
Ano 11 | nº 2651 | 12 de fevereiro de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: mais um dia de alta em São Paulo
O mercado abriu com a cotação da arroba do boi gordo e do “boi China” R$3,00 mais alta. A cotação da novilha subiu R$5,00/@.
O mercado pecuário abriu a quarta-feira (11/2) com as cotações do boi “comum” (sem padrão-exportação) e do “boi-China” subindo mais R$ 3 na praça de São Paulo, informou a Scot Consultoria, que também registrou alta de R$ 5/@ no preço da novilha gorda. Pelos dados da Scot, o boi gordo está cotado em R$ 340/@, o “boi-China” em R$ 345/@, a vaca em R$ 315/@ e a novilha em R$ 330/@ (todos os preços são brutos e com prazo). A cotação da vaca não mudou. O mercado estava pouco ofertado, com vendedores dosando a oferta. Por sua vez, as indústrias precisaram pagar mais pela arroba a fim de cumprirem com seus contratos de fornecimento e, além disso, também se adequaram ao novo patamar de preços, operando com escalas mais curtas e reduzindo o volume de abate. Com escalas ainda curtas, não se espera, por enquanto, um movimento de queda. As escalas de abate estavam, em média, para cinco dias. No Noroeste do Paraná, a oferta estava menor, com destaque para a novilha, o que motivou uma alta de R$2,00/@ para essa categoria. Para as demais categorias, a cotação ficou estável. As escalas de abate estavam, em média, para oito dias. Em Roraima, as cotações estavam estáveis na comparação diária. No Sul do Tocantins, alta de R$3,00/@ para o boi gordo e para a vaca, e de R$2,00/@ para o “boi China”. As escalas de abate estavam, em média, para quatro dias.
SCOT CONSULTORIA
Boi gordo hoje: mercado tem mais um dia de alta
Escalas de abate cada vez mais encurtadas e demanda forte de exportação ajudam a explicar o atual cenário
O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com elevação em seus preços no decorrer da terça-feira (10), assim como tem ocorrido nas últimas semanas. De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere pela continuidade deste movimento no curtíssimo prazo, com escalas de abate bastante encurtadas, consequência da oferta bastante restrita presente no Brasil neste momento. “A demanda também está aquecida, com exportações em altíssimo nível, com ótimas compras da China e dos Estados Unidos neste início de temporada”, disse. Média da arroba do boi gordo: São Paulo: R$ 343,58 — ontem: R$ 342,33. Goiás: R$ 324,29 — ontem: R$ 323,39. Minas Gerais: R$ 328,82 — ontem: R$ 327,35. Mato Grosso do Sul: R$ 328,07 — ontem: R$ 326,02. Mato Grosso: R$ 316,89 — ontem: R$ 316,42. O mercado atacadista ainda se depara com acomodação em seus preços. Segundo Iglesias, a expectativa ainda é de alguma alta dos preços no curtíssimo prazo, em linha com a entrada dos salários na economia durante a primeira quinzena. “O retorno às aulas também é um elemento importante a ser considerado, ajudando a fomentar o consumo. O mercado segue atento ao comportamento das proteínas concorrentes, que seguem pressionadas no mercado atacadista, ainda sem contar com os devidos repasses ao consumidor final pelo varejo tradicional”, contextualiza o analista. Quarto traseiro: ainda é cotado a R$ 26,50 por quilo; Ponta de agulha: permanece a R$ 19,50 por quilo; Quarto dianteiro: permanece a R$ 19,50 por quilo.
SAFRAS NEWS
Brasil discute cotas por empresa para exportação de carne bovina à China
O governo federal poderá em reunião na quinta-feira um pedido do Ministério da Agricultura para estabelecimento de cotas por empresa para exportação de carne bovina para a China, disse na quarta-feira o secretário de Comércio e Relações Internacionais da pasta, Luis Rua, à Reuters.
