
Ano 11 | nº 2677 | 24 de março de 2026
NOTÍCIAS
O mercado do boi gordo inicia a semana com estabilidade em São Paulo
Cotações estáveis, com parte da indústria fora das compras
Pelos números da Scot Consultoria, no mercado paulista o animal macho terminado sem padrão-exportação segue cotado em R$ 347/@, enquanto o “boi-China” está apregoado em R$ 350/@ (valores brutos, no prazo). O mercado havia iniciado o dia com poucos negócios, algo típico para segunda-feira. Nesse contexto, na comparação com a última sexta-feira (20/3), as cotações ficaram estáveis. Parte da indústria esteve fora das compras, enquanto as unidades ativas negociavam com base no fechamento da semana anterior. Havia relatos de negócios fechados na sexta-feira acima das cotações vigentes, contudo, sem volume suficiente para se tornar referência. Agentes de mercado relataram uma pressão de alta, mas os custos elevados dos fretes foram levados em conta e deviam impactar nas ofertas de compra da ponta compradora. As escalas de abate atendiam, em média, sete dias. Todos os preços são brutos e a prazo. Em Roraima, o mercado esteve firme e a cotação de referência não mudou. No mercado atacadista da carne com osso, na semana, as vendas recuaram, como já era esperado. Ainda assim, o menor volume de carne nos estoques foi suficiente para atender à demanda, mantendo o mercado em equilíbrio. Houve alta em parte das cotações das carcaças casadas, com exceção do boi capão, que permaneceu estável. A cotação da carcaça casada do boi capão esteve cotada em R$23,55/kg. Já a do boi inteiro subiu 1,1%, ou R$0,25/kg, negociada em R$22,55/kg. Para a carcaça casada da vaca, a alta foi de 1,2%, ou R$0,25/kg, cotada em R$21,50/kg. A cotação da carcaça casada da novilha subiu 1,8%, ou R$0,40/kg, negociada em R$22,15/kg. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio subiu 2,5%, ou R$0,15/kg, cotado em R$6,15/kg, e a do suíno especial não mudou, apregoado em R$10,40/kg.
SCOT CONSULTORIA
Brasil conquista habilitação dos seis primeiros estabelecimentos de carne bovina para exportação à Guatemala
Autorização consolida a abertura do mercado realizada em dezembro de 2025 e permite o início efetivo dos embarques ao país centro-americano
As autoridades sanitárias da Guatemala concluíram o processo de avaliação técnica e habilitaram os seis primeiros estabelecimentos brasileiros a exportar carne bovina e produtos cárneos ao país, após auditoria in loco realizada em território brasileiro. A decisão consolida a abertura do mercado guatemalteco para a carne bovina brasileira, ocorrida em dezembro de 2025, e permite o início das exportações, ampliando as oportunidades para o setor produtivo nacional na América Central. O resultado reforça a credibilidade sanitária do Brasil no cenário internacional e evidencia a capacidade do país de atender aos requisitos técnicos e sanitários exigidos por seus parceiros comerciais. Com população de 18 milhões de habitantes, a Guatemala importou mais de US$ 222 milhões em produtos agropecuários brasileiros em 2025, dado que demonstra a relevância da relação comercial entre os dois países e o potencial de ampliação da pauta exportadora brasileira. Para o Brasil, a habilitação representa mais um avanço na presença da carne bovina nacional na América Central e na estratégia de diversificação de mercados para o agronegócio brasileiro. O Mapa seguirá atuando para ampliar o número de estabelecimentos habilitados e abrir novas oportunidades para os produtos agropecuários brasileiros no exterior.
