
Ano 6 | nº 1335| 06 de outubro de 2020
NOTÍCIAS
Alta nos preços da vaca e novilhas gordas
Em São Paulo, apesar da calmaria, a vaca e a novilha para abate começaram esta semana com preços maiores (5/10).
O aumento foi de R$1,00/@ e R$2,00/@, respectivamente, ante a última sexta-feira (2/10) e, ficaram cotadas em R$244,00/@ no caso da vaca e R$252,00/@ para a novilha, preços brutos e a prazo, segundo levantamento da Scot Consultoria. O boi comum ficou cotado em R$256,00/@, preço bruto e à vista, R$255,50/@, descontado Senar, e R$252,00/@ descontados Funrural e Senar. Estabilidade em relação à última sexta-feira. Para exportação as ofertas de compra estão em R$260,00/@. Porém com negócios neste preço também para boiadas destinadas ao mercado interno.
SCOT CONSULTORIA
Boi gordo está mais valorizado na região Centro-Oeste, avalia Safras
No decorrer deste mês, a Safras prevê uma maior oferta de animais confinados, fato que pode impactar em preços mais elevados
O mercado físico do boi gordo registrou preços de estáveis a mais altos nas principais praças de comercialização do país na segunda-feira, 5. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a alta de preços neste momento está concentrada na Região Centro-Oeste. Na Região Sudeste, alguns frigoríficos se mantiveram ausentes da compra de gado, avaliando as melhores estratégias para o restante da semana. “Enquanto isso, continua a disputa por animais que cumprem os requisitos para exportação com destino ao mercado chinês. Esses animais costumeiramente são negociados com prêmio de até R$ 7,00 por arroba sobre animais destinados ao consumo doméstico”, assinala. É aguardada maior oferta de animais confinados ao longo de outubro, também com uma maior incidência de contratos a termo para os frigoríficos, elementos que podem cercear movimentos mais agressivos de alta na arroba do boi. Em São Paulo, Capital, os preços do mercado à vista ficaram em R$ 259 a arroba, estáveis na comparação com a sexta-feira, 2. Em Uberaba, Minas Gerais, os preços ficaram em R$ 255 a arroba, inalterados. Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, os preços ficaram em R$ 252 a arroba, estáveis. Em Goiânia, Goiás, o preço indicado foi de R$ 250 a arroba, contra R$ 245. Já em Cuiabá, no Mato Grosso, o preço ficou em R$ 244 a arroba, contra R$ 243 a arroba. No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem firmes. Conforme Iglesias, a tendência de curto prazo remete a continuidade do movimento de alta nos preços, em linha com a entrada dos salários na economia, importante motivador da reposição ao longo da cadeia produtiva. As exportações seguem em bom nível, com a China absorvendo volumes substanciais de proteína animal brasileira. Com isso, a ponta de agulha seguiu em R$ 14,25 o quilo. O corte dianteiro permaneceu em R$ 14,25 o quilo, e o corte traseiro passou de R$ 19,00 o quilo para R$ 19,25 o quilo.
AGÊNCIA SAFRAS
Governo Federal publica decreto para convocação de médicos veterinários para o Mapa
Decreto publicado na segunda-feira autoriza a nomeação de 139 veterinários para o cargo de auditor fiscal federal agropecuário, aprovados em concurso público
Foi publicado ontem o decreto que autoriza a nomeação de 139 médicos veterinários para o cargo de auditor fiscal federal agropecuário, aprovados em concurso público, assinado pelo Presidente Jair Bolsonaro e os ministros Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e Paulo Guedes (Economia). O concurso foi homologado em 2018, com oferta de 300 vagas para o cargo. No ano passado, foi autorizado o preenchimento de 100 vagas. Agora, haverá a convocação de mais 139 aprovados. A Secretaria-Executiva do Mapa irá analisa as condições para a nomeação dos aprovados, como quais cargos estão vacantes, conforme prevê o decreto. O Secretário de Defesa Agropecuária, José Guilherme Leal, destacou que os novos servidores irão reforçar a fiscalização. “Vão reforçar nossas equipes na ponta, principalmente no trabalho de inspeção. E é um reconhecimento também do governo por esse trabalho que não parou, pelos servidores públicos do Ministério que não pararam, e vão ter esse reforço agora para que a gente possa, inclusive, garantir a expansão das empresas para produção local e também para as exportações”. Antes da nomeação dos 139 aprovados, o Mapa irá realizar um concurso de remoção interna, no qual servidores que já integram o quadro do Ministério poderão solicitar transferência dos postos de trabalho. O edital já está em elaboração. Depois desse processo, será publicada portaria, no Diário Oficial da União, com a convocação dos 139 médicos veterinários para a escolha do local (cidade, estado) onde desejam trabalhar. A ordem seguirá a classificação obtida no concurso público, de 2017. Vale lembrar que o concurso já estabelecia que o candidato aprovado poderá ser lotado em qualquer estado do país. O passo seguinte será a publicação de uma nova portaria, no Diário Oficial da União, com a nomeação dos médicos veterinários e os locais de trabalho escolhidos. Neste momento, eles tomarão posse e entrarão em exercício no posto de auditor fiscal federal agropecuário. A portaria elencará os documentos necessários para a posse e a data.
