CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2690 DE 13 DE ABRIL DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2690 | 13 de abril de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: alta na cotação dos machos em São Paulo

Oferta reduzida e procura aquecida sustenta o mercado

Pelos dados da Scot, na sexta-feira, o boi gordo sem padrão-exportação e “boi-China” permaneceram cotados em R$ 365/@ e R$ 365/@ no mercado paulista, respectivamente, enquanto a cotação da vaca e da novilha gordas subiram R$ 2/@ e R$ 2/@, apregoadas em R$ 332/@ e R$ 345/@, respectivamente (valores brutos, no prazo). A pouca oferta e a maior procura têm sustentado o mercado, principalmente por parte dos frigoríficos menores, que não conseguiram escalar o suficiente e, por isso, oferecem mais pela arroba. Já os frigoríficos que conseguiram se programar têm negociado com mais tranquilidade. Dessa maneira, a cotação subiu R$3,00/@ para o boi gordo e R$2,00/@ para o “boi China”, enquanto as demais categorias permaneceram estáveis. As escalas de abate estavam, em média, para sete dias. No Mato Grosso, com a oferta restrita e, na busca por completar as escalas, os frigoríficos pagaram o que era pedido. Com isso, a cotação subiu em todas as praças. Na região Norte, a cotação subiu R$2,00/@ para todas as categorias. A escala de abate estava, em média, para oito dias. Na região Sudoeste, a cotação subiu R$3,00/@ para o boi gordo, e R$5,00/@ para a novilha. Para a vaca, não houve alteração. A escala de abate estava, em média, para quatro dias. Na região de Cuiabá, a alta foi de R$3,00/@ para o boi gordo, e de R$2,00/@ para a vaca. A novilha permaneceu estável. A escala de abate estava, em média, para seis dias. Na região Sudeste, a cotação subiu R$2,00/@ para o boi gordo e para a vaca. Para a novilha, a alta foi de R$3,00/@. A escala de abate estava, em média, para cinco dias. A cotação do “boi China” subiu R$2,00/@.

SCOT CONSULTORIA

Forte demanda externa mantém preços do boi gordo em alta

Demanda firme da China sustenta valorização da arroba no Brasil, enquanto frigoríficos operam com baixa ociosidade

O mercado físico do boi gordo voltou a registrar alta nos preços ao longo da sexta-feira (10), em um cenário marcado mais por forte demanda do que por restrição de oferta. O movimento foi sustentado principalmente pela atuação dos frigoríficos exportadores, que seguem operando com baixa ociosidade para atender a demanda chinesa, enquanto ainda há disponibilidade da cota de exportação de 1,106 milhão de toneladas definida na virada do ano. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o mercado pode enfrentar forte volatilidade quando houver o esgotamento dessa cota, com possíveis picos de preços em momentos de exportação aquecida e quedas mais intensas na ausência da demanda chinesa. No cenário interno, os preços do boi gordo ficaram da seguinte forma: São Paulo (SP): R$ 370,42 por arroba (a prazo). Goiás (GO): R$ 358,75 por arroba. Minas Gerais (MG): R$ 353,24 por arroba. Mato Grosso do Sul (MS): R$ 361,25 por arroba. Mato Grosso (MT): R$ 365,41 por arroba. O mercado atacadista da carne bovina também apresentou alta nos preços nesta sexta-feira, com expectativa de novos reajustes no curto prazo. O movimento é influenciado pela entrada dos salários na economia, o que melhora a reposição entre atacado e varejo. Por outro lado, o avanço mais forte das cotações ainda encontra limitação na concorrência com outras proteínas, mesmo com recuperação recente da carne de frango. Quarto traseiro: R$ 27,50/kg. Quarto dianteiro: R$ 22,00/kg. Ponta de agulha: R$ 20,10/kg (+R$ 0,10).

