CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2727 DE 08 DE JUNHO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2727 | 08 de junho de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo fechou semana estável

Frigoríficos mantêm cautela após feriado

O mercado do boi gordo manteve estabilidade nas cotações em São Paulo na sexta-feira (5), conforme análise do informativo “Tem Boi na Linha”, divulgado pela Scot Consultoria. Segundo a consultoria, os preços permaneceram inalterados em relação à quarta-feira (3), véspera do feriado de Corpus Christi, refletindo um ambiente de negociações mais lentas e com menor movimentação por parte dos frigoríficos. De acordo com a Scot Consultoria, o cenário foi marcado por poucas ofertas de compra de bovinos, mas sem aumento na disponibilidade de animais para abate. Parte das indústrias frigoríficas concedeu folga aos funcionários durante o feriado prolongado, enquanto outras optaram por aguardar o desempenho das vendas de carne antes de definir novas estratégias de compra. As escalas de abate permaneceram, em média, para oito dias, indicando relativa estabilidade na programação das plantas frigoríficas.

No Pará, a situação também foi de estabilidade. Conforme a análise da Scot Consultoria, as cotações não registraram alterações nas três principais praças pecuárias do estado em comparação aos valores observados na quarta-feira (3). Enquanto o mercado físico operava sem mudanças expressivas, as exportações brasileiras de carne bovina in natura apresentaram forte desempenho em maio. Dados analisados pela Scot Consultoria apontam que o volume embarcado alcançou 261,9 mil toneladas no mês, com média diária de 13 mil toneladas, resultado 26,2% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O preço médio da tonelada exportada foi de US$ 6,5 mil, avanço de 25,5% na comparação anual. Com isso, o volume total embarcado em maio ficou 20,2% acima do registrado no mesmo mês do ano passado. O faturamento alcançou US$ 1,7 bilhão, crescimento de 50,2% em relação a maio de 2025. Segundo a Scot Consultoria, tanto o volume exportado quanto a receita obtida representaram os maiores resultados já registrados para um mês de maio. Já o preço médio pago por tonelada foi o terceiro maior da série histórica e o mais elevado desde julho de 2022.

SCOT CONSULTORIA 

Boi gordo registra negócios acima da referência após feriado

Dificuldade das indústrias em compor escalas de abate sustenta preços, enquanto exportações seguem aquecidas e atacado volta a apresentar valorização

O mercado físico do boi gordo retomou os negócios após o feriado com negociações ocorrendo acima da referência média em diversas regiões do país. De acordo com a consultoria Safras & Mercado, os frigoríficos ainda enfrentam dificuldades para compor suas escalas de abate, movimento observado de forma generalizada, que tem contribuído para a sustentação dos preços da arroba. No mercado externo, as exportações brasileiras seguem em ritmo acelerado. As semanas que antecedem o preenchimento da cota chinesa têm sido marcadas por forte volume de embarques. A expectativa é de que as indústrias ajustem suas estratégias comerciais quando a China emitir o alerta de que 80% da cota brasileira foi utilizada. Além da demanda chinesa, os Estados Unidos continuam apresentando forte interesse pela carne bovina. O mercado acompanha com atenção as preocupações sanitárias relacionadas ao primeiro caso de parasita da mosca-da-berne registrado no país em décadas. Diante desse cenário, o mercado futuro norte-americano acumula dois pregões consecutivos de alta, refletindo os possíveis impactos da questão sanitária sobre a oferta de carne. No atacado, os preços voltaram a subir ao longo da primeira semana de junho. O movimento é atribuído à boa reposição entre atacado e varejo durante a primeira quinzena do mês. Também contribui para o cenário positivo a expectativa de aumento do consumo em função dos jogos da seleção brasileira, especialmente nas vésperas das partidas. Apesar da melhora da demanda, a carne bovina segue perdendo competitividade frente a proteínas concorrentes, principalmente a carne de frango. O quarto traseiro permanece cotado a R$ 27,00 por quilo. O quarto dianteiro avançou para R$ 21,70 por quilo, alta de R$ 0,20, enquanto a ponta de agulha foi precificada em R$ 19,70 por quilo, também com valorização de R$ 0,20.

SAFRAS NEWS

Arroba do boi gordo e da novilha sobe no Oeste da Bahia

Diferencial de base para o boi gordo em São Paulo ainda é 7,5% menor.

