
Ano 7 | nº 1590 | 08 de outubro de 2021
NOTÍCIAS
Queda de R$3,00/@ do boi gordo em São Paulo
Em São Paulo, com o consumo fraco de carne bovina no mercado interno e sem exportação em quantidade, o mercado abriu com queda de R$3,00/@ na cotação do boi gordo na última quinta-feira (7/10), na comparação diária
Para a vaca e novilha gordas, as quedas nos preços foram de R$2,00/@ no período. Assim, segundo levantamento da Scot Consultoria, o boi foi negociado por R$282,00/@, a vaca por R$265,00/@ e a novilha por R$282,00/@, respectivamente, preços brutos e a prazo, nas praças paulistas. Destacando que parte das indústrias frigoríficas estava fora das compras.
SCOT CONSULTORIA
Boi: arroba despenca novamente em regiões produtoras, diz Safras & Mercado
De acordo com a consultoria Safras & Mercado, a arroba do boi gordo voltou a despencar em regiões produtoras após três dias de estabilidade. Em São Paulo, capital, a arroba caiu de R$ 280 para R$ 275, na modalidade a prazo. Em Goiânia (GO) foi de R$ 265 para R$ 260 e em Cuiabá (MT), passou de R$ 274 para R$ 266.
Na B3, as cotações dos contratos futuros do boi gordo não conseguiram manter a melhora observada nos últimos dois pregões e recuaram de maneira expressiva. O ajuste do vencimento para outubro passou de R$ 282,85 para R$ 275,35, do novembro foi de R$ 291,15 para R$ 284,30 e do dezembro foi de R$ 300,50 para R$ 293,00 por arroba.
AGÊNCIA SAFRAS
Boi/Cepea: Com pressão compradora, preços seguem em queda
Apesar do intenso ritmo das exportações brasileiras nas últimas semanas e da baixa oferta de animais para abate, os preços internos da arroba estão em movimento de queda
No acumulado de setembro, o Indicador do boi gordo CEPEA/B3 (estado de São Paulo) caiu 7%. Nos últimos sete dias (de 29 de setembro a 6 de outubro), especificamente, a baixa foi de 4,7%, com o Indicador fechando a R$ 280,90 nessa quarta-feira, 6. Segundo pesquisadores do Cepea, a pressão vem da retração de compradores, que se afastam das aquisições de novos lotes de animais para abate. No caso dos frigoríficos que trabalham apenas com o mercado doméstico, o recuo nas compras se deve às fracas vendas de carne nos atacados brasileiros, devido ao fragilizado poder de compra da maior parte da população. Já quanto às unidades exportadoras, compradores evitam alongar as escalas de abate, diante da ainda manutenção da suspensão dos envios de carne bovina à China.
Cepea
Preço do boi gordo despenca e já chega a R$ 275 em São Paulo
Além de São Paulo, muitos negócios estão sendo realizados nestes novos patamares, com quedas expressivas nas boiadas negociadas em GO e MT
O mercado físico de boi gordo registrou preços em forte baixa na maioria das praças de produção e comercialização do país na quinta-feira, 7. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, muitos negócios estão sendo realizados nestes novos patamares, com quedas mais pronunciadas nas boiadas comercializadas nos estados de Goiás e no Mato Grosso. Para o pecuarista, principalmente, o cenário ainda é de apreensão, considerando a ausência da China, nosso principal comprador de carne bovina, sem qualquer sinalização de quando esta janela de exportação se reabrirá, apesar do governo brasileiro já ter entregue todos os laudos técnicos exigidos pelas autoridades chinesas após o registro de dois casos atípicos do mal da vaca louca, no início de setembro. Enquanto isso, os frigoríficos seguem optando por operar com maior capacidade ociosa, pulando abates e até mesmo propondo férias coletivas para funcionários. Complica ainda mais o lado dos criadores o alto custo da nutrição animal ao longo do ano, assim como o retorno das chuvas, elemento que dificulta o manejo nos confinamentos. “Ou seja, a retenção das boiadas se torna uma opção cada vez menos viável nesse ambiente, restando nenhuma outra alternativa a não ser a de vende-las”, assinalou Iglesias. Em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 275 na modalidade à prazo, ante R$ 280 na comparação com a quarta-feira. Em Goiânia (GO), a arroba teve preço de R$ 260, ante R$ 265. Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 274 – R$ 275, contra R$ 275. Em Cuiabá, a arroba ficou indicada em R$ 266, contra R$ 274. Em Uberaba, Minas Gerais, preços a R$ 275 a arroba. A carne bovina voltou a ter preços mais baixos no mercado atacadista. O corte traseiro foi precificado a R$ 21 por quilo, queda de R$ 0,25. O quarto dianteiro foi precificado a R$ 15 por quilo, queda de R$ 0,30. Já a ponta de agulha foi precificada a R$ 14,80 por quilo, queda de R$ 0,20.