MAPA
Secex: Exportações de carne bovina avançam na receita em março de 2026
As exportações brasileiras de carne bovina in natura segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que o país já acumulou receita de US$ 966,2 milhões nas três primeiras semanas do mês, mesmo com leve recuo no volume embarcado
Na comparação com março de 2025, quando o total exportado foi de US$ 1,054 bilhão ao longo de todo o mês. Outro destaque relevante é o crescimento da receita por média diária. Em março de 2026, o valor chegou a US$ 64,4 milhões nas três primeiras semanas. Esse número superou com folga os US$ 55,5 milhões registrados como média diária em março do ano passado. Nas três primeiras semanas de março de 2026, o preço médio por tonelada exportada foi de US$ 5.783. Esse valor representa uma alta expressiva frente aos US$ 4.900 registrados em março de 2025. Em relação ao volume, os dados mostram uma redução nas exportações em comparação ao mesmo período do ano passado. Nas três primeiras semanas de março de 2026, o Brasil embarcou 167.061 toneladas de carne bovina in natura. Já em março de 2025, o total foi de 215.249 toneladas no acumulado do mês. A média diária apresentou leve queda: 11.137,5 toneladas nas três primeiras semanas do mês. Em março de 2025, a média diária havia sido ligeiramente maior, com 11.328,9 toneladas.
SECEX
Itaú BBA: Boi gordo sobe com exportações firmes e oferta ajustada
Agro Mensal destaca avanço dos preços da arroba, demanda internacional aquecida e cenário estrutural positivo para a pecuária. Preço do Boi Gordo avança com oferta mais restrita
O mercado do boi gordo registrou valorização relevante ao longo de fevereiro, impulsionado por um cenário de oferta mais ajustada e demanda externa aquecida. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, a arroba no estado de São Paulo avançou mais de R$ 20 em relação a janeiro, refletindo esse equilíbrio entre oferta e consumo. A redução na oferta foi evidenciada pela queda nos abates. Dados preliminares indicam que: os abates de fêmeas recuaram 9% no comparativo anual; os abates de machos caíram 3%; o volume total abatido no primeiro bimestre foi 5% menor que no mesmo período de 2025. Esse movimento reforça a transição do ciclo pecuário para uma fase de menor disponibilidade de animais. Do lado da demanda, o destaque segue sendo o mercado externo. As exportações de carne bovina brasileira continuam em ritmo forte, com crescimento expressivo: Alta de 24% em fevereiro na comparação anual; Avanço de 26% no acumulado do primeiro bimestre. A China permanece como principal destino, com embarques elevados possivelmente ligados à antecipação de compras antes da aplicação de tarifas mais altas. Outros mercados também apresentaram crescimento relevante, como Estados Unidos, Chile, Rússia, Egito e Emirados Árabes. Apesar do bom desempenho das exportações, o relatório aponta que o spread da exportação recuou, pressionado pelo aumento do custo do boi gordo, que subiu mais que o preço da carne no mercado internacional. No mercado doméstico, a valorização também foi observada, mas em menor intensidade. A carcaça casada registrou alta de 3,7% em fevereiro, abaixo da valorização do boi gordo. Com isso, houve compressão das margens da indústria: o spread da carcaça recuou de 8% para 5%, ainda em patamar considerado satisfatório historicamente. Esse cenário indica que, embora os preços estejam firmes, a pressão de custos segue sendo um ponto de atenção para frigoríficos. O relatório também destaca que o conflito no Oriente Médio adiciona um novo fator de risco ao mercado. Os impactos são mais indiretos, principalmente sobre: Custos logísticos; Fretes internacionais; Cadeias globais de suprimento. Apesar disso, a relevância da região para a carne bovina brasileira é menor em comparação a outras proteínas, o que limita impactos diretos mais severos. Mesmo com a volatilidade de curto prazo, o Itaú BBA avalia que o cenário estrutural para a pecuária de corte permanece favorável. O mercado deve continuar sustentado por: Oferta mais restrita de gado, em função do ciclo pecuário; Demanda global aquecida, especialmente da China; Perspectiva de preços mais firmes no médio prazo. A tendência é de que, com uma eventual redução das tensões geopolíticas, o mercado volte a se alinhar ainda mais aos seus fundamentos, reforçando o suporte aos preços do boi gordo. Um dos principais pontos de alerta destacados no relatório é o encarecimento da reposição, que deve continuar pressionando os custos da atividade. Esse cenário exige maior atenção dos pecuaristas, especialmente na gestão de risco. O Itaú BBA reforça a importância de: aproveitar oportunidades de hedge na bolsa; planejar compras de reposição com estratégia; adotar sistemas produtivos mais eficientes. Perspectivas: volatilidade no Curto Prazo e Sustentação no Longo. O mercado do boi gordo deve continuar sensível a fatores externos no curto prazo, especialmente diante das incertezas geopolíticas. No entanto, os fundamentos seguem indicando um ambiente construtivo para os preços. A combinação entre menor oferta, demanda internacional consistente e custos mais elevados tende a sustentar a valorização da arroba ao longo dos próximos ciclos, ainda que com episódios de volatilidade ao longo do caminho.
