
Ano 6 | nº 1310| 28 de agosto de 2020
NOTÍCIAS
Preço da carne bovina subiu no varejo
Em São Paulo, após estabilidade na última semana, o mercado varejista de carne fechou os últimos sete dias em alta, com valorização média de 1,2%, considerando todos os cortes pesquisados pela Scot Consultoria
Paraná e Minas Gerais seguiram o viés de alta da praça paulista e fecharam a semana também em alta, com valorizações de 0,6% e 1,4%, respectivamente na média de todos os cortes. Já o varejo carioca apresentou nova queda e a carne ficou 0,9% mais barata para os consumidores, nos supermercados e açougues. Os cortes de maior valor agregado puxaram a alta em São Paulo e Minas Gerais, com destaque para a picanha, que apresentou uma alta média de 5,9% nos últimos sete dias. Para o curto prazo, com a chegada do início do mês e o recebimento dos salários, espera-se um consumo maior na ponta final da cadeia.
SCOT CONSULTORIA
Preços do boi tendem a continuar subindo com oferta curta, diz Safras
Em São Paulo, a arroba está cotada a R$ 235; diferença para as demais praças está diminuindo aos poucos, destaca analista
Os preços do boi gordo voltaram a subir em algumas regiões de produção e comercialização nesta quinta-feira, 27, de acordo com a consultoria Safras. “O ambiente de negócios ainda sugere a continuidade desse movimento no curto prazo”, diz o analista Fernando Henrique Iglesias. Segundo ele, a oferta de animais terminados, pronto para o abate, segue restrita em grande parte do país e, com isso, o processo de redução do spread entre os preços praticados em São Paulo e nas demais praças comercializadoras tem seguimento. “Os frigoríficos vão se deparando com grande dificuldade para alongar suas escalas de abate”, acrescenta Iglesias. De acordo com o analista, outro aspecto que precisa ser considerado é o ótimo fluxo de embarques de carne bovina em 2020, com a China importando volumes bastante substanciais de proteína animal brasileira. Na capital de São Paulo, os preços do boi gordo no mercado à vista passaram de R$ 234 para R$ 235 por arroba. Em Uberaba (MG), subiram de R$ 233 para R$ 234 por arroba. Em Dourados (MS), foram de R$ 226 para R$ 227 por arroba. Em Goiânia (GO), continuaram em R$ 230 por arroba. Em Cuiabá (MT), permaneceram em R$ 216. No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem firmes. Conforme Iglesias, as indicações são de que haverá uma retomada do movimento de alta nos preços na virada do mês, avaliando a entrada da massa salarial na economia como um motivador do consumo. Com isso, a ponta de agulha permaneceu em R$ 13,00 o quilo. O corte dianteiro seguiu em R$ 13,60 o quilo, e o corte traseiro continuou em R$ 15,60 o quilo.
AGÊNCIA SAFRAS
Alta no mercado de bovinos para reposição
Mais uma semana de valorizações no mercado de reposição
Na média de todos os estados monitorados pela Scot Consultoria, entre machos e fêmeas anelorados, a alta foi de 1,1% nos últimos sete dias. A procura por fêmeas segue aquecida. Tomando o início do ano como referência, na média todas as categorias e estados pesquisados, a alta acumulada foi de 47,5%, frente a 36,4% da média das categorias dos machos anelorados. Nesse intervalo, a alta mais significativa foi para a bezerra de desmama anelorada, 50,5%, seguida da novilha (+48,9%).
SCOT CONSULTORIA
CEPEA: Altas do milho e do farelo pioram relação de troca de pecuarista
Apesar de a cotação da arroba seguir em patamar recorde ao longo deste mês, as significativas altas nos valores do milho e do farelo de soja, importantes insumos da alimentação bovina, vêm prejudicando a relação de troca de pecuaristas
Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário é verificado justamente neste momento de entressafra pecuária, quando muitos produtores intensificam o uso do cereal e do derivado de soja na alimentação animal. Na parcial de agosto, a venda de uma arroba (foi considerado o Indicador do boi gordo CEPEA/B3, mercado paulista) possibilita a compra de pouco mais de 16 quilos de milho (Indicador ESALQ/BM&FBovespa, base Campinas-SP), contra 18 quilos em julho. Quanto ao farelo de soja, a venda de uma arroba de boi gordo em São Paulo em agosto permite a aquisição de 8,2 quilos do derivado, menos que o observado no mês anterior (8,42 quilos de farelo).