SAFRAS NEWS

Preço do boi gordo encerra a semana com novo recorde

No mercado de carne bovina, as vendas ao consumidor final enfraqueceram. Oferta de animais está restrita, principalmente de boiada terminada a pasto

O mercado pecuário encerra a semana renovando recordes. Na sexta-feira (10/4) o indicador do boi gordo Cepea/Esalq alcançou R$ 365,60 por arroba, maior valor nominal da série histórica. Desde o início de abril, o indicador acumula alta de 2,70%, sustentada pela baixa oferta de animais e a postura firme dos vendedores. Na maior parte do Brasil, a sexta-feira apresentou estabilidade nas cotações. Das 33 regiões monitoradas pela Scot Consultoria, 22 não tiveram alterações nos preços do boi gordo na comparação diária. Outras 11 praças registraram altas nos valores. Após alta para a cotação dos machos na última quinta-feira (9/4), as praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado, não tiveram mudanças para o preço do boi gordo na sexta-feira. Houve alta de R$ 2 para a vaca, cotada agora a R$ 332 a arroba. A cotação da novilha subiu R$ 3, para R$ 345 a arroba. Segundo a Scot, a oferta de animais está restrita, principalmente de boiada terminada a pasto, com a maior parte do volume disponível sendo de cocho. O cenário dificulta a formação das escalas de abate pelos frigoríficos. No mercado de carme bovina, as vendas ao consumidor final enfraqueceram ao longo da semana, reduzindo os pedidos de reposição do varejo, informa a consultoria Agrifatto. A expectativa é de leve melhora no consumo neste fim de semana. O atacado acompanhou esse movimento, com distribuição fraca diante de um varejo já abastecido. Após reajustes no início da semana, o consumidor migrou para proteínas mais baratas, prejudicando o escoamento da carne bovina, afirma a Agrifatto. A oferta ao atacado segue limitada, sustentando reajustes moderados nos preços da maioria dos produtos, sem indicar melhora da demanda.

GLOBO RURAL

Abates de fêmeas em plantas com SIF recuam em março/26

No total, entre machos e fêmeas, o Brasil abateu 2,44 milhões de cabeças em plantas com SIF no mês passado

Em março/26, pelo terceiro mês seguido, os abates de fêmeas nas unidades com SIF (Serviço de Inspeção Federal) recuaram em relação ao mesmo período de 2025, informa relatório da Agrifatto enviado aos seus assinantes. Foram abatidas 1,07 milhão de cabeças de vacas e novilhas no mês passado, um aumento de 10,35% frente a fevereiro, mas com queda de 1,98% na comparação anual, relata a consultoria. Com isso, a participação das fêmeas no abate total em março/6 atingiu 43,94%, uma retração de 0,72 ponto percentual sobre o quadro observado em fevereiro/26 e baixa de 2,12 pontos percentuais em relação ao desempenho de março/25. O desempenho dos abates movimentos de março/6 foi puxado pelos machos, que registraram alta de 13,61% no comparativo mensal, somando 1,37 milhão de cabeças, além de avanço de 6,78% em relação aos dados obtidos em março/25, informou a Agrifatto. No total, entre machos e fêmeas, o Brasil abateu 2,44 milhões de cabeças em plantas com SIF, um avanço de 12,15% frente ao mês anterior e aumento de 2,74, % na comparação com o desempenho de março do ano passado. Em abril/26, prevê a Agrifatto, a expectativa é de continuidade do fluxo de oferta, ainda influenciado pela sazonalidade, mas com atenção ao comportamento do abate de fêmeas, que pode sinalizar mudanças mais estruturais no ciclo pecuário.

PORTAL DBO

ECONOMIA

Dólar voltou a cair e se aproximar dos R$5,00 sob influência do exterior

O dólar fechou a sexta-feira em baixa ante o real e novamente próximo dos R$5,00, acompanhando o recuo da moeda norte-americana no exterior, onde investidores voltaram a demonstrar otimismo em relação ao cessar-fogo entre EUA e Irã.

