Ano 7 | nº 1496| 27 de maio de 2021
NOTÍCIAS
Boi gordo firme em São Paulo
Diante do cenário de final de safra, os compradores já sentem dificuldade na originação de boiadas, resultando na alta de R$1,00/@ para o boi gordo nesta quarta-feira (26/5). O preço das fêmeas ficou estável
Com isso, o boi gordo destinado ao mercado interno ficou cotado em R$308,00/@, enquanto a vaca e novilha gordas foram negociadas em R$285,00/@ e R$299,00/@, respectivamente, preços brutos e a prazo. Houve negócios acima da referência, a depender do lote e da distância.
SCOT CONSULTORIA
Preço do boi gordo valoriza até R$ 3 nesta quarta, 26
Segundo a Safras, a oferta de boiadas vem diminuindo, principalmente para os animais que atendem aos padrões de exportação da China
O mercado físico de boi gordo registrou preços de estáveis a mais altos nesta quarta-feira, 26. O volume ofertado de boiadas é modesto neste momento, principalmente de animais que cumprem os requisitos de exportação com destino ao mercado chinês, disse o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias. Enquanto isso, a oferta de animais de safra já se aproxima do limiar. “Ou seja, os frigoríficos já encontram maior dificuldade na composição de suas escalas de abate”, assinala. Para o mês de junho a expectativa é que a pressão de alta sobre os preços da arroba se acentue, diante da redução do confinamento de primeiro giro. Em relação à demanda de carne bovina, fica a expectativa em torno do avanço dos embarques nas próximas semanas, em linha com a ausência da Argentina do mercado internacional. Com isso, em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 313, ante R$ 310 na terça, na modalidade a prazo. Em Goiânia (GO), a arroba teve preço de R$ 300 a arroba, ante R$ 295. Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 300, estável. Em Cuiabá, o preço da arroba do boi gordo foi de R$ 303, inalterada. Em Uberaba, Minas Gerais, preços a R$ 305 a arroba, ante R$ 304 a arroba. No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem acomodados. Conforme Iglesias, a tendência é que haja maior espaço para reajustes durante a primeira quinzena de junho, período que conta com maior apelo ao consumo, avaliando a entrada dos salários na economia como motivador da reposição entre atacado e varejo. Com isso, o corte traseiro teve preço de R$ 20,35 o quilo. O corte dianteiro teve preço de R$ 17,00 o quilo, assim como a ponta de agulha.
AGÊNCIA SAFRAS
Mercado de reposição em Mato Grosso: melhora na relação de troca na comparação anual
Em Mato Grosso, segundo levantamento da Scot Consultoria, considerando a média de todas as categorias de bovinos machos para reposição, ou seja, bezerro desmama, de ano, garrote e boi magro, a alta nas cotações foi de 59,9%. No mesmo período, a cotação do boi gordo subiu 71,2%, embora desde o início do mês de maio as cotações estejam sofrendo pressão de baixa.
SCOT CONSULTORIA
Pecuária de parte do Brasil será reconhecida, hoje, como livre de aftosa sem vacinação
Fazem parte os estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia, parte do Amazonas e de Mato Grosso
Os Estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia, parte do Amazonas e de Mato Grosso devem receber nesta quinta-feira o reconhecimento internacional como novas zonas livres de febre aftosa sem vacinação, afirmou o Ministério da Agricultura em nota na quarta-feira. Com isso, a pasta promoverá um evento online sobre o tema, com a presença da Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, do Secretário de Defesa Agropecuária, José Guilherme Leal, e do diretor do Departamento de Saúde Animal, Geraldo Moraes. Também foram apresentados os governadores dos Estados beneficiados e demais autoridades. O status sanitário livre de aftosa sem vacinação contribui para que empresas ganham áreas de acesso a transferência para exportação junto a mercados mais exigentes, que não aceitam o uso da vacina nos rebanhos bovinos como garantia que, de fato, não há uma doença. A meta é que todo o território brasileiro seja considerado livre de febre aftosa sem vacinação até 2026.