Cepea
ECONOMIA
Em dia de Fed, dólar sofre correção de baixa
O dólar fechou em queda na quinta-feira, numa correção depois do salto da véspera
Sem fugir do padrão, os negócios mostraram instabilidade. O dólar abriu em leve queda, foi a mínimas depois do discurso do chair do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, tomou fôlego na sequência e cravou a máxima do dia. O mercado à vista encerrou com a moeda em baixa de 0,60%, a 5,5789 reais na venda. Operadores comentaram nesta sessão sobre desmonte de operações casadas de venda de taxa de juros futuros (DI)/compra de dólar. Essa estratégia mantém o investidor apostando em novas quedas dos juros, mas com proteção via compra de dólar. Com sinais de alguma inflação e recorrentes incertezas fiscais, a leitura é que a convicção do mercado na permanência da Selic (atualmente em 2%) em nível tão baixo parece em alguma medida abalada, o que estimula reversão do citado “trade” nos mercados de câmbio e juros. “O vaivém do dólar mostra que o mercado não consegue ter elementos para traçar uma linha de racionalidade”, disse Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora. “Por ora, o que parece mesmo é que não há sinal mais firme sobre evolução de uma agenda de reformas que vise contenção de gastos, e isso mantém a incerteza e a volatilidade”, acrescentou. Powell, do Fed, apresentou nesta quinta-feira uma nova estratégia agressiva para levar os Estados Unidos de volta ao pleno emprego e conduzir a inflação a níveis mais saudáveis. De acordo com a nova abordagem, o Fed buscará atingir uma inflação média de 2%, compensando períodos abaixo de 2% com uma inflação mais alta “por algum tempo”, e garantir que o emprego não fique aquém de seu nível máximo.
REUTERS
Ibovespa fecha estável em sessão com Fed e fiscal ainda no radar
O Ibovespa fechou sem variação na quinta-feira, em sessão sem tendência definida, com anúncio de mudança na estratégia de política monetária nos Estados Unidos, enquanto o cenário fiscal no Brasil manteve agentes financeiros melindrados
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou estável, a 100.623,64 pontos, tendo alcançado 101.547,82 pontos no melhor momento e 99.856,91 pontos na mínima do dia. O volume financeiro somou 22,8 bilhões de reais, abaixo da média diária do mês, de 31,3 bilhões de reais. Nos EUA, o Federal Reserve disse que buscará inflação de 2% em média ao longo do tempo, compensando os períodos abaixo desse percentual com inflação mais alta “por algum tempo”, e garantir que o emprego não fique aquém de seu nível máximo. Apesar de ser “o presente que o mercado esperava”, conforme afirmou o Diretor de Operações da Mirae Asset Pablo Spyer, e ajudar o Ibovespa bater máxima da sessão, não foi suficiente para sustentar o fôlego. Permanentes preocupações com as contas públicas no Brasil continuam minando o sentimento no mercado financeiro e inibindo o avanço na bolsa paulista. “Os riscos fiscais aumentaram e provavelmente permanecerão pendentes para o mercado até que o governo apresente um plano confiável”, afirmou o Julius Baer, em comentário a clientes, reiterando recomendação ‘underweight’ para as ações brasileiras. A agência de rating Moody’s chamou atenção para a questão fiscal, ressaltando que incertezas ligadas ao teto de gastos podem minar a recuperação econômica do país. Na visão do Diretor de Investimentos da Kilima Gestão de Recursos, Eduardo Levy, incertezas com o ambiente político-econômico no país estão reduzindo a liquidez na bolsa. “Investidores estrangeiros e institucionais parecem esperar uma sinalização mais certa para cima ou para baixo do governo, e aí a bolsa fica muito a mercê de fluxos mais leves de pessoas físicas”, acrescentou.
REUTERS
Agro abriu 86,2 mil vagas de trabalho nos primeiros sete meses do ano
Só em julho, setor registrou mais de 23 mil novos postos de trabalho
O setor agropecuário abriu mais de 86,2 mil postos de trabalho de janeiro a julho deste ano, segundo a análise feita pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) a partir dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pela Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia. A agropecuária seguiu liderando a geração de novas vagas de trabalho em 2020 depois de ser o único setor de atividade econômica a abrir vagas no primeiro semestre do ano, com 62.663 no acumulado dos primeiros seis meses. Segundo o levantamento, em julho o setor apresenta novo saldo positivo, com a abertura de mais 23 mil vagas. Os principais segmentos que mais abriram vagas em julho foram produção de lavouras temporárias, produção de lavouras permanentes, hortícolas, criação de bovinos, florestas plantadas, criação de aves e criação de suínos, principalmente nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Bahia.
