CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1858 DE 11 DE NOVEMBRO DE 2022

clipping

Ano 8 | nº 1858 | 11 de novembro de 2022

 

NOTÍCIAS

Arroba do boi gordo volta a subir em São Paulo

A ponta compradora, com dificuldade para a compra de animais na manhã de ontem (10/11), encerrou o levantamento ofertando R$3,00/@ de boi gordo a mais no comparativo diário. Para as fêmeas, a cotação permaneceu estável

Dessa maneira, o macho terminado “comum” (direcionado ao consumo doméstico) agora está valendo R$ 275/@ no mercado paulista, enquanto a vaca e a novilha gordas são negociadas por R$ 260/@ e R$ 267/@, respectivamente (preços brutos e a prazo). O boi-China está cotado em R$ 280/@ em São Paulo (preço bruto e a prazo), acrescentou a Scot. Em MS – Campo Grande, a pressão baixista dos últimos dias não surtiu efeito, dessa forma a ponta compradora ofertou R$2,00 a mais pela arroba de boi gordo e R$3,00/@ a mais de novilha gorda. Em TO – Sul, as cotações de todas as categorias prontas para o abate permaneceram estáveis em relação ao último levantamento (9/11).

SCOT CONSULTORIA

Boi: demanda de final de ano mantém preços firmes

Segundo o analista Fernando Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere pela continuidade do movimento de alta no curto prazo

O mercado físico do boi gordo registrou tentativas de negociações acima da referência média de preços na quinta-feira (10). Segundo informações da Safras & Mercado, as escalas de abate estão encurtadas, levando os frigoríficos a alterar o as estratégias de compra de gado. “Isso é mais evidente nos estados de São Paulo, Goiás, Paraná, Minas Gerais e Tocantins. No entanto a alta dos preços não tem acontecido de maneira explosiva”, disse o analista Fernando Henrique Iglesias. Nos estados do Mato Grosso e do Pará as escalas de abate ainda estão confortáveis e permitem que os frigoríficos ainda exerçam alguma pressão sobre os preços da arroba nesses estados. Em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 279. Já os preços da carne bovina seguem firmes no mercado atacadista. O quarto traseiro seguiu com preço de R$ 21,90 por quilo. O quarto dianteiro permanece no patamar de R$ 16,20 por quilo. Já a ponta de agulha permanece precificada a R$ 16,15 por quilo.

AGÊNCIA SAFRAS

Atraso no 2º giro de confinamento aumentou a oferta e derrubou preços da arroba do boi, diz analista

Os preços da arroba bovina seguem pressionados para baixo e com diferença estreita entre o boi comum e o boi China, de acordo com a analista de mercado da Scot Consultoria, Jéssica Olivier

Segundo ela, em São Paulo o valor da arroba caiu R$ 3,00 desde segunda-feira (7), saindo de R$ 275,00 e chegando a R$ 272,00 na quarta-feira (9). O valor da novilha também cedeu, passando de R$ 269,00 para R$ 267,00.

SCOT CONSULTORIA

Investimentos na produtividade da pecuária devem triplicar, diz consultoria

Athenagro projeta que desembolsos chegarão a R$ 36 bilhões em 2030; montante é três vezes maior que a média dos últimos 32 anos

Os investimentos para aumentar a produtividade na pecuária brasileira devem triplicar até o fim da década, estima a consultoria Athenagro, organizadora do Rally da Pecuária 2022/2023. Segundo a empresa, os desembolsos anuais chegarão a R$ 36 bilhões em 2030, um montante três vezes superior à média dos últimos 32 anos. A projeção não inclui gastos com substituição de ativos e expansão de área. De 1990 a 2022, a produtividade do setor aumentou 190%, diz a Athenagro, que compilou dados da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM) e da Pesquisa Pecuária Trimestral (PPT) e também do histórico dos censos agropecuários. Nesse período, a produção de carne bovina mais do que dobrou, enquanto a área de pastagens diminuiu 22%. Maurício Nogueira, diretor da consultoria, afirma que será necessário investir para fazer frente ao aumento dos custos de produção, que vêm crescendo em média 12% ao ano desde 2017. O crescimento das despesas é resultado, em grande parte, da alta dos preços internacionais dos grãos. Usados na ração dos animais, os grãos têm encarecido por causa de fatores como a pandemia de covid-19, a guerra na Ucrânia e o aumento do dólar, que encarece a importação de insumos. O diretor da Athenagro defende que a pecuária brasileira é a mais sustentável do mundo. Para ele, o governo não pode “repetir o erro de outros países”, que taxaram exportações para tentar conter a inflação. Nogueira diz que assegurar a continuidade das vendas ao exterior favorece também o mercado interno, já que os embarques garantem boas margens para a indústria. “Como não é possível mudar os preços de venda, é bem provável que a pressão seria repassada ao produtor, que reduziriam suas compras. Com isso, a oferta de carne diminuiria”, argumenta. “Na prática, haveria um desestímulo à produção, que elevaria os preços a médio e longo prazo”. Com o crescimento da produção, a tendência é que a disponibilidade de carne bovina, que caiu de 41 quilos para 36 quilos per capita entre 2018 e 2022, volte a aumentar no Brasil. Para o ano que vem, a consultoria estima oferta de 37 quilos por habitante.