O dólar à vista encerrou o dia com queda de 1,03%, aos R$5,0104, o menor valor de fechamento desde 9 de abril de 2024, quando atingiu R$5,0067. Foi a terceira sessão consecutiva de perdas para a moeda norte-americana. Na semana, a divisa acumulou baixa de 2,90% e, no ano, queda de 8,72%. Às 17h15, o dólar futuro para maio — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,94% na B3, aos R$5,0345. Desde que EUA e Irã fecharam um acordo de cessar-fogo, na noite de terça-feira, o dólar tem enfrentado ajustes de baixa em todo o mundo, com investidores desmontando posições defensivas na moeda norte-americana. Ainda que o Estreito de Ormuz siga travado, prejudicando o transporte global de petróleo, a expectativa de que EUA e Irã possam negociar a paz deu força a divisas de países emergentes, como o real, o peso mexicano e o peso chileno. No Brasil, o dólar à vista atingiu a menor cotação da sessão, de R$5,0051, às 16h14, já na última hora de negócios, sendo que desde o período março-abril de 2024 a divisa não exibia valores próximos dos R$5,00. “A redução da aversão ao risco com expectativa de cessar-fogo e recuo do DXY (índice do dólar) para abaixo de 100 provocaram alta do real nos últimos dias, que se aproximou da maior cotação do ano”, destacou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em análise enviada a clientes pela manhã. “O dólar… ainda tem espaço para cair um pouco mais a depender do movimento do DXY”, acrescentou. No início do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que em março o IPCA, o índice oficial de inflação, subiu 0,88% em relação a fevereiro, acima da taxa de 0,77% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. Nos 12 meses até março, o IPCA avançou 4,14%, também acima dos 4,00% projetados.

O IPCA de março acima do projetado pelo mercado fez as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curto prazo subirem, com o índice reforçando as apostas de que o Banco Central cortará a Selic em apenas 25 pontos-base no fim do mês, e não em 50 pontos-base. Atualmente a Selic está em 14,75% ao ano.

REUTERS

Ibovespa renova recordes com investidor de olho no Oriente Médio

O Ibovespa fechou em alta na sexta-feira, renovando máximas e fechando acima dos 197 mil pontos pela primeira vez, com agentes financeiros na expectativa de negociações de paz entre Estados Unidos e Irã previstas para o fim de semana. 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,12%, a 197.323,87 pontos, novo recorde de fechamento, após marcar 197.553,64 na máxima da sessão, novo topo intradia. Na semana, avançou 4,93%. O volume financeiro na sexta-feira somou R$33,7 bilhões. No exterior, o barril do petróleo sob o contrato Brent fechou em queda de 0,75%, a US$95,20, enquanto o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, encerrou com declínio de 0,11%. O Ibovespa tem resistido à aversão a risco e à busca por liquidez desencadeadas pelo conflito. Apesar do desempenho negativo do Ibovespa em março, a bolsa ainda registrou entrada líquida de capital externo, que persiste em abril. “Daqui para frente, assumindo que a trégua se mantenha, acreditamos que o Brasil continuará a apresentar bom desempenho”, avalia Emy Shayo, co-head de estratégia de ações de mercados emergentes e chefe de estratégia para América Latina e Brasil, conforme relatório assinado também por Cinthya Mizuguchi. Shayo ressaltou, porém, que vê uma rotação entre setores, com aqueles que mais sofreram desde o início da guerra – especialmente o setor financeiro – recuperando parte da liderança. Na sexta-feira, além do cenário externo, investidores também repercutiram a pauta macroeconômica brasileira, com o IPCA de março subindo 0,88%, maior avanço em cerca de um ano, superando as previsões de economistas, que apontavam alta de 0,77%. “Embora uma leitura cheia ruim, e que limita o Copom no curto prazo, parte significativa da surpresa altista veio de itens como combustíveis, refletindo impacto direto do choque dos preços do petróleo”, ponderou o economista-chefe e sócio fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri. “Se de fato houver a normalização destes preços, com um acordo de paz para o conflito, é razoável esperar a reversão destes preços (que pesaram no IPCA)”, acrescentou.

REUTERS

IPCA tem em março maior alta em cerca de 1 ano sob pressão do conflito no Oriente Médio

Os preços de transportes e alimentação pressionaram a inflação ao consumidor no Brasil, que atingiu em março a taxa mais alta em cerca de um ano, em meio às incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, levando o índice em 12 meses para mais perto do teto da meta.