MAPA
Frigoríficos decretam férias coletivas em Mato Grosso por falta de gado
Segundo Imea, baixa oferta de animais é reflexo do menor nascimento de bezerros em 2017/2018 e dos efeitos da Covid19
Com dificuldades para encontrar animais para abate, os frigoríficos do Mato Grosso, principal Estado produtor de carne bovina do país, estão começando a decretar férias coletivas, apontou na segunda-feira (5/10) o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Segundo boletim de conjuntura econômica do instituto, “apesar de outubro ser um dos maiores giros de confinamento e possibilitar a maior oferta de animais, o volume esperado ainda é aquém da demanda” no Estado. Os pesquisadores apontam, entre outros fatores, o baixo nascimento de bezerros em 2017/2018 e os efeitos da pandemia de Covid-19 sobre o mercado. Se em fevereiro as escalas de abate no Estado atingiram a máxima do ano, de 7,05 dias, em março, com o início das medidas de isolamento social no Brasil e em outros países, houve queda de 17,24%, para 5,84 dias, atingindo a mínima de 5,22 dias em abril. Esse cenário, explica o Imea, indica a necessidade cada vez maior da indústria por animais. “Em setembro, a oferta ainda não deu sinais de forte recuperação e as escalas seguiram em decréscimo mensal, agora de 8,27% e média de 6,00 dias”, explica o instituto. Com pouca oferta e alta demanda, o indicador de preços calculado pelo instituto ficou em R$ 235,62 na última semana, alta de 2,03% ante o período anterior. Já a média do bezerro de ano ficou em R$ 2.075,15 por cabeça, valorização semanal de 4,24%. A alta ocorre mesmo com um aumento de 5,76% na oferta de bezerros, o que tende a elevar a disponibilidade de animais no futuro. Por ora, contudo, a previsão ainda é de escalas apertadas e pouca oferta de gado no Estado, segundo aponta o boletim. “Para os próximos meses, há indícios de uma constante do atual cenário, uma vez que a disponibilidade de animais segue restrita, o que, inclusive, poderá ser um movimento atípico para o período”, explica o Imea.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar cai, mas cenário segue incerto
O dólar sofreu a maior queda diária em cinco semanas na segunda-feira, conforme operadores ajustaram posições no câmbio depois da pressão recente
O otimismo externo respaldou o alívio na cotação, com investidores repercutindo maior expectativa de acordo sobre novo pacote fiscal nos Estados Unidos, tendo de pano de fundo melhora da saúde do Presidente norte-americano, Donald Trump (que se recupera da Covid-19) e tentativas de acordo sobre o financiamento do Renda Cidadã no Brasil. O dólar à vista caiu 1,75%, a 5,5678 reais na venda. É a maior baixa percentual diária desde 28 de agosto (-2,93%). Na B3, o dólar futuro cedia 2,14%, a 5,5715 reais, às 17h09. O índice do dólar frente a uma cesta de moedas fortes recuava 0,35% no fim da tarde. A combinação entre apetite externo por risco e certo “atraso” do real em relação a seus pares patrocinou a recuperação mais forte do câmbio doméstico, que vem de quatro semanas consecutivas de perdas, quando acumulou queda de 6,33% (dólar subiu 6,76%). Sinais de alguma tentativa de conciliação em Brasília nas discussões sobre o financiamento do Renda Cidadã também agradaram. O senador Marcio Bittar (MDB-AC) afirmou na segunda-feira que a ideia do governo é apresentar na quarta-feira pela manhã a solução para o financiamento ao Renda Cidadã, novo programa de transferência de renda que virá no lugar do Bolsa Família. Ele acrescentou que a proposta respeitará o teto de gastos. Os constantes ruídos de ordem fiscal, contudo, ainda jogam contra o câmbio mais à frente. “Acreditamos que a pressão para o apoio contínuo à economia e para um novo programa social permanecerá em vigor”, disseram analistas do Barclays em nota a clientes. “As incertezas sobre as perspectivas fiscais devem manter a volatilidade elevada e impor ao real desempenho inferior em relação aos pares”, completaram. O real já é a divisa relevante mais volátil do mundo. A volatilidade implícita nas opções de dólar/real de três meses, por exemplo, está em 20,3%, ante 17,5% da lira turca, a segunda colocada. Em 2020, o real perde 27,93% de seu valor nominal ante o dólar, a maior queda entre rivais emergentes.