VALOR ECONÔMICO

Boi/Cepea: China pressiona valor pago pela carne brasileira

A China, maior destino externo da carne bovina brasileira, vem pressionando os valores pagos pela carne

De acordo com dados da Secex, em janeiro, a proteína nacional foi embarcada ao país asiático ao preço médio de US$ 6,25 por quilo, subindo de forma consecutiva até junho, quando atingiu o recorde da série histórica, de US$ 7,33/kg. Desde então, os valores passaram a cair mês a mês, chegando a US$ 6,14/kg em outubro, ou seja, o menor deste ano. Segundo pesquisadores do Cepea, as recentes quedas nos preços pagos pela China pela carne brasileira vêm resultando em pressão sobre os valores de negociação da arroba bovina no Brasil. Dados do Cepea mostram que, na parcial deste mês (até 8 de novembro), a média do Indicador é de R$ 286,03, quedas de 3,4% frente à de outubro/22 e de expressivos 10,9% no acumulado de 2022, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI). A pressão sobre os valores internos da arroba também se deve ao crescimento na oferta de animais para abate, que vem resultando em alongamento das escalas.

Cepea

Rabobank prevê preços médios menores para a arroba do boi gordo em 2023

Setor pecuário deve continuar atento ao comportamento chinês em relação às importações de carne brasileira, recomenda o banco

A consolidação da inversão do ciclo pecuário brasileiro, os riscos climáticos para a produção da próxima safra de grãos e das pastagens, a gestão assumida pelo novo presidente, a manutenção do Auxílio Brasil, a recuperação do poder de compra da população, os custos logísticos e a desaceleração da economia chinesa devem ser os principais pontos de atenção do setor pecuário de gado de corte em 2023. Essa é a recomendação do estudo “Perspectivas para o Agronegócio (brasileiro) em 2023”, do Rabobank. “A volatilidade será uma variável que deve acompanhar o setor por mais um ano”, prevê. Segundo o banco, a elevação da oferta de animais gordos, puxada pelo maior abate de vacas e a pela recuperação dos estoques de boi magro e de boi gordo, devem ser um dos principais diferenciais em 2023 em relação ao ano atual. “Olhando para os preços do boi gordo e da carne bovina para o próximo ano, o mercado deve ser pressionado pelo cenário de maior oferta de animais gordos e pela recuperação da demanda doméstica”, prevê o Rabobank, que acrescenta: “As previsões de preços médios mais baixos do boi gordo em 2023 devem exigir ainda mais eficiência e produtividade dentro da porteira, visando reduzir os impactos nas margens de produção”. No início da entressafra deste ano, a participação das fêmeas no volume total de abate alcançou 42%, a maior taxa dos últimos dois anos, resultado influenciado pela tendência de queda nos preços do bezerro observada desde o ano passado, relata o banco. O avanço da demanda dos frigoríficos pelas fêmeas gordas (direcionadas ao mercado doméstico), estimulado pelos preços menores em relação aos machos se intensificou em algumas regiões ao longo de 2022, observa o Rabobank. Com relação à retomada do rebanho bovino brasileiro, dados recentes de 2021 mostram que o plantel cresceu 3,1%, após o aumento de 1,5% em 2020 – trata-se de o maior efetivo da série histórica, resultado de um movimento geral na retenção de fêmeas registrado nos últimos anos, relata o banco. Diante da maior disponibilidade de gado pronto para abate, somado a expectativa de safra recorde de grãos, espera-se, para 2023, um aumento de oferta de animais terminados a pasto e também nos cochos dos confinamentos, prevê a instituição. O Rabobank projeta uma elevação de 2% na produção de carne bovina no ano que vem, guiada pela maior demanda internacional e pela retomada do consumo doméstico, que, por sua vez, deve registrar avanço de 1,5% com relação ao resultado de 2022.

PORTAL DBO

Oferta de carne bovina caiu 5 kg per capita no Brasil desde 2018

Desafios para os próximos anos passam por investimentos, agenda ambiental, questões sanitárias e políticas macroeconômicas

