CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1334 DE 05 DE OUTUBRO DE 2020

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Ano 6 | nº 1334| 05 de outubro de 2020

 

NOTÍCIAS

Início de outubro é marcado por elevação na arroba do boi gordo

Com escalas de abate menos apertadas, mercado aguarda para saber se haverá um recuo nos preços ao longo da cadeia produtiva, avalia Safras

O mercado físico do boi gordo registrou preços de estáveis a mais altos nas principais praças de comercialização do país nesta sexta-feira, 2. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o início do mês de outubro está sendo pautado por um consistente movimento de alta nos preços da arroba do boi. “No entanto, com preços mais altos foi evidenciado um maior fluxo de negociações levando a um posicionamento mais confortável das escalas de abate”, assinala. No decorrer da sexta-feira, muitos frigoríficos optaram por se ausentar da compra de gado, avaliando as melhores estratégias para aquisição de boiadas no curto prazo. “Resta saber se uma posição mais confortável das escalas de abate será suficiente para desacelerar o movimento de alta ao longo da cadeia produtiva”, destaca Iglesias. Em São Paulo, Capital, os preços do mercado à vista ficaram em R$ 259 a arroba, estáveis na comparação com a quinta-feira, 1. Em Uberaba, Minas Gerais, os valores permaneceram inalterados, em R$ 255 a arroba. Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, a arroba manteve a cotação de R$ 252. Em Goiânia, Goiás, o preço indicado foi de R$ 245 a arroba, ante R$ 242 a arroba na quinta-feira. Já em Cuiabá, no Mato Grosso, o preço ficou em R$ 243 a arroba, contra R$ 240. No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem firmes. Conforme Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere por reajustes no curto prazo, em linha com a entrada dos salários na economia, motivando a reposição entre atacado e varejo. As exportações permanecem em bom nível, com a China absorvendo volumes substanciais de proteína animal brasileira. Com isso, a ponta de agulha seguiu em R$ 14,25 o quilo. O corte dianteiro permaneceu em R$ 14,25 o quilo, e o corte traseiro passou de R$ 18,30 o quilo para R$ 19 o quilo.

AGÊNCIA SAFRAS

Mercado atacadista: alta no preço do boi casado

A semana passada terminou com manutenção dos preços do dianteiro 1×1 e queda da cotação da ponta de agulha para a fabricação de charque, existe dificuldade de escoamento dessas peças

Segundo levantamento da Scot Consultoria, o dianteiro 1×1 ficou cotado em R$13,55/kg, estável, e a ponta de agulha em R$13,30/kg, queda de 2,2% em uma semana. A cotação do boi casado capão e do inteiro subiu 0,6% e 0,9% no mesmo período, respectivamente, cotados em R$16,30/kg e R$15,95/kg.

SCOT CONSULTORIA

Preços de carnes medidos pelo Cepea registram recordes

Os preços de carnes de frango, suína e bovina medidos pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) estão sendo negociados em níveis recordes, informou o Cepea na sexta-feira (02)

Os preços médios da carne bovina registraram recordes reais em setembro, também refletindo demanda aquecida no mercado externo e baixa oferta de animais para abate. Entretanto, os custos de produção da pecuária bovina seguem em alta pressionados por aumento nos preços de insumos, em momento em que a complementação alimentar é necessária diante da piora nas condições de pastagens. O indicador do boi gordo Cepea/B3 fechou em R$ 256,70/arroba em 30 de setembro, alta de 8,04% no acumulado do mês. Os preços da carne de frango, para alguns produtos e regiões, operam nos recordes nominais registrados na série histórica do Cepea iniciada em 2004. “O bom ritmo de vendas de carne de frango nos mercados interno e externo continua impulsionando os valores de outros produtos da avicultura de corte”, disse o Cepea em nota. O frango inteiro congelado na Grande São Paulo foi negociado em média de R$ 5,60/kg em setembro, um recorde em termos nominais. Esse preço também é 13% superior ao registrado em agosto e 30,4% acima do de setembro de 2019. A média de preço de setembro em termos reais é a maior desde setembro de 2013, quando ficou em R$ 5,72/kg. Os preços da carne suína em setembro também atingiram recordes reais em algumas regiões, refletindo oferta reduzida de animais com peso ideal para abate e fortes exportações. O preço da carcaça suína especial no atacado da Grande São Paulo fechou em R$ 11,72/kg em 30 de setembro, alta de 5,97% no acumulado do mês.