Segundo ele, o Ministério da Agricultura estuda com o setor privado formas de evitar uma corrida desenfreada de exportações ao seu principal mercado, após o país asiático ter estabelecido no ano passado uma tarifa de 55% fora de uma cota de importação. Rua afirmou que o ministério fez o pedido para o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) avaliar a situação, considerando os riscos de uma desorganização do mercado brasileiro se as empresas correrem para exportar volumes dentro de cota. A cota brasileira para exportações à China em 2026, sem a tarifa adicional, é de pouco mais de 1 milhão de toneladas. “Já encaminhamos (ao Gecex) a exposição de motivos pensando em alternativas… para uma eventual decisão de controle dos volumes… É uma discussão, temos conversas com o setor privado em busca de alternativas que evitem uma corrida desenfreada nos embarques”, disse Rua. Conforme decisão da China em um processo sobre salvaguardas, o Brasil terá uma cota livre de de 1,106 milhão de toneladas em 2026, com incremento de cerca de 2% nos dois anos . Mas a cota é inferior ao total que o Brasil exportou para a China em 2025, que somou mais de 1,6 milhão de toneladas de carne bovina in natura, o que gerou preocupação aos frigoríficos. Rua não ter informação se solicitação do ministério entrou na pauta em reunião na quinta-feira do Gecex, órgão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), formada por representantes de vários ministérios. Mas ele considerou que, quanto mais cedo houver uma decisão, melhor. “Tomaremos decisões quando as coisas tiverem clareza”, disse, acrescentando que será necessária uma avaliação jurídica. Já existe sistema de cotas semelhante para a exportação de carne de frango do Brasil para a União Europeia, ele disse. A informação sobre uma eventual determinação de cotas de exportação por empresa foi publicada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo. Questionado, Rua negou que o sistema seria uma interferência no . “É simplesmente uma organização.” Ele também disse que não se trata de contra-ataque ao processo de salvaguardas chinês, acrescentando que o país asiático deu liberdade ao Brasil para organizar suas exportações. Procurado pela Reuters, o presidente da Associação Brasileira dos Frigoríficos (Abrafrigo), Paulo Mustefaga, disse que desde o início o setor se posicionou favorável a uma negociação do governo brasileiro com a China para a eliminação da tarifa extracota. Caso isto não fosse possível, ele afirmou que o setor defenderia que a cota livre de tarifa fosse dividida entre as empresas, conforme o desempenho de cada uma em 2025, embora a forma de implementação da medida não seja unanimidade entre os exportadores. Rua comentou ainda que está “inconclusiva” a questão relacionada aos embarques de carne em trânsito, quando a China anunciou suas medidas de salvaguarda. A dúvida é se os volumes a caminho do país asiático estariam ou não dentro da cota de 2026. Ele disse que a China não respondeu sobre o assunto. Dados do setor privado indicam, segundo ele, que esses volumes girariam em torno de 250 mil toneladas.
REUTERS/PORTAL TERRA
Ministério vê risco de colapso no setor de carne e defende controlar exportação para a China
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) identificou risco de colapso de preços e emprego no setor da carne bovina como consequência das salvaguardas impostas pela China para a importação de proteína animal. Para mitigar esses efeitos, o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) defendeu, segundo ofício obtido pela Folha, a criação de um sistema de cotas de exportação que regule a quantidade de carne que os agentes privados podem vender ao país asiático.
A lista de exportadores para a China inclui gigantes como a JBS Minerva e Marfrig. Agricultura identifica ameaça de competição desordenada entre empresas para preencher cotas; governo teme queda de preços e prejuízo a pequenos frigoríficos. China impôs salvaguarda e limitou importação do produto brasileiro a 1,1 milhão de toneladas. No final de dezembro, o Ministério do Comércio da China anunciou tarifas de 55% sobre as importações de carne bovina de países como Brasil, Argentina, Uruguai e Estados Unidos que excedam uma determinada quantidade. No caso do Brasil, a cota para 2026 é de cerca de 1,1 milhão de toneladas. Isso significa que o que superar esse patamar estará sujeito a uma tarifa de 55% —o que mina a competitividade do produto nacional. Com base em dados de 2025, a análise do Mapa estima que deve haver uma redução na demanda chinesa por esse tipo de proteína de cerca de 35%, o equivalente a 600 mil toneladas. “Em cenário de ausência de resposta coordenada do governo brasileiro, a tendência é de forte desorganização dos fluxos comerciais, com impactos relevantes sobre toda a cadeia produtiva”, diz o ofício, assinado por Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa. No ofício, Rua lista diferentes consequências que a falta de controle para as vendas à China pode provocar. São elas: corrida desordenada de exportadores, com antecipação de embarques e contratos para ocupar a maior fatia da cota chinesa; queda dos preços em razão da competição entre frigoríficos nacionais; excesso de oferta em outros mercados caso a produção inicialmente destinada à China seja redirecionada a outros países; efeito em cascata sobre produtores rurais em áreas dependentes da pecuária; e possibilidade de as cotas chinesas serem preenchidas apenas por grupos empresariais de grande porte. “Em síntese, a ausência de qualquer mecanismo nacional de administração das exportações em face do teto imposto pelo importador [China] cria incentivos à competição desordenada entre empresas brasileiras, amplifica o choque negativo de demanda e aumenta o risco de colapso de preços e de emprego no setor”, diz o documento. De acordo com interlocutores no setor, não é possível estimar com precisão quanto do limite de 1,1 milhão de toneladas já foi usado por exportadores brasileiros, uma vez que os dados de janeiro são de carne embarcada ainda no final de 2025. O governo Lula argumenta que a carga embarcada antes do anúncio das salvaguardas deve ficar fora do cálculo das sobretaxas. De acordo com dados do