
Ano 11 | nº 2728 | 09 de junho de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi inicia semana em ritmo lento
Frango e suíno sobem no mercado atacadista
Pelos dados da Scot Consultoria, no interior de São Paulo, o boi gordo sem padrão-exportação segue valendo R$349,00/@, o “boi-China” está cotado em R$ 355/@, a vaca gorda é negociada por R$ 320/@ e a novilha terminada sai por R$ 332/@ (todos os preços são brutos e com prazo). O mercado do boi gordo iniciou a semana com estabilidade nas cotações das praças paulistas. Segundo análise divulgada na segunda-feira (8) no informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, o volume de negociações permaneceu reduzido em razão do ritmo mais lento tradicional das segundas-feiras, aliado a menor demanda e aos reflexos do feriado de Corpus Christi, celebrado na última quinta-feira (4). De acordo com a Scot Consultoria, a desaceleração das compras por parte da indústria contribuiu para manter inalteradas as cotações de todas as categorias de bovinos destinados ao abate. As escalas de abate permaneceram, em média, em oito dias, indicando relativa estabilidade na programação dos frigoríficos. No mercado de Alagoas, a Scot Consultoria informou que as cotações também permaneceram estáveis para todas as categorias negociadas. Já no mercado atacadista da carne com osso, o escoamento da carne bovina no varejo apresentou melhora com a entrada dos salários na economia. Apesar disso, a formação de estoques ocorreu de maneira moderada, refletindo a cautela dos compradores. A menor oferta de carne, consequência da redução dos abates durante o feriado prolongado, também influenciou o comportamento do mercado. Nesse cenário, as carcaças casadas registraram movimentos distintos. A cotação da carcaça casada do boi capão permaneceu estável, enquanto a do boi inteiro recuou 0,6%, equivalente a R$ 0,15 por quilo. Entre as fêmeas, houve valorização das carcaças. A carcaça casada da vaca apresentou alta de 1,4%, ou R$ 0,30 por quilo, enquanto a da novilha avançou 0,7%, correspondente a R$ 0,15 por quilo. Para os próximos dias, a expectativa da Scot Consultoria é de melhora nas vendas, sustentando preços firmes no mercado da carne bovina. No segmento das proteínas alternativas, o movimento foi de alta. A cotação do frango médio subiu 4,4%, equivalente a R$ 0,27 por quilo, enquanto o suíno especial registrou valorização de 2,3%, ou R$ 0,20 por quilo.
SCOT CONSULTORIA
Arroba do boi inicia a semana em alta, mas tende a diminuir
Analista pontua que indústrias já passam a reduzir produção de carne destinada à China
O mercado físico do boi gordo teve uma segunda-feira de preços mais altos. Contudo, o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias pontua que algumas indústrias já sinalizam para mudanças do perfil de abate, reduzindo a produção destinada à China, com mudanças importantes no programa de bonificação. “Nos próximos dias, tende a sair o alerta por parte do governo chinês de que 80% da cota brasileira foi preenchida, o que pode levar outras indústrias a adotarem a mesma postura”, ressalta, em referência à cota de 1,1 milhão de toneladas concedida pelo gigante asiático às exportações de carne bovina brasileira para lá. Iglesias ainda destaca que o mercado acompanha atentamente os desdobramentos em torno da proibição da importação de produtos de origem animal do Brasil por parte da União Europeia e a questão sanitária nos Estados Unidos, com mais casos da mosca-da-bicheira (Cochliomyia hominivorax). Média da arroba do boi gordo: São Paulo: R$ 358,50. Goiás: R$ 336,96. Minas Gerais: R$ 335,29. Mato Grosso do Sul: R$ 354,89. Mato Grosso: R$ 359,26. O mercado atacadista, por sua vez, apresentou preços firmes durante o dia. De acordo com Iglesias, esse movimento está lastreado na boa reposição entre atacado e varejo durante a primeira quinzena do mês. “Além disso, a expectativa de consumo em junho permanece favorável em função dos jogos da seleção brasileira. A carne bovina ainda perde em competitividade na comparação com as proteínas concorrentes, principalmente em relação com a carne de frango”, diz. Quarto dianteiro: R$ 21,70 por quilo. Ponta de agulha: R$ 19,70 por quilo. Quarto traseiro: R$ 27,00 por quilo.
SAFRAS NEWS
Arroba firme em junho, mas mercado exige atenção
O mercado da arroba do boi gordo encerrou maio em queda, mas virou junho firme e deve se sustentar nos próximos 20 dias. A avaliação é de Alcides Torres, da Scot Consultoria.