CARNETEC

Exportação de carne bovina IN NATURA caiu em setembro na comparação mensal, mas cresceu em relação a igual mês de 2019

Em setembro, o Brasil exportou 142,35 mil toneladas de carne bovina in natura. Uma queda de 12,8% ante agosto deste ano (Secex). Porém, na comparação com setembro de 2019, o volume embarcado aumentou 2,9%. O faturamento foi de U$583,14 milhões, queda de 0,1% frente a igual período do ano passado.

SCOT CONSULTORIA               

Brasil e Japão devem anunciar um acordo bilateral em carne bovina em até dez dias, diz Arnaldo Jardim

O Brasil e o Japão devem anunciar um acordo bilateral no mercado de carne bovina em até dez dias. A afirmação foi do deputado Arnaldo Jardim (Cidadania – SP), em live promovida pela corretora XP Investimentos durante o evento Commodities Week, na noite de sexta

“Está tudo pronto para ser anunciado nos próximos dez dias um acordo bilateral do Brasil com o Japão na questão de carne bovina. Então tem sim sido desenvolvida uma série de acordos bilaterais com outros países asiáticos”, disse o deputado. O parlamentar falou sobre o mal-estar gerado entre o Brasil e os países árabes por conta da abertura da embaixada brasileira em Jerusalém. “Que eu saiba, não sou especialista, mas nem Israel estava cobrando isso. Não havia necessidade. E nós naquele momento tivemos um ruído na nossa relação com os países árabes”, disse. “São países importantíssimos para nós. São destino maior das nossas exportações, por exemplo, de avicultura, para mencionar uma entre várias [outras commodities exportadas] que nós temos ali. A Ministra Teresa Cristina prontamente fez um esforço, acompanhada pelo nosso parlamento, no sentido de amenizar isso”, completou.

Sobre o debate China x EUA, Jardim disse que o Brasil não deveria entrar no meio dessa disputa comercial, já que ambos os países são parceiros comerciais importantes para a economia brasileira. Ele defendeu acordos amplos que seriam estratégicos para atrair investimentos ao país e garantir destino para as nossas exportações. “A nossa compreensão é que o Brasil deve ter uma política externa que tenha a boa tradição do Itamaraty, que é um acordo de relações amplas, está certo? A China tem tido um papel importantíssimo como destino das nossas exportações. Nós temos a China como parceira de investimentos aqui no Brasil. Temos um histórico de muito tempo constituído de relações com os Estados Unidos. que nós precisamos preservar. Mas nós achamos que nós não podemos entrar no meio dessa disputa”, disse.

Infomoney            

Exportações travaram com recuo da China

O volume total exportado de carne bovina in natura em setembro ficou em 142,3 mil toneladas, sendo o mês com o quinto melhor desempenho para o ano de 2020 

