CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2669 DE 12 DE MARÇO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2669 | 12 de março de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: cotação da vaca cai em São Paulo

Com escalas mais folgadas, frigoríficos pressionaram preços e o diferencial entre boi gordo e vaca entrou em ajuste.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, na quarta-feira (11/3), a cotação da vaca gorda recuou R$ 3/@ na praça paulista, para R$ 322/@, valor bruto, no prazo. Por sua vez, na mesma região, os preços do boi gordo sem padrão-exportação, do “boi-China” e da novilha gorda ficaram estáveis, em R$ 347/@, R$ 350/@, e R$ 335/@, respectivamente (valores também brutos, no prazo), informa a Scot. Com as escalas de abate mais confortáveis, os compradores passaram a pressionar suas ofertas. Ainda assim, os vendedores se mantiveram firmes nas pedidas, o que sustentou as cotações do boi gordo e da novilha na comparação feita dia a dia, embora essas categorias tenham registrado queda na segunda-feira. Ao longo de 2025, a cotação do boi gordo ficou, em média, 9,4% acima da cotação da vaca, sendo raros os momentos em que essa diferença ficou abaixo de 7,0%. Em 2026, até 10 de março, essa diferença média caiu para 5,5%, e poucas vezes superou os 7,0%, comportamento oposto ao observado no ano anterior. Diante disso, era possível considerar que a pressão recente sobre a cotação da vaca esteve relacionada a um ajuste do ágio entre machos e fêmeas. Com a forte valorização dos bovinos terminados no início do ano, os preços das fêmeas se aproximaram da cotação dos machos. Com a desaceleração das altas, as cotações passaram por um movimento de correção, buscando patamares mais próximos do padrão observado historicamente. Entre junho de 2023 e dezembro de 2025, a cotação do boi gordo ficou, em média, 10,4% acima da cotação da vaca. No entanto, uma segunda análise pôde ser considerada. Com a redução no abate de fêmeas e o possível início de uma virada de ciclo, marcada pela tendência de retenção de matrizes, a oferta de vacas tendeu a diminuir. Nesse contexto, um ágio menor entre o boi gordo e a vaca gorda, em relação ao observado nos últimos anos, poderia se consolidar como um novo padrão de mercado.  No Acre, após as quedas registradas no dia anterior (10/3), de R$2,00/@ para o boi gordo e de R$5,00/@ para as fêmeas, a cotação não havia mudado.

SCOT CONSULTORIA

Boi gordo: cotações seguem impactadas pela guerra

Demanda interna se mantém fraca e indústria sinaliza conforto em suas escalas de abate

O mercado físico do boi gordo apresenta pressão baixista no decorrer desta semana, com as indústrias sinalizando para maior conforto das suas escalas de abate. O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias lembra que as declarações do presidente Donald Trump ofereceram uma perspectiva de normalização do fluxo de embarques no Oriente Médio. “No entanto, a logística global segue desnorteada, com relatos de problemas no escoamento da exportação de carne bovina e da carne ovina da Austrália. A expectativa é que no curtíssimo prazo os frigoríficos tentem realizar compras em patamares mais baixos”, disse. Preços médios do boi gordo: São Paulo: R$ 345,33 — ontem: R$ 349,83. Goiás: R$ 330,18 — ontem: estável. Minas Gerais: R$ 344,41 — ontem: inalterado. Mato Grosso do Sul: R$ 335,80 — ontem: R$ 339,89. Mato Grosso: R$ 338,31 — ontem: R$ 338,04. O mercado atacadista se depara com acomodação em seus preços ao longo da semana. Segundo Iglesias, mesmo a entrada dos salários na economia tem sido insuficiente para justificar novos reajustes dos preços da carne bovina. “O fato é que a carne bovina já assumiu um patamar de preços que afasta boa parte dos consumidores brasileiros, em especial aquelas famílias que têm como renda entre um e dois salários-mínimos. Nessa faixa, a prioridade está no consumo de proteínas mais acessíveis, a exemplo da carne de frango, embutidos e ovos”, pontuou. Quarto dianteiro: ainda é precificado a R$ 20,50 por quilo; Quarto traseiro: segue cotado a R$ 27,00 por quilo; Ponta de agulha: se mantém a R$ 20,50, por quilo.