A disponibilidade de carne bovina per capita recuou 5,2 quilos de 2018 a 2022 no Brasil. A partir do próximo ano, mesmo com as exportações aumentando, a oferta interna deverá crescer. A carne bovina ficará mais acessível e a perda nos anos recentes, provocada por pandemias, peste suína e guerra, será recuperada. As avaliações são de Maurício Palma Nogueira, diretor da consultoria Athenagro e coordenador do Rally da Pecuária. A disponibilidade per capita de carne bovina no Brasil está em 36 quilos de carcaça por habitante, considerando as ofertas formal e informal. Se considerada apenas a oferta formal, a carne que passa por um controle federal, estadual ou municipal, a quantidade per capita é de 23 quilos. Nogueira afirma que a disponibilidade de carne informal vem aumentando, o que mostra uma elevação da informalidade no país. A pecuária brasileira, no entanto, está bem posicionada em relação à atividade nos demais países. Nos últimos 32 anos, o rebanho brasileiro teve aumento de 38%, e a produção de carne cresceu 128%. No mesmo período, o rebanho mundial aumentou 17%, mas a produção de carne subiu apenas 31%. Nesse mesmo período, as áreas de pastagens diminuíram 22% no Brasil, a produtividade teve aumento de 191% e o número de cabeças de animais por hectare subiu 76%, segundo a Athenagro. Há dez anos, o Brasil exportava 25% da carne que produzia, colocando 1,2 milhão de toneladas no mercado externo. Atualmente, ainda coloca 25% do que produz no mercado externo, mas o volume chega a 2,8 milhões de toneladas. Estados Unidos, Austrália e Índia mantêm volumes parecidos aos de há dez anos. Os desafios para a pecuária, no entanto, são grandes. Até 2030, o setor terá de investir anualmente de 2,5 a 3 vezes em produtividade, em relação ao que investiu, por ano, de 2011 a 2020. Esse valor deverá ficar entre R$ 28 bilhões e R$ 36 bilhões por ano, segundo Nogueira. É um desafio em um período de custos de produção e de taxas de juros elevados, afirma. Além disso, o setor terá de enfrentar vários outros desafios, como o sanitário, o cumprimento da agenda ambiental e uma eventual política de barreiras internas às exportações para controle da inflação. Quanto à sustentabilidade ambiental, o Brasil não precisa ter medo da agenda atual. “É a chance de o país sentar à mesa e mostrar o que está sendo feito, não tendo de engolir regras dos outros”. A pecuária brasileira emite menos carbono do que remove, afirma Nogueira. Avanço da produtividade e investimentos são fundamentais no setor, segundo o consultor. Os 15% de produtores com maior produtividade já representam 58% das vendas do total de arrobas no país. Quem não se adequar vai ficar pelo caminho, afirma Nogueira. Nos últimos dez anos, a pecuária nacional elevou a produtividade em 2,3% por ano. Já os produtores acompanhados pelo Rally da Pecuária, que adotam mais tecnologia, tiveram evolução média de 5,7% ao ano. Em 2021, a pecuária nacional teve aumento médio de 4,12%. Os pecuaristas acompanhados pelo Rally já apresentam evolução de 10,75%.

FOLHA DE SP

ECONOMIA

IPCA deixa 3 meses de quedas para trás e sobe mais que o esperado em outubro

Os preços ao consumidor brasileiro voltaram a subir em outubro e mais do que o esperado, deixando para trás três meses seguidos quedas, uma vez que a redução dos combustíveis não foi suficiente para compensar a pressão dos alimentos

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou a subir 0,59% em outubro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira. A inflação volta a pressionar os bolsos dos brasileiros depois de os preços terem recuado por três meses seguidos, graças a medidas do governo e à queda nos custos de combustíveis, o que foi bastante alardeado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) antes de ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela Presidência. Ainda assim, a inflação em 12 meses foi abaixo de 7% pela primeira vez desde abril de 2021 ao registrar taxa de 6,47%, contra 7,17% em setembro. Outubro teve como destaque a alta de 0,72% do grupo Alimentação e Bebidas, que exerceu o maior peso no índice do mês ao deixar para trás o recuo de 0,51% de setembro. O resultado de alimentos foi puxado pela alta de 0,80% de alimentação no domicílio, sob pressão de batata-inglesa (23,36%) e tomate (17,63%), devido a problemas climáticos e de oferta. “A queda (de alimentos) no mês (anterior) não foi suficiente para repor as altas do começo do ano, e por isso as pessoas ainda vão aos mercados e acham os preços caros”, disse o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov. Transportes também se destacou com alta de 0,58% em outubro, de uma queda de 1,98% antes. Isso porque as passagens aéreas dispararam 27,38% e os combustíveis reduziram o recuo a 1,27%, após deflação de 8,50% em setembro. Gasolina (-1,56%), óleo diesel (-2,19%) e gás veicular (-1,21%) seguiram trajetória de queda, mas o etanol teve alta de 1,34%. “Tivemos 42% da alta concentrada em alimentos e transportes”, disse Kislanov, explicando que ainda não se viu na inflação efeito dos bloqueios em estradas feitos por apoiadores de Bolsonaro inconformados com sua derrota na eleição. O resultado do IPCA mostra que os efeitos da redução da alíquota de ICMS sobre combustíveis, energia e telecomunicações estão se dissipando, o que deve impedir novos registros de queda para o IPCA. “Os efeitos (disso) já foram praticamente computados. O que tinha que acontecer já aconteceu e, se vier algo, será residual”, disse Kislanov. A alta mais intensa em outubro partiu do grupo Vestuário, de 1,22%, com as roupas masculinas avançando 1,70% e as femininas, 1,19%. Já a inflação de serviços teve uma alta de 0,67% em outubro, acelerando ante a taxa de 0,40% vista no mês anterior. O IBGE informou ainda que o índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, subiu a 68% em outubro, de 62% no mês anterior.