No radar, dois alertas. A União Europeia confirmou o bloqueio à carne brasileira, alegando falta de rastreabilidade no uso de antimicrobianos. Para o analista, a exigência é desproporcional e seletiva: o Brasil exporta para praticamente todos os mercados mundiais justamente porque produz com baixo uso de insumos, e isso incomoda concorrentes subsidiados. Do lado da China, há uma limitação para 1,1 milhão de toneladas devido a cota, com tarifas extras se o volume for ultrapassado. Somado ao bloqueio europeu, o Brasil pode ter até 600 mil toneladas de carne sem destino externo, volume que pressiona o mercado interno e pode frear o movimento de alta de preços para o boi gordo. A recomendação para o pecuarista: quem tem margem, realiza lucro. E além do preço absoluto da arroba, vale monitorar a relação de troca com o bezerro, indicador que pode revelar oportunidades mesmo em momentos de volatilidade.
SCOT CONSULTORIA
Carne bovina inicia junho com preços mais altos e embarques de 62 mil toneladas
Receita das exportações supera US$ 412 milhões na primeira semana do mês
Na primeira semana do mês, o Brasil exportou 62,59 mil toneladas de carne bovina in natura, com receita de US$ 412,15 milhões. O preço médio da tonelada exportada alcançou US$ 6.585, acima dos US$ 5.448 registrados em junho de 2025. Além da alta nos preços, os embarques mantiveram ritmo elevado. A média diária exportada foi de 15,64 mil toneladas na primeira semana de junho, frente às 12,05 mil toneladas observadas em junho do ano passado. O faturamento médio diário somou US$ 103,03 milhões na primeira semana de junho. No mesmo período de 2025, a média diária havia sido de US$ 65,66 milhões. O volume total exportado na primeira semana de junho alcançou 62,59 mil toneladas. Em junho de 2025, o volume acumulado registrado foi de 241,04 mil toneladas. Na comparação das médias diárias, os embarques passaram de 12,05 mil toneladas para 15,64 mil toneladas.
SECEX/MDIC
ECONOMIA
Dólar sobe pela terceira sessão seguida no Brasil, para R$5,1811
O dólar encerrou a segunda-feira em alta no Brasil, pela terceira sessão consecutiva, em um dia em que o noticiário sobre a guerra no Oriente Médio esteve novamente no centro das atenções.
A moeda norte-americana à vista fechou com alta de 0,50%, aos R$5,1811, maior cotação desde 30 de março, quando atingiu R$5,2461. No ano, o dólar passou a acumular baixa de 5,61%. Às 17h02, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,20% na B3, aos R$5,2105. No Oriente Médio, enquanto Israel atingiu uma usina petroquímica no sudoeste iraniano e alvos em outras localidades, o Irã atacou com mísseis uma instalação na cidade israelense de Haifa. Posteriormente, os dois países anunciaram uma suspensão dos ataques após um apelo do presidente dos EUA, Donald Trump, para que parassem imediatamente com os disparos. No entanto, Teerã afirmou que retomará os ataques caso Israel siga atingindo o Hezbollah, seu aliado, no Líbano. Neste cenário, o dólar alternou altas e baixas ante o real em diferentes momentos da sessão. Após marcar a cotação mínima de R$5,1316 às 9h37, a moeda à vista atingiu a máxima de R$5,1964 (+0,79%) às 11h17. O avanço do dólar ante o real, que prevaleceu durante a tarde, esteve em sintonia com a alta da moeda norte-americana ante o peso chileno e a rupia indiana. Por outro lado, o dólar sustentou baixas ante o rand sul-africano e o peso mexicano. Às 17h13, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — caía 0,07%, a 100,010. No boletim Focus divulgado mais cedo pelo Banco Central, a projeção mediana dos economistas do mercado para o dólar no fim deste ano no Brasil passou de R$5,16 para R$5,15. Já a taxa básica Selic projetada para 2026 passou de 13,25% para 13,50%, enquanto a expectativa para o fim de 2027 foi de 11,25% para 11,50%.
REUTERS
Ibovespa recua com pressão de Vale em dia de volume reduzido
No setor de proteínas, MBRF ON fechou em queda de 1,46%, em pregão negativo no setor. MINERVA ON perdeu 1,09%. O UBS BB cortou o preço-alvo das ações da MBRF para R$19 ante R$22, enquanto reiterou recomendação neutra.
