
Ano 3 | nº 632 | 07 de novembro de 2017
NOTÍCIAS
Preços da carne bovina sem osso caem no atacado
Mercado com redução de 0,9% nos preços da carne sem osso no atacado na última semana
A proximidade do pagamento de salários regulares e a primeira parcela do décimo terceiro, apoiados ainda pelo feriado, não foram suficientes para sustentar o mercado. Desde 2010, desvalorização neste período em outubro só havia ocorrido em 2015 e 2016, período em que a economia recuou quase 7,0%, o desemprego explodiu e a inflação superou de longe o teto da meta. E, em 2017, embora os indicadores econômicos tenham melhorado e a recessão pareça ter terminado, os preços da carne indicam que as vendas no setor, nos últimos anos, pouco mudaram. O consumo não avança. Porém, mais uma vez (assim como foi há 30 dias), a expectativa é de melhora nas vendas mensais, apoiada na combinação entre aumento de contratações temporárias no varejo, como prevê o setor, pagamento de décimo terceiro salários, inflação menor e proximidade das férias, estimule a demanda por carne. Para as indústrias comprarem boi é preciso vender carne.
SCOT CONSULTORIA
Mercado do boi gordo sem tendência definida
No mercado do boi gordo, entre os compradores ativos, que estão negociando, dois são os cenários
De um lado, em estados como Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre, a oferta reduzida e as escalas de abates apertadas permitem cotações firmes. E, no Sudoeste do Mato Grosso e no Sul da Bahia, onde a oferta está melhor, as ofertas de compra abaixo da referência são comuns. Nos últimos sete dias, a cotação da arroba do boi gordo caiu 1,6% em Mato Grosso e 3,6% no Sul da Bahia. Em São Paulo, na última segunda-feira (6/11) a oferta de compra esteve em R$137,00/@, à vista, livre de Funrural e a escala de abate varia entre três e quatro dias.
SCOT CONSULTORIA
Rússia pode ampliar restrições a carnes do país
A demora do Brasil em cumprir uma promessa feita para os russos há dois anos já afeta os exportadores de carne bovina do país e também pode respingar na indústria de carne suína, prejudicando um mercado responsável por 40% das exportações brasileiras do produto
A Rússia vem demonstrando desconforto com o atraso na abertura dos mercados de pescados e de trigo do Brasil, anunciada em outubro de 2015 pela então ministra da Agricultura, Kátia Abreu. Insatisfeitos, os russos deram sinais de que poderão criar barreiras contra o setor, segundo fontes a par do tema. Na semana passada, a ameaça começou a se materializar. O serviço sanitário do país (Rosselkhoznadzor) proibiu as compras de carne bovina do frigorífico do Mataboi em Santa Fé de Goiás (GO), e também colocou em controle reforçado – sob mais testes – quatro abatedouros de bovinos (de JBS, Frigol, Frigoestrela e Frigon) e um de suínos (Aurora). Na indústria de carne suína, a preocupação é que os russos possam ir além do controle reforçado, como sinalizaram na feira Anuga, na Alemanha. Embora os russos sejam relevantes para o segmento de carne bovina do Brasil, sendo responsáveis por 11% dos embarques, na carne suína o quadro é bem mais crítico. O setor é dependente da Rússia. Uma fonte a par das negociações com os russos afirma que a demora do Brasil em abrir o mercado de pescados decorre de falhas russas, como o não envio dos documentos pelas empresas interessadas. Para fontes do setor, um eventual bloqueio que vá além da unidade do Mataboi significaria um retrocesso na relação com a Rússia. No passado, os importadores russos eram conhecidos pela instabilidade, e os embargos temporários corriqueiros, sendo usados até como instrumento para barganhar. Desde 2014, o clima entre os brasileiros e os russos é mais amistoso. Em meio à crise geopolítica na Crimeia, os russos vetaram as importações de alimentos da União Europeia e dos Estados Unidos. Nesse cenário, o Brasil ganhou espaço e dezenas de unidades foram autorizadas a vender ao mercado russo. Neste ano, a sintonia entre russos e brasileiros ficou evidente durante a crise de credibilidade que atingiu o setor depois da Operação Carne Fraca. Na ocasião, a maior parte dos países importadores proibiu temporariamente as carnes brasileiras. A Rússia manteve as compras dos produtos brasileiros e declarou publicamente confiar na carne nacional.