REUTERS

Dólar fecha com maior alta diária desde início da pandemia diante de incerteza fiscal

A alta de 4,10% é maior elevação percentual numa sessão desde março de 2020

Com a indefinição sobre qual será a política econômica do próximo governo e um discurso mais inclinado a gastos do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o mau humor predominou no mercado de câmbio nesta quinta-feira desde os primeiros negócios do dia e o dólar encerrou o pregão negociado a R$ 5,3942, em alta de 4,10% no mercado à vista, na maior alta diária da moeda americana desde março de 2020. A sensação de que uma política fiscal menos austera que a esperada pode ser empregada no futuro governo gerou uma deterioração acentuada nos mercados financeiros e se refletiu em uma incorporação de prêmio de risco no câmbio. O comportamento do dólar no exterior atesta que o pessimismo se deu por fatores domésticos. “O mercado operava com a tese de que Lula seria fiscalmente responsável”, dizem os estrategistas do Citi, ao lembrarem das especulações de nomes ortodoxos para o comando da Economia no futuro governo. “No entanto, tem se falado muito mais sobre opções menos amigáveis ao mercado, e a opção mais ortodoxa, Henrique Meirelles, recentemente disse que não era candidato. O mercado terá de esperar até depois de 18 de novembro para descobrir [quem será o ministro], mantendo viva a incerteza”, apontam os profissionais do banco americano em relatório. Além disso, as indefinições em torno do tamanho do “waiver” (licença) que o governo eleito pretende pedir para gastos em 2023 aumentou a incerteza nos mercados, o que se refletiu em um aumento dos prêmios, especialmente diante da chance do Bolsa Família ficar permanentemente fora do teto. “Mais importante para explicar a ação de preço de hoje é que o rascunho atual dos gastos acima do teto é maior do que o esperado e removeria permanentemente o Bolsa Família do teto de gastos. É improvável que os legisladores apresentem muita resistência a essas propostas. Pode ser necessária uma fraqueza adicional dos ativos brasileiros para alertar as pessoas em Brasília sobre a necessidade de administrar a política fiscal com responsabilidade”, apontam os estrategistas do Citi. “Ao longo das eleições, o mercado passou por cima de todos os sinais de aumento de gastos no próximo governo e criou uma narrativa de que, independentemente das promessas de campanha, o primeiro ano do novo governo seria de contração fiscal. A partir do momento em que as eleições já se definiram e não há nenhuma alteração no discurso, o mercado passa a precificar uma chance da narrativa que foi criada não se observar. Isso se reflete em uma curva de juros mais ‘empinada’ e em um câmbio mais depreciado”, afirma Pedro Dreux, sócio e gestor macro da Occam. “Acreditamos que, independentemente do nome a ser anunciado, a diretriz principal de expansão fiscal já está muito evidente. Dificilmente a política fiscal ajudará o Banco Central a trazer a inflação de volta à meta de 3%”, afirma Dreux.

VALOR ECONÔMICO

Ibovespa cai 3,35%, maior tombo desde 2021, com sinalizações do governo eleito

Índice voltou aos 109 mil pontos, patamar que não via desde 30 de setembro

Em sessão marcada pela má recepção do mercado às sinalizações econômicas e fiscais do governo eleito, o Ibovespa teve queda firme e voltou aos 109 mil pontos, patamar que não via desde 30 de setembro. No fim do dia, o referencial local registrou queda de 3,35%, aos 109.775 pontos. O índice teve sua maior queda em um único pregão desde novembro de 2021. O volume financeiro negociado na sessão foi de R$ 43,34 bilhões no Ibovespa e R$ 55,20 bilhões na B3. O Ibovespa ignorou a disparada dos seus pares internacionais, após dados de inflação abaixo do esperado nos EUA. Em Nova York, o S&P 500 disparou 5,54%, aos 3.956 pontos, Dow Jones registrou alta de 3,70%, aos 33.715 pontos e Nasdaq saltou 7,35%, aos 11.114 pontos. O estresse do mercado local ocorreu desde a abertura dos negócios, quando os investidores reagiram à fala do presidente eleito no fim da tarde de ontem. Segundo Lula, há uma série de programas que precisam ser retomados com urgência, como o Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, além de inúmeras obras paradas pelo Brasil. Ele também buscou criticar a concepção de “gastos” utilizada pelos agentes da economia ao afirmar que, na verdade, seriam investimentos. “Precisamos mudar algumas nomenclaturas porque tudo que a gente quer fazer é ‘gasto, gasto, gasto’. Gasto para quê? Para guardar dinheiro para pagar juros de dívida para banqueiros? Não. Precisamos ter uma dívida social. Temos uma dívida de 500 anos com o povo pobre e vamos começar a pagá-la”, afirmou o presidente eleito. Durante a sessão de hoje, Lula voltou a discursar e criou um sentimento ainda maior de aversão a riscos no mercado, com frases como “por que temos meta de inflação e não temos meta de crescimento?”. Por fim, o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), anunciou novos nomes para a equipe de transição, e a indicação do ex-ministro Guido Mantega para um dos grupos da transição agravou mais um bocado o mau humor. “Antes da eleição, muito se discutiu que Lula teríamos. Outra coisa que precisamos ter atenção é que o mercado local estava sendo suportado pelo capital estrangeiro. Em uma sessão em que todos os índices de Nova York dispararam após o CPI vir abaixo do consenso e o Fed não tentar endurecer o discurso, podemos estar diante do início de uma rotação do player internacional para os mercados desenvolvidos ou eles estão, assim como os locais, demonstrando aversão ao ambiente que foi criado nos últimos dias. O fundo de índice EWZ, que espelha o mercado brasileiro em Nova York, registrou queda de 6,53%.

