
Ano 3 | nº 622 | 20 de outubro de 2017
NOTÍCIAS
Demanda fraca por carnes pressiona cotação da arroba
Preços médios recuam na primeira quinzena do mês
Alex Santos Lopes, analista da Scot Consultoria, destaca que, ao contrário do que era aguardado pelo mercado, os preços para o boi gordo vieram com ajuste negativo em algumas praças nessa primeira quinzena de outubro, refletindo uma situação de desalinho da oferta e da demanda, na qual os frigoríficos não estão demandando boi em função das vendas de carne, pouco aquecidas. O cenário não é consolidado em todo o país, mas mexe com todo o mercado do boi neste momento. O preço médio da carne sem osso, de R$17,62, se desvalorizou em relação à primeira quinzena de setembro, que anotava R$17,74. Em São Paulo, os preços do boi gordo giram em torno de R$140,50/@ à vista e R$142,50/@ a prazo. No Mato Grosso do Sul, R$133/@ a R$134/@ à vista. Em Goiás, R$134/@ à vista e no Triângulo Mineiro, R$137/@ à vista. Todos os preços divulgados pela Scot são livres de Funrural. A situação pode chegar a piorar na segunda quinzena de outubro. Entretanto, o cenário do consumo é um pouco mais otimista, uma vez que haverá um aumento de contratações temporárias no final do ano de até 10%. A incerteza, portanto, existe tanto para o lado altista quanto para o lado baixista. Santos salienta, portanto, que um ambiente de cautela é necessário daqui para a frente.
NOTÍCIAS AGRÍCOLAS
Mercado do boi gordo sob pressão
A perda de sustentação dos preços iniciada na segunda quinzena de setembro, e que se manteve na primeira quinzena de outubro, evoluiu para uma maior pressão baixista nos últimos dias
A paralização de unidades da JBS em Mato Grosso do Sul deixa o mercado em compasso de espera, principalmente nos estados vizinhos (sobretudo São Paulo, Goiás e Minas Gerais). A situação vigente é de um maior volume de empresas fora das compras, seguida também de uma frequência maior de ofertas de compra abaixo da referência. Ainda não é possível apontar um desfecho, em função do envolvimento da justiça no caso. Este ano não tem sido fácil. Apesar da particularidade de cada caso, uma lição dos últimos acontecimentos é que medidas comerciais desesperadas devem ser evitadas em circunstâncias como esta. No mercado atacadista de carne com osso, preços estáveis.
SCOT CONSULTORIA
Cepea: Insegurança afasta gentes do mercado e reduz liquidez
A entrada e saída de operadores do mercado levou a média do Indicador ESALQ/BM&FBovespa do boi gordo a oscilar nos últimos dias
Segundo colaboradores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), muitos agentes estão inseguros quanto ao comportamento dos preços no curto prazo e, por esse motivo, adotam posicionamento mais recuado para compra e para venda, realizando apenas negócios de maior urgência. Na quarta-feira, 18, o Indicador fechou a R$ 141,05, recuo de 0,81% frente à quarta anterior, 11.
Cepea
Valor da Produção Agropecuária é de R$ 535,42 bilhões
A estimativa do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de 2017 com base em informações do mês de setembro é de R$ 535,42 bilhões, revelando crescimento de 2,1 % sobre o valor estimado em setembro de 2016, R$ 524,49 bilhões
O aumento foi impulsionado pelo resultado das lavouras, que tiveram aumento de 6,3 %, em termos reais (descontada a inflação do período), enquanto na pecuária, houve redução de 5,9 %. Na composição do VBP, lavouras geraram R$ 365,88 bilhões, 68,3 % do total, e a pecuária, R$ 169, 53 bilhões, 31,7 % do total. Na pecuária, os melhores resultados são observados em carne suína, com aumento real do valor de 7,7 % e leite, 8,6 %. Mas os preços de carne bovina, frango e ovos, derrubaram os resultados da pecuária neste ano. Os resultados regionais mostram a liderança do Sul, com faturamento de R$140, 98 bilhões, seguido por Centro-Oeste, R$ 138,53 bilhões, Sudeste, R$ 137, 2 bilhões, Nordeste, R$ 49,4 bilhões, e Norte R$ 32,5 bilhões.