REUTERS
Grupo de pecuária sustentável firma compromisso público por preservação em busca de ‘carimbo verde’
Integrantes da organização se reuniram com a Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, para entregar o termo e cobrar a implementação do Código Florestal
O Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS) firmou um compromisso público em favor da pecuária sustentável que pretende, além de reforçar o potencial preservacionista da atividade no Brasil e se comprometer com isso, estimular e provocar vários entes ligados à cadeia produtiva a unirem esforços nesse sentido – incluindo governos federal e estaduais. A organização tem entre seus associados, além de entidades de produtores, empresas como GPA, Carrefour Brasil, JBS e Marfrig. Membros do GTPS se reuniram com a ministra na semana passada, quando entregaram o compromisso público e também cobraram do governo o principal passo para que a agropecuária brasileira conquiste de fato um “carimbo verde” e afaste as ferozes críticas de seus detratores: a efetiva implementação do Código Florestal. Da reunião, além do presidente do GTPS, o pecuarista Caio Penido, e da ministra, participaram o representante da ONG NWF (National Wildlife Federation) no Brasil, Francisco Beduschi, o diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), André Guimarães, e o diretor de Regularização Ambiental do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) – vinculado à Agricultura -, João Adrien. Penido, Beduschi e Guimarães – representantes de entidades associadas ao GTPS – ressaltaram à ministra que “todos os itens constantes no Compromisso Público dependem da complementação do Código Florestal, questão que vem se arrastando”. Conforme Caio Penido complementou ao Estadão/Broadcast, “o Código Florestal foi revisado em 2012, mas não está implementado e, com isso, não se consegue separar o joio do trigo, quem é bom e quem é mau produtor, o que gera uma polarização e insegurança jurídica”, continuou o presidente do GTPS.
O ESTADO DE SP
ECONOMIA
Dólar fecha em queda com atuação de exportadores e “hedge” no mercado futuro
O dólar à vista caiu 0,48%, a 5,3127 reais na venda
Operadores comentaram sobre ingressos de recursos de exportadores até então estacionados no exterior. Esse movimento tem ocorrido nas últimas semanas, mas segundo relatos acelerou nos últimos dias, em meio à percepção de melhor custo de oportunidade de internalizar o capital conforme se multiplicaram mais recentemente relatórios de revisão de alta para a taxa básica de juros. A chamada Selic está em 3,75% ao ano, bem acima dos 2% que vigoraram até março. Mas o início do ciclo de normalização monetária no Brasil, em março, começou a mudar essa dinâmica. A isso somaram-se o rali dos preços das commodities –que ganhou nova pernada em abril– e os volumes recordes de exportação pelo país nos últimos meses, com destaque para soja e minério de ferro. “O que acontece é que o efeito prêmio está dominando o da Selic no cupom cambial”, disse um profissional da área de câmbio de um banco estrangeiro. Ele explicou que o cupom cambial é a taxa Selic menos a variação cambial mais prêmio de risco. O desdobramento disso é que exportadores voltaram a internalizar recursos. Esses players vendem dólares aos bancos, que, para mitigar o risco câmbio, entram no mercado futuro de câmbio na ponta vendedora de moeda. Esse grande fluxo de venda no mercado físico e no futuro baixou o dólar nesta quarta e tem pressionado a moeda nas últimas sessões. O Banco Central divulgou mais cedo que o Brasil registrou superávit em conta corrente de 5,663 bilhões de dólares em abril, com projeção de novo salto positivo de 3,6 bilhões de dólares em maio.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta
O Ibovespa fechou em alta na quarta-feira, com ações de companhias aéreas entre os maiores ganhos, bem como melhores perspectivas para o segundo semestre
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,81%, a 123.989,17 pontos, chegando a 124.255,69 pontos na máxima da sessão. O volume financeiro somou 29,3 bilhões de reais. Wall Street terminou com o Nasdaq e o S&P 500 no azul, o que beneficiou a bolsa paulista, assim como a alta dos papéis da Vale e das ações de bancos como Bradesco e Itaú Unibanco. Para Thomas Giuberti, sócio da Golden Investimentos, melhores perspectivas de crescimento da economia têm beneficiado as ações, principalmente de setores cíclicos domésticos. Ele ponderou que esse caminho precisa se concretizar, mas acrescentou que o sentimento mais pessimista vem se dissipando. O estrategista da RB Investimentos, Gustavo Cruz, chamou a atenção para a aprovação da admissibilidade da proposta da reforma administrativa pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados na véspera. “Ainda tem um longo caminho a percorrer…mas o mercado geralmente reage bem a temas como esse avançando”, acrescentou. A divulgação de dados abaixo do esperado sobre a criação do emprego formal no país tirou o Ibovespa das máximas, mas segundo Giuberti, não apoiou vendas mais fortes.