Segundo a Agrifatto, as duas últimas semanas de setembro tiveram poucos volumes exportados em decorrência do feriado chinês e dos estoques de proteínas animais elevados na potência asiática. A quantidade embarcada em setembro registrou uma queda de 12,81% se comparado ao volume exportado em agosto deste ano, na qual exportou 163,2 mil toneladas. Já na comparação anual, o volume de carne bovina exportada em setembro deste ano teve um ganho de 2,97% frente à quantidade embarcada em setembro de 2019, que foi de 138,2 mil toneladas. Segundo as informações da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (SECEX), a média diária exportada de carne bovina in natura ficou em 6,77 mil toneladas neste mês de setembro e teve um aumento de 2,94%, se comparado com o mês de setembro do ano anterior que registrou uma média de 6,58 mil toneladas. O analista da Agrifatto Consultoria, Yago Travagini, destacou que no próximo mês a exportação de carne bovina pode ter um bom desempenho, já que historicamente os embarques aumentam em outubro. “A expectativa é que o volume exportado aumente em outubro, mas é precisamos acompanhar esse cenário de perto e temos informações de que os chineses estão com os estoques elevados de proteína animal”, afirma. O preço médio finalizou o mês de setembro negociado a US$ 4.096,5 mil por tonelada, na qual teve um recuo de 2,95% se comparado ao mesmo período do ano anterior que registrou um valor médio de US$ 4.220,8 mil por tonelada. O mês de setembro encerrou com o valor negociado para o produto em US$ 583,13 milhões, sendo que o preço total comercializado em setembro do ano passado foi de US$ 583,68 milhões. A média diária em setembro ficou em US$ 27.768,5 milhões e registrou uma queda de 0,09%, frente ao valor médio negociado em setembro do ano anterior que foi de US$ 27, 794,4 milhões.

Agrifatto 

ECONOMIA

Dólar renova máxima desde maio ante real com exterior e atritos internos

O dólar à vista fechou em leve alta ante o real na sexta-feira, enquanto no mercado futuro a moeda acelerou os ganhos num pregão de força da moeda norte-americana no mundo depois de o teste positivo do presidente Donald Trump para o coronavírus levantar mais incertezas sobre o rumo da campanha eleitoral na maior economia global

Ruídos em torno de temas fiscais no Brasil persistiram, o que contaminou também a bolsa e os juros futuros. O mercado futuro de dólar piorou o sinal perto do fechamento das operações no mercado à vista, em torno de 17h, em meio a declarações do Ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o Chefe da pasta do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. A jornalistas, Guedes disse não acreditar que Marinho havia falado mal dele, mas que, caso isso tenha acontecido, o Ministro do Desenvolvimento Regional “é despreparado, é desleal e é o fura-teto”. A reação de Guedes veio após circularem nas mesas de operação relatos de que Marinho teria criticado Guedes em conversa com profissionais do mercado na quinta e dito também que o Renda Cidadã sairia de qualquer jeito –na leitura do mercado, mesmo à custa do descumprimento do teto de gastos. Na sexta, o dólar à vista subiu 0,24%, a 5,6669 reais na venda, após cair 0,80% na mínima da sessão. É o maior patamar desde 20 de maio. Na semana, a cotação ganhou 2,04%. Em 2020, dispara 41,22%. Na B3, o dólar futuro saltava 0,77%, 5,6920 reais, por volta de 17h45, renovando máximas do dia. O mercado futuro de câmbio encerra às 18h (de Brasília). O mercado teme que a pressão por mais despesas vinda de dentro do governo leve a um rompimento do teto de gastos em 2021, minando ferramenta que é considerada uma das mais importantes em termos de sinalização de compromisso com as contas públicas. Nos bastidores, o entendimento é que Marinho tem exercido pressão por mais gastos e que estaria contando com aval do Presidente Jair Bolsonaro, cuja relação com Guedes estaria mais estremecida.