REUTERS
Ibovespa sobe mais de 2% com exterior positivo
O Ibovespa fechou em alta na segunda-feira, em meio a um cenário positivo no exterior e também apoiado pela melhora do ânimo do mercado com o quadro fiscal do país. A MINERVA ON subiu 0,89%, após aprovar programa de recompra de ações. No setor, JBS ON avançou 1,89%, enquanto MARFRIG ON fechou em alta de 0,74%.
O principal índice da bolsa brasileira avançou 2,21% na sessão, a 96.089,19 pontos. O volume financeiro da sessão somou 21,9 bilhões de reais. Mercados globais tiveram aumento no apetite ao risco após notícia de que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria alta hospitalar ainda na segunda. Na semana passada, o diagnóstico de Trump impactou mercado, diante da incerteza esperada sobre as eleições norte-americanas. Também melhorou o ambiente as expectativas de aprovação de que parlamentares dos EUA aprovem mais estímulos econômicos para combater os efeitos da pandemia. O índice acelerou a alta durante a tarde, após declarações do senador Marcio Bittar (MDB-AC) de que a ideia do governo é apresentar na quarta-feira a solução para financiar o Renda Cidadã, respeitando o teto de gastos. “Não vou entrar em nenhuma ideia de onde e como vai ser financiado, a não ser que é uma decisão de todo mundo, liderada pela equipe econômica, pelo Ministro Paulo Guedes. E a solução, qualquer que seja ou quaisquer que sejam elas, será dentro do teto”, disse ele após se reunir com o Ministro da Economia. As declarações amenizaram incertezas fiscais, após a proposta inicial ser duramente criticada na semana passada, além do estresse no mercado em meio a críticas que o Ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, teria feito a Guedes num evento fechado com um grupo de economistas.
REUTERS
Mercado eleva projeção para IPCA em 2020 pela oitava semana consecutiva
Economistas consultados pelo Banco Central fizeram novo ajuste para cima em sua projeção para a inflação este ano e agora esperam um IPCA de 2,12% em 2020, mostrou o relatório Focus na segunda-feira. Esta foi a oitava elevação seguida na projeção, que na semana passada apontava para uma inflação de 2,05%
Apesar das altas sucessivas, a expectativa dos economistas ainda está bem abaixo da meta do BC, que é de inflação de 4% este ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. Para 2021, quando a meta cai para 3,75%, expectativa está em 3,00%, sobre 3,01% na semana anterior. A projeção para a taxa básica de juros, que está atualmente em 2% ao ano, menor patamar da história, ficou inalterada em 2% para o final deste ano e em 2,50 para o final de 2021. O relatório Focus mostrou também uma piora da projeção para a entrada de investimento direto no país (IDP) neste ano e no próximo. Expectativa é que o IDP fique em 51,26 bilhões de dólares em 2020 e em 65 bilhões de dólares em 2021, frente a projeções de 55 bilhões de dólares e 68,50 bilhões de dólares, respectivamente, há uma semana. As estimativas para o déficit em transações correntes, por outro lado, foram reduzidas, para 6,81 bilhões de dólares em 2020 (7,20 bilhões de dólares antes) e 17,00 bilhões de dólares em 2021 (19,45 bilhões de dólares antes), com expectativas melhores para as exportações.
