CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2593 DE 11 DE NOVEMBRO DE 2025

clipping

Ano 11 | nº 2593 | 11 de novembro de 2025

 

NOTÍCIAS

Cotações no mercado do boi gordo estáveis em São Paulo

Normalmente, as segundas-feiras são marcadas por cotações estáveis, com poucos negócios, repetindo a cotação da sexta-feira. As escalas de abate estavam, em média, para oito dias.

Pelos dados da Scot Consultoria, no mercado paulista, o boi sem padrão-exportação segue valendo R$ 320/@, enquanto o “boi-China”, a vaca gorda e a novilha terminada são negociados por R$ 325/@, R$ 298/@ e R$ 312/@, respectivamente (todos os preços são brutos e com prazo). No Tocantins, na região Sul, a oferta de bovinos diminuiu. A cotação do boi gordo não mudou. Entre as fêmeas, a cotação subiu R$2,00. Na região Norte, as ofertas melhoraram, no entanto, os negócios ocorreram acima das referências anteriores, sustentados também pela melhora no escoamento de carne. A cotação do boi gordo não mudou. Enquanto a cotação das fêmeas subiu R$3,00/@. No atacado de carne com osso, o estoque diminuindo, aliado à menor disponibilidade de boiadas, levou a um aumento da cotação da arroba e deu sustentação aos preços das carcaças casadas. A cotação da carcaça casada do boi capão subiu 3,9%, ou R$0,85/kg, e a do boi inteiro subiu 3,4%, ou R$0,70/kg. Para as carcaças casadas das fêmeas, a alta foi de 3,3%, ou R$0,65/kg, para a da vaca, e para a da novilha foi de 3,6%, ou R$0,75/kg. No mercado de carnes alternativas, a cotação do frango médio* subiu 1,4%, ou R$0,10/kg. A cotação do suíno especial** apresentou alta de 2,4%, ou R$0,30/kg.

SCOT CONSULTORIA 

Rumores de retração nas compras da China marcaram o fim da semana do boi gordo

Rumores sobre restrições do país asiático por excesso de Fluazuron em lotes brasileiros trazem cautela ao mercado, mas arroba do boi registra ganhos

O mercado do boi gordo registrou uma semana um pouco mais conturbada em termos de negócios. O cenário foi influenciado por especulações de que estão ocorrendo reuniões na China com representantes da agroindústria brasileira devido à presença de Fluazuron acima do permitido em lotes enviados pelo país. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Iglesias, há a possibilidade de retração das compras chinesas no curtíssimo prazo, o que levou o mercado futuro do boi a precificar movimentos de queda nos preços no dia 6 de novembro. O mercado também acompanha o resultado de uma investigação conduzida pela China sobre salvaguardas, iniciada em dezembro de 2024, para avaliar se as compras junto ao Brasil prejudicam a indústria local. Iglesias alerta que esse processo poderia ter efeito negativo sobre as exportações brasileiras de carne bovina. Diante deste cenário, muitos frigoríficos reduziram ou suspenderam a compra de gado no dia 6. Ainda assim, o balanço semanal aponta para preços mais altos do boi gordo. Na modalidade a prazo, os preços do boi gordo nas principais praças brasileiras em 6 de novembro estavam assim: São Paulo (Capital): R$ 330,00 a arroba (+1,24% frente aos R$ 325,00 da semana anterior). Goiás (Goiânia): R$ 315,00 a arroba (estável). Minas Gerais (Uberaba): R$ 310,00 a arroba. Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 330,00 a arroba. Mato Grosso (Cuiabá): R$ 310,00 a arroba (+1,64%). Rondônia (Vilhena): R$ 295,00 a arroba (+1,72%). O mercado atacadista acompanhou a tendência de alta, refletindo a firmeza nos preços. A perspectiva de continuidade do movimento leva em consideração o ápice do consumo doméstico, impulsionado pela entrada do décimo terceiro salário, confraternizações de final de ano e a criação de postos temporários de emprego. O quarto traseiro do boi foi cotado a R$ 25,00 o quilo, sem mudanças, enquanto o quarto dianteiro registrou R$ 18,75 o quilo, avanço de 3,02% em relação ao mês anterior (R$ 18,20). As exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada renderam US$ 1,775 bilhão em outubro (22 dias úteis), com média diária de US$ 80,706 milhões. O volume total exportado foi de 320,558 mil toneladas, média diária de 14,570 mil toneladas, e o preço médio da tonelada ficou em US$ 5.538,90. Na comparação com outubro de 2024, houve alta de 40,9% no valor médio diário, ganho de 18,6% na quantidade média diária e avanço de 18,8% no preço médio, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.

