
Ano 4 | nº 693 | 20 de fevereiro de 2018
NOTÍCIAS
Governo deve prorrogar adesão ao Funrural até 15 de maio
A medida atende pleito da bancada ruralista, que argumenta que uma série de ‘pendências’ inviabilizam a adesão até 28 de fevereiro, quando acabaria o prazo
O governo deve prorrogar em 75 dias o prazo de adesão ao programa de parcelamento de dívidas de produtores com o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), informou na noite desta segunda-feira, 19, o líder do governo no Congresso Nacional, deputado André Moura (PSC-SE). A prorrogação deve ser aprovada junto com a votação da Medida Provisória (MP) que instituiu o programa e que será votada até a próxima semana na Câmara e no Senado. A medida atende pleito da bancada ruralista, que argumenta que uma série de “pendências” inviabilizam a adesão até 28 de fevereiro, quando acabaria o prazo. Na semana passada, integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) enviaram ofício ao presidente Michel Temer pedindo a prorrogação da adesão ao Refis da contribuição, que é paga pelos empregadores para ajudar a custear a aposentadoria dos trabalhadores e que incide sobre a receita bruta da comercialização da produção. “Não há condição de os produtores aderirem. A Receita (Federal) não regulamentou ainda a lei, tem vetos a serem apreciados, tem decisões judiciais pendentes, não se sabe como cobrar a dívida. Está um pânico no meio rural.”, disse o deputado federal Jerônimo Goegen (PP-RS), coordenador da frente e responsável por enviar o ofício a Temer pedindo a prorrogação do prazo. O projeto criando o programa foi sancionado pelo presidente em 9 de janeiro. Ele sancionou a proposta com 24 vetos, entre eles, aos descontos de 100% de multas dados pelos parlamentares – a proposta original previa abatimento de 25%. Na justificativa, Temer argumentou que as mudanças propostas pelos parlamentares iam na contramão do ajuste fiscal e “desrespeitam” contribuintes que pagaram em dia. A previsão é de que os vetos sejam votados pelo Congresso em 22 de fevereiro. A lei que permite o parcelamento das dívidas com o Funural prevê a quitação dos débitos vencidos até 30 de agosto de 2017. A adesão ao programa seria aceita até 28 de fevereiro de 2018. O produtor rural que aderir ao programa terá de pagar 2,5% da dívida consolidada em até duas parcelas iguais, mensais e sucessivas. O restante poderá ser parcelada em até 176 prestações. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária estiveram com o presidente do Senado pedindo urgência na análise dos vetos presidenciais feitos na sanção da Lei 13.606/2018 que trata do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural). “Não posso pautar antes do dia 20 porque já tenho um acerto com o governo para não pautar nada. Mas vamos analisar os vetos no dia 22 de fevereiro”, disse o senador Eunício de Oliveira, residente do Senado. Tereza Cristina, a nova presidente do FPA, que toma posse nesta terça-feira, informou sobre a possibilidade de o Planalto publicar uma nova medida provisória com a ampliação do prazo de adesão ao programa, que vence no dia 28 de fevereiro. “Desde janeiro colocamos a dificuldade desta data tão próxima pela complexidade de cada produtor rural. O Ministro Carlos Marun está ciente do pleito”, destacou. O deputado Sérgio Souza (PMDB-PR) esclareceu que a bancada vai trabalhar pela derrubada dos vetos aos descontos de juros e multas, além da redução da alíquota de contribuição para pessoa jurídica. De acordo com o texto sancionado, apenas pessoas físicas terão redução de 40%. “É inadmissível que o produtor rural pague valores diferentes. Estamos falamos de produção agrícola, não pode ser diferente porque encarece o processo todo”, ressaltou.
ESTADÃO/Ag. Brasil
Boi gordo: preço da arroba sobe no Brasil apesar do lento escoamento
O mercado físico do boi gordo voltou a se deparar com preços um pouco mais altos no decorrer da segunda-feira, dia 19, segundo a Safras & Mercado
Alguns frigoríficos optaram por reajustar os preços de balcão apesar do lento escoamento da carne. “A oferta de animais terminados ainda é tímida, considerando a excelente condição das pastagens neste momento, permitindo ao pecuarista reter os animais. O impasse entre criadores e frigoríficos continua e deve perdurar ao menos até o próximo período de virada de mês”, observou Fernando Iglesias, analista da consultoria. Já o mercado atacadista segue apresentando acomodação dos preços. O escoamento da carne ainda flui com grande lentidão, o que costuma ser normal durante a segunda quinzena. “A dinâmica de mercado aponta para mudanças mais contundentes durante a próxima virada de mês”, ressaltou.