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve em março alta de 0,88%, depois de ter subido 0,70% em fevereiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira. Esse foi o resultado mensal mais alto desde fevereiro de 2025, quando a taxa foi de 1,31%. Nos 12 meses até março, o IPCA acumulou avanço de 4,14%, de 3,81% no mês anterior. A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Assim, o teto da meta é de 4,50%. Os resultados ficaram acima das expectativas em pesquisa da Reuters, de altas de 0,77% no mês e de 4,0% em 12 meses. A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã vem provocando preocupações sobre a inflação diante das altas nos preços globais do petróleo devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Na semana passada, a Petrobras anunciou reajuste de 54,8% nos preços do querosene de aviação para abril. Em março, os preços dos grupos Alimentação e bebidas e Transportes responderam juntos por 76% do IPCA. “Quando se fala lá fora em fechamento de Estreito de Ormuz, com efeitos na oferta global, isso cria impacto nos preços dos combustíveis por aqui”, disse o gerente do IPCA no IBGE, Fernando Gonçalves. “Os combustíveis ficaram mais caros com o conflito e isso traz impacto não só nos combustíveis, mas nos alimentos também porque o frete fica mais caro e encarece o produto ao consumidor.” O grupo Transportes avançou no mês 1,64%, com destaque para a alta de 4,59% da gasolina. Outras altas foram registradas em passagem aérea (6,08%) e diesel (13,90%), embora com menos impacto devido aos menores pesos desses subitens no índice geral. Segundo o gerente do IBGE, se descartado o resultado dos combustíveis o IPCA seria de 0,68%. Sem gasolina o índice ficaria em 0,64%. “À medida que a guerra afeta a distribuição global de combustíveis é possível que isso impacte o IPCA com menor oferta e preço maior (nos próximos meses)”, completou Gonçalves. Já Alimentação e bebidas subiu 1,56%, sob os pesos das altas de leite longa vida (11,74%) e tomate (20,31%). “No grupo alimentação, em especial na alimentação em casa, a aceleração no nível de preços foi mais evidente, com a alta de 1,94%, a maior desde abril de 2022, combinando efeitos de redução de oferta de alguns produtos com altas do frete, em decorrência dos combustíveis mais caros”, disse Gonçalves. Por outro lado, a inflação de serviços, ponto de atenção do BC, desacelerou em março, chegando a 0,53%, de 1,51% no mês anterior. “A manutenção deste quadro em um ambiente de desaceleração econômica e maior endividamento das famílias pode significar um alívio para o IPCA como um todo ao longo do ano. Todavia, o quadro para a inflação de serviços como um todo ainda preocupa dado o comportamento estacionário em um patamar muito elevado do ponto de vista da política monetária”, destacou Matheus Pizzani, economista do PicPay.

REUTERS 

Carga tributária da União sobe R$ 237,2 bi em 2025 puxada por maior arrecadação com IOF e IRRF

Considerando os três entes da federação, a carga tributária total brasileira foi de 32,4% do PIB no ano passado, ante 32,2% do PIB em 2024

O Ministério da Fazenda anunciou que a carga tributária da União subiu pouco mais de 0,3 ponto percentual do PIB em 2025, impulsionada pela alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e pelas contribuições ao Regime Geral da Previdência Social (RGPS). Os dados divulgados pela pasta, a carga tributária do governo central foi de 21,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, ante 21,3% do PIB em 2024. No total, a carga tributária bruta do governo federal foi R$ 237,2 bilhões superior em 2025, alta nominal de 9,4%. O aumento da carga correspondente ao governo federal foi impulsionado com um aumento de 0,23 p.p. do PIB com uma maior arrecadação do IRRF, 0,10 p.p. do PIB com a majoração do IOF e 0,12 p.p. do PIB nas contribuições ao RGPS. Quando considerados os três entes da federação, a carga tributária total brasileira foi de 32,4% do PIB no ano passado, ante 32,2% do PIB em 2024. A tributação dos governos estaduais foi responsável por 8,4% do PIB (8,5% em 2024), enquanto os municípios tiveram uma carga de 2,4% do PIB no último ano. Somando as três esferas, a carga tributária foi R$ 332,4 bilhões superior em comparação com 2024. Segundo a pasta, o percentual brasileiro de 32,4% do PIB está abaixo dos países da OCDE, que tiveram uma carga tributária média de 34,06% do PIB em 2024, mas acima dos pares da América Latina, quando o patamar foi de 21,26% em 2023, último dado disponível. A queda na esfera estadual, de acordo com a Fazenda, ocorre devido a uma baixa de de 0,09 p.p. do PIB relativa à arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). “Apesar do crescimento nominal da receita, esse aumento foi inferior ao do PIB, refletindo a composição do crescimento econômico, mais concentrado em setores com menor incidência do imposto”, assinalou a pasta. Já nos municípios, a Fazenda explicou que houve um leve aumento, de 0,03 p.p. do PIB, puxada principalmente pelo crescimento da arrecadação do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), equivalente a 0,02 p.p. “Os impostos sobre a propriedade, como o IPTU, também contribuíram, ainda que em menor magnitude, enquanto os demais componentes permaneceram estáveis”, disse a pasta.