AGÊNCIA SAFRAS
Brasil deve ampliar domínio nas vendas de carne à China
Mudança de hábitos alimentares na China elevará a demanda, segundo pesquisa da Scot Consultoria para WWF-Brasil, TFA Brasil e Fundação Solidaridad
As importações chinesas de carne bovina podem chegar a 3,62 milhões de toneladas em equivalente carcaça em 2030, volume 32,8% maior que o registrado no ano passado. A projeção está em um estudo que a Scot Consultoria produziu para as organizações WWF-Brasil, Tropical Forest Alliance (TFA Brasil) e Fundação Solidaridad. Segundo o estudo, a produção chinesa de carne bovina deverá crescer 15% até o fim da década. O ritmo é inferior ao previsto para o avanço do consumo, que deverá aumentar 21% no mesmo período, somando 11,15 milhões de toneladas em equivalente carcaça, afirma a consultoria. De acordo com os analistas da Scot, a mudança de hábito alimentar dos chineses chama a atenção. “Mesmo após a retomada dos níveis de produção de suínos, prevista para 2022/2023, a expectativa é de que o consumo per capita de carne bovina e de outras proteínas, como o frango e o pescado, continue aumentando”, diz o estudo. Atualmente, a China é o maior comprador da carne brasileira. Segundo a consultoria, no fim da década, a carne bovina brasileira deverá responder por 43,3% das importações chinesas do produto; a participação brasileira foi de 39,9% do total em 2020, de acordo com a Scot. O produto in natura representou mais de 90% dos embarques nos últimos dez anos. A pesquisa avalia, ainda, que o cenário é positivo para a pecuária de corte nacional não só por causa do aumento da demanda, mas também devido aos “ganhos esperados na base produtiva, ao uso maior de tecnologia (nutrição, sanidade, genética, gestão) e à intensificação da produção para atender o critério exigido pela China”. O país compra somente bovinos com menos de 30 meses.
VALOR ECONÔMICO
Açougue que vendia ossos retira placa após repercussão em SC
Procon pediu suspensão da venda; dono de açougue diz que preço do resíduo dobrou
A procura por osso de boi nos açougues em Florianópolis inflacionou as partes bovinas mais dispensáveis. Comumente doado, ou vendido a preço simbólico, a imagem do cartaz em um açougue com a anotação “R$ 4 kg. Osso é vendido, não doado” gerou repercussão nas redes sociais, com críticas do Procon, o que levou o estabelecimento a retirar o anúncio. A cobrança dos açougues pelo quilo do osso de boi chamou a atenção do Procon Estadual, que determinou a suspensão da cobrança sob pena de prática de “vantagem excessiva”, segundo prevê o artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor. A cobrança, segundo Tiago Silva, diretor do Procon estadual, é usada como barreira para afastar justamente os mais pobres. “A forma como foi colocado aquele cartaz, com aqueles dizeres, tem um intuito claro de afastar as pessoas que vão pedir ossos no açougue. É desumano, sabendo a situação que muitas famílias hoje se encontram”, disse à reportagem. Após a notificação, o açougue em Florianópolis tirou a placa e suspendeu a venda de ossos. Por telefone, a proprietária, que pediu anonimato, disse que sempre doou ossos de boi, mas que a cobrança passou a ser praxe entre os açougues da região. Segundo o diretor do Procon, oito estabelecimentos foram fiscalizados, mas apenas um local foi flagrado realizando a venda. A orientação do Procon pede que os açougues de Santa Catarina “se abstenham de cobrar pelos ossos de boi, mas que apenas efetuem doações”.
FOLHA DE SP
Açougues e mercados podem vender ossos de boi em Santa Catarina?
