CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1383 DE 15 DE DEZEMBRO DE 2020

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Ano 6 | nº 1383| 15 de dezembro de 2020

 

NOTÍCIAS

Boi gordo: pressão de baixa continua

Em São Paulo, boa parte das indústrias frigoríficas estava fora das compras na manhã da última segunda-feira (14/12)

Com a programação de abate praticamente completa, para atender as festividades de final de ano, o mercado está frio. No estado, a cotação da arroba do boi gordo ficou estável na comparação diária, em R$260,00, preço bruto e à vista, segundo levantamento da Scot Consultoria. Com o mesmo viés, a cotação da vaca e da novilha gordas também estão estáveis, em R$246,00/@ e R$258,00/@, preço bruto e à vista, respectivamente. Em Goiás, na região de Goiânia, as ofertas pela arroba do boi caíram R$3,00/@ na comparação com a última sexta-feira (11/12), estando apregoada em R$253,00/@, bruto e à vista. O mercado para fêmeas também abriu a semana em queda. Para vacas e novilhas gordas, os preços foram R$2,00/@ mais baixos na mesma comparação, apregoadas em R$243,00/@ e R$244,00/@, respectivamente, preço bruto e à vista.

SCOT CONSULTORIA 

Boi gordo: preços voltam a cair no mercado físico

Em São Paulo, Capital, os preços do boi gordo no mercado a prazo ficaram em R$ 257 a arroba

O mercado físico de boi gordo teve um dia de preços mais baixos. Segundo o analista de Safras & Mercado, Allan Maia, a semana inicia com frigoríficos atuando de maneira retraída nas negociações, abrindo ideias de compras abaixo do registrando no fechamento da última semana, sinalizando para uma escala de abate confortável, ultrapassando os cinco dias úteis em sua maioria. “Outro ponto que remete a continuidade na tendência de baixa é a fraqueza dos cortes no atacado, com o consumidor doméstico saturado, migrando para proteínas mais acessíveis”, assinala Maia. Em São Paulo, Capital, os preços do mercado a prazo ficaram em R$ 257 a arroba. Em Uberaba, Minas Gerais, o valor chegou em R$ 256 a arroba. Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, a cotação foi de R$ 247 a arroba. Em Goiânia, Goiás, o preço indicado foi de R$ 250 a arroba. Já em Cuiabá, no Mato Grosso, o preço ficou em R$ 250 a arroba. No mercado atacadista, os preços caíram. Conforme Maia, a queda é reflexo de uma reposição entre as cadeias mais devagar do que o normal para esta época do ano, normalmente de grande consumo. “Ao mesmo tempo, o mercado segue apreensivo em torno dos números da exportação brasileira, que desaceleraram na primeira semana, possivelmente por conta do menor ímpeto chinês, disse o analista. Com isso, o corte traseiro caiu de R$ 19,05 o quilo para R$ 18,90 o quilo. O corte dianteiro teve preço de R$ 14,80 o quilo, com queda diária de dez centavos, e a ponta de agulha caiu de 14,90 o quilo para R$ 14,80 o quilo.

AGÊNCIA SAFRAS

Abate de bovinos de MT em novembro é 3º menor valor do ano

O abate de bovinos em Mato Grosso, que detém o maior rebanho do Brasil, caiu 16% em novembro, na comparação com outubro, a quarta redução mensal consecutiva, informou o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) citando dados do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso na segunda-feira (14)

“A quantidade abatida em novembro de 2020 foi a terceira menor deste ano, ficando atrás somente de março e abril, período mais crítico da crise”, disse o Imea em relatório. O estado abateu 393,4 mil cabeças de bovinos no mês passado: 279,93 mil foram machos e 113,47 mil, fêmeas. Em relação a novembro do ano passado, a queda nos abates de bovinos foi de 19,96%. Já as exportações de carne bovina de Mato Grosso em novembro chegaram ao segundo maior valor do ano, a 48,72 mil toneladas equivalente carcaça (eq. c.), ficando atrás apenas do recorde de julho. As exportações de novembro foram 1,62% superiores às de outubro e 6,29% maiores que as de novembro do ano passado. De janeiro a novembro, as exportações de carne bovina de Mato Grosso somaram 452,65 mil t eq. c., sendo que o maior volume seguiu para a China (252,9 mil t). As exportações de carne bovina de MT representaram 21% das exportações brasileiras de janeiro a novembro, segundo o Imea.

