
Ano 11 | nº 2760 | 23 de julho de 2026
NOTÍCIAS
Reação em São Paulo – a cotação do boi gordo subiu
Mercado registra alta para o boi gordo e “boi china”.
Na comparação feita dia a dia, a cotação do boi gordo e do “boi China” subiu R$3,00/@. Para a vaca e a novilha, a cotação não mudou. A ponta vendedora resistiu, pressionando pela melhora na cotação e segurando as ofertas. Diante disso, os frigoríficos elevaram os preços para manter as escalas, que estavam em seis dias. No Mato Grosso do Sul, o mercado permaneceu equilibrado. Na comparação feita dia a dia, as cotações ficaram estáveis. Em Minas Gerais a cotação do boi gordo e do “boi China” subiu em todas as regiões. A oferta permaneceu enxuta, com os frigoríficos buscando manter as escalas de abate.
SCOT CONSULTORIA
Preços do boi gordo ensaiam novas altas
Encurtamento das escalas de abate continua sendo o principal motivador para a elevação da arroba
O mercado físico do boi gordo voltou a se deparar com negociações acima da referência média no decorrer da quarta-feira (22). O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, pontua que o ambiente de negócios ainda é pautado pela restrição, o que ainda torna difícil a composição das escalas de abate. Segundo ele, este é o principal elemento de alta dos preços nas últimas semanas, mesmo em um momento de demanda fragilizada. De acordo com Iglesias, o ritmo de embarques vem apresentando arrefecimento semana após semana com o esgotamento precoce da cota chinesa. “Outro ponto a ser mencionado é que o mercado interno apresenta padrão de preços mais acomodados da carne no atacado. Entretanto, o nível atual de preços pressiona as margens da indústria frigorífica, sendo que algumas anunciaram férias coletivas no decorrer desta semana”, avalia. Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 343 — ontem: R$ 341,43. Goiás: R$ 321,79 — ontem: R$ 321,25. Minas Gerais: R$ 319,41 — ontem: R$ 325,59. Mato Grosso do Sul: R$ 331,93 — ontem: R$ 332,16. Mato Grosso: R$ 321,62 — ontem: R$ 319,46. O mercado atacadista mantém preços firmes ao longo da quarta-feira, embora o ambiente de negócios indique menor espaço para reajustes durante a segunda quinzena do mês, período tradicionalmente marcado por menor apelo ao consumo. “A carne bovina segue menos competitiva em relação às proteínas concorrentes, especialmente na comparação com a carne de frango”, lembra Iglesias. Quarto dianteiro: R$ 19,00 por quilo. Quarto traseiro: R$ 25,50 por quilo. Ponta de agulha: R$ 18,00 por quilo.
SAFRAS NEWS
Pecuaristas defendem restrições a antimicrobianos só para a Europa
Em reunião da câmara setorial, entidades concordaram que país deve buscar reabertura com adesão ao Protocolo de Exportação criado pelo ministério. Europa paga mais pela carne que outros mercados importadores
Entidades da cadeia de pecuária bovina concordaram que o Brasil deve buscar a reabertura do mercado europeu por meio do cumprimento do Protocolo de Exportação de Bovinos Livres de Antimicrobianos, homologado pelo Ministério da Agricultura no início de junho. O mecanismo é direcionado apenas a pecuaristas interessados em exportar ao bloco, sem gerar exigências adicionais aos demais criadores. O tema foi discutido em reunião extraordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Carne Bovina ontem (21/7) em Brasília. A posição será encaminhada ao ministro da Agricultura, André de Paula, para embasar as negociações do governo com as autoridades europeias. Uma nova reunião foi agendada para 18 de agosto, segundo o presidente da câmara setorial, André Bartocci. Desde que a Comissão Europeia excluiu, em maio, o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco a partir de 3 de setembro, alegando falha do país em comprovar que segue as regras europeias sobre uso de antimicrobianos, indústria e pecuaristas vêm divergindo sobre a solução para o impasse. As empresas propuseram a ampliação dos produtos vetados no país, enquanto pecuaristas defendem as restrições só para criadores que queiram fornecer animais para abate e posterior exportação da carne bovina ao bloco. “É falta de bom senso suspender (antimicrobianos) no Brasil inteiro, a não ser que houvesse comprovação científica de que os produtos afetam a saúde”, disse Bartocci, em referência à preocupação dos europeus com um eventual aumento da resistência de bactérias às medicações. “Se deixarmos de usar algumas tecnologias, aumentam o risco de clostridioses [doenças causadas por bactérias], as emissões de gases de efeito estufa, porque aumentaria o tempo do animal no pasto”, afirmou ao Valor. Durante a reunião, as entidades concordaram que mesmo a Europa sendo um mercado relativamente