CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2691 DE 14 DE ABRIL DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2691 | 14 de abril de 2026

 

NOTÍCIAS

Estabilidade no mercado do boi gordo em São Paulo

Apesar da pouca oferta, após a alta na cotação de todas as categorias na semana passada, o mercado abriu a semana sem alteração.

Pelos dados da Scot, o boi gordo sem o padrão-exportação segue valendo R$ 365/@, enquanto o “boi-China” está cotado em R$ 367/@ (valores brutos, no prazo). Após a alta na cotação de todas as categorias na semana anterior, o mercado abriu a semana sem alterações. No entanto, o cenário ainda é de oferta reduzida, principalmente de machos, o que mantém a pressão de alta, com negócios pontuais a R$370,00/@. A escala de abate estava, em média, para oito dias. Na região Norte de Tocantins, com maior poder de negociação pela ponta vendedora, o mercado está firme e em alta. A cotação das fêmeas subiu R$5,00/@, enquanto a dos machos não mudou. No mercado atacadista de carne com osso a semana foi marcada por um bom ritmo de vendas no varejo e por maiores pedidos de reposição, o que também movimentou o setor atacadista com osso. Somado a isso, a disponibilidade de carne permaneceu no mesmo patamar das últimas semanas, ou seja, baixa. Esse cenário, aliado à alta na arroba dos bovinos, manteve a firmeza no setor e, com isso, a cotação subiu para todas as carcaças. A cotação da carcaça casada do boi capão subiu 2,5%, ou R$0,60/kg. Para a do boi inteiro, a alta foi de 3,4%, ou R$0,80/kg. A cotação da carcaça casada da vaca apresentou alta de 2,9%, ou R$0,65/kg, enquanto a da novilha subiu 3,1%, ou R$0,70/kg. Para os próximos dias, espera-se que o ritmo das vendas siga fluindo, mantendo a firmeza nas cotações. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio subiu 0,7%, ou R$0,05/kg. Já a cotação do suíno especial caiu 4,1%, ou R$0,40/kg.

SCOT CONSULTORIA

BOI: Exportações aceleradas para China e oferta restrita

Com escalas de abate encurtadas, volume crescente de vendas para os chineses e demanda interna reagindo, preços atingem níveis históricos

O mercado físico do boi gordo apresentou preços sustentados e em alta ao longo da semana passada em grande parte do Brasil, reflexo direto da restrição de oferta. De acordo com o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, as escalas de abate permanecem encurtadas na maioria das regiões, mantendo o ambiente favorável para a valorização da arroba. Diante da menor disponibilidade de animais para abate, frigoríficos já avaliam estratégias para ajustar suas operações, incluindo o aumento da ociosidade ao longo de abril e a possibilidade de concessão de férias coletivas. O movimento reflete a dificuldade de originar boiadas em volume suficiente. No mercado internacional, o ritmo das exportações segue acelerado, com a China absorvendo grandes volumes de carne bovina brasileira neste primeiro quadrimestre. Segundo estimativas, a cota de embarques pode se esgotar entre maio e meados de junho. Esse cenário traz incertezas para o terceiro trimestre, quando há maior oferta de animais confinados, podendo impactar o fluxo exportador. Algumas entidades, inclusive, apontam para um esgotamento ainda mais precoce, já no início de maio. Os preços da arroba do boi gordo, na modalidade a prazo, registraram avanços consistentes nas principais praças pecuárias até 9 de abril. São Paulo (Capital) – R$ 370,00 a arroba, aumento de 2,78% frente aos R$ 360,00 praticados no final da semana passada. Goiás (Goiânia) – R$ 355,00 a arroba, avanço de 4,41% frente aos R$ 340,00 registrados no final da semana passada. Minas Gerais (Uberaba) – R$ 350,00 a arroba, avanço de 1,45% ante os R$ 345,00 registrados no fechamento da última semana. Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 360,00 a arroba, acréscimo de 2,86% ante os R$ 350,00 praticados no final da semana anterior. Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 360,00 a arroba, aumento de 1,41% frente aos R$ 355,00 praticados no fechamento da semana passada. Rondônia (Vilhena) – R$ 330,00 a arroba, alta de 3,13% perante os R$ 320,00 registrados no encerramento da última semana. No mercado atacadista, os preços da carne bovina permaneceram firmes ao longo da semana, com expectativa de novos reajustes no curto prazo. Entre os cortes, o quarto dianteiro foi precificado a R$ 22,50 por quilo, representando alta de 2,27% em relação à semana anterior. Já os cortes do traseiro bovino foram cotados a R$ 27,50 por quilo, mantendo estabilidade no período.

