CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2721 DE 28 DE MAIO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2721 | 28 de maio de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: cotações subiram em São Paulo

Oferta mais ajustada e demanda estável dos frigoríficos encurtaram as escalas de abate e favoreceram alta de R$2,00/@ para o boi gordo e o “boi China” em São Paulo.

Pelos dados apurados pela Scot Consultoria, os preços do boi do gordo (tanto o animal sem padrão-exportação quanto o “boi China”) subiram R$ 2/@ nesta quarta-feira, em São Paulo, para R$ 347/@ e R$ 350/@, respectivamente (valores brutos, no prazo). O mercado abriu com alta de R$2,00/@ do boi gordo e do “boi China”. A cotação da vaca e a da novilha não mudou em relação a ontem (26/05). A oferta de bovinos perdeu força, enquanto os frigoríficos mantiveram a demanda, encurtando as escalas de abate. Dessa forma, a combinação de oferta mais ajustada e demanda estável favoreceu a cotação da arroba na comparação feita dia a dia. As escalas de abate estavam, em média, para oito dias. No Pará, na comparação feita dia a dia, a cotação ficou estável para todas as categorias nas praças pecuárias de Marabá e de Redenção. A oferta de bovinos e a demanda dos frigoríficos estavam equilibradas, o que contribuiu para a manutenção da referência. Na praça pecuária de Paragominas, no entanto, a cotação do boi gordo subiu R$2,00/@ e a do “boi China” R$3,00/@. A cotação da vaca e a da novilha não mudou. Na região Noroeste do Paraná a cotação da vaca caiu R$2,00/@ na comparação feita dia a dia. A cotação do boi gordo e a da novilha não mudou. A oferta estava confortável e atendeu à demanda dos frigoríficos. As escalas de abate estavam, em média, para 12 dias.

SCOT CONSULTORIA

Boi gordo: preços da arroba não sobem apenas em Minas Gerais

Escalas de abate se mantém confortáveis em território mineiro; proximidade da Copa e exportações aos EUA devem intensificar demanda

O mercado físico do boi gordo ainda se depara com negociações acima da referência média em grande parte do país, com exceção de Minas Gerais, estado em que as escalas de abate permanecem confortáveis e os frigoríficos encontram melhores condições para pressionar o mercado. O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias ressalta que, em termos de alta dos preços, o destaque do dia ficou para o Pará, onde a oferta é bastante restrita, fazendo com que as indústrias não consigam realizar avanços consistentes. “Em termos de demanda, o período final da cota chinesa ainda é fator relevante a ser mencionado, com bom ritmo de negociações voltadas à exportação no decorrer de maio”, diz, em referência ao limite de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina que o Brasil pode destinar ao gigante asiático. Segundo Iglesias, a proximidade da Copa do Mundo é outro elemento importante, com boa expectativa quanto ao consumo doméstico e para as exportações aos Estados Unidos, país-sede do evento. Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 340,67. Goiás: R$ 329,11. Minas Gerais: R$ 325,29. Mato Grosso do Sul: R$ 350,68. Mato Grosso: R$ 352,30. Iglesias aponta que o mercado atacadista apresentou algum recuo dos preços durante o dia, confirmando a expectativa de um mercado um pouco mais pressionado em um período de consumo menos aquecido. “Para o mês de junho é grande a expectativa em torno da Copa do Mundo, com bom potencial de demanda com o evento como catalisador. A carne bovina segue menos competitiva na comparação com as proteínas concorrentes, em especial em relação à carne de frango”, disse o analista. Traseiro bovino: seguiu a R$ 27,00 por quilo. Dianteiro bovino: se manteve a R$ 21,50 por quilo. Ponta de agulha: recuo R$ 0,50, precificada a R$ 19,50 por quilo.

SAFRAS NEWS

Brasil dobra exportações de gado em pé em abril

No quarto mês de 2026, o país embarcou 144,5 mil bovinos para diferentes destinos internacionais.