pequeno em comparação com as exportações totais, deve ser mantida. Isso porque, além de pagar mais pela carne, a Europa acaba sendo um “cartão de visitas” para o Brasil conseguir abrir outros mercados cobiçados, como Japão e Coreia do Sul. O protocolo privado homologado pelo governo estabelece as regras para certificar a carne destinada à UE, que precisa ser proveniente de animais não tratados com antimicrobianos proibidos pelo bloco ao longo de toda sua vida. Segundo uma fonte, 47 frigoríficos – quase todas as plantas habilitadas a exportar à UE -, além de 20 fazendas, de um total de 1,3 mil autorizadas hoje a exportar ao bloco, solicitaram adesão ao protocolo. Até então, essas propriedades não precisavam comprovar o não uso dos medicamentos em toda a vida do animal, que varia de dois a três anos. Daí a perspectiva de que o Brasil volte a exportar à UE só nesse prazo, se começar a certificar a produção agora. As divergências na cadeia não foram totalmente dirimidas, disse outra fonte. Frigoríficos entendem que seria melhor banir o uso de antimicrobianos usados como promotores de crescimento no país. Argumentam, por exemplo, que outros compradores, como China e Coreia do Sul (fechada à carne do Brasil), baniram os produtos internamente, bem como concorrentes como Austrália e Nova Zelândia. Já o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), Emílio Salani, disse estar confiante numa saída que não preveja a proibição total dos medicamentos no país. “A informação que temos é que a UE quer que o Brasil apresente um sistema de segregação viável, aprovado pelo Brasil e auditável”, afirmou.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Dólar cai pela terceira sessão consecutiva em dia positivo para ações no Brasil
O avanço firme do Ibovespa, para acima dos 177 mil pontos, abriu espaço para a leve baixa do dólar ante o real na quarta-feira, em movimento favorecido ainda pelo recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior.
O dólar à vista encerrou o dia com queda de 0,42%, aos R$5,0526, menor valor de fechamento desde 2 de junho, quando atingiu R$5,0098. Foi a terceira sessão consecutiva de baixa da moeda norte-americana. No ano, o dólar passou a acumular queda de 7,95% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,50% na B3, aos R$5,0625. O dólar oscilou entre a estabilidade e leves altas no início do dia, até que a abertura da bolsa de valores brasileira, às 10h, conduziu as cotações para o território negativo, em meio à alta firme do Ibovespa. O movimento no câmbio brasileiro nesta quarta-feira foi corroborado pelo recuo do dólar ante outras divisas de emergentes no exterior, ainda que o cenário geopolítico seguisse nebuloso. O transporte de petróleo e gás seguiu travado no Oriente Médio pela guerra entre EUA e Irã. Além do bloqueio no Estreito de Ormuz, ações dos houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, prejudicavam o tráfego no Mar Vermelho. Durante a tarde, o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que ninguém poderá vender petróleo em uma região onde o Irã não possa fazer isso. Já a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã alertou que a rota sul do Estreito de Ormuz está minada. Apesar das preocupações em torno do transporte global de petróleo e gás, o dólar cedia no fim da tarde ante moedas pares do real como o rand sul-africano, o peso colombiano e o peso mexicano. Além disso, o dólar caía ante o euro e uma cesta de seis divisas fortes. No campo comercial, a nova tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros começou a valer nesta quarta-feira, podendo impactar o fluxo de dólares para o Brasil, mas o governo seguia cauteloso ao tratar do assunto. Em entrevista à rádio Bandeirantes FM mais cedo, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, afirmou que reciprocidade não é vingança e que ela será adotada quando o governo considerar adequado. Durante a tarde, o governo anunciou R$18,5 bilhões em linhas de financiamento para empresas afetadas pelas tarifas, em nova etapa do Programa Brasil Soberano.
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Ibovespa fecha em alta firme com impulso de blue chips
O Ibovespa encerrou a quarta-feira em alta firme, superando os 177 mil pontos, impulsionado pelo avanço de blue chips como Vale e Petrobras, além das ações da Weg, que lideraram os ganhos da bolsa após a companhia divulgar balanço com resultado acima do esperado.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 2,37%, a 177.427,22 pontos, antes dos ajustes finais, após marcar 173.328,05 na mínima e 177.641,24 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$20,45 bilhões.