REUTERS

Ibovespa recua e encerra 5ª semana seguida no vermelho

O Ibovespa recuou na sexta-feira, encerrando a quinta semana consecutiva no vermelho, contaminado por incertezas no exterior, além de ruídos internos relacionados à equipe econômica

O índice caiu 1,53% na sessão, a 94.015,68 pontos. Na semana, recuou 3,07%. O volume financeiro somou 23,18 bilhões de reais. O Ibovespa ampliou perdas à tarde, após rumores de que o Ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, afirmou em reunião reservada que o programa Renda Cidadã sairá de qualquer forma, criticado o ministro da Economia, Paulo Guedes, e dito que há pressão para flexibilizar o teto de gastos. A assessoria do Ministro divulgou nota negando que ele tenha desqualificado “agentes públicos” e destacando que a solução para as famílias que dependem de auxílio respeitará a âncora fiscal. Os ruídos agravam a cautela em relação à situação fiscal do país, diante do anúncio da proposta do programa Renda Cidadã no início da semana, que causou reações negativas no mercado. Enquanto isso, mercados globais reagiram à notícia de que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, testou positivo para Covid-19, aumentando a incerteza em um cenário eleitoral já turbulento.

REUTERS                         

Bolsa brasileira tem a maior queda do mundo em dólares neste ano

Após forte expansão nos últimos anos, Ibovespa recua 42,5% na moeda americana 

Após uma valorização de quase 100% o Ibovespa segue como o pior índice global em dólares em 2020.  Em março deste ano, com a declaração da OMS (Organização Mundial da Saúde) de pandemia de Covid-19, a situação piorou e a Bolsa voltou a níveis de 2017. A saída de estrangeiros da Bolsa aumentou e o Ibovespa passou a ser o índice global com mais perdas em dólar do mundo, de acordo com estudo do Goldman Sachs. A forte queda de 18,7% do índice neste ano somada à forte desvalorização do real levam a Bolsa paulista a cair 42,5% na moeda americana. Segundo o banco dos EUA, a desvalorização do mercado brasileiro em março superou a média de crises anteriores —o Ibovespa teve o pior trimestre da história. A Bolsa da Colômbia é a segunda que mais se desvaloriza, com perdas de 40,5% na moeda americana. Em seguida vem a Indonésia, com queda de 31,8% na moeda americana e de 21,8% na moeda local. Logo atrás estão Chile, Turquia, México e Rússia. Por ser um mercado líquido —de fácil venda dos ativos— que vinha de uma forte alta nos últimos anos, estrangeiros aproveitaram o momento de incerteza para realizar os ganhos no Brasil e buscar investimentos mais seguros, como dólar, ouro e títulos do Tesouro dos EUA. A saída do investidor de fora, porém, começou em 2018, com a alta de 76% do Ibovespa entre 2016 e 2017, impulsionada pelo impeachment e pelos cortes de juros —a Selic foi de 14,25% em 2016 para 6% em 2018. Foram R$ 11,5 bilhões a menos de dinheiro estrangeiro na Bolsa em 2018 e R$ 44,5 bilhões em 2019 e, até setembro deste ano, há uma saída recorde de R$ 87,7 bilhões. “Em 2019, a Bolsa estava alta e o dólar estava em baixa, então, tivemos muita realização de lucros. Agora, o investidor sai em busca mercados mais sólidos e dinâmicos, com recuperação mais rápida, como os Estados Unidos”, diz George Sales, professor do Ibmec. Segundo o economista, a perspectiva de recuperação lenta do Brasil, com um baixo crescimento nos últimos anos, deixa o país pouco atrativo para investidores. “A Covid-19 foi um azar, mas o governo também não ajuda, o que gera muita oscilação no mercado. O governo tinha que ser mais discreto, mas a campanha política nunca passou. Isso assusta investidor e o de longo prazo é o primeiro a sair. “A economia está muito ruim e a perspectiva futura é incerta. Já vínhamos de uma crise fiscal, que, com o coronavírus, se agravou, deixando todo mundo com pé atrás”, diz Bruno Giovannetti, professor da FGV. Os economistas também afirmam que a crise ambiental em torno da Amazônia deixou o país mal visto pelos estrangeiros, especialmente europeus, levando-os a deixar o Brasil.