Mdic, houve aumento de compra de carne bovina pelos chineses em janeiro. Foram 123,2 mil toneladas importadas por Pequim, um valor cerca de 35% maior do que o mesmo mês do ano passado. O ofício do Mapa é destinado à secretaria-executiva da Camex (Câmara de Comércio Exterior), vinculada ao Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). A recomendação do Ministério da Agricultura é que o sistema de cotas de exportação seja deliberado já na próxima reunião do Gecex (Comitê Executivo de Gestão da Camex), para que os efeitos das limitações chinesas sejam reduzidos ainda em 2026. O próximo encontro do Gecex está previsto para esta quinta-feira (12). Procurado, o Mdic disse que “eventual debate e deliberação sobre o tema poderão ser feitos no âmbito do Gecex, colegiado de 10 ministérios, em data ainda a ser definida”. A pasta destacou que a proposta do Mapa ainda está sob análise técnica. “O governo brasileiro, por intermédio do Mdic e do Mapa, tem mantido diálogo permanente com o governo chinês sobre o tema. O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin conversou, no dia 28 de janeiro, por ligação telefônica, com o vice-presidente da China, Han Zheng, quando manifestou preocupação em relação às salvaguardas aplicadas; e o tema continua em negociação com o governo chinês”, disse o Mdic. O Mapa não respondeu a pedido de comentário feito pela Folha. Entre os requisitos que o sistema de cotas deveria observar, ainda de acordo com o documento, o Ministério da Agricultura propõe que haja uma distribuição proporcional entre os exportadores privados de acordo com o histórico recente de vendas à China. A pasta também sugere que haja um mecanismo para a inclusão de novos e pequenos exportadores, com uma reserva técnica para essas empresas. Para o controle das cotas, propõe o uso de licenças de exportação, com bloqueio automático de embarques que excedam os limites autorizados. Rua recomenda, ainda, que as cotas dos exportadores sejam corrigidas de acordo com o pequeno reajuste dos limites da China previstos para o próximo ano e para 2028. “À vista do exposto, e considerando a iminência de impactos significativos já em 2026, o Mapa propõe que a resolução Gecex que institui o sistema brasileiro de cotas de exportação de carne bovina para a China seja apreciada e votada na próxima reunião do Comitê Executivo de Gestão da Camex, de forma a permitir que a medida entre em vigor com a antecedência necessária para orientar contratos e embarques ao longo do ano corrente”, conclui o ofício. O governo da China anunciou a sobretaxa sob a justificativa de proteção do seu mercado interno. Os preços da carne bovina na China têm apresentado tendência de queda nos últimos anos devido ao excesso de oferta e à fraca demanda decorrente da desaceleração da segunda maior economia do mundo, segundo analistas. Ao mesmo tempo, as importações dispararam, tornando o gigante asiático um mercado crucial para países produtores de carne bovina, como os da América Latina e a Austrália. No início de fevereiro, a China negou o pedido do governo brasileiro de que as cotas para carne bovina remanescentes de outros países fossem redistribuídas entre aqueles que já haviam estourado o próprio limite.
FOLHA DE SÃO PAULO
Ministério da Agricultura sugere criar sistema de controle de cotas de carne bovina para a China
Documento cita o risco de “colapso de preços e de emprego” se não houver um mecanismo de administração dos embarques para a China. Governo chinês aplicou salvaguardas na importação de carne bovina; Brasil pode vender 1,1 milhão de toneladas em 2026
O Ministério da Agricultura sugeriu oficialmente a criação de um sistema de controle das exportações de carne bovina para a China para administrar a cota de 1,1 milhão de toneladas estabelecida pelo país asiático aos frigoríficos brasileiros em 2026. O tema está em discussão desde o início do ano entre governo e setor privado. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmada pelo Valor. O pedido foi formalizado em ofício encaminhado à secretaria-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex). O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) do colegiado vai se reunir nesta quinta-feira (12/2). A intenção é que a pauta fosse deliberada nesse encontro, mas ainda não há consenso sobre o tema. Com isso, não há previsão de que a proposta seja avaliada imediatamente pela Camex. De acordo com fontes a par do assunto, ainda há detalhes legais e jurídicos que impedem o avanço da medida dentro do governo. Uma das questões em debate, por exemplo, é se a criação de um mecanismo de controle de embarques poderia ou não interferir na livre concorrência e representar, em última instância, algum tipo de proibição às exportações. A sugestão atual é que o controle seja feito pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mas há dúvidas sobre a viabilidade técnica da proposta. O controle seria feito com a emissão de licenças de exportação e bloqueio automático de embarques que excedam os limites autorizados. No ofício, o Ministério da Agricultura relata que se o governo não agir de forma coordenada ante a cota chinesa pode haver “forte desorganização dos fluxos comerciais, com impactos relevantes sobre toda a cadeia produtiva”. O teor do documento foi confirmado pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua. O texto cita o risco de “colapso de preços e de emprego no setor” pecuário se não houver um mecanismo estatal de administração dos embarques para a China. O ofício diz ainda que, sem um mecanismo de controle, há a possibilidade de que apenas grupos empresariais de grande porte preencham as cotas chinesas. A Pasta relatou que a falta de um controle oficial pode gerar uma corrida desordenada dos frigoríficos exportadores, com intuito de antecipar vendas e preencher a cota. Os volumes exportados dentro da cota são taxados em 12%. Fora da cota, a tarifa é de 67%. A competição entre as empresas para embarcar para a China poderia gerar queda dos preços dos produtos exportados, informou a Pasta no ofício à Camex. O ministério aponta ainda a possibilidade de excesso de oferta em outros mercados caso a produção inicialmente destinada à China seja redirecionada a outros países e um “efeito em cascata” sobre produtores rurais em áreas dependentes da pecuária. No fim de dezembro de 2025, a China decidiu aplicar salvaguardas na importação de carne bovina, como forma de regular a entrada de proteína estrangeira e dar respostas ao setor produtivo local, que reclamou da alta no volume importado nos últimos anos. O Brasil, principal fornecedor, ficou com a maior cota, de 1,1 milhão de toneladas, mesmo assim abaixo da quantidade exportada em 2025, de quase 1,7 milhão de toneladas. Outros exportadores, como Argentina, Uruguai e Estados Unidos, também receberam volumes específicos até 2028. Desde então, os frigoríficos brasileiros aguardam uma regulação estatal para o controle das exportações. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) pediram ao Ministério da Agricultura para negociar a distribuição das cotas. Procurada, a Abiec disse que aguarda a decisão do governo sobre o assunto para se manifestar. A Abrafrigo disse que não teve acesso ao ofício. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, disse que o ofício apenas formaliza o que tem sido amplamente debatido e que a proposta leva em conta sugestões de medidas que podem ser adotadas para o acompanhamento das exportações a partir da implementação da cota chinesa. Rua relatou que não há, por ora, definição de como será feita a divisão dos volumes entre as empresas exportadoras. Segundo ele, a discussão ainda está “um passo atrás”, para definir o mecanismo de acompanhamento e monitoramento dos embarques. Uma das propostas iniciais, disse Rua, era de que o controle dos embarques fosse feito pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Ministério da Agricultura, responsável pela emissão dos certificados internacionais para exportação e a inspeção da carne. A medida, porém, já foi descartada, afirmou o secretário. Mesmo assim, o ofício sugere que a distribuição da cota seja proporcional entre os 67 frigoríficos habilitados para a China e leve em consideração o desempenho recente das vendas de cada empresa. O ministério defende ainda uma reserva técnica para novos exportadores, que eventualmente possam ser habilitados, e pequenos frigoríficos. O modelo é parecido com o da Cota Hilton para exportação de cortes nobres para a União Europeia. O sistema administrado pelo governo brasileiro distribui 90% do volume autorizado proporcionalmente entre os frigoríficos com base nas exportações do ano anterior e reserva 10% para novos entrantes. Rua afirmou ainda que mantém contato constante com as autoridades chinesas, mas que não houve avanços nos pedidos feitos pelo Brasil. Os sinais até então são “inconclusivos”. O governo brasileiro pediu para que as cargas enviadas antes da decisão de aplicação das salvaguardas, em 31 de dezembro, não sejam contabilizadas na cota de 2026. O Executivo também quer que Pequim repasse aos frigoríficos brasileiros eventuais “sobras” de volumes não atendidos por outros países exportadores. Em entrevista à CNN nesta semana, o ministro Carlos Fávaro havia dito que recebeu sinalizações “positivas” e “favoráveis” da China quanto aos pleitos. Fontes do setor afirmam que a “pressão” não funciona com os chineses. Os recados enviados por Pequim até agora são de que a administração das cotas ficará lá e não nos países exportadores. Consultado nesta semana sobre o assunto, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços respondeu à reportagem apenas que “o tema continua em negociação com o governo chinês”.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar cai ao menor valor desde maio de 2024 em meio a forte fluxo estrangeiro para a bolsa
O forte fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira foi mais uma vez decisivo para a queda do dólar ante o real na quarta-feira, em movimento que esteve em sintonia com recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior.
O dólar à vista fechou o dia com queda de 0,20%, aos R$5,1872 — o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou aos R$5,1539. No ano, a divisa acumula agora baixa de 5,50%. Às 17h03, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — caía 0,17% na B3, aos R$5,2025. Após abrir a sessão em baixa, o dólar à vista zerou as perdas no Brasil e chegou a ser cotado na máxima de R$5,2044 (+0,13%) às 10h33, acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior, após a divulgação do relatório de empregos payroll nos EUA. O documento mostrou que a economia norte-americana gerou 130 mil postos de trabalho em janeiro, bem acima da projeção de 70 mil vagas apontada em pesquisa da Reuters com economistas. A taxa de desemprego ficou em 4,3% em janeiro, ante projeção de 4,4%. No entanto, o forte fluxo de recursos estrangeiros para a bolsa voltou a ditar o ritmo dos negócios no Brasil, com o dólar à vista atingindo a mínima de R$5,1697 (-0,54%) às 11h09 — em um momento em que o Ibovespa superava recordes históricos. “Há um fluxo financeiro forte para emergentes, com o dólar perdendo valor globalmente. No Brasil, a bolsa está renovando recordes sequenciais, e aí não tem jeito: é muita oferta de dólar e o preço vem para baixo mesmo”, comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital. Ainda que a queda tenha desacelerado até o encerramento da sessão, o dólar terminou em leve baixa ante o real, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes, como o peso chileno e o peso colombiano. Pela manhã, durante evento do BTG Pactual em São Paulo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, repetiu que a instituição pretende começar a “calibragem” da taxa de juros a partir de março, mas evitou dar sinais sobre o que será feito no restante do ano. No fim de janeiro, o BC manteve a taxa básica Selic em 15% ao ano, mas sinalizou a intenção de iniciar o ciclo de cortes em março. À tarde, a instituição informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$294 milhões na última semana.
REUTERS
Ibovespa ultrapassa 190 mil pela 1ª vez embalado por estrangeiros
O Ibovespa fechou em alta de mais de 2% na quarta-feira, ultrapassando a marca de 190 mil pontos pela primeira vez, em movimento tracionado pelas blue chips como Vale, Petrobras e Itaú Unibanco, na esteira do persistente fluxo de capital externo para as ações brasileiras.