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Brasil tem fluxo cambial positivo de US$189 milhões em julho até dia 17, diz BC
O Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$189 milhões em julho até o dia 17, conforme dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central.
Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$1,432 bilhão em julho até o dia 17. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de julho até o dia 17 foi positivo em US$1,621 bilhão. Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Na semana passada, de 13 a 17 de julho, entraram no país US$134 milhões. No acumulado do ano até 17 de julho, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$17,946 bilhões.
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CNI mantém em 2% a projeção de alta do PIB de 2026
Setores menos sensíveis aos juros elevados devem impulsionar crescimento da economia, com destaque para a indústria extrativa
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país para 2026. De acordo com o Informe Conjuntural do 2º Trimestre, divulgado na quarta-feira (22), a resiliência do setor de serviços e perspectivas mais positivas para a agropecuária e a indústria — em especial, a extrativa — devem influenciar positivamente a atividade econômica. Por outro lado, juros altos, custos elevados e o aumento das importações devem prejudicar o setor produtivo e limitar o desempenho da economia. “O cenário econômico de 2026 é marcado pelo crescimento moderado, sustentado principalmente pelos setores ligados às commodities e por estímulos à demanda. Em contrapartida, a combinação entre política monetária restritiva, condições financeiras adversas, inflação elevada e persistência das fragilidades fiscais continua limitando uma recuperação mais forte da economia” aponta Mario Sergio Telles, diretor de Economia da CNI. A indústria teve a projeção de crescimento revista de 1,6% para 2,1%. A perspectiva mais otimista se deve, sobretudo, à indústria extrativa. Menos sensível aos juros altos e impulsionada pelo aumento da produção de petróleo, deve avançar 9,1% em 2026 e não mais 7,8%, conforme a previsão anterior. O desempenho da indústria de transformação, por sua vez, deve ser comprometido por uma combinação de três fatores: entrada expressiva de produtos importados, juros elevados e custos crescentes em decorrência da guerra no Oriente Médio. Ainda assim, a CNI aumentou de 0,3% para 0,6% a expectativa de alta do setor. “A revisão da expectativa de crescimento da indústria de transformação se deve ao desempenho de três segmentos especificamente: derivados de petróleo, produtos farmoquímicos e farmacêuticos e automóveis. Contudo, é importante destacar que a maior parte do setor continua enfrentando dificuldades, uma vez que apenas sete dos 24 segmentos estão crescendo”, pondera Mario Sergio. Embora também sofra com os efeitos da política monetária, a indústria da construção deve ser impulsionada por iniciativas do governo, como a ampliação do Sistema Financeiro da Habitação, mudanças nas regras do crédito imobiliário, programa Reforma Casa Brasil e continuidade dos investimentos em infraestrutura. Por isso, a CNI reviu a projeção de crescimento do setor de 1,3% para 1,5%. A expectativa de outra safra recorde — puxada pela soja — e o avanço da produção animal devem contribuir para o crescimento da agropecuária, de acordo com a CNI. Apesar do encarecimento de insumos por conta da guerra no Oriente Médio, o setor tende a crescer 1,8% em 2026. A expectativa anterior era de alta de 1,1%. Vale lembrar que, no fim do ano passado, a perspectiva para o setor era de estagnação. O setor de serviços foi o único a ter a estimativa de crescimento diminuída, de 2,1% para 1,9%. Ainda que o segmento de informação e comunicação, as vendas do varejo e o mercado de trabalho continuem sustentando o setor, bem como medidas de estímulo ao consumo — entre elas a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda — alguns fatores limitam o desempenho dos serviços. Destacam-se o aumento do endividamento e da inadimplência das famílias e a manutenção dos juros altos, que desestimulam a demanda. A CNI aumentou de 4,4% para 5% a projeção de avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026. A revisão se explica, sobretudo, pela elevação dos preços dos alimentos e dos combustíveis, além da persistência da inflação de serviços. Em relação às contas públicas, a CNI prevê aumento real de 5,8% da receita líquida federal. O crescimento da arrecadação, porém, será acompanhado pelo avanço dos gastos. A expectativa é que as despesas federais subam 4,5% acima da inflação. Nesse cenário, o déficit do governo deve alcançar cerca de R$ 55,3 bilhões — patamar semelhante ao registrado em 2025. Com as contas fechando no vermelho, a dívida pública deve fechar 2026 em 82% do PIB, o que representaria um aumento de 10,3 pontos percentuais do endividamento em dez anos. A CNI acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central vai realizar somente dois cortes de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, levando-a de 14,25% para 13,75%. A projeção do Informe Conjuntural do 1º Trimestre para a Selic ao fim de 2026 era de uma taxa de 12,75%. “Vale destacar que a taxa de juros neutra, que é aquela que não retrai nem incentiva o crescimento econômico, está em 5%. Se as nossas projeções se confirmarem, os juros reais fechariam 2026 em torno de 9,2%, o que representa uma política monetária extremamente contracionista”, aponta Mario Sergio. Nesse cenário, espera-se que a balança comercial registre superávit de US$ 77,9 bilhões, o que representaria alta de 30,4% na comparação com 2025.