FOLHA DE SP

Real sofre queda generalizada em relação a parceiros

Moeda brasileira é a que mais perde valor ante o dólar em 2020

Com a pandemia de Covid-19, o risco fiscal e a incerteza política, o real não apenas se desvaloriza frente ao dólar —descola até da cotação dos emergentes. É acentuada, por exemplo, a desvalorização em relação às moedas de parceiros comerciais. Um indicador que leva em conta a média ponderada das taxas de câmbio dos 61 principais parceiros comerciais do Brasil, de acordo com sua importância na economia brasileira, aponta que o real se desvaloriza 24,5% neste ano. Dentre todas as divisas do mundo, o real é a terceira que mais perde valor ante a moeda dos EUA, atrás apenas do dólar do Suriname e da cuacha de Zâmbia. Segundo o fechamento de sexta (2), o dólar está a R$ 5,66, uma alta de 41% no ano em relação ao real. A alta do euro é ainda maior (47,4%), a R$ 6,66. Até o peso argentino, que se desvaloriza 22% em relação ao dólar neste ano, tem vantagem sobre o real, ficando quase 10% mais valioso, a R$ 0,07. “Geralmente, moedas latinas caminham juntas, pois têm economias semelhantes, baseadas na exportação de matérias-primas, mas efeitos políticos pesam nessa balança e geram desequilíbrio”, diz Thomaz Favaro, Diretor para Brasil e Argentina da Control Risks, consultoria de análise de risco político. “A desvalorização do real está relacionada à percepção do estrangeiro quanto ao crescimento do Brasil nos próximos anos e à preocupação com a deterioração das contas públicas. Havia muita confiança no fiscal e isso está em dúvida agora”, afirma Favaro. A dívida pública brasileira bateu recorde em agosto ao alcançar 88,8% do PIB (Produto Interno Bruto) com o aumento de gastos do governo com a pandemia, e deve seguir em alta com o plano do governo de expandir o Bolsa Família, com o nome de Renda Cidadã. Até o momento, o governo aponta fontes de recursos, mas não mostra onde cortar gastos. “Chile e Peru têm dívidas de cerca de 30% do PIB e vão para 40% neste ano. O Brasil vai para 90% e deve bater 100% do PIB cedo ou tarde. Quando você tem esse tipo de passivo, o efeito da perda de confiança é ainda maior”, diz Favaro. Neste aspecto, o Brasil estaria mais próximo da Argentina —que tem dificuldade em pagar uma dívida de quase US$ 70 bilhões— aos olhos do estrangeiro, o que leva a uma saída de capital do país. “É uma tempestade perfeita. Temos um grande problema no mundo e vários por aqui, sendo que o maior deles é o risco fiscal. Além disso, o cenário para 2021 é ruim. Tudo isso faz o estrangeiro sair do país e indica que o real vai continuar depreciando”, diz Roberto Dumas Damas, professor do Insper. O economista também aponta a relação conturbada do governo Bolsonaro com o Congresso e entre seus próprios ministros, a crise ambiental, o elevado desemprego e a deterioração as relações com a China e com os democratas americanos, que podem chegar à Casa Branca em 2021, como fatores que impactam o real. “África do Sul, Peru, Colômbia e Chile não têm todos esses problemas”.

FOLHA DE SP                       

CEPEA: Queda no número de pessoas ocupadas na agropecuária é interrompida em julho

A tendência de redução do número de pessoas ocupadas (PO) na agropecuária, que vinha sendo observada desde o trimestre móvel encerrado em março, foi interrompida no trimestre encerrado em julho (maio-junho-julho) 