CARNETEC 

Confinamento chegou a 6,18 milhões de bovinos, avalia DSM

Expectativas para o cocho foram divulgadas ontem, em São Paulo

A empresa DSM, dona da marca Tortuga de suplementos nutricionais, divulgou, na segunda-feira (14/12), em São Paulo, os números do confinamento de bovinos no país. O número de bovinos chegou a 6,18 milhões de animais, segundo o Censo de Confinamento DSM 2020, que mobilizou 80 profissionais em visitas às fazendas de engorda espalhadas pelo Centro-Oeste, Sul, Sudeste, Norte e Nordeste. Segundo Marcos Baruselli, Gerente da Categoria Confinamento da empresa, o resultado mostra que a quantidade de bois fechados cresce a cada ano e confirma a aceitação desse sistema produtivo. “Em 2019, foram confinados 5,856 milhões de cabeças e, nos últimos 10 anos, o número mais que dobrou.” “Esperávamos desempenho de 5,5 milhões a 6 milhões.” Baruselli afirma que as expectativas foram mudando ao longo dos meses. O ano iniciou-se com o setor bastante otimista, mas a pandemia do coronavírus trouxe fortes impactos e o ânimo arrefeceu. “Houve uma cotação firme da arroba que amenizou também os preços altos do milho e do farelo de soja, componentes da ração do gado”, afirma Baruselli. Ele destaca que a demanda por carne destinada ao mercado internacional, principalmente para a China, elevou a arroba para até mais de R$ 280 e levou lucro aos confinadores. O mercado interno apresentou um desempenho fraco. “Foram três anos em um”, ressalta Sergio Schuler, Vice-Presidente de Ruminantes da DSM. “Houve muitos desafios e as transformações foram aceleradas por conta do coronavírus.” Segundo o executivo, o universo digital entrou definitivamente no dia a dia das fazendas e facilitou o acesso de informações às fazendas distantes. Ao mesmo tempo, o produtor mostrou muita receptividade. “A tecnologia agora está ao alcance de alguns cliques. O Brasil ficou mais competitivo e as fazendas centraram o foco em gestão e sustentabilidade”, observa Schuler.

GLOBO RURAL 

Movimentação das carnes na 2ª semana de dezembro e no acumulado do mês

Comparativamente à primeira semana de dezembro (quatro dias úteis), na semana passada, segunda do mês, houve alguma melhora no volume embarcado das três carnes. Mas essa melhora ficou restrita ao volume, porque os preços registrados voltaram a sofrer retração e, agora, as três registram queda de preço em relação a dezembro de 2019

Em 14 dias úteis, o total exportado de carne de frango soma 143,5 mil toneladas, o de carne bovina 58,7 mil toneladas e o de carne suína pouco mais de 36 mil toneladas. Isso corresponde a embarques diários, respectivamente, de 15.949 toneladas, 6.524 toneladas e 4.005 toneladas. Estes volumes possibilitam projetar, para a totalidade do mês (22 dias úteis), perto de 351 mil toneladas para a carne de frango, em torno de 143,5 mil toneladas para a carne bovina e cerca de 88,1 mil toneladas para a carne suína. Somente a carne suína apresentará expansão em relação a dezembro de 2019 – de pouco mais de 33% – enquanto as carnes bovina e de frango sinalizam retração entre 3,5% e 4%. Na receita cambia, a carne suína tende a um aumento da ordem de 25% e a bovina e a de frango tendem a uma redução entre 13% e 16%.

