
Ano 3 | nº 621 | 19 de outubro de 2017
ABRAFRIGO
O Presidente Executivo da ABRAFRIGO, Péricles Salazar, participou do Seminário “Cadeia Produtiva da Carne” no dia 18 de outubro, realizado na Federação das Indústrias do Estado da Bahia, numa promoção do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados daquele estado (SINCAR). Durante o evento ocorreu também a cerimônia de posse da diretoria do SINCAR para o período 2017/2020, com a posse do Sr. Júlio César Melo de Farias, reeleito presidente da entidade.
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo indefinido com saída de parte dos compradores do mercado
A paralização dos frigoríficos do JBS no Mato Grosso do Sul mexeu com o mercado
Em Campo Grande-MS e em Três Lagoas-MS, até o fechamento da última quarta-feira (18/10), os compradores não tinham aberto as ofertas de compra. A paralização de um grande comprador do mercado, além de naturalmente resultar em mais oferta para as outras indústrias, gera um cenário de instabilidade. Esse quadro fez com que os compradores de outros frigoríficos se retraíssem, pois, querendo ou não a oportunidade de comprar pagando menos se estabeleceu. Portanto, como os frigoríficos “não abriram preços” hoje, as referências nestas praças foram mantidas iguais às de ontem, últimos negócios realizados. Em São Paulo, comportamento incomum. Em pleno meio de semana, quando a quantidade de negócios aumenta, uma parte considerável dos frigoríficos estão fora das compras. Como muitos deles completam parte das escalas de abate com bovinos do Mato Grosso do Sul, alguns compradores paulistas também estão aguardando a resposta do mercado diante da paralização do JBS. Nas demais praças, onde aparentemente os negócios acontecem normalmente, as compras estão comedidas, sem ímpeto para alongar a escala de abate.
SCOT CONSULTORIA
Exportação de bovinos vivos tem queda de 64,2%
Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), em setembro último, o Brasil exportou 19,6 mil cabeças de bovinos vivos, resultando em um faturamento total de 12,24 milhões de dólares
Na comparação com o mês anterior, houve queda de 68,7% de faturamento, o que corresponde a 26,8 milhões de dólares. Em relação a quantidade de cabeças exportadas, a redução foi de 64,2%, ou seja, 35,1 mil animais. Os dois principais países que colaboram com esse cenário foram o Líbano, que importou 7,4 mil cabeças a menos do que em agosto, e o Iraque, que importou 7,8 mil cabeças a menos.
SCOT CONSULTORIA
Mercado acompanha situação da JBS em Mato Grosso do Sul
O mercado pecuário volta hoje sua atenção para Mato Grosso do Sul e a dinâmica das negociações após a JBS ter anunciado ontem a interrupção das operações de compra e abate de bois no Estado
A empresa é responsável por cerca de 50% dos abates na região e a decisão de paralisar pode se refletir nos vizinhos, já que pecuaristas vão tentar escoar sua produção para locais como São Paulo e Mato Grosso. No entanto, tudo depende de quanto tempo esta paralisação irá durar. Quanto mais rápido for revertida, menor será sua influência sobre os preços da arroba. A JBS alegou insegurança jurídica no Estado. Valores da empresa foram bloqueados judicialmente a pedido da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Irregularidades Fiscais de Tributárias, conduzida por deputados da Assembleia Legislativa. Na terça-feira, as indicações recuaram novamente em São Paulo. A XP Investimentos afirma que os estoques estão aumentando, e as indústrias desaceleraram as compras. “As margens operacionais apertadas também não estimulam o abate e boa parte das indústrias, inclusive, possui programações completas para semana”, diz. A XP relatou negócios a R$139,58/arroba à vista, queda de R$0,47/dia. A Scot Consultoria afirma que, apesar de não ser abundante, a oferta de boiadas é suficiente para atender a demanda vigente. “Com a menor necessidade de adquirir matéria-prima, as indústrias tiram proveito dessa situação e ofertam preços menores para arroba do boi gordo”, afirmou. A Scot Consultoria reduziu em R$0,50 sua indicação para Barretos e Araçatuba, que está agora em R$140,00/arroba à vista. A Informa Economics reafirmou R$142,00 no pagamento a prazo para o noroeste do Estado e afirmou que a maioria das indústrias frigoríficas opera com escalas de abate atendendo entre cinco e sete dias, o que permite uma posição mais comedida no mercado. O indicador do boi gordo Esalq/BM&F ficou em R$139,50 a arroba, queda de 1,09% no dia. A prazo, a cotação ficou em R$140,69/arroba (-1,41%). Na B3, os contratos futuros do boi gordo também cederam. O vencimento outubro perdeu R$0,60 e encerrou a R$138,75. O novembro fechou o pregão a R$139,00 (-0,70). A Informa Economics afirma que em Mato Grosso as indústrias conseguiram emplacar preços mais baixos, e continuarão testando valores ainda menores para os próximos dias. Em Cuiabá (MT), a indicação ficou em R$129,00/arroba à vista. Na segunda-feira, pelo levantamento da Scot, os preços caíram em quatro das praças pesquisadas diariamente. A indicação recuou para R$132,00/arroba à vista em Goiânia (GO) e no sudeste de Mato Grosso, para R$127,00/arroba à vista. No atacado, o boi casado de animais castrados fechou estável, segundo o levantamento diário da Scot. A carcaça de animais castrados está cotada em R$9,25/Kg.