SAFRAS NEWS 

Pecuária brasileira produz mais carne com menos área de pastagem

 A pecuária de corte no Brasil tem passado por um processo de transformação marcado pelo aumento da produtividade e pelo uso mais eficiente da terra. Mesmo com uma redução na área destinada às pastagens nas últimas duas décadas, o setor conseguiu ampliar a produção de carne bovina por hectare.

Dados do IBGE apontam que a área de pastagens no país diminuiu cerca de 11,3% nesse período. Apesar disso, a produtividade praticamente dobrou: passou de 36,2 quilos para 65,8 quilos de carcaça por hectare ao ano. O resultado reflete o avanço de tecnologias de manejo, nutrição e gestão dentro das propriedades rurais, que têm permitido produzir mais carne em uma área menor. Essa evolução também contribui para reduzir a pressão por expansão territorial e direciona o setor para sistemas considerados mais sustentáveis. Os números mais recentes de produção reforçam essa tendência. No quarto trimestre de 2025, foram abatidas 10,9 milhões de cabeças de bovinos sob algum tipo de inspeção sanitária no país, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume representa crescimento de 13,1% em comparação com o mesmo período de 2024. No mesmo intervalo, a produção atingiu 2,9 milhões de toneladas de carcaças bovinas, aumento de 15% na comparação anual e avanço de 1,8% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Segundo especialistas, o fato de a produção crescer em ritmo superior ao aumento dos abates indica ganho de eficiência dentro das propriedades. Isso significa que, além de enviar mais animais para a indústria, o país também passou a gerar mais carne por hectare. Entre os fatores que explicam esse desempenho estão ciclos produtivos mais curtos, melhor acabamento de carcaça e maior desempenho zootécnico dos animais. Para a zootecnista Cleisy Ferreira, do Grupo Real, o planejamento nutricional é um dos pilares desse avanço. De acordo com ela, a nutrição adequada permite intensificar os sistemas de produção e melhorar o desempenho do rebanho. “A nutrição é fundamental para tornar a produção animal eficiente e produtiva. Com um planejamento adequado, conseguimos superar as limitações de nutrientes das forragens e intensificar o sistema produtivo, colocando mais animais por área sem perder desempenho”, afirma. Ainda segundo a especialista, o progresso não está apenas no uso de suplementos, mas na estratégia aplicada à formulação das dietas. A suplementação correta permite que os animais expressem melhor seu potencial genético e ganhem peso de forma mais rápida, fatores diretamente ligados ao aumento da produtividade. “Quando ajustamos a suplementação, garantimos que o animal receba exatamente o que precisa para se desenvolver e desempenhar. Isso acelera o ganho de peso e reduz o ciclo produtivo, diminuindo o uso de recursos ao longo do tempo”, conclui.

FEED&FOOD

‘Boi Fantasma’: Operação investiga corrupção e fraudes em registros de bovinos

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em dois municípios do Paraná. Animais só existiam no papel, com o intuito de gerar lucro ilegal