GLOBO RURAL
Confiança industrial recuperou nível pré-pandemia
Apesar do resultado forte de agosto na maioria dos segmentos pesquisados pela FGV, a dificuldade de recuperação do indicador de tendência dos negócios sinalizou a permanência de muita incerteza entre as empresas
A confiança da indústria no Brasil subiu pelo quarto mês consecutivo em agosto, recuperando quase o total das perdas registradas no auge da crise do coronavírus em meio à melhora na percepção dos empresários sobre o momento atual do setor e suas expectativas, disse a Fundação Getulio Vargas (FGV) na quinta-feira. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) teve alta de 8,9 pontos em agosto, a 98,7 pontos, o que significa uma recuperação de 93,8% das perdas registradas entre março e abril. “A confiança do setor industrial manteve a tendência de recuperação iniciada nos últimos meses de forma consistente e disseminada”, disse em nota Renata de Mello Franco, economista do FGV-Ibre. “A opinião dos empresários sobre a situação dos negócios no momento tem se aproximado cada vez mais do período pré pandemia. Para os próximos meses, os indicadores de expectativas mostram certo otimismo, com mais de 40% do setor prevendo aumento do ritmo de produção”, acrescentou. O Índice de Situação Atual, que mede o sentimento sobre o momento presente no setor industrial, subiu 8,7 pontos em agosto, para 97,8 pontos. Já o Índice de Expectativas — termômetro da percepção dos empresários sobre o futuro da indústria — avançou 9,1 pontos, a 99,6 pontos, nível acima da leitura de março (96,2 pontos).
REUTERS
MEIO AMBIENTE
Brasil tem primeira linha de produtos carne carbono neutro
Parceira do projeto, a Embrapa desenvolveu protocolo para a neutralização das emissões de metano
Foi lançada na quinta-feira (27), a primeira linha de produtos no país com a certificação carne carbono neutro. Desenvolvida pela Embrapa, a carne carbono neutro é um selo de certificação da produção de bovino de corte em sistemas com a plantação obrigatória de árvores como diferencial. Neste sistema, as árvores neutralizam ou absorvem o metano entérico, exalado pelos animais e um dos principais gases causadores do efeito estufa. A criação do gado ocorre de forma integrada com as florestas, sistema silvipastoril, ou com a lavoura e floresta, o chamado agrossilvipastoril. Um estudo realizado na Embrapa Gado de Corte, localizada em Campo Grande (MS), aponta que cerca de 200 árvores por hectare seriam suficientes para neutralizar o metano emitido por 11 bovinos adultos por hectare ao ano, sendo que a taxa de lotação usual no Brasil é de um a 1,2 animal por hectare. Os produtos carne carbono neutro vão chegar ao consumidor brasileiro, por meio da linha de cortes de carne Viva, lançada ontem e resultado de uma parceria da Marfrig com a Embrapa. A compensação é assegurada a partir da certificação e verificação por auditorias independentes. A Marfrig é o primeiro frigorífico do país a lançar uma linha de produtos desse tipo. Para a pesquisadora Fabiana Villa Alves, o consumidor terá acesso a uma carne produzida sem agredir o meio ambiente, prezando o bem-estar animal (as árvores garantem conforto térmico e sombra para o gado), além de ter alta qualidade, sabor e maciez. “A carne carbono neutro é uma iniciativa única no mundo, é a transformação da ciência em um selo comercial”, disse, acrescentando que estão em andamento pesquisas para protocolos de couro carbono neutro e bezerro carbono neutro. O produtor que adota a carne carbono neutro também ganha, conforme Fabiana Villa Alves, com aumento da produtividade, recuperação de pastagens degradadas, conforto térmico para o animal e adoção de um sistema sustentável economicamente viável. Outro benefício é agregação de valor à carne brasileira, impulsionando a exportação para mercados considerados exigentes, como Europa e Estados Unidos. “É um projeto que conta com a participação de 12 centros de pesquisa da Embrapa, envolvendo uma rede de mais de 150 pesquisadores e ainda diversas instituições. O agro será o motor da retomada brasileira e vai precisar de parcerias como essa, unindo esforços dos setores público e privado”, enfatizou Celso Moretti, Presidente da Embrapa. “Ao incentivarmos a produção sustentável geramos valor para a empresa e para a cadeia de negócios. Além disso, o desenvolvimento da carne carbono neutro, em parceria com um dos mais respeitados centros de pesquisa e de inovação do agronegócio mundial – a Embrapa, reafirma o nosso compromisso com quatro dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU”, diz Miguel Gularte, CEO da Marfrig. A empresa investiu cerca de R$ 10 milhões no desenvolvimento dos produtos.
