
Ano 11 | nº 2793 | 09 de setembro de 2026
NOTÍCIAS
São Paulo começa a semana com cotações estáveis no mercado do boi gordo
Vendas de carne dão suporte aos preços, mas escalas longas limitam o ritmo das compras.
O mercado abriu a semana com poucos negócios. Os frigoríficos ativos ofereciam as mesmas cotações de sexta-feira, dia 4 de setembro. As vendas de carne no fim de semana prolongado foram razoáveis e sustentavam as cotações. As escalas de abate atendiam, em média, a nove dias. Em agosto, o volume exportado foi de 195,7 mil toneladas, com uma média diária de embarques de 9,3 mil toneladas, queda de 27,1% em relação ao volume embarcado no mesmo período de 2025, o melhor agosto de toda a série histórica. O preço médio da tonelada ficou em US$6,2 mil, avanço de 10,1% na comparação feita ano a ano. O faturamento, apesar da alta no preço da tonelada da carne, foi 19,7% menor que em agosto de 2025 e somou US$1,2 bilhão, reflexo do menor volume embarcado. Agosto registrou o pior desempenho do ano em volume, e foi o primeiro mês que fica abaixo das 200,0 mil toneladas exportadas desde fevereiro de 2025. Apesar dessa queda de desempenho, de janeiro a agosto, o Brasil exportou 1,9 milhão de toneladas, volume 4,7% maior que no acumulado de 2025. Em relação à demanda, a China perdeu a posição de principal compradora da carne bovina brasileira, ocupando o terceiro lugar em agosto. No mês, a China absorveu 7,6% da exportação, ficando atrás dos Estados Unidos, responsáveis por 15,1%, e da Rússia, com 9,5% do total embarcado. No acumulado do ano, porém, a China está na liderança, respondendo por 46,3% das exportações. No mercado atacadista da carne com osso, após um período com vendas fracas no setor varejista, o movimento se inverteu com a virada do mês. O mercado varejista se programou para o feriado de segunda-feira (7/9), repercutindo no mercado atacadista, com pedidos para reposição de estoque. Com isso, a cotação das carcaças casadas subiu. A cotação da carcaça casada do boi capão subiu 0,2%, ou R$0,05/kg. A do boi inteiro subiu 1,8%, ou R$0,40/kg. Para as carcaças casadas das fêmeas, a alta foi de 1,8%, ou R$0,40/kg. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio* subiu 8,6%, ou R$0,58/kg. Já a cotação do suíno especial** subiu 1,3%, ou R$0,10/kg.
SCOT CONSULTORIA
Arroba do boi será impulsionada pelos EUA em setembro, mas terá UE como freio
Possível aumento das exportações brasileiras aos norte-americanos deve aquecer o mercado, mas suspensão à União Europeia reduz empolgação. O mercado físico do boi gordo foi pautado por um movimento mais acomodado nos negócios em agosto.
Segundo o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, o mês iniciou com preços aquecidos na compra de gado, mas foram cedendo ao longo das semanas em meio à incidência de animais de parceria e a utilização de confinamentos próprios pela indústria frigorífica, em especial as de maior porte. “Isso permitiu uma boa composição das escalas de abate. Ainda assim, a média de preços nas praças em agosto ficou acima da verificada no fechamento de julho”, contextualiza. Para o mês de setembro, Iglesias sinaliza que o mercado tende a trabalhar com uma maior possibilidade de alta no preço da arroba. “Esse movimento pode ser pautado por um avanço nas vendas de cortes do dianteiro bovino do Brasil aos Estados Unidos com a flexibilização de tarifas válidas pelos próximos três meses para um volume de 300 mil toneladas.” Ainda assim, o analista reforça que não há espaço para movimentos explosivos de avanços nas cotações, uma vez que passou a valer nesta última quinta-feira (3) a interrupção dos embarques brasileiros de carne bovina para a União Europeia, devido às mudanças nas normas sanitárias com relação ao uso de antimicrobianos. O mercado vislumbra uma possibilidade de preços melhores para arroba do boi mais para o final do ano, quando os frigoríficos começarem a fechar negócios voltados a atender novamente a China, visando o preenchimento da cota de exportação destinada ao Brasil em 2027″, destaca. Variação da arroba entre julho e agosto. Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 31 de agosto ante o final de julho: São Paulo (Capital): R$ 345, queda de 1,43% frente aos R$ 350,00 praticados em 31 de julho. Goiás (Goiânia): R$ 335, alta de 3,08% ante os R$ 325 registrados no final do mês retrasado. Minas Gerais (Uberaba): R$ 335, avanço de 3,08% em comparação aos R$ 325 praticados no final do mês de julho. Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 345, ganho de 3% frente aos R$ 335 registrados no encerramento de julho. Mato Grosso (Cuiabá): R$ 330, alta de 1,54% ante os R$ 325 registrados no encerramento do mês retrasado. Rondônia (Vilhena): R$ 333, valorização de 2,46% perante os R$ 325 praticados no fechamento de julho. O mercado atacadista registrou preços de estáveis a mais baixos durante o mês de agosto. Iglesias ressalta que o setor enfrentou uma forte concorrência com outras proteínas animais ao longo do mês, como as carnes suína e de frango. O quarto do dianteiro do boi foi cotado a R$ 20 por quilo, sem mudanças frente ao valor praticado no final de julho. Já o quarto do traseiro bovino foi precificado a R$ 26 por quilo, baixa de 1,89% ante os R$ 26,50 registrados no final do mês retrasado. O analista de Safras & Mercado ressalta que para a primeira quinzena de setembro é esperada uma sinalização de melhora nos preços dos cortes do traseiro e do dianteiro bovinos, em meio à tradicional demanda mais aquecida no período, com a entrada de salários aquecendo a economia.
