro e sejam contabilizadas na cota referente a 2027. A China estabeleceu para o Brasil uma cota de 1,106 milhão de toneladas, sem tarifa adicional de 55%. A cota deste ano já foi praticamente preenchida no fim de julho. “A tendência [para este semestre] é que o boi suba e o preço da carne para o consumidor também”, disse Torres, da Scot. “A alta deve ser contínua, não em picos, porque o Brasil tem um rebanho muito grande”, afirmou. A cota chinesa influencia inclusive a estratégia de confinadores, de acordo com Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado. Os produtores vão confinar menos neste terceiro trimestre e muitos devem priorizar o confinamento apenas no quarto trimestre, quando se espera que a demanda chinesa retorne, disse. Desde o início do mês, as cotações do boi gordo têm se mantido praticamente estáveis nas principais praças pecuárias do Brasil. Enquanto a oferta de produtores segue controlada, os compradores atuam com cautela, ainda que com apetite para compras, o que sustenta os preços, segundo boletim da Scot Consultoria. Na sexta-feira (11), a arroba do boi gordo em Araçatuba (SP) estava em R$ 345, mesmo valor do início de setembro. No ano, acumula alta de 10,6%. O indicador Cepea/Esalq do boi ficou estável em R$ 349,50 por arroba na sexta-feira. No mês a valorização é de quase 1,5%. “O freio de mão [do preço do boi e da carne] para esse cenário positivo [para o pecuarista] é o consumo. Tem gente que liga perguntando se a arroba vai a R$ 400 ou R$ 450. Eu respondo que se for, o consumo cai”, disse Torres. “Não pode subir muito, ou o consumidor vai para a carne de frango e outras alternativas muito boas”, acrescentou. “Temos uma perspectiva de elevação dos preços da carne bovina, e isso é consequência desse processo de menor oferta interna. Vai ter menos gado para abater. Isso vai resultar em menor oferta doméstica de carne bovina”, afirmou Iglesias. A perda do mercado da União Europeia não deve impedir essa alta, uma vez que o bloco representa um percentual pequeno, entre 3% e 4%, das exportações brasileiras de carne bovina, segundo Iglesias. O veto europeu tem impacto, observou, por se tratar de um mercado “vitrine”, de modo que exigências adotadas pela UE podem influenciar outros compradores.

GLOBO RURAL

ECONOMIA

Dólar sobe para perto dos R$5,15 influenciado por exterior e cenário político

O dólar fechou a segunda-feira em alta ante o real, influenciado tanto pelo avanço da moeda norte-americana no exterior quanto pelo cenário político conturbado no Brasil, em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e a novas pesquisas eleitorais.

O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,49%, a R$5,1490. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,19%. Às 17h02, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,38% na B3, aos R$5,1680. A segunda-feira começou com o dólar em alta ante boa parte das demais divisas no exterior, novamente impulsionado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, que alimentava a busca por ativos mais seguros. Preocupações em torno de possíveis riscos da IA também traziam cautela para os negócios. No Brasil, a busca pelo dólar era reforçada pelo cenário político, após as pesquisas eleitorais mais recentes mostrarem uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo Planalto. Na sexta-feira, pesquisa do Datafolha mostrou Lula com 46% e Flávio com 44% em uma simulação de segundo turno. O resultado representa empate técnico, já que a margem de erro é de 2 pontos percentuais. Na manhã desta segunda-feira, a pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula com 47% das intenções de voto, contra 46% de Flávio, também em empate técnico em função da margem de 2 pontos percentuais. Neste caso, porém, Lula voltou a ter a vantagem numérica, que no levantamento anterior era de Flávio. “O dólar foi para acima de R$5,18 na máxima de mais cedo, espelhando a cautela externa com o petróleo subindo mais de 3%”, comentou durante a tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, acrescentando que a disputa política também deu suporte às cotações. A crise no STF também trazia cautela para os negócios. No fim de semana o presidente da corte, Edson Fachin, chamou para si a relatoria da petição sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O caso irá a julgamento no plenário do STF na terça-feira. Fachin também marcou o julgamento sobre a conduta do ministro André Mendonça como relator do caso do Banco Master para o dia 23. Durante a tarde o dólar apagou parte dos ganhos ante o real, mas ainda assim se manteve no território positivo. Às 13h55 a moeda à vista marcou a mínima de R$5,1414 (+0,32%), para depois fechar pouco abaixo dos R$5,15. No exterior, às 17h05 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,41%, a 99,508.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda pressionado por Vale e com Brasília no radar