ITAÚ BBA
Mercado de Boi Gordo: Oportunidades e Desafios para Pecuaristas em 2026
O mercado de boi gordo em março de 2026 apresenta preços firmes, impulsionados por uma redução na oferta e demanda consistente, mas pecuaristas devem se atentar aos custos e à oferta limitada de gado
Em março de 2026, o mercado de boi gordo tem mostrado sinais de firmeza, especialmente na segunda quinzena do mês, quando algumas praças registraram elevações nos preços. A escassez de gado disponível e a crescente demanda, principalmente no mercado internacional, têm sustentado as cotações, mantendo-as elevadas. A exportação de carne bovina brasileira segue batendo recordes, com destaque para a alta no preço da tonelada exportada, que está mais elevada do que no ano passado, gerando impactos tanto para pecuaristas quanto para os frigoríficos. Felipe Fabbri, consultor de mercado da Scot Consultoria, explica que após um início de mês com uma pressão baixista devido a especulações sobre conflitos no Oriente Médio, o mercado se ajustou positivamente. Em algumas regiões, os preços chegaram até R$355,00 por arroba, acima da referência vigente. No entanto, o panorama não é tão favorável para todos os elos da cadeia. O mercado de boi magro está mais caro devido à alta da carne bovina no mercado internacional. O preço da arroba da carne nos Estados Unidos e na China está nas máximas, o que aumenta a pressão sobre os preços no Brasil. Para o recriador invernista, o aumento no custo de reposição de gado pode ser um fator desafiador, especialmente se o câmbio continuar a favorecer a valorização do dólar. O mercado futuro, com cotações para maio e novembro de 2026, sugere uma continuidade dos preços elevados, com uma oferta restrita e uma demanda que tende a manter-se aquecida. O consultor recomenda que os pecuaristas aproveitem as margens positivas e não hesitem em comercializar o gado pronto, seja no mercado físico ou utilizando ferramentas de hedge para proteger sua margem e reduzir riscos.
SCOT CONSULTORIA
Carne bovina: Brasil ganha espaço na China enquanto rivais perdem participação
Em fevereiro/26, as importações chinesas somaram 268,28 mil t e o Brasil respondeu por quase 60% do total, com 160,78 mil t embarcadas
No primeiro bimestre deste ano, o Brasil foi o único entre os maiores fornecedores de carne bovina à China a ganhar espaço no mercado do país asiático, destacou a Agrifatto. No total, os importadores chineses compram 640,99 mil toneladas de carne bovina no primeiro bimestre de 2026, um avanço expressivo de 39,21%, frente ao mesmo período de 2025. Só em fevereiro/26, as importações chinesas de carne bovina somaram 268,28 mil toneladas e o Brasil respondeu por quase 60% (59,93%) do total, com 160,78 mil toneladas embarcadas. No acumulado de 2026, a China importou 372,08 mil toneladas da proteína, um salto anual de 75,78%. Considerando os dois primeiros meses do ano, a participação brasileira atingiu 58%, um acréscimo de 13,16 pontos percentual frente ao resultado registrado no mesmo intervalo do ano passado, disse a Agrifatto. Em contrapartida, Argentina e Austrália, outros grandes fornecedores da commodity, perderam participação, fechando o bimestre respondendo por 16% e 11%, respectivamente, do mercado importador da China. Com a implementação das salvaguardas chinesas, a partir do início de janeiro/26, o ritmo de importação de carne bovina ganhou uma nova leitura, observou a Agrifatto. A Austrália já preencheu 35,34% da sua cota de 205 mil toneladas, com 72,45 mil toneladas internalizadas, informa a consultoria. Por sua vez, o Brasil