
Ano 3 | nº 620 | 18 de outubro de 2017
NOTÍCIAS
Preço do boi gordo volta a cair com escoamento lento
O mercado físico do boi gordo ficou com preços mais baixos em praticamente todas as regiões nesta terça-feira, 17, segundo a consultoria Safras & Mercado
Os frigoríficos seguem reduzindo sistematicamente os preços de balcão. A estratégia das unidades produtoras é natural, uma vez que o escoamento da carne bovina entre as cadeias ainda é lento e a oferta vem aumentando. As escalas de abate estão posicionadas entre quatro a cinco dias, em média. De acordo com a Scot Consultoria, até o momento, a expectativa de preços mais firmes no mercado em outubro, como ocorre sazonalmente, não aconteceu. No curto prazo, a intensidade da demanda pela carne determinará o rumo do mercado do boi gordo. Já o mercado atacadista seguiu com preços estáveis. O ambiente de negócios permanece muito lento, situação que sugere nova queda das indicações no curto prazo.
CANAL RURAL
Baixa demanda e tentativas de compra abaixo da referência no mercado do boi gordo
Apesar de não ser abundante, a oferta de boiadas é suficiente para atender a demanda vigente
Com a menor necessidade de adquirir matéria-prima, as indústrias tiram proveito dessa situação e ofertam preços menores para arroba do boi gordo. Entretanto, o volume de negócios efetivos é baixo, mas vale ressaltar que, pontualmente, não há maior interesse de alongamento nas escalas por parte dos frigoríficos. Diante desse cenário de baixo consumo, nas duas praças de São Paulo pesquisadas pela Scot Consultoria, desde o início de outubro a arroba do boi gordo desvalorizou 1,1% e está cotada, em R$140,00, à vista, livre de Funrural. Até o momento, a expectativa de preços mais firmes no mercado em outubro, como ocorre sazonalmente, não aconteceu. Em curto prazo, a intensidade da demanda pela carne bovina determinará o rumo do mercado do boi gordo.
SCOT CONSULTORIA
Apesar de redução de imposto, supermercados não devem reduzir preço de carne
Apesar da redução do governo do Estado de São Paulo da cobrança de imposto sobre circulação de mercadorias (ICMS) nas vendas de carnes, os donos de supermercados avaliam que, na prática, o preço do produto não deve cair para os consumidores finais
Isso porque, segundo a visão da Associação Paulista de Supermercados (Apas), parte dos impactos da elevação da alíquota este ano foi absorvida pelos varejistas, que “sacrificaram margens de lucro”. Na opinião da entidade, o efeito da diminuição da alíquota de ICMS de 11% para 4,5% no preço pode vir a ser anulado com um possível aumento dos preços do gado. No primeiro semestre deste ano, os preços recuaram em meio ao impacto da Operação Carne Fraca. No último dia 29, por meio do Decreto nº 62.843, o governo alterou a alíquota do ICMS na saída do produto para 4,5%, atendendo parte dos pleitos do setor supermercadista. A entidade vinha em negociações com o governo desde dezembro de 2016, quando se estabeleceu em 11% o ICMS das carnes nas vendas ao consumidor final. A nova alíquota de 4,5% iguala a situação dos supermercados a de outros formatos de varejo, como açougues. Essa equivalência era a principal demanda dos supermercados, que acreditavam que o porcentual tributado anteriormente provocava uma “concorrência desleal” entre diferentes tipos de varejo.
Estadão
Demanda por sebo bovino aumentando
A demanda por sebo bovino vem melhorando e dando firmeza ao mercado
Entretanto, até o momento esta melhora na demanda não se traduziu em valorização dos preços do produto, que ficaram estáveis na última semana. Tanto no Brasil Central como no Rio Grande do Sul o sebo está cotado, em média, em R$2,15/kg, livre de imposto, segundo levantamento da Scot Consultoria. Apesar do viés altista, os preços vigentes estão 15,7% menores na comparação com o mesmo período em 2016, considerando o Brasil Central.