Em 2025, o Brasil registrou o maior volume de exportações de bovinos, com 1,05 milhão de cabeças embarcadas. O desempenho continua bom, nos quatro primeiros meses de 2026, o país exportou 448,5 mil cabeças. Em abril de 2026, a quantidade foi a maior para o período quando comparado ao desempenho de 2025, cuja exportação havia sido de 65,3 mil cabeças, um crescimento de 121,12%. Neste período, o Pará liderou os embarques, respondendo por 61,6% do total, o equivalente a 89,1 mil cabeças a um preço médio de US$1.154,78 por animal. Na sequência, o Rio Grande do Sul ocupou a segunda posição, com 30,9 mil cabeças externalizadas e o maior preço médio unitário entre os estados com origem declarada, de US$1.363,55. São Paulo ficou na terceira posição, com 24,3 mil cabeças embarcadas pelo Porto de São Sebastião a um preço médio de US$1.139,84 (16,8%). Roraima e Minas Gerais contribuíram com volumes marginais, de 98 e 96 cabeças, respectivamente. A Turquia, foi o principal destino ao absorver 38,0% do gado exportado. Foram 54,9 mil cabeças negociadas a um valor médio de US$1.208,56 por bovino. O Egito ocupou a segunda posição, respondendo por 21,0% dos embarques com 30,3 mil cabeças e preço médio de US$909,26. Completando o trio de principais compradores, o Iraque ocupou a terceira posição, com a compra de 22,7 mil cabeças (15,7% de participação) com o valor médio de US$1.034,02 por unidade. O restante dos embarques distribuiu-se entre o Líbano, com 7,7 mil cabeças (5,3%), a Argélia, com 3,8 mil cabeças (2,6%), e a Arábia Saudita, com 3,0 mil cabeças (2,1%). Mesmo diante das tensões e guerras regionais, as importações foram mantidas. A necessidade de garantir a segurança alimentar e pela exigência religiosa do abate Halal local, foram os motivos da demanda, por abate e reposição no Oriente Médio e Norte da África. Para 2026, a exportação deve permanecer firme. Porém, há pontos de atenção, como o custo do frete e as rotas podem ser alongadas devido ao conflito no Oriente Médio, considerando que os principais países compradores compõem a região.

SCOT CONSULTORIA

Imea: relação de troca boi/milho sobe 3% em maio com queda mais intensa do cereal

A relação de troca entre boi gordo e milho voltou a melhorar para o pecuarista em maio, favorecida pela queda mais acentuada nos preços do cereal frente ao recuo registrado na arroba bovina, informou em relatório o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Segundo o instituto, o boi gordo a prazo foi negociado, em média, a R$ 348,10 por arroba até 22 de maio, baixa de 2,01% em relação a abril, movimento associado ao aumento da oferta de animais. Já o milho foi cotado a R$ 43,42 por saca, recuo mensal de 4,93%, pressionado pelo avanço da colheita e pela maior disponibilidade do grão no mercado. Com isso, a relação de troca boi/milho atingiu 8,02 sacas por arroba em maio, alta de 3,06% ante abril. O indicador mede quantas sacas do cereal podem ser compradas com a venda de uma arroba de boi gordo. De acordo com o Imea, apesar das oscilações recentes no mercado pecuário, o cenário permaneceu positivo para o produtor, já que a queda mais intensa do milho ampliou o poder de compra frente ao principal insumo utilizado nas atividades intensivas. No comparativo anual, o instituto destacou que a relação de troca segue ainda mais favorável ao pecuarista. A arroba do boi acumula valorização de 14,56% frente a maio de 2025, enquanto o milho registra queda de 22,73% no mesmo intervalo, levando a relação de troca boi/milho a subir 48,26% em um ano.

O ESTADO DE SÃO PAULO

ECONOMIA 

Dólar sobe ante real em meio à cautela sobre negociações entre EUA e Irã

O dólar fechou a quarta-feira em alta ante o real, em meio à cautela dos investidores em relação ao cenário no Oriente Médio, marcado por avanços e retrocessos nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.

A moeda norte-americana à vista encerrou o dia com alta de 0,68%, aos R$5,0616. No ano, ela passou a acumular baixa de 7,79% ante o real. Às 17h02, o dólar futuro para junho — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,46% na B3, aos R$5,0630.

Durante o dia, a TV estatal do Irã disse que Teerã obteve um esboço de estrutura para um acordo com os EUA que restauraria a navegação no Estreito de Ormuz dentro de um mês, em troca de uma retirada militar norte-americana e do levantamento do bloqueio naval. Já a Casa Branca afirmou que a reportagem da TV estatal do Irã citando o esboço não era verdadeira. À tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que ainda não estava satisfeito em relação a um acordo, acrescentando que o país não estava discutindo a flexibilização das sanções contra o Irã. Neste cenário, o petróleo Brent cedeu na quarta-feira, para abaixo dos US$95 o barril. “O Brent caiu hoje com a notícia de uma minuta de entendimento entre EUA e Irã. O petróleo mais barato afeta negativamente o câmbio, por conta de estrangeiros que saem de empresas na bolsa brasileira”, comentou durante a tarde Jonathan Joo Lee, head da mesa de internacional e câmbio da Mirae Asset, ao justificar o avanço do dólar ante o real. “O maior fluxo (de saída de recursos do país) vai ser de Petrobras”, acrescentou. A influência trazida pelo exterior se sobrepôs inclusive aos dados de inflação divulgados pela manhã no Brasil. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma espécie de prévia da inflação oficial, subiu 0,62% em maio, mais que a taxa de 0,53% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. Em abril, a taxa havia sido de 0,89%. Nos 12 meses até maio, o índice passou a acumular alta de 4,64% – acima da expectativa de 4,55% dos economistas e do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, de 4,5%. A abertura do indicador também sugeriu um cenário ainda de pressão de preços. A inflação de serviços, conforme cálculos do banco Bmg, acelerou de 0,02% em abril para 0,48% em maio. Para Leonel de Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercado da Stonex, a pressão nos preços, causada pelo fechamento do tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz, tem se espalhado para além dos itens de energia, o que diminui o espaço para cortes da taxa básica Selic, hoje em 14,50% ao ano. “E a ideia de que vai ter menos cortes ou cortes mais devagar no Brasil favorece o rendimento dos títulos nacionais, favorece a atração de capital externo, e deveria fazer pressão baixista sobre a taxa de câmbio”, disse Mattos. Segundo ele, a pressão baixista não se materializou “talvez muito por conta ainda do cenário geopolítico mais complexo”. Durante a tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$2,062 bilhões em maio até o dia 22.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda pressionado por Petrobras