SAFRAS NEWS

Projeto proíbe uso de termos como ‘leite’ e ‘carne’ para produtos vegetais

Câmara aprova proposta que restringe nomes de origem animal a itens de ordenha ou abate; texto segue para o Senado e gera debate no setor

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que proíbe o uso de denominações de produtos de origem animal como “leite”, “carne” e “queijo”, em alimentos feitos à base de vegetais. A proposta, que agora segue para análise do Senado, estabelece que termos tradicionais da pecuária sejam exclusivos para produtos provenientes de ordenha ou abate animal. A medida impacta diretamente o mercado de produtos plant-based (alimentos feitos 100% de plantas que mimetizam proteína animal). Caso a lei seja sancionada, itens hoje vendidos como “leite de aveia”, “hambúrguer vegetal” ou “carne de soja” precisarão adotar novas nomenclaturas em suas embalagens. O objetivo central da proposta é aumentar a transparência para o consumidor e evitar que o comprador seja induzido ao erro. Representantes do setor leiteiro defendem que a palavra “leite” deve ser restrita ao produto de glândulas mamárias de animais, como vacas e cabras. Para os defensores da lei, o uso destes termos em produtos vegetais pode confundir o público sobre a natureza e o valor nutricional do alimento. Eles argumentam que produtos de origem vegetal e animal possuem composições químicas e nutricionais completamente distintas. Além disso, o setor pecuário ressalta a importância de separar produtos naturais de itens ultraprocessados. Muitos substitutos vegetais utilizam misturas de aditivos, aromatizantes e amidos para alcançar textura e sabor semelhantes aos originais, o que, na visão de parlamentares, justifica uma regulação mais rígida. No jargão do agronegócio, o leite é definido como o produto da ordenha completa e ininterrupta de fêmeas leiteiras sadias. Já os chamados “compostos lácteos”, que muitas vezes geram dúvida no mercado, são misturas que contêm leite, mas também soro, óleos vegetais e açúcares. Com a nova regra, a distinção ficaria ainda mais clara: Origem Animal: Únicos autorizados a usar termos como leite, queijo, manteiga, iogurte, bife e hambúrguer. Origem Vegetal: Devem utilizar termos como “bebida de coco”, “extrato de aveia” ou “disco vegetal”, evitando referências diretas aos cortes ou derivados animais. Por outro lado, a Sociedade Vegetariana Brasileira e representantes da indústria de proteínas alternativas criticam a medida. Eles argumentam que o consumidor já está habituado às terminologias e que não há evidências de confusão no momento da compra. Estatísticas citadas por entidades do setor mostram que quem busca o “leite vegetal” ou a “carne de soja” faz uma escolha consciente por questões de saúde, como intolerância à lactose, ou por princípios ideológicos e dietéticos. O setor ressalta ainda que o Brasil possui empresas com mais de um século de história utilizando o termo “carne de soja”, e que a proibição brusca pode gerar prejuízos econômicos e custos logísticos para a mudança de rótulos já consolidados no mercado nacional e internacional. Caso o Senado aprove o texto sem alterações, ele seguirá para a sanção da Presidência da República.

AGROBAND

ECONOMIA

Dólar fecha abaixo de R$5,00 pela primeira vez em dois anos

O dólar fechou abaixo dos R$5,00 pela primeira vez em dois anos nesta segunda-feira, após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o Irã quer chegar a um acordo sobre a guerra.