SAFRAS NEWS
Brasil exporta 170,77 mil bovinos vivos em agosto/26 e bate um novo recorde mensal histórico
Entre janeiro e agosto deste ano, os embarques somam 899,6 mil bovinos, quantidade 37,46% superior ao computado no mesmo período do ano anterior, destaca a Agrifatto
Agosto de 2026 entrou para a história das exportações brasileiras de bovinos vivos, informa a Agrifatto em boletim enviado nesta terça-feira (8/9) aos seus assinantes. O volume embarcado no último mês somou 170,77 mil cabeças, um avanço de 143,97% sobre o resultado de julho/26 e o maior registro já observado em um único mês desde o início da série histórica. A receita gerada atingiu US$ 243,73 milhões, correspondente a 72,53 mil toneladas, com valor médio de US$ 100,8/@ por animal comercializado, informa a Agrifatto. Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou 899,6 mil bovinos, volume 37,46% superior ao computado no mesmo período do ano anterior. “Este volume embarcado já representa 85,40% do consolidado de 2025”, compara a Agrifatto. Entre os estados exportadores, o Pará lidera com folga, concentrando 57,08% dos embarques acumulados no ano, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 26,03% de participação. Pelo lado da demanda, o fluxo permanece altamente concentrado em Oriente Médio e Norte da África. Turquia, Marrocos, Iraque e Líbano responderam conjuntamente por 88,56% do volume embarcado em agosto/26. Segundo observa a Agrifatto, a Turquia é historicamente o principal comprador e vem ampliando seu escopo de aquisições de boiadas em pé do Brasil: desde 2025, além dos animais destinado ao confinamento e abate, o país abriu mercado para bovinos brasileiros próprias para reprodução. Marrocos e Iraque complementam a demanda regional, impulsionados pela exigência de abate halal e por déficits estruturais de proteína animal em suas economias, informa a consultoria.
PORTAL DBO
ECONOMIA
Dólar cai a R$5,0892 com avanço de Flávio Bolsonaro em pesquisas eleitorais
O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 0,79%, a R$5,0892, menor cotação desde 7 de agosto, quando atingiu R$5,0845. No ano, a divisa passou a acumular queda de 7,28%.