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FMI melhora previsão para PIB do Brasil em 2020 e passa a estimar queda de 5,8%, de 9,1% antes
O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou na segunda-feira suas perspectivas econômicas de 2020 para o Brasil, mas alertou que os riscos permanecem “excepcionalmente altos e multifacetados” e que a dívida do governo está a caminho de encerrar o ano em torno de 100% do Produto Interno Bruto (PIB)
O FMI agora espera que a maior economia da América Latina encolha 5,8% neste ano, muito menos que a contração de 9,1% que havia estimado anteriormente, e prevê uma recuperação “parcial” e um crescimento de 2,8% no próximo ano. Em um documento que descreve as conclusões preliminares de uma recente visita de uma equipe ao Brasil, o FMI disse que os riscos negativos “significativos” incluem uma segunda onda da pandemia, “cicatrizes de longo prazo” de uma longa recessão e choques na confiança devido à enorme dívida pública do país. Embora o FMI receba com satisfação o compromisso do governo de reduzir a dívida do Brasil, o Fundo alertou que pode levar tempo para que emprego, renda e pobreza voltem aos níveis anteriores à pandemia. “Se as condições de saúde, econômicas e sociais ficarem piores do que as autoridades esperam, eles (integrantes do governo) devem estar preparados para fornecer apoio fiscal adicional”, disse o FMI, acrescentando que a prioridade da política de curto prazo é “salvar vidas e meios de subsistência”. Os pagamentos de ajuda emergencial a milhões das famílias mais pobres do Brasil devem expirar no final deste ano, gerando ruídos políticos, incerteza fiscal e volatilidade no mercado financeiro nas últimas semanas conforme o governo tenta desenhar um programa que substitua o auxílio. O FMI observou que a curva de juros do Brasil está “muito inclinada”, destacando esses temores fiscais de longo prazo, e disse que uma série de reformas estruturais para uma “consolidação de médio prazo será essencial” para mitigar os riscos da dívida. O relatório alertou que, sem evidências “inequívocas” de que a regra do teto de gastos do governo será preservada, as despesas extras podem minar a confiança do mercado e elevar as taxas de juros. Com espaço limitado para uma política fiscal mais frouxa, o Brasil deve confiar mais na política monetária, disse o FMI, acrescentando que o Banco Central tem espaço para cortar a taxa Selic abaixo da taxa atual de 2%, mínima recorde, se a inflação e as expectativas de inflação permanecerem baixas. “Como complemento, o uso contínuo da orientação futura para sinalizar que a taxa básica de juros permanecerá baixa por mais tempo, condicionada à manutenção de um regime fiscal sólido, pode ter um efeito expansionista sem riscos para a estabilidade financeira”, disse o FMI.
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EMPRESAS
Marfrig compra produtora argentina de carne para hambúrguer
A Marfrig Global Foods anunciou na segunda-feira que acertou a compra de 100% da produtora argentina de carnes para hambúrgueres Campo del Tesoro, por 4,6 milhões de dólares
Em comunicado, a Marfrig explicou que a empresa adquirida tem uma fábrica em Pilar, província de Buenos Aires, com capacidade para processar cerca de 15 mil toneladas/ano. “Para a Marfrig, essa transação fortalece seu portfólio de produtos de maior valor agregado e está em linha com seu plano estratégico de crescimento”, afirmou a companhia, que tem capacidade total de 54 mil toneladas/ano de hambúrgueres na Argentina e é líder do segmento no mundo.
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Minerva aprova recompra de ações
O frigorífico Minerva anunciou na segunda-feira a aprovação de programa de recompra de ações, segundo comunicado enviado ao mercado
A companhia afirmou que o programa terá 18 meses e envolverá até 20 milhões de ações ou 3,6% do total dos papéis emitidos pela companhia. Incluindo as ações já em tesouraria, o percentual sobe para até 10%.