Um esquema de fraudes em transações com bovinos está sendo investigado pelo Núcleo de Ponta Grossa do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná. Na terça-feira (10/3), foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos municípios de Jaguariaíva, na região dos Campos Gerais, e Ibaiti, no Norte Pioneiro. A operação denominada de “Boi Fantasma” apura crimes de corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica na emissão de Guias de Trânsito Animal (GTAs) e inserção de dados falsos em sistemas de informações da Agência de Defesa Sanitária do Paraná (Adapar). Os mandados foram expedidos pelo Juízo de Garantias da Comarca de Jaguariaíva. De acordo com o Gaeco, as investigações sobre o esquema tiveram início em julho de 2024, com base no relatório encaminhado ao MPPR pelo próprio órgão de defesa sanitária, apontando que uma funcionária pública da Prefeitura de Jaguariaíva, cedida à Adapar, realizaria cadastramentos de bovinos de forma fraudulenta. “As transações seriam feitas a pedido de uma empresa de leilões, sem documentação comprobatória e para criadores de fora de sua área de atribuições, com o registro de novos animais em rebanhos e a imediata expedição de guias de trânsito animal”, explica o promotor de Justiça Antônio Juliano Albanez. Dessa maneira, os animais só existiam no papel, com o intuito de gerar lucro ilegal. O Gaeco aponta que, no curso da apuração, foram encontradas evidências das fraudes e do recebimento de vantagens indevidas pela servidora pública, que agiria no interesse de criadores e de uma empresa especializada em leilões de bovinos. Os mandados foram cumpridos na residência da servidora pública, que já foi desligada da Adapar, e na residência do leiloeiro, onde também funciona a sede da empresa de leilões. Durante a execução das ordens judiciais um dos investigados foi preso por posse irregular de armas e munições. Albanez salienta que, com a medida, buscou-se obter mais informações sobre o motivo da inserção dos dados falsos nos sistemas de informações sanitárias do Estado, bem como identificar outras pessoas que teriam participado e se beneficiado das fraudes. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados pelo Gaeco. Por meio de nota, a Adapar informou que, até o momento, não recebeu comunicação oficial por parte do Ministério Público ou do Gaeco acerca da operação mencionada. “Esclarecemos, contudo, que a servidora citada na investigação, que se encontrava cedida à Adapar, não exerce mais atividades na agência”, diz a agência. A Adapar acrescenta que assim que houver comunicação oficial às instâncias competentes do órgão, os fatos serão devidamente analisados e as medidas administrativas cabíveis serão adotadas, caso necessário.

GLOBO RURAL

ECONOMIA

Dólar fecha estável no Brasil com guerra ainda no foco

O dólar oscilou em margens estreitas ante o real na quarta-feira, novamente conduzido pelas notícias sobre a guerra no Oriente Médio, até encerrar a sessão perto da estabilidade, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha avançado ante outras divisas de emergentes.

O dólar à vista fechou com leve alta de 0,02%, aos R$5,1591. No ano, a divisa acumula agora queda de 6,01% ante o real. Às 17h08, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,13% na B3, aos R$5,1840. No início do dia o dólar ensaiou ganhos ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante alguns de seus pares, como o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano. Por trás do avanço das cotações estavam os receios em torno da guerra no Oriente Médio, após o Irã disparar contra Israel e outros alvos na região e prometer mirar contra interesses econômicos e bancários ligados aos norte-americanos e aos israelenses. Além disso, o Irã alertou que os preços do petróleo chegarão aos US$200 o barril em função dos ataques. No fim da manhã, a divisa chegou a ceder ante o real, após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar em entrevista ao site Axios que “praticamente não há mais nada” para atacar no Irã e que a guerra no país terminará em breve. Na segunda-feira, ele já havia previsto um desfecho no curto prazo. Já a Agência Internacional de Energia recomendou a liberação de 400 milhões de barris de petróleo, a maior ação desse tipo em sua história, para tentar conter a disparada dos preços da commodity. O dólar à vista atingiu a cotação mínima de R$5,1472 (-0,21%) às 11h01, mas também não teve força para ampliar o movimento. Da máxima para a mínima a divisa variou apenas -0,70% e, durante a tarde, pouco se afastou da estabilidade. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou uma saída líquida total de US$3,897 bilhões em março até o dia 6, período correspondente à primeira semana da guerra no Oriente Médio. No início da tarde, sem efeitos maiores sobre o câmbio, uma nova pesquisa Genial/Quaest mostrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se aproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas simulações de primeiro turno da eleição presidencial. Lula registra entre 36% e 39% das intenções de voto nos diferentes cenários de primeiro turno, enquanto Flávio tem entre 30% e 35%. Na simulação de segundo turno, ambos somam 41%.