VALOR ECONÔMICO

Desembolsos do BNDES em 2022 devem ficar acima de R$ 90 bi, diz Montezano

Presidente do banco disse que nos próximos anos os valores devem crescer sem necessidade de subsídios

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, afirmou na quinta-feira que os desembolsos em 2022 ficarão um pouco acima de R$ 90 bilhões e que nos próximos anos os valores devem crescer sem necessidade de subsídios. “O aumento dos desembolsos vai acontecer sem necessidade de qualquer subsídio, o que mostra que o BNDES se reposicionou”, afirmou, em entrevista a jornalistas para comentar os resultados do terceiro trimestre do banco, que registrou um lucro de R$ 9,6 bilhões, alta de 76% sobre o mesmo período de 2021. Em tom de despedida, Montezano desejou sucesso ao seu sucessor, ainda indefinido. “Esperamos que a próxima gestão do banco melhore o que fizemos de correto, ajuste o que não fizemos tão bem e inicie o que ainda não fizemos”, disse. O executivo também afirmou ter orgulho do legado que sua gestão está deixando, além de se dizer otimista sobre os próximos anos do BNDES. A gestão atual do banco tem uma equipe disponível para fazer a transição de governo e será colaborativa, disse. “O meu ciclo no banco se encerra ao fazer a transição, tenho orgulho do que deixamos de legado. Se voltamos para 2019, o banco tinha um questionamento reputacional. Farei da melhor forma possível, como o BNDES merece”, disse. O executivo reiterou que o banco de fomento não tem que ser medido por métricas financeiras, como desembolso ou lucro. Montezano também disse que o banco está pronto para voltar a ser gestor do Fundo da Amazônia, mas ainda precisa de um sinal positivo dos cotistas. Formalmente, ainda não houve nenhum tipo de notificação. Logo após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, a Noruega, maior doador do fundo, informou que iria reativá-lo. O fundo havia sido suspenso em 2019, com mudanças no governo Bolsonaro e aumento do desmatamento.

VALOR ECONÔMICO

EMPRESAS

Resultado líquido consolidado da Marfrig cai 74%

Lucro ficou em R$ 431 milhões no terceiro trimestre, já incluindo BRF

A Marfrig informou que encerrou o terceiro trimestre de 2022 com lucro líquido consolidado — já incluindo os resultados da BRF, na qual a empresa é a maior acionista, com participação de 33% — de R$ 431 milhões, 74,3% menor que o resultado obtido no mesmo período de 2021. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) consolidado caiu 19,9%, para R$ 3,8 bilhões, e a margem Ebitda consolidada ficou em 10,4%. Sem a BRF, a queda do Ebitda teria sido de 48,4%, para R$ 2,47 bilhões. Já a receita líquida consolidada aumentou 54,1%, para R$ 36,4 bilhões, e sem a BRF teria ficado em R$ 22,4 bilhões. Na quarta-feira, a dona das marcas Sadia e Perdigão reportou um prejuízo líquido de R$ 137 milhões, receita líquida de R$ 14 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 1,4 bilhão. Apesar de ser dona de um terço das ações, a Marfrig consolida integralmente os resultados de sua controlada, conforme regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). As quedas de lucro e Ebitda da Marfrig refletem principalmente o ambiente de negócios turbulento na América do Norte, onde a oferta de gado está gradualmente diminuindo e ficando mais cara, após um período favorável à indústria entre 2020 e 2021. Assim, a receita líquida da controlada americana National Beef recuou 10,6% de julho a setembro, para R$ 14,96 bilhões, e o Ebitda encolheu 60,8%, a R$ 1,76 bilhão. Em entrevista a jornalistas, a diretoria da Marfrig lembrou, ainda, que o resultado registrado entre julho e setembro de 2021 foi “excepcional”, e por isso um recuo já era esperado agora. “Estamos muito satisfeitos com a nossa estrutura de margens”, garantiu Tim Klein, CEO da National Beef. O executivo afirmou, também, que a demanda pela carne americana deverá continuar firme, a despeito da alta da inflação nos Estados Unidos. “E o dólar, que está forte há algum tempo, não teve impacto nas exportações”, disse. O câmbio é um ponto de atenção porque pode diminuir o poder de compra dos importadores. De julho a setembro, a National Beef vendeu 499 mil toneladas de carne, sendo que 87,6% desse total ficou no mercado americano. O restante da produção foi negociado com mercados premium, como Japão e Coreia do Sul. A operação da Marfrig na América do Sul registrou a maior receita trimestral de sua história, com R$ 7,4 bilhões, 7,8% mais que no mesmo período do ano passado. O Ebitda ajustado da operação também bateu recorde, totalizando R$ 710 milhões, um crescimento de 136,1% em bases anuais. A margem Ebitda ajustada alcançou 9,5%. Rui Mendonça, que assumiu como CEO da Marfrig para a região, afirmou que o aumento de 17,4% no preço médio da tonelada exportada deu tração para a companhia. Considerando também o mercado doméstico, a cotação da proteína subiu aproximadamente 10%. As exportações representaram 65% da receita total da América do Sul, sendo que 81% foram para a China e Hong Kong. “Vemos uma demanda interessante e preços operacionais que garantirão boas margens nos próximos anos”, avaliou. No mercado brasileiro, o CEO da América do Sul afirmou que a ideia é reforçar o portfólio de industrializados. Ele menciona que as carnes de marca premium já representam 30% das vendas locais. “É bastante estratégico que não fiquemos tanto na carne commodity. É um caminho sem volta”, disse Mendonça.