O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, com as ações da Petrobras entre as maiores pressões, em meio ao declínio dos preços do petróleo no exterior, com investidores na expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã.

A Copasa chamou a atenção na ponta negativa, com a notícia de que fará mudanças na oferta de ações que deve privatizar a companhia, após propostas de potenciais investidores de referência ficarem aquém do pretendido pelo Estado de Minas Gerais. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,36%, a 175.947,95 pontos, de acordo com dados preliminares. Na mínima do dia, recuou a 175.554,89 pontos. Na máxima, avançou a 177.640,02 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$20,04 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

IPCA-15 sobe mais que o esperado em maio por energia e alimentos e supera teto da meta em 12 meses

O IPCA-15 subiu mais do que o esperado em maio e atingiu o nível mais alto para o mês em 10 anos, sob pressão dos preços de energia elétrica e alimentos, com a taxa em 12 meses superando o teto da meta do Banco Central. Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA15) subiu 0,62%, taxa mais alta para o mês desde 2016, quando foi de 0,86%.

O resultado mostrou desaceleração ante a taxa de 0,89% em abril, mas superou a expectativa de economistas levantada em pesquisa da Reuters de avanço de 0,53%. Os dados divulgados na quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram ainda que, nos 12 meses até maio, o índice passou a acumular alta de 4,64%, de 4,37% no mês anterior e expectativa de 4,55%. Com isso, a taxa supera o teto da meta perseguida pelo BC — 3,0% medido pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual — pela primeira vez no ano. Em janeiro, o IPCA-15 subiu exatamente 4,5% no acumulado em 12 meses. “O IPCA-15 de maio veio acima das expectativas do mercado, mostrando que o processo de desinflação no Brasil segue lento e cheio de desafios. Apesar de uma desaceleração na comparação com abril, reforça que a inflação continua bastante disseminada, principalmente em alimentos e serviços”, destacou Pablo Spyer, conselheiro da Ancord (associação de corretoras e distribuidoras de valores). “A desaceleração do IPCA-15 é bem-vinda, mas não é suficiente para trazer maior tranquilidade ao Copom para a condução da política monetária”, avaliou André Valério, economista sênior do Inter. “O contexto ainda é muito influenciado pelos choques de oferta, seja do petróleo, seja do clima, situação que deve continuar pressionada nos próximos meses com a elevada probabilidade de ocorrência de um El Niño forte, que deve pressionar os preços de alimentos e energia elétrica.” Em maio, os grupos Alimentação e Bebidas e Habitação se destacaram com altas respectivamente de 1,38% e 1,03% sobre o mês anterior. O avanço da alimentação no domicílio desacelerou a 1,73%, de 1,77% em abril. Apresentaram altas a batata-inglesa (26,29%), o tomate (12,97%), o leite longa vida (6,07%) e carnes (1,98%). Por outro lado, houve quedas em maçã (-2,32%) e do café moído (-2,09%). Já a energia elétrica residencial subiu 2,16% em maio e exerceu o maior impacto individual no IPCA15 do mês, quando passou a vigorar a bandeira tarifária amarela, com cobrança adicional de R$1,885 a cada 100kWh consumidos. Desde janeiro, a bandeira adotada era a verde, sem cobranças adicionais. Transportes foi o único grupo com resultado negativo, com deflação de 0,33%, com os custos dos combustíveis passando a cair 1,47% após alta de 6,06% em abril. O etanol registrou queda de 2,73%, o óleo diesel caiu 2,04% e a gasolina recuou 1,32%. Já o gás veicular teve alta de 2,12% e as passagens aéreas aumentaram 3,25%. A inflação de serviços segue como ponto de atenção. Nas contas de Leonel de Oliveira Mattos, especialista em inteligência de mercados da StoneX, tanto o núcleo do IPCA-15 — que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia — quanto os preços de serviços subiram 0,46%. “O cenário reforça uma percepção de pressão inflacionária mais persistente e disseminada no país. As pressões de preço inicialmente ligadas ao setor energético, impulsionadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pelas preocupações com a oferta global de petróleo, começam a se espalhar para outros segmentos da economia”, disse. A mais recente pesquisa Focus realizada pelo BC mostra que a projeção para o IPCA este ano é de alta de 5,04%, e de 4,01% em 2027. A expectativa é de que a Selic termine 2026 em 13,25%. O IPCA-15 estima a variação de preços coletados entre meados do mês anterior até meados do mês de referência na comparação com o período imediatamente antecedente. (Edição de Isabel Versiani)