REUTERS

Ibovespa avança com apoio da Petrobras

O Ibovespa fechou com um avanço modesto na quarta-feira, assegurado pelo desempenho robusto das ações da Petrobras, em meio ao avanço do preço petróleo no exterior, enquanto o noticiário corporativo destacou acordo da Raízen buscando reestruturar dívidas de R$65 bilhões.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com acréscimo de 0,28%, a 183.969,35 pontos, após marcar 182.021,14 na mínima e 185.714,27 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$26,47 bilhões. O petróleo voltou a subir, com novos ataques a navios no Estreito de Ormuz agravando temores de interrupção na oferta, enquanto analistas avaliam que a proposta da Agência Internacional de Energia para uma liberação recorde de reservas de petróleo é insuficiente para aliviar tais preocupações. O barril sob o contrato Brent fechou em alta de 4,8%, a US$91,98. Nos Estados Unidos, dados sobre os preços ao consumidor em fevereiro dentro das expectativas não conseguiram animar, uma vez que ainda não refletem a disparada recente nas cotações do petróleo desencadeada pelos ataques dos EUA e Israel contra o Irã, que começaram apenas em 28 de fevereiro. Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou com declínio de 0,08%. “O principal fator que influencia tanto o mercado brasileiro quanto o exterior, sem dúvida, são as tensões envolvendo a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e todos os desdobramentos desse conflito”, avaliou o estrategista de investimentos Nicolas Gass, sócio da GT Capital.

REUTERS

Vendas no varejo do Brasil têm alta inesperada de 0,4% em janeiro

As vendas no varejo brasileiro iniciaram o ano com uma força inesperada em janeiro depois de indicarem perda de fôlego no final de 2025.

Em janeiro, as vendas aumentaram 0,4% em relação a dezembro, quando houve queda de 0,4% informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quarta-feira. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, as vendas tiveram alta de 2,8%. Os resultados foram bem melhores do que as expectativas em pesquisa da Reuters de queda mensal de 0,1% e de alta de 1,65% na base anual. “Apesar da variação baixa, até interpretada mais como estabilidade na passagem de dezembro para janeiro, a taxa positiva faz janeiro atingir o ponto mais alto da série da margem, igualando-se, em volume, a novembro de 2025. É bom lembrar que renovações do pico não são tão comuns assim”, disse Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE. A demanda brasileira vem enfrentando um cenário desafiador, com taxa de juros elevada em contraste com um mercado de trabalho forte. O Banco Central volta a se reunir na próxima semana para decidir sobre a taxa básica de juros Selic, atualmente em 15%. A autarquia indicou o início de um ciclo de cortes na reunião de março, mas o cenário ganhou um novo personagem com a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que começou no final de fevereiro. A economia brasileira ficou quase estagnada no quarto trimestre com avanço de 0,1% e fechou o ano passado com crescimento de 2,3%, de acordo com dados do Produto Interno Bruto. Entre as oito atividades pesquisadas na pesquisa do varejo do IBGE, quatro tiveram resultados positivos no volume de vendas na comparação com dezembro, na série com ajuste sazonal — Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (2,6%), Tecidos, vestuário e calçados (1,8%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,3%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,4%). Quedas foram registradas em Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-9,3%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-1,8%) e Combustíveis e lubrificantes (-1,3%). As vendas de Móveis e eletrodomésticos ficaram estagnadas. “Esse setor (de eletrônicos) é especialmente afetado pela variação do dólar e em épocas de alta volatilidade as empresas aproveitam para repor seus estoques em momentos de valorização do real para depois decidir o melhor momento de fazer promoções. Além disso, o setor vem de uma Black Friday e um Natal mais forte em vendas”, disse Santos. No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças; material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, houve alta de 0,9% em janeiro sobre dezembro e expansão de 1,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

