CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2692 DE 15 DE ABRIL DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2692 | 15 de abril de 2026

 

NOTÍCIAS

Boi gordo inicia semana com alta em São Paulo

Exportações sustentam preço do boi gordo 

Pelos dados da Scot Consultoria, em São Paulo, houve avanço de R$ 3/@ nas ofertas de compra para o “boi-China” e para a vaca gorda, agora negociados por R$ 370/@ e R$ 335/@, respectivamente, no prazo (valores brutos). De acordo com a Scot, o boi gordo paulista sem padrão-exportação e a novilha gorda repetiram os preços de segunda-feira, fechando este 14 de abril em R$ 365/@ e R$ 345/@, respectivamente. “O movimento de alta segue sustentado pelo bom desempenho da exportação e melhora do consumo interno em relação à semana passada, além da postura firme da ponta vendedora”, ressalta a Scot. Segundo a consultoria, frigoríficos de São Paulo com escalas de abate mais confortáveis estão menos agressivos, e há compradores buscando gado em outros Estados em busca de melhores condições. De acordo com a análise da segunda-feira (20) do informativo “Tem Boi na Linha”, publicado pela Scot Consultoria, o mercado do boi gordo iniciou a semana com valorização em São Paulo. Segundo a consultoria, “o mercado esteve firme, e a cotação da arroba começou o dia subindo”. Nas ofertas de compra para o “boi China” e para a vaca, a alta foi de R$ 3,00 por arroba, movimento sustentado pelo desempenho das exportações, pela melhora do consumo interno em relação à semana anterior e pela postura da ponta vendedora. Ainda conforme a Scot Consultoria, frigoríficos com escalas mais confortáveis adotaram menor agressividade nas compras, enquanto parte dos compradores buscou animais em outros estados em busca de melhores condições de negociação. A escala média de abate foi estimada em oito dias. Na região Oeste do Maranhão, o levantamento aponta valorização de R$ 3,00 por arroba para a novilha, enquanto as demais categorias mantiveram estabilidade nas cotações. No Rio de Janeiro, o mercado permaneceu firme, sem alteração nas referências de preço. Segundo a análise, “escalas curtas e oferta enxuta sustentavam os preços”. A escala média de abate no estado foi de quatro dias. No mercado externo, as exportações de carne bovina in natura registraram avanço até a segunda semana de abril. O volume embarcado somou 97,3 mil toneladas, com média diária de 13,9 mil toneladas, alta de 15,1% em relação ao mesmo período de abril de 2025. O preço médio da tonelada atingiu US$ 6,1 mil, aumento de 20,8% na comparação anual.

SCOT CONSULTORIA

Boi gordo com novas altas neste começo de semana

Frigoríficos ainda apontam dificuldade na composição de suas escalas de abate e algumas plantas já registram ociosidade, diz analista

O mercado físico do boi gordo ainda se depara com elevação dos preços, com os frigoríficos ainda encontrando grandes dificuldades na composição de suas escalas de abate. O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias comenta que o que chama a atenção é que o movimento da B3 vai no sentido oposto, ainda com preocupações em torno do esgotamento da cota chinesa, o que deve acontecer entre os meses de maio e junho. Vale lembrar que o gigante asiático impôs restrições a todos os exportadores de carne bovina, fixando limites para as compras que, no caso do Brasil, é de 1,1 milhão de toneladas em 2026. “Os frigoríficos seguem apontando para alterações no perfil das operações. Com maior ociosidade média, férias coletivas foram anunciadas em Mato Grosso na última semana, o que aumenta a possibilidade para que também haja férias coletivas em outros estados, a exemplo de Mato Grosso do Sul, Tocantins e Pará”, considera Iglesias. De acordo com ele, o aumento da ociosidade na indústria deve ser ainda mais representativo a partir de maio, considerando o potencial término da cota chinesa. Preços médios do boi gordo: São Paulo: R$ 371,02 — na sexta: R$ 370,42. Goiás: R$ 359,02 — na sexta: R$ 358,75. Minas Gerais: R$ 354,12 — na sexta: R$ 353,24. Mato Grosso do Sul: R$ 361,82 — na sexta: R$ 361,25. Mato Grosso: R$ 366,08 — na sexta: R$ 365,41. O mercado atacadista apresenta preços mais altos no decorrer da segunda-feira, com expectativa de novos reajustes no curtíssimo prazo, considerando os efeitos da entrada dos salários na economia, motivando a reposição entre atacado e varejo. “O limitador para altas mais consistentes ainda é o comportamento das proteínas concorrentes, mesmo diante da recente recuperação dos preços da carne de frango”, sinaliza o analista.