O mês de junho começou com redução na oferta de bovinos no Oeste baiano. Com isso, na comparação semanal, as cotações do boi gordo e da novilha subiram, enquanto a da vaca se manteve estável. A cotação do boi gordo registrou alta de 0,8%, ou R$2,50/@, negociada em R$319,50/@. Já a da arroba da novilha subiu 1,7%, ou R$5,00, apregoada em R$295,00. A vaca está negociada em R$285,50/@. O diferencial de base do boi gordo está em R$24,00/@, ou 7,5% menor na região em relação a São Paulo, onde a arroba está cotada em R$343,50.

Todos os preços são a prazo, descontados o Senar e o Funrural. No curto prazo, o viés é de alta.

SCOT CONSULTORIA

Frigoríficos começam a reduzir abates de boi China

Embarques de carne bovina foram acelerados em maio e reforçaram a perspectiva de que irá se esgotar em junho a cota chinesa, de 1,1 milhão de toneladas para o ano todo

Algumas plantas habilitadas para exportar aos chineses têm dado férias coletivas aos funcionários diante de incertezas do mercado

As exportações de carne bovina do Brasil para a China ganharam força em maio, somando 157,6 mil toneladas, e mexeram com a programação de alguns frigoríficos neste início de junho. Há relatos de encerramento ou diminuição de abates para produção destinada aos chineses em algumas unidades do país, apurou a reportagem. O ritmo mais forte dos embarques nos últimos meses já era esperado pelo setor. Os resultados apurados em maio reforçaram a perspectiva de esgotar a cota chinesa, de 1,1 milhão de toneladas em 2026, com as cargas que serão enviadas em junho. Por isso, algumas plantas já pisaram no freio. A redução na produção pode gerar reflexos nos preços do boi e da carne ao consumidor final, dizem pessoas a par do assunto. Do total embarcado em maio, 153,9 mil toneladas são de carne in natura, que entram na cota. O restante é de miúdos, cortes industrializados, gorduras e tripas. Uma fonte de um grande frigorífico disse que os abates de boi China, com a produção de cortes específicos destinados ao parceiro asiático, serão encerrados até o fim desta semana na companhia. Outras empresas vão manter as linhas até a semana que vem, afirmou. Algumas plantas habilitadas para exportar aos chineses têm dado férias coletivas aos funcionários diante de incertezas do mercado e em outras haverá paralisação de abates aos sábados para adequar os volumes, relatou. “Todos estavam esperando por esta semana, mas agora a dúvida é como será daqui para a frente”, disse a fonte, sob reserva. Ela relatou que, com o atual preço da arroba do boi e de venda de carne para o mix de destinos (China, Estados Unidos e Chile), a margem dos frigoríficos apertou. “Vamos dar férias em plantas onde a margem já está zero e não tem sentido produzir”, disse. “Ou o mercado se ajusta ou reduz a produção”, completou. “[Alguns frigoríficos] estão encerrando as produções de agora até os próximos 15 dias. Acredito que o final da cota será já agora no início de julho”, disse o dono de um frigorífico. Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, confirmou o movimento e disse que o aumento da ociosidade na indústria deve levar ao recuo na arroba do boi no mercado interno. “Estamos nos últimos dias da cota para a China e o setor está fazendo preparativos para se adequar à realidade de uma menor exportação”, disse à reportagem. “Já há um processo de movimentação dentro das indústrias que estão revisando inclusive os programas de bonificação para o animal padrão China. Nos próximos dias, o Brasil deverá receber o alerta de que 80% da cota foi preenchida e esse será um gatilho importante para que as indústrias parem de produzir para o mercado chinês”, acrescentou. Os embarques de carne bovina para os chineses ainda são considerados seguros por fontes do setor até a terceira ou quarta semana de junho. Frigoríficos mais distantes dos portos devem encerrar abates de boi China antes de 20 de junho para não correr riscos. A indústria terá uma “virada de chave” e deve priorizar a produção para Chile e Estados Unidos. Nos cálculos de uma fonte, restariam cerca de 100 mil toneladas para serem embarcadas dentro da cota, sem a aplicação da sobretaxa de 55%. Isso porque a China considerou a entrada de 612,9 mil toneladas de carne bovina brasileira de janeiro a abril, 55,4% do volume autorizado para todo o ano. Parte das cargas de carne bovina in natura embarcadas em março (102 mil toneladas) e todo volume enviado em abril (135,5 mil toneladas) e maio (153,9 mil) ainda estão em trânsito e serão contabilizadas pela China a partir de junho. Com isso, o espaço a ser preenchido da cota seria de 101,7 mil toneladas, volume que será enviado em junho e chegará ao país asiático até a terceira semana de agosto. Mas a opinião não é unânime. O executivo de outro frigorífico avaliou que há espaço para embarques até o fim de julho, sem extrapolar a cota e pagar tarifa extra. O dirigente de uma grande companhia avaliou que ainda há segurança para exportar 200 mil toneladas em junho e julho. Nos cálculos dele, a maior parte do volume embarcado em março já teria sido internalizado pela China e abriria essa margem. A viagem de navio dura cerca de 45 dias. As previsões poderão ser confirmadas no fim deste mês, quando o Ministério do Comércio da China (Mofcom, na sigla em inglês) divulgará novos dados sobre o preenchimento da cota até maio.