AGROLINK 

ECONOMIA

Dólar fecha em alta de 1,57%

O dólar registrou forte alta contra o real na segunda-feira, depois de chegar a ficar muito próximo do patamar de 5 reais mais cedo devido ao otimismo no exterior em torno de mais estímulos nos Estados Unidos e progresso em direção a ampla distribuição de vacinas

O dólar à vista fechou em alta de 1,57%, a 5,1269 reais na venda. Na B3, onde as negociações vão até as 18h, o principal contrato de dólar futuro operava em alta de 1,07%, a 5,120 reais. “Há pontos de realização. Quando a moeda encosta em 5 reais é natural que haja um movimento de compra”, disse à Reuters Fernando Bergallo, Diretor de operações da assessoria de câmbio FB Capital, acrescentando que o mês de dezembro deve contar com volatilidade, devido a mudanças na liquidez e reajuste de posições. Também citado por alguns especialistas como fator para a recuperação do dólar neste pregão, o cenário fiscal continuava dominando o radar dos investidores em meio a temores de que o governo fure seu teto de gastos em 2021 de forma a financiar mais medidas de assistência social. Roberto Motta, responsável pela mesa de derivativos da Genial Investimentos, disse à Reuters que até o final do ano o mercado vai conviver com ruídos em relação ao auxílio emergencial do governo, diante de temores de que ele seja prorrogado e prejudique a saúde das contas públicas. Em meio à persistente incerteza fiscal, com a aproximação do recesso do Legislativo a expectativa é de que várias pautas pendentes, como o Orçamento para 2021 e a reforma tributária, sejam votadas apenas no ano que vem. O Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu mais uma vez nesta segunda-feira a suspensão do recesso parlamentar de janeiro para votar temas emergenciais. O Banco Central fez neste pregão leilão de swap tradicional de até 16 mil contratos com vencimento em abril e setembro de 2021, em que vendeu o total da oferta. O BC começou a ampliar o volume ofertado em seus leilões de rolagem de swap cambial tradicional no final do mês passado, diante da expectativa de compra bilionária de dólares na virada do ano relacionada ao desmonte do overhedge.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda e mantém sinal negativo no acumulado de 2020

O Ibovespa fechou em queda na segunda-feira, sucumbindo à realização de lucros com Vale entre as maiores pressões de baixa

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,45%, a 114.611,12 pontos. O volume financeiro da sessão somou 26 bilhões de reais. Ainda acumulando uma variação negativa de 0,89% no ano, o Ibovespa contabiliza valorização de mais de 85% desde as mínimas do ano, em março. Para o analista Régis Chinchila, da Terra Investimentos, o cenário ainda é de volatilidade dos preços, dado o ambiente político e econômico doméstico com muitos desafios fiscais. Nesse contexto, a inclusão de prorrogação do auxílio emergencial em projeto no Senado, de acordo com o analista, contribuiu para conter o Ibovespa e trouxe cautela. O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) propôs a extensão do auxílio emergencial e prorrogação do estado de calamidade pública até 31 de março de 2021. “O temor sobre a situação fiscal no Brasil segue sendo a principal preocupação doméstica dos investidores”, reforçou o analista Lucas Collazo, da Rico Investimentos. No exterior, perspectivas com o começo da vacinação contra o Covid-19 nos Estados Unidos apoiaram ganhos em Wall Street na abertura, mas a falta de avanços sobre mais estímulos econômicos deixou as bolsas em Nova York sem tendência única.