Quarto traseiro: R$ 28,00 por quilo, alta de R$ 0,50; Quarto dianteiro: R$ 23,00 por quilo, alta de R$ 0,50; Ponta de agulha: R$ 20,50 por quilo, alta de R$ 0,40.

SAFRAS NEWS

Brasil deve seguir como maior produtor mundial de carne bovina em 2026, diz USDA

Em 2025, pela primeira vez na história, o Brasil superou os EUA na produção global da proteína

Após revisão das estimativas globais para o setor de carne bovina, o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) aponta o Brasil como o maior produtor mundial da commodity em 2026, à frente dos norte-americanos. No relatório de dezembro/25 do departamento, porém, a estimativa inicial do USDA para 2026 indicava que o Brasil poderia voltar à segunda posição, sendo ultrapassado pelos EUA. No relatório mais recente, divulgado em 9 de abril, o USDA estima uma produção brasileira de carne bovina de 12,370 milhões de toneladas equivalente-carcaça (tec) para 2026, o que significa um aumento de 5,7% sobre a estimativa de dezembro/25, de 11,700 milhões de tec. Por sua vez, a oferta norte-americana para 2026 está estimada em 11,741 milhões de tec, um pouco superior (-0,24%) ao volume projetado em dezembro/25, de 11,712 milhões de tec. Porém, a oferta brasileira em 2026 será levemente menor (-1,86%) que a produção de 2025, de 12,605 milhões de tec, de acordo com o relatório do USDA. A produção global de carne bovina em 2026 deve ser 1% menor, totalizando 61,6 milhões de toneladas, devido à queda na oferta do Brasil, Estados Unidos, China, União Europeia e Austrália, que mais do que compensará os aumentos na Índia, México e Nova Zelândia. A produção da Austrália, segundo maior exportador global de carne bovina, atrás do Brasil, deve cair 1%, para 2,9 milhões de toneladas, um reflexo da redução nos abates, prevê o USDA. Por sua vez, a oferta do México deverá aumentar 11% em 2026, já que o fechamento da fronteira entre os EUA e o México para o gado vivo aumentou a disponibilidade de animais prontos para o abate. O USDA também revisou para cima os embarques de carne bovina do Brasil, estimando vendas em 2026 de 4,275 milhões de tec, um aumento de 6,8% sobre a projeção de dezembro/25, de 4,000 milhões de tec, mas inferior (-2,4%) ao resultado obtido em 2025, de 4,380 milhões de tec. Prevê-se que as exportações globais de carne bovina diminuam 1% em 2026, para 13,8 milhões de toneladas, com as reduções no Brasil, Austrália, Estados Unidos e União Europeia superando os aumentos na Índia, Argentina, Nova Zelândia e México. “Espera-se que os fluxos comerciais globais sofram uma reestruturação significativa, uma vez que a China, o maior importador mundial, implementa uma série de cotas tarifárias que limitarão suas importações, principalmente do Brasil e da Austrália”, observa o relatório. Apesar da menor produção, as exportações da Argentina devem crescer 3%, para 800 mil toneladas, devido a uma alocação favorável de cotas tarifárias da China e a uma cota específica para o país (CSQ) ampliada com os Estados Unidos. As exportações do México devem aumentar 23%, devido à maior disponibilidade de animais prontos para o abate e à demanda firme por carne bovina dos Estados Unidos. Prevê-se que as importações de carne bovina da China diminuam 13% em 2026, na comparação com 2025. As importações dos EUA, prevê o USDA, devem registrar aumento anual de 6% em 2026, já que a demanda por cortes magros permanece robusta. A produção e as exportações dos EUA estão previstas em 11,7 milhões de toneladas e 1,1 milhão de tec, respectivamente, uma queda de 1% e 8% em relação aos resultados de 2025. Segundo o USDA, a produção norte-americana de carne bovina deverá diminuir devido à disponibilidade limitada de novilhos e novilhas para confinamento, agravada pelas restrições à importação de gado do México. Essa menor produção reduzirá as exportações de carne bovina dos EUA, explica o relatório. Os altos preços de exportação resultantes da oferta interna restrita, juntamente com a perda de acesso ao mercado chinês, continuarão a representar obstáculos para os embarques dos EUA, acrescenta o USDA. A forte concorrência em mercados asiáticos importantes — Coreia do Sul, Japão e Taiwan — também limitará as oportunidades de exportação de carne bovina norte-americana.