O Ibovespa fechou com uma queda modesta na segunda-feira, pressionado principalmente pelas ações da Vale, em pregão sem viés claro e com volume reduzido. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,21%, a 168.668,72 pontos, tendo marcado 168.129,61 na mínima e 169.645,78 na máxima do dia. O mercado ficou “um pouco lateralizado” na segunda-feira, enquanto investidores aguardam novos catalisadores para determinar um movimento mais relevante, na visão do sócio fundador da Ciano Investimentos Lucas Sigu. “Nós estamos esperando alguma informação”, afirmou, destacando que o Ibovespa já subiu e já caiu bastante em relação às máximas registradas em abril. Desde que renovou as máximas históricas em abril, quando alimentou expectativas de alcançar a marca inédita de 200 mil pontos, o Ibovespa já perdeu 15%, em movimento puxado principalmente pelo fluxo negativo de estrangeiros na bolsa paulista. No exterior, o barril do petróleo sob o contrato Brent fechou em alta de 1,3%, a US$94,25, reduzindo o fôlego em relação ao começo da sessão, quando saltou mais de 5% na esteira da troca de ataques entre Irã e Israel. O alívio acompanhou declarações de Irã e Israel de que haviam interrompido os ataques um contra o outro, após um apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou em alta de 0,3%.
REUTERS
Economistas elevam projeções para Selic e inflação em 2026 e 2027 no Focus
Economistas ouvidos pelo Banco Central elevaram suas estimativas para a taxa básica de juros e para a inflação neste ano e no próximo, de acordo com o boletim Focus, divulgado na segunda-feira pela autoridade monetária.
Já a expectativa de inflação para 2028 — que vem sendo apontada como foco de preocupação pelas autoridades do Banco Central — apresentou leve recuo. Os participantes do mercado passaram a ver a Selic ao final deste ano em 13,50% ao ano, ante 13,25% na semana anterior, enquanto para 2027 a mediana das estimativas ficou em 11,50%, ante 11,25% na semana anterior. O Focus mostrou ainda que os economistas ainda esperam que o Comitê de Política Monetária do Banco Central mantenha a Selic em 14,25% em sua próxima reunião na semana que vem. Já para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência para o regime de metas de inflação, a estimativa dos economistas ficou em 5,11% ao final deste ano, ante 5,09% na semana anterior, na décima terceira semana seguida de elevação nesta projeção, ao passo que, para 2027, as contas foram para 4,03%, ante 4,02%.
Para 2028, a projeção para o IPCA foi a 3,65%, de 3,66% na semana anterior. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o diretor de Política Monetária, Nilton David, destacaram recentemente desconforto com a desancoragem das expectativas de inflação para 2028, reforçando que a autoridade monetária agirá para assegurar o cumprimento da meta. A meta contínua de inflação perseguida pelo BC é de 3,00% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Ou seja, as estimativas dos economistas para este ano colocam o IPCA acima do teto da meta e, para os dois anos subsequentes, acima do centro da meta. Os participantes da pesquisa também ajustaram suas estimativas para a taxa de câmbio neste ano para R$5,15 por dólar, ante R$5,16 na semana anterior, e reduziram a estimativa para o ano que vem para R$5,20, ante R$5,25. As contas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano ficaram em 1,91%, ante 1,90% na semana anterior, enquanto para 2027 a projeção foi mantida em 1,70%.
REUTERS
GOVERNO
Governo tenta reverter decisão da UE sobre carnes brasileiras
Representantes de alguns setores produtivos acham que o embargo é “irreversível”. A UE oficializou a retirada do Brasil da lista de exportadores de proteínas animais e derivados por não apresentar as garantias necessárias sobre o não uso de antimicrobianos nos animais
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou na segunda-feira (8/6) que o governo federal vai se empenhar para reverter a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países aptos a expor carnes e derivados para lá a partir de setembro. “O governo vai se empenhar nesse trabalho, houve uma retirada da lista do Brasil. Queremos que recoloque na lista, para todas as carnes. O trabalho será feito para retirar esse embargo tanto do frango quanto do porco, quanto dos bovinos. Vai ser feito um empenho. Tenho conversado com o ministro [da Agricultura] André de Paula, vamos trabalhar”, afirmou Alckmin na Bahia Farm Show, feira agropecuária realizada em Luis Eduardo Magalhães (BA). A UE oficializou a retirada do Brasil da lista de exportadores de proteínas animais e derivados por não apresentar as garantias necessárias