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MEIO AMBIENTE
Empresas de alimentos exigem que Reino Unido adote postura dura para proteção de florestas tropicais
Redes de supermercados, fabricantes de alimentos e cadeias de restaurantes defenderam na segunda-feira que o Reino Unido endureça um plano para impedir a devastação de florestas tropicais para a plantação de commodities como soja e cacau
A indústria de alimentos está sendo alvo de críticas por seu papel na destruição de florestas tropicais em países como Brasil e Indonésia, e o Reino Unido está criando uma legislação para forçar o setor a ampliar a supervisão sobre suas redes de suprimentos. Em uma carta aberta, cerca de 20 grandes companhias apoiaram os planos como um “passo adiante”, mas disseram que ele “não é suficiente para interromper o desmatamento e defendemos que o governo avance para resolver esta questão”. A carta é assinada por grandes redes supermercadistas como Tesco e Marks & Spencer, fabricantes de alimentos como Unilever e Nestlé, redes de fast food como McDonald’s e por vários pecuaristas do país. A legislação do Reino Unido tem como objetivo aplicar penalidades legais contra empresas que forem cúmplices de práticas de desmatamento, ampliando uma série de ações voluntárias e guiadas pela própria indústria e que têm enfrentando amplas críticas de grupos ambientais. As empresas afirmam que preferem uma direção clara do governo para a criação de padrões legais, em vez de navegar por um labirinto de iniciativas voluntárias. Sob a proposta, grandes empresas terão que informar como obtêm suas commodities tropicais. As companhias também serão impedidas de usarem produtos que forem obtidos a partir da devastação ambiental em seu país de origem. Porém, as empresas signatárias da carta afirmam que a proposta tem uma grande brecha: agricultores em países desenvolvidos podem com frequência destruir florestas para plantação de culturas voltadas à exportação sem quebrarem nenhuma lei. Por isso, as empresas querem que a nova legislação britânica se aplique a todos os processos de desmatamento, não apenas aos casos onde a destruição é ilegal. “A legislação proposta vai continuar a permitir desflorestamento crescente em países como Indonésia e Brasil”, disse Robin Willoughby, Diretor do grupo Mighty Earth no Reino Unido. As empresas também estão preocupadas que a legislação não vai se aplicar a empresas menores, que podem importar volumes consideráveis de produtos como borracha de regiões florestais sensíveis.
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Brasil ameaça denunciar Reino Unido na OMC por discriminação
Terminou ontem a consulta pública para decidir se os britânicos farão um projeto de lei para tornar ilegal a importação de commodities que apresentam risco florestal
O governo de Jair Bolsonaro alertou o Reino Unido que poderá denunciar o país na Organização Mundial do Comércio (OMC) por discriminação em razão de seu plano de obrigar a cadeia de suprimento a fazer due dilligence nas importações de commodities. O Reino Unido encerrou ontem uma consulta pública para decidir se fará um projeto de lei para tornar ilegal para grandes empresas o uso de commodities que apresentam risco florestal – ou seja, que não tenham sido produzidas segundo as leis locais. Se aprovado, o projeto obrigará as companhias a fazerem a rastreabilidade dos produtos para comprovar que não vieram de áreas desmatadas ilegalmente, e quem não fizer poderá receber multas O governo britânico pediu ao Brasil para participar da consulta. Mas o Valor apurou que a resposta veio com um documento preparado pelos ministérios do Meio Ambiente, Agricultura e Relações Exteriores. Para o governo brasileiro, no estágio atual a proposta britânica não esclarece as ações que os importadores deverão executar para atender às exigências de due dilligence nem os critérios para definir quais as commodities que apresentam risco elevado de causar desmatamento. Em todo caso, a ameaça é clara: “O governo brasileiro reserva-se o direito de questionar nos foros apropriados a lei que for aprovada em função de sua eventual não compatibilidade com as normas da OMC”, diz o documento brasileiro. O governo Bolsonaro manifesta “preocupação” com vários aspectos da proposta colocada em consulta pelo gabinete de Boris Johnson. Ela cita como exemplo sete commodities cuja rápida expansão é associada a desmatamento, frequentemente em choque com leis locais: carne bovina, couro, soja, celulose e papel, borracha e óleo de palma. No entanto, o governo brasileiro suspeita que a abrangência poderá ser muito maior. “Partindo do pressuposto de que o desmatamento ilegal pode em princípio voltar-se à produção de qualquer commodity, o projeto de lei teria o potencial de abranger todas as commodities existentes”, reclama o Brasil.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