USDA

ECONOMIA

Dólar à vista recua, bem perto da estabilidade, com exterior no radar

Ainda que não haja sinais de um desfecho sobre a crise geopolítica no Oriente Médio, os investidores globais seguiram otimistas com conversas entre Irã e Estados Unidos

O dólar à vista exibiu leve desvalorização frente ao real no pregão da terça-feira, em um movimento bem perto da estabilidade. A dinâmica de ontem deu continuidade à de queda global da moeda americana das últimas sessões, com o dólar indo à quinta sessão seguida de depreciação e atingindo o menor patamar desde março de 2024, em nova mínima em mais de dois anos. Ainda que não haja sinais de um desfecho sobre a crise geopolítica no Oriente Médio, os investidores globais seguiram otimistas com conversas entre Irã e Estados Unidos para um cessar-fogo. Encerradas as negociações, o dólar à vista fechou negociado em queda de 0,07%, cotado a R$ 4,9934, depois de ter encostado na mínima de R$ 4,9716 e batido na máxima de R$ 4,9955. Já o euro comercial avançou 0,20%, a R$ 5,8881. Perto das 17h10, no mercado externo, o dólar recuava 0,98% ante o peso chileno, 0,25% ante o rand sul-africano e 0,19% contra o peso mexicano. Já o índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis pares desenvolvidos, caía 0,25%, aos 98,116 pontos.

VALOR ECONÔMICO

Ibovespa bate novo recorde com fluxo estrangeiro e otimismo sobre acordo entre EUA e Irã

Índice chegou a tocar o patamar inédito dos 199.355 pontos na máxima intradiária, mas perdeu força ao longo do dia devido ao recuo expressivo das ações da Petrobras

À espera de que haja uma solução diplomática para a guerra no Oriente Médio, os ativos de risco estenderam os ganhos na terça-feira, o que beneficiou a bolsa local. Com o apoio dos bons ventos do fluxo de investidores estrangeiros, o Ibovespa chegou a tocar o patamar inédito dos 199.355 pontos na máxima intradiária, mas perdeu força ao longo do dia devido ao recuo expressivo das ações da Petrobras. Ainda assim, o índice foi capaz de marcar novo recorde de fechamento nominal, aos 198.657 pontos, com alta de 0,33%. Declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, de que as negociações com o Irã “podem acontecer nos próximos dois dias” ajudaram a sustentar o otimismo entre os investidores, o que levou a uma queda expressiva nos preços de petróleo, que fecharam abaixo dos US$ 95 o barril. O recuo nos preços da commodity penalizou as ações da Petrobras. No fim, as PN da estatal recuaram 3,82%, enquanto as ON cederam 4,44%, o que pode indicar que houve venda do papel por parte de investidores estrangeiros. O desempenho dos papéis da petroleira atuou como um limitador dos ganhos do Ibovespa, em um pregão em que as demais blue chips fecharam majoritariamente no azul: o maior destaque ficou para as ON do Banco do Brasil, que subiram 2,55%; e para as ON da Vale, que ganharam 1,08%. Apenas as units do BTG Pactual encerraram em queda de 0,86% após registrarem alta forte nos últimos pregões. O volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 24,3 bilhões e de R$ 33,1 bilhões na B3. Já em Wall Street, os principais índices fecharam em forte alta: no fim, o Nasdaq subiu 1,96%; o S&P 500 ganhou 1,18%; e o Dow Jones teve alta de 0,66%.