aparece logo na sequência, com 33,64% de preenchimento, enquanto a Argentina atinge 20,20%, acrescentam os analistas. Segundo a consultoria, os dados chineses apontam 372,08 mil toneladas importadas do Brasil, mas os embarques efetivos brasileiros no primeiro bimestre somaram 223,52 mil toneladas. “Ou seja, 148,56 mil toneladas ainda são oriundas de embarques realizados no final de 2025 e apenas internalizados agora”, esclareceu a consultoria. Além disso, segundo os analistas, há mercadorias em trânsito, que devem ser incorporadas ao longo das próximas semanas e divulgadas nos próximos meses, compondo diretamente essa cota. “Considerando a média de importação chinesa de carne bovina brasileira observada até o momento em 2026, de 186,04 mil toneladas, a tendência é que a cota seja totalmente preenchida já em junho/26”, informou a Agrifatto. No primeiro bimestre do ano, o valor médio pago pela carne bovina brasileira chegou a US$ 5,60 mil/t, uma alta de 11,16% no comparativo anual e o maior patamar já registrado, segundo a consultoria. O preço médio geral das importações chinesas ficou em US$ 5,48 mil/t, colocando a carne brasileira com um ágio de 2,19%. “Recentemente as negociações avançam para a casa dos US$ 7,00 mil/t, sinalizando uma disputa mais intensa pelo produto brasileiro”, completou a Agrifatto.
DBO/AGRIFATTO
ECONOMIA
Dólar fecha abaixo dos R$5,25 após Trump citar negociações entre EUA e Irã
O dólar fechou a segunda-feira com queda firme no Brasil, voltando ao patamar abaixo dos R$5,25, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiar ataques contra usinas de energia do Irã e citar negociações “produtivas” com o país, o que foi negado por Teerã.
O dólar à vista fechou a sessão com baixa de 1,33%, aos R$5,2418, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes, como o peso chileno e o peso mexicano. Com o movimento, o dólar devolveu parte da alta da sessão anterior, na sexta-feira, quando saltou 1,84% frente ao real em meio a temores relacionados à guerra no Oriente Médio. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular agora baixa de 4,50%. Às 17h21, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,95% na B3, aos R$5,2460.
Trump afirmou nesta segunda-feira que deu instruções para adiar quaisquer ataques militares contra usinas de energia iranianas por cinco dias, além de citar conversas “muito boas e produtivas” entre os países. Durante o dia, ele reforçou a possibilidade de um acordo. “Com o Irã, estamos negociando há muito tempo e, desta vez, eles estão falando sério”, disse. Ainda que Teerã tenha desmentido a informação de que mantém conversas com os EUA, a possibilidade de um desfecho para a guerra no Oriente Médio disparou a busca global por ativos de risco. O barril do petróleo tipo Brent cedeu abaixo dos US$100 e os índices de ações tiveram ganhos nos EUA e no Brasil. Nos mercados de moedas, o dólar sustentou baixas ante a maior parte das demais divisas, incluindo o real. “Trata-se de um movimento que deve diminuir os temores em relação ao prolongamento do conflito e traz algum sinal, ainda que inicial, de possível conciliação entre os dois países”, disse pela manhã Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da Stonex, ao avaliar o recuo do dólar no Brasil.
REUTERS
Ibovespa avança mais de 3% após Trump citar conversas produtivas com Irã
O Ibovespa disparou mais de 3% na segunda-feira, encostando em 183 mil pontos na máxima, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspender ataques à infraestrutura energética iraniana e citar conversas “produtivas” com o Irã.