MAPA
FRANGOS & SUÍNOS
Forte alta do preço do suíno vivo compensa ração mais cara
Preço do animal subiu mais de 70% ao longo do ano
Mesmo com a forte alta nos preços dos principais insumos para fabricação de ração na suinocultura (milho e farelo de soja), o poder de compra dos produtores aumentou graças ao preço recorde do suíno vivo. Segundo informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o patamar dos preços em agosto já supera o do mesmo período de 2019. Na quinta-feira, o indicador Cepea/Esalq para o suíno vivo estava em R$ 7,17 o quilo no Paraná, para retirada na granja, alta de 71,12% frente a mesma data de um ano atrás. Em São Paulo, na mesma comparação, mas posto no frigorífico, valia R$ 7,65 o quilo ontem, alta de 74,3%. O que explica o movimento é a oferta restrita de animais para abate e a demanda aquecida da indústria por novos lotes, principalmente para exportação. Em relação ao milho, segundo o Cepea, os preços seguem também valorizados desde junho, mesmo com a colheita da segunda safra avançada e com estimativas apontando produção recorde no país. Para o farelo de soja, a elevação se deve, principalmente, segundo o Cepea, ao aumento no preço da matéria-prima e à demanda doméstica aquecida e direcionada justamente à dieta de aves e suínos.
VALOR ECONÔMICO
Cotação do suíno: alta de 5,8% nas granjas em São Paulo em uma semana
A oferta ajustada de animais e as exportações firmes seguem ditando os preços
Nas granjas paulistas, o animal terminado está cotado em R$145,00/@, incremento de 5,8% ou R$8,00/@ em sete dias. No atacado, o produto teve leve valorização no período, 0,9% ou R$0,10/kg, cotado em R$10,90/kg. Até a terceira semana de agosto foram exportadas 62,4 mil toneladas de carne in natura, volume 27,3% superior ao exportado em agosto de 2019 (Secex).
SCOT CONSULTORIA
INTERNACIONAL
Acordo Mercosul-UE parece que “começa a fazer água”, diz Mourão
Ao defender que haja uma equipe em condições de manter as negociações de forma permanente formada por membros do Mercosul e da UE, Mourão apontou o que considera ruídos na comunicação, citando notícias sobre “dúvidas” da chanceler alemã, Angela Merkel, sobre o acordo, devido, principalmente, à política ambiental do Brasil. Segundo o Vice-Presidente, a chanceler teria sido “cobrada” pela ativista sueca Greta Thunberg
O Vice-Presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou na quinta-feira que a despeito do esforço realizado no ano passado, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia parece que “começa a fazer água”. Na avaliação do Vice-Presidente, o Mercosul passa por um momento “particularmente complicado”, em especial diante da crise vivida pela Argentina, seja em relação à sua dívida seja por conta da crescente taxa de novas contaminações por coronavírus. “O grande esforço que foi feito no ano passado da articulação desse acordo Mercosul-União Europeia parece que começa a fazer água”, disse Mourão em mesa redonda organizada pela Federação das Câmaras de Comércio Exterior, em parceria com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio de Janeiro. Os dois blocos assinaram em junho do ano passado um acordo preliminar de livre comércio, após duas décadas de negociações, pendente de aprovação pelos governos europeus e pelo Parlamento Europeu, o que tem se arrastado sem avanços significativos desde então. Mercosul e UE começaram a negociar há 20 anos, com diversos governos envolvidos nas conversas, mas os esforços foram intensificados após a eleição do presidente dos EUA, Donald Trump, quando a UE suspendeu negociações com o governo norte-americano e se voltou para outros aliados comerciais globais. No início deste mês, o Diretor-Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, reconheceu que o momento político atual não é o mais favorável para o acordo comercial, mas recomendou que ambas as partes mantenham o senso de urgência e pensem no longo prazo para a oportunidade não ser perdida.
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