VALOR ECONÔMICO

Serviços sobem 0,1% em fevereiro, ante janeiro, diz IBGE

No resultado acumulado nos 12 meses até fevereiro, o setor registrou crescimento de 2,7%

O volume de serviços prestados no país subiu 0,1% em fevereiro, ante janeiro, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgados na terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em janeiro, houve alta de 0,2% (após revisão de dado divulgado inicialmente como aumento de 0,3%). A variação de 0,1% na série com ajuste sazonal ficou abaixo da mediana das estimativas de 20 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, de alta de 0,5%. O intervalo das projeções se estendeu de recuo 0,3% a alta de 3,6%. Na comparação com fevereiro de 2025, o indicador teve alta de 0,5%. Neste caso, a expectativa mediana do mercado, pelo Valor Data, era de aumento de 1,6%, com projeções entre 0% de variação e alta de 5,4%. No resultado acumulado nos 12 meses até fevereiro, o setor registra crescimento de 2,7%. O volume de serviços prestados avançou 1,9% no primeiro bimestre de 2026, ante igual período de 2025. A receita nominal dos serviços prestados no país avançou 1,2% em fevereiro, ante janeiro. Na comparação com fevereiro de 2025, o aumento da receita de serviços foi de 5%. No resultado acumulado em 12 meses até fevereiro, a receita avançou 7,3%. O primeiro bimestre de 2026 apontou crescimento de 5,9% ante igual período de 2025. Atividades Três das cinco atividades acompanhadas pela PMS tiveram alta na passagem entre janeiro e fevereiro. Os principais destaques positivos foram serviços de informação e comunicação (1,1%) e transportes (0,6%). No primeiro caso, o segmento acumulou ganho de 5% nos últimos três meses. Os serviços prestados às famílias foram o terceiro segmento em crescimento, com alta de 1,4%, a mais intensa desde março de 2025 (1,8%). A atividade se recuperou da perda de 0,5% registrada em janeiro. Por outro lado, serviços profissionais, administrativos e complementares recuaram 0,3% e outros serviços caíram 0,4%. Este foi o terceiro mês seguido de queda em serviços profissionais, administrativos e complementares, com perda acumulada de 0,7%. Os outros serviços, por sua vez, devolveram parte do ganho observado no mês anterior (3,6%).

VALOR ECONÔMICO

IBGE aumenta previsão para a safra de grãos de 2026

Estimativa da área a ser colhida também cresceu. A estimativa da produção de soja alcançou novo recorde na série histórica em 2026

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reviu em 1,2% para cima sua previsão para a safra de grãos em 2026 no resultado de março. O aumento corresponde a uma diferença de 4,3 milhões de toneladas em relação à previsão de fevereiro, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA). Se comparado com 2025, a previsão representa uma alta de 0,7%, ou 2,3 milhões de toneladas a mais. A safra brasileira vai alcançar, portanto, 348,4 milhões de toneladas em 2026. A estimativa para a área a ser colhida é de 83,2 milhões de hectares, crescimento de 2% em relação à 2025, com aumento de 1,6 milhão de hectares, e acréscimo de 0,3% (265,8 mil hectares) em relação a fevereiro. Principais culturas da safra brasileira, arroz, milho e soja representam, somados, 92,9% da estimativa da produção e respondem por 87,6% da área a ser colhida. Na comparação com 2025, houve crescimentos de 1% na área a ser colhida da soja; de 3,3% na do milho (aumentos de 10,3% no milho 1ª safra e de 1,6% no milho 2ª safra); e de 7% na do sorgo, ocorrendo declínios de 6,9% na do algodão herbáceo (em caroço); de 10,1% na do arroz em casca; e de 3,3% na do feijão. No caso da produção, ocorreu acréscimo de 4,6% para a soja e decréscimos de 11,9% para o algodão herbáceo (em caroço); de 10,4% para o arroz em casca; de 2,4% para o milho (crescimento de 13,7% para o milho 1ª safra e declínio de 6,0% para o milho 2ª safra); de 2% para o feijão; de 0,2% para o sorgo; e de 5,7% para o trigo. Na comparação com a previsão de fevereiro, houve aumentos nas estimativas de produção de soja (0,3% ou 477,1 mil toneladas), do milho 2ª safra (3,5% ou 3,638 milhões de toneladas), do milho 1ª safra (1,3% ou 383,6 mil toneladas), cana-de-açúcar (0,8% ou 5,654 milhões de toneladas), feijão 3ª safra (0,1% ou 719 toneladas), sorgo (10,2% ou 500,1 mil toneladas), uva (5% ou 102,9 mil toneladas), café canephora (4,7% ou 56,4 mil toneladas), da cevada (4,6% ou 28,4 mil toneladas), amendoim 1ª safra (4,1% ou 44,3 mil toneladas), aveia (1,0% ou 12,5 mil toneladas) e café arábica (0,1% ou 1,889 mil toneladas). Por outro lado, apresentam declínios arroz (-2,7% ou -314,9 mil toneladas), algodão herbáceo (-1,5% ou -133,3 mil toneladas), feijão 1ª safra (-0,3% ou -2,94 mil toneladas), feijão 2ª safra (-4,2% ou -51 477 t), trigo (-4,2% ou -320,2 mil toneladas), algodão herbáceo (-1,5% ou -133,3 mil toneladas), mandioca (-1,4% ou -282 626 t) e amendoim 2ª safra (-7,9% ou -3,371 mil toneladas). A estimativa da produção de soja alcançou novo recorde na série histórica em 2026, totalizando 173,7 milhões de toneladas, aumento de 0,3% em relação ao mês anterior e de 4,6% maior em comparação à quantidade obtida no ano anterior. No milho, a estimativa da produção é de 138,3 milhões de toneladas, crescimento de 3% em relação a fevereiro de 2026, mas recuo de 2,4% em relação ao volume produzido em 2025. A região Centro-Oeste, maior produtora nacional, com 57,3% de participação no total a ser produzido em 2026, obteve aumento de 4,5% na estimativa da produção, em relação ao mês anterior.