sobre o não uso de antimicrobianos nos animais. A medida, se não for revertida, valerá a partir de 3 de setembro. No ano passado, as exportações dos produtos afetados pelo embargo somaram quase US$ 2 bilhões. O tema depende de negociações técnicas, mas já demanda o envolvimento do alto escalão político em Brasília. Na última sexta-feira (5/6), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tratou do tema com o Comissário de Comércio da UE, Maros Sefcovic, em Paris, e reforçou a necessidade de manter “canais de diálogo ágeis” para tratar de problemas como esses, disse uma fonte. As negociações técnicas que se intensificaram desde 12 de maio, quando o comitê responsável pelo tema na UE já havia informado sobre a retirada do Brasil da lista. Houve várias trocas de informações entre o Ministério da Agricultura e as autoridades sanitárias do bloco europeu. Há uma percepção entre técnicos em Brasília de que houve uma onda de recrudescimento por parte da Europa em temas como esse por causa da entrada em vigor do acordo com o Mercosul. Por outro lado, eles admitem que houve demora pelo lado brasileiro na apresentação dos protocolos requisitados pelos europeus para comprovar o não uso desses insumos nas cadeias produtivas. As regras europeias foram publicadas em 2023. O regulamento que pedia a comprovação do controle é de outubro de 2024. A demora seria fruto, disse uma fonte, da negociação com a indústria nacional que produz esses medicamentos. Com o anúncio da retirada da lista, o Brasil apresentou aos europeus um protocolo privado para exportação de bovinos livres de antimicrobianos, que foi homologado recentemente pelo Ministério da Agricultura. Na avaliação de um técnico experiente, porém, a medida sinaliza “desespero” da Pasta e que não terá qualquer efeito prático junto aos europeus. O mecanismo atribui a uma associação privada a certificação de que os animais não receberam tratamento com os medicamentos ao longo de toda a vida, que seria validado oficialmente pelo Ministério da Agricultura. Novas informações foram enviadas na última semana para Bruxelas, disse outra fonte. O Brasil espera a avaliação europeia para entender se será necessário algum novo esclarecimento ou conversa, completou. Representantes de alguns setores produtivos, no entanto, acham que o embargo é “irreversível”. Para grandes frigoríficos, uma das opções para manter o comércio de carne bovina, por exemplo, será exportar a partir das plantas na Argentina e no Uruguai. O Brasil foi o único país do Mercosul afetado pelo embargo sanitário. Procurado desde a semana passada, o Ministério da Agricultura não respondeu. O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) afirmou, em nota, que as recentes restrições impostas pela União Europeia a estabelecimentos brasileiros exportadores de produtos de origem animal reforçam a necessidade de fortalecer a defesa agropecuária brasileira com a ampliação do quadro de servidores e da aplicação de recursos compatíveis com as responsabilidades assumidas pelo Brasil no comércio exterior. A entidade destacou que as exigências relacionadas aos controles sanitários e ao monitoramento de resíduos de antimicrobianos não são novidade. O tema já era apontado em auditorias internacionais realizadas ao longo dos últimos anos, disse o Anffa Sindical. “Este episódio demonstra que a manutenção desses mercados exige investimento permanente em fiscalização, auditoria, rastreabilidade e certificação oficial. Não basta conquistar mercados. É preciso preservar diariamente a confiança construída ao longo de décadas”, afirmou o presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo Macedo, na nota. Setor de proteínas animais A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou, em nota, que a decisão da União Europeia de manter o Brasil fora da lista de países autorizados a exportar determinadas carnes e derivados para o bloco não está relacionada a qualquer problema sanitário do país ou ao uso inadequado de antimicrobianos. A entidade salientou que a decisão é motivada por questões de monitoramento, controle e fiscalização do uso desses produtos nas cadeias produtivas. A entidade disse que reconhece a legitimidade de iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas ponderou que os requisitos sanitários e regulatórios aplicados ao comércio internacional devem ser fundamentados em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio.
VALOR ECONÔMICO
SUÍNOS & FRANGOS
Suíno vivo segue pressionado no Brasil, enquanto APCS aponta estabilidade em SP
Cepea registra menor média real desde julho de 2012 em maio, e indicadores de junho mostram pressão em estados produtores.