O noticiário corporativo reforçou o viés positivo, com Suzano disparando mais de 13% após resultado forte e expectativas otimistas para a demanda de celulose, enquanto TIM saltou 8%, também refletindo a repercussão a números melhores do que o previsto no último trimestre do ano passado. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 2,22%, a 190.058,97 pontos, segundo dados preliminares, marcando 190.561,18 no melhor momento, novo recorde intradia, após superar na sessão os 188 mil e os 189 mil pontos pela primeira vez. Na mínima, registrou 185.936,27 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$34,9 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Brasil tem fluxo cambial negativo de US$294 milhões na última semana, diz BC
O Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$294 milhões em fevereiro até dia 6, período que corresponde à última semana, conforme dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central.
Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$827 milhões em fevereiro até dia 6. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de fevereiro até dia 6 foi positivo em US$532 milhões. Os dados mais recentes são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. No acumulado do ano até 6 de fevereiro, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$4,792 bilhões.
REUTERS
Índice de Preços ao Produtor sobe 0,12% em dezembro, diz IBGE
Segundo o instituto, o indicador que mede a inflação da indústria ou de “porta de fábrica” encerrou o ano de 2025 com queda de 4,53%; doze das 24 atividades acompanhadas tiveram alta de preços em dezembro
O Índice de Preços ao Produtor (IPP), conhecido como a inflação da indústria ou de “porta de fábrica”, por considerar os preços sem impostos e fretes, subiu 0,12% em dezembro, e encerrou o ano de 2025 com queda de 4,53%, mostram os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dos 12 meses de 2025, a inflação da indústria ficou no campo positivo apenas em janeiro (0,15%) e dezembro (0,12%). Doze das 24 atividades acompanhadas pelo IPP tiveram alta de preços em dezembro. A metalurgia e as indústrias extrativas foram as principais influências para esse resultado no campo positivo. O resultado fechado do IPP em 2025 contrasta com o observado em 2024, quando houve alta de 9,28%. Em 2023, o índice recuou 4,99%. O IPP é formado por dois índices: o da indústria de transformação e o da indústria extrativa. Na indústria de transformação, houve recuo de 0,01% em dezembro, ante queda de 0,21% em novembro, e retração de 4,03% em 2025. Já o IPP da indústria extrativa subiu 3,13% em dezembro – frente a recuo de 3,32% em novembro – e acumulou queda de 14,39% em 2025. Esse foi o segundo recuo mais intenso da série histórica do índice, atrás apenas de 2014 (-31,60%), que foi o primeiro ano que a pesquisa acompanhou a evolução dos preços nas indústrias extrativas. De acordo com o gerente do IPP, Murilo Alvim, o comportamento das indústrias extrativas no ano passado está ligado ao aumento da oferta global de óleos brutos de petróleo e de minérios de ferro, que ajudou a reduziu os preços. Metalurgia Os preços de metalurgia subiram 2,24%, com impacto de 0,15 ponto percentual (p.p.) na taxa de 0,12% do IPP. As indústrias extrativas registraram alta de 3,13% e responderam por 0,13 p.p. do IPP. Por outro lado, as atividades de alimentos e outros produtos químicos foram as que mais exerceram pressão para baixo na inflação da indústria. Os preços de alimentos caíram 0,76%, com influência de -0,19 ponto percentual. Outros produtos químicos, por sua vez, tiveram queda de 1,19%, com -0,09 ponto percentual de impacto. Na metalurgia, a alta de 2,24% em dezembro vem depois de recuo de 0,34% em novembro, ante outubro. O maior impacto veio de metais não ferrosos, escreveu o IBGE, ao citar a relação dessa categoria com as cotações das bolsas internacionais de produtos como alumínio, ouro e cobre. Em dezembro, a taxa de câmbio também influenciou o resultado, com aumento de 2,1% do dólar frente ao real, a despeito da queda de 10,6% no resultado consolidado de 2025.