REUTERS

GOVERNO

Proposta para novo modelo de seguro rural está em fase avançada, diz ministro

Seguro será obrigatório dentro do Plano Safra; expectativa é de que ao universalizar a contratação, o preço das apólices vai cair. Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, apresentou o plano em reunião com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Carlos Fávaro, afirmou na quarta-feira (11/3) em reunião com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, parlamentares e produtores gaúchos que a proposta para estabelecer um novo modelo de seguro rural no país está “avançada” no governo federal. Fávaro garantiu que já há pleno convencimento do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e de sua equipe técnica. Um substitutivo deverá ser apresentado ao projeto de lei 2.951/2024, da senadora Tereza Cristina (PP-MS), já aprovado pelo Senado e que está na Câmara. Os ministros, no entanto, vão deixar o governo nos próximos dias para poder concorrer nas eleições. No mercado segurador e entre produtores rurais, há dúvidas sobre a proposta. Fontes relatam falta de diálogo e receio de que a medida poderá ser imposta sem consultas às grandes seguradoras. Segundo Fávaro, haverá uma nova reunião dele e do secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, com o Ministério da Fazenda ainda nesta semana. No encontro da quarta-feira na sede da Pasta, o ministro destacou a viagem feita pelo secretário à Europa no início de fevereiro para apresentar a proposta a resseguradoras internacionais — uma das premissas do modelo é a ampliação do capital de risco envolvido. As seguradoras brasileiras reclamam que não houve clareza na discussão da proposta e que as tratativas estão paralisadas. As empresas, inclusive, não tiveram informações sobre o resultado das conversas de Campos com as resseguradoras na França e na Alemanha. Durante a reunião com Leite, Fávaro explicou a proposta aos gaúchos. Ele disse que o seguro rural será obrigatório para todos os produtores dentro do Plano Safra e que, ao universalizar a contratação, o preço das apólices vai cair. De acordo com as informações, o prêmio médio do seguro rural é de 8% atualmente e, segundo o ministro, as seguradoras apresentaram um estudo que indica queda nesse índice para 6% com o modelo universalizado. Ele repetiu que o objetivo é que a União subvencione metade dessa taxa, com orçamento próximo de R$ 5 bilhões por ano livres de contingenciamento. Fávaro disse que a proposta vai melhorar o ambiente negocial e o acesso ao crédito, já que os financiamentos vão estar protegidos, com redução na pressão sobre novas recuperações judiciais.

GLOBO RURAL

INTERNACIONAL

Carne bovina lidera pauta exportadora do Uruguai

Embarques da proteína uruguaia totalizaram receita de US$ 453 milhões no primeiro bimestre de 2026, avanço de 8% sobre igual período de 2025

Considerando os produtos de exportação do Uruguai que mais geram divisas, a carne bovina é a primeira da lista, com receita de US$ 453 milhões no primeiro bimestre de 2026, um avanço de 8% sobre igual período de 2025, informa a Uruguay XXI, a agência oficial do governo responsável por promover o setor exportador do país. Nos primeiros dois meses deste ano, a participação da proteína bovina no total de produtos embarcados pelo Uruguai atingiu 23%, em receita, à frente da celulose, o segundo principal produto exportado pelo país, com faturamento de US$ 297 milhões no bimestre, representando 15% do total. Em terceiro lugar está o concentrado de bebidas (sobretudo xarope usado para fabricar refrigerantes), com US$ 132 milhões, e uma participação de 7%. Essas três categorias renderam ao país US$ 1,989 bilhão nos primeiros dois meses de 2026, representando 45% da receita total, e um avanço de 8% sobre o faturamento obtido no mesmo período de 2025. Considerando todos os produtos exportados pelo Uruguai, a China, o Brasil e a União Europeia são os principais mercados. As vendas para o mercado chinês atingiram US$ 317 milhões no período de janeiro a fevereiro, representando 16% do total, e com um crescimento anual de 1%. O Brasil vem em seguida, com US$ 308 milhões de receita no bimestre, o que significou uma participação de 15% e uma queda de 5% sobre o faturamento obtido em igual período de 2025. União Europeia rendeu ao país US$ 290 milhões, com participação de 15% e um aumento anual de 12% na receita. Os Estados Unidos ocuparam o quarto lugar, com US$ 232 milhões de receita, uma participação de 12% e um crescimento anual de 6%. Em quinto lugar ficou para o Reino Unido, com faturamento de US$ 89 milhões, 4% de participação e uma melhoria anual de 91%. Em 2025, o faturamento com as exportações do Uruguai totalizou US$ 13,493 bilhões, um recorde. Os três principais produtos foram: carne bovina (com US$ 2,680 bilhões), celulose (US$ 2,307 bilhões) e soja (US$ 1,420 bilhão).