Às 17h05, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,78% na B3, aos R$5,1135. Na segunda-feira, quando o mercado no Brasil esteve fechado em função do Dia da Independência, pesquisa Quaest mostrou que Lula e Flávio têm 41% das intenções de voto cada um no segundo turno da disputa. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, Lula tinha 42% e Flávio somava 41%. Já a pesquisa BTG/Nexus divulgada na terça-feira mostrou que Flávio passou a ter vantagem numérica sobre Lula no segundo turno. O senador soma 46% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão empatados tecnicamente. Na pesquisa anterior, Flávio tinha 45% e Lula somava 46%. Em sessões recentes, outras pesquisas mostrando o acirramento da disputa pelo Planalto já haviam trazido um viés de baixa para o dólar ante o real. Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. A crise no STF foi outro ponto de atenção entre os investidores. Na terça-feira o ministro André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada. Relator do caso do Banco Master, Mendonça tem travado um embate com o ministro Alexandre de Moraes no STF, em que cada um tem levantado suspeitas contra o outro. Moraes se baseou na quinta-feira passada em relatórios de inteligência produzidos pela PF, comandada por Andrei Rodrigues, para pedir investigações contra Mendonça. O embate no STF ganhou importância para a disputa eleitoral e, em paralelo, para os mercados no Brasil. Isso porque Flávio é um dos maiores críticos de Moraes, que foi relator no STF do processo de tentativa de golpe de Estado que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. No exterior, às 17h07, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,03%, a 98,863.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta com alta de commodities e estrangeiros
Ibovespa fechou em alta na terça-feira, ultrapassando os 189 mil pontos no melhor momento, em movimento embalado pelo retorno de estrangeiros para a bolsa paulista e novas pesquisas reforçando o cenário de disputa equilibrada na eleição presidencial em outubro.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,24%, a 187.451,80 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 189.487,70 na máxima e 185.207,66 na mínima, em dia também apoiado pelo avanço de commodities como o petróleo e o minério de ferro no exterior. O volume financeiro no pregão somava R$26,64 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Analistas ajustam expectativas para inflação e economia neste ano no Focus
Analistas consultados pelo Banco Central fizeram pequenos ajustes em suas estimativas para a inflação e a economia neste ano na pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central na terça-feira.
O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa para a alta do IPCA em 2026 passou a 5,00%, de 5,01% antes. Para 2027, a conta subiu a 4,29%, de 4,28%. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. O IBGE divulga na sexta-feira os dados do IPCA de agosto, depois de o IPCA-15 ter registrado no mês passado a primeira deflação em um ano graças às quedas nos preços da energia elétrica, dos alimentos e de transportes. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento neste ano subiu a 1,93%, de 1,92%, mas permaneceu em 1,50% para 2027. A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda manutenção na perspectiva para a taxa básica de juros, com a Selic calculada em 13,75% ao final deste ano e em 12,00% em 2027. Ela está atualmente em 14,00% e os especialistas esperam um corte de 0,25 ponto percentual na reunião deste mês do BC.
REUTERS
GOVERNO
UE sinaliza aval, mas não assegura data para retomar importações do Brasil
Se não houver convencimento político para antecipar o processo regulatório, a avaliação do retorno do país à lista de exportadores deverá ocorrer apenas em novembro. Secretário do Ministério da Agricultura ressaltou que a barreira comercial criada pela UE por conta do uso de antimicrobianos extrapolou a questão técnica
O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Carlos Goulart, afirmou na terça-feira (8/9) que o processo de segregação para controle do não uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas brasileiras de carnes de aves e mel foi considerado “satisfatório” pela auditoria técnica da União Europeia concluída na semana passada. O resultado já era “esperado” pelo governo, disse ele em entrevista à CNN. Mesmo assim, não há prazo para que os europeus apresentem o relatório final da visita e avaliem a reinclusão do Brasil na lista de fornecedores aptos a exportar esses produtos para lá. O secretário ressaltou que a barreira comercial criada pela UE por conta do uso de antimicrobianos extrapolou a questão técnica. Ele avaliou que o ambiente comercial internacional ficou mais “hostil” depois da pandemia e que o Brasil, ao assumir a liderança da produção mundial de alimentos, será cada vez mais “atacado” nas questões sanitárias. Segundo Goulart, o Brasil apresentou as garantias técnicas necessárias e investiu na negociação política, com o envolvimento pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para evitar a interrupção do fluxo comercial das proteínas animais para lá, iniciada em 3 de setembro. Diante da negativa da UE, no entanto, foi preciso “jogar o jogo” do processo regulatório europeu. “O Brasil está apresentando as informações para a União Europeia conforme ela tem solicitado do ponto de vista técnico e cobrando negocialmente para que trate o Brasil como parceiro comercial que sempre foi, digno leal e confiável”, disse Goulart na entrevista. O objetivo, disse ele, é que os europeus possam “antecipar, em um processo extraordinário regulatório, o processo de relistagem de aves e mel que já foram auditados”. O processo produtivo e de inspeção das duas cadeias foi auditado por uma equipe técnica da UE entre 24 de agosto e 4 de setembro. Se não houver convencimento político para antecipar o processo regulatório, a avaliação do retorno do Brasil à lista de exportadores deverá ocorrer apenas em novembro, quando o Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff, na sigla em inglês) terá sua reunião ordinária. Segundo Goulart, após a apresentação do relatório final da auditoria, o Brasil terá 25 dias para manifestações. Quanto à carne bovina, a discussão segue. “O lado brasileiro já apresentou as garantias para a UE”, destacou à CNN. “Do ponto de vista técnico, vamos continuar lutando para demonstrar que essas barreiras técnicas podem ser vencidas e que a defesa sempre teve, tem e terá condições de apresentar todas as garantias necessárias do que o produtor rural faz e nós certificamos”, concluiu. Fontes dos setores visitados na semana passada relataram que, apesar das sinalizações positivas dos técnicos europeus, ainda não houve formalização em documento do resultado da missão e que é necessário aguardar o trâmite em Bruxelas. Há expectativa de que um relatório seja formalizado nas próximas semanas e uma reunião extraordinária do Scopaff possa autorizar o retorno do Brasil à lista de exportadores de carne de aves e mel. Mas não há garantias de que isso ocorrerá. Lideranças do setor produtivo pregam cautela, inclusive com comemorações antecipadas do ministro da Agricultura, André de Paula, dada a sensibilidade do tema e a forma como ele é encarado na UE. A reportagem solicitou informações técnicas ao Ministério da Agricultura em 26 de agosto sobre o processo negocial com a UE e como ficam as certificações das proteínas nesse período, mas não houve resposta.