SAFRAS NEWS

Embarques de carne bovina in natura somam 100,8 mil toneladas na primeira semana de novembro/25

Média diária exportada teve um avanço de 67,5% nos primeiros cincos dias úteis de novembro/25

Os embarques de carne bovina in natura mantêm bom desempenho na primeira semana de novembro de 2025, com volume exportado de 100,8 mil toneladas, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em novembro do ano passado, o volume total exportado foi de 228,1 mil toneladas em 19 dias úteis. A média diária exportada nos cinco primeiros dias úteis ficou em 20,1 mil toneladas, avanço de 67,5% frente a média diária do ano anterior, que ficou em 12 mil toneladas.  O faturamento com as exportações de carne bovina in natura na primeira semana de novembro de 2025 alcançou US$ 554 milhões, enquanto no mesmo mês do ano anterior foi US$ 1,111 bilhão. A média diária da receita até a primeira semana de novembro ficou em US$ 110,8 milhões, ganho de 89,4%, frente ao observado no mês de novembro do ano passado, com US$ 58,4 milhões. Os preços médios pagos pela carne bovina ficaram próximos de US$ 5.510 por tonelada e isso representa um ganho anual de 13,1%, sobre o valor médio de 2024 que estava em US$ 4.871 por tonelada.

SECEX/MDIC

Rumores sobre salvaguarda da China para carne bovina travam mercado

Expectativa por decisão de Pequim retira frigoríficos das compras e adia reajustes nos preços da arroba do boi gordo. Um dos rumores foi sobre possível aplicação de medidas contra as importações de carne bovina, incluindo o Brasil

O mercado pecuário iniciou a semana com negociações travadas. Conforme apuração da Safras&Mercado, muitos frigoríficos estão sem ir às compras na expectativa da decisão do governo chinês em relação à investigação para imposição ou não de medidas de salvaguarda sobre as importações de carne bovina do País. No final do ano passado, a China iniciou um processo para apurar os volumes de compras de carne bovina importada. Como justificativa para a abertura do processo, o governo de Pequim mencionou o excesso de oferta no mercado interno, que teria derrubado os preços domésticos da proteína vermelha. Inicialmente, a decisão chinesa sairia em agosto deste ano. Porém, o prazo foi prorrogado para 26 de novembro. No entanto, dois rumores alteraram o humor do mercado pecuário desde a última sexta-feira, 7: uma especulação de que a China irá aplicar medidas de proteção contra as importações de carne bovina, incluindo o Brasil, e outra dizendo que os chineses irão postergar a investigação novamente, desta vez até abril de 2026. O colunista do Agro Estadão e ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil, Weber Barral, afirmou que não há nenhuma novidade no processo. “A China, pelo que sei, ainda está decidindo se vai prorrogar ou não [a investigação]”, disse. A incerteza em relação à qual medida será adotada deixa o mercado “caminhando de lado”. “Fica todo mundo nessa expectativa de que agora de novembro não passa. Então, o mercado está travado, lento. Ficamos em uma situação de que realmente a gente precisa esperar para ver o que vai acontecer”, destacou Fernando Iglesias, da Safras&Mercado. Segundo ele, em função dessa situação, a tendência de reajustes positivos na arroba do boi gordo nos próximos dias se distanciou. Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em boletim, afirmaram que não houve mudança no ritmo de negociação. “O mercado segue condizente com o comportamento dos últimos dias. Não captamos negócios com preços menores do que vinha sendo praticado”, apontaram, destacando que em algumas praças houve valorização da arroba. No indicador Cepea, a arroba do boi gordo apresenta alta mensal de 1,52%, a R$ 323,70.

ESTADÃO/AGRO

Mercado de reposição mantém trajetória de alta em novembro, com destaque para os machos

O cenário foi de alta nas cotações do mercado de reposição na primeira semana de novembro, principalmente para os machos. De acordo com o levantamento da Scot Consultoria, a oferta seguiu restrita do boi magro nas últimas semanas e o garrote também começou a ser bem procurado.