AGÊNCIA URUGUAY XXI

FRANGOS & SUÍNOS

Registro genealógico de suínos cresce 20,8% no Brasil em 2025

Relatório do SRGS mostra avanço da base genética da suinocultura, com mais de 340 mil registros emitidos no ano.

O Serviço de Registro Genealógico dos Suínos (SRGS), vinculado à Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), publicou o Relatório 2025, documento que reúne os principais números e análises sobre a evolução do registro genealógico no país. Ao longo de 2025, foram emitidos 340.762 registros genealógicos, resultado 20,83% superior ao registrado em 2024. O resultado representa o fortalecimento da base genética da suinocultura brasileira, em um cenário cada vez mais orientado por dados, eficiência e rastreabilidade. Os animais cruzados concentraram a maior parte dos registros, representando 59,33% do total, seguidos pelos puros de origem (37,05%) e pelos puros sintéticos (3,62%). Entre as raças puras, Large White e Landrace lideraram as emissões do ano, demonstrando a importância dessas raças nos programas de melhoramento genético adotados no país. No ranking dos estados que mais importaram em 2025, Santa Catarina liderou com 32% das emissões, seguido por Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. Com relação às importações de suínos, neste ano foram importados 1.063 animais. Outro dado importante é a predominância de fêmeas registradas, que representaram mais de 95% do total em 2025. Esse perfil está diretamente ligado à organização das granjas, à estrutura das pirâmides genéticas e ao uso crescente de tecnologias reprodutivas, como as centrais de sêmen. A diretora técnica da ABCS e superintendente do SRGS, Charli Ludtke, explica que ao reunir dados, tendências e análises, o Relatório SRGS 2025 reforça que “O registro genealógico é uma ferramenta estratégica para garantir transparência, confiabilidade e valorização genética. Em um mercado cada vez mais exigente, o registro se consolida como base para decisões técnicas, fortalecimento da produção e crescimento sustentável da suinocultura brasileira”.

ASSESSORIA ABCS

Exportações de carne de frango do Brasil devem subir quase 4% em 2026, aponta USDA

A expectativa é de que os embarques da proteína atinjam 5,15 milhões de toneladas em 2026

A produção brasileira de carne de frango deve alcançar 15,7 milhões de toneladas em 2026, segundo estimativa de adidos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O volume representa crescimento em relação a 2025, quando a produção foi estimada em 15,45 milhões de toneladas. De acordo com o relatório, o avanço da produção acompanha a expansão da demanda internacional pela proteína brasileira. As exportações de carne de frango do Brasil também devem crescer. A expectativa é de que os embarques atinjam 5,15 milhões de toneladas em 2026, acima das 4,97 milhões de toneladas registradas no ano passado. No mercado interno, o consumo também deve apresentar leve aumento. A previsão é que o consumo total de carne de frango no país alcance 10,555 milhões de toneladas em 2026, frente às 10,485 milhões de toneladas demandadas em 2025. As projeções fazem parte de levantamento elaborado por adidos agrícolas do USDA, que acompanham o desempenho da produção e do comércio internacional de proteínas.

CANAL RURAL

Brasil está apto a redirecionar frango que ia ao Golfo, diz gerente da ABPA

O Brasil tem boas condições para redirecionar exportações de carne de frango afetadas por entraves no Golfo Pérsico, disse Estevão Carvalho, gerente-executivo de mercados da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), no Poder e Mercado, do Canal UOL.