Mapa
Couro: problemas de manejo do gado geram prejuízos de R$ 3,5 bilhões aos curtumes
A economia brasileira tem perdas anuais de R$ 3,5 bilhões em função da qualidade da matéria-prima (peles, o chamado couro verde) que chega aos curtumes do país
Problemas que começam no campo, como parasitas que atingem o gado, riscos de cerca e marcações de propriedade sobre o animal (marca de fogo), estão na origem deste prejuízo, apurado pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), entidade que representa as indústrias produtoras de couro no país. “A qualidade da pele que chega ao curtume precisa ser uma preocupação de todas as indústrias, não apenas a curtidora. Se o couro perde mercado para materiais alternativos, ou se o seu valor cai em função da qualidade, todos os agentes saem perdendo”, disse o Presidente Executivo do CICB, José Fernando Bello. Como lembrou o gestor, o couro, como subproduto da carne, seria um passivo industrial muito grande à produção rural e aos frigoríficos se não fosse aproveitado integralmente pelos curtumes. A ideia é que se organize no país um programa com mecanismos que permitam aprimorar a qualidade do couro, com a possibilidade de tipificar peles por sexo do animal ou mesmo grupo de peso – recursos amplamente utilizados por países que concorrem com o couro brasileiro no mercado internacional. O Brasil tem o maior rebanho comercial do mundo e produz cerca de 43 milhões de peles por ano; é um país com tradição e reconhecido no mercado internacional do couro, mas tem potencial de ampliação de clientes e agregação de valor com cuidados sobre a matéria-prima. Principais problemas na matéria-prima (couro verde):
Parasitas – 42,4%
Marcas de fogo – 18,2%
Má conservação – 13%
Tiragem / esfola – 12,1%
Riscos de cerca – 10,3%
Outros – 4%
SF Agro/BEEFPOINT
Mercado fica travado depois de paralisação da JBS em MS
Frigoríficos concorrentes também permaneceram fora das compras na quarta-feira; interrupção ainda afetou movimentação em outros Estados. Se paralisação persistir, tendência é de queda de preços no Estado
Depois do anúncio da interrupção de compra e abate em das setes unidades em Mato Grosso do Sul da JBS, o mercado do boi ficou travado na quarta-feira. Segundo Breno de Lima, analista da Scot Consultoria, os concorrentes no Estado também ficaram fora das compras, já que a paralisação das plantas da empresa, que controla cerca de 50% do abate em MS, gerou instabilidade e incerteza no mercado. “Diante disso, os outros frigoríficos pensam que a oferta vai aumentar – e isso é fato, porque ela tem que ser escoada para outro lugar. E, com isso, a tendência é de preços menores. Assim, eles pararam as compras para ver como seria esse impacto”. De acordo com o analista, a interrupção também afetou as compras em Estados próximos. “Em São Paulo, tivemos muitas plantas fora das compras nesta quarta, principalmente os perto da fronteira, porque parte do volume que eles abatem vem de MS”. Em Minas Gerais, as unidades próximas à divisa com MS também retraíram um pouco as compras. Já as cotações no mercado futuro não apresentaram grandes oscilações para o contrato de novembro. Como, segundo o analista da Scot, os frigoríficos de MS estão com escala de abates suficiente, em média, até o fim da próxima semana, o mercado no Estado continua travado nesta quinta-feira. Em São Paulo, o movimento também está mais devagar do que o normal. “Com essa escala um pouco folgada, os frigoríficos ficam tranquilos para pensarem em como vão agir”. Segundo De Lima, a manutenção da situação por muito tempo pode pressionar os preços da arroba no Estado graças ao acúmulo de oferta gerado pela paralisação de metade das plantas. “Desde a segunda semana do mês, a