Valor Econômico
Pecuária em MT demanda investimento de R$ 30 bi
Para cumprir o Código Florestal e ao mesmo tempo atender à crescente demanda por carne bovina, os pecuaristas de Mato Grosso terão de investir R$ 30,1 bilhões em 20 anos para ganhar produtividade, fazer a restauração florestal e ceder área para o plantio de grãos
A estimativa é de um trabalho recém-concluído pela consultoria Agroicone. Intitulado “Intensificação Sustentável da Pecuária de Corte em Mato Grosso”, o estudo calcula que, do total a ser investido, os pecuaristas do Estado terão de destinar R$ 22,8 bilhões para intensificar a pecuária – basicamente, em tecnologias que elevem a produtividade -, R$ 4,1 bilhões em restauração florestal e R$ 3,2 bilhões para preparar áreas que possam ser arrendadas para a atividade agrícola. Nesse cenário, a pecuária de Mato Grosso vai liberar 6 milhões de hectares que atualmente são pastagens, sendo 3 milhões de hectares para regularização ambiental e outros 3 milhões de hectares para o arrendamento de soja. Além disso, a intensificação da pecuária no Estado deverá ocorrer em uma área de 1,8 milhão de hectares. Ao todo, a área de pastagens de Mato Grosso soma 16,9 milhões de hectares – 9,6 milhões no bioma amazônico e 7,3 milhões no Cerrado. Com investimentos, a produção de carne no Estado pode sair de 1,6 milhão de toneladas em 2014 para 2,2 milhões de toneladas em 2025, estima a Agroicone. Considerando os biomas separadamente, a consultoria projeta que a produção de carne bovina no bioma amazônico de Mato Grosso cresceria 33%, para 1,2 milhão de toneladas, e 42% no Cerrado, para 1 milhão de toneladas. Coordenadora do trabalho realizado pela consultoria, Leila Harfuch argumenta que Mato Grosso, maior Estado produtor de carne bovina do país, tem plenas condições de atingir as metas estipuladas pelo governo estadual na Conferência de Paris (Cop-21). No entanto, há desafios a serem superados pela pecuária local. “Não adianta falar que dá para cumprir o Código Florestal sem olhar a questão financeira”, afirma. A grande questão é que a intensificação sustentável da pecuária só é viável economicamente em propriedades rurais com escala. Pelo que se depreende do estudo, só é viável investir na intensificação em propriedades maiores, de cerca de 3 mil hectares. Em fazendas pequenas – com área de pastagem de 300 hectares -, o investimento para se adequar ao Código Florestal pode ter retorno negativo se o pecuarista trabalhar com ciclo completo (cria, recria e engorda), explica Leila. Em Mato Grosso, os pecuaristas que têm área de pastagem inferior a 500 hectares representavam 18% da área de pasto do Estado em 2006, conforme o último censo agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Assim, para pecuaristas com área de 300 hectares, a solução seria abandonar a atividade, arrendando área da propriedade para a produção soja, reconhece Leila. Outra opção seria deixar o pasto que está degradado se regenerar em floresta. Nessa hipótese, o pecuarista poderá usar a área de floresta regenerada como uma reserva legal, em um mercado de “compensação”. Na prática, o pecuarista oferecerá a área regenerada a produtores que ainda precisem cumprir a área de reserva legal prevista no Código Florestal. Pelas estimativas da Agroicone, o mercado de compensação pode movimentar R$ 3,58 bilhões entre os próprios pecuaristas de Mato Grosso.