VALOR ECONÔMICO

Com piora do cenário nos EUA, lucro da JBS recua 47%

Resultado líquido da companhia ficou em R$ 4 bilhões no 3º trimestre do ano

O fim das vacas gordas nos Estados Unidos continua a aparecer nos resultados da JBS. A gigante de carnes divulgou seu balanço no terceiro trimestre com um lucro ainda expressivo, mas já distante da fase excepcional dos últimos dos anos. A companhia registrou um lucro líquido de R$ 4 bilhões, queda de 47% na comparação com os R$ 7,6 bilhões do mesmo período de 2021. Em entrevista ao Valor, o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, destacou a resiliência do grupo e a sólida posição financeira mesmo num ambiente macro mais desafiador — com a inflação de energia e grãos prejudicando os custos das operações na Europa — e com a normalização das margens no negócio de carne bovina nos EUA, que era aguardada no mercado há algum tempo. Não à toa, as ações do grupo caíram 33% no ano. A JBS está avaliada em R$ 55 bilhões na bolsa. “A diversificação da plataforma por países e tipos de proteína permite ter esse tipo de desafio. É natural que tenha ciclos de negócios, mas a gente continua com geração de caixa sólida”, disse. No trimestre, a JBS registrou um fluxo de caixa livre R$ 3,2 bilhões mesmo depois de investir R$ 3 bilhões no período — R$ 1,5 bilhão em capex de expansão e R$ 1,5 bilhão em manutenção. Com o grau de investimento das três principais agências de rating (S&P, Moody’s e Fitch), a JBS conseguiu manter a alavancagem em níveis baixos, e com um custo médio da dívida de apenas 4,83% ao ano. O prazo médio subiu de 6,2 anos no segundo trimestre para dez anos depois das operações de gestão de passivo feitas no período. Comparativamente, os títulos do Tesouro americano com vencimento em dez anos estão com em um pouco mais de 4%. No fim de setembro, o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) em dólar da JBS estava em 1,76 vez, ligeiramente acima do indicador de 1,65 vez no fim de junho. Ao todo, a dívida bruta da JBS soma R$ 94,9 bilhões, dos quais apenas 11,5% vencem em até um ano. Em caixa, a companhia contava com R$ 16,7 bilhões no fim de setembro, além de US$ 3,2 bilhões (o equivalente a R$ 17,4 bilhões) em linhas de créditos rotativas a disposição do grupo. “Com o endividamento de curto prazo equilibrado, estamos em situação adequada para passar pelos desafios. Diria até mais: se oportunidades aparecerem, estamos preparados”, acrescentou Tomazoni, fazendo alusão à eventualidade de algum M&As que possa surgir no médio prazo. Operacionalmente, o resultado da JBS sentiu o impacto negativo da normalização de margem na operação de carne bovina nos Estados Unidos e há sinais de que as margens do negócio, que é o mais importante para o conglomerado, ainda não chegaram no piso. No terceiro trimestre, o Ebitda da JBS Beef North America recuou 73,1% na comparação anual, de US$ 1,5 bilhão para US$ 403 milhões. Com isso, a margem Ebitda da unidade caiu 18,3 pontos, de 25,5% para 7,3%. No relatório da administração, a JBS citou o impacto negativo da queda de preços da carne no mercado americano, além do custo de aquisição de gado seguir elevado. Enquanto ainda sente os efeitos da normalização de margens nos EUA, a JBS convive com boas perspectivas no Brasil. A Seara voltou a entregar resultados melhores, com margem de Ebitda de 15% (a rival BRF não chegou a 10%) e a Friboi deve aproveitar a boa oferta de gado no país nos próximos anos. Segundo Tomazoni, a Seara ainda não começou a colher os resultados dos investimentos de R$ 8 bilhões feitos nos últimos anos, o que vai começar a aparecer em 2023.

VALOR ECONÔMICO

BRF não vê China como fator para preço do milho no Brasil. garante estoque adequado

A empresa de alimentos BRF, uma das maiores compradoras de grãos para fabricação de rações para aves e suínos, avalia que a chegada da China como compradora de milho do Brasil não influenciará o mercado brasileiro do cereal, disse o Vice-Presidente Financeiro e de Relações com Investidores da companhia na quinta-feira