Prática é permitida segundo legislações nacional e estadual, mas precisa ser fiscalizada. Debate veio à tona após alta do preço da carne
Para a economista e professora de Economia e Finanças Públicas da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc)) na Escola Superior de Administração e Gerência (Esag), Ivoneti Ramos, a doação de ossos é “uma praxe histórica”. Segundo ela, a retirada do alimento vai fragilizar ainda mais a camada de pessoas com menor renda e, consequentemente, mais atingidas pela pandemia. Mas afinal, a venda é permitida? A prática é permitida pelas legislações nacional e estadual, conforme órgãos e entidades consultadas pelo G1, mas precisa ser fiscalizada, assim como outros produtos. Também é necessário aos estabelecimentos que comercializam ossos, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), seguir as Boas Práticas de Manipulação de Alimentos nos termos da RDC 216/2004. A comercialização está prevista e, consequentemente autorizada na Resolução 1 do DIPOA segundo a médica-veteriária, Flávia Klein, do Departamento Estadual de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Deinp) e que faz parte da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). Segundo o Presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) Paulo Mustefaga, as indústrias são responsáveis por repassar para o varejo o produto envolvendo a carne e a carcaça de forma certificada e dentro das normas de qualidade. “A cadeia produtiva é grande e geralmente são aproveitadas todas as partes do boi. No entanto, a partir do momento em que entregamos os produtos para o varejo, que vai vender isso aos consumidores, os cuidados e as formas de comercialização ficam sob responsabilidade dos açougues e supermercados”, explica.
G1
Carne bovina enviada pelo Brasil à China em setembro pode ser incinerada
Produto exportado ao país após caso atípico de mal da vaca louca ainda aguarda liberação para entrar no mercado chinês
Cerca de 60% das 218,6 mil toneladas de carne bovina exportadas pelo Brasil em setembro podem virar cinzas, caso o governo chinês decida impedir que entrem no país as cargas enviadas após 4 do mês passado, quando os embarques foram suspensos automaticamente devido à confirmação de dois casos atípicos de mal da vaca louca em Minas Gerais e Mato Grosso. Os embarques só para o mercado chinês em setembro somaram 132,455 mil toneladas. A estimativa é de que 130 mil a 150 mil toneladas de carne bovina estejam paradas em portos chineses ou a caminho, aguardando liberação. Embora o Brasil tenha suspendido a certificação para a exportação no dia 4 de setembro, como determina o protocolo sanitário bilateral firmado com a China, a demora na liberação de cargas nos portos brasileiros, em meio à falta de contêineres, gerou um atraso (“delay”) nos embarques do que havia sido certificado em agosto. “Esse dado de exportação in natura mostra um retrato antigo, não é necessariamente carne que foi embarcada apenas em setembro, computa o resultado operacional completo. Foi carne provavelmente que foi inspecionada em agosto e já estava liberada no serviço de inspeção federal há mais tempo”, explica o analista de proteína animal da Safras & Mercado, Fernando Iglesias ao alertar para o risco que a situação representa. “Se essa carne chegar no porto, como ela não tem mais a certificação para entrar na China, o que poderia acontecer é essa carne ser considerado clandestina e ser até mesmo incinerada neste tipo de situação”, observa o analista. Outra possibilidade seria essa carne ser enviada de volta ao Brasil, o que também ocasionaria custos logísticos adicionais, além de derrubar os preços no mercado interno. De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo-MT), Paulo Belicanta, havia cargas com atraso de até 17 dias nos portos brasileiros. “Tinha um estoque [de certificados de exportação] já emitido muito grande e isso foi o grande diferencial desse aumento de volume, porque não houve sequer um contêiner certificado pelo Ministério da Agricultura a partir do dia 4 [de setembro]”, explica. Como as certificações ocorreram antes da suspensão, Belicanta afirma estar seguro de que haverá a liberação dos produtos enviados à China no último mês. “Nós temos que ter a consciência de que ainda encontramos muita dificuldade nas traduções e na comunicação entre Brasil e China”, pondera o empresário ao explicar que “algumas interpretações, em alguns, momentos dão um certo delay nas operações”. Ainda de acordo com o presidente do Sindifrigo-MT, as expectativas são de que as conversas com a China sejam retomadas a partir desta sexta-feira (8/10), quando termina o feriado no país. Diante das incertezas, pelo menos 14 frigoríficos já decretaram férias coletivas no país, segundo número divulgado pela consultoria Agrifatto.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar fecha acima de R$5,50 pela 1ª vez desde abril