TERRA 

Dívida pública do Brasil sobe 1,9% em abril enquanto investidor busca proteção em título atrelado à Selic

A dívida pública do Brasil cresceu 1,91% em abril na comparação com o mês anterior sob efeito da despesa com juros e de um aumento nas emissões de títulos pelo governo, enquanto a volatilidade nos mercados tem levado investidores a buscar proteção, aumentando fortemente a demanda por títulos atrelados à taxa Selic.

A dívida pública federal do Brasil atingiu R$8,798 trilhões em abril, segundo dados do Tesouro Nacional apresentados na quarta-feira. O resultado reflete uma alta de 1,93% na dívida pública mobiliária interna, a R$8,462 trilhões, enquanto a dívida pública federal externa cresceu 1,28% e atingiu R$335,9 bilhões. As emissões da dívida interna somaram R$201 bilhões em abril, maior valor em 12 meses, enquanto os resgates totalizaram R$133 bilhões. Como resultado, a emissão líquida no mês ficou em R$68 bilhões, valor que se somou a uma apropriação positiva de juros de R$92,5 bilhões. Em meio ao cenário internacional volátil gerado pela guerra no Irã, o Tesouro disse que foi mantido o maior apetite dos investidores por títulos atrelados à Selic. Esses papéis acompanham a taxa básica de juros, sendo uma opção menos volátil do que títulos com remuneração parcialmente ou integralmente prefixada, que sofrem variações de preço em resgates antecipados. Em abril, os títulos flutuantes, atrelados à Selic, representaram 48,6% do estoque total da dívida, contra 47,7% um mês antes. Dados preliminares de maio mostram ainda que os títulos flutuantes tiveram participação relativa de 69,7% das novas emissões, contra 56% em abril. “É natural que os investidores demandem mais esse título para tirar o risco do mercado, se protegerem em relação ao movimento de volatilidade”, disse o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Helano Borges Dias. O Plano Anual de Financiamento do Tesouro prevê que esse título responda neste ano por uma fatia de 46% a 50% do estoque, banda que Dias disse considerar “suficiente” para acomodar mais emissões, ponderando que ela pode ser alterada em setembro caso o Tesouro considere necessário. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicou nesta semana que a dependência do governo brasileiro de títulos atrelados à Selic na composição da dívida pode dificultar o trabalho da autarquia, já que elevações da Selic aumentam a renda dos detentores desses papéis e podem pressionar a inflação. Dias reconheceu que esse é um dos fatores que poderia reduzir a potência da política monetária, junto com outros “vários elementos”, como o crédito direcionado, que obedece a regras do governo. Segundo ele, o Tesouro trabalha com a perspectiva de redução da parcela desses títulos no longo prazo. “A gente entende que o processo de consolidação fiscal é fundamental para que a gente caminhe nessa direção, a gente vem fazendo esse trabalho”, disse, argumentando que a própria curva de juros futuros indica que ainda há espaço para o BC cortar os juros básicos, hoje em 14,50% ao ano. A reserva de liquidez –colchão de recursos para gestão da dívida pública– se recuperou no mês, ao passar de R$885 bilhões em março para R$1,092 trilhão em abril, uma alta nominal de 23,3%. O valor é suficiente para quitar 8,91 meses de vencimentos de títulos, contra 5,69 registrados um mês antes. De acordo com as informações da pasta, o custo médio do estoque da dívida pública federal acumulado em 12 meses teve uma ligeira alta no mês passado, indo de 12,20% ao ano em março para 12,22% ao ano. O custo médio das novas emissões de títulos da dívida interna também subiu, passando de 13,92% ao ano em março para 14,08% no mês passado.

Em relação ao perfil de vencimentos da dívida pública, o Tesouro informou que o prazo médio do estoque passou de 4,10 anos em março para 4,12 anos em abril.

REUTERS

Brasil tem fluxo cambial negativo de US$2,062 bilhões em maio até dia 22, diz BC

O Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$2,062 bilhões em maio até o dia 22, conforme dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central, em um período que corresponde ao acumulado nas três primeiras semanas do mês.

Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$7,444 bilhões em maio até o dia 22. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de maio até o dia 22 foi positivo em US$5,383 bilhões. Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Na semana passada, de 18 a 22 de maio, saíram do país US$3,648 bilhões.

No acumulado do ano, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$11,246 bilhões.

REUTERS

Confiança da indústria volta a subir em maio e tem maior nível em um ano, mostra FGV

A confiança da indústria no Brasil voltou a subir em maio depois de queda no mês anterior, diante da melhora na percepção atual e cautela sobre os próximos meses, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na quarta-feira.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) avançou 1,1 ponto na comparação com o mês anterior, chegando a 97,1 pontos, nível mais elevado em um ano, de acordo com os dados da FGV.