O Ibovespa fechou em queda na segunda-feira, pressionado particularmente pelo declínio da blue chip Vale, em meio ao recuo dos futuros do minério de ferro na China. Novas pesquisas eleitorais também ocuparam as atenções na bolsa paulista, enquanto investidores seguem atentos a potenciais reflexos da crise no STF e das investigações sobre o Banco Master na corrida presidencial. 

A primeira sessão da semana ainda teve como pano de fundo alertas sobre os riscos envolvendo IA e novo avanço dos preços do petróleo no mercado internacional. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,91%, a 185.500,88 pontos, após marcar 183.813,36 pontos na mínima e 187.320,96 pontos na máxima. O volume financeiro no pregão somou R$24,4 bilhões. Pesquisa BTG/Nexus divulgada antes da abertura na segunda-feira mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) soma agora 42% das intenções de voto no primeiro turno, ante 39% na pesquisa da semana passada, ao passo que o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 37%, ante 35% no levantamento anterior. O cenário de segundo turno continuou mostrando empate técnico, mas com Lula voltando a liderar com 47%, ante 45% na pesquisa anterior, enquanto Flávio se manteve com 46% das intenções de voto. Também nesta manhã a pesquisa Quaest divulgada pelo jornal O Globo mostrou Flávio com 42%, enquanto Lula soma 40% em um eventual segundo turno. Na pesquisa anterior, divulgada há uma semana, ambos estavam empatados numericamente com 41%. Ambos permanecem em empate técnico. O Nexus ouviu 2.003 pessoas entre os dias 11 e 13 de setembro e a Quaest ouviu também 2.003 pessoas, mas entre os dias 10 e 13 de setembro. Na visão de estrategistas do JPMorgan, a eleição presidencial brasileira de 2026 é o principal catalisador doméstico para os ativos brasileiros neste ano. Investidores também continuam monitorando os potenciais desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal e da retirada de sigilo de parte das investigações sobre o Banco Master, em particular as informações relacionadas ao filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ministro Flávio Dino, do STF, retirou no domingo o sigilo das investigações que apuram se houve desvio de emendas parlamentares para a realização do filme “Dark Horse” e determinou que a Polícia Civil de São Paulo encaminhe à Polícia Federal o material coletado nas investigações sobre o caso. Na terça-feira, as atenções estarão voltadas para a análise pelo STF do envolvimento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, com o Master. O julgamento da petição sobre Moraes refere-se a relatório da PF que implica Moraes e outras autoridades em uma série de condutas com o banqueiro Daniel Vorcaro e pessoas próximas a ele. Em Nova York, o S&P 500 fechou com declínio de 0,48%. Em paralelo, o barril de petróleo sob o contrato Brent encerrou com elevação de 1,02%, a US$105,68, após novos ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita e a navios no Oriente Médio. A cotação chegou a avançar quase 5%, mas arrefeceu depois que Trump afirmou que o Irã desejava chegar a um acordo com Washington.

REUTERS

Mercado reduz projeção de alta do IPCA de 2026 para 4,90%, mostra Focus

Expectativa para inflação em 2027 sobe pela quinta semana seguida. O relatório do Banco Central apresenta as expectativas do mercado para os principais indicadores econômicos do Brasil