A semana na bolsa brasileira também começou com noticiário corporativo movimentado, com o holofote voltado para nomes como Embraer, Fleury, CSN, Desktop, entre outros. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 3,24%, a 181.931,93 pontos, tendo alcançado 182.973,41 na máxima e 176.220,82 na mínima. O volume financeiro no pregão somou R$32,38 bilhões. Trump afirmou nesta segunda-feira que houve conversas entre EUA e Irã no último dia, nas quais os dois lados chegaram a “importantes pontos de concordância”, acrescentando que um acordo para pôr fim à guerra pode ser fechado em breve. No sábado, ele alertou que as usinas de energia iranianas seriam destruídas se Teerã não abrisse totalmente o Estreito de Ormuz em 48 horas. Mas na segunda-feira mandou adiar qualquer ataque militar contra usinas de energia do Irã por cinco dias. A agência de notícias iraniana Fars, citando uma fonte, informou que não há comunicações diretas ou indiretas com os EUA. Nos mercados, porém, prevaleceu o alívio com a sinalização de Trump nesta sessão. O petróleo sob o contrato Brent desabou 10,92%, a US$99,94, enquanto o S&P 500, referência do mercado acionário norte-americano, avançou 1,14% e o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA caía a 4,3479%. De acordo com o analista Nícolas Mérola, da EQI Research, houve uma escalada importante no conflito no Oriente Médio no fim de semana, mas a pressão negativa registrada no começo da segunda-feira se reverteu com o anúncio de Trump. “Ninguém sabe se isso vai realmente acontecer…mas o mercado comprou essa narrativa (de cessar-fogo de Trump)”, afirmou, acrescentando que o cenário externo acabou ditando a direção na bolsa paulista.
REUTERS
Analistas elevam estimativa para a Selic este ano a 12,50% no Focus
Analistas consultados pelo Banco Central elevaram pela terceira semana seguida a expectativa para a taxa básica de juros ao final deste ano e passaram a ver a Selic em 12,50%, de 12,25% antes, mostrou a pesquisa Focus divulgada na segunda-feira.
A alteração ocorre na esteira das preocupações com a inflação diante do aumento dos preços do petróleo por conta da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que interrompeu o fluxo da commodity pelo Estreito de Ormuz. Na semana passada, o BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75% ao ano, mas defendeu cautela para passos futuros da calibragem da taxa básica ao destacar “forte aumento da incerteza” em meio ao acirramento dos conflitos no Oriente Médio. No Focus, os economistas consultados seguem vendo corte de 0,50 ponto percentual na Selic em abril, para 14,25%. Mas para a quarta reunião do ano, em junho, passaram a projetar uma redução de 0,50 ponto, de 0,75 ponto antes. Em seguida, a expectativa é de mais dois cortes seguidos de 0,50 e mais um de 0,25 ponto, com manutenção na última decisão do ano. Para 2027, a expectativa segue sendo taxa de juros de 10,50%. O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou ainda que a expectativa para a alta do IPCA em 2026 subiu a 4,17%, de 4,10% antes, permanecendo em 3,80% para o ano que vem. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento este ano passou a 1,84%, de 1,83%, e segue em 1,80% para 2027.
REUTERS
Acordo comercial UE-Mercosul entrará em vigor provisoriamente a partir de 1º de maio
O acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul entrará em vigor provisoriamente a partir de 1º de maio, informou a Comissão Europeia na segunda-feira.
Os principais elementos comerciais do acordo, que tem se mostrado controverso na Europa, serão aplicados a partir dessa data entre a União Europeia, composta por 27 nações, e os países do Mercosul que concluíram seus procedimentos de ratificação até o final de março.
“Argentina, Brasil e Uruguai já o fizeram. O Paraguai ratificou o acordo recentemente e espera-se que envie sua notificação em breve”, afirmou a Comissão em comunicado.
REUTERS
Exportações do agro somam US$ 12 bilhões em fevereiro
Alta é puxada por soja e carnes, com destaque para recorde da carne bovina no mês.