Segundo ele, a escalada do conflito no Oriente Médio complicou rotas marítimas e, na prática, fechou o Estreito de Hormuz para navios que atenderiam países do Golfo. A saída tem sido buscar alternativas e reorganizar a logística. O gerente da ABPA explicou que a principal dificuldade, neste momento, é logística, e não comercial. As empresas, segundo ele, mantêm contato constante com armadores (operadores marítimos) para receber diretrizes sobre hubs, escalas e alternativas de desembarque. Ele afirmou que, com Hormuz “fechado na prática”, países como Qatar, Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes ficam com atendimento comprometido. Uma alternativa citada é descarregar em portos de Omã ou da Arábia Saudita e seguir por terra, mas com custos e exigências sanitárias. O Brasil tem algumas condições favoráveis relacionadas à capilaridade e capacidade de acesso ao mercado externo. O Brasil hoje exporta para cerca de 150 países todo ano. Isso permite que, em situações como essa, consigamos redirecionar a nossa produção para outros mercados”. É claro que esse redirecionamento abrupto não é o ideal e muitas vezes perde-se um pouco em preço médio, mas conseguimos dar uma destinação”. A situação muda a todo momento e as empresas têm mantido contato constante com os armadores, que são os operadores marítimos. Cada um desses tem sua abordagem própria para a situação. Essa é a principal forma que nós temos agora de saber de forma eficaz quais são as possibilidades logísticas. Carvalho disse que o impacto sobre preços no Brasil depende da duração do bloqueio e de quando o fluxo de navios se normaliza. Ele avaliou que o setor se prepara para realocar volume a outros destinos para evitar excedente no mercado interno.

UOL ECONOMIA 

Brasil pode herdar mercados da Argentina após surto de gripe aviária

Com três casos de gripe aviária em granjas comerciais no Brasil, Argentina trava vendas e países compradores devem direcionar demanda ao Brasil

Com três casos confirmados de gripe aviária em granjas comerciais, a Argentina perdeu oficialmente o status de país livre de Influenza Aviária de Alta Patogenia (IAAP) e, para atender aos protocolos internacionais, suspenderá as exportações de produtos avícolas para pelo menos 40 mercados. Com isso, parte da demanda internacional por carne de frango, principalmente, deve ser redirecionada para os produtores brasileiros. Os produtores argentinos aguardavam para este mês a retomada das exportações de carne de frango para a União Europeia, que estava suspensa devido a casos anteriores de IAAP em granjas locais. Com os novos casos, o bloco irá bloquear por mais tempo as compras. Para o Brasil, apesar da crise sanitária no país vizinho abrir uma oportunidade de novos negócios, os casos também aumentam os riscos de contaminação em granjas brasileiras, principalmente nos estados da região Sul, que concentram a maior parte da produção nacional de proteína de frango. Em maio de 2025, o único caso de IAAP em granja comercial foi identificado em Montenegro, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, as exportações também foram suspensas para mais de 40 países. A crise na Argentina pode beneficiar comercialmente o Brasil nos próximos meses, com o aumento de vendas externas. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta um crescimento de até 3,4% nas exportações em 2026, podendo atingir a marca histórica de 5,5 milhões de toneladas. Com o aumento de casos na Argentina, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e entidades estaduais intensificaram as recomendações de biosseguridade. O objetivo é “blindar” o plantel comercial brasileiro e evitar que o vírus chegue às granjas de corte e postura. Entre as medidas fundamentais para os produtores estão o isolamento total dos aviários, a desinfecção rigorosa de veículos que circulam nas propriedades e a proibição de visitas técnicas ou de curiosos. Atualmente, a plataforma de monitoramento da gripe aviária no Brasil, coordenada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o país já registrou 188 casos da doença desde 2023, mas apenas um caso ocorreu em uma granja comercial. Os demais foram identificados em aves selvagens e de criação doméstica, o que não interferem nas exportações. Atualmente, há um caso suspeito sendo investigado, proveniente da cidade de Xangrilá no Rio Grande do Sul.

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