VALOR ECONÔMICO 

EMPRESAS 

MBRF e saudita Salic ampliam acordo de segurança alimentar

Empresa brasileira dobrará fornecimento de produtos de aves e passará a enviar carne bovina ao grupo. Marcos Molina, presidente do conselho do frigorífico, disse que criação da MBRF gerou uma plataforma multiproteína que permitiu incluir bovinos no acordo com a Salic

A MBRF anunciou no domingo (12/4) a ampliação de seu contrato de fornecimento celebrado com a Saudi Agricultural and Livestock Investment Company (Salic), subsidiária integral do Public Investment Fund (PIF), fundo soberano do Reino da Arábia Saudita. Com a atualização, os volumes máximos anuais contratados foram duplicados e o acordo passou a incluir produtos de carne bovina. No fornecimento de produtos de aves, o volume previsto passa de 300 mil toneladas para até 600 mil toneladas por ano. Já para produtos de carne bovina, o volume máximo anual será de até 270 mil toneladas. O contrato garante à Salic o fornecimento anual visando a segurança alimentar no reino. Segundo a MBRF, a obrigação de vender produtos à Salic permanece condicionada, dentre outros fatores, à existência de plantas habilitadas para exportação à Arábia Saudita. O preço de venda continuará seguindo os valores de mercado ofertados pela companhia a clientes-chave à época da aquisição de produtos pela Salic. “A criação da MBRF criou uma plataforma multiproteína que nos permitiu incluir bovinos no acordo com a Salic. Dobrar o compromisso dos volumes previstos no contrato reflete a confiança na nossa capacidade de escala e na qualidade do nosso produto, reforçando o papel estratégico que desempenhamos na segurança alimentar de toda a região”, disse Marcos Molina, presidente do conselho de administração da MBRF, em nota. A MBRF foi criada com a fusão entre Marfrig e BRF, consolidada no ano passado. O acordo de fornecimento com a Salic era originalmente firmado com a BRF. A ampliação do acordo ocorre em meio à guerra no Oriente Médio, que tem dificultado a logística para abastecimento da região, mas a empresa de alimentos afirmou ao Valor que “as tratativas antecedem o conflito e o aumento do escopo vem no contexto pós fusão, onde MBRF passa a oferecer o portfólio multiproteína”. A MBRF tem três unidades de carne de frango no Oriente Médio: uma em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e duas na Arábia Saudita, nas cidades de Dammam e Al Jubail. Tem ainda 11 centros de distribuição, que recebem e armazenam carne bovina importada que abastece a região, além de dois escritórios comerciais. Em abril de 2025, antes da fusão com a Marfrig, a BRF Arabia Holding Company, em que a BRF tem parceria com a Halal Products Development Company (HPDC), anunciou a construção de fábrica de processados de frango em Jeddah, na Arábia Saudita, que demandará US$ 160 milhões. Em outubro, já como MBRF, a companhia e a HPDC anunciaram a criação da Sadia Halal, unidade que reunirá fábricas da MBRF, suas empresas de distribuição no Catar, Kuwait e Omã e o negócio de exportações de aves, bovinos e processados a clientes na região. Segundo reportagem do Valor, com a guerra no Oriente Médio, o foco da MBRF tem sido abastecer as nações árabes e não redirecionar a outros países cargas que chegariam à região pelo Estreito de Ormuz, fechado em razão do conflito. A estratégia é necessária inclusive porque as fábricas da empresa precisam do frango exportado pelo Brasil para transformá-la em produtos processados.