O Índice de Situação Atual (ISA), que mede o sentimento dos empresários sobre o momento presente do setor industrial, avançou 2,2 pontos, a 98,7 pontos, maior patamar também desde maio de 2025, segundo a FGV. “Nas avaliações sobre o presente, notam-se sinais de melhora no nível da demanda e de normalização dos estoques após um mês dos primeiros impactos dos conflitos no Oriente Médio na maioria dos setores”, explicou Stéfano Pacini, economista do FGV IBRE. O Índice de Expectativas (IE), indicador da percepção sobre os próximos meses, subiu 0,1 ponto, para 95,6 pontos. “Para os próximos meses, o sinal de alerta segue ligado entre os empresários, refletindo um ambiente de incerteza e possíveis impactos negativos sobre a produção e o ambiente dos negócios, sobretudo nos segmentos relacionados a bens de consumo não duráveis”, completou Pacini. “Enquanto persistirem as tensões no Oriente Médio, a indústria brasileira seguirá sensível ao preço do petróleo e a possíveis desarranjos nas cadeias de produção. Esse cenário externo dificulta a flexibilização da política monetária, importante para a atividade industrial”, disse. O Banco Central volta a se reunir em junho depois de reduzir a taxa básica Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,50%, pregando cautela quanto aos passos adiante.

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GOVERNO

Câmara aprova PEC que acaba com escala 6×1 e reduz jornada semanal para 40 horas

Proposta que institui duas folgas obrigatórias semanais ainda precisa ser aprovada em dois turnos pelo Senado. Redução de horas trabalhadas por semana será feita em duas etapas, sendo a primeira para 42 horas

A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (27), em dois turnos, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com escala 6×1, quando seis dias de trabalho são seguidos de um dia de descanso. A proposta, que reduz a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, teve 472 votos favoráveis e 22 contrários no primeiro turno. Na segunda votação, 461 parlamentares foram favoráveis e 19 votaram contra. A proposta precisava de ao menos 308 votos favoráveis. O texto aprovado é o parecer do deputado federal Leo Prates (Republicanos PB), que foi analisado horas antes na comissão especial criada para debater a mudança. A PEC aprovada na Câmara torna obrigatória a concessão de duas folgas semanais aos trabalhadores, uma delas preferencialmente aos domingos. O texto aprovado prevê que o direito a um dia mais de descanso passa a valer 60 dias depois da promulgação da emenda, quando também terá início a primeira de duas etapas na redução da jornada semanal, de 44 horas, como é hoje, para 42 horas. A segunda e última fase, a redução para 40 horas, será aplicada 12 meses depois. O texto ainda precisa ser aprovado com ao menos 49 votos entre 81 senadores, em dois turnos, pelo Senado antes de ser promulgado. O deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, classificou o dia como histórico e disse que as horas trabalhadas não podem ser a única medida de produtividade. Defendeu também que trabalhadores mais descansados produzem mais. O ministro da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), José Guimarães, que acompanhava a votação disse que o presidente Lula ligou logo após o resultado e mandou “parabenizar toda a Câmara”. A mudança prevista na PEC deve afetar mais da metade dos trabalhadores formais no Brasil. Segundo dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), banco de dados do governo federal, 35 milhões de pessoas com registro em carteira trabalham mais de 40 horas semanais, número que equivale a 58,38 % do total dos empregados. A redução na jornada, segundo a PEC, não pode resultar em redução salarial. Nos 60 dias depois da promulgação, empresas e categorias deverão negociar novos acordos e convenções coletivas para adequar suas atividades à nova jornada semanal máxima de 42 horas. Quando a emenda constitucional entrar em vigor, acordos que tratem de jornadas maiores serão considerados sem efeito. Caberá a esses acordos (quando a negociação vale para uma empresa) ou convenções (quando afeta toda a categoria) a definição dos regimes de escala e de compensação de jornada, e os casos de categorias com necessidades especiais como saúde, segurança, setor aéreo e plataformas de petróleo. A PEC aprovada na quarta na Câmara também cria uma regra especial que deverá afetar até 434 mil trabalhadores celetistas, que perderão o direito a um limite de horas trabalhadas e controle da jornada. A exceção afetará profissional com salários acima de 2,5 vezes o teto do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que neste ano equivale a R$ 21.188,88. O número potencial de trabalhadores que perderão o direito considera dados da Rais de dezembro de 2025 levantados pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). O fim do controle de jornada teve o apoio do governo Lula. Os ministros do Trabalho, Luiz Marinho, e da SRI, José Guimarães, deram aval à proposta após o relator subir a faixa salarial de R$ 16,8 mil para R$ 21,8 mil e excluir servidores públicos e celetistas de estatais e órgãos públicos. Outra exceção à regra geral prevista na PEC será aplicada aos funcionários de empresas com contratos com governos municipais, estaduais e federal. O texto estabelece que as novas regras só serão aplicadas quando houver o aditamento contratual, e em no máximo 12 meses após a publicação da emenda constitucional. A exceção valerá para contratos regidos pela legislação de licitações e contratos administrativos, de concessões e permissões de serviços e obras públicas e de parcerias público-privadas. A proposta de emenda à Constituição definiu que uma lei tratará da flexibilização das contratações de MEIs (microempreendedores individuais) e da atualização do teto de faturamento para esse enquadramento, atualmente em R$ 81 mil. A remissão a uma nova legislação integrou o acordo do presidente Lula com Hugo Motta pela votação da PEC com uma transição curta.