Em quatro sessões, a moeda ganhou 2,72%. Dos últimos 12 pregões, o dólar subiu em 11, com alta acumulada de 4,35%. Em 16 sessões, a cotação valorizou-se em 14, com acréscimo de 5,32% no período completo. Ao fim dos negócios no mercado à vista, o dólar subiu 0,54%, a 5,5155 reais
O dólar emendou a quarta alta seguida e fechou acima de 5,50 reais pela primeira vez desde abril na quinta-feira, mostrando mais força aqui do que no exterior devido à cautela de investidores domésticos antes da divulgação do IPCA de setembro, o que contaminou ainda o mercado de juros futuros. As taxas de DI negociadas na B3 –uma medida do juro esperado para o futuro– chegaram ao fim da tarde em fortes altas de mais de 10 pontos-base entre 2023 e 2027, evidência das dúvidas do mercado sobre os rumos da inflação e a capacidade do Banco Central de trazer o IPCA para a meta em 2022. Pesquisa da Reuters aponta que o IPCA deve ter subido 1,25% em setembro, indo a 10,33% em 12 meses. A leitura mensal seria a segunda mais alta para setembro da série com início em 1994, enquanto a taxa anual até setembro ficaria entre as cinco mais elevadas nessa base de comparação. O IBGE divulga o IPCA na sexta-feira às 9h (de Brasília). O último trimestre do ano sazonalmente é de mais pressão no câmbio devido a saídas de recursos, por exemplo, na forma de remessas de lucros e dividendos. O dólar tem recorrentemente subido mais no Brasil do que em outros países, com investidores buscando proteção por fatores externos, mas também por incertezas sobre a política monetária local, o crescimento econômico e o cenário político-fiscal. Investidores em todo o mundo aguardam ainda a divulgação de dados de emprego nos EUA nesta sexta-feira, que podem dar direção a expectativas acerca de corte de estímulos pelo banco central norte-americano.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta com NY e Vale; Banco Inter dispara
O Ibovespa fechou no azul na quinta-feira, mais uma vez favorecido pela trajetória positiva em Wall Street e valorização de Vale, com Banco Inter também sob os holofotes após avanço nos planos para listar suas ações nos Estados Unidos. Índice de referência do mercado acionário, o Ibovespa subiu 0,29%, a 110.844,83 pontos, de acordo com dados preliminares. O volume financeiro somava 29,3 bilhões de reais.
REUTERS
Preços globais de alimentos têm forte alta
Índice da FAO subiu 1,2% em setembro e atingiu o maior patamar em dez anos. Já as cotações internacionais das carnes ficaram praticamente estáveis entre agosto e setembro, com altas nas carnes bovina e de ovinos e queda nas carnes de suínos e de aves. Em relação a setembro do ano passado, porém, os preços das carnes estão 26,3% mais altos
O índice de preços dos alimentos da FAO subiu 1,2% em setembro em relação a agosto, impulsionado pela oferta apertada e pela forte demanda global por produtos como trigo e óleo de palma. O indicador, que fechou o mês passado em 130 pontos e acumula alta de 32,8% em 12 meses, atingiu seu maior patamar desde setembro de 2011. Os preços dos cereais subiram, em média, 2% no mês, puxados pelo aumento de quase 4% nas cotações mundiais do trigo, que acumularam avanço de 41% nos últimos 12 meses. Também houve forte valorização do arroz. Já os preços do milho tiveram alta apenas marginal, de 0,3%, sob a perspectiva mais favorável para a oferta global e o início da colheita nos EUA e na Ucrânia, que limitaram o avanço das cotações. Ainda assim, o cereal acumula elevação de 38% no ano. Em relatório recente, a FAO observou que a demanda por cereais projetada para 2021/22 é maior do que a produção esperada. Isso deve levar a um consumo dos estoques, que deverão representar 28,4% da demanda da temporada. Os preços dos óleos vegetais aumentaram 1,7% em setembro em relação a agosto, acumulando alta de 60% em 12 meses, diante da forte demanda por importação e de receio com os efeitos da falta de trabalho de imigrantes na Malásia. Os preços internacionais do leite subiram 1,5%, e os do açúcar, 0,5%.
VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS
MPF aponta problemas em compras de gado pela JBS no Pará; empresa reforça ações
Cerca de um terço do gado comprado pela JBS entre janeiro de 2018 e junho de 2019 teria vindo de áreas com problemas de desmatamento ou outras inconformidades, de acordo com os resultados de uma auditoria de 2020 do Ministério Público Federal do Pará. Segundo a auditoria, fábricas da JBS na região amazônica teriam comprado 940.617 cabeças de gado no período, oriundas do Estado do Pará, sendo que 31,99% apresentaram evidência de irregularidade. Isto representa mais de três vezes o índice de tolerância de 9,95% estipulado pelo MPF-PA para a auditoria de 2020. A JBS assinou um Termo de Ajuste de Conduta com o Ministério Público Federal em 2013, no qual a empresa se comprometeu a não comprar gado de fazendas desmatadas ilegalmente a partir de 2008, ou de propriedades envolvidas em crimes ambientais. Numa auditoria de 2019, os procuradores que monitoraram os TACs no Pará constataram que a JBS havia melhorado os indicadores que balizam o acordo, afirmando que 8% do gado comprado pela empresa vinha de fazendas com “irregularidades”, uma queda ante os 19% aferidos numa auditoria de 2018. No entanto, essa proporção saltou para 32% — para cerca de 301 mil cabeças de gado– na auditoria de 2020 apresentada na quinta-feira. Segundo a JBS, o resultado da auditoria foi impactado por uma mudança recente de critério adotado pelo MPF. “Com relação aos resultados da auditoria do TAC do Pará para o ano de 2018 e o primeiro semestre de 2019, a JBS esclarece que os resultados decorrem, principalmente, de imprecisões nas definições dos critérios de monitoramento e nas bases de dados utilizadas como referência no processo de auditoria”, afirmou. Ainda assim, a JBS disse que implementou novas medidas em seu sistema de monitoramento e bloqueou todas as fazendas fornecedoras do Pará com irregularidades apontadas na auditoria. A empresa também admitiu que “entende ser importante adotar medidas adicionais para reforçar seu trabalho de due diligence no Estado”. A companhia anunciou na quinta-feira um conjunto de ações com “o objetivo de reforçar a sustentabilidade da cadeia de fornecimento de bovinos no Pará e ampliar a adoção de boas práticas por toda a indústria”. Investimentos de 5 milhões de reais serão, em comum acordo com o MPF, destinados a um conjunto de iniciativas no Estado, disse a JBS, destacando o projeto CAR 2.0, para automatizar e acelerar a análise e verificação do Cadastro Ambiental Rural e o Programa de Regularização Ambiental no Estado. A empresa ainda se comprometeu a realizar auditoria de 100% das compras de gado no Pará.
REUTERS
No Pará, quase 10% do gado comprado tem irregularidade
Percentual caiu, mas segue elevado, indica nova auditoria do MPF
Por um ano e meio, 9,95% do gado comercializado com a indústria no Pará, no bioma Amazônia, saiu de fazendas com desmatamento ilegal realizado após 2008, embargadas pelo Ibama, de propriedades sem Cadastro Ambiental Rural (CAR), com trabalho análogo à escravidão ou de áreas sobrepostas a terras indígenas e a unidades de conservação. Apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF) do Pará, o mapeamento baseou-se em auditorias de compras de gado feitas no período de janeiro de 2018 a junho de 2019 por 16 empresas signatárias do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne. Foi o terceiro ciclo de divulgação das auditorias desde o início do acordo, firmado em 2009. Pelo TAC, as empresas signatárias se comprometeram a bloquear compras em áreas desmatadas ilegalmente após 1º de agosto de 2008, conforme monitoramento do Prodes (que monitora o desmatamento na Amazônia Legal), e a coibir outras irregularidades. As auditorias feitas no ano passado, a cargo de Grant Thornton, GeoMaster e BDO, cobriram 69% das empresas que atuam na região. Para o próximo ciclo de auditorias, referente a vendas de gado entre julho de 2019 e dezembro de 2020, o MPF quer garantir cobertura de 80%. A JBS foi a companhia com maior índice de inconformidade – 32% dos animais adquiridos pela empresa no Estado no período tiveram alguma irregularidade, ou mais de 300 mil cabeças. Em seguida vêm empresas regionais como Matadouro Planalto (31,1%), Frigorífico Aliança (24,8%), ForteFrigo (18,7%) e Frigorífico Sampaio (15,2%). Para essas empresas, que tiveram um desempenho pior que a média, o MPF avaliará caso a caso e negociará avanços. Entre outras empresas de maior porte, o Frigol teve 4,1% de inconformidade e a Minerva, zero. Há hoje 42 empresas signatárias do TAC da Carne, mas 11 não fizeram auditoria das compras de 2018 e 2019. Além disso, dez empresas que compraram mais de 7 mil cabeças em 2000 ainda não tinham firmado o TAC. Já outras 15 signatárias foram dispensadas de auditoria por terem comprado menos de 7 mil cabeças em 2000.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
Suínos/Cepea: Preços do animal vivo apresentam movimentos distintos
Os preços do suíno vivo comercializado no mercado independente têm apresentado movimentos distintos dentre as regiões acompanhadas pelo Cepea nos últimos dias, influenciados por diferentes condições de oferta e de demanda
Nas praças de Minas Gerais, os negócios seguiram o acordo da bolsa local, e os preços se mantiveram estáveis. Já em São Paulo e em Santa Catarina, vendedores conseguiram leves reajustes positivos no preço, conforme a procura por animais para abate se aqueceu. Nas praças do Paraná, colaboradores relataram lentidão nas vendas e consequente quedas nos preços. Quanto às exportações de carne suína em setembro, somaram 110,9 mil toneladas, segundo dados da Secex. Além de recorde, o volume embarcado no último mês foi 23,4% maior que o de agosto e 29,8% acima do de setembro de 2020.
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