oferta em MS já estava começando a ganhar fôlego por causa da entrada de bois do segundo giro de confinamento. E a tendência é que continue aumentando”. Ele pondera, porém, que a oferta do segundo giro será melhor que a do primeiro, mas “nada absurda”. “Vai complicar, principalmente para quem tem boi confinado, porque ele tem que entregar o animal. Quem tem gado a pasto ainda consegue segurar um pouco e esperar um momento melhor”, diz Ricardo Bacha, 2º Vice-Presidente da Associação de Criadores de Mato Grosso do Sul. “Por isso a gente sempre recomenda: proteja-se, faça seguros, trave seu preço, assim há menos riscos de ficar refém do mercado”, ressalta o analista da Scot. De acordo com Giuliano Benez, comprador de boi gordo no Estado, alguns frigoríficos menores já começam a oferecer valores de R$ 5 a R$ 7/@ abaixo da referência. O que também pode pesar nas cotações da arroba é a queda sazonal da demanda na segunda quinzena do mês, aliada a um começo de outubro que já não foi bom para o varejo, mesmo com a entrada de salários e o feriado prolongado. “Já era esperado um escoamento menor com a demanda fraca, agora, com o acúmulo da oferta, o preço vai ser pressionado”, conta De Lima. Porém, ele reforça que ainda é cedo para medir os impactos possíveis, uma vez que ainda há muita incerteza. “Pode ser que eles voltem segunda-feira e tudo se restabeleça”. Um retorno rápido ao mercado é o que deseja a Acrissul. Estamos extremamente preocupados com a situação. É um embate onde o elo mais fraco da cadeia é o produtor, mas esperamos que haja bom senso. Não é bom nem para o frigorífico ficar parado, nem para o produtor que precisa vender e para o estado que tem que arrecadar”, afirma Bacha. Ele explica que a entidade já solicitou uma audiência com representantes da Assembleia Legislativa e o governador de MS, Reinaldo Azambuja (PSDB). Além de pedir que haja entendimento com a empresa para evitar problemas maiores, a associação também pleiteia que a alíquota do ICMS para saída de gado em pé para outros Estados seja reduzida novamente de 12% para 7%. A medida vigorou entre julho e setembro, e, segundo o Presidente da Acrissul, Jonatan Barbosa, foi fundamental para os pecuaristas e o governo em um período de crise. “Todo mundo saiu ganhando, os criadores que liquidaram o gado pronto que estava no pasto, e o governo com a arrecadação do ICMS que essas vendas geraram”. Em nota, a Famasul disse que também solicitou a redução ao governo.
Portal DBO
EMPRESAS
Marfrig retoma abates de bovinos no frigorífico de JiParaná
A Marfrig Global Foods, segunda maior empresa de carne bovina do país, iniciou ontem os abates de bovinos em Ji-Paraná, em Rondônia
A unidade, que estava fechada desde 2010, pertence ao frigorífico Frialto e foi arrendada pela Marfrig Global Foods. Em agosto, a Marfrig anunciou que reabriria o frigorífico localizado em Rondônia. Com capacidade para abater 1,1 mil bois por dia, o frigorífico de Ji-Paraná pode gerar cerca de 1 mil empregos, informou a Marfrig, em nota; com a retomada dos abates em Ji-Paraná, a Marfrig segue em seu plano de expansão dos abates. Neste ano, já retomou os abates em Pirenópolis (GO), Paranaíba (MS), Alegrete (RS) e Nova Xavantina (MT). O movimento de reabertura de frigoríficos — feito também por meio de arrendamentos — deve fazer com que a Marfrig os abates diários em mais de 50%, para 300 mil cabeças. A avaliação da Marfrig é que, após anos de restrição na oferta de bovinos, o ciclo de pecuária se inverteu e está mais favorável aos frigoríficos, o que permitirá o aumento da produção. “Graças à melhoria do ciclo de bovinos e do atual cenário do mercado doméstico, [a Marfrig] decidiu reabrir a unidade de Ji-Paraná”, informou a empresa.