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE, 8,049 milhões de pessoas estavam ocupadas na agropecuária em maio-junho-julho, com leve alta de quase 1% frente ao trimestre móvel imediatamente anterior (abril-maio-junho). Ainda assim, frente ao mesmo trimestre móvel de 2019, a população ocupada teve queda de 6,9%, o equivalente a 599 mil pessoas. Quando considerado o modelo do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o número de ocupados na agropecuária no trimestre móvel encerrado em julho continuou bastante aquém do limite inferior do que pode ser considerado normal. O número observado (8,049 milhões) foi 3,7% ou 310 mil pessoas abaixo do que esperado para esse período. Assim como observado no trimestre encerrado em junho, esse choque que ainda persiste em julho reflete sobretudo o efeito acentuado verificado em maio. Após a estabilização de junho, foi observada, inclusive, alguma melhora em julho no que tange à diferença entre o número observado e o esperado de empregos/ocupações na agropecuária. Segundo o relatório trimestral de mercado de trabalho divulgado pelo Cepea, houve forte recuo no número de pessoas ocupadas no agronegócio em geral entre os segundos trimestres de 2019 e de 2020. Foi a maior queda nessa comparação desde o início da série histórica do Cepea, em 2012 – possivelmente relacionada à pandemia de coronavírus. Setorialmente, os destaques em reduções foram: cana-de-açúcar, café, produção florestal e “outras lavouras” na agricultura, e vestuários e acessórios, produtos e móveis de madeira, massas e outros, papel e celulose e bebidas na agroindústria agrícola. Na agroindústria agrícola, apenas a de óleos e gorduras vegetais apresentou aumento da PO. No ramo pecuário, houve reduções para pesca e aquicultura e bovinocultura e para a indústria de couro e calçados de couro. Ao contrário, o número de ocupações cresceu para as criações de suínos e aves e para laticínios.

Cepea 

EMPRESAS

Frigorífico paraguaio Concepción perto de acordo com Frigonorte

Minerva Foods tenta reverter Contrato de prestação de serviços firmado pelo grupo brasileiro foi vetado por órgão antitruste 

O frigorífico paraguaio Concepción está próximo de um acordo de prestação de serviços com o conterrâneo Frigonorte, apurou o Valor. De acordo com uma das fontes consultadas pela reportagem, as partes bateram o martelo na quinta-feira (1) à tarde. O negócio é mais um revés para a brasileira Minerva Foods, que havia assinado um acordo do gênero com o Frigonorte, mas teve a operação vetada pelo órgão antitruste do Paraguai. Com quatro abatedouros no país sul-americano, a Minerva já é a maior indústria de carne bovina local, respondendo por quase 38,5% da capacidade de abate. O Concepción é o segundo maior frigorífico do país, com 21,3%. Se o contrato com o Frigonorte tivesse sido aprovado, a capacidade da Minerva – por meio da subsidiária Athena Foods — chegaria a quase 45%, de acordo com a autoridade antitruste paraguaia. Quando firmou o acordo com o Frigonorte, em junho, a Minerva foi alvo de muitas críticas de pecuaristas paraguaios, que consideravam que a transação daria uma participação de mercado excessiva para o grupo brasileiro. Em meio às críticas, o acordo passou a ser investigado pela Comissão Nacional da Concorrência (Conacom) do Paraguai. Em setembro, o órgão antitruste reprovou o acordo avaliando que a transação representava uma forma de bloquear o acesso imediato de concorrentes ao mercado paraguaio. Apesar disso, a Minerva ainda tenta reverter a decisão e já informou que entrará com recurso judicial. O entendimento é que o acordo com o Concepción teria os mesmos efeitos apontados pela Conacom, já que o grupo paraguaio também é grande no país. Ainda não está claro qual será a reação do órgão antitruste. Em dificuldades financeiras, o Frigonorte está parado e acumulou dívidas com pecuaristas. Em junho, o Valor informou que esses débitos somavam US$ 4 milhões. Localizado em Pedro Juan Caballero, na divisa com o Mato Grosso do Sul, o Frigonorte chegou a faturar cerca de US$ 150 milhões. Antes do acordo com a Minerva, os sócios do Frigonorte chegaram a negociar a venda da empresa para a também brasileira Marfrig Global Foods, mas o negócio não prosperou em meio a divergências no processo de auditoria. A Marfrig ainda está interessada em ingressar no mercado Paraguaio e, recentemente, anunciou o plano de investir US$ 100 milhões para construir um frigorífico, em sociedade com pecuaristas locais. O Paraguai é considerado um mercado de boa rentabilidade para os frigoríficos, e tem como uma das vantagens o baixo custo com energia elétrica. Procurada, a Minerva não comentou.