VALOR ECONÔMICO 

GOVERNO

Crédito rural empresarial soma R$ 404 bilhões no Plano Safra 2025/2026

Sul lidera operações de crédito rural

O crédito rural empresarial somou R$ 404 bilhões em contratações entre julho de 2025 e março de 2026, aumento de 10% em relação aos R$ 368 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior. Os dados constam no Boletim do Crédito Rural do Plano Safra 2025/2026, elaborado pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário, vinculado à Secretaria de Política Agrícola, com base em informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro e do Banco Central do Brasil. No mesmo período, os recursos efetivamente concedidos — aqueles já liberados na conta do produtor — totalizaram R$ 387 bilhões, crescimento de 5% em relação à safra anterior. Entre os destaques está a emissão de Cédula de Produto Rural por produtores em favor de instituições financeiras, que avançou 38% e alcançou R$ 183,1 bilhões. Como o instrumento é utilizado principalmente para o custeio da safra, sua soma ao crédito tradicional destinado a essa finalidade elevou o volume de recursos disponíveis para custeio a R$ 303,1 bilhões, alta de 13% em comparação com a safra 2024/2025. A Secretaria de Política Agrícola avaliou que os números refletem a continuidade do financiamento ao setor. “O crescimento de 10% nas contratações e de 5% nas concessões demonstra a solidez do financiamento agropecuário brasileiro, mesmo em um cenário de maior seletividade por parte dos produtores e do sistema financeiro”, ressaltou a secretaria. A análise por finalidade mostra comportamentos distintos entre as modalidades de crédito. A linha destinada à industrialização registrou expansão, com aumento de 74% nas contratações, que alcançaram R$ 28,1 bilhões, e de 64% nas concessões, totalizando R$ 26,4 bilhões. O resultado indica maior procura por financiamento voltado ao processamento agroindustrial.

Por outro lado, linhas tradicionais apresentaram retração no período. O crédito de custeio somou R$ 120 bilhões em contratações e R$ 114,3 bilhões em concessões, com queda de 11% e 15%, respectivamente. O investimento registrou R$ 45,5 bilhões em contratações e R$ 37,6 bilhões em concessões, recuos de 16% e 30%. As operações destinadas à comercialização também diminuíram, com contratações de R$ 27,2 bilhões e concessões de R$ 25,5 bilhões. Segundo o boletim, a redução nas linhas de investimento está associada à cautela do setor diante das taxas de juros vigentes e à expectativa de queda da Taxa Selic em cerca de dois pontos percentuais até o fim de 2026. Entre os programas analisados, o Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária foi o único a registrar crescimento, com alta de 20% e R$ 900 milhões concedidos. No total, o número de contratos firmados no período caiu 24%, passando de 534.351 para 408.353 operações. O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural contabilizou 156.485 contratos, enquanto os demais produtores somaram 127.615 operações. As transações vinculadas à CPR chegaram a 125.310 contratos. Na distribuição regional, a Região Sul do Brasil manteve a liderança no número de operações contratadas, enquanto a Região Sudeste do Brasil concentrou o maior volume financeiro. No que se refere às fontes de financiamento, os recursos controlados somaram R$ 106,5 bilhões em concessões, redução de 7%. Dentro desse grupo, os Recursos Obrigatórios atingiram R$ 42,8 bilhões, crescimento de 19%. A Letra de Crédito do Agronegócio na modalidade controlada registrou aumento expressivo e alcançou R$ 26,9 bilhões. A Poupança Rural Controlada somou R$ 7,5 bilhões e os Fundos Constitucionais totalizaram R$ 14,5 bilhões. Já as fontes não controladas chegaram a R$ 97,3 bilhões. Nesse grupo, destacaram-se a LCA, com R$ 47,8 bilhões, e a Poupança Rural Livre, que alcançou R$ 44,4 bilhões e registrou crescimento de 39%. O BNDES Livre apresentou recuo de 11%, totalizando R$ 4,4 bilhões. A execução do Plano Safra 2025/2026 indica que, até março de 2026, foram concedidos R$ 43,4 bilhões de um total de R$ 113,4 bilhões programados em recursos equalizáveis, o equivalente a 38% do montante previsto. No custeio, R$ 24,7 bilhões foram liberados de um total programado de R$ 63 bilhões. Para investimento, foram concedidos R$ 18,4 bilhões dos R$ 49,5 bilhões previstos, enquanto na comercialização foram aplicados R$ 307 milhões de R$ 845 milhões programados. Entre as instituições financeiras, o Banco do Brasil lidera a execução dos recursos, com R$ 7,1 bilhões liberados para custeio e R$ 7 bilhões para investimento. O Sistema de Cooperativas Financeiras do Brasil executou 59% do volume programado de custeio e 69% das operações de investimento. Já o Sistema Cresol concluiu 100% das metas previstas para custeio. Ainda há R$ 21,7 bilhões em crédito contratado que aguardam liberação. Desse total, R$ 10,8 bilhões correspondem a financiamentos sem vínculo com programa específico, enquanto R$ 2,2 bilhões estão relacionados ao Pronamp. Outros valores estão vinculados ao Programa para Construção e Ampliação de Armazéns, ao Fundo de Defesa da Economia Cafeeira e ao Programa de Modernização da Frota de Tratores e Implementos Agrícolas. A Secretaria de Política Agrícola avalia que o cenário aponta continuidade no acesso ao financiamento agropecuário. “O Boletim do Crédito Rural de julho/2025 a março/2026 revela um setor agropecuário que mantém a trajetória de crescimento no volume global de recursos, com destaque para a expansão da CPR e da industrialização. Ao mesmo tempo, a retração nas linhas de investimento e custeio convencional sinaliza maior seletividade dos produtores, associada ao ambiente de juros elevados”, explicou a secretaria. Segundo a análise, ainda existe margem para ampliação das operações até o encerramento do Plano Safra, uma vez que 62% dos recursos equalizáveis permanecem disponíveis para contratação nos próximos meses.