VALOR ECONÔMICO
GOVERNO
Parlamentares querem salvaguardas para agro no acordo com eu. O leite e o vinho podem ser afetados pelo tratado
Ideia é negociar com setores do Executivo mecanismo de garantia após aprovação da proposta de defesa da agricultura europeia. Ruralistas querem proteção a leite, vinho e outras cadeias sensíveis no acordo Mercosul-UE
Parlamentares querem negociar com o Executivo a adoção de salvaguardas para proteger os produtores brasileiros das importações europeias, estimuladas pelo acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Na terça-feira (10), a votação do texto nesse sentido foi adiada pela comissão mista de deputados e senadores que representam o Brasil no Parlamento do Mercosul (Parlasul) para o dia 24, depois do Carnaval. Esse intervalo dá aos deputados e senadores uma janela de oportunidade para intensificar as conversas sobre possíveis mecanismos de proteção aos produtores. O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado (CRE), Nelsinho Trad (PSD-MS), e a ex-ministra da Agricultura, senadora Tereza Cristina (PP-MS), devem ter uma reunião com o vice-presidente e chefe do Mdic, Geraldo Alckmin, na quarta-feira (11) para falar sobre o tema. Por meio dessas conversar com o Executivo, o objetivo é permitir a continuidade da tramitação célere e o atendimento das preocupações dos produtores brasileiros. Nessa ofensiva, os parlamentares já tiveram conversas com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e técnicos do Mdic para fazer essa demanda. Na semana passada, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, recebeu representantes de setores exportadores inseridos no acordo para avaliar o cenário. Em outra frente, deputados e senadores membros da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) querem uma tramitação mais lenta para seguir com as negociações desses possíveis instrumentos. “Houve uma reclamação, principalmente do setor agropecuário, de alguns pontos delineados nesse acordo. Como ali é o local em que eles se debruçaram sobre todos os tópicos dessa situação, a gente entendeu por bem promover essa reunião para justamente poder apurar as determinadas arestas que tiveram. Podemos propor compensações por parte do próprio governo, porque no acordo não dá mais [para modificar], afirmou Nelsinho ao Valor. Podemos propor compensações por parte do próprio governo, porque no acordo não dá mais” — Nelsinho Trad. Os europeus aprovaram internamente na terça-feira salvaguardas para proteger seus produtores de importações brasileiras que possam afetar a venda interna de produtos com origem na União Europeia. A embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, relatou esta aprovação aos parlamentares, que viram o movimento como positivo e como o início de um distensionamento do clima no Parlamento Europeu. Os brasileiros aguardam a baixa dos ânimos dos políticos europeus para fazer uma missão oficial pela aprovação do acordo na Europa. “Eu quero dizer que, para o agro, momentaneamente, essas salvaguardas são muito baixas. Ter o aumento em preço ou em volume de 5% de importação para a Europa como salvaguarda deixa o acordo muito pouco atrativo para o setor de carnes, para o açúcar e para todos os produtos que nós já exportamos. Se passar disso, voltam as taxas não praticadas pelo acordo, que trazem vantagens, porque muitas são zeradas. Mas eu acho que o Brasil vai dar uma demonstração de que nós temos, realmente, um agro sustentável”, argumentou a senadora Tereza Cristina durante a sessão. O Executivo, entretanto, tem uma avaliação divergente. Integrantes do governo acreditam que a aprovação interna de mecanismos protecionistas possa enviar uma sinalização negativa do Brasil aos europeus e fechar portas em futuras tratativas. Ainda no Congresso, durante a reunião da comissão mista, o relator da matéria na comissão mista, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), fez a leitura do seu parecer na reunião e aceitou um pedido de adiamento da votação do texto. Chinaglia sugere a aprovação do acordo assinado pelos blocos econômicos no último dia 17. Por ser um acordo internacional, o conteúdo do tratado não pode ser modificado pelos parlamentares brasileiros. Eles precisam aprovar a matéria em sua totalidade ou rejeitá-la completamente.
VALOR ECONÔMICO
Com endividamento crescente no campo, desembolso de crédito rural cai 13%
Inadimplência, recuperações judiciais e aumento da seletividade dos bancos estão restringindo a concessão dos empréstimos para a safra 2025/26. Bancos estão mais cautelosos, e produtor enfrenta dificuldades para tomar crédito
Em uma temporada marcada por recordes de inadimplência e de pedidos recuperações judiciais no campo, endividamento crescente e maior aversão ao risco no mercado, o crédito rural concedido pelas instituições financeiras nas linhas tradicionais de financiamento aos produtores recuou quase 13% no acumulado dos sete primeiros meses do Plano Safra 2025/26 na comparação com o mesmo período do ciclo anterior. De julho do ano passado até janeiro deste ano, os desembolsos somaram cerca de R$ 207,3 bilhões, R$ 30 bilhões a menos que em igual intervalo da temporada 2024/25, quando a concessão chegou a R$ 237,4 bilhões. Custeio e investimento tiveram recuos de 23%. Os valores para custear a produção caíram de R$ 135,1 bilhões para R$ 117 bilhões nos sete meses terminados em janeiro. Com apetite menor para investir num cenário de juros altos, as operações de longo prazo, sobretudo para compra de máquinas, regrediram de R$ 65 bilhões para menos de R$ 50 bilhões. Os desembolsos para comercialização caíram 14%, para R$ 19,6 bilhões. Já os empréstimos para industrialização subiram 42%, para R$ 20,6 bilhões. A queda no acesso às linhas de crédito rural é concentrada nos grandes produtores, que têm recorrido ao financiamento via Cédulas de Produto Rural (CPR), cuja contratação é menos “burocrática” e sem incidência de IOF. Segundo o Ministério da Agricultura, os desembolsos desses títulos avançaram 37% no período e saltaram para R$ 143,22 bilhões até janeiro. Pequenos e médios produtores tiveram concessões de crédito semelhantes nos períodos comparados. Os dados foram compilados pela reportagem a