GLOBO RURAL
Produtores contrataram R$ 10,9 bilhões em recursos equalizados nos primeiros meses da safra 2026/27
A programação de saldos equalizáveis para o ciclo 2026/27 é de R$ 97,6 bilhões. Liberação dos recursos que contam com a equalização dos juros começou apenas no fim de julho
O Ministério da Agricultura informou, em comunicado à imprensa, que apenas R$ 10,9 bilhões foram concedidos, em julho e agosto, em financiamentos a médios e grandes produtores rurais com recursos equalizados pelo Tesouro Nacional. A programação de saldos equalizáveis para a safra 2026/27 é de R$ 97,6 bilhões. Os valores não consideram a agricultura familiar, que conta com outros R$ 44,6 bilhões subvencionados. Desses, R$ 4,4 bilhões foram desembolsados no primeiro bimestre do Plano Safra 2026/27, conforme dados do Banco Central. A liberação dos recursos que contam com a equalização dos juros começou apenas no fim de julho, devido ao atraso na publicação da portaria do Ministério da Fazenda que faz a distribuição dos saldos entre as instituições financeiras. Segundo o ministério, foram concedidos R$ 412,9 milhões em financiamentos do RenovAgro, R$ 380,3 milhões no Pronamp e R$ 250,2 milhões no Moderfrota. O Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) concentraram 77% das concessões para operações de investimentos no período.
Nas linhas equalizáveis de custeio e comercialização, o BB respondeu por 45,6% das concessões, seguido pelo Sicredi, com 16,7%, e pela Cresol, com 12,9%.
GLOBO RURAL
INTERNACIONAL
Trump confirma Brasil e Argentina como principais fornecedores de carne bovina aos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que Brasil e Argentina serão os principais fornecedores de carne bovina dentro da estratégia americana para ampliar a oferta do produto e tentar conter os preços ao consumidor.
Durante evento na Casa Branca, Trump afirmou que a carne está vindo principalmente dos dois países, embora outros fornecedores também possam participar. O presidente também defendeu a qualidade do produto importado, classificando a carne como “muito limpa” e “muito boa”. A confirmação ocorre depois de o governo americano anunciar medidas para aumentar temporariamente as importações diante de um cenário de oferta doméstica restrita e preços elevados. Trump afirmou, porém, que a abertura será feita de maneira limitada. “Pode haver outros países, mas agora são principalmente Argentina e Brasil. Estamos fazendo isso de forma muito limitada porque nossos pecuaristas conseguem atender ao mercado”, declarou. A intenção, segundo o presidente, é aliviar os preços enquanto os produtores americanos trabalham para reconstruir seus rebanhos. O movimento acontece em um momento particularmente apertado para a pecuária americana. Segundo a Forbes, os Estados Unidos enfrentam o menor número de cabeças de gado dos últimos 75 anos, depois de anos marcados por secas severas e escassez de água em importantes estados produtores. Ao mesmo tempo, os preços da carne bovina moída atingiram níveis recordes, enquanto grandes empresas do setor começaram a fechar ou reduzir operações de processamento diante da menor disponibilidade de animais. É nesse cenário que a carne brasileira e argentina ganha importância para o mercado americano. A carne importada deverá incluir aparas magras, utilizadas pela indústria americana para serem misturadas com carne doméstica de maior teor de gordura. Essa combinação permite produzir carne moída com proporções tradicionais no mercado americano, como 80/20 e 90/10. Portanto, a importação não deve ser vista apenas como uma substituição direta da carne produzida pelos pecuaristas americanos. Parte do produto importado desempenha uma função específica dentro da cadeia de processamento dos Estados Unidos. Trump chegou a afirmar que a medida poderia resultar em carne vendida aos consumidores com desconto de 25%. Especialistas citados pela Forbes, entretanto, avaliam que é improvável que o aumento das importações tenha impacto significativo sobre a oferta ou os preços. A decisão não passou sem resistência. Em resposta à pressão, Trump anunciou uma ordem executiva para ampliar a identificação da origem da carne estrangeira. Segundo o presidente, o governo exigirá a indicação do país de origem da carne bovina importada comercializada nos Estados Unidos. Ao anunciar as importações, entretanto, Trump rebateu as preocupações com a qualidade do produto e afirmou que os Estados Unidos mantêm inspetores nos países fornecedores. “Temos nossos inspetores lá. Ela é muito limpa, é muito boa”, afirmou.