Após superar os R$5,04 pela manhã, o dólar à vista fechou em baixa de 0,25%, aos R$4,9980, o menor valor de fechamento desde 27 de março de 2024, quando atingiu R$4,9805. Desde essa data o dólar não terminava uma sessão abaixo dos R$5,00. Foi a quarta sessão consecutiva de perdas para a moeda norte-americana no Brasil. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 8,95%. Às 17h04, o dólar futuro para maio — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,36% na B3, aos R$5,0150. No início do dia o dólar avançou ante o real, acompanhando a alta da moeda norte-americana no exterior, depois de EUA e Irã não chegarem a um acordo de paz nas negociações do fim de semana, em Islamabad. No início da tarde da segunda-feira, porém, o cenário mudou em todo o mundo, após Trump dizer que o Irã havia “ligado esta manhã” e que “eles gostariam de fechar um acordo”. Ao mesmo tempo, o norte-americano afirmou que não aceitará nenhum acordo que permita que Teerã tenha uma arma nuclear. Os investidores se apegaram à esperança de um acordo, o que fez os ativos brasileiros ganharem força, incluindo o real em relação ao dólar. “A despeito… do começo de dia ruim, bolsa para baixo e dólar para cima, o mercado deu uma bela virada em linha com Trump”, comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital. No exterior, a moeda norte-americana também exibia perdas ante boa parte das demais divisas de países emergentes, como o peso chileno e o peso colombiano. Na esteira da fala de Trump, o dólar caía no fim da tarde ante o euro, a libra e o franco suíço. No Brasil, sem efeitos sobre as cotações, o Banco Central vendeu no fim da manhã 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 4 de maio.

REUTERS

Ibovespa avança e supera 198 mil pontos pela 1ª vez puxado por Vale e Petrobras

O Ibovespa renovou recordes na segunda-feira, superando os 198 mil pontos pela primeira vez, em movimento sustentado principalmente pelo avanço das blue chips Vale e Petrobras, endossadas pela alta de commodities como o minério de ferro e o petróleo no exterior. 

O fracasso nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã no fim de semana, que buscavam colocar fim ao conflito que começou no final de fevereiro, teve um efeito negativo tímido na bolsa paulista, que segue amparada pelo fluxo de recursos estrangeiros. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 0,41%, a 198.132,23 pontos, de acordo com dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 198.173,39 pontos. Na mínima, recuou a 196.222,86 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$29,7 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Mercado eleva projeção de alta do IPCA de 2026 de 4,36% para 4,71%, mostra Focus

Medianas das projeções para o dólar foram reduzidas de R$ 5,40 para R$ 5,37 para o fim de 2026 e de R$ 5,45 para R$ 5,40 para o fim de 2027

A mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação oficial brasileira em 2026 subiu pela quinta semana seguida, saltando de 4,36% para 4,71%, segundo o relatório Focus, do Banco Central (BC), divulgado na segunda-feira (13) com estimativas coletadas até a última sexta-feira (10). Para 2027, a mediana das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou de 3,85% para 3,91% e, para 2028, se manteve em 3,60%. O IPCA 12 meses suavizado caiu de 4,09% para 4,05%. Para a taxa básica de juros (Selic), a mediana das estimativas se manteve em 12,50% em 2026, pela terceira semana seguida, seguiu em 10,50% em 2027 pela 61ª semana e, para 2028, se manteve em 10% pela 12ª semana seguida. A mediana das projeções para o crescimento da economia brasileira em 2026 se manteve em 1,85%. Para 2027, a mediana das expectativas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) continuou em 1,80% pela 15ª semana, e, para 2028, seguiu em 2% pela 109ª semana seguida. A mediana das projeções para o dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,40 para R$ 5,37. Para 2027, a mediana das expectativas para a moeda americana recuou de R$ 5,45 para R$ 5,40, e, para 2028, cedeu de R$ 5,50 para R$ 5,46.

VALOR ECONÔMICO

Conflito no Oriente Médio derruba exportações brasileiras para países do Golfo em março

Apesar do recuo no mês, o desempenho no trimestre ainda é positivo, informa a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira

As vendas para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Omã — que formam o bloco econômico conhecido como Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) — caíram 31,47% em março na comparação anual, para US$ 537,11 milhões, segundo dados da Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. Apesar do recuo no mês, o desempenho no trimestre ainda é positivo. De janeiro a março, as exportações para o CCG cresceram 8,14%, somando US$ 2,41 bilhões. Considerando todos os 22 países acompanhados pela entidade, incluindo as nações árabes do Levante e as africanas, a alta foi de 3,90%, para US$ 5,13 bilhões. Segundo a Câmara Árabe, o fechamento do Estreito de Ormuz, que restringiu o acesso a portos estratégicos do Golfo, interrompeu uma trajetória de alta nas vendas brasileiras. O impacto ainda não compromete o resultado agregado, mas pode se intensificar ao longo do ano, dependendo da evolução do conflito. “As vendas para o CCG, que concentra os maiores mercados árabes e responde por 47% das exportações para o bloco de países, vinham em alta em janeiro e fevereiro na comparação com 2025, segundo melhor ano da série histórica”, afirma, em nota, o secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira, Mohamad Mourad. “O recuo de março decorre do conflito e, por ora, não afeta o acumulado, mas ainda pode trazer impactos”. No agronegócio, que responde por cerca de 75% das vendas, as exportações para o CCG recuaram 25,38% em março, mas acumulam alta de 6,8% no trimestre, de US$ 1,44 bilhão, graças a ganhos em produtos importantes, contrabalançados por perdas em outros itens. Principal item da pauta agropecuária, o frango recuou 13,80% no mês, para US$ 185,50 milhões, mas só 2,32% no acumulado, para US$ 619,12 milhões. O açúcar, segundo principal produto, recuou 43,37% em março, para US$ 54,07 milhões, mas avançou 26,41% no ano, para US$ 363,11 milhões. A carne bovina destoou, com alta de 23,87% no mês mais intenso do conflito, para US$ 47,75 milhões, além de avanço de 65,29% no trimestre, para US$ 194,56 milhões. O milho praticamente deixou de ser embarcado ao CCG em março, com queda de 99,96%, para US$ 0,03 milhão, embora o recuo no acumulado ainda seja limitado a 5,8%, no total de US$ 61,22 milhões. Já o café registrou alta de 34,24% no mês de março, para US$ 9,97 milhões, e de 64,3% no trimestre, para US$ 49,58 milhões. Outro ponto de atenção é o recuo nas importações brasileiras de fertilizantes provenientes do CCG, que caíram 51,35% no primeiro trimestre. A região responde por cerca de 10% do fertilizante adquirido pelo agronegócio brasileiro no exterior. “Esse é um ponto que preocupa tanto o nosso agro quanto os países árabes, que dependem da capacidade do Brasil de disponibilizar alimentos excedentes”, pontua Mourad. “É preciso buscar formas de minimizar esses impactos”, finaliza.

ASCOM CCBA

Indústria do Brasil despenca em ranking da produção global

Para 2026, a projeção da Tendências Consultoria é de crescimento de 0,3% da indústria de transformação brasileira. Rafael Cagnin: “O juro foi corroendo todas as bases do dinamismo industrial”