REUTERS

Valor da produção agropecuária do Brasil deve superar R$1 tri em 2021 pela 1ª vez

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Brasil pode alcançar o recorde de 1,025 trilhão de reais em 2021, estimou o Ministério da Agricultura na segunda-feira, em projeção preliminar que conta com bom desempenho tanto das lavouras quanto do setor de carnes no ano que vem com o dólar favorável

A expectativa é que a agricultura represente uma alta de 18,2% em relação a 2020, com 707,7 bilhões de reais. A produção pecuária deve avançar 10,7%, para 317,5 bilhões. “Milho e soja continuam apresentando crescimento. Além desses, cacau, arroz, trigo, carne bovina e carne suína”, disse a pasta em nota. Em destaque, o faturamento previsto para a soja é de 328,6 bilhões reais; para o milho, de 112,8 bilhões de reais; e para carne bovina outros 139,9 bilhões de reais. Na área de grãos, a oleaginosa é beneficiada pela perspectiva de safra recorde em 2020/21 e firme demanda externa. O milho deve ter aumento de área plantada na segunda safra, em vista de elevados patamares de preço pagos pelo cereal. Já nas carnes –cujos VBPs podem atingir máximas históricas no bovino, suíno e no frango em 2021– segue a projeção de firme demanda externa vinda da China, em decorrência dos efeitos da peste suína africana nos plantéis do país asiático desde 2018. Apesar dos resultados gerais positivos, algumas culturas de ampla relevância para o agronegócio brasileiro têm queda no valor de produção previsto para 2021. É o caso do algodão, café, cana-de-açúcar e laranja. O algodão pode recuar 4,1%, para 50,69 bilhões de reais, com alguns produtores desistindo de plantar a pluma para apostar na soja ou no milho safrinha em 2020/21. Cana, café e a citricultura foram três atividades afetadas pela forte seca que atingiu as lavouras do país neste segundo semestre. O VBP do café está estimado em baixa de 5,8%, seguido pela retração na cana (3%) e na laranja (2,8%). O Ministério da Agricultura ainda estimou o VBP de 2020 em 885,8 bilhões de reais, alta de 15,1% no comparativo anual. As lavouras tiveram um acréscimo de valor de 19,2% e a pecuária, 7,3%. “O mercado internacional mostra-se atrativo devido à taxa de câmbio favorável e ao crescimento da demanda mundial de produtos da agropecuária”, disse em nota o Coordenador geral de Avaliação de Políticas e Informação da pasta, José Garcia Gasques.

REUTERS

Mercado eleva no Focus projeção para inflação este ano pela 10ª vez seguida

O mercado ajustou suas expectativas para a economia brasileira e elevou pela 10ª vez seguida a conta para a inflação neste ano, de acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central na segunda-feira

O levantamento mostrou que a expectativa agora é de uma alta de 4,35% dos preços neste ano, de 4,21% na semana passada. Para 2021 permanece cenário de avanço do IPCA de 3,34%. O centro da meta oficial de 2020 é de 4% e, de 2021, de 3,75%, ambos com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa é de uma contração de 4,41% em 2020, de queda de 4,40% na semana anterior, com a economia se recuperando com um crescimento de 3,50% em 2021. A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostra ainda que permanece a projeção de que a taxa básica de juros terminará 2021 a 3,0%, após ter sido mantida na mínima histórica de 2% na semana passada, na última reunião de política monetária do ano. O Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, continua vendo a Selic a 3,13% no ano que vem na mediana das projeções.

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Aumento da inflação corrente não é fruto de incerteza fiscal, diz Economia

Em nota sobre a importância do equilíbrio das contas públicas para a trajetória de inflação, a secretaria reconheceu que um processo desinflacionário ocorreu no início da pandemia de coronavírus, ao passo que nos últimos meses deste ano tem havido elevação dos preços ao consumidor