ESTADÃO
EMPRESAS
MS: paralisação da JBS é forma de pressão
Em comunicado, CPI afirmou que interrupção não contribui para a solução das pendências da empresa
A Comissão Parlamentar de Inquérito das Irregularidades Fiscais e Tributárias da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (CPI da JBS) divulgou comunicado nesta quarta-feira, 18, no qual informa que recebeu com “perplexidade” a decisão da JBS de paralisar suas atividades de compra e abate de gado bovino em Mato Grosso do Sul. “Essa paralisação é instrumento de pressão que em nada contribui para a solução das pendências que a empresa tem com o Estado de Mato Grosso do Sul”, argumenta a comissão, no comunicado. Na terça, a JBS anunciou a paralisação, a partir desta quarta, das atividades de suas sete unidades de carne de bovina no Estado. A companhia teve cerca de R$ 620 milhões bloqueados pela Justiça sul-mato-grossense. “Ao invés de agir para colocar medo em produtores e em seus funcionários, a JBS deveria se dispor a dialogar com a CPI e a apresentar caminho para a solução consensual da questão, indicando forma de pagamento dos valores que deve ao Estado e garantias reais para assegurar o cumprimento dessas obrigações”, expõe a CPI. O comunicado esclarece, ainda, que a comissão está à disposição para, “perante o Poder Judiciário”, reunir-se com a JBS para encontrar uma solução que assegure o efetivo ressarcimento do Estado, a preservação da atividade de abate de animais e os empregos dos trabalhadores. Na nota divulgada na terça pela JBS, a empresa informou que os trabalhadores vão continuar recebendo seus salários até que a companhia tenha uma definição sobre o tema. “A JBS esclarece que está empenhando seus melhores esforços para a manutenção da normalidade das suas operações e trabalha para proteger seus 15 mil colaboradores diretos e 60 mil indiretos em Mato Grosso do Sul.”
ESTADÃO CONTEÚDO
Cade veta acordo entre JBJ e Mataboi
A decisão é um novo revés contra os esforços da família Batista
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vetou por unanimidade nesta quarta-feira a compra da processadora de carnes Mataboi Alimentos pela JBJ Agropecuária, em mais um revés contra a bilionária família Batista. A JBJ é propriedade de José Batista Jr., cujos irmãos controlam a maior processadora de carnes do mundo, a JBS, através da holding J&F Investimentos. Os laços familiares de Batista Jr. teriam permitido que a JBJ trocasse informações valiosas com a JBS e coordenasse decisões estratégicas para sufocar a concorrência, argumentou o conselho. A análise está alinhada com a Superintendência-Geral do Cade, que em setembro alertou sobre os riscos, apesar da falta de laços formais entre ambas a JBS e a Mataboi, quarta maior processadora de carnes do Brasil. Batista Jr. vendeu suas ações na J&F para seus irmãos Joesley e Wesley em 2013. Dois anos depois, a JBJ concordou em comprar a totalidade da Fratelli Dorazio Investimentos, como a proprietária do Mataboi era então conhecida, por um valor não revelado. A decisão é um novo revés contra os esforços da família Batista para se fortalecer após um escândalo de corrupção, cinco meses após Joesley e Wesley terem admitido subornos a quase 2 mil políticos.
Cade manda JBJ se desfazer do Mataboi
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou que a JBJ se desfaça do Mataboi
A decisão foi tomada ontem em sessão do conselho da autoridade antitruste. Todos os conselheiros votaram contra o negócio, que terá de ser anulado em 30 dias. Entretanto, as empresas devem levar o caso à Justiça comum para tentar reverter a decisão. A decisão foi baseada na possibilidade de a JBJ, de propriedade de José Batista Junior, atuar em consonância com a JBS, na qual o empresário já teve participação e é controlada por seus irmãos, Joesley e Wesley Batista. “Os incentivos para coordenação decorrentes da relação familiar são substancialmente reforçados, de modo que a participação das duas empresas é somada na análise concorrencial”, avaliou o Cade. O patriarca da família Batista, José Batista Sobrinho, atualmente preside a JBS, maior empresa do segmento de carne bovina do país. “Ato de concentração [como são chamadas as fusões e aquisições no jargão antitruste] é um controle preventivo de comportamentos. Uma operação reprovada pelo Cade não significa que requerentes cometeram ato lesivo”, afirmou o órgão. A tese foi levantada pela Superintendência-Geral (SG) do Cade ao enviar o caso para o plenário que fez sua análise incluindo JBJ e JBS em um mesmo grupo econômico. Em seu parecer, a superintendência destacou como indicativo de atuação coordenada entre as duas empresas a eleição do dono da JBJ para o cargo de presidente interino da JBS, em setembro de 2016. Priscila Gonçalves, advogada que representa JBJ e Mataboi, discordou da análise da SG. “A intenção dele [José Batista Júnior] é separar a vida familiar da empresarial. Por isso usou os recursos da venda de sua participação na JBS para comprar sua própria empresa. A tese da coordenação não tem nenhuma evidência nos autos”, afirmou. “Diante da falta de evidências, é complicado sustentar que existe coordenação entre esses grupos com base apenas nas relações de parentesco. É um caso em que influência externa não foi demonstrada”, disse.
VALOR ECONÔMICO
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