VALOR ECONÔMICO 

MEIO AMBIENTE

UE diz que só lança ratificação de acordo com Mercosul após solução para Amazônia

A mensagem foi dada ontem pelo Vice-Presidente executivo da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis

A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia (UE), não vai lançar o processo de ratificação do acordo de livre comércio com o Mercosul enquanto não identificar resultados importantes na área ambiental nos países do cone sul. A mensagem foi dada pelo Vice-Presidente executivo da Comissão, Valdis Dombrovskis, candidato a comissário de Comércio, durante audição na Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu. Valdis é a autoridade europeia que explicitou até agora mais fortemente que a UE não vai se contentar com promessas, e espera ações concretas. Ele destacou que a UE precisa “encontrar soluções duradouras para a região Amazônica antes da ratificação” do acordo. Ou seja, antes de submeter o texto do tratado ao Conselho Europeu (governos) e Parlamento europeu, onde a resistência à aprovação em todo caso será forte. Indagado depois por uma parlamentar sobre exigências na pré-ratificação do acordo, o futuro comissário de comércio respondeu: “Precisaremos de resultados significativos e envolvimento significativo dos países do Mercosul antes de prosseguirmos com a ratificação. O Mercosul precisaria cumprir [metas de] desmatamento, o acordo de Paris (clima) porque isso é muito claro”. Valdis Dombrovskis observou que isso é o que tem ouvido de parlamentares, de países membros e da sociedade, de forma que ação concentrada na área ambiental no Mercosul “será elemento crítico para a ratificação”. O Brasil já enviou mensagem à União Europeia (UE) de que está “mais do que disposto” a explorar iniciativas e ações concretas na área ambiental para dar um “conforto” aos Estados membros e à opinião pública europeia que resistem ao acordo de associação UE-Mercosul, segundo fontes de Brasília. “Estamos prontos a deixar claro o compromisso do Brasil com todos os acordos internacionais, com o Acordo de Paris, com agenda ambiental de desenvolvimento sustentável no combate a queimadas, proteção da floresta etc”, afirmou uma alta fonte brasileira na ocasião. “Já dissemos a negociadores europeus que estamos dispostos a trabalhar juntos nesses temas que preocupam a opinião pública europeia, sem mexer no acordo”. A diferença, porém, é que visivelmente a UE quer ver ações concretas antes de deflagrar o processo de ratificação, aparentemente não se contentando com declarações ou assinatura de anexo ao texto do acordo. Um problema sério é que o Presidente Jair Bolsonaro continua fazendo declarações que mais parecem provocações, como a de que o “Brasil precisa receber parabéns” pela proteção ao meio ambiente.

VALOR ECONÔMICO

Reino Unido tenta garantir importação “livre de desmate”

Termina hoje uma consulta pública sobre importações de commodities que poderá resultar em regras mais rígidas para as compras de produtos como soja e carnes