SCOT CONSULTORIA
EMPRESAS
JBS suspende as operações de sete frigoríficos em MS
A JBS suspenderá a partir de hoje as operações em seus sete frigoríficos de bovinos que estão em operação em Mato Grosso do Sul
A empresa alega insegurança jurídica, após ter mais de R$ 620 milhões bloqueados na Justiça a pedido da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Estado que investiga irregularidades na área tributária. Em nota, a JBS informou que as atividades no Estado, que abriga o quarto maior rebanho bovino do país, ficarão paralisadas por tempo indeterminado. A JBS possui cerca de 15 mil funcionários em Mato Grosso do Sul, além de gerar 60 mil empregos indiretos. Segundo a empresa, os funcionários continuarão recebendo normalmente seus salários até uma definição sobre o caso. “A JBS esclarece que está empenhando seus melhores esforços para a manutenção da normalidade das suas operações”, informou a companhia, por meio de sua assessoria. A medida deve afetar os preços do boi no Estado, onde a empresa também lidera a produção de carne bovina. A paralisação temporária dos frigoríficos da JBS em Mato Grosso do Sul vem gerando polêmica no Estado. Ontem, funcionários da empresa fizeram um protesto na Assembleia Legislativa, em Campo Grande. O atual governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), foi citado pelo empresário Wesley Batista, ex-presidente da JBS que está preso preventivamente, como um dos políticos que teriam recebido propina para conceder benefícios fiscais à empresa. A CPI que investiga as irregularidades fiscais foi criada em junho, após a divulgação da delação dos irmãos Batista.
Valor Econômico
Intenção da JBS ainda é realizar IPO em Nova York em 2018
O plano da JBS de abrir o capital da JBS Foods Internacional nos EUA continua de pé. A intenção ainda é listar a subsidiária na bolsa de Nova York em 2018, afirmou uma fonte próxima à companhia ao Valor
Carta enviada na sexta-feira pela JBS à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão que regula o mercado de capitais dos EUA, gerou dúvidas ontem no mercado e a desistência do IPO foi aventada como consequência das dificuldades geradas após a prisão dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da empresa brasileira de carne. Na carta, o COO da JBS, Gilberto Tomazoni, solicitou a retirada do pedido de registro do IPO, que havia sido protocolado em dezembro do ano passado. Procurada, a JBS informou que a carta é uma “questão processual” e que a listagem de uma das afiliadas da companhia ainda é vista como o “caminho certo” para gerar valor aos acionistas. “Como o nosso horizonte passou para 2018, é muito mais eficiente mandarmos uma carta dizendo para suspender o processo”, argumentou a fonte. Enquanto o pedido de registro da oferta estivesse ativo, a JBS teria de fazer atualizações periódicas de documentos, além de incorrer em custos com advogados. Vale lembrar também que a JBS ainda não conta com balanços assinados pelo auditor desde que a delação veio a público, em maio. Ter o balanço auditado é essencial para o IPO. Na carta enviada ao órgão regulador americano, a JBS pediu que as taxas que já foram pagas no contexto do pedido de registro de IPO sejam “creditadas” para uso futuro por qualquer subsidiária da companhia. No plano original do IPO, a subsidiária JBS Foods International reuniria todos os negócios da JBS, com exceção das operações de couro e carne bovina no Brasil. A JBS Foods Internacional tem sede na Holanda.
Valor Econômico
Cade deve reprovar venda ‘de irmão para irmão’ em negócio envolvendo a JBS
Joesley Batista negociou a Mataboi com a empresa de José Batista Júnior, mas fontes dizem que órgão governamental deve barrar o negócio. Advogados das empresas chegaram a propor um acordo para permitir a aprovação da operação
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) tende a reprovar a compra da Mataboi pela JBJ, empresa de José Batista Júnior, irmão de Joesley Batista. Segundo fontes que acompanham o caso, os advogados das empresas chegaram a propor um acordo para permitir a aprovação da operação, mas as negociações não avançaram. Depois de ser envolvido na delação de executivos da JBS, o Cade julgará o caso amanhã. Apesar de a JBJ ser uma empresa independente da JBS, o conselho vê problemas na operação justamente pelo parentesco entre os donos dos dois grupos, já que a compra de mais um frigorífico poderia aumentar indiretamente a concentração de mercado da empresa de Joesley por meio de troca de informações e combinações entre os irmãos. Ontem, advogados se reuniram com o relator do processo, Alexandre Cordeiro. A empresa sugeriu adotar