Boi gordo no mercado físico – R$ por arroba
Araçatuba (SP): 146,00
Belo Horizonte (MG): 136,00
Goiânia (GO): 134,00
Dourados (MS): 133,00
Mato Grosso: 128,00 – 132,00
Marabá (PA): 128,00
Rio Grande do Sul (oeste): 4,85 (kg)
Paraná (noroeste): 143,00
Tocantins (norte): 126,00
CANAL RURAL
Calmaria no mercado do boi gordo
A última segunda-feira (19/2) foi marcada pelo marasmo no mercado do boi gordo. Os frigoríficos e os pecuaristas aguardavam melhor definição do mercado
Os frigoríficos estão com escalas de abate curtas e com dificuldade para adquirir boiadas em preços abaixo da referência. Por outro lado, ofertas de compra acima dessas referências estão limitadas, o que explica esse impasse. Em São Paulo, a referência para o boi gordo ficou em R$146,00/@, à vista, livre de Funrural, alta de 0,7% desde o início do mês. No mercado atacadista, o boi casado de animais castrados ficou cotado em R$9,79/kg.
SCOT CONSULTORIA
Carne bovina: carne sem osso em alta pela primeira vez no atacado em 2018
Mercado de carne bovina em alta no atacado. Em sete semanas, esta é a primeira de 2018 com ajuste positivo nos preços. No acumulado dos últimos sete dias a valorização média foi de 0,7%
O feriado “tirou” parte dos pecuaristas dos negócios, fez as escalas de abate encurtarem, enxugou os estoques de carne e ajudou na tão esperada recuperação de vendas. Essa combinação interrompeu a trajetória de baixa que persistia desde o começo de janeiro. Até então, normal para aquele período. Os preços médios atuais são 3,3% maiores (mais de um ponto percentual acima da inflação) que os medidos em 2017, logo após este mesmo feriado. É importante ponderar, porém, que esta recuperação semanal foi fortemente pautada em reajustes dos cortes de dianteiro, que subiram 2,3% e são produtos de menor valor agregado. Isso pode indicar que a recuperação no poder de compra da população ainda está no início. Enfim, é só o primeiro ato de um mercado cuja única expectativa é de melhora, depois de dois anos castigados pela crise e pelo varejo “fraco”. É preciso aguardar para ver a consistência e a constância desta trajetória que determinará o mercado do boi gordo em 2018.
SCOT CONSULTORIA
Valor da produção agropecuária de 2018 é de R$ 516,6 bilhões
As lavouras apresentam redução real de 6,2% e a pecuária, de 2,3%. Mato Grosso supera São Paulo e passa a apresentar valor maior impactando também a região Centro-Oeste como um todo
A primeira estimativa do valor bruto da produção agropecuária (VBP) para 2018 é de R$ 516,6 bilhões, abaixo 4,9% do valor de 2017 (R$ 543,3 bilhões). As lavouras apresentam redução real de 6,2% e a pecuária, de 2,3%. Os dados foram divulgados na sexta-feira (16) pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). De acordo com o Coordenador-Geral de Estudos e Análises da SPA, José Garcia Gasques, parte dessa diferença entre as estimativas deve-se ao fato de o ano passado ter sido excepcional, tendo obtido o maior valor desde o início da série dessas informações. Nos levantamentos realizados pela Conab, sempre foram destacadas na produção da safra anterior as condições climáticas muito favoráveis. Outro aspecto, é o fato do mês de janeiro ser ainda quase um início da safra do ano, portanto, com informações ainda incompletas. Os produtos com melhor desempenho são algodão, com aumento real de 15% no valor, batata inglesa (11,1%), cacau (44,5%), café (5,8%), tomate (36,1%) e trigo (49%). Na pecuária, destaca-se carne bovina com desempenho positivo, depois de registrar durante o ano passado preços em baixa. O grupo de produtos com redução do valor da produção inclui o amendoim (-7,1%), arroz (-16,4%), banana (-13,1%), cana-de-açúcar (-13,2%), feijão (-22,4%), laranja (-29,4), milho (-13%) e uva (-24,8%). Entre esse grupo, cana, laranja e milho tiveram em 2017 resultados excepcionais, que não estão se repetindo. Como são produtos que têm participação expressiva no VBP, explica Gasques, a redução do valor afeta os resultados deste ano. Na pecuária, os resultados de suínos, frango, leite e ovos também são inferiores aos de 2017. Para esses, os preços mais baixos no período têm contribuído para um VBP mais baixo. Entre os diversos produtos analisados, soja, cana-de-açúcar, milho, algodão e café respondem por 52% do VBP de 2018, devendo gerar R$ 267,7 bilhões. Os estados de Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul representam 58% do valor da produção, observando que neste ano, Mato Grosso apresenta um VBP maior do que o de São Paulo. Observando os resultados por região do país, a liderança passa a ser ocupada pelo Centro Oeste, seguida pelo Sul, Sudeste, Nordeste e Norte. Veja os números do VBP nacional e regional.
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