GLOBO RURAL

Por guerra, FMI corta projeção do PIB mundial no ano, mas eleva a do Brasil

O FMI (Fundo Monetário Internacional) cortou a projeção de crescimento para a economia mundial para 2026 e alertou que os impactos provocados pela guerra no Oriente Médio podem levar o mundo à recessão caso o conflito perdure.

A estimativa para o aumento do PIB mundial para 2026 foi reduzida para 3,1%, ante estimativa de 3,3% feita no relatório de janeiro. Para o Brasil, previsão melhorou para 2026. O FMI projeta que o Brasil vai crescer 1,9% neste ano, ante previsão de 1,6% na estimativa anterior. Segundo o Fundo, a economia da América do Sul sofrerá impacto econômico menor que outros países da Ásia, África e Europa. Segundo o Fundo Monetário Internacional, os aumentos nos preços da energia e as interrupções no fornecimento provocados pela guerra iniciada por Estados Unidos e Israel contra o Irã pode deixar a economia global à beira da recessão se o conflito piorar e o petróleo permanecer acima de US$ 100 por barril até 2027. Cenário de referência mais otimista do relatório Perspectiva Econômica Mundial pressupõe guerra de curta duração. Nesse caso, o crescimento real do PIB será de 3,1% para 2026, uma queda de 0,2 ponto percentual em relação à previsão de janeiro. Nesse cenário, o preço médio do petróleo fica em média em US$ 82 por barril durante todo o ano de 2026, uma queda em relação aos níveis recentes de cerca de US$ 100 para o Brent. Guerra criou risco maior para economia global que primeira onda de tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o economista chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, o que está acontecendo no Golfo Pérsico é potencialmente muito, muito pior que os cenários estão documentando. Em cenário grave, FMI alerta para risco de recessão. Considerando uma possibilidade de um conflito prolongado e crescente, além de preços do petróleo muito mais altos, que provocam grandes perturbações nos mercados financeiros e condições financeiras mais restritivas. “Isso significaria uma situação muito próxima de uma recessão global”, disse o FMI. No pior cenário, vários países entrariam em recessão, diz FMI. Com o preço do petróleo em média a US$ 110 por barril em 2026 e US$ 125 em 2027, por um período prolongado, também aumentaria a expectativa de que a inflação veio para ficar, provocando aumentos de preços mais amplos e reivindicações por reajustes salariais. “Essa mudança nas expectativas de inflação exigirá que os bancos centrais pisem no freio e tentem reduzir a inflação novamente”, disse ele, acrescentando que isso pode exigir mais sacrifícios do que em 2022. Inflação global para 2026 ultrapassaria os 6% no cenário grave. Isso supera a taxa de 4,4% esperada no cenário de referência mais otimista, que é a premissa das projeções de crescimento do FMI para países e regiões. FMI reduziu a previsão de crescimento para os Estados Unidos neste ano para 2,3%, uma queda de apenas 0,1 ponto percentual em relação a janeiro. A mudança reflete o efeito positivo dos cortes de impostos, o efeito retardado dos cortes nas taxas de juros e o investimento contínuo em data centers de IA, que compensaram parcialmente o aumento dos custos de energia. Esses efeitos devem continuar em 2027, com o crescimento agora previsto em 2,1%, um aumento de 0,1 ponto percentual em relação a janeiro. Zona do euro enfrenta ambiente mais desafiador. Segundo o FMI, a região ainda enfrenta dificuldades com os altos preços da energia causados pela invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Agora, sofre um impacto ainda maior com o conflito no Oriente Médio, com sua perspectiva de crescimento caindo 0,2 ponto percentual em ambos os anos, para 1,1% em 2026 e 1,2% em 2027. Crescimento do Japão permanece praticamente inalterado, registrando 0,7% em 2026 e 0,6% em 2027. No entanto, o FMI afirmou esperar que o Banco do Japão aumente a taxa de juros em um ritmo ligeiramente mais acelerado do que o previsto há seis meses. FMI prevê crescimento de 4,4% para a China em 2026. Isso representa queda de 0,1 ponto percentual em relação a janeiro. A revisão se deve ao aumento dos custos de energia e commodities é parcialmente compensado pela redução das tarifas norte-americanas e pelas medidas de estímulo do governo.