Mas a SPE afastou a possibilidade de o desarranjo fiscal por conta dos volumosos gastos com o surto de Covid-19 estar afetando expectativas de inflação para 2021. “Os resultados dos modelos teóricos mostram que a elevação do risco de insolvência da dívida pública afeta as expectativas futuras de inflação, podendo, em até alguns casos, impactar os preços correntes”, disse. “No entanto, não há respaldo teórico em relacionar a piora da situação fiscal com deterioração dos preços correntes, mantendo as expectativas longas de inflação ancoradas”, completou a SPE, argumentando que, a despeito das revisões para cima para o IPCA este ano, as projeções para 2021 “têm se reduzido”. No boletim Focus da segunda-feira, feito pelo BC junto a uma centena de economistas, a estimativa para o IPCA em 2020 subiu pela décima semana seguida, a 4,35%, acima do centro da meta de 4%, que tem margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. Em 4 de junho, lembrou a própria SPE, a perspectiva para o IPCA chegou a ficar em um aumento de apenas 1,5% neste ano. Para 2021, ainda segundo o Focus mais recente, a estimativa é de avanço de 3,34% da inflação, sendo que a meta do ano que vem é de 3,75%, também com banda de 1,5 ponto. Em 4 de junho, esse percentual era de 3,1% –tendo, portanto, se elevado de lá para cá, e não diminuído, embora ainda abaixo do centro da meta. “O argumento de que o aumento atual dos preços se relaciona com a deterioração da consolidação fiscal parece não ter respaldo nas estimativas de variação deste ativo. Deve-se ressaltar, que, apesar da elevação das incertezas, os ganhos provenientes da consolidação fiscal se mantêm”, destacou a SPE.

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PIB per capita ruma para pior resultado em mais de um século

FGV projeta retração de 0,6% entre 2011 e 2020; cenário era pessimista mesmo sem pandemia

O Brasil deve registrar os piores resultados para uma década de crescimento econômico e de variação de PIB per capita dos últimos 120 anos ao fim de 2020 – um cenário que ocorreria mesmo sem a pandemia, de acordo com levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgado ao Valor. No estudo, a fundação usou como parâmetros estimativas de recuo anual no PIB de 4,4% em 2020, com retração de 5,1% no PIB per capita, originadas de projeções de mercado, do boletim Focus e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Caso esses resultados se confirmem, a FGV projeta alta média de 0,2% na economia na década entre 2011 e 2020 – o desempenho mais fraco das últimas décadas, desde o início do século passado. No caso do PIB per capita, a projeção é pior: esse indicador deve finalizar com recuo de 0,6% médio entre 2011 e 2020, igual ao observado no período de 1981-1990, e também pior resultado desde 1901. Em uma lista de 14 das maiores economias do mundo, a variação de PIB per capita do Brasil na década encerrada em 2020, só não é pior do que o da Itália (-1,2%), um dos países que mais sofreram durante a pandemia e que também sentiu o efeito da crise da dívida no início da década. “O Brasil caminha para mais uma década perdida na economia ao fim de 2020, a segunda em 40 anos”, resumiu o economista Claudio Considera, um dos dois autores do estudo. Porém, um dos aspectos mais preocupantes nos dados levantados pela FGV é o fato de que, no Brasil, a covid-19 não pode ser usada como desculpa, na análise de Marcel Balassiano, o outro autor do estudo. Balassiano detalhou que, caso não tivesse ocorrido a pandemia, e o PIB subisse 2% em 2020 – projeções pré-covid-19 -, a década atual já seria a pior em 120 anos, termos de expansão econômica, pois teria crescimento médio de 0,9%. Para o PIB per capita, o aumento seria de 1,2% sem a pandemia neste ano, afirmou ele. “Nesse caso, a década ficaria estagnada no PIB per capita” disse Balasssiano, acrescentando que esse seria também pior desempenho da década finalizada em 2020. Para os pesquisadores, os dados evidenciam trajetória contínua de atividade econômica fraca nos últimos anos, que culminou com o “baque” da pandemia neste ano. Os especialistas calculam que o PIB per capita brasileiro deve encerrar o ano em US$ 10,9 mil, em torno de 5,1% inferior ao de 2019 (US$ 11,6 mil). Isso representa 25% do PIB per capita americano em 2020. E essa fatia só não é pior do que as de Indonésia (23%) e Índia (11%). Para tentar reverter a situação, os pesquisadores defendem estímulos para impulsionar a economia, com atenção especial ao setor de serviços, intensivo em emprego. “Serviços representa 75% do total do PIB e está com uma ociosidade enorme”, alertou Considera.