A expectativa dos economistas para a inflação em 2026 caiu pela terceira semana consecutiva, enquanto a estimativa para 2027 subiu pela quinta semana seguida. Já a previsão para 2028 foi mantida pela sétima semana consecutiva, apontou o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (14). A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 caiu de 5% para 4,90%. É importante lembrar que a meta perseguida pelo Banco Central é de 3% ao ano, com limite tolerável de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Portanto, o topo da meta é de 4,5% e a expectativa aponta para uma inflação maior que esse teto. Já a expectativa para a inflação em 2027 subiu de 4,29% para 4,30%, enquanto a estimativa para o IPCA em 2028 seguiu em 3,80%. Na última sexta-feira (11), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o IPCA recuou 0,32% em agosto. Assim, o dado desacelerou em relação à subida de 0,07% em julho e apontou uma deflação, isso é, uma redução dos preços e um o movimento inverso ao da inflação. O indicador ficou abaixo do esperado, mas no intervalo das previsões. O Boletim Focus reúne semanalmente as expectativas do mercado para os principais indicadores da economia e é acompanhado pelos investidores de perto, especialmente as expectativas de inflação, que ajudam a calibrar as previsões para a Selic, a taxa referência para os juros da economia. A previsão para os juros no fim de 2026 continuou em 13,75% pela sexta semana consecutiva. Para 2027, a expectativa ficou em 12%, como ocorreu nas semanas anteriores. Para 2028, a projeção seguiu também em 10,50%, como nas semanas anteriores. A expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 recuou de 1,93% para 1,89%, após aumentar na semana passada. Para 2027, a estimativa recuou de 1,50% para 1,45%, após continuar estabilizada por três semanas seguidas. Para 2028, a previsão caiu pela segunda semana consecutiva, de 1,96% para 1,87%. A expectativa para o dólar em 2026 continuou R$ 5,20, como ocorreu nas semanas anteriores. Para 2027, a estimativa recuou R$ 5,30 para R$ 5,28, após continuar estabilizada por duas semanas consecutivas. Para 2028, a previsão seguiu em R$ 5,30, como nas últimas semanas.

VALOR ECONÔMICO

Confiança da indústria recua e mantém 21 meses de pessimismo

A confiança dos empresários industriais voltou a recuar em setembro. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), divulgado na segunda-feira (14) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), caiu 1,4 ponto, passando de 46,3 para 44,9 pontos.

O resultado mantém o indicador abaixo da linha de 50 pontos, que separa confiança de pessimismo. Com isso, a indústria completa 21 meses consecutivos sem confiança, no período mais prolongado já registrado pela série desde 2015 e 2016. Segundo a CNI, a queda foi disseminada entre os componentes do índice, atingindo tanto a avaliação das condições atuais quanto as expectativas para os próximos meses. “Essa queda foi generalizada, verificada em todos os componentes do índice, tanto a avaliação das condições correntes quanto as expectativas”, afirmou em nota Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI. A percepção dos empresários sobre a situação econômica do país foi um dos principais fatores para o recuo do indicador. A avaliação das condições atuais da economia brasileira caiu 3,6 pontos, de 36,6 para 33 pontos. O Índice de Condições Atuais, que mede a percepção dos empresários sobre o momento presente, caiu 2,5 pontos, de 42,7 para 40,2 pontos. Os principais resultados foram: Condições atuais: 40,2 pontos, queda de 2,5 pontos; Economia brasileira: 33 pontos, recuo de 3,6 pontos; Condições das empresas: 43,8 pontos, queda de 1,9 ponto. O pessimismo também avançou nas perspectivas para os próximos meses. O Índice de Expectativas recuou 0,9 ponto, passando de 48,1 para 47,2 pontos. A percepção sobre o futuro da economia brasileira caiu de 39,7 para 39,1 pontos. Já as expectativas em relação às próprias empresas tiveram queda de 1 ponto, de 52,3 para 51,3 pontos. Índice de Expectativas: 47,2 pontos, queda de 0,9 ponto; Futuro da economia: 39,1 pontos, recuo de 0,6 ponto; expectativas para as empresas: 51,3 pontos, queda de 1 ponto. Para a CNI, as oscilações positivas registradas ao longo de 2026 não foram suficientes para alterar o cenário de desconfiança entre os empresários industriais. Segundo a entidade, eventuais melhorias desses índices em alguns meses deste ano foram pontuais e não mudaram muito o quadro. A falta de confiança continua disseminada entre os empresários industriais. A edição de setembro do Icei ouviu 1.186 empresas industriais de 1º a 8 de setembro de 2026. Desse total, 475 pequenas empresas, 441 médias empresas e 270 grandes empresas.