Em um ano em que a indústria ficou praticamente sem ganhos, o Brasil retomou um padrão de desempenho que coloca sua produção nas últimas posições em uma comparação internacional com 83 países. O país caiu do 24º lugar em um ranking de ritmo de expansão da atividade industrial em 2024 para 64º lugar em 2025. É a pior posição desde 2022, quando ficou em 71º lugar. O levantamento é do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), produzido a partir de dados da Unido (United Nations Industrial Development Organization, agência da ONU para promoção do desenvolvimento industrial) e antecipado ao Valor. Quando se considera apenas o quarto trimestre, o Brasil estava no 28º lugar da lista em 2024 e recuou para a 72ª posição em 2025. Nesta comparação trimestral, o Brasil passou de uma alta de 3,9% no fim de 2024 para uma queda de 1,8% no fim de 2025. O elevado patamar de juros no país foi o principal motivo para a queda da posição brasileira no ranking, segundo o Iedi. Apesar do início do afrouxamento monetário, as perspectivas para a indústria ainda se mostram cautelosas, especialmente com o agravamento da incerteza global após o início da guerra no Oriente Médio, apontam especialistas. As dificuldades estruturais da indústria brasileira permanecem e fatores que podem favorecer a atividade – como a reforma tributária e o acordo entre o Mercosul e a União Europeia – são de horizonte mais longo. “O ano de 2024 foi bem positivo, mas em 2025 o Brasil retomou seu padrão adverso, de estar tradicionalmente na metade inferior do ranking. Ao longo de 2025, o juro foi corroendo todas as bases do dinamismo industrial e o Brasil voltou para a lanterninha”, afirma o diretor-executivo do Iedi, Rafael Cagnin, responsável pelo estudo. A produção da indústria de transformação global cresceu 3,9% em 2025, ante 2,1% em 2024, pelos dados da Unido. Em contraponto, a produção brasileira teve variação de 0,1% no ano passado, frente a 3,2% em 2024. As taxas para o Brasil são diferentes daquelas observadas na Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por causa da metodologia do ajustamento sazonal. Pela pesquisa do IBGE, a indústria de transformação brasileira caiu 0,2% em 2025, após aumento de 3,7% em 2024. Nos últimos seis anos, o Brasil só ficou na metade superior do ranking de 83 países em 2020 (43ª posição) e em 2024 (24º lugar). No ano passado, a variação da produção industrial brasileira (0,1%) ficou atrás da observada na China (6,6%), na Rússia (4,2%), no Chile (2,4%), na Argentina (1,6%) e nos Estados Unidos (1,1%). O ritmo, no entanto, foi superior ao de México (-0,4%), Alemanha (-1,2%) e África do Sul (-1,3%), entre outras economias. “O ano de 2024 foi mais um ponto fora da curva [da trajetória da indústria brasileira] que o início de uma recuperação mais robusta”, diz João Leme, economista da Tendências Consultoria. O patamar elevado de juros afeta negativamente a indústria por dois canais principais, como explica Cagnin: o custo maior do financiamento para bens duráveis e de capital e a competição com alternativas de investimento que rendem mais e com menos riscos. “Quem vai investir se o dinheiro pode render mais e sem risco? Projetos são engavetados”, diz. Para 2026, a projeção da Tendências Consultoria é de crescimento de 0,3% da indústria de transformação brasileira, ao lado de um aumento de 0,8% da indústria geral, puxado pelo setor extrativo (3,6%). “A indústria vai continuar a sofrer com o juro por dois caminhos. O juro atrapalha o custo do investimento, especialmente os de maior valor. Os dados também mostram a expansão do endividamento das famílias. Nessas circunstâncias, a indústria acaba sendo ‘um patinho feio’ da atividade econômica”, diz João Leme. Na visão dele, o acordo entre União Europeia e Mercosul e a reforma tributária são fatores que podem contribuir positivamente para a indústria brasileira. “A indústria não é um setor que está fadado ao fracasso. Há oportunidades interessantes, mas são de mais longo prazo e por enquanto são oportunidades, não necessariamente vão se traduzir em ótimos anos para a indústria.” Apesar de o desempenho do Brasil ter sido destaque negativo, a indústria também sofreu reveses em outros locais, especialmente na América do Norte. No quarto trimestre de 2025, a produção mundial da indústria cresceu 0,5%, enquanto houve recuo de 0,6% na América do Norte e de 0,3% na América Latina. “A política protecionista e errática de Trump atrapalhou principalmente no fim do ano. No começo de 2025, houve certa antecipação e blindagem dos resultados, mas aos poucos os efeitos apareceram, com uma desorganização das cadeias de produção”, afirma.

VALOR ECONÔMICO

Tesouro lança captação de dívida externa que deve somar 1,5 bi de euros, dizem fontes

A emissão será realizada em três tranches, com vencimento em quatro, sete e dez anos 

O Tesouro Nacional acaba de lançar a emissão de dívida (“bonds”) em euros, apurou o Valor. O volume deverá somar 1,5 bilhão de euros, dizem fontes. A operação ocorre após uma rodada de ” non-deal roadshow”, que ocorreu na semana passada. Agora as reuniões formais para essa transação começam hoje e a precificação da emissão deve ocorrer amanhã. Segundo fontes, a emissão será realizada em três tranches, com vencimento em quatro, sete e dez anos. Os encontros com potenciais investidores começam ainda hoje. Foram mandatados o UBS, BBVA, BNP Paribas e BofA Securities.

VALOR ECONÔMICO

EMPRESAS

MBRF inicia emissão de até R$ 1,5 bilhão em CRAs

A operação será feita em quatro séries, com prazo máximo de 30 anos

A MBRF está iniciando a oferta de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) em ao menos R$ 1,2 bilhão, podendo chegar a R$ 1,5 bilhão. Os títulos serão lastreados em debêntures. A oferta de CRAs na primeira série será de até R$ 800 milhões. Em caso de demanda em excesso, será aberto um lote adicional de até 25%, ou R$ 300 milhões. As apresentações serão feitas em quatro séries, com prazo máximo de 30 anos.  Os CRAs de primeira série terão remuneração máxima de 101,5% do CDI e vencimento em outubro de 2030. Os CRAs de segunda série terão remuneração máxima equivalente ao CDI+0,25% ou a 14,1% ao ano — o que for maior. O prazo será em abril de 2033. Os CRAs de terceira série terão remuneração máxima equivalente à taxa da NTN-B (Tesouro IPCA+ com juros semestrais) para 2035 mais +0,35% ao ano, ou a 7,95% ao ano — o que for maior. O prazo é em abril de 2036. Para os CRAs de quarta série, a taxa deverá ser de até à taxa da NTN-B de 2055 mais um spread de 1,1% ao ano, ou a 8,38% ao ano — o que for maior. Nesta emissão, o prazo ficou para abril de 2056. A operação conta com securitização da Ecoagro. O coordenador líder é a XP, e os demais coordenadores são o BB Investimentos, Daycoval, BBI, BBA e Banco Inter. A emissão é voltada a investidores qualificados. As apresentações para potenciais investidores começaram ontem (13/4) e o início do período de reserva começa em 17 de abril. O resultado do procedimento de bookbuilduing deve ocorrer em 5 de maio.