FORBES/CNN
SUÍNOS & FRANGOS
Exportações de carne suína cresceram em agosto, mas receita caiu
No acumulado do ano, embarques já superaram 1 milhão de toneladas. As Filipinas foram o principal destino das exportações brasileiras de carne suína em agosto
As exportações brasileiras de carne suína — todos os produtos, entre in natura e processados — totalizaram 131,126 mil toneladas em agosto, 8% a mais do que no mesmo mês de 2025, quando foram embarcadas 121,469 mil toneladas, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A receita dos embarques no mês passado alcançou US$ 289,9 milhões, 1,7% abaixo dos US$ 294,9 milhões obtidos em agosto do ano passado. No acumulado de janeiro a agosto, as exportações de carne suína somaram 1,057 milhão de toneladas, volume 8,9% superior às 970,331 mil toneladas embarcadas no mesmo período de 2025. A receita acumulada chegou a US$ 2,447 bilhões, crescimento de 4,8% em relação aos US$ 2,335 bilhões contabilizados em oito meses do ano anterior. As Filipinas foram o principal destino das exportações brasileiras de carne suína em agosto, com 23,314 mil toneladas, 30,4% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025. Na sequência vieram Japão, com 16,472 mil toneladas, alta de 92,9% na mesma base de comparação; China, com 15,174 mil toneladas, crescimento de 45,9%; Vietnã, com 8,274 mil toneladas, avanço de 38,3%; Chile, com 8,035 mil toneladas, retração de 40%; e Singapura, com 6,552 mil toneladas, incremento de 25,2%. Santa Catarina manteve a liderança das exportações do produto no mês passado, com 64,091 mil toneladas, 12,6% a mais do que as 56,914 mil toneladas registradas no mesmo período de 2025. Na sequência ficaram o Rio Grande do Sul, com 30,369 mil toneladas (queda de 3,3% na comparação anual); Paraná, com 22,828 mil toneladas (+24,3%); Mato Grosso, com 3,965 mil toneladas (+25,3%); e Minas Gerais, com 3,162 mil toneladas (+25,7%).
ABPA
Exportações de carne de frango cresceram em volume e receita em agosto
Valor dos embarques alcançou segundo melhor resultado da história, superado apenas por maio deste ano. A China foi o principal destino das exportações brasileiras de carne de frango em agosto
As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, incluindo in natura e processados) totalizaram 492,634 mil toneladas em agosto, volume 24,8% superior ao mesmo período de 2025, quando foram embarcadas 394,6 mil toneladas, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A receita dos embarques alcançou US$ 997,870 milhões, resultado 42,7% superior aos US$ 699,458 milhões obtidos em agosto do ano passado. É o segundo melhor resultado da série histórica, superado apenas por maio deste ano. No acumulado de 2026, as exportações chegaram a 3,9 milhões de toneladas, crescimento de 15,5% em relação às 3,395 milhões de toneladas embarcadas no mesmo período de 2025. A receita acumulada alcançou US$ 7,689 bilhões, avanço de 21,9% sobre os US$ 6,308 bilhões registrados no ano anterior. A China foi o principal destino das exportações brasileiras de carne de frango em agosto, com 50,9 mil toneladas. O resultado supera amplamente as 83 toneladas embarcadas no mesmo mês de 2025, quando as exportações estavam suspensas temporariamente decorrentes do único foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) registrado na produção comercial brasileira.
ABPA
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