CNI

GOVERNO

Abertura de mercados para produtos brasileiros em Cuba e no México

O México autorizou a exportação brasileira de proteínas de bovinos não-hidrolizadas (colágeno)

Para o país cubano, foi autorizada a exportação de frutos brasileiros frescos de maçã, uva, pera e laranja. As autoridades sanitárias de Cuba e do México comunicaram ao Brasil o aceite dos requisitos para a exportação de produtos brasileiros aos respectivos mercados. Para Cuba, foi autorizada a exportação de frutos frescos de maçã, uva, pera e laranja. O México, por sua vez, autorizou a exportação brasileira de proteínas de bovinos não-hidrolizadas (colágeno).

MAPA

INTERNACIONAL

Argentina deve ganhar o espaço do Brasil no setor de carne da China

A Argentina pode ganhar espaço no mercado chinês de carne bovina nos próximos meses, em meio à limitação dos embarques de outros grandes fornecedores da China. A avaliação é do Santander, que espera uma aceleração das exportações argentinas diante do preenchimento quase total das cotas de Brasil e Austrália destinadas ao país asiático, projeta os analistas Guilherme Palhares, Ulises Argote e Laura Hirata, em relatório divulgado na segunda-feira, 14.

“Esperamos que as exportações de carne bovina da Argentina para a China acelerem nos próximos meses para atender à demanda chinesa, já que as cotas de exportação de Brasil e Austrália para a China estão praticamente preenchidas”, afirmam os analistas. Segundo o banco, a Argentina já havia utilizado cerca de 60% de sua cota de exportação para a China. Em dezembro de 2025, a China fixou uma cota anual de 2,7 milhões de toneladas, abaixo das 3 milhões previstas anteriormente. Para o Brasil, o limite sem tarifa foi estabelecido em 1,1 milhão de toneladas, redução de cerca de 600 mil toneladas em relação ao volume exportado ao país no último ano. A mudança impacta diretamente o fluxo do comércio brasileiro. Em 2025, o Brasil exportou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina para a China, o equivalente a 48,3% das exportações totais do setor. Com menos espaço disponível para novos embarques brasileiros e australianos, o Santander vê a Argentina como um dos potenciais beneficiados pela reorganização dos fluxos de carne para o mercado chinês. Os números apresentados pelo Santander mostram que a oportunidade no mercado chinês surge em um momento de expansão dos embarques argentinos. As exportações de carne bovina da Argentina acumulam alta de 8% na comparação anual. Ao mesmo tempo, a oferta de animais dá sinais de maior restrição. No acumulado do ano, o número de animais abatidos recuou 10% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo os dados citados pelo Santander. “Na Argentina, os spreads de exportação estão melhorando, impulsionados por preços de exportação mais altos, mas o ciclo do gado está ficando mais negativo”, dizem os analistas. O Santander chama atenção ainda para a redução da participação de fêmeas no abate. Na avaliação dos analistas, o movimento sugere que os produtores começaram a preservar animais para recompor o rebanho. Além da Argentina, os analistas do banco avaliam que o Uruguai também pode se beneficiar da menor disponibilidade de Brasil e Austrália no mercado chinês. A capacidade uruguaia de ampliar significativamente os embarques, contudo, é mais limitada. “Embora o Uruguai também possa se beneficiar, o ciclo mais negativo do gado no país pode limitar um crescimento relevante dos volumes”, dizem. Entre as empresas brasileiras analisadas, a Minerva aparece como uma das mais diretamente expostas à mudança no fluxo do comércio de carne bovina. O Santander manteve recomendação neutra para as ações da companhia e preço-alvo de R$ 4,50. A cautela do banco está relacionada ao cenário de curto prazo para a carne bovina brasileira, especialmente à cota praticamente preenchida para a China e à perspectiva de deterioração do ciclo do gado no país. O Santander identifica, porém, fatores que podem aliviar parte da pressão no segundo semestre. Entre eles estão uma eventual aceleração das exportações para outros mercados e a redução dos estoques acumulados pela companhia. Segundo os analistas, a Minerva operou com estoques mais elevados no primeiro semestre. A administração da companhia indicou que pretende reduzir parte desse volume ao longo da segunda metade do ano.

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