GLOBO RURAL

UE atualiza regulamento e mantém Brasil fora da lista de exportadores

Bloco divulgou um documento consolidando a regulamentação relacionada ao uso de antimicrobianos na produção animal. Avaliação do governo e do setor privado é da de que bloqueios da União Europeia têm como principal alvo a carne bovina

A União Europeia publicou na sexta-feira (5/6), em seu Diário Oficial, o novo regulamento de execução sobre a aplicação de restrições ao uso de medicamentos antimicrobianos. O Brasil permanece fora da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados para consumo humano para o bloco a partir de 3 de setembro deste ano. O documento unifica regras previstas em atos anteriores e atualiza a lista de países que não deram garantias de controle sobre a ausência de antimicrobianos nos produtos exportados aos europeus. Na prática, oficializa a decisão que o Comitê Permanente das Plantas, dos Animais, dos Alimentos e dos Alimentos para Animais havia tomado em 12 de maio. A UE proíbe a importação de carnes e derivados de animais para consumo humano que receberam antibióticos para promover o crescimento ou aumentar o rendimento, ou produtos que contenham o medicamento na lista de itens reservados para o tratamento de determinadas infecções em humanos. As regras valem para bovinos, ovinos ou caprinos, suínos, equinos, aves, animais aquícolas, leite, ovos, coelhos, carne de caça, mel e tripas. No documento, a UE diz que o Brasil não forneceu informações à Comissão Europeia que garantam que o país implementou as medidas necessárias para assegurar o cumprimento, até 3 de setembro de 2026, dos requisitos sobre não uso de antimicrobianos para bovinos, equinos, aves, aquicultura, mel e tripas. As regras europeias foram publicadas em 2023. O regulamento que pedia a comprovação do controle é de outubro de 2024. Nas últimas semanas, após a decisão do comitê, publicada oficialmente nesta sexta-feira, autoridades brasileiras têm tentado convencer os europeus a reverterem a proibição às exportações do Brasil ao bloco a partir de setembro. O ponto mais crítico é a carne bovina, dizem fontes, mas as conversas sobre controles para aves, pescados e mel também não evoluíram. Na semana passada, o Ministério da Agricultura apresentou aos europeus o protocolo privado para exportação de bovinos livres de antimicrobianos, que foi homologado recentemente. O mecanismo, de adesão voluntária, faz acompanhamento de toda a vida do animal, do nascimento ao abate, para certificar que ele não recebeu tratamento com nenhum medicamento proibido pela UE. Os europeus não têm mostrado disposição em aceitar os argumentos do Brasil, disse uma fonte. Mesmo que o protocolo privado seja aceito, não há tempo hábil para certificação de nenhum animal até setembro. A Austrália informou à Comissão que não tem interesse em continuar exportando ovos para a União Europeia e teve a autorização retirada para esse produto. O mesmo ocorreu com as Ilhas Malvinas em relação a peixes e a Ucrânia em relação a carne de coelho. O Brasil é o único país citado que não forneceu as informações necessárias a tempo. São 92 países ou regiões habilitados para a exportação de ao menos um produto animal para a UE, de acordo com o novo regulamento de execução, de acordo com as regras e garantias de não uso de antimicrobianos.