Crescimento das exportações de carne suína da UE deve desacelerar após surto de doença na Alemanha
O crescimento nas exportações de carne suína da União Europeia vai desacelerar significativamente, já que a Alemanha enfrenta restrições comerciais após surto de peste suína e suspensão de contratos de demanda chinesa, previu o executivo da UE na segunda-feira (5)
A Alemanha, o maior produtor de carne suína da UE, foi impedida de comercializar com os principais países importadores, incluindo China e Coréia do Sul, depois que o primeiro caso de peste suína africana (PSA) foi detectado em um javali no mês passado. Até a tarde desta segunda-feira, o país contabiliza 49 casos da doença em javalis selvagens. Após um aumento de 15% no primeiro semestre do ano, incluindo uma duplicação dos volumes para a China, as exportações de carne suína da UE deveriam aumentar apenas 2% em 2020, disse a Comissão em um relatório de curto prazo agrícola. Em suas previsões anteriores em julho, a Comissão previu um aumento de 10% nos embarques de carne de porco para o ano inteiro. “A evolução das exportações da UE dependerá da capacidade da Alemanha de conter a doença”, disse a Comissão em suas últimas previsões, acrescentando que Dinamarca, Espanha e Holanda “podem preencher parcialmente lacunas no fornecimento para os mercados da China e da Ásia”. Para o próximo ano, projeta uma queda de 10% nas exportações, em parte devido a uma contração esperada na demanda chinesa conforme o país reconstrói seu próprio rebanho suíno que foi dizimado pela PSA. “O crescimento das exportações não teria continuado mesmo sem um surto de PSA na Alemanha”, disse o documento. Para a produção de carne suína da UE, a previsão é de uma queda de 0,5% neste ano, em comparação com a previsão anterior de um aumento de 0,5%. Esperava-se que o surto de PSA na Alemanha diminuísse a recuperação da produção no terceiro trimestre, quando a demanda do consumidor se recuperou após medidas de bloqueio anteriores para conter o novo coronavírus. “Qualquer aumento de produção no quarto trimestre deve vir apenas da Espanha, Dinamarca e Irlanda, que expandiram seus rebanhos, incluindo porcas reprodutoras, em 2019”, disse a Comissão. Para o próximo ano, a previsão é de queda de 1% na produção de carne suína da UE.
Reuters
Ministério confirma ocorrência de foco de peste suína clássica no Piauí
Caso não deve gerar barreiras às exportações brasileiras, já que o Estado está fora da área livre de PSC
O Ministério da Agricultura confirmou a ocorrência de um foco de Peste Suína Clássica (PSC) no Piauí, em um criatório de porcos para subsistência. A Pasta descarta qualquer possibilidade de restrições aos embarques brasileiros de carne suína, já que a região em questão não exporta, e investiga as causas e as ações necessária para a eliminação total do vírus do local. A propriedade, em Parnaíba (PI), foi interditada e o serviço veterinário estadual está adotando os procedimentos determinados pela Pasta para a eliminação do foco, incluindo o sacrifício dos suínos e a desinfecção da propriedade afetada, além de investigações para rastreamento de provável origem e vínculos epidemiológicos. O diagnóstico foi confirmado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Pedro Leopoldo (MG), por meio de diagnóstico molecular (RT-PCR em Tempo Real). O Piauí faz parte da zona não reconhecida como livre de PSC, junto com outros dez estados (Alagoas, Amazonas, Roraima, Pará, Amapá, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco). “Os limites entre as zonas livre e não livre de PSC são protegidos por barreiras naturais e postos de fiscalização, onde procedimentos de vigilância e mitigação de risco para evitar a introdução da doença são adotados continuamente”, informou o ministério. A zona livre de PSC do Brasil concentra mais de 95% de toda a indústria suinícola brasileira, e 100% das exportações de carne e derivados suínos. Não registra ocorrência de casos de PSC desde janeiro de 1998.