O Reino Unido encerra hoje uma consulta pública sobre importações de commodities. A iniciativa, pouco comum, deve ter como resultado uma nova lei que obrigará grandes empresas a garantir cadeias de fornecimento livres de desmatamento. A estratégia é vista como um exemplo do que está sendo chamado de “’barreiras reputacionais” e pode afetar as exportações brasileiras. A iniciativa começou em 26 de agosto. O governo britânico havia encomendado à Global Resource Initiative, uma força-tarefa independente formada por empresários, ONGs e pessoas ligadas ao governo e ao sistema financeiro, ações que poderiam tornar as cadeias globais de suprimentos mais sustentáveis. “Muitos dos produtos que compramos usam ingredientes produzidos em países onde há alto risco de desmatamento”, diz o texto da consulta no site do Defra, o equivalente ao Ministério do Meio Ambiente e Agricultura. A conclusão do GRI foi entregue em março com a recomendação-chave que o governo introduza um sistema obrigatório de “due dilligence” ou “diligência prévia”. A intenção é elaborar uma nova lei que proteja florestas e o clima. O Ministro do Ambiente e Agricultura, George Eustice, escreveu à Ministra Tereza Cristina e a convidou para consultas sobre o tema, assim como outros parceiros. “O mercado se transformou e há maior demanda, particularmente no Reino Unido, de consumidores e investidores que buscam produtos sustentáveis. Não é uma medida protecionista”, afirma uma fonte. “Não é o governo dizendo isso. É uma mudança de mercado.” O governo britânico faz clara diferença entre desmatamento legal e ilegal. A nova lei pelo controle das commodities importadas será aplicada somente às grandes empresas. Segundo o governo de Boris Johnson, o Reino Unido consome volumes importantes de sete commodities cuja rápida expansão é associada com desmatamento e frequentemente em contravenção com leis locais: carne bovina, couro, soja, celulose e papel, borracha e óleo de palma. A proposta pode tornar ilegal para grandes empresas o uso de commodities com risco florestal – ou seja, que não tenham sido produzidas de acordo com as leis locais. As companhias precisariam realizar a “devida diligência” para mostrar que tomaram iniciativas para garantir que isso seja o caso. Quem não cumprir a exigência estará sujeito a sanções.

VALOR ECONÔMICO 

Comissão Europeia vai lançar Observatório Florestal para proteger florestas no mundo

A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, irá lançar um Observatório Florestal para proteger florestas no mundo, principalmente as primárias, e ajudar a direcionar recursos financeiros para apoiar práticas mais sustentáveis de uso da terra

A Comissão está desenhando uma nova estratégia florestal que deve ser lançada em 2021 e o Observatório é um dos elementos da iniciativa. A ideia é usar dados de satélites para monitorar desmatamento, degradação florestal e mudanças na cobertura florestal. A expectativa é que as informações sejam disponíveis ao público. Segundo editorial da revista Nature, de julho, o Observatório estaria ligado ao Joint Research Centre (JRC), o serviço científico da Comissão Europeia. Mais detalhes sobre a iniciativa serão divulgadas hoje. Há um ano, em informe oficial, a Comissão dizia que entre as prioridades do Observatório está a intenção de encorajar produtos livres de desmatamento nas cadeias de fornecimento da UE, assim como fortalecer a cooperação para parar o desmatamento e a degradação, e encorajar a restauração florestal. O Observatório Florestal responde à forte tendência dos consumidores europeus de rejeitarem produtos relacionados a desmatamento. “Não somos inocentes em relação ao que está acontecendo. Não podemos cobrar só responsabilidade, temos que assumir a culpa também”, diz a deputada Maria Noichl, membro do S&D Group, a aliança de socialistas e democratas dentro do Parlamento europeu. “A política europeia está sendo parcialmente responsável por estas chamas que vemos nas imagens e não podemos apoiar isso”, afirmou a deputada em webinar promovido ontem pelas organizações europeias Fern e Trase e pela Universidade Federal de Minas Gerais. O evento discutiu como enfrentar o desmatamento com debatedores brasileiros e europeus. Maria Noichl disse que o Acordo UE-Mercosul é um “problema sério” e que “tratados comerciais não podem continuar queimando florestas”. O Green Deal europeu, disse, é uma “nova declaração ecológica e as políticas têm que estar em harmonia com ela”. A deputada defende que o bloco europeu tenha uma legislação mais forte em relação ao desmatamento em suas importações agrícolas.

Valor Econômico

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