As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 12 bilhões em fevereiro de 2026, crescimento de 13% em relação a janeiro e de 7,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA com base na Secex. O desempenho foi puxado principalmente pelo complexo soja, com o avanço da colheita. Os embarques de soja em grãos chegaram a 7,1 milhões de toneladas, alta de 11% na comparação anual, enquanto o preço médio subiu 4,4%, para US$ 412,9 por tonelada. O farelo registrou 1,7 milhão de toneladas exportadas, aumento de 3%, com recuo de 3% nos preços. Já o óleo de soja teve forte alta nos embarques, que praticamente dobraram e alcançaram 221 mil toneladas, acompanhado de valorização de 13%. No segmento de proteínas, a carne bovina in natura teve destaque, com 236 mil toneladas exportadas em fevereiro, avanço de 24% e recorde para o mês. O preço médio também subiu, chegando a US$ 5.640,9 por tonelada. A carne de frango somou 427 mil toneladas, crescimento de 5,4%, com alta de 4% nos preços. Já a carne suína registrou embarques de 104 mil toneladas, aumento de 3,2%, com preço médio estável na comparação anual. No setor sucroenergético, as exportações de etanol cresceram 50% em relação a fevereiro de 2025, totalizando 60 mil metros cúbicos, com alta de 4% nos preços. O açúcar VHP teve aumento de 32% no volume embarcado, atingindo 2 milhões de toneladas, mas com queda de 23% no preço médio. Por outro lado, o açúcar refinado registrou retração de 22% nos embarques e recuo de 19% nos preços. Entre outros produtos, o café verde somou 142 mil toneladas exportadas, queda de 17% frente ao ano anterior, enquanto o preço médio avançou 20%, chegando a US$ 7.191 por tonelada.
AGRO ITAÚ BBA
MEIO AMBIENTE
Exportadores de carne para China têm risco ambiental na Amazônia
Radar Verde mostra que nenhuma companhia atende plenamente aos critérios chineses, por falta de controle de fornecedores indiretos e exposição ao risco de compra de gado em áreas de desmatamento. Na Amazônia, entre as 31 plantas habilitadas para a China, 21 apresentam baixo nível de controle socioambiental e 10 têm nível muito baixo
Nenhum dos frigoríficos que estão na Amazônia Legal e que são habilitados para exportar carne bovina para a China e Hong Kong atende plenamente às especificações ambientais recomendadas pela Associação Chinesa de Carnes (CMA, na sigla em inglês), segundo análise do Radar Verde obtida pelo Valor. As principais fragilidades ainda estão no controle de fornecedores indiretos e na exposição a risco de compra de gado bovino em áreas de desmatamento. Paulo Barreto, pesquisador associado do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e um dos coordenadores do Radar Verde, diz que o nível de atendimento a esses critérios não interrompe o fluxo de embarques de carne, mas pode servir de base para a distribuição das cotas de exportação do produto fornecido pelo Brasil. Essa é, ao menos, a sugestão da organização, que será apresentada em agendas na China, que começaram ontem e devem durar duas semanas. “Na China, vamos falar com universidades, instituições da sociedade civil, representantes da indústria e acadêmicos que assessoram o governo na criação dessas políticas de cotas para a carne bovina. Empresas com menor risco e melhor pontuação poderiam acessar percentuais maiores na cota. É isso que a gente propõe”, afirma à reportagem. Após uma investigação de salvaguarda, a China impôs cotas a seus principais fornecedores. O Brasil ficou com 1,1 milhão de toneladas sujeita à tarifa reduzida de 12%. Volumes excedentes pagarão taxas de 55%. Em janeiro e fevereiro, os frigoríficos brasileiros já consumiram 33,6% da cota. O Radar Verde avaliou os frigoríficos à luz da “Specification for Meat Industry Green Trade”, norma da associação chinesa que define critérios de rastreabilidade, transparência e compromisso com desmatamento zero nas cadeias de suprimento. Na Amazônia, entre as 31 plantas habilitadas para a China, 21 apresentam baixo nível de controle socioambiental e 10 têm nível muito baixo. Apenas 20 delas monitoram fornecedores diretos de gado, e nenhuma comprovou mecanismos efetivos para controlar fornecedores indiretos. Já nas plantas habilitadas a exportar para Hong Kong, que são 71, cerca de 61% têm baixo nível de controle socioambiental, e 55% monitoram apenas fornecedores diretos, segundo os dados. O levantamento também mapeou as zonas potenciais de compra de gado dessas plantas frigoríficas na Amazônia Legal, e identificou risco de aquisição do boi em áreas de desmatamento que variam de cerca de 31 mil hectares a quase 