AGROLINK 

INTERNACIONAL

A lacuna de 1,1 milhão de cabeças: analisando o impacto do fechamento da fronteira EUA-México

Por mais de 35 anos, o gado mexicano tem sido um componente crítico da cadeia de abastecimento de carne bovina dos Estados Unidos.

A fronteira EUA-México está fechada desde 9 de julho. Uma reabertura temporária e faseada que começou em 7 de julho, pelo porto de Douglas, no Arizona, durou pouco após a confirmação de um caso em 8 de julho, a 370 milhas da fronteira, que estava 160 milhas ao norte da zona de dispersão de moscas estéreis naquele momento. Derrell Peel, especialista em comercialização de gado da Extensão da Universidade Estadual de Oklahoma, afirma: “Antes do fechamento da fronteira em novembro de 2024, as importações de gado mexicano pelos EUA tinham uma média de 1,18 milhão de cabeças por ano na década anterior e 1,12 milhão de cabeças por ano nos 35 anos anteriores.” As importações de gado mexicano representaram 3,4% do total de bezerros produzidos nos EUA entre 2015 e 2024 e 3,1% desde 1990. A breve abertura da fronteira em 2025 permitiu que cerca de 230.000 cabeças atravessassem, o equivalente a 0,7% da safra de bezerros de 2025. “O padrão típico é bimodal, com picos em março e novamente em novembro/dezembro”, diz Peel. “Bezerros remanescentes do ano anterior geralmente são exportados na primeira metade do ano, com poucos embarques durante o calor do verão. Os bezerros da nova safra começam a ser exportados nos meses finais do ano, avançando para o ano seguinte.” Peel relata que, junto com o porto de Columbus, o Novo México respondeu por mais de 53% das importações totais de gado. Os portos de Nogales e Douglas, no Arizona, representaram outros 27,5% das travessias. Os seis portos no Texas responderam por 19,2% do total das importações de gado mexicano. O maior porto no Texas é Presidio/Ojinaga, com 7,7% do total. “Levará várias semanas para que as instalações de fronteira sejam reestruturadas e que o pessoal do USDA-APHIS esteja disponível para inspecionar e liberar a documentação dos animais”, enfatiza. “Leva tempo (e custo) para que os produtores mexicanos preparem o gado e a documentação necessária para a travessia. Não está claro o quão agressivos os produtores mexicanos serão inicialmente até que tenham uma noção da estabilidade da situação na fronteira.”  Quando o gado puder começar a cruzar, já estará próximo do período de calor do verão, o que provavelmente limitará as travessias. Peel prevê que, se o gado for autorizado a cruzar relativamente em breve, os volumes de importação poderão começar a se recuperar de forma significativa até o outono. Exatamente como essa recuperação ocorrerá e quais serão os volumes esperados ainda é incerto. O México é o oitavo maior produtor de carne bovina e o sétimo maior consumidor de carne bovina do mundo. O país ocupa a 11ª posição entre os exportadores de carne bovina, e suas exportações cresceram mais de 10 vezes nos últimos 20 anos.

DOVERS

FRANGOS & SUÍNOS

Brasil abre quase 100 novos mercados para aves e suínos e reforça posição global, diz Luis Rua no SBSA

Segundo Rua, o país vem acumulando recordes sucessivos nas exportações e consolidando uma posição rara no cenário global: a de fornecedor com escala, sanidade, competitividade e regularidade de oferta.