VALOR ECONÔMICO

Reino Unido pode restringir carnes do Brasil por uso de antimicrobianos

País saiu da União Europeia em 2020, mas trabalha para harmonizar regras sanitárias com o bloco. Reino Unido pode aumentar exigências para produtos de origem animal do Brasil

Não é só o mercado da União Europeia que o Brasil poderá perder a partir de setembro deste ano por não apresentar suas medidas de controle para evitar o uso de antimicrobianos. O Reino Unido, que saiu do bloco em 2020, tem buscado um realinhamento regulatório em termos sanitários e fitossanitários, e aplicará essas exigências ao Brasil. Um ofício enviado na semana pelo Ministério da Agricultura aos auditores fiscais agropecuários que atuam nas plantas sob inspeção federal reforçou que os procedimentos aplicados para atender à legislação da UE também se aplicam ao Reino Unido. As medidas valem para a certificação de carne de aves e seus produtos, carne bovina e seus produtos, carne de equinos, envoltórios, pescado, mel, ovos e ovo produtos. “A partir de 3 de setembro de 2026, inclusive somente poderão ser certificados para a União Europeia e Reino Unido produtos considerados elegíveis aos requisitos relacionados ao uso de antimicrobianos previstos na legislação europeia. A referida data refere-se à emissão da certificação sanitária internacional na origem, independentemente da data de chegada da consignação ao país de destino”, diz o documento obtido pela reportagem. A oficialização da medida e a falta de avanços concretos nas tratativas entre Brasília e Bruxelas até agora indicam dificuldade de convencer os europeus a mudarem de ideia. O governo brasileiro espera reverter a decisão da UE, mas enfrenta barreiras. O comitê técnico que avalia o tema só se reunirá em outubro, após a entrada em vigor do embargo. Será preciso convencer que o colegiado realize um encontro extraordinário. Em Brasília, a avaliação é que o assunto possa demandar atenção política além da questão técnica. O tema pode chegar ao Palácio do Planalto para eventual gestão direta com a Comissão Europeia. Fontes a par do assunto veem barreira comercial e injustificável da UE, ainda mais depois da entrada em vigor do acordo com o Mercosul, em 1° de maio. O Ministério da Agricultura pediu “respeito” e disse que o Brasil segue o mais alto padrão sanitário na sua produção. No ofício desta semana, a área técnica do Ministério da Agricultura informou que os estabelecimentos habilitados para exportar as proteínas animais para a UE e para o Reino Unido devem implementar controles auditáveis capazes de demonstrar o atendimento aos requisitos relativos ao uso de antimicrobianos previstos na legislação europeia. Esses controles devem assegurar, no mínimo, a rastreabilidade das matérias-primas, animais ou produtos recebidos; a manutenção dos registros utilizados como suporte à elegibilidade dos produtos; os mecanismos de identificação e segregação de produtos elegíveis e não elegíveis à certificação para os dois destinos; os mecanismos de bloqueio e desabilitação de lotes quando identificada perda da condição de elegibilidade; e a disponibilidade dos registros para verificação pelo Serviço Oficial. “A forma de implementação dos controles constitui responsabilidade do estabelecimento, cabendo ao Serviço Oficial verificar sua adequação, implementação e efetividade”, diz o texto. A fiscalização primária do uso de medicamentos veterinários nas propriedades rurais ou sistemas produtivos de origem cabe às áreas competentes do Serviço Veterinário Oficial. Existem requisitos específicos para cada cadeia produtiva. No caso da carne de aves, por exemplo, a garantia é que os produtos exportados sejam provenientes de aves não submetidas ao uso dos antimicrobianos proibidos pelos europeus. Cabe à inspeção federal verificar os documentos que suportam a admissibilidade dos lotes classificados pelo estabelecimento como elegíveis. No caso da carne bovina, os auditores também devem verificar ainda “os certificados de transição de 100% dos lotes inicialmente classificados pelos estabelecimentos como aptos à exportação para a UE, conforme Protocolo de Segregação aprovado, sendo conferidos 10% do total dos animais presente em cada certificado, o qual deverá ser cotejado com o pré-sumário de abate emitido pelo sistema Sisbov juntamente com a Guia de Trânsito Animal (GTA) que também acompanha os animais”, diz o ofício. Também deve ser realizada a verificação da implementação e efetividade do programa de autocontrole preconizado pelo estabelecimento, no formato e frequência estabelecidos pela legislação vigente. A regra europeia veda o uso de antimicrobianos veterinários e grupos de antimicrobianos que incluem antibióticos, antivirais e antiprotozoários reservados ao tratamento de infecções humanas. Veja a lista de proibições de uso nos animais cuja carne e derivados serão enviados para a UE: Antibióticos (carboxipenicilinas, ureidopenicilinas, ceftobiprol, ceftarolina, associações de cefalosporinas com inibidores da beta-lactamase, cefalosporinas sideróforas, carbapenemes, penemes, monobactamos, derivados de ácido fosfónico, glicopéptidos, lipopéptidos, oxazolidinonas, fidaxomicina, plazomicina, glicilciclinas, eravaciclina, omadaciclina). Antivirais (amantadina, baloxavir marboxil, celgosivir, favipiravir, galidesivir, lactimidomicina, laninamivir, metisazona, molnupiravir, nitazoxanida, oseltamivir, peramivir, ribavirina, rimantadina, tizoxanida, triazavirina, umifenovir e zanamivir). Antiprotozoários (nitazoxanida). Segundo informou uma fonte do governo neste sábado (6), o Reino Unido pediu para o Brasil apresentar garantias sobre a produção até o dia 2 de setembro.