UOL ECONOMIA 

EMPRESAS

MBRF e HPDC concluem processo de autorização para criação da Sadia Halal

O mercado halal movimenta mais de US$ 2 trilhões por ano, sendo a proteína animal o principal segmento. Estima-se que o consumo de alimentos halal ultrapasse US$ 1,5 trilhão até 2027.

Dando continuidade à consolidação da joint venture entre a MBRF e a Halal Products Development Company (HPDC), subsidiária integral do Public Investment Fund (PIF), as companhias anunciaram nesta terça-feira (14), a conclusão da coleta de autorizações antitruste para fechamento da operação que oficializa a Sadia Halal. As empresas celebraram ainda um aditivo contratual formalizando o compromisso de participação mínima da HPDC em 20% do capital social. A HPDC segue ainda com a possibilidade de alcançar 40% até o IPO. Com base no novo contrato, no dia do fechamento da operação, a HPDC deverá aportar à Sadia Halal o montante de 24,3 milhões de dólares e outros 73,1 milhões de dólares até 31 de dezembro de 2026, ambas em transações primárias. Para chegar ao novo compromisso mínimo de 20% de participação, as transações se darão de forma 100% secundárias, com a aquisição de ações da BRF GmbH, subsidiária integral da MBRF, no valor total de 170,5 milhões de dólares até o dia 30 de junho de 2027 ou até o IPO, o que ocorrer primeiro. Aumentos subsequentes aos 20% deverão observar a divisão de 50% em transações primárias e 50% em transações secundárias. Com a conclusão das aprovações, as companhias pavimentam o caminho para a realização do IPO da Sadia Halal a partir de 2027. O negócio é avaliado em US$ 2,07 bilhões com EBITDA de US$ 230 milhões, com um múltiplo implícito de 9x. A nova empresa engloba as fábricas e centros de distribuição da MBRF localizados na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos; suas empresas de distribuição no Catar, Kuwait e Omã, além do negócio de exportações diretas de aves, bovinos e produtos processados para clientes na região MENA. Os ativos da Turquia não fazem parte da transação. O mercado halal movimenta mais de US$ 2 trilhões por ano, sendo a proteína animal o principal segmento. Estima-se que o consumo de alimentos halal ultrapasse US$ 1,5 trilhão até 2027. A população muçulmana, que ultrapassa 1,9 bilhão de pessoas e cresce em média duas vezes mais rápido que a população global, garantindo uma demanda estável e crescente por proteínas Halal. A demanda por produtos Halal vai além dos países de maioria islâmica, alcançando regiões com grandes comunidades muçulmanas e outras que valorizam os padrões de segurança do setor. A certificação Halal, que garante o cumprimento das normas islâmicas, também é vista como um selo de alta qualidade, higiene e produção ética, atraindo também consumidores não muçulmanos.