VALOR ECONÔMICO
Peste Suína Africana/OIE: 313 novos surtos foram notificados no mundo entre 18/09 e 1/10
A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) informou que 313 novos surtos de peste suína africana foram notificados no mundo entre os dias 18 de setembro e 1º de outubro, ante 293 casos verificados no levantamento anterior
O número total de surtos em andamento subiu de 7.373 para 7.429, sendo 3.902 somente na Romênia e 1.475 no Vietnã. Dos novos surtos, 220 foram notificados na Europa e 93 na Ásia. Na África, não foram informados novos números. Os dados constam de levantamento quinzenal divulgado pela OIE. De acordo com a OIE, surtos novos ou em andamento foram registrados em 25 países. Na Europa, Alemanha, Bulgária, Hungria, Letônia, Moldávia, Polônia, Romênia, Rússia, Sérvia e Ucrânia ainda apresentam a incidência da doença. Na Ásia, China, Índia, Indonésia, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Laos, Mianmar, Papua Nova Guiné, Filipinas, Rússia, Timor Leste e Vietnã tem casos em andamento. Já na África, Namíbia, Nigéria, África do Sul e Zâmbia reportam a presença do vírus. No período de cobertura do levantamento, foram notificadas perdas de 6.692 animais na Polônia, 2.685 na Romênia, 554 na Bulgária, 208 na Sérvia e 12 na Rússia. Na Ásia, foram reportadas perdas de 41.028 animais nas Filipinas, 11 na Rússia e 21 no Vietnã. Na África, não houve registro de perdas.
Estadão Conteúdo
INTERNACIONAL
Exportações de carne bovina da Austrália recuam 31% em setembro
Foram vários os clientes que compraram menos, mas a principal queda no comércio foi com a China
A queda dramática observada nas taxas internas de abate em 2020 foi refletida nas exportações de carne bovina da Austrália, que caíram 31% em comparação com o resultado registrado no mesmo período do ano passado, segundo informa o portal australiano Beef Central, com base em dados divulgados pelo Departamento de Agricultura daquele país. Os embarques australianos atingiram 72,6 mil toneladas no mês passado, o menor volume mensal visto em pelo menos uma década. Na comparação com o resultado de setembro de 2019, de 105 mil toneladas exportadas, a queda foi 44% (ou 33 mil toneladas).No acumulado do ano, a Austrália exportou 793 mil toneladas de carne bovina resfriada e congelada, uma queda de 11% (ou 102 mil toneladas) sobre o volume obtido em igual período do ano passado. Segundo o portal australiano, essa queda nos embarques do país da Oceania será ainda mais forte nos próximos meses, “já que agora é evidente que o acesso ao gado para abate permanecerá muito restrito até pelo menos o próximo ano”. De acordo com o Beef Central, em toda região leste da Austrália há um declínio gradual nas taxas de abate desde abril, quando as matanças semanais estavam em torno de 140.000 cabeças, e atualmente estão lutando para chegar a 100.000 cabeças semanais – um declínio de 40%. A maioria dos principais mercados atendidos pelos exportadores de carne bovina da Austrália foram impactados por menores volumes de vendas no mês passado, mas a queda no comércio com a China foi a mais aguda. Em setembro, os embarques ao mercado chinês atingiram apenas 10,4 mil toneladas, um recuo de 11% em relação ao resultado do mês anterior e retração de 64% sobre as remessas feitas em setembro do ano passado. Um dos motivos apontados foi a maior competição com exportadores da América do Sul, cujos cortes bovinos são vendidos atualmente a preços bem mais baratos que os valores dos produtos australianos. No acumulado do ano, as exportações australianas para a China alcançaram pouco mais de 155 mil toneladas, abaixo das mais de 200 mil toneladas registradas nos mesmos nove meses do ano passado. As exportações australianas para os Estados Unidos também caíram acentuadamente no mês passado, em parte devido à falta de competitividade da carne bovina magra e ao aumento dos embarques de países da América do Sul. O volume total de vendas da Austrália no mês passado ao EUA foi de 15,8 mil toneladas, queda de 13% em relação ao mês anterior e 21% abaixo o volume registrado em igual período do ano passado. No acumulado do ano, as exportações para os EUA chegaram a 172 mil toneladas, retração de 8% sobre o resultado dos primeiros nove meses de 2019.
BeefCentral
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