VALOR ECONÔMICO

EMPRESAS

BRF lança plataforma online voltada aos importadores de seus produtos

Ferramenta permite o rastreamento das cargas embarcadas pela empresa

A BRF, dona de marcas como Sadia e Perdigão, anunciou a abertura integral de seu canal online “BRF Customer Center” aos importadores. Na fase piloto, a iniciativa foi apresentada a clientes de 26 países, e agora, depois de dois meses e meio, se estabelecerá como ponte para os clientes da companhia operarem com compras a partir do Brasil. Por mês, a empresa movimenta uma média de 5 mil contêineres. “Em um único canal e de forma rápida, ágil e segura, o comprador pode acompanhar toda a logística de ponta a ponta de seus pedidos e rastreá-los online”, explicou José Perottoni, Diretor de Logística da BRF, em nota. Ainda segundo ele, o portal contribui para minimizar riscos de fraudes e faz um controle de notificações, com histórico de todo o volume de exportações dos clientes. A plataforma tem atendimento online em nove idiomas e funcionará também como um canal de relacionamento com o cliente, para resolver demandas com mais rapidez.

VALOR ECONÔMICO 

MEIO AMBIENTE 

UE quer monitorar desmate para manter acordo com Mercosul

A União Europeia (UE) quer mecanismo de monitoramento de desmatamento na floresta e acena com uma “Iniciativa Amazônia” de cooperação, para melhorar as condições para ratificação do acordo de livre comércio com o Mercosul

Ao falar na Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, na semana passada, a Chefe da Divisão de América do Sul no Serviço Europeu de Ação Externa, Véronique Lorenzo, delineou o que a UE espera nas negociações com o Mercosul, a partir de janeiro, para responder a críticas ao acordo. Segundo Lorenzo, o trabalho técnico interno já começou em Bruxelas com dois pilares: o primeiro é chegar a um acordo sobre uma “declaração conjunta”, anexa ao tratado birregional, definindo planos do Mercosul e da UE para cumprir os compromissos ambientais e sociais. Na visão da UE, essa declaração deverá ser acompanhada por um mecanismo de monitoramento na área de desmatamento. Bruxelas acha que dá para trabalhar com a Joint Research Center, a agência científica e de conhecimento da Comissão, que fornece aconselhamento científico e apoio à política da UE. “O objetivo é oferecer ao [Mercosul] ‘benchmarks’ [padrões de referência] objetivos e mensuráveis para atingir objetivos específicos”, disse Lorenzo. O segundo pilar é para intensificar “nosso trabalho em prol da Amazônia e também mostrar o que já estamos fazendo”. A UE acena com ajuda e dinheiro aos países do Mercosul para combater o desmatamento. “Para o período 2021-2027 estamos propondo uma iniciativa da Amazônia que atenderia esse propósito”, disse Lorenzo, enfatizando a luta contra o desmatamento e o respeito dos direitos dos povos indígenas. A implementação dos compromissos adicionais poderá ser acompanhada por um ‘’comitê conjunto’’ UE-Mercosul. Para Lorenzo, é “importante e urgente” que o acordo birregional avance. O Diretor do Departamento de Comércio da UE, Rupert Schlegelmich, destacou a importância geopolítica do acordo. Primeiro, dará vantagem à UE em relação a China e Estados Unidos na região. As empresas europeias deixarão de pagar € 4 bilhões por ano em taxas no comércio birregional. Será o maior acordo já concluído pela UE, quatro vezes mais importante que o acordo UE-Japão e oito vezes que o acordo UE-Canadá. Ele mencionou que o Brasil já foi bem sucedido na luta contra o desmatamento no passado. Agora isso depende também de uma mudança de atitude do governo brasileiro. No debate na Comissão de Comércio Internacional do Parlamento, o deputado mais incisivo contra o acordo com o Mercosul foi Yannick Jadot, pré-candidato do Partido Verde à eleição presidencial francesa. Para ele, não é uma declaração conjunta anexa ao acordo que vai proteger a Amazônia. “Bolsonaro será o primeiro a jogar essa declaração no lixo, depois que ela for assinada”, afirmou, ilustrando a enorme desconfiança em setores na Europa em relação ao presidente brasileiro. Para parlamentares europeus, uma lei europeia forte é necessária, porque iniciativas voluntárias, certificações e etiquetagens por terceiros fracassaram no objetivo de frear o desmatamento global.