Fábio Mariano afirmou ainda, em teleconferência para comentar os resultados trimestrais, que a companhia tem aproveitado oportunidades após a colheita recorde de milho no Brasil, realizando compras nos melhores momentos do mercado para garantir estoques adequados da matéria-prima. A China habilitou recentemente diversas tradings para exportar milho brasileiro, e o mercado está na expectativa do início das vendas do cereal aos chineses. “A gente entende que isso (a importação de milho brasileiro pelos chineses) não deve ter influência nos preços, porque em termos relativos isso não exercerá uma mudança em relação ao que é a exportação de milho do Brasil, em relação à safra total”, disse o executivo. Segundo ele, a exportação de milho do Brasil –segundo exportador global do produto, atrás dos EUA– “representa algo próximo de um terço (da produção), e os dados sugerem, vendo os dados da Conab e USDA, que esse número se mantém em termos relativos”. Ele disse ainda confiar que, após uma grande safra de milho em 2021/22, o Brasil volte a colher uma produção recorde em 2022/23, o que deverá reduzir custos para a empresa em termos de matéria-prima no ano que vem. “Fazendo um ‘link’ com as nossas projeções para a safra, e nesse contexto incluímos a safra de soja, há uma ótima expectativa no Hemisfério Sul tanto em área plantada quanto em produtividade…”, acrescentou, lembrando projeções de safras recordes. Baseado nessas estimativas, ele disse que os modelos já sugerem “um custo de ração declinante ao longo de 2023”. Disse também que a nova administração da companhia trabalha em formas de otimizar processos para ter o melhor aproveitamento da matéria-prima pelas criações. “É preciso começar a falar do grão não só no fator preço, é preciso falar do fator quantidade… é preciso melhorar indicadores de mortalidade (de animais), a gente deixa de desperdiçar o grão quando perde um animal, quando a gente fala de indicadores de rendimento, deixamos de desperdiçar o grão, quando falamos da conversão alimentar não adequada a gente também está jogando o grão fora”, exemplificou. Sobre compras de milho, ele ressaltou que é comum que os estoques da companhia cresçam quando acontece a colheita da segunda safra. “É uma oportunidade de originação a preços mais baixos, isso foi feito, então a gente tem os estoques hoje de maneira estratégica, dentro de ‘range’ que consideramos adequado, e que ainda assim, se observarmos novas oportunidades de originação, a gente poder materializar.” Os preços do milho no mercado interno têm oscilado perto de 85 reais a saca de 60 kg no mercado interno desde meados de outubro, segundo indicador do Cepea. O patamar está inferior aos níveis nominais recordes acima de 100 reais vistos no início do ano.

REUTERS

MEIO AMBIENTE

JBS admite ter comprado 9 mil bois de áreas de desmatamento ilegal na Amazônia

Animais foram criados em fazendas de Chaules Volban Pozzebon, que está preso por extração ilegal de madeira e já foi condenado por trabalho escravo

A JBS comprou 8.785 cabeças de gado de três fazendas que desmataram a Amazônia de forma ilegal, em Rondônia, segundo uma investigação feita pela organização não-governamental Repórter Brasil, em parceria com o Greenpeace Brasil e o Unearthed, braço jornalístico do Greenpeace, e publicado no portal UOL. Os animais foram comprados de fazendas de Chaules Volban Pozzebon, que está preso por extração ilegal de madeira. Ele enfrenta acusações de desmatamento ilegal e já foi condenado por trabalho escravo. Em resposta ao Valor, a JBS confirmou o que havia dito à reportagem. Segundo a companhia, ela fez os pedidos à Agropecuária Rio Preto Eireli, pertencente à família Pozzebon, para comprar gado de uma fazenda em conformidade com os critérios socioambientais do setor. “Porém, o grupo responsável pela empresa vinha, de má-fé, fraudando nosso controle para fornecer gado produzido em fazendas com irregularidades socioambientais, que não eram aprovadas por nossa due diligence socioambiental”, afirmou a JBS. A companhia diz que, com a descoberta da fraude, bloqueou a Agropecuária Rio Preto, os sócios da empresa e todas as pessoas associadas a eles, que desligou funcionários da Friboi, que burlaram o sistema, e que vai buscar reparação. A JBS afirmou ainda que incorporou processos adicionais em sua due diligence socioambiental para tornar seu controle cada vez mais rigoroso. A reportagem afirmou, porém, que a companhia tinha meios para checar essa informação, visto que os nomes das fazendas de origem estão registrados nas Guias de Trânsito Animal (GTAs) das transações. As guias são um documento obrigatório na compra e venda de gado e formam a base dos sistemas de monitoramento dos frigoríficos brasileiros. A defesa de Pozzebon negou “fraude ou crime nas vendas realizadas” para os frigoríficos. “Não existe organização criminosa, mas sim um grupo empresarial regularmente constituído e com atividades lícitas e autorizadas pelos órgãos competentes”, explicou o advogado Aury Lopes Jr. à Repórter Brasil. O representante legal da família Pozzebon e da empresa Agropecuária Rio Preto acrescentou que não houve desmatamento criminoso, “mas manejo autorizado de madeira”, e que todas as atividades são lícitas e regulares, sem qualquer fraude ou desacordo de pactos setoriais da carne. Também segundo a reportagem, a Minerva adquiriu 672 animais de uma das fazendas com desmatamento ilegal dos criminosos. Os repasses ocorreram em 2021, embora o frigorífico tenha confirmado que a propriedade estava bloqueada em seu sistema desde 2018 “por apresentar irregularidades em 2014, 2016, 2018, 2019 e 2020 e por apresentar sobreposição de polígono de embargo do Ibama”. A Minerva preferiu não comentar o caso e disse apenas que está “apurando o ocorrido com base nos dados que estão públicos”.