VALOR ECONÔMICO
JBS dá férias coletivas a funcionários de duas unidades frigoríficas no Pará
A unidade de bovinos da JBS em Marabá (PA) vai entrar em férias coletivas nesta segunda-feira (23/10), por um período de 20 dias, enquanto a de Redenção, também no Pará, parou ontem (18/10) e volta depois de 10 de novembro
Segundo a empresa, o motivo é a baixa disponibilidade de matéria-prima na região em função da forte seca e queimadas nesta época do ano. “Após esse período as atividades serão retomadas normalmente”, disse a JBS em nota. O analista da Scot Consultoria Breno de Lima afirma que as escalas de abate na região estão mais curtas, devido à oferta restrita de animais no mercado paraense. Paralelamente, a unidade da JBS em Confresa (MT) retoma as atividades nesta segunda-feira depois de um período de férias coletivas. Em Mato Grosso, a fábrica havia interrompido os trabalhos por causa da falta de água na região, segundo a JBS. Em Mato Grosso do Sul, a empresa paralisou no início da semana as atividades de abate e compra de gado por tempo indeterminado. A alegação da JBS é de “insegurança jurídica”.
A decisão foi tomada após bloqueio de recursos, que soma R$730 milhões, dos quais R$620 milhões da JBS, e o restante da holding J&F, feito pela Justiça do Estado.
ESTADÃO
Mataboi vai recorrer de decisão do Cade que reprovou compra pela JBJ
A Mataboi Alimentos informou por meio de nota na quinta-feira (19) que pretende recorrer da decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que reprovou a sua compra pela JBJ Agropecuária Ltda
“Como o Cade é um órgão administrativo, suas decisões podem ser revistas judicialmente, como já ocorreu em outras situações. Sendo assim, vamos recorrer inclusive com medidas administrativas e judiciais para a necessária revisão da decisão do Cade”, disse o Presidente da Mataboi, José Augusto de Carvalho Jr., por meio de nota. Na quarta-feira (18), o Cade reprovou a compra da Fratelli Dorazio Investimentos Ltda. (atual Mataboi Participações Ltda.) e da Mataboi Alimentos Ltda pela JBJ, afirmando que a operação gera riscos significativos à concorrência. A JBJ Agropecuária é controlada por José Batista Jr., que é da mesma família que controla a JBS S.A, e atua na criação, abate de gado e no mercado de carne bovina in natura no varejo em Goiânia (GO). A Mataboi considera a decisão do Cade “infundada” e afirma que a JBJ realizou “vultosos aportes” na empresa para viabilizar a sua reestruturação e encerramento de um processo de recuperação judicial em setembro. O Cade afirmou que não foram encontrados remédios estruturais e comportamentais capazes de mitigar riscos à concorrência relacionados à transação, conforme nota divulgada pelo regulador da concorrência. Segundo o Cade, a fusão entre a JBJ e a Mataboi implicaria na integração vertical nos mercados de criação de gado, no qual a JBJ atua; no de abate de bovinos, atividade desenvolvida pela Mataboi em Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso; de comercialização de carne bovina in natura desossada para o atacado, no qual a Mataboi atua; e no de comercialização de carne in natura no varejo em Goiânia, no qual a JBJ atua. O relator do caso no Cade, o conselheiro Alexandre Cordeiro, afirmou ainda que, se considerada a participação da JBS no mercado, a operação resultaria em concentrações horizontais em duas etapas da cadeia. “Estas concentrações seriam nos mercados de abate de gado em Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso e no de comercialização no atacado de carne bovina in natura desossada no Brasil”, informou o Cade. A compra da Mataboi pela JBJ ocorreu em dezembro de 2014 e foi notificada ao Cade em 2016. A operação foi consumada antes da notificação e decisão final do Cade, o que gerou multa de R$ 664 mil aos envolvidos em dezembro de 2016. Na ocasião, o Cade também definiu que José Batista Júnior não poderia exercer qualquer cargo junto à JBS nem obter ou fornecer informações concorrencialmente sensíveis até o julgamento do caso. “Estamos convictos da lisura de suas atividades e entendemos que medidas de governança já adotadas ao longo do processo são suficientes para assegurar o desenvolvimento sustentável do setor sem impactar na sua operação, que garante mais de 2 mil empregos, é a base da economia nas regiões onde atua e representa cerca de 7% das exportações de carne bovina do Brasil”, disse o Presidente da Mataboi, Carvalho Jr.