“Foram observados entraves nas negociações, nas quais quem precisou vender teve que reduzir o preço pedido”, reportou a Scot Consultoria. Na comparação semana a semana, a cotação do garrote subiu de forma mais acentuada, 7,3%, seguido pelo bezerro de desmama (6,0%), pelo bezerro de ano (4,0%) e pelo boi magro (1,7%). O Indicador do Bezerro no Mato Grosso do Sul acompanhado pelo Cepea registrou um leve ganho na última semana de 1,24%, em que saiu de R$ 2.932,36/kg na segunda-feira (03) para o valor de R$ 2.968,80/kg. Os preços da reposição e das vacas seguem em trajetória de alta nas principais regiões monitoradas pelo Cepea, com valorização acima da observada para o boi gordo. No caso do bezerro, o aumento da procura por parte dos recriadores tem impulsionado o movimento de recomposição dos rebanhos. Em Mato Grosso do Sul, um dos principais polos de produção de bezerros do país, o animal nelore de até 12 meses é negociado, em média, a R$ 2.940 por cabeça em novembro, com avanço expressivo de 14% frente a novembro de 2024, em termos nominais. Já entre as vacas, os pesquisadores do Cepea destacam que a chegada da primavera e o início da estação de monta estimularam a retenção de fêmeas para reprodução, reduzindo a oferta de vacas e novilhas para o abate. Como resultado, as cotações da vaca gorda no Mato Grosso do Sul subiram 2,2% entre outubro e novembro, enquanto o boi gordo registrou alta mais moderada, de 1,6% no mesmo período. No acompanhamento da Scot Consultoria, o cenário mudou para as fêmeas em que a procura por essas categorias diminuiu nesta primeira semana de novembro, fazendo com que todas registrassem quedas na comparação semanal. Na mesma comparação, para as fêmeas aneloradas, a cotação da bezerra de desmama teve a maior queda, de 3,7%, seguida pela vaca magra (2,6%), pela novilha (1,9%) e pela bezerra de ano (0,4%), conforme o levantamento da Scot Consultoria. “Apesar da queda nas cotações das fêmeas, a procura por novilhas com bom escore corporal, voltadas à estação de monta, segue presente, embora em ritmo mais contido em comparação com o último mês. A vaca boiadeira apresentou cenário semelhante à demanda, porém com foco na terminação em confinamento”, disse a analista de Mercado da Scot Consultoria, Isabela Stevanatto. Com as altas registradas nas cotações dos machos, a relação de troca está desfavorável para todas as categorias, com exceção do boi magro, cuja relação se manteve estável. O poder de compra em relação ao mês anterior esteve desfavorável para o garrote (3,4%), para o bezerro de ano (1,1%) e para o bezerro de desmama (3,1%). Dessa forma, ao vender um boi gordo de 19 arrobas, é possível adquirir 1,35 boi magro, 1,57 garrote, 1,90 bezerro de ano e 2,11 bezerros de desmama. No curto prazo, os preços da reposição devem seguir firmes, sustentados pela cotação da arroba do boi gordo e pela oferta mais enxuta de bovinos. Um ponto que deve ser observado são as negociações, que estão acontecendo em ritmo mais lento do que nas últimas semanas, por conta das recentes altas registradas.

NOTÍCIAS AGRÍCOLAS

ECONOMIA

Dólar cai para perto dos R$5,30 com otimismo sobre fim da paralisação nos EUA

O dólar emplacou na segunda-feira a quarta queda consecutiva no Brasil e se reaproximou dos R$5,30, acompanhando o otimismo dos investidores ao redor do mundo após avanço no Senado dos EUA de iniciativa para pôr fim à paralisação do governo norte-americano.

Em uma sessão de ganhos para os ativos brasileiros, o dólar à vista fechou em baixa de 0,51%, aos R$5,3076 na venda — menor cotação desde os R$5,2787 de 23 de setembro deste ano. Em 2025, a divisa acumula queda de 14,10%. Às 17h18, o contrato de dólar futuro para dezembro — atualmente o mais negociado no Brasil — cedia 0,55% na B3, aos R$5,3265. No domingo, o Senado dos EUA avançou com uma medida que busca encerrar a paralisação do governo federal, que já dura 40 dias, congelando a divulgação de indicadores econômicos e dificultando o funcionamento de diversos serviços. Em uma votação sobre procedimentos, os senadores deram andamento a um projeto aprovado pela Câmara, que será emendado para financiar o governo até 30 de janeiro e incluir um pacote com três propostas de dotações orçamentárias para todo o ano. Se o Senado aprovar a versão emendada, ela ainda precisará passar pela Câmara e ser enviada ao presidente Donald Trump para assinatura, processo que pode levar vários dias. A possibilidade de a paralisação ser encerrada direcionou a demanda dos investidores para ativos de risco, como ações, títulos de países emergentes e moedas ligadas a commodities. No Brasil, o boletim Focus mostrou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim deste ano seguiu em R$5,41 e no final de 2026 em R$5,50. Já a Selic projetada para o fim de 2025 seguiu em 15,00% e para o encerramento do próximo ano, em 12,25%. Pela manhã, o BC anunciou um conjunto de regras para regulamentar o mercado de ativos virtuais no país, incluindo normas para autorização e prestação de serviços. De acordo com o BC, transferências internacionais usando ativos virtuais serão consideradas operações no mercado de câmbio. Além disso, a regulamentação cria as Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSVAs), além de atualizar normas para outras instituições que atuam no mercado de ativos virtuais, como corretoras de câmbio, corretoras de títulos e valores mobiliários e distribuidoras de títulos e valores mobiliários.