políticas de governança que barrassem a troca de informações entre JBJ e JBS. O caso ainda será discutido pelo relator com os demais conselheiros amanhã antes de ir a julgamento. Além de decidir se reprova ou não a operação, o conselho também terá de definir que destino dará para a Mataboi: se determina a devolução da empresa aos antigos donos, que já manifestaram não ter interesse, ou a venda a uma terceira empresa. Um dos fundadores da JBS, Batista Júnior, conhecido como Júnior Friboi, comprou a Mataboi em 2014, quando o frigorífico estava em recuperação judicial. O movimento ocorreu após ele deixar o grupo JBS em 2013 com planos de concorrer ao governo de Goiás, que não se concretizaram. As três plantas compradas da Mataboi formam todos os ativos frigoríficos da JBJ, que tem também fazendas de gado para abate e empreendimentos imobiliários. A operação só foi notificada ao Cade em 12 de novembro de 2016, fora dos prazos legais. Com isso, o tribunal multou as empresas em R$ 664 mil no fim do ano passado. O Presidente atual da Mataboi, José Augusto Carvalho, indicado pela JBJ após a compra da empresa, disse ao Estadão/Broadcast ter esperança de que a operação poderá ser aprovada. “Essa não é uma operação da JBS, são empresas independentes. Não observamos essa preocupação que o Cade tem porque não é o mesmo grupo econômico e nossa operação é pequena, não é comparável à JBS”, afirmou. Na semana passada, advogados da JBJ recorreram ao Cade alegando que o prazo de análise do caso (de até 330 dias) já tinha expirado, o que garantiria a aprovação automática da operação. O conselho ainda não julgou o pedido, mas deverá negá-lo. Em setembro, a superintendência do Cade emitiu parecer ressaltando que, mesmo sem relação societária entre a JBS e a JBJ, o parentesco de Júnior com os donos da JBS, líder no mercado brasileiro no abate e comercialização de carne in natura, e ações como a indicação do empresário para a presidência da JBS na ausência de seus irmãos são “evidências de uma potencial atuação coordenada entre as empresas após a conclusão da operação”.
Em decisões anteriores, o Cade já havia determinado que a JBS não poderia adquirir novos frigoríficos por estar com a participação nesse mercado no limite do “concorrencialmente saudável”.
ESTADÃO CONTEÚDO
INTERNACIONAL
Franceses usarão Operação Carne Fraca contra Mercosul
Os problemas de controle sanitário encontrados na Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, são o principal argumento a ser usado pela França para tentar modificar o mandato dado à Comissão Europeia para negociar o acordo comercial com o Mercosul
“O mundo mudou nos últimos anos e a segurança alimentar é um tema de grande importância”, disse o embaixador francês no Brasil, Michel Miraillet. Os franceses pretendem levantar essa questão no Conselho Europeu, que reunirá os líderes do continente nesta semana em Bruxelas. Deverão propor que as negociações ocorram num cronograma diferente. E que a questão de segurança alimentar seja incluída nas discussões. A ideia de adiar o fim das negociações foi levantada pelo Presidente da França, Emmanuel Macron, na quarta-feira. Num evento com produtores agrícolas, ele afirmou que não é a favor de correr para fechar o acordo em dezembro – uma meta que havia sido aceita pelos dois lados da negociação. Agora, já se admite reservadamente que dificilmente será cumprida. “Nós queremos o acordo”, afirmou o embaixador. “Mas não a qualquer preço”. Depois de ressalvar, como ponto positivo, que os problemas da Carne Fraca foram levantados pelo próprio governo brasileiro, Miraillet disse que “nada” foi feito a respeito. E que essa é uma questão que preocupa o consumidor europeu. Fontes do lado brasileiro classificaram o movimento da França como uma manobra protelatória, reflexo das tradicionais pressões dos produtores agrícolas locais sobre o governo. Elas avaliam que a proposta francesa tem pouca chance de prosperar, porque ela é apoiada por um grupo pequeno de países. Para modificar o mandato negociador, é preciso que haja consenso dos 28 países-membros do bloco europeu. Se a União Europeia abrir discussões sobre o mandato negociador, o Mercosul fará o mesmo, dizem fontes. Isso, na prática, jogará o fim das negociações, que se arrastam desde 1999, para uma data indefinida. A carne brasileira, explicam, só ingressa na União Europeia se estiver de acordo com as regras sanitárias que ela aplica a seus fornecedores do mundo inteiro. Do contrário, a carga é rejeitada. E não é possível ao bloco europeu estabelecer regras diferentes só para o Mercosul.
Estadão
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