FOLHA DE SÃO PAULO 

Veja o que muda com o fim da escala 6X1

Jornada de trabalho. Como é: Limitada a oito horas por dia e 44 horas semanais. Como pode ficar: Limitada a oito horas diárias e 40 horas semanais, com dois descansos semanais remunerados, sendo um deles preferencialmente aos domingos; no primeiro ano, o limite será de 42 horas semanais.

Descanso semanal. Como é: Repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos. Como pode ficar: Ficam garantidos dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos. Escala de trabalho e folgas. Como é: A escala de trabalho não está determinada na Constituição; empresas podem organizar a escala até o limite de 44 horas semanais. Como pode ficar: Texto prevê a escala de trabalho 5×2, mas mantém regimes especiais para determinadas categorias, conforme previsto em leis específicas, normas regulamentadoras, acordos e convenções coletivas. Hora extra. Como é: Salário deve ser acrescido em 50% a cada hora a mais trabalhada, com limite de duas horas extras por dia. Como pode ficar: Acordos e convenções coletivas poderão prever que, durante a transição, a jornada diária possa ter mais de oito horas para compensar a escala 5×2, sem que sejam pagas como extra. Trabalho aos domingos. Como é: O trabalho aos domingos não é proibido e é, inclusive, permitido para algumas categorias consideradas essenciais. Se houver trabalho nesse dia sem compensação prevista em lei, norma ou convenção ou acordo coletivo, a hora de trabalho deverá ser paga em dobro. Como pode ficar: A PEC mantém o domingo como um dia preferencial de descanso, mas não veta o trabalho neste dia, garantindo que categorias que precisem funcionar possam organizar suas escalas; vale a regra atual de compensação, que pode ser feita, inclusive, por banco de horas. Banco de horas. Como é: O trabalho em domingos e feriados pode ser compensado por meio de banco de horas se houver acordo ou convenção coletiva prevendo a medida. Como pode ficar: Não há nova regra prevista, e o banco de horas poderá ser adotado conforme as negociações entre empregadores e trabalhadores. Acordos e convenções coletivas. Como é: A Constituição e a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) garantem que acordos e convenções coletivas podem prever arranjos diferentes de leis e normas, desde que respeitem a Constituição; é o acordado sobre o legislado, reforçado na reforma trabalhista de 2017. Como pode ficar: A PEC mantém que acordo ou convenção coletiva de trabalho podem prever compensação de horários e outros arranjos de jornada, desde que respeitados os limites reforçando o acordado sobre o legislado. Superempregados. Como é: A reforma trabalhista de 2017 criou a figura do trabalhador hipersuficiente, que é aquele com diploma de nível superior e salário acima de dois tetos da Previdência Social; ele pode negociar diretamente com o empregador. Como pode ficar: A PEC coloca na Constituição a figura do ‘superempregado’, que é o trabalhador com diploma de nível superior e com salário acima de dois tetos e meio da Previdência, o que dá R$ 21.888,88 hoje. Neste caso, o profissional não terá controle de jornada

FOLHA DE SÃO PAULO

EMPRESAS

Taxas dos CRAs de Minerva, BRF e Marfrig disparam e riscos seguem no radar

Setor de proteína animal vê os preços dos títulos de dívida caírem, com incertezas elevadas no mercado de carne bovina. Virada no ciclo do gado brasileiro é um dos principais riscos no mercado local