partir do sistema do Banco Central no início desta semana e podem mudar conforme a data de consulta. O levantamento não inclui as CPRs. As informações divergem dos valores contratados, que são maiores, pois algumas operações ainda não foram efetivamente liberadas nas contas bancárias dos agricultores. Mesmo assim, só há crescimento nas CPRs, que não são inseridas no sistema do BC. O Ministério da Agricultura disse, em comunicado, que o ambiente está mais restritivo por fatores de demanda e de oferta de crédito. “Do lado da demanda, os produtores rurais priorizaram o custeio, essencial para a produção imediata. Do lado da oferta, as instituições financeiras adotaram postura mais cautelosa, influenciadas pelas elevadas taxas de juros”. Segundo a Pasta, há uma “mudança no perfil de captação de recursos pelos produtores rurais brasileiros”, com preferência pelas CPRs e retração nas linhas tradicionais. Mesmo com a reserva de orçamento para equalização de financiamentos a juros controlados na segunda metade da safra e o início do circuito das feiras agropecuárias, a demanda pelos recursos para investimentos deverá continuar aquém do esperado, por conta do aperto com o nível elevado das taxas de juros e o endividamento. O desempenho do Moderfrota, principal programa para compra de máquinas agrícolas do Plano Safra, está 55% menor. Até janeiro, haviam sido concedidos R$ 2,7 bilhões em pouco mais de sete mil operações contra R$ 6,1 bilhões de 13,4 mil financiamentos no mesmo período da safra 2024/25, quando a Selic estava em 12,25%. Apenas as cooperativas de crédito apresentaram desempenho melhor nesta safra, com crescimento nos recursos concedidos. Foram R$ 51,3 bilhões contra R$ 46,4 bilhões entre julho de 2024 e janeiro de 2025. No Sicredi, por exemplo, houve crescimento de 4% nas operações de custeio expansões acima de 40% nos financiamentos de comercialização e investimentos para pequenos e médios produtores. Bancos públicos tiveram a maior retração, de R$ 134,4 bilhões para R$ 101 bilhões. Os bancos privados mantiveram o desempenho, com pouco mais de R$ 44 bilhões nos sete meses.
GLOBO RURAL
INTERNACIONAL
Bloqueio chinês preocupa indústria da carne bovina dos EUA
Imbróglio com a China foi um dos temas da convenção anual realizada em Nashville,Tennessee
Líderes da Federação de Exportação de Carne dos EUA (USMEF) estiveram presentes na Convenção da Indústria de Carne Bovina de 2026 (CattleCon), realizada de 3 a 5 de fevereiro, em Nashville, Tennessee. Durante o evento, a federação manifestou preocupação em relação à continuidade da proibição da entrada de carne bovina norte-americana no mercado chinês. A maior parte da produção de carne bovina dos EUA está bloqueada na China desde março/25. Erin Borror, vice-presidente de análise econômica da USMEF, respondeu às perguntas do setor sobre a retomada do acesso da carne bovina à China, explicou que houve pouco progresso nessa questão. “A China continua se recusando a renovar os registros para instalações de produção e armazenamento refrigerado de carne bovina dos EUA”, relata Borror, acrescentando: “Infelizmente, para a China, não temos nenhuma notícia relevante”. Ela explicou aos produtores presentes na convenção que, mesmo com baixos estoques de gado nos EUA, o acesso à China é vital para manter o valor da carcaça, enfatizando: “Ainda precisamos recuperar esse mercado – inclusive neste momento do ciclo pecuário – e precisamos ser capazes de exportar, mesmo com uma oferta relativamente baixa”. Jay Theiler, presidente da USMEF e representante da Agri Beef Co., viajou recentemente a Washington, D.C., com outros líderes da USMEF para conversar com representantes do USDA e do Escritório do Representante Comercial dos EUA sobre a importância de retomar o acesso ao mercado chinês. Theiler afirmou que o governo está totalmente empenhado na questão e compreende sua importância para os produtores norte-americanos.
PORTAL DBO
Índice de Preços da Carne da FAO registra queda em janeiro/26
Recuo do indicador refletiu principalmente a redução dos preços internacionais da carne suína; cotações das carnes bovina e ovina permaneceram estáveis
O Índice de Preços da Carne da FAO teve uma média de 123,8 pontos em janeiro/26, com queda de 0,5 pontos (ou 0,4%) em relação a dezembro/25, de acordo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Porém, em comparação com janeiro/25, o indicador apresenta aumento de 7,1 pontos, ou de 6,1%. A queda do índice refletiu principalmente a redução dos preços internacionais da carne suína, enquanto as cotações das carnes bovina e ovina permaneceram praticamente estáveis. Em contrapartida, os preços mundiais da carne de aves aumentaram. Segundo reportagem do portal australiano Beef Central, os preços da carne suína caíram principalmente devido às cotações mais baixas na União Europeia, em meio à demanda internacional moderada e à oferta abundante, incluindo a liquidação de estoques atrasados associados ao fechamento temporário de matadouros durante os feriados de fim de ano. Por sua vez, relata o portal, os preços da carne bovina também se mantiveram amplamente estáveis, em meio a mudanças nas exportações brasileiras para outros destinos, após o rápido esgotamento da cota isenta de tarifas dos Estados Unidos da América e a subsequente aplicação da tarifa de 26,4% para exportações fora da cota. “Os embarques de carne bovina do Brasil foram cada vez mais redirecionados a China, onde os importadores aceleraram as compras para garantir volumes antes do anúncio da cota de salvaguarda para a proteína, compensando a potencial pressão de baixa sobre os preços brasileiros”, detalhou a Beef Central. O Índice de Preços dos Alimentos da FAO (FFPI), que acompanha as variações mensais nos preços internacionais de uma cesta de produtos alimentícios comercializados globalmente, registrou uma média de 123,9 pontos em janeiro/26, com queda de 0,4% em relação a dezembro/25 e 0,6% abaixo do patamar registrado há um ano. Foi o quinto mês consecutivo de queda do indicador, que em janeiro/26 foi puxada pela retração nas cotações internacionais de laticínios, açúcar e carne. O FFPI de janeiro ficou 36,4 pontos (-22,7%) abaixo do pico atingido em março de 2022.