VALOR ECONÔMICO
Pedido de vistas adia votação sobre mudanças do Funrural
O deputado da oposição Bohn Gass disse que o relatório apresentado traz um valor muito abaixo do que deve ser pago do passivo do Funrural
A votação da Medida Provisória que trata de mudanças no Funrural e permite a renegociação da dívida foi adiada após parlamentares da oposição pedirem vistas do relatório da deputada Tereza Cristina, questionando as mudanças. A sessão que poderia votar a MP começou com atraso por causa da falta de deputados necessários para dar andamento na pauta. Diante disso, parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) tiveram que fazer ligações para senadores e deputados comparecerem ao plenário, que acabou iniciando a reunião com dez parlamentares. “O relatório foi feito contemplando do setor como um todo. É muito difícil, pois temos as exigências dos pecuaristas, dos frigoríficos, dos avicultores, suinocultores e dos agricultores em geral. O que fizemos até agora foi tentar fazer de um limão, uma limonada”, explicou a deputada Tereza Cristina. O texto traz mudanças significativas, como a extensão do prazo para adesão de 30 de novembro para 20 de dezembro, a entrada dos passivos que passa de 4% para 1% da dívida total, multas e encargos judiciais que vão ser abatidos e a data limite para inclusão de débitos, que se estende de 30 de abril até 30 de agosto. São mudanças importantes, mas que não agradaram a oposição. “Eu fiz um pedido de vistas porque a relatora apresenta apenas R$ 5, 4 bilhões (de passivo), o que eu ouvi é que pode chegar a R$ 18 bilhões. Nós também não concordamos com que se quebre a Previdência Social e com a anistia para os grandes proprietários desse país”, disse o Deputado do PT, Bohn Gass. A corrida pela aprovação fica mais apertada com esse pedido de vistas, já que o texto volta a ser discutido em, no mínimo, 24 horas. A data limite para a tramitação é o dia 28 de novembro. “Nós temos que votar nas duas casas e esse que é o grande problema, porque temos um tempo curtíssimo e, por esse motivo, vamos debater amanhã para que seja aprovado”, disse a deputada. Para o Diretor-Executivo da Aprosoja, Fabrício Rosa, o pedido de vistas não preocupa o setor. “Existe um entendimento de que esse é o melhor texto a ser votado. Acredito que conseguiremos dar um passo importante nessa questão que se arrasta por tanto tempo e que tem um impacto tão grande para os produtores”, comentou.
CANAL RURAL
EMPRESAS
Frigorífico Better Beef investirá R$ 84 milhões para ampliar produção
O frigorífico paulista Better Beef anunciou que irá investir R$ 84 milhões para aumentar e modernizar sua produção de carnes em Rancharia e para aumentar sua capacidade de confinamento em Presidente Bernardes, ambos no interior do Estado
Em Presidente Bernardes, onde serão alocados R$ 64 milhões, a expectativa da empresa é ampliar, ao longo de cinco anos, de 12 mil para 29 mil o número de posições para confinamento cobertas. Já em Rancharia, o objetivo da ampliação é aumentar a capacidade de desossa da unidade, iniciando a exportação de produtos para China e Europa. A empresa não divulgou se os recursos serão próprios ou se haverá financiamento.
VALOR ECONÔMICO
Frigol garante que suas exportações de carne bovina à Rússia seguem normais
A Frigol S.A. informa que seguem dentro da normalidade as exportações de carne bovina de suas unidades de Lençóis Paulista (SP) e Água Azul do Norte (PA) para a Rússia
Segundo nota da empresa à imprensa, os órgãos de vigilância da Rússia comunicaram aumento nos controles microbiológicos, que passam a ser feitos em todos os contêineres recebidos naquele país. “A Frigol reafirma o seu compromisso com a qualidade da carne exportada para a Rússia e outras dezenas de países, ressaltando que a produção sai do Brasil somente após passar por análises técnicas criteriosas em laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).” Recentemente, a Frigol abriu escritório comercial na Rússia para se aproximar ainda mais deste importante mercado para a empresa.
CARNETEC
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