CARNETEC
Justiça suspende bloqueio de bens da família Batista
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região suspendeu na quinta-feira (19) o bloqueio de bens de membros da família Batista, controladora do grupo JBS S.A., revertendo decisão anterior do juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, segundo confirmou o advogado de defesa da J&F, Ticiano Fiqueiredo, à CarneTec
A J&F, empresa da família Batista e controladora da JBS, já havia informado que buscaria reverter a decisão que bloqueou bens de membros da família e algumas de suas empresas. Após a decisão do juiz Leite, divulgada no início do mês, a empresa afirmou que a decisão de exigir o contingenciamento de R$ 1,6 bilhão para pagamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) era injustificável, já que a multa prevista no acordo de leniência J&F já previa que R$ 1,7 bilhão será distribuído para o banco estatal. O bloqueio atingia bens dos empresários Joesley e Wesley Batista, entre outros membros da família, e ocorreu em meio às investigações de corrupção e pagamento de políticos envolvendo os executivos e políticos brasileiros.
CARNETEC
Queda de braço em MS pode ter reflexos importantes para a JBS
O imbróglio político e jurídico que levou à paralisação total dos abates da JBS em Mato Grosso do Sul pode ter reflexos relevantes para a pecuária local e para o negócio de carne bovina da empresa
O Estado abriga o quarto maior rebanho do país e é o segundo mais importante em abates para a JBS – responde por mais de 25% de sua produção. Do ponto de vista comercial, a importância de Mato Grosso do Sul vai além do volume abatido – mais de 7 mil cabeças por dia. Devido às peculiaridades da pecuária local, o Estado é o coração da produção de carne bovina de qualidade. No Brasil, Mato Grosso do Sul é o Estado que mais castra bovinos, característica indispensável para a produção de carne bovina gourmet voltada a restaurantes. Pelo menos parte dos hambúrgueres da rede McDonald’s é fabricado pela JBS em Campo Grande. Leia mais 1. Justiça desbloqueia bens da família De acordo com uma fonte do setor, uma das unidades da JBS na capital do Estado – a empresa possui dois frigoríficos em Campo Grande – é a segunda mais rentável do negócio de carne bovina da companhia, perdendo apenas para a planta de Mozarlândia, no norte de Goiás. De certa forma, a decisão da JBS de paralisar os sete frigoríficos que estão em operação em Mato Grosso do Sul (ver mapa abaixo) poderá forçar uma resolução no imbróglio envolvendo a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul e a empresa. Anunciada na terça-feira após a JBS ter R$ 720 milhões bloqueados judicialmente a pedido de CPI na Assembleia Legislativa que investiga irregularidades fiscais, a suspensão dos abates mobilizou funcionários, que ontem voltaram a protestar. “É uma vingança que eles [os deputados] estão fazendo porque o governador foi denunciado”, afirmou o Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados de Campo Grande, Vilson Gregório. O sindicalista faz alusão à delação do empresário Wesley Batista, que implicou o atual governador, Reinaldo Azambuja (PSDB), em um esquema de propina para a obtenção de incentivos fiscais. Diante da apreensão dos funcionários – e de pecuaristas, dado que a companhia representa 45% dos abates nos Estado -, uma solução começou a ser costurada pelos parlamentares. O Presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Junior Mochi (PMDB), estará em São Paulo hoje para conversar com executivos da empresa. A proposta é que a Justiça Estadual faça na próxima semana uma audiência de conciliação entre a JBS, parlamentares, representantes dos trabalhadores e dos pecuaristas. O presidente da CPI, deputado Paulo Correa (PR), admite a troca de garantias – utilizando imóveis ou fiança – para desbloquear os R$ 730 milhões. Segundo ele, esse é o valor que a JBS deve pelo não cumprimento dos incentivos fiscais conhecidos como Termos de Ajustamento de Regime Especial (Tares). A avaliação de fontes próximas à JBS é que a troca de garantias é possível. Mas há dúvida sobre o real valor devido. Segundo uma fonte, os R$ 730 milhões calculados pela CPI se referem ao não cumprimento integral dos cinco