BEEF CENTRAL
FRANGOS & SUÍNOS
Custos da ração pressionam a suinocultura e exigem estratégia do produtor em 2026
Milho segue como principal vilão dos custos, enquanto eficiência e gestão ganham ainda mais importância nas granjas
O custo de produção da suinocultura brasileira voltou a acender um sinal de alerta para o produtor rural. Após um primeiro semestre de 2025 marcado por alívio nos gastos, a segunda metade do ano trouxe novamente pressão, puxada principalmente pela alta do milho, insumo que responde por mais de 70% do custo total da atividade. Esse movimento reforça a necessidade de planejamento e tomada de decisão mais estratégica dentro das granjas. Em um setor que não define preços e depende fortemente do mercado, pequenas variações nos insumos podem fazer grande diferença no resultado do produtor. Segundo dados da Embrapa, o comportamento dos custos em 2025 foi dividido em dois momentos bem distintos. O pesquisador da Embrapa Aves e Suínos, Marcelo Miele, explica que a queda inicial deu lugar a uma reversão clara no segundo semestre, com impacto direto sobre a rentabilidade. “A ração representa mais de 70% do custo total e hoje é o principal fator de pressão sobre o custo do suíno vivo”, destacou Miele. De acordo com ele, o primeiro semestre de 2025 foi marcado pela redução nos preços do milho e do farelo de soja, trazendo certo alívio ao caixa do produtor. No entanto, esse cenário mudou rapidamente. “A partir do início do segundo semestre, verificamos a reversão dessa tendência, sobretudo puxada pela questão do milho”, afirmou o pesquisador. O fator cíclico da disponibilidade do grão voltou a pesar não apenas na suinocultura, mas também na produção de frangos e ovos. A Embrapa trabalha com preços de mercado de cada mês para retratar a realidade média do setor. Isso significa que o impacto pode variar conforme a estratégia adotada por cada produtor. Mesmo assim, a pressão foi sentida de forma generalizada no segundo semestre. Marcelo Miele explica que produtores com capacidade de estocagem e gestão de risco conseguem reduzir parte desse impacto. “O valor do milho no custo vai depender muito da estratégia de aquisição e de proteção de risco de cada produtor ou cooperativa”, afirmou. Segundo ele, quem consegue formar estoque em momentos de preços mais baixos enfrenta oscilações menos intensas. Ainda assim, mesmo esses produtores sentiram a pressão típica do período de entressafra, quando a oferta do grão se torna mais restrita. Para o especialista, a orientação é clara. “Buscar ter um mínimo de estocagem disponível e capital de giro para aproveitar momentos de preços atrativos é a principal forma de se proteger dessas variações cíclicas”, ressaltou. Além da ração, outros itens vêm ganhando peso ao longo dos últimos anos. Em Santa Catarina, por exemplo, o custo de produção subiu quase 1% em dezembro, novamente impulsionado pelo milho. No entanto, há uma tendência estrutural de aumento em despesas menos visíveis. “Quando olhamos outros itens, como mão de obra, energia elétrica, construções e equipamentos, vemos uma tendência histórica de alta”, explicou Miele. Esses custos, embora menores que a ração, impactam a depreciação e o custo de capital. O mercado de trabalho rural também passa por mudanças importantes. “Hoje o mercado rural e urbano são vasos comunicantes, o que leva a uma maior equalização dos salários”, afirmou. Esse movimento pressiona a folha de pagamento e exige mais eficiência da gestão. O impacto desses custos varia conforme o perfil do produtor. Para quem atua de forma independente ou no mercado spot, a atenção se concentra principalmente na ração e na genética. “Esses são os principais itens de gestão para esse produtor”, destacou o pesquisador. Já no sistema de integração, onde a ração e a genética ficam sob responsabilidade da agroindústria, outros custos ganham maior relevância. “Fica muito claro o impacto da mão de obra, da energia e da estrutura”, explicou Miele. Ao longo de 2025, o custo de produção acumulou alta de 4,39%. Mesmo assim, isso não significou, automaticamente, perda de rentabilidade. Segundo ele, até setembro e outubro, a relação entre o preço do suíno vivo e o custo da ração foi favorável. O avanço das exportações e o bom consumo interno sustentaram os preços pagos ao produtor. Essa relação começou a se deteriorar apenas no final do ano, com custos mais altos e recuo nos preços do suíno. Ainda assim, os patamares seguem melhores que a média histórica. Para 2026, a expectativa é de maior estabilidade, pelo menos no curto prazo. “Devemos manter um patamar semelhante ao final de 2025 e início de 2026”, avaliou o pesquisador. Segundo Miele, o primeiro semestre tende a ser marcado por custos estáveis, com pequenas oscilações ligadas ao mercado do milho. A maior incerteza está do lado da oferta e dos preços do suíno no mercado interno e internacional.
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