VALOR ECONÔMICO

ECONOMIA

Dólar volta a fechar acima de R$5,15 com mercado projetando juro maior nos EUA

O dólar fechou a sexta-feira pós-feriado com alta firme no Brasil e novamente acima dos R$5,15, após dados mostrarem geração de empregos acima do esperado em maio nos Estados Unidos, elevando as apostas de alta de juros pelo Federal Reserve ainda este ano.

A moeda norte-americana à vista encerrou com alta de 1,76%, aos R$5,1555, maior cotação desde 2 de abril, quando atingiu R$5,1599 na esteira da guerra no Oriente Médio. Na semana, acumulou alta de 2,18% e, no ano, baixa de 6,08%. Às 17h06, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 1,96% na B3, aos R$5,1910. O Departamento do Trabalho dos EUA informou pela manhã que foram gerados 172 mil postos de trabalho em maio, bem acima dos 85 mil projetados por economistas ouvidos pela Reuters. O dado de abril foi revisado de 115 mil novas vagas para 179 mil. O resultado deu força à percepção de que o Federal Reserve tende a trabalhar com taxas de juros mais elevadas, ainda mais em um contexto de guerra no Oriente Médio. Após a divulgação, os futuros dos Fed Funds chegaram a precificar quase 100% de probabilidade de pelo menos uma elevação de juros nos EUA até o fim deste ano, conforme a ferramenta CME FedWatch. Em reação, os rendimentos dos Treasuries dispararam, os preços das ações despencaram e o dólar ganhou força ante as demais divisas — incluindo o real, que no fim da tarde era a quarta moeda com pior desempenho em todo o mundo, atrás apenas do peso chileno, do sol peruano e do novo shekel israelense. Na quinta-feira, o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, rejeitou um novo cessar-fogo no Líbano, enquanto Israel disse que não iria retirar as tropas do país. Essas decisões minam um possível entendimento entre Teerã e Washington, já que o Irã vem considerando o cessar-fogo entre Israel e Hezbollah como requisito para um acordo de paz com os EUA.

REUTERS

Ibovespa fecha abaixo de 170 mil pontos pela 1ª vez desde janeiro e completa oito semanas seguidas de queda

O Ibovespa fechou abaixo dos 170 mil pontos pela primeira vez desde janeiro na sexta-feira, após dados robustos sobre o mercado de trabalho norte-americano elevarem as apostas de uma alta dos juros nos Estados Unidos neste ano.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,65%, a 169.228,52 pontos, de acordo com dados preliminares, chegando a 168.909,87 pontos na mínima e marcando 170.457,37 pontos na máxima do dia. Na semana, acumulou um declínio de 2,62%, completando oito perdas semanais seguidas, a maior sequência na série histórica até 1982, conforme dados da LSEG. O volume financeiro na sexta-feira, entrecortada pelo feriado de Corpus Christi na quinta-feira e o fim de semana, somava R$23,6 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Índice global de preços dos alimentos fica estável em maio

FAO aponta que as previsões para o início da temporada indicam uma provável queda na produção e no comércio de cereais no próximo ano. Queda nas cotações dos óleos vegetais compensou os aumentos observados nos cereais e no açúcar. Os preços da carne bovina avançaram devido à forte demanda de importação, especialmente da China e dos Estados Unidos. Em contrapartida, a carne suína ficou mais barata, principalmente na União Europeia, onde a oferta abundante e a demanda moderada pressionaram os valores.