REUTERS

Ibovespa ultrapassa 155 mil pontos pela 1ª vez com embalo externo

Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira, ultrapassando os 155 mil pontos pela primeira vez no melhor momento, embalado pelo viés positivo de praças acionárias no exterior em meio a expectativas sobre o fim do “shutdown” nos Estados Unidos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,69%, a 155.132,32 pontos, novo topo de fechamento, de acordo com dados preliminares. No melhor momento, alcançou 155.601,15 pontos. Na mínima, 154.058,43 pontos. Com tal desempenho, o Ibovespa confirmou a 14ª sessão seguida no azul, a maior desde a série de 15 altas entre maio e junho de 1994. O volume financeiro no pregão desta segunda-feira somava R$19,9 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Mercado mantém expectativas para Selic no Focus após Copom em 15% até o fim de 2025

Economistas do mercado financeiro mantiveram inalteradas suas expectativas para a taxa básica de juros Selic ao fim de 2025 e dos próximos três anos após reunião da semana passada em que o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu manter a Selic em 15,00% e disse que manterá os juros neste patamar por período bastante elevado, sem dar sinalizações sobre possíveis cortes à frente, mostrou pesquisa Focus do BC

Os cerca de 100 economistas consultados pela autoridade monetária mantiveram suas estimativas para os principais indicadores da economia brasileira em relação ao levantamento passado. Para a Selic, as projeções permanecem em 15,00% ao final de 2025, 12,25% em 2026, 10,50% em 2027 e 10,00% ao término de 2028. Foi a vigésima semana seguida em que os analistas consultados mantiveram a estimativa para a Selic terminal deste ano. Já em relação à inflação medida pelo IPCA, referência para o regime de metas, os analistas consultados mantiveram seus cálculos em 4,55% para 2025, 4,20% para 2026, 3,80% para 2027 e 3,50% para 2028. A meta para a inflação é de 3,00% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. Os cálculos para o crescimento do Produto Interno Bruto — 2,16% em 2025 e 1,78% para 2026 — e para o câmbio — R$5,41 por dólar em 2025 e R$5,50 em 2026 — também foram mantidos em relação à semana anterior.

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ICVA mostra declínio de 1,1% nas vendas do varejo brasileiro em outubro descontada a inflação

O faturamento do varejo brasileiro encolheu 1,1% em outubro ante o mesmo período do ano passado, descontada a inflação, de acordo com o Índice Cielo de Varejo Ampliado (ICVA), calculado pela empresa de pagamentos controlada por Banco do Brasil e Bradesco.

Foi o quinto mês seguido de queda em termos reais. Em termos nominais, ICVA de outubro subiu 3,8%, com crescimento de 6,8% no comércio eletrônico e de 2,8% nas vendas físicas, mostraram os números divulgados pela Cielo na segunda-feira. Entre os macrossetores analisados pelo indicador, os de serviços e bens duráveis registraram quedas de 3,2% cada, enquanto o de bens não duráveis apurou aumento de 0,4%. No caso do setor de serviços, a Cielo afirmou que a queda mais significativa ocorreu em Bares e Restaurantes, segmento afetado principalmente pelas notícias de contaminação de bebidas por metanol, a partir do final de setembro, principalmente no estado de São Paulo. Entre as regiões, segundo dados deflacionados, o Centro-Oeste registrou retração de 2,5% no faturamento do varejo no mês passado, seguido por Norte, com queda de 2,1%; Sudeste, com declínio de 1,5%; Nordeste, com baixa de 0,8%; e Sul, com recuo de 0,7% no período. “Outubro mostra um cenário de atenção, mas também de oportunidade”, avaliou o vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, Carlos Alves, no relatório com os dados. “Segmentos de Serviços tiveram um desafio extra devido a fatores mais pontuais, como a crise do metanol, enquanto setores como Farmácias e Móveis começam a dar sinais de recuperação e trazer fôlego ao varejo”, afirmou.