VALOR ECONÔMICO

FRANGOS & SUÍNOS

Suínos: Cotações estáveis

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 130,00/R$ 135,00, assim como a carcaça especial R$ 10,30/R$ 10,70 o quilo

Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quarta-feira (9), houve recuo de 0,46% no Paraná, chegando a R$ 6,50/kg, e de 0,15% em Santa Catarina, alcançando R$ 6,49/kg. Ficaram estáveis as cotações em Minas Gerais (R$ 7,26/kg), Rio Grande do Sul (R$ 6,65/kg) e em São Paulo (R$ 7,17/kg). Na quinta-feira (10), as principais praças que comercializam os suínos na modalidade independente se dividiram: a região Sudeste do país manteve valores estáveis e o Sul teve recuos nos preços. Há incerteza para “onde” o mercado vai, e lideranças apontam que ainda são sentidos os efeitos das paralisações de rodovias realizadas na semana seguinte ao segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último dia 30 de outubro.

Cepea/Esalq                 

Suínos/Cepea: em outubro, altas nos preços do vivo

As altas nos preços do suíno vivo no começo de outubro garantiram que a média mensal fechasse acima da registrada em setembro

Nas últimas semanas do mês, os valores do animal recuaram em grande parte das regiões acompanhadas pelo Cepea. Ressalta-se, contudo, que, em muitas praças, a média de outubro ainda ficou inferior à do mesmo mês de 2021. As exportações brasileiras de carne suína, considerando-se produtos in natura e industrializados, recuaram em outubro. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), foram embarcadas 97,2 mil toneladas da proteína no último mês, 4,1% a menos que em setembro e 0,5% abaixo do volume escoado em outubro de 2021. Diante das altas nos preços do animal vivo em todas as praças acompanhadas pelo Cepea nas primeiras semanas de outubro, a média mensal do suíno ficou acima da registrada em setembro. Com isso, o poder de compra do suinocultor avançou frente ao milho, mas diminuiu frente ao farelo de soja, tendo em vista que, em algumas praças, o derivado da oleaginosa se valorizou na mesma proporção ou até mais que o animal. Os preços da carne suína registraram forte alta de setembro para outubro, enquanto os da proteína de frango apresentaram ligeira elevação, e os da bovina, queda. Diante disso, em outubro, a competitividade da carne suína caiu em relação a essas duas proteínas substitutas.

Cepea

Suinocultura independente: região Sudeste estável. No Sul recuo

No Paraná, considerando a média semanal (entre os dias 03/11/2022 a 09/11/2022), o indicador do preço do quilo vivo do Laboratório de Pesquisas Econômicas em Suinocultura (Lapesui) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) teve queda de 1,05%, fechando a semana em R$ 6,71/kg vivo. “Espera-se que na próxima semana o preço do suíno vivo apresente alta, podendo ser cotado a R$ 6,98/kg vivo”, informou o Lapesui

Em São Paulo, o preço se manteve estável em R$ R$ 7,73/kg vivo, segundo dados da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), com acordo entre suinocultores e frigoríficos. No mercado mineiro, o preço ficou estável em R$ 7,30/kg vivo, com acordo entre os frigoríficos e suinocultores, conforme dados da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg). Segundo informações da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), o valor do animal caiu, passando de R$ 6,76/kg vivo para 6,67/kg vivo nesta semana.

AGROLINK

Ave congelada em São Paulo aumenta 1,25%

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 5,50/kg, assim como no frango no atacado, valendo em R$ 7,45/kg

Na cotação do animal vivo, São Paulo ficou sem referência de preço. No Paraná, o preço ficou estável em R$ 5,17/kg, assim como em Santa Catarina, custando R$ 4,19/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quarta-feira (9), a ave congelada subiu 0,50%, atingindo R$ 8,03%, e o frango resfriado teve incremento de 1,25%, fechando em R$ 8,10/kg.

Cepea/Esalq                                

França entra em ‘alerta máximo’ por causa da gripe aviária

Ainda neste ano, o país teve a pior onda da doença, totalizando cerca de 22 milhões de aves abatidas

A França impôs “alerta máximo” e cuidado com a gripe aviária no país. O Ministério da Agricultura do país determinou que produtores mantenham as aves presas nas granjas, a fim de conter a propagação da doença. Os franceses são estão em segundo lugar de maior produção de aves da União Europeia e detectou um aumento nos surtos da gripe aviária nos últimos meses. Ainda neste ano, o país teve a pior onda da doença, totalizando cerca de 22 milhões de aves abatidas. “É fundamental reforçar as medidas preventivas para evitar a contaminação” — Ministério de Agricultura da França. “Em um contexto marcado pela persistência do vírus no ambiente e pela forte atividade migratória de aves selvagens, é fundamental reforçar as medidas preventivas para evitar a contaminação das explorações avícolas”, afirmou o ministério. A disseminação do vírus preocupa os governos e a indústria avícola devido à devastação que pode causar nos rebanhos, possibilidade de restrições comerciais e o risco de transmissão humana. O nível de risco considerado “alto”, anteriormente definido como “moderado”, implica que todas as aves de capoeira sejam mantidas dentro das granjas e que sejam tomadas medidas de segurança adicionais, inclusive para caça, para evitar a propagação da doença.

Reuters

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