Tares citados na delação de Wesley Batista. No entanto, os acordos teriam sido cumpridos parcialmente. Uma auditoria contratada pela JBS estaria avaliando a proporção dos descumprimentos. O caminho adotado pelos parlamentares também foi visto com estranheza, já que um procedimento de verificação já estaria em curso na Secretaria da Fazenda. Ao final do procedimento, a JBS inevitavelmente terá de ressarcir os cofres de Mato Grosso do Sul. A dívida, que pode ser centenas de milhões, não está contemplada no acordo de leniência. Portanto, a JBS terá de desembolsar recursos. Na leniência, é a controladora J&F que arcará com a multa. Procurado, o Governador de Mato Grosso do Sul e a Secretaria da Fazenda não se pronunciaram. A JBS também não quis comentar.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
SDA: Confira relatório sobre o mercado de carnes
As importações de carne bovina e de frango da China deverão aumentar em 11 e 7 por cento, respectivamente, em 2018
Apesar da robusta demanda chinesa, juntamente com a produção estagnada ou em declínio, o crescimento adicional das importações é limitado por restrições que limitam os estoques dos Estados Unidos, um player mundial chave. Atualmente, os Estados Unidos não podem exportar carne de frango para a China devido a restrições relacionadas à gripe aviária. Mesmo com os Estados Unidos tendo recuperado o acesso ao mercado de carne bovina chinês em maio desse ano, as exportações provavelmente serão limitadas no curto prazo devido aos requisitos do mercado que limitam a capacidade dos Estados Unidos de maximizar as oportunidades comerciais. A China é o segundo e o sétimo maior importador mundial de carne bovina e de frango, respectivamente, representando 13 e 5 por cento do comércio previsto. Alternativamente, as importações de carne suína da China deverão diminuir pelo segundo ano consecutivo em 2018, uma vez que os ganhos de produção doméstica reduzem a demanda de carne importada. A União Europeia, os Estados Unidos e o Canadá continuarão sendo os principais fornecedores, competindo principalmente no preço. Com uma demanda relativamente forte de processamento, é improvável que as importações retrocedam para níveis anteriores, mantendo a China como o maior importador mundial de carne suína, sendo responsável por quase um quinto do comércio previsto. A produção mundial deverá crescer quase 2% em 2018 para 62,6 milhões de toneladas, sendo que os Estados Unidos e o Brasil representam cerca de metade do crescimento. O Brasil será impulsionado pela expansão das exportações, mas potencialmente enfrentará os desafios das questões da indústria doméstica. A produção argentina continuará sendo impulsionada por desenvolvimentos políticos favoráveis e expansão do rebanho. Tendo se recuperado da liquidação de rebanho induzida pela seca seguida da reconstrução de rebanhos, a produção australiana de carne bovina está se recuperando. As exportações globais em 2018 deverão ser 3% superiores a 10,1 milhões de toneladas, impulsionadas por embarques do Brasil, Austrália, Argentina e Estados Unidos. A demanda no Leste Asiático permanecerá robusta. A China, em particular, continuará a impulsionar o comércio, uma vez que a produção doméstica não pode satisfazer o consumo crescente. As regiões produtoras de petróleo continuarão a ser desafiadas por preços de petróleo relativamente baixos, o que dificulta o crescimento econômico e prejudica a demanda. Produção e exportações dos EUA: a produção deverá aumentar em cerca de 3% em 2018, atingindo um recorde de 12,4 milhões de toneladas, à medida que os Estados Unidos entram no quarto ano de expansão do rebanho. As ofertas elevadas sustentadas e os menores preços de carne bovina dos Estados Unidos irão aumentar as exportações para o México, o Canadá e os principais mercados do Leste Asiático. Os Estados Unidos enfrentarão uma nova concorrência nos mercados asiáticos da Austrália à medida que seu rebanho se expande. No Japão, os Estados Unidos também terão que enfrentar a maior vantagem tarifária da Austrália. No entanto, um dólar relativamente mais fraco dos EUA em 2018 poderia aumentar as exportações de carne bovina dos EUA.
USDA
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