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Em seu primeiro balanço, MBRF registra lucro de R$ 94 milhões

No terceiro trimestre do ano, resultado líquido da empresa formada por Marfrig e BRF caiu 62% em relação igual período de 2024. Embargo ao frango brasileiro afetou desempenho da MBRF, segundo Miguel Gularte

A MBRF, empresa resultante da fusão entre Marfrig e BRF, registrou um lucro líquido de R$ 94 milhões no terceiro trimestre de 2025, uma queda de 62% em relação aos R$ 248 milhões do mesmo período de 2024. Este é o primeiro balanço divulgado desde a fusão que deu origem à nova companhia, anunciada em maio. A receita líquida da MBRF totalizou R$ 41,8 bilhões, aumento de 9,2% sobre o terceiro trimestre do ano anterior, impulsionada pelo crescimento de 3,7% no volume total de vendas, que atingiu 2,1 milhões de toneladas, um recorde histórico. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 3,5 bilhões, recuo de 8,6% na comparação anual, e a margem Ebitda ajustada ficou em 8,4%, ante 10% no mesmo período de 2024. Já o lucro bruto somou R$ 5,1 bilhões, redução de 3% na mesma base de comparação, com margem bruta de 12,3%, inferior aos 13,9% de um ano antes. Segundo a empresa, os números de MBRF foram comparados com Marfrig, que como controladora já consolidava os dados de BRF desde 2022. A Marfrig apurava o lucro líquido atribuído ao controlador considerando o percentual de posição acionária que detinha em BRF. Com a incorporação das ações, em 22 de setembro, a empresa fundada por Marcos Molina passou a incorporar 100% do lucro líquido da BRF. Como a fusão entre as empresas ocorreu no fim do terceiro trimestre, esse efeito não esteve presente em todo o período. Caso estivesse, o lucro líquido de MBRF seria próximo R$ 200 milhões entre julho e setembro deste ano, apurou a reportagem. O balanço divulgado na segunda-feira (10) mostrou ainda que a alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, da MBRF ficou em 3,09 vezes, praticamente estável em comparação com as 3,07 vezes registradas no terceiro trimestre de 2024. O resultado consolidado reflete o desempenho das três frentes de negócio da empresa. A BRF respondeu por 39% do faturamento, com alta de 5,4% na receita líquida e queda de 14,9% no Ebitda. Já a operação na América do Sul representou 14% da receita e teve crescimento de 31,8% no Ebitda. A América do Norte foi responsável por 47% da receita, com avanço de 12,2%. Segundo José Ignácio, vice-presidente de finanças e relações com investidores da MBRF, o resultado reflete um movimento pontual. “O principal ‘driver’ dessa queda de lucro líquido foi a performance operacional da BRF, que mesmo em patamares extremamente altos e saudáveis, teve uma leve retração na comparação anual”, afirmou em entrevista. Dentre os fatores que prejudicaram o desempenho da BRF, ele destacou o fechamento de mercados importantes para frango brasileiro, entre eles a China, após a confirmação de caso de gripe aviária em granja comercial em Montenegro (RS), em maio. Com a reabertura das exportações para o país asiático, anunciada na última sexta-feira, a expectativa da MBRF é de avanço nos resultados da operação da BRF nos próximos meses. O CEO da MBRF Miguel Gularte afirmou na entrevista que o trimestre foi marcado por forte desempenho comercial, com volume de vendas e receita recorde após crescimento de 3,7% e 9,2%, respectivamente. “Os resultados trimestrais reforçam o potencial da MBRF”, acrescentou. No Brasil, o avanço foi puxado pelos produtos processados, cujo volume vendido cresceu 7%. Na América do Sul, o aumento nas vendas da companhia foi de quase 18% na comparação com o mesmo período do ano passado. Nos EUA, o desempenho se manteve positivo apesar do cenário restritivo, segundo José Ignácio. “Mantivemos um desempenho sólido na América do Norte, com gestão eficiente do ciclo pecuário e estabilidade das margens, mesmo em um ambiente de menor oferta de gado”. De acordo com a empresa, do total de R$ 1 bilhão em sinergias mapeadas no início do processo de fusão, 60% já devem ser alcançados no primeiro ano de operação. Do montante esperado, R$ 231 milhões devem vir de otimização das estruturas corporativas, R$ 470 milhões em ganhos na cadeia de suprimentos, R$ 230 milhões em áreas comerciais e logísticas e R$ 73 milhões de outras iniciativas.