Valor Econômico

FRANGOS & SUÍNOS

Mais de 300 novos surtos de peste suína africana são notificados no mundo

Levantamento da Organização Mundial de Saúde Animal foi realizado entre os dias 27 de novembro e 10 de dezembro 

A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) informou que 305 novos surtos de peste suína africana foram notificados no mundo entre os dias 27 de novembro e 10 de dezembro, ante 208 casos verificados no levantamento anterior. O número total de surtos em andamento subiu de 7.726 para 7,905, sendo 4.148 surtos só na Romênia e 1.475 no Vietnã. Dos novos surtos, 274 foram notificados na Europa, 30 na Ásia e 1 na África. Os dados constam de levantamento quinzenal divulgado pela OIE. De acordo com a OIE, surtos novos ou em andamento foram registrados em 24 países. Na Europa, Alemanha, Hungria, Letônia, Moldávia, Polônia, Romênia, Rússia, Sérvia e Ucrânia ainda apresentam a incidência da doença. Na Ásia, China, Índia, Indonésia, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Papua Nova Guiné, Laos, Mianmar, Filipinas, Rússia, Timor Leste e Vietnã têm casos em andamento. Já na África, Namíbia, Nigéria, África do Sul, e Zâmbia reportam a presença do vírus. No período de cobertura do levantamento, foram notificadas 13 perdas de animais na África do Sul, enquanto na Europa foram relatadas perdas de 957 porcos na Romênia, 118 na Ucrânia e um na Rússia.

ESTADÃO CONTEÚDO

Casos do novo surto de gripe aviária são registrados no Japão

Até o momento, cerca de 94 mil animais serão sacrificados no país devido a doença

O Ministério da Agricultura do Japão reportou na segunda-feira (14/12) mais casos do novo surto de gripe aviária “altamente patogênica” em regiões do país. A doença foi confirmada em uma fazenda de frangos na cidade de Hinata, província de Miyazaki, onde será necessário o abate de 46 mil frangos. Também foram confirmados casos em uma planta de processamento de aves na cidade de Kawanami, província de Miyazaki, onde 20 mil animais estão sendo sacrificados. Além disso, uma granja produtora de ovos na cidade de Miho teve de ser isolada em um raio de 3 quilômetros. Lá, a gripe aviária foi detectada em 28 mil aves. A doença é causada pelo vírus influenza A, do tipo H5N1, que raramente afeta os humanos, porém quando ocorre a contaminação pode causar sintomas parecidos com os da gripe comum, como febre, dor de garganta, mal-estar, tosse seca e coriza. O Japão tem uma produção de 185 milhões de galinhas para produção de ovos e uma população de 138 milhões de frangos, de acordo com o Ministério da Agricultura.

ESTADÃO CONTEÚDO

INTERNACIONAL

Uruguai: Coronavírus, mercado interno e exportação de gado em pé

Durante a última semana, foram confirmados os primeiros casos positivos de covid-19 em trabalhadores da indústria frigorífica uruguaia, num momento que a China anunciou a presença do vírus em embalagens de carne bovina com origem em países da América do Sul e Europa