As dívidas emitidas pelas empresas de proteínas do Brasil começaram a pagar taxas bem acima do que costumavam oferecer nos últimos meses. Desde meados de março, o retorno médio dos CRAs do setor subiu cerca de 1,2 ponto percentual, praticamente o dobro do retorno médio de 0,7 ponto percentual registrado na classe de recebíveis do agronegócio no mesmo período, de acordo os analistas do Itaú BBA. Ou seja, o risco associado a essas empresas cresceu, mesmo entre aquelas com avaliação de crédito considerada muito boa. “A abertura das taxas [leia-se aumento das taxas] parece estar ligada a uma percepção maior de risco no setor, que enfrenta uma série de fatores adversos ao mesmo tempo”, observa o relatório da instituição, elaborado pela equipe de renda fixa liderada por Paula Toute. O mercado está embutindo nos preços um conjunto de incertezas que pesam sobre as empresas do setor. O principal deles é a virada no ciclo do gado brasileiro: após anos de rebanho abundante e margens folgadas para os frigoríficos, o país entrou em uma fase de menor disponibilidade de animais para abate, o que empurra os custos para cima. No mercado internacional, a China, o principal destino da carne bovina brasileira, impôs uma cota de importação que equivale a 65% do volume enviado pelo Brasil em 2025. Até março, 43% desse limite já havia sido utilizado, o que levanta a dúvida sobre o que acontece no segundo semestre, quando a cota pode se esgotar. A União Europeia acrescentou mais uma camada de incerteza: exige que o Brasil comprove o cumprimento de regras sobre uso de antimicrobianos até setembro de 2026. Caso o país não atenda ao requisito, as exportações brasileiras para o bloco podem enfrentar novas restrições a partir do terceiro trimestre. Outros dois fatores completam o quadro: a recuperação lenta do rebanho nos Estados Unidos, estimada para só ganhar tração em 2028, mantém as margens das operações norte-americanas pressionadas; e o real mais forte reduz o valor em reais das receitas de exportação. Apesar dos riscos, as três companhias cobertas no relatório compartilham um ponto favorável: posições de liquidez robustas e dívidas com prazos longos de vencimento, o que lhes dá margem para atravessar o momento sem emergências de caixa. A MBRF, holding que reúne Marfrig e BRF após a fusão, é a que carrega o endividamento mais alto, entre 3 e 3,8 vezes o lucro operacional ajustado (Ebitda). O motivo é a combinação de um ciclo intenso de investimentos, sobretudo na BRF, com pagamentos de dividendos nos últimos 12 meses. O Itaú BBA não espera uma redução da dívida de forma relevante no curto prazo. A JBS, maior empresa de proteínas do mundo, sentiu o impacto no primeiro trimestre: apesar de receita recorde de US$ 21,6 bilhões, o lucro operacional ajustado (Ebitda) global caiu cerca de 30% na comparação anual, pressionado pela operação bovina nos EUA. A margem consolidada caiu de 7,8% para 5,2%. Mesmo assim, a diversificação ajudou: as unidades no Brasil e na Austrália registraram receita recorde, e os segmentos de aves e suínos – como a Seara e a JBS USA Pork – mantiveram margens elevadas, de 15,5% e 13,5%, respectivamente. A Minerva, por sua vez, apresenta a situação financeira mais confortável do trio, com endividamento de 2,8 vezes e uma queda consistente nesse indicador ao longo de 2025. A empresa concluiu no ano passado a compra de diversas plantas da antiga Marfrig na América do Sul, ampliando a capacidade em 42% e ganhando flexibilidade para redirecionar exportações conforme as cotas – um trunfo para contornar o limite imposto pela China ao produto brasileiro. O segmento de frango vive um momento favorável: os custos de ração caíram com as safras recordes de grãos em 2024 e 2025, e a demanda externa segue aquecida. O Brasil exportou 4,8 milhões de toneladas de carne de frango em 2025, recorde histórico, e manteve esse ritmo no início de 2026. Para empresas diversificadas como BRF e JBS, essa divisão tem ajudado a compensar as dificuldades na carne bovina. Mas os principais riscos para o setor avícola são o retorno dos custos de grãos, caso o El Niño afete a safrinha de milho no Centro-Sul, e um crescimento da oferta acima do esperado, que poderia comprimir as margens. A leitura geral do relatório é que, após o recente aumento nas taxas, os CRAs do setor passaram a refletir melhor os riscos, e oferecem taxas acima da mediana histórica do segmento. Para o investidor disposto a ficar com os papéis, o momento pode ser de oportunidade. Mas os riscos, especialmente para quem tem exposição concentrada em carne bovina, permanecem.

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SUÍNOS & FRANGOS

Peste Suína Africana atinge granja com mais de 21 mil suínos na Polônia

Surto confirmado na Pomerânia Ocidental amplia alerta sanitário na Europa, enquanto a Alemanha monitora avanço do vírus entre javalis em dois estados