VALOR ECONÔMICO

Marfrig amplia programa de recompra de ações

A Marfrig comunicou ao mercado, em Fato Relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na segunda-feira, a aprovação, pelo seu Conselho de Administração, de um aditamento ao programa de aquisição de ações de sua própria emissão. A alteração autoriza a compra de um adicional de até 64.606.165 ações ordinárias. 

Com esse acréscimo, o novo limite total do Programa de Recompra passa a ser de até 104.593.595 ações ordinárias. Esse montante total de ações autorizado, somado às 1.906.405 ações já detidas em tesouraria pela companhia, representa 15,22% do total das ações ordinárias emitidas pela Marfrig. O programa, em sua nova forma, terá prazo máximo de 18 meses, iniciando em 11 de novembro de 2025 e com término previsto para 11 de maio de 2027. A aquisição dos papéis será realizada a preços de mercado por meio da B3, com a intermediação do Itaú Corretora, BTG Pactual Corretora e Santander Corretora. A Marfrig informou que os recursos para as recompras virão do total das reservas de lucros e de capital, além do resultado efetivo do exercício corrente. O Conselho de Administração garantiu que a operação não irá prejudicar o cumprimento das obrigações da companhia nem comprometerá o pagamento de dividendos obrigatórios, citando a sólida situação de liquidez e geração de caixa da Marfrig como justificativa.

VALOR ECONÔMICO

MEIO AMBIENTE

Como a ciência busca reduzir emissões de metano na pecuária sem perda de produtividade

Avanços em combinação genética, nutrição animal e manejo de pastagens serão apresentados na COP30

Apontada por muito tempo como uma das vilãs do aquecimento global, a pecuária deve ocupar um papel central nas discussões da COP30, que começa esta semana no Brasil — país que lidera as exportações mundiais de carne bovina. Em meio à crescente pressão por uma produção mais sustentável, instituições de pesquisa vêm acumulando evidências de que é possível reduzir as emissões de metano sem comprometer a produtividade. Os avanços, que combinam genética, nutrição animal e manejo de pastagens, serão apresentados na Conferência das Partes como parte do entendimento de que a pecuária pode ser uma aliada no enfrentamento da crise climática. Produzido no processo de fermentação entérica (o popular “arroto” do boi), que ocorre no sistema digestivo dos ruminantes, o metano (CH4) é um gás de efeito estufa com alto potencial de aquecimento global — cerca de 28 vezes maior que o dióxido de carbono (CO2) ao longo de 100 anos. Apesar de permanecer menos tempo na atmosfera do que o CO2, tem impacto climático mais intenso no curto prazo, o que torna sua redução uma prioridade nas estratégias de mitigação das mudanças climáticas. Em 2021, durante a COP26, na Escócia, o Brasil se comprometeu a reduzir a emissão desse gás. Em Bagé (RS), na região do bioma Pampa, a Embrapa Pecuária Sul realiza provas de emissão de gases, que buscam apontar os animais que emitem menos metano. Em três anos, já foram testados 420 exemplares das raças hereford, braford, angus, brangus e charolês – raças populares no Rio Grande do Sul, e são usadas em cruzamentos industriais em outras regiões do país. O trabalho tem permitido identificar os reprodutores com menor emissão de gases e maior eficiência na conversão alimentar. Além disso, estão em andamento ensaios metabólicos com diferentes dietas, estudos sobre subprodutos regionais e novas parcerias com instituições de pesquisa. O próximo passo é levar esse monitoramento também para propriedades rurais privadas. “O grande objetivo deste projeto é coletar dados de situações reais para auxiliar a Secretaria do Meio Ambiente [do Rio Grande do Sul] nos inventários de gases do Estado”, explica a pesquisadora Cristina Genro, que acredita que a COP30 pode representar um novo marco para a pecuária sustentável. A medição das emissões é feita por meio de um regulador de ingresso de ar, posicionado acima do focinho do animal, que capta o metano que ficará reservado no coletor, localizado nas suas costas. Em um dos experimentos, o touro menos eficiente emitiu 532,5 gramas de metano por dia, enquanto o mais eficiente emitiu 128 gramas – ambos tratados nas mesmas condições alimentares. Isso significa que, se o touro mais eficiente gerar 200 milhões de filhos (por meio de inseminação artificial) e transmitir essas características aos seus descendentes, o total de metano emitido na atmosfera terá sido de 9,4 milhões de toneladas por ano – uma diferença de 240% em relação à prole do touro menos eficiente. O desempenho de cada animal é determinado pela genética, segundo a pesquisadora. O banco de dados genéticos em construção permitirá incluir o atributo “menor emissão de metano” nos programas de melhoramento, por meio das DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie, indicador usado na avaliação genética que permite estimar o quanto a descendência de um reprodutor irá se diferenciar da média de outros animais). A estimativa da Embrapa é de que o melhoramento genético tenha potencial de redução de 30% a 40% das emissões de metano. Já o manejo de pastagens e a nutrição poderiam reduzir, juntos, em outros 30%. A pesquisa ainda não observou, porém, se esses quesitos poderão ser cumulativos, uma vez que não foram analisados os filhos dos animais avaliados. Leia Mais em: https://globorural.globo.com/pecuaria/noticia/2025/11/pesquisas-buscam-reduzir-emissoes-na-pecuaria-sem-perda-de-produtividade.ghtml?feedvaloragro&interno_origem=valoragro