3,8 milhões de hectares. Apenas uma empresa, a Plena Alimentos, respondeu ao questionário Radar Verde 2025, que permite às companhias apresentar evidências e informações adicionais sobre suas políticas e práticas socioambientais. Segundo Barreto, todas as empresas foram questionadas. Grandes grupos como MBRF (antiga Marfrig), JBS, Minerva e Frigol aparecem na lista citados com efetividade muito alta no controle de fornecedores diretos, porém muito baixa no monitoramento de indiretos e, por isso, têm pontuação geral baixa. Ao Valor, a MBRF informou em nota que monitora 100% dos fornecedores diretos e indiretos, por meio de um sistema que inclui tecnologias geoespaciais, cruzando bases públicas e protocolos próprios, “e atende às exigências ambientais de todos os mercados em que atua, incluindo a China”. A Minerva também disse que possui sistemas robustos de controle e monitoramento socioambiental e que está plenamente apta a atender às exigências regulatórias e comerciais de todos os mercados em que atua. O Frigol afirmou que ainda não teve acesso ao relatório Radar Verde, mas disse que realiza, desde 2023, a verificação de 100% de seus fornecedores indiretos nível 1 no Estado do Pará. A JBS não respondeu.
VALOR ECONÔMICO
GOVERNO
Guerra já frustra a expectativa de queda de juros no novo Plano Safra
Recuo tímido na taxa Selic e endividamento elevado no campo dificultam ainda mais elaboração do programa de financiamento no ciclo
O cenário de alta do endividamento no campo e a demora para o início de um movimento de queda da Selic mais efetivo vão tornar a elaboração do Plano Safra 2026/27 ainda mais difícil para as equipes técnicas envolvidas no tema em Brasília. Os esforços serão, segundo fontes ouvidas pelo Valor, para ao menos manter o montante total de recursos perto dos R$ 600 bilhões do Plano Safra atual, mas a expectativa é de que os juros também ficarão em patamar elevado. O total considera linhas tradicionais e títulos, como as Cédulas de Produto Rural (CPRs). A avaliação é de que o aperto fiscal permanecerá e não haverá “folga” na construção da política de crédito rural para a próxima temporada, que começa em julho. A equipe técnica que elabora o Plano Safra imaginava que a Selic já teria caído mais a esta altura do campeonato. Com o corte de 0,25 ponto porcentual da semana passada e as incertezas com a guerra no Oriente Médio, o custo de captação se manterá alto e os juros deverão ficar em um patamar elevado. As sinalizações ainda não são claras para um eventual corte nas taxas finais, que variaram de 2% a 14% ao ano no ciclo atual. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, afirmou que os juros permanecerão elevados e que o cenário é “desafiador”. A guerra é um componente extra de imprevisibilidade e que deverá reforçar o foco do Plano Safra para o custeio, por conta dos reflexos do conflito nos custos da produção. “Será um ano de reajuste no setor para uma grande retomada depois”, completou. Segundo ele, o corte da Selic em março, para 14,75%, e a previsão de ritmo lento em novas reduções nos próximos meses não darão espaço para juros mais baixos no crédito rural em 2026/27. “A taxa de juros vai ser tão alta quanto agora. Com a Selic em 15% ou em 14%, o efeito na ponta é o mesmo. Não dá para pensar nada muito diferente desse patamar”, afirmou. Para o secretário, um impacto significativo só seria sentido se a taxa básica estivesse mais perto de 10%. Cálculos internos do Ministério da Agricultura indicam que a demanda potencial para custeio na safra 2026/27 chegará perto de R$ 865 bilhões, mais que o dobro de seis anos atrás, quando eram R$ 418 bilhões. A conta considera os custos de produção, que aumentaram desde a pandemia e ainda não recuaram, e a perspectiva de área plantada. Desse montante, cerca de 30% deverão ser fomentados via Plano Safra e o restante é custeado a mercado ou com recursos próprios dos produtores. Para investimentos, a previsão é de necessidade superior a R$ 200 bilhões. Ainda não houve definição do orçamento que estará disponível para equalização dos juros a partir de julho. São quase R$ 19 bilhões reservados na Lei Orçamentária Anual (LOA) para a subvenção ao crédito rural, mas a maior parte está comprometida com o pagamento da equalização de operações de safras passadas, que ficam ainda mais caras por conta da alta nos juros atuais, o que aumenta a diferença para as taxas contratadas em anos anteriores. Em cenário de maior restrição, o governo poderá usar novamente uma manobra, criada em 2025, que dividiu a aplicação orçamentária do Plano Safra por