REUTERS
Dívida pública federal recua 2,92% em abril a R$ 5,089 tri, informa Tesouro
A dívida pública federal do Brasil recuou 2,92% em abril sobre março, a 5,089 trilhões de reais, informou o Tesouro Nacional na quarta-feira
No mês, a dívida pública mobiliária interna teve recuo de 2,7%, a 4,852 trilhões de reais, enquanto a dívida externa diminuiu 7,23%, a 237 bilhões de reais. Em relatório, o Tesouro informou que sua reserva de liquidez fechou o mês de abril em 969,3 bilhões de reais, ante 1,119 trilhão de reais de março. De acordo com o Tesouro, o nível atual é suficiente para 9,9 meses à frente de vencimentos. O órgão também destacou que, até o fim de 2021, haverá vencimentos estimados em 735 bilhões de reais. Em relação à composição, os títulos que variam com a Selic, representados pelas LFTs, aumentaram a 35,5% da dívida total em abril, ante 33,78% em março, voltando a deter o maior peso na composição da dívida pública federal. Já os títulos prefixados, que dão mais previsibilidade à gestão da dívida, recuaram a 31,9% da dívida em abril, ante 34,67% em março. Os papéis indexados à inflação avançaram a 27,69% da dívida, ante 26,38% no mês passado. Em relação aos detentores, a participação dos investidores estrangeiros na dívida mobiliária interna apresentou ligeiro avanço, a 9,75% em abril, ante 9,54% em março.
REUTERS
Brasil abre 120.935 vagas formais de trabalho em abril, mostra Caged
O resultado ficou abaixo das 172.500 vagas esperadas pelo mercado, segundo pesquisa da Reuters
O Brasil abriu 120.935 vagas formais de trabalho em abril, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta quarta-feira pelo Ministério da Economia. Em abril do ano passado, o país fechou 963.703 vagas com carteira assinada em meio ao choque do fechamento da economia após a chegada do coronavírus ao país. No ano de 2021, o país acumula agora a criação de 957.889 empregos com carteira assinada. De janeiro a abril do ano passado, foram fechadas 763.232 vagas formais.
REUTERS
Balança comercial puxa superávit de contas externas em abril
Superávit das transações correntes chegou a US$ 5,6 bilhões
As contas externas fecharam o mês de abril com superávit recorde de US$ 5,663 bilhões, de acordo com dados do Banco Central (BC) divulgados ontem (26). No mesmo mês do ano passado, o superávit havia sido de R$ 199 milhões. O resultado foi puxado sobretudo pelo desempenho recorde da balança comercial, que em abril teve superávit de US$ 9,145 bilhões, resultado impulsionado pela alta recente nos preços de commodities (bens primários com cotação internacional), entre elas minério de ferro e alimentos. Houve também aumento no ingresso de investimentos diretos do exterior no país, de US$ 3,544 bilhões em abril, ante US$ 1,632 bilhão em igual mês de 2020. O resultado positivo das contas externas em abril também foi favorecido por uma redução do déficit na conta de renda primária (entrada e saída de lucros e dividendos). Em abril deste ano, o saldo negativo ficou US$ 2,37 bilhões, recuo de 37,7% em relação a abril de 2020. No acumulado dos 12 meses encerrados em abril, as contas externas registram déficit de US$ 12,4 bilhões, equivalente 0,84% do Produto Interno Bruto (PIB), taxa menor que os 1,23% do PIB registrados em março, quando o acumulado em 12 meses estava negativo em US$ 17,9 bilhões. Em março de 2021, as contas externas haviam registrado déficit de US$ 3,97 bilhões. Na soma dos quatro primeiros meses do ano, o déficit é de US$ 9,717 bilhões, contra um superávit de US$ 199 milhões em igual mês de 2020.
Agencia Brasil
Brasil tem superávit em transações correntes de US$5,7 bi em abril, abaixo do esperado
O Brasil registrou em abril superávit em transações correntes de 5,663 bilhões de dólares, de acordo com os dados informados pelo Banco Central na quarta-feira
Após esse resultado, o déficit em 12 meses chegou a 0,84% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 1,23% do PIB em março. O resultado ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters com analistas de superávit de 6,2 bilhões de dólares em abril. Os investimentos diretos no país (IDP) alcançaram 3,544 bilhões de dólares, também abaixo da expectativa, que era de 5 bilhões de dólares. Para o mês de maio, o BC projetou um superávit em transações correntes de 3,6 bilhões de dólares e IDP de 2,3 bilhões de dólares. Até o dia 21 deste mês, o fluxo cambial ficou negativo em 1,117 bilhões de dólares, disse ainda o BC.