GLOBO RURAL

INTERNACIONAL

Trump anuncia investigação sobre JBS, Cargill, Tyson Foods e National Beef

Segundo o governo norte-americano, essas quatro indústrias controlam 85% do mercado de processamento de carne bovina nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou planos para investigar os quatro maiores frigoríficos – JBS, Cargill, Tyson Foods e National Beef –, sob alegação de que eles estão “aumentando o preço da carne bovina por meio de conluio ilícito, fixação de preços e manipulação de preços”. Segundo o governo norte-americano, essas quatro indústrias controlam 85% do mercado de processamento de carne bovina nos EUA. No último fim de semana, em declarações pelas redes sociais, Trump instruiu o Departamento de Justiça a iniciar imediatamente a investigação. “Por muito tempo, um punhado de gigantescos frigoríficos pressionou os produtores de gado dos Estados Unidos, reduziu os rebanhos e aumentou os preços da carne bovina nos supermercados”, afirmou um comunicado da Casa Branca, que continuou: “Ao examinar se essas empresas violaram as leis antitruste por meio de preços coordenados ou restrições de capacidade, esta investigação irá erradicar qualquer conluio ilegal, restaurar a concorrência justa e proteger nossa segurança alimentar.” O canal australiano de notícias Beef Central afirmou em seu portal que o anúncio de Trump “claramente ignorou o fato de que o rebanho bovino dos EUA está em seu nível mais baixo em 70 anos devido ao impacto da seca, o que forçou os preços da carne bovina a atingirem recordes históricos este ano”.  Complementa o portal: “Os frigoríficos norte-americanos registraram grandes prejuízos durante a maior parte deste ano, com a disparada dos preços do gado. Dificilmente isso indica conluio”. A Beef Central lembra que Trump tem sofrido pressão da indústria pecuária dos EUA nos últimos tempos, após anunciar planos para importar carne bovina da Argentina a fim de reduzir os preços internos da proteína. O principal grupo de lobby do setor, a Associação Nacional de Pecuaristas (National Cattlemen’s Beef Association), afirmou na época que ele estava prejudicando os pecuaristas. Ainda segundo texto da Beef Central, em comunicado, o Instituto Americano da Carne salientou que a maioria dos processadores estão perdendo dinheiro. “Apesar dos altos preços da carne bovina para o consumidor, os frigoríficos têm perdido dinheiro porque o preço do gado está em níveis recordes”, disse a presidente e CEO Julie Anna Potts, que acrescentou: “Há mais de um ano, os frigoríficos vêm operando com prejuízo devido à oferta restrita de gado e à forte demanda”. Porém, de acordo com a reportagem da Beef Central, o grupo de produtores R-Calf, com sede em Montana, recebeu bem o anúncio de Trump. “Há muito tempo existe uma desconexão entre os preços do gado e os preços da carne bovina, e acreditamos que isso seja uma evidência de falha de mercado”, disse o CEO do grupo. “Apoiamos esta investigação para garantir que os produtores de gado recebam preços competitivos pelo seu gado e que os consumidores paguem preços definidos por um mercado competitivo, em vez de um mercado monopolista”.