MBRF/ BRASIL 

INTERNACIONAL 

Exportadores de Carne bovina da Argentina reduzem dependência do mercado chinês

No 1º bimestre de 2026, a China respondeu 37% do valor total dos embarques argentinos, ante a participação de 44% registrada em igual período de 2025

Segundo reportagem publicada no portal do jornal Clarín, nos primeiros dois meses de 2026, o valor das exportações de carne bovina e couro da Argentina atingiu um recorde de US$ 764,3 milhões, o que representou um aumento de 23,7% em comparação com o mesmo período de 2025. Desse total, 36,9% corresponderam às exportações para a China, representando a menor porcentagem em 7 anos para os dois primeiros meses do ano, destaca a reportagem. “O ano atual combina preços de exportação elevados com novos acordos comerciais que permitem a diversificação dos destinos, reduzindo a dependência do mercado chinês”, ressaltou o Clarín. “Entre 2019 e 2024, a China representou em média 52% do valor das exportações do setor argentino de carne bovina/couro, proporção que caiu para 44% em 2025 e para os 37% até o momento neste ano”, acrescentou. Nessa nova configuração comercial, nos dois primeiros meses de 2026, houve um aumento significativo no valor das exportações da Argentina para Israel e os Estados Unidos. Por sua vez, informa o Clarín, a União Europeia, tradicionalmente o segundo maior destino das exportações, ocupou a quarta posição no período analisado, atrás da China, Israel e EUA, representando 14% das remessas. Porém, ainda assim, o valor das exportações para o mercado europeu, de US$ 107 milhões, é o mais alto em 14 anos. As exportações para Israel, o segundo colocado no ranking, totalizaram US$ 116 milhões no primeiro bimestre deste ano, o que representa 15,2% do mercado. “Os embarques para esse destino cresceram consideravelmente desde a autorização obtida em 2024 para exportar carne kosher com osso, além das cotas tradicionais para carne kosher sem osso”, justifica a reportagem. No geral, nos dois primeiros meses de 2026, a participação de mercado combinada dos EUA e de Israel atingiu 29,4%, a maior da série histórica. Com o novo acordo, a taxa de cota Hilton diminuirá de 20% para 0% a partir de 1º de maio/26 e, adicionalmente, será criada uma cota de 99.000 toneladas de carne bovina para o Mercosul, com uma tarifa preferencial de 7,5%. Essa cota está dividida em duas partes: 54.450 toneladas de carne bovina congelada e 44.550 toneladas de carne bovina refrigerada. No entanto, a distribuição dessa cota entre os países membros ainda estão sendo definidas. “Tudo isso sugere uma possível recuperação das exportações para o bloco europeu durante 2026”, antecipou o Clarín.

JORNAL CLARÍN 

CARNES

Produção de carnes no Brasil pode se aproximar de recorde em 2026

Resultado de suínos e aves aumenta, mas produção de carne bovina deve cair neste ano. Segundo a Conab, produção brasileira de carnes bovina, suína e de frango deverá atingir neste ano um volume total de 33,38 milhões de toneladas