Uma das plantas afetadas foi o Frigorífico Lorsinal S.A., e desde a assinatura foi decidido na última sexta-feira suspender as atividades de abate e desossa. No entanto, a partir de segunda-feira eles pretendem retomar as operações de desossa com as mercadorias que estão reservadas nas câmaras e a partir de terça-feira para reiniciar as operações. Sobre isso, o Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP) informou que suspendeu preventivamente, por prazo indeterminado, a autorização de exportação de carne bovina para a China. Comunicou também que, desde a oficialização do covid-19 positivo, as produções serão retidas e analisadas, de acordo com a evolução da situação epidemiológica. Outro caso positivo em uma operadora do setor industrial foi confirmado no Frigorífico Casa Blanca de Paysandú. Os embarques com destino à China passarão por uma inspeção exaustiva para afastar riscos, mas a princípio não serão afetados. Paralelamente, no Frigorífico San Jacinto houve um caso positivo em um auxiliar de limpeza, informação que foi prestada pela empresa, mas não manteve contato com o restante dos trabalhadores e foi realizado um processo de desinfecção na fábrica para dar continuidade a uma operação normal. O Ministro da Pecuária manterá contatos virtuais com os representantes das indústrias para aprofundar as medidas e revisar os protocolos atuais para evitar riscos. Além disso, Carlos María Uriarte confirmou que a China não fez nenhuma consulta oficial para estes eventos, nem para as carnes congeladas que apareceram no país asiático com covid-19 positivo, segundo reportagens na mídia chinesa. A realidade do mercado internacional de carnes, com novos preços de compra e mudanças regionais nos preços das grandes fazendas exportadoras, com quedas no Uruguai e aumentos expressivos no Brasil, eliminou o interesse em importar carne bovina do país do norte. A situação tem levado muitos frigoríficos que atuam no mercado nacional a repensar seus negócios e a colocar mais foco na carne nacional para a comercialização do produto em um momento de maior demanda, visto que as férias de fim de ano se aproximam. Nas últimas duas semanas, o mercado agrícola do Uruguai vem apresentando maior dinamismo, devido à menor oferta e maior necessidade de frigoríficos, e os preços subiram. Um consignatário explicou que o boi de exportação gira em torno de US $ 3 a US $ 3,05 e a vaca cerca de US $ 2,80 por quilo no anzol. O Presidente da Agropecuaria de Artigas, Jorge Riani, confirmou que a passagem de fronteira em Artigas para exportar ovinos e bovinos vivos para o Brasil já é uma realidade.

El País Digital 

China e EUA lideram as importações mundiais de carne bovina

De acordo com os dados mais recentes da Gira, a disponibilidade reduzida de carne bovina para exportação devido ao impacto negativo das restrições COVID-19 sobre a produção em muitas regiões importantes de produção de carne é o fator chave para a queda no volume da carne bovina comercializada

Adicionalmente, a redução da procura do canal de foodservice, em particular nas importações de alguns dos principais mercados, teve uma influência negativa. No entanto, apesar dos impactos da pandemia global de covid-19 em 2020, o volume de carne bovina importada pela China continuou crescendo. Os últimos números da Gira colocam as importações de carne da China em 2020 em 3,5 milhões de toneladas, acima dos 3,3 milhões de toneladas em 2019. Enquanto isso, as importações de carne bovina de outros mercados asiáticos registraram uma queda em 2020. O Japão importará 813.000 toneladas de carne bovina em 2020, 2% a menos que os níveis de 2019, enquanto a Coreia importará 551.000 toneladas, 3% menos que os níveis de 2019. As importações combinadas dos mercados de outros países asiáticos registraram uma queda mais forte durante 2020, 19% sobre 2019 adicionando 1,1 milhão de toneladas. As compras de carne bovina no Oriente Médio e Norte da África (MENA) também registraram queda em 2020, para 944.000 toneladas. Isso foi 27% menos do que 1,2 milhão de toneladas importadas em 2019. Os Estados Unidos continuaram sendo um grande player no mercado global de importação de carne bovina, com 1,3 milhão de toneladas importadas em 2020. Isso foi 3% a mais que os níveis de 2019. A demanda global por carne deve se recuperar 6,2% em 2021, de acordo com Gira, com forte crescimento nas importações de carne bovina da China e de outros mercados asiáticos em particular.

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