BEEF CENTRAL

FRANGOS & SUÍNOS

Embarques de carne suína crescem 10,1% em outubro e registra segundo melhor resultado da história

Alta acumulada no ano chega a 12,9% e projeta crescimento para 2025; Receita obtida entre janeiro e outubro de 2025 supera total de 12 meses de 2024

As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 144 mil toneladas em outubro, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é o segundo maior resultado mensal da história do setor, e supera em 10,1% o total exportado no mesmo período do ano passado, com 130,9 mil toneladas. Em receita, as exportações de carne suína totalizaram US$ 343,6 milhões em outubro – também segundo melhor desempenho em receitas de exportação do histórico setorial – saldo 9,7% maior em relação ao obtido no ano anterior, com US$ 313,3 milhões. No acumulado do ano até aqui (janeiro a outubro), as exportações brasileiras de carne suína totalizaram 1,266 milhão de toneladas, saldo 12,9% maior em relação ao obtido no mesmo período do ano passado, com 1,121 milhão de toneladas. Em receita, a alta acumulada chega a 22,7%, com US$ 3,046 bilhões registrados entre janeiro e outubro deste ano, contra US$ 2,482 bilhões no mesmo período de 2024.  A receita registrada nos dez primeiros meses de 2025 já supera o total obtido com as exportações de 2024, de US$ 3,033 bilhões (ou seja, a receita de 2025 já é recorde histórico para o setor). Principal destino das exportações do setor, as Filipinas importaram 46,3 mil toneladas de carne suína em outubro, volume 21% maior em relação ao registrado no mesmo período do ano passado. Em seguida está o Japão, com 10,7 mil toneladas (+5,9%), México, com 10,05 mil toneladas (+27,1%), China, com 10,03 mil toneladas (-47,6%), Hong Kong, com 8,4 mil toneladas (-1,3%), Chile, com 7,8 mil toneladas (-17,8%), Vietnam, com 7 mil toneladas (+21,4%), Singapura, 5,4 mil toneladas (+19,6%), Costa do Marfim, com 4,1 mil toneladas (+266,7%) e Uruguai, com 4 mil toneladas (+10,8%). Principal estado exportador, Santa Catarina embarcou 69 mil toneladas de carne suína em outubro (+0,6%) em relação ao mesmo período do ano passado, seguida pelo Rio Grande do Sul, com 36,5 mil toneladas (+32%), Paraná, com 22,2 mil toneladas (+7,6%), Minas Gerais, com 3,7 mil toneladas (+13,9%) e Mato Grosso, com 3,5 mil toneladas (+14,2%).

ABPA

Exportações de carne suína recuam 3,8% na primeira semana de novembro/25, com leve queda nos preços

Na segunda-feira (10), as exportações de carne suína in natura atingiram 27,2 mil toneladas até a primeira semana de novembro/25.

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume embarcado de carne suína em novembro do ano anterior chegou a 107,6 mil toneladas, em 19 dias úteis. A média diária exportada até a primeira semana de novembro ficou em 5,4 mil toneladas, recuo de 3,8%, frente ao observado em novembro do ano passado, com 5,6 mil toneladas. Com relação ao preço médio, o valor ficou em US$ 2.438 por tonelada, leve queda de 4% frente ao valor negociado no ano anterior, com US$ 2.540 por tonelada. Com relação ao valor negociado para o produto até a primeira semana de novembro/25 ele ficou em US$ 66,4 milhões, sendo que no ano anterior a receita total em novembro foi de US$ 273,4 milhões. A média diária ficou em US$ 13,2 milhões, baixa de 7,7%, frente ao observado no mês de novembro do ano passado, com US$ 14.390,7 milhões.

SECEX/MDIC

Média diária exportada de carne de frango avança 17,6%, mas preços recuam na primeira semana de novembro/25

Na segunda-feira (10), a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) reportou que o volume exportado de carne de aves in natura ficou em 135,1 mil toneladas até a primeira semana de novembro/25.

No ano passado, o volume total exportado foi de 436,5 mil toneladas em 19 dias úteis de novembro. A média diária até a primeira semana de novembro/25 ficou em 27 mil toneladas, sendo que isso representa um avanço de 17,6% frente à média diária exportada do ano anterior, que ficou em 22,9 mil toneladas. O preço pago pelo produto ficou em US$ 1.811 por tonelada, e isso representa uma queda de 3,5% se comparado com os valores praticados em novembro do ano anterior, com US$ 1.877 por tonelada. A receita obtida até a primeira semana de novembro ficou em US$ 244,7 milhões, enquanto em novembro do ano anterior o valor ficou em US$ 819,5 milhões. A média diária do faturamento ficou em US$ 48,9 milhões, avanço de 13,5% frente a média diária observada em novembro do ano anterior, que ficou em US$ 43,1 milhões.

SECEX/MDIC

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