semestre, um em cada ano civil. Sem esse arranjo, o Tesouro Nacional teria que reservar um valor maior em caixa para o ano inicial, mesmo que não fosse inteiramente utilizado naquele período. Essa regra foi criada às vésperas do lançamento do Plano Safra 2025/26 e abriu espaço para uma redução mais acentuada de juros para a agricultura familiar, já que a demanda orçamentária foi organizada em semestres. Agora, a meta do governo é dar mais previsibilidade aos bancos e cooperativas financeiras para se adaptarem ao mecanismo. O “leilão” de recursos equalizáveis, em que as instituições apresentam suas propostas para operacionalizar os valores que recebem a subvenção direta da União, deve ser anunciado em abril. Depois de um aumento geral das exigibilidades em 2025, o governo deve optar por manter os níveis de direcionamentos dos recursos obrigatórios (31,5%), da poupança rural (70%) e das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), de 60%, neste ano. Pode haver alterações pontuais nas subexigibilidades, dizem fontes. O Banco Central ainda não informou o saldo disponível nessas carteiras. Mesmo assim, vai haver o aumento programado da exigibilidade dos depósitos à vista para as cooperativas de crédito, que passará de 6% para 13%. No Plano Safra atual, quase R$ 6,5 bilhões são oriundos desse direcionamento. Como a área plantada deverá crescer e os custos aumentaram, a demanda por crédito em 2026/26 será maior. Deve haver busca por um novo “valor recorde”, disse uma fonte em Brasília.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
Preço do suíno cai forte em fevereiro, enquanto exportações batem recorde
Os preços do suíno recuaram fortemente em fevereiro, pressionados pela menor demanda interna, enquanto as exportações atingiram níveis recordes e ajudaram a sustentar o setor.
Os preços do suíno vivo registraram forte queda em fevereiro de 2026, com retração de até 16,1% na praça SP-5, a mais intensa desde 2022. A média mensal caiu de R$ 8,24/kg em janeiro para R$ 6,91/kg em fevereiro, refletindo menor demanda da indústria e desequilíbrio na oferta interna. No atacado, o movimento foi semelhante: a carcaça especial suína teve média de R$ 10,36/kg, queda de 14,6% no mês, em um cenário de consumo ainda enfraquecido. Apesar da pressão no mercado interno, o setor exportador segue em forte ritmo. Em fevereiro, o Brasil embarcou 120,9 mil toneladas de carne suína, alta de 6,9% em relação a 2025 e o maior volume já registrado para o mês. Este é o terceiro mês consecutivo de recorde nas exportações. As Filipinas mantiveram-se como principal destino, seguidas por Japão e China. No campo, a queda dos preços impactou diretamente o produtor: o poder de compra recuou, com o suíno equivalente a apenas 3,75 kg de farelo de soja e 6,11 kg de milho, os menores níveis em meses. Mesmo com a desvalorização, a carne suína ganhou competitividade frente às proteínas concorrentes, especialmente em relação à carne bovina, cuja diferença de preços aumentou no período. Para março, o setor monitora dois pontos-chave: a necessidade de equilibrar oferta e demanda no mercado interno e possíveis impactos logísticos do conflito no Oriente Médio, que podem elevar custos de exportação.
CEPEA – BOLETIM DO SUÍNO
Itaú BBA: Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio. Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual. Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva. Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais. No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores. Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor. Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos. O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%. Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações. Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras. Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes. Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo. O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais. A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro. Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços. A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos. Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses. O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo. Entre os principais pontos de atenção estão: Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos; Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja; Ritmo de crescimento da oferta interna; diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
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