VALOR ECONÔMICO 

INTERNACIONAL 

JBS chega a acordo provisório com trabalhadores em greve em fábrica nos EUA

Os trabalhadores da JBS ratificaram um acordo provisório de dois anos com a maior empresa de carnes do mundo, abrangendo cerca de 3.800 trabalhadores da fábrica de processamento de carne bovina da empresa em Greeley, no Estado do Colorado, nos Estados Unidos, de acordo com declarações do sindicato e da empresa no domingo.

O acordo com os trabalhadores, representados pelo United Food and Commercial Workers Local 7 (UFCW Local 7) e pela JBS, ocorreu quando os dois retornaram para uma rodada de negociações em 9 e 10 de abril, após um mês de greves para pressionar por salários que reflitam a inflação e uma suspensão das cobranças da empresa pela substituição de equipamentos de proteção. O novo acordo, que a JBS diz não ter sofrido alterações em relação à sua última oferta, garante um aumento salarial de quase 33% nos próximos dois anos, protege os trabalhadores de terem que pagar por equipamentos de proteção individual e os resguarda contra aumentos nos custos de saúde, de acordo com o Local 7. Embora o frigorífico tenha dito que estava satisfeito com o acordo alcançado, ele “expressou sua decepção com o fato de a liderança do UFCW Local 7 ter optado por eliminar o histórico benefício previdenciário que fazia parte do acordo nacional negociado no ano passado em parceria com o UFCW International”, de acordo com a declaração da empresa. Como parte do acordo, o sindicato também está retirando sete supostas acusações de práticas trabalhistas injustas contra a JBS, informou a empresa. Os preços da carne bovina bateram recordes este ano, depois que a oferta de gado dos EUA caiu para o nível mais baixo em 75 anos, levando frigoríficos como a JBS a comprar gado para abate, mesmo se beneficiando do aumento dos preços. A greve na JBS representou um golpe na capacidade de processamento dos EUA, depois que a Tyson Foods fechou uma fábrica de carne bovina em Nebraska este ano e reduziu as operações em uma instalação no Texas.

REUTERS

FRANGOS & SUÍNOS

Exportação de carne de frango soma 1,45 milhão de toneladas no 1º trimestre

Volume supera em 0,7% o recorde de 2025, mas preços internos recuam em março e voltam a reagir em abril com alta de fretes e demanda inicial do mês.

Mesmo diante de um cenário geopolítico considerado desafiador, as exportações brasileiras de carne de frango atingiram volume recorde no primeiro trimestre de 2026. Dados da Secex, analisados pelo Cepea, indicam que o país embarcou 1,45 milhão de toneladas entre janeiro e março. O resultado supera em 0,7% o recorde anterior para o período, registrado em 2025, quando foram exportadas 1,44 milhão de toneladas, considerando a série histórica iniciada em 1997. O desempenho chama atenção do mercado, já que o primeiro trimestre costuma registrar menor intensidade de compras externas, com maior concentração das exportações no segundo semestre. Pesquisadores do Cepea destacam que o volume surpreendeu inclusive agentes do setor, especialmente em um período marcado por preocupações com o cenário internacional, incluindo possíveis impactos do conflito no Oriente Médio sobre o comércio global de proteínas. Apesar do desempenho recorde no mercado externo, o movimento não foi suficiente para sustentar os preços internos da carne de frango ao longo de março, quando foram registradas quedas nas cotações. Em abril, no entanto, o comportamento do mercado doméstico indica reação. Segundo o Cepea, os preços vêm registrando alta, influenciados pelo reajuste dos fretes, pressionados pela elevação dos combustíveis, e pelo tradicional aumento da demanda no início do mês. Os valores atuais se aproximam dos patamares

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