Reuters
EMPRESAS
Marfrig lança Relatório de Sustentabilidade 2020
A Marfrig divulgou na quarta-feira (26) seu Relatório de Sustentabilidade 2020, em que enumera estratégias, resultados e desafios enfrentados pela companhia ao longo do ano passado
O informe traz indicativos de como a Marfrig está contribuindo para o alcance das metas estabelecidas pelas iniciativas de abrangência global lideradas pela Organização das Nações Unidas (ONU), como o Pacto Global, do qual se tornou signatária em 2020, e pela Agenda 2030, refletida nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Segundo o Diretor de Sustentabilidade e Comunicação, Paulo Pianez, as informações contidas no documento reforçam o compromisso da Marfrig com a transparência. E, para reduzir os impactos ambientais e sociais que a atividade pecuária produz, a Marfrig inovou ao desenvolver um plano com metas efetivas e ações para alcançá-las, o Marfrig Verde+, lançado em julho de 2020. Assumindo publicamente o compromisso de tornar sua cadeia de valor livre de desmatamento, além de proteger os biomas envolvidos, atitude que a tornou pioneira entre as empresas de proteína bovina do Brasil, lembrou a companhia. Em parceria com a Embrapa, no ano passado também foi lançada a marca Viva, Carne Carbono Neutro (CCN), proveniente de modelos de produção mais sustentáveis, nos quais os animais são criados em sistemas pecuária-floresta, que permitem neutralizar emissões de carbono. O informe destaca ainda o reconhecimento como a empresa de proteína bovina mais bem colocada no ranking da Coller FAIRR Protein Producer Index, avaliação feita com base em critérios ambientais, sociais e de governança corporativa por investidores internacionais. E sua inclusão no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da bolsa de valores brasileira B3, indicador que reúne papéis de empresas comprometidas com práticas diferenciadas sobre o tema. A Marfrig também reporta sua inclusão no Índice de Carbono Eficiente (ICO2) da B3, carteira exclusiva para ações de companhias que adotam medidas eficientes para minimizar as emissões de gases de efeito estufa (gee) procedentes de suas operações.
CARNETEC
FRANGOS & SUÍNOS
Receita da carne de frango em 2020 foi a 2ª menor dos últimos cinco anos
Pelo gráfico divulgado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), confirma-se que a pandemia de Covid-19 afetou diretamente as exportações mundiais de carne de frango, pois a receita global do período retrocedeu ao segundo menor nível do quinquênio 2016-2020, superando apenas a que foi registrada no início do período, em 2016
O gráfico integra o Anuário 2020 de Exportações Agrícolas, trabalho no qual o USDA analisa o desempenho externo da agropecuária norte-americana no ano que passou. Em relação especificamente à carne de frango o Anuário observa: (1º) as exportações de carne de frango dos EUA recuaram em todos os principais mercados, exceto em Taiwan e na China, cuja reabertura foi fundamental na manutenção da receita do setor. Mais de 60% (US$461 milhões) dos embarques para a China foram de patas de frango, “produto para o qual não há, praticamente, nenhum outro mercado significativo”. Como resultado, as exportações totais de patas de frango dos EUA alcançaram a marca histórica de US$958 milhões em 2020; (2º) os EUA continuaram enfrentando problemas de acesso ao mercado na Coreia do Sul, África do Sul, Indonésia, Arábia Saudita e Índia, devido a barreiras não-tarifárias e supostos problemas sanitários; (3º) a forte concorrência das exportações brasileiras juntamente com os embarques de exportadores de frango em ascensão (como Turquia, Ucrânia, Argentina e Rússia) elevou o ambiente competitivo; (4º) os EUA continuam enfatizando para a comunidade comercial global que o uso de análises baseadas em risco e ciência sólida são as melhores maneiras de abordar desafios de longa data, como a regionalização da Influenza Aviária de alta patogenicidade e o estabelecimento de padrões de utilização de medicamentos veterinários. (1º) Excluídas as patas, as exportações de carne de frango dos EUA devem permanecer estáveis em 2021 e os preços do produto devem recuar, impactando negativamente o valor total dos embarques. O suprimento exportável de carne de frango será limitado, já que o preço mais alto das rações tende a bloquear a produção local, cujo volume, prevê-se, deve aumentar menos de 1%; (2º) Embora o consumo global de carne de frango tenha se mantido relativamente estável frente à desaceleração econômica causada pela Covid-19 (porque é uma proteína animal versátil e de baixo custo), a lenta recuperação econômica global propiciará ganhos limitados na demanda de curto prazo. Ainda assim, as projeções de longo prazo do USDA refletem uma perspectiva positiva, prevendo que as exportações norte-americanas de carne de frango crescerão quase 25% nos próximos 10 anos;