O Índice de Preços de Alimentos permaneceu praticamente estável em maio, com média de 130,8 pontos. O indicador recuou 0,2% em relação a abril, mas ficou 2,9% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Segundo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), divulgado na sexta-feira (5), a queda nas cotações dos óleos vegetais compensou os aumentos observados nos cereais e no açúcar. “Embora os mercados globais de alimentos tenham demonstrado resiliência, a alta dos cereais evidencia a vulnerabilidade do setor a riscos climáticos e a interrupções nos mercados de energia e insumos”, afirmou, em nota, Boubaker Ben-Belhassen, diretor da Divisão de Mercados e Comércio da FAO. Entre os cereais, o índice avançou 2,6% em relação a abril e ficou quase 5% acima do nível registrado um ano antes. Os custos elevados de combustíveis e fertilizantes, somados às pressões climáticas, sustentaram a alta. O trigo foi um dos principais destaques. Os preços subiram 3,4% no mês e 7,8% na comparação anual. De acordo com a FAO, a expectativa de safras menores em grandes exportadores, como os Estados Unidos, impulsionou as cotações. O milho também avançou, com alta de 1,9%, impulsionado pela forte demanda internacional, pela menor disponibilidade do grão no Brasil e nos Estados Unidos e pelo consumo destinado à produção de etanol. Já o arroz acompanhou o movimento de valorização e subiu 2,7%, refletindo preocupações climáticas e custos logísticos mais elevados em países asiáticos. Na direção oposta, o Índice de Preços de Óleos Vegetais da FAO caiu 4,6% em relação a abril, registrando a primeira queda mensal de 2026. As cotações internacionais do óleo de palma recuaram diante da expectativa de menor demanda global por importações e das incertezas no mercado de petróleo bruto. Já a carne apresentou variação praticamente estável, com alta de apenas 0,1%. Os preços da carne bovina avançaram devido à forte demanda de importação, especialmente da China e dos Estados Unidos. Em contrapartida, a carne suína ficou mais barata, principalmente na União Europeia, onde a oferta abundante e a demanda moderada pressionaram os valores. Os lácteos recuaram 0,5% em relação ao mês anterior, influenciados principalmente pela queda nos preços internacionais da manteiga. Enquanto isso, o açúcar registrou a maior alta entre as commodities acompanhadas pela FAO, com avanço de 7,5% em maio. O aumento refletiu dois fatores principais: a destinação de uma parcela menor da cana-de-açúcar brasileira para a produção de açúcar, com prioridade para o etanol, e os temores de que o fenômeno El Niño prejudique as safras da Índia e da Tailândia.

GLOBO RURAL

INTERNACIONAL

Canadá vai restringir importações de gado de áreas afetadas dos EUA após um caso de parasita

A Agência Canadense de Inspeção de Alimentos (CFIA) informou na sexta-feira que deve implementar restrições temporárias à importação de animais provenientes de áreas afetadas nos Estados Unidos, após a primeira confirmação da presença da bicheira-parafuso, parasita que causa necrose dos tecidos, em uma fazenda no Texas.

REUTERS

CARNES

Veto da União Europeia a carnes brasileiras coloca em risco US$ 2 bi ao ano

A decisão da União Europeia (UE) de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes devido a regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária pode custar ao Brasil até US$ 2 bilhões por ano.

O veto, que passa a valer em setembro, atinge produtos antes autorizados pelo mercado europeu. Antes autorizado, o Brasil agora está impedido de vender para a UE carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, peixe e mel. A Europa é um dos principais mercados para as carnes do Brasil. O bloco responde por 5,7% do valor total exportado pelo país e comprou 368,1 mil toneladas de produtos em 2025, somando cerca de US$ 1,8 bilhão, segundo dados da Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária. A carne bovina lidera as perdas financeiras com a nova restrição do bloco. Em 2025, o Brasil exportou US$ 1,048 bilhão com o envio de 128 mil toneladas aos europeus — o terceiro destino do produto, atrás de China e Estados Unidos. A venda de frango e mel também sofrerão impacto. As vendas de carne de frango renderam US$ 762 milhões (230 mil toneladas) em 2025, e as de mel somaram US$ 6 milhões (mil toneladas). O Brasil não exporta carne suína para o bloco, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). As exigências da UE contra o uso de antimicrobianos ocorrem desde 2019. O bloco proíbe substâncias como virginiamicina, avoparcina, bacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina para fins não terapêuticos, mas são utilizados porque estimulam o crescimento. O Ministério da Agricultura proibiu alguns desses componentes em abril. Uma portaria vetou a importação, fabricação e uso de avoparcina e virginiamicina, mas os outros produtos seguem permitidos no país. O país precisa banir os outros remédios ou adotar um sistema de rastreabilidade. A segunda opção é demorada e custosa, mas o Brasil poderá retomar as exportações assim que comprovar que os rebanhos não consomem as substâncias proibidas. Vizinhos do Mercosul não foram afetados pela medida da União Europeia. Argentina, Paraguai e Uruguai continuam autorizados a vender seus produtos ao mercado europeu.