O mercado de suínos entrou em junho ainda pressionado no Brasil e em São Paulo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações do suíno vivo e da carne suína recuaram em maio pelo terceiro mês consecutivo, influenciadas pela baixa demanda interna e externa. Para o suinocultor, o cenário exige atenção às margens, aos custos e ao ritmo de comercialização. Na praça SP-5, a média do animal vivo em maio foi a menor, em termos reais, desde julho de 2012, considerando a série histórica do Cepea. Já a Bolsa de Suínos da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS) indicou estabilidade nos primeiros dias de junho, com o suíno vivo cotado a R$ 5,65/kg. De acordo com pesquisadores do Cepea, a demanda chegou a melhorar perto do Dia das Mães, celebrado em 10 de maio. A data costuma elevar a procura por carnes e, em alguns momentos, também contribui para aquecer a demanda pelo animal vivo. No entanto, o movimento positivo não se sustentou nas semanas seguintes. Com a procura mais fraca, os preços voltaram a registrar quedas consecutivas, pressionando o mercado do suíno vivo em diferentes regiões acompanhadas pelo centro de pesquisas. A demanda externa também teve retração no período. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), considerados pelo Cepea, mostram queda de 15% na média diária dos embarques de maio, nos primeiros 15 dias úteis, em relação à média de abril. Segundo pesquisadores do centro, o setor suinícola nacional tem priorizado as vendas externas neste ano como forma de escoar a oferta de carne e tentar estimular reação nas cotações internas. Os dados do Cepea referentes a 5 de junho mostram que o suíno vivo seguia pressionado em importantes estados produtores. Em São Paulo, o indicador ficou em R$ 5,26/kg, com queda diária de 0,38% e recuo mensal de 0,75%. Em Minas Gerais, o suíno vivo foi cotado a R$ 5,58/kg, com queda de 0,18% no dia e baixa de 0,71% no mês. No Paraná, o valor ficou em R$ 4,61/kg, com retração diária de 0,65% e queda mensal de 2,33%. No Rio Grande do Sul, o indicador foi de R$ 4,93/kg, estável no dia, mas com recuo de 3,71% no mês. Em Santa Catarina, a cotação ficou em R$ 4,73/kg, também estável no dia e com baixa mensal de 3,27%. No atacado, a carcaça suína especial apresentou comportamento mais estável no começo de junho. Segundo o Cepea, o preço médio ficou em R$ 8,71/kg em 5 de junho, sem variação diária e com alta de 0,93% no mês. O movimento indica que a pressão foi mais intensa sobre o animal vivo do que sobre a carne no atacado. No mercado paulista, a Bolsa de Suínos da APCS mostrou estabilidade para o suíno vivo nos primeiros dias de junho. Nos dias 1º, 2 e 3 de junho, o indicador permaneceu em R$ 5,65/kg. A carcaça resfriada também manteve referências próximas no período. Em 1º e 2 de junho, os valores ficaram entre R$ 8,40/kg e R$ 9,60/kg. No dia 3, a referência passou para R$ 8,60/kg a R$ 9,60/kg. O levantamento da APCS também mostra recuo no milho, importante insumo da alimentação animal. A saca de 60 kg passou de R$ 64,91 em 1º de junho para R$ 64,54 em 3 de junho. No mesmo intervalo, o boi gordo avançou de R$ 349,70/@ para R$ 352,30/@.
CEPEA E APCS
Exportações de aves e de suínos batem recorde
Segundo a ABPA, pela primeira vez, receita com exportação de carne de frango superou US$ 1 bilhão em um mês. China se manteve como o principal comprador da carne de frango brasileira
As exportações brasileiras de carne de frango in natura e processada ultrapassaram pela primeira vez a marca de US$ 1 bilhão em um único mês. Em maio, a receita com os embarques somou US$ 1,009 bilhão, alta de 36,1% em comparação com os US$ 741,2 milhões do mesmo período de 2025, informou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O Brasil embarcou 509,9 mil toneladas de carne de frango, um recorde para o mês de maio e alta de 29,6% no comparativo anual. Segundo a entidade, a base de comparação foi baixa, pois os embarques de maio de 2025 foram afetados por um caso de gripe aviária de em uma granja comercial no Rio Grande do Sul. Entre janeiro e maio de 2026, as exportações de frango somaram 2,453 milhões de toneladas, avanço de 8,7%. A receita acumulada no período alcançou US$ 4,714 bilhões, crescimento de 11,3% em relação ao mesmo período de 2025.
“Mesmo diante das tensões no Oriente Médio, o Brasil ampliou significativamente sua presença em mercados estratégicos e de valor agregado, como Japão, União Europeia, Coreia do Sul e China”, afirmou o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota. A ABPA informou ainda que as vendas externas de carne suína in natura e processada somaram 129,4 mil toneladas em maio, também o maior volume já registrado no mês e avanço anual de 9%. A receita alcançou US$ 302,1 milhões, recorde para maio, com aumento de 3,8% na comparação anual. Para Santin, os embarques seguem sustentados graças à diversificação de destinos para o produto. Em 2026 até maio, o Brasil exportou 661,7 mil toneladas de carne suína, alta de 13,1%. A receita acompanhou esse avanço ao atingir US$ 1,546 bilhão no período, aumento de 11,9% em relação a igual intervalo do ano passado.
GLOBO RURAL
imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br
POWERED BY NORBERTO STAVISKI EDITORA LTDA
Whatsapp 041 996978868