AGROLINK
INTERNACIONAL
Carnes brasileiras poderão perder mercado na Europa
País já está aproveitando pouco cota para cortes bovinos nobres
Até agora, os embarques do Brasil têm se saído melhor que os de outros parceiros. No caso de carne bovina, as vendas brasileiras para os 27 países-membros da UE caíram 15,4% em 2020 em relação a 2019, menos que a redução de 18% nas importações europeias totais do produto. Entre janeiro e março de 2021, a queda das exportações brasileiras foi de 1,8% ante a diminuição de 9,6% do total importado. Quanto à carne de frango, a queda das vendas brasileiras para a UE foi de 3,3% em 2020, também menos que a retração de 14% das importações totais dos 27 membros do bloco. No primeiro trimestre deste ano, os embarques do Brasil caíram 7,4%, enquanto as compras totais no exterior pela UE recuaram 29%. O Brasil continua a ser o maior fornecedor de carnes para a UE, com participações de 41,4% do total importado pelos europeus em 2020 no caso da carne bovina e de 54,7% na carne de frango. No entanto, uma norma europeia adotada no fim de 2019 estabelece, no caso de cotas baseadas em performance prévia, que os volumes serão determinados pelos dois anos anteriores ao primeiro pedido de uso da cota. Isso significa que o efeito sobre as exportações menores do Brasil se verificará em prazo mais dilatado à adoção dos controles. O bloco europeu destaca, entre os motivos da queda na importação de carne de frango no ano passado, que “20 estabelecimentos avícolas brasileiros ainda estão ‘delisted’ e não podem exportar para a UE”. No caso do consumo de carne bovina na UE, houve queda para 10,3 quilos per capita em 2020 e essa tendência deve continuar em 2021, com baixa de 1%, apesar de uma recuperação da demanda esperada para o segundo semestre com a reabertura de restaurantes e a volta do turismo. O duro controle da UE se faz sentir especialmente sobre a carne bovina brasileira de melhor qualidade e de maior valor. O Brasil tem cota Hilton, para cortes mais caros, de 7.304 toneladas. Entre janeiro e março, só vendeu 553 toneladas se beneficiando de tarifa baixa (7,58% do total possível) para cortes que proporcionam ganho muito mais elevado para o exportador. Em todo o ano passado, o país só ocupou 28,8% da cota; em 2018, apenas 41,5%. Em comparação, a Argentina (com cota de 14.189 toneladas) e o Uruguai (2.465 toneladas) ocuparam totalmente suas cotas em 2019 e 2020. No primeiro trimestre, foram 41,1% e 66%, respectivamente.
VALOR ECONÔMICO
Mercado de carne na Argentina sairá fortalecido após ação do governo, diz Minerva
As últimas restrições impostas pelo governo da Argentina sobre as sociedades de carnes que atuam no país tendem a estreitar o número de empresas formais no mercado e fazer com a que o setor saia fortalecido, afirmou na quarta-feira o CFO da Minerva Foods, Edison Ticle
Ele se referia ao restabelecimento de registros de exportação de carnes, anunciado em abril. Tícle lembrou que a Argentina é um país com uma taxa de câmbio sensivelmente inferior à média do mercado e isso tornou-se um “incentivo perverso” para a entrada de intermediários no comércio de moedas com o objetivo apenas de moeda arbitrária. Segundo o executivo da maior exportadora de proteína bovina da América do Sul, com operação argentina por meio da subsidiária Athena Foods, alguns players de fora do setor de alimentos entravam comprando e vendendo carnes para ganhar no câmbio. “Algumas (dessas) empresas não conseguem cumprir os requisitos legais do país, obviamente não é o caso da Minerva e outros grandes jogadores”, disse Ticle em entrevista concedida ao portal de internet da Suno Research. “O governo baixou medidas para tentar coibir esse tipo de prática”, acrescentou. Além das restrições, na semana passada, a Argentina anunciou uma suspensão por 30 dias das exportações de carnes, como estratégia emergencial para conter a informação no preço local da proteína bovina. Para o CFO, após este período, devem restar menos empresas com licenças para exportar e como permanecerem mais poder de barganha para conseguir preços e margens atrativas. “Nesse sentido, vemos como bem-vindas como medidas do governo … Achamos que o mercado sai mais fortalecido, mais formalizado e como empresas que saírem disso vão sair mais fortalecidas.” Atualmente, a operação na Argentina representa cerca de 10% da receita consolidada da Minerva Foods. Logo após a suspensão de embarques, uma companhia afirmou em comunicado que utilizaria sua diversificação geográfica para atender os clientes internacionais pelas unidades do Uruguai, Paraguai, Brasil e Colômbia.
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