UOL ECONOMIA

SUÍNOS & FRANGOS

Exportações de carne suína crescem 9% em maio

Receita mensal avança 3,8% e acumulado do ano segue em patamar histórico.

As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 129,4 mil toneladas em maio, informou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O resultado é o maior já registrado para um mês de maio e supera em 9% o volume embarcado no mesmo período de 2025, quando foram exportadas 118,8 mil toneladas. A receita das exportações alcançou US$ 302,1 milhões, também o melhor desempenho já registrado para meses de maio, resultado 3,8% superior ao obtido no mesmo período do ano passado, com US$ 291,2 milhões. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os embarques brasileiros de carne suína chegaram a 661,7 mil toneladas, número 13,1% maior em relação ao mesmo período de 2025, quando foram exportadas 584,8 mil toneladas. Em receita, o crescimento acumulado alcança 11,9%, com US$ 1,546 bilhão entre janeiro e maio deste ano, frente aos US$ 1,382 bilhão registrados no mesmo período do ano passado. Entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne suína em maio, as Filipinas permaneceram na liderança, com 27,2 mil toneladas embarcadas, volume 3,8% inferior ao registrado em maio de 2025. Em seguida aparecem Japão, com 15,2 mil toneladas (+83,2%), Chile, com 10,9 mil toneladas (-0,1%), China, com 8,9 mil toneladas (-25,9%), México, com 8,6 mil toneladas (+20,4%), Hong Kong, com 8,2 mil toneladas (+13,8%), Argentina, com 5,8 mil toneladas (+13,7%), Uruguai, com 4,7 mil toneladas (+0,3%), Vietnã, com 4,6 mil toneladas (-14,2%) e Singapura, com 4,1 mil toneladas (-50,5%). No desempenho por estados exportadores, Santa Catarina manteve a liderança nacional, com 62,5 mil toneladas embarcadas em maio (+4,9%), seguida por Rio Grande do Sul, com 32,7 mil toneladas (+19,5%), Paraná, com 18,3 mil toneladas (-4,8%), Mato Grosso, com 4,6 mil toneladas (+52,4%) e Minas Gerais, com 3,7 mil toneladas (+26,5%). Houve expansão relevante em mercados estratégicos de valor agregado, como o Japão, e diversos outros com volumes menores como Geórgia, Costa do Marfim, Coreia do Sul e outros que, somados, influenciaram positivamente o resultado do mês.

ABPA

Frango/Cepea: Preço da carne se estabiliza em maio; vivo se valoriza

Os preços médios mensais do frango inteiro resfriado e congelado negociados na Grande São Paulo ficaram praticamente estáveis em maio, apontam dados do Cepea.

Quanto ao frango vivo negociado no estado, por sua vez, os valores subiram de forma considerável de abril para maio, devido ao reajuste nos alojamentos. Segundo o Cepea, a demanda pela carne de frango aumentou na primeira quinzena de maio, como é tradicional para o período, devido ao recebimento de salários, o que elevou os preços dos cortes e do frango inteiro. Porém, diante da desvalorização das duas principais concorrentes – carcaças bovina e suína – observadas ao longo do mês, a menor competitividade da proteína avícola acabou resultando em menor procura na segunda quinzena. Assim, os valores médios mensais do congelado e do resfriado se estabilizaram em maio. Já para o animal vivo comercializado no estado de SP, de acordo com pesquisadores do Cepea, o aumento no preço ocorreu após produtores reajustarem seus alojamentos, na tentativa de diminuir a sobreoferta que vinha sendo observada desde o fim do ano passado. Além disso, os preços do frango inteiro em patamares mais elevados em abril permitiram que o produtor fizesse reajustes nas cotações do frango vivo.

CEPEA

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