A produção brasileira de carnes bovina, suína e de frango deverá atingir neste ano um volume total de 33,38 milhões de toneladas, aponta projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A quantidade fica 0,1% abaixo do registrado em 2025, que foi um recorde. Em boletim, a estatal disse que a oferta das proteínas animais será puxada pelo aumento da disponibilidade interna de carne de aves e de suínos este ano. Em termos percentuais, a produção de carne suína apresenta o maior incremento previsto em relação a 2025, aproximando-se de 4%. Com o rebanho alcançando, pela primeira vez, 44,8 milhões de cabeças. Assim, estima-se que o total produzido da proteína chegue a 5,88 milhões de toneladas, elevação de 4,1% se comparado com 2024. “O cenário indica aumento da demanda e das exportações, impulsionadas pela abertura de novos mercados”, analisou, em nota, o gerente de Fibras e Alimentos Básicos da Conab, Gabriel Rabello. O país deve exportar cerca de 1,58 milhão de toneladas de carne suína, o que representa um ganho de 6,1% em comparação a 2025 e confirma o crescimento progressivo do mercado, acentuado a partir de 2020, ano em que as exportações brasileiras de carne suína chegaram ao marco de milhão de toneladas. A Conab também espera recorde para a avicultura este ano. A produção deve alcançar mais de 16 milhões de toneladas, com alta de 2,4% em relação a 2025, consolidando a posição do Brasil como principal fornecedor mundial. Os dados sistematizados pela Companhia demonstram crescimento de 3,6% nas exportações, com estimativa de 5,34 milhões de toneladas. “As exportações devem continuar em ascensão em 2026, graças ao baixo impacto da gripe aviária no Brasil em comparação a outros países, reflexo das boas condições sanitárias que asseguram a qualidade e segurança da produção brasileira”, avaliou Rabello. A despeito do aumento na produção de carnes suína e de frango, a Conab estima queda de 5,3% na produção de carne bovina do país em 2026. Apesar do recuo, o país deve registrar a segunda maior produção da série, estimada em 11,3 milhões de toneladas, segundo a estatal. Em boletim, a Conab lembrou que 2025 foi simbólico para a bovinocultura brasileira. Além do recorde de produção na série histórica nacional, o país alcançou a posição de maior produtor mundial de carne bovina, pela primeira vez, na série histórica elaborada desde 1960 pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). “Com os investimentos em genética, nutrição e manejo que têm garantido maior produtividade ao plantel, a queda na produção pode ser inferior à prevista”, destacou a Conab. Ainda segundo a estimativa da estatal, 4,35 milhões de toneladas devem ser exportadas, com recuo de 3,9% se comparado com 2025. Para a companhia, a redução no volume de vendas neste ano reflete o início da reversão do ciclo pecuário e a cota de salvaguarda chinesa, em vigor desde 1° de janeiro. Por meio da medida, a China, maior importadora da carne bovina brasileira nos últimos dois anos, limitou as exportações nacionais à cota de 1,1 milhão de toneladas por ano, com pagamento de sobretaxa de 55% aos valores excedidos. O país asiático também estabeleceu cotas para outros exportadores da proteína, incluindo Argentina, Austrália e Uruguai. Nessa conjuntura, as exportações de carne bovina devem atingir um volume elevado na primeira metade do ano, projetou a Conab.

GLOBO RURAL

FRANGOS & SUÍNOS

Europa registra avanço de casos da Doença de Newcastle em granjas comerciais

Alemanha, Espanha e Polônia ampliam registros e reforçam alerta sanitário no setor avícola.

A Organização Mundial de Saúde Animal confirmou novos focos da Doença de Newcastle em granjas comerciais da Alemanha, Espanha e Polônia, elevando a preocupação sanitária no setor avícola europeu. Na Alemanha, seis novas criações foram afetadas recentemente. Entre os registros, destaca-se um plantel de 4 mil frangos em Gangkofen que testou positivo para o vírus. Outros focos incluem grandes lotes comerciais, como 70 mil frangos de corte em Königs Wusterhausen, além de unidades com 40 mil aves em Spreenhagen e Neuhausen/Spree, e outro plantel de 60 mil frangos na mesma região de Königs Wusterhausen. Com os novos registros, o país soma 35 granjas afetadas desde fevereiro. O avanço chama atenção, já que a Alemanha não registrava casos da doença desde 2008, segundo dados da WOAH. Na Espanha, dois novos focos foram confirmados, incluindo um plantel de 30 mil galinhas poedeiras em El Ràfol de Salem e outro com 26,3 mil frangos de corte em Castelló de Rugat. Com esses episódios, o total de granjas afetadas no país chega a oito em 2026. O retorno da doença representa uma mudança no cenário sanitário espanhol, que permanecia sem registros desde 2022 até o início deste ano. Na Polônia, os casos mais recentes envolvem um lote de 37.115 frangos de corte em Kiełcz e outro de 2.426 aves em Chobienice. O país enfrenta a doença de forma contínua desde setembro de 2024, acumulando mais de 140 criações afetadas no período. A reemergência e disseminação da Doença de Newcastle em diferentes países europeus reforçam a importância de medidas rigorosas de biossegurança, monitoramento constante e resposta rápida a focos da enfermidade. Considerada altamente contagiosa, a doença representa riscos significativos à produção avícola, podendo causar impactos econômicos relevantes e restrições ao comércio internacional. O cenário atual evidencia a necessidade de vigilância contínua para preservar a sanidade dos plantéis e a estabilidade da cadeia produtiva de frango na Europa.

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