Em meio a guerras, instabilidade logística e rearranjos no comércio global de alimentos, o Brasil segue ampliando espaço no mercado internacional de proteínas animais. A avaliação é do secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, em Chapecó (SC). Segundo ele, o país vem acumulando recordes sucessivos nas exportações e consolidando uma posição rara no cenário global: a de fornecedor com escala, sanidade, competitividade e regularidade de oferta ao mesmo tempo. “O Brasil tem batido recordes sucessivos, seja na carne bovina, seja na carne de aves, na carne suína, nos pescados”, afirmou. Na entrevista, Rua também chamou atenção para o avanço dos pescados, que, segundo ele, já despontam como “uma nova estrela nesse rol das proteínas animais”. O secretário atribuiu parte desse desempenho à articulação entre governo e entidades setoriais para destravar acessos comerciais e ampliar destinos para a produção brasileira. Ao tratar especificamente das cadeias de aves e suínos, ele afirmou que o trabalho inclui tanto carne quanto genética e ressaltou o alcance dos resultados mais recentes. “Nós abrimos próximo dos 100 mercados para essas duas cadeias produtivas”, disse. No recorte mais amplo do agronegócio, Rua informou que o Brasil abriu 574 mercados nos últimos três anos e três meses. Dentro desse total, aproximadamente 100 estão ligados à proteína animal, com destaque para avicultura e suinocultura. Para ele, esse movimento não se resume a uma conquista diplomática ou comercial. Tem impacto direto na base produtiva do país. “Isso gera oportunidades, gera renda e gera emprego onde a gente mais precisa, que é no interior do nosso país”, afirmou. A fala dialoga diretamente com regiões como o Oeste catarinense e o Oeste paranaense, onde aves e suínos estruturam cadeias industriais, cooperativas, empregos e arrecadação. Ao comentar o ambiente geopolítico, o secretário reconheceu o peso das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia sobre o humor dos mercados e as rotas comerciais. “Naturalmente é um clima de incerteza”, afirmou. Ainda assim, sustentou que o Brasil chega a esse cenário com atributos que poucos concorrentes conseguem reunir. “O Brasil tem algumas características que tornam ele, se não o único, uma das poucas geografias do mundo que podem apoiar nesse momento.” Rua usou o desempenho recente da carne de frango para exemplificar a capacidade de reação do setor brasileiro. Segundo ele, mesmo com o Oriente Médio entre os principais destinos da proteína avícola nacional e ao mesmo tempo no centro das tensões internacionais, o Brasil ampliou embarques em março. “O Brasil aumentou, inclusive, suas exportações”, declarou. De acordo com o secretário, a alta foi de 7% sobre março do ano passado, com volume de 490 mil toneladas. Para ele, o dado reforça uma característica estrutural da cadeia. “Isso mostra que é um setor resiliente”, resumiu.

O PRESENTE RURAL

Frango/Cepea: Vendas externas são recordes no 1º tri

Mesmo diante de um cenário geopolítico desafiador, as vendas externas de carne de frango alcançaram volumes recordes no primeiro trimestre de 2026.

De janeiro a março deste ano, o setor exportador brasileiro escoou 1,45 milhão de toneladas de carne, um recorde para um primeiro trimestre e 0,7% acima do até então maior volume, de 1,44 milhão de toneladas, registrado em 2025, conforme apontam os dados da Secex – o Cepea analisou a série histórica, iniciada em 1997. Esse resultado surpreende até mesmo agentes do setor consultados pelo Cepea, já que esse período do ano é caracterizado por menor procura internacional e as exportações tendem a crescer sobretudo no segundo semestre. Além disso, de acordo com pesquisadores do Centro de Pesquisas, em março, especificamente, o setor esteve atento e preocupado com possíveis impactos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado brasileiro. O excelente desempenho das vendas externas da carne, contudo, não foi suficiente para conter as quedas nos preços internos da proteína ao longo de março. Agora em abril, contudo, o Cepea vem registrando aumentos nos valores de negociação, o que, por sua vez, se deve aos reajustes nos valores dos fretes, motivados pela alta dos combustíveis, e ao típico aquecimento da demanda em início de mês. Os atuais patamares estão próximos dos observados em fevereiro, evidenciando a recuperação dos preços.

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