A Polônia confirmou um surto de Peste Suína Africana (PSA) em uma granja com 21.390 suínos na vila de Jarosławsko, na província da Pomerânia Ocidental, no noroeste do país. A ocorrência foi registrada em 18 de maio pela Inspeção Veterinária Central polonesa e acendeu novo alerta sanitário na suinocultura europeia, especialmente pela proximidade da fazenda com a fronteira da Alemanha, localizada a cerca de 70 km. Seguindo os protocolos sanitários da União Europeia, todos os animais da propriedade deverão ser abatidos. O caso é considerado um dos maiores já registrados no país desde o início da disseminação da doença em granjas polonesas, em 2014, e ocorre em um período de maior atenção para a PSA, já que os surtos tendem a ganhar força com a elevação das temperaturas. A propriedade afetada é a 571ª granja polonesa a registrar a doença desde o início da crise sanitária. Segundo os dados divulgados, trata-se da segunda maior unidade de suínos atingida pela PSA na Polônia, ficando atrás apenas de uma granja com quase 24 mil animais, infectada em 2020. Desde 2014, apenas cinco das 571 propriedades afetadas tinham mais de dez mil suínos. Em 2025, a Polônia registrou 18 fazendas infectadas pela Peste Suína Africana, envolvendo propriedades de diferentes tamanhos e níveis de tecnificação. Além dos registros em granjas comerciais, a circulação do vírus entre javalis segue como um dos principais desafios sanitários no país. Em 2026, os surtos em animais silvestres foram relatados no norte e no leste da Polônia. Até 20 de maio, 1.241 javalis mortos haviam testado positivo para PSA. Em 2025, foram 3.429 ocorrências, enquanto o recorde foi registrado em 2020, com 4.156 carcaças infectadas. Na Alemanha, nenhuma granja de suínos foi infectada em 2026, mas o vírus continua avançando entre javalis em áreas monitoradas. Na Saxônia, estado que faz fronteira com a Polônia, o número de carcaças infectadas chegou a 71, segundo o banco de dados oficial de saúde animal TSIS. O retorno da PSA à Saxônia ocorreu em abril de 2026, pouco depois de o estado declarar-se livre da doença, status possível após 12 meses sem novos registros. Na fase atual, foram encontradas 45 carcaças infectadas em abril e 26 em maio. Entre outubro de 2020 e fevereiro de 2025, a Saxônia já havia registrado 2.399 ocorrências em javalis. Os casos atuais estão concentrados em uma área localizada cerca de 10 km a oeste da fronteira com a Polônia. Apesar da proximidade geográfica, os registros poloneses mais próximos estão a pelo menos 200 km da área afetada na Saxônia, o que reforça a complexidade do controle da doença em populações silvestres. No oeste da Alemanha, a Renânia do Norte-Vestfália também ajustou suas zonas infectadas após a confirmação de nove javalis positivos no município de Netphen, cerca de 7 km ao sul dos casos já conhecidos. A movimentação indica que o vírus ainda não está controlado na região. De acordo com os dados do TSIS, o estado já soma 701 mortes de javalis infectados. Em março de 2026, foram relatados 124 novos casos; em abril, 137; e, em maio, a contagem já chegava a 90 registros, ainda com parte do mês em aberto. Os surtos foram identificados em oito municípios, distribuídos pelos distritos de Olpe, com 348 casos; Siegen-Wittgenstein, com 325; e Hochsauerlandkreis, com 28. A estimativa da população de javalis também passou a ser monitorada com mais precisão. Segundo a publicação alemã Top Agrar, o Ministério da Agricultura da Renânia do Norte-Vestfália utilizou drones com câmeras termográficas, entre fevereiro e março de 2026, para calcular o número de animais na zona interna protegida. O levantamento apontou cerca de 400 javalis no distrito de Olpe e 95 em Siegen-Wittgenstein. Com o início da época reprodutiva, a estimativa atual é de aproximadamente 1.500 animais na área.

FEED&FOOD

Queda no preço do suíno reduz poder de compra do produtor frente aos insumos

O produtor perdeu capacidade de troca tanto frente ao milho quanto ao farelo de soja. 

O poder de compra do suinocultor paulista voltou a registrar retração em maio, pressionado principalmente pela queda mais intensa nos preços do suíno vivo em relação aos principais insumos da atividade. Levantamento do Cepea mostra que, na parcial do mês até o dia 19, o produtor perdeu capacidade de troca tanto frente ao milho quanto ao farelo de soja. No caso do milho, este já é o oitavo mês consecutivo de deterioração no poder de compra, atingindo o pior nível desde fevereiro de 2023. Segundo pesquisadores do Cepea, embora as cotações do cereal, do farelo de soja e do suíno vivo estejam em queda, a desvalorização do animal tem ocorrido de forma mais acentuada. Na região de Campinas (SP), referência para o acompanhamento do setor, o suinocultor conseguiu adquirir, em média, 4,96 quilos de milho e 3,18 quilos de farelo de soja para cada quilo de suíno vivo comercializado em maio. Os volumes representam recuos de 4,9% e 6%, respectivamente, na comparação com abril. Com o avanço da segunda metade de maio, a expectativa é de estabilidade ou até de novas dificuldades para reajustes positivos, pelo menos até o início de junho. Em relação ao mesmo período do ano passado, as perdas são ainda mais expressivas. O poder de compra frente ao farelo de soja caiu 33,2%, enquanto a capacidade de troca com o milho recuou 29,1%. Apesar do cenário de pressão sobre as margens, o mercado apresentou alguma reação na primeira quinzena de maio. Após sucessivas quedas nas cotações do suíno vivo ao longo de abril, o aumento da demanda por carne suína contribuiu para uma leve recuperação dos preços. No entanto, pesquisadores do Cepea destacam que essa reação ainda não foi suficiente para elevar a média mensal do animal vivo.

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