CNI
Segunda prévia do IGP-M tem deflação de 1,11%
Atacado puxa resultado com recuo de 1,72%
Após subir 0,26% na segunda prévia de junho, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), usado para calcular aluguel, caiu 1,11% na segunda prévia de julho, informou na terça-feira (21) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Foi menor taxa, para segunda prévia, desde junho de 2023 (-1,78%). Para André Braz, economista da fundação responsável pelo indicador, uma combinação de fatores sazonais levou ao recuo. Segundo ele, o resultado da segunda prévia sinaliza que o IGP-M deve fechar em deflação, em julho. Mas a queda não deve prosseguir em agosto, devido às incertezas, em cenários de preços. Entre elas, o novo tarifaço do governo dos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras. “Foi uma trégua na inflação”, resumiu Braz. Ao detalhar os fatores sazonais que levaram à queda, o economista citou a evolução de preços no setor atacadista, que representa 60% do IGP-M. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) passou de -0,84% para -1,72% da segunda prévia de junho para igual prévia em julho. “Temos uma sazonalidade de inverno que normalmente faz os índices de inflação caírem temporariamente”, disse. Isso porque o período invernal normalmente conta com boa oferta de commodities e de alguns produtos agrícolas. “Como o IPA não tem serviços, o indicador atacadista é mais sensível a produtos agrícolas e industriais”, afirmou. No atacado, os preços dos produtos agropecuários saíram de alta de 0,24% para queda de 0,43% da segunda prévia de junho para igual prévia em julho. Já a deflação de preços industriais intensificou, de -1,19% para -2,13%, no mesmo período. Boas ofertas em batata inglesa, tomate e milho levaram a recuos de 23,8%, de 31,58% e de -2,35%, respectivamente, nesses itens. “Foi uma queda significativa na parte agrícola”, disse. O recuo de preços industriais se intensificou de -1,19% para -2,13%, favorecido por minério de ferro (queda de 4,14%). A variação de preços do varejo, que responde por 30% do IGP-M, representado pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), passou de 0,40% para 0,12%. “Tomate e batata, que estão com queda de preço no atacado também estão com recuo de preços no varejo”, disse. Entre principais recuos de preço no varejo estão tomate (-12,92%) e batata inglesa (-8,56%). O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), 10% do IGP-M, acompanhou a trajetória de desaceleração de preços, notada no varejo, completou. Esse componente, que representa inflação na construção civil, saiu de alta de 0,91% para aumento de 0,66%, da segunda prévia de junho para igual prévia em julho. “A maioria dos materiais de construção mostraram preços com variação negativa”, disse Braz. O economista reiterou que o cenário delineado na segunda prévia de julho, de queda de preços, não deve durar. “Teremos, a partir de agosto, efeitos de novas tarifas do governo americano e ainda temos que lidar com questões de embargos à carne brasileira no mercado europeu”, lembrou. “Tem uma série de confusões ainda por vir que podem mudar o tom e a magnitude da inflação. Mas até lá temos uma trégua”, disse. O IGP-M acumula altas de 2,13% no ano e de 2,81% em 12 meses até segunda prévia de julho.
VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS
Sem propostas, marca Chapecó pode voltar a leilão
Justiça decretou falência da companhia em 2005; marca é avaliada em R$ 80 milhões
Mais de duas décadas após o início do processo de falência da Chapecó Alimentos, uma das maiores agroindústrias brasileiras nos anos 1990 e concorrente de Sadia e Perdigão antes da criação da BRF, a massa falida da companhia ainda busca um destino para parte dos ativos remanescentes. No mais recente leilão, que foi realizado pela plataforma Positivo Leilões e se encerrou em junho, a marca Chapecó não recebeu propostas nem mesmo quando o preço mínimo caiu para 30% do valor de avaliação, segundo os administradores judiciais do caso. A marca foi avaliada em R$ 80 milhões. “A possibilidade de aquisição por 30% do valor costuma facilitar a venda. Mesmo com essa possibilidade, não houve interessados”, disse Rafael Brizola, da Brizola e Japur Administração Judicial, síndica adjunta da massa falida da Chapecó Alimentos. Segundo os administradores, os bens não operacionais remanescentes — o que inclui a marca — já passaram por algumas tentativas de venda. Parte dos ativos já encontrou novos donos, mas alguns permaneceram sem compradores. Na rodada mais recente, ocorreu a venda de apenas um bem. No caso da marca Chapecó, os administradores estão prospectando interessados e tentando descobrir se há interesse efetivo por ela. “Houve uma procura muito grande, com cerca de 10 mil acessos aos sites dos três leiloeiros responsáveis”, afirmou Brizola. Agora, os leiloeiros consideram eventuais ofertas abaixo do desconto de 30%, que poderão servir como referência para futuras negociações e ajudar a definir o valor que o mercado está disposto a pagar pela marca. “Não existe a opção de não vender”, disse Brizola. De acordo com Marcos Andrey de Sousa, da Cavallazzi, Andrey, Restanho & Araujo Advocacia, também responsável pelo caso, já ocorreu a venda de todas as unidades operacionais, com exceção da planta de Santa Rosa (RS), atualmente arrendada à Alibem. A negociação do ativo depende da conclusão de uma disputa judicial que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Essa é a única unidade que ainda aguarda julgamento. Não podemos vendê-la enquanto a Justiça não decidir”, disse. No caso dos bens não operacionais, as vendas totalizaram cerca de R$ 610 milhões. Além do ativo de Santa Rosa, permanecem na massa falida alguns imóveis classificados como não operacionais, localizados em Bauru e Amparo (SP), além da própria marca Chapecó.
VALOR ECONÔMICO
SUÍNOS & FRANGOS
Unidade de suínos da Coopavel completa 10 anos e recebe aporte de R$ 100 milhões
Maior da América Latina, granja em Cascavel (PR) ampliará plantel para 20 mil matrizes até 2027, elevando a capacidade de abate da cooperativa para 720 mil animais por ano
A Unidade de Produção de Leitões 02 (UPL 02) da Coopavel, localizada no distrito de Juvinópolis, em Cascavel (PR), celebra dez anos de operações no dia 27 de julho consolidada como a maior granja de suínos da América Latina. O marco reforça a liderança do Oeste paranaense e da Região Sul na produção de proteína animal e na garantia da segurança alimentar do país. Atualmente, a UPL 02 responde por uma capacidade anual de produção superior a 600 mil suínos destinados ao abate, gerando cerca de 78 mil toneladas de carne por ano. O volume equivale ao consumo anual de aproximadamente 25% da população do Paraná. Para sustentar o plano de crescimento e fornecer animais de alto desempenho aos cooperados, a Coopavel está executando um projeto de ampliação na unidade com previsão de conclusão para 2027. O investimento supera os R$ 100 milhões. Plantel de matrizes: A quantidade de fêmeas reprodutoras saltará de 12 mil para 20 mil matrizes. Capacidade de abate: O volume diário de abate da cooperativa passará de 1,8 mil para 3 mil animais/dia. Produção anual: A capacidade total de abate atingirá 720 mil cabeças por ano. O presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, destaca que o empreendimento reflete uma visão estratégica focada no desenvolvimento econômico e produtivo dos associados por meio de genética de ponta. Com 254 hectares de área total e 140 mil metros quadrados de área construída, a UPL 02 opera com um plantel de fêmeas puras da linhagem AG1020 para a produção de matrizes de reposição, visando otimizar o ganho de peso diário, a conversão alimentar e o rendimento de carcaça. Segundo Marcos Sipp, gerente executivo de suinocultura da Coopavel, a operação adota genética líquida, automação e tecnologias voltadas ao bem-estar animal. A biosseguridade é mantida por meio do sistema de rebanhos fechados, o que reduz a necessidade de intervenções vacinais e medicamentosas e maximiza o potencial reprodutivo do plantel. A responsabilidade ambiental é outro pilar da unidade. Mais de R$ 15 milhões foram investidos em equipamentos de última geração para o tratamento de efluentes sanitários e operacionais. Reúso de água: Após o tratamento de última geração, a água tratada retorna ao sistema para a higienização de canaletas e instalações, poupando a captação de água potável. Energia limpa: Os dejetos suínos são processados em biodigestores para a geração de biogás e energia elétrica, suprindo a maior parte da demanda energética das próprias instalações da granja.
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