
Ano 3 | nº 531| 08 de junho de 2017
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo com pressão de baixa
A oferta de animais terminados tem atendido com certa facilidade a demanda das indústrias, dando espaço inclusive para que algumas empresas testem preços menores
Entretanto, nesses casos o volume de negócios é reduzido. As programações de abate confortáveis, em torno de seis dias em São Paulo, dão suporte a este cenário de pressão de baixa. No estado, o preço do macho terminado teve queda nesta quarta-feira (7/6) e ficou em R$130,50/@, à vista, livre de Funrural. A desvalorização foi de 1,1% desde o início do mês. Com isso, a margem de comercialização das indústrias que fazem a desossa ficou em 36,1%, o que mantém o bom poder de compra das indústrias, caso haja necessidade. Para curto prazo fica a expectativa de como a demanda na ponta final se comportará.
SCOT CONSULTORIA
Melhoram as margens dos frigoríficos no mercado interno
Intensificada após a divulgação da delação premiada dos irmãos Batista, a redução dos preços do boi gordo no Brasil recompôs a margem dos frigoríficos no mercado interno
A melhora de margens ocorre no momento em que a rentabilidade e as vendas na exportação patinam, enquanto no mercado doméstico a demanda segue fraca. Levantamento da consultoria MB Agro braço da MB Associados mostra que a diferença entre o preço da carcaça bovina casada no atacado do Estado de São Paulo e a cotação do boi gordo está 5% mais alta. Normalmente, esse indicador é negativo porque não estão incluídos os subprodutos do abate bovino (couro, sebo, entre outros). Chamada de spread, a diferença entre a carcaça e o boi gordo é um indicador de margem bruta. Segundo o analista César Castro Alves, da MB Agro, a recuperação da margem dos frigoríficos decorre da queda dos preços do boi gordo. “O spread no mercado interno está bom”, afirmou ele, ponderando que, no caso da JBS, o ritmo de abates mais fraco por causa da delação limita os ganhos pois a companhia tem mais custos fixos. Mas os concorrentes da JBS podem aproveitar o momento favorável no mercado interno, acrescentou. “Os concorrentes aproveitam o vácuo. Os maiores frigoríficos aproveitam muito porque são considerados mais sólidos”, disse Alves, em alusão a Marfrig Global Foods e Minerva Foods. No caso dos pequenos frigoríficos, também há oportunidades. Ainda que não gozem da mesma confiança perante os pecuaristas se comparados aos maiores frigoríficos, a redução das escalas da JBS é uma oportunidade para os pequenos acelerarem os abates. “Os pequenos vão tentar produzir mais enquanto sobra boi”, disse. De certa forma, isso já está acontecendo. Conforme o informou ontem o Valor, a escala de abates programação da produção futura de carne da JBS caiu 65% desde a divulgação da delação. Se antes da delação a empresa tinha assegurada a compra de boi necessária para o abate dos cinco dias seguintes, agora só assegura a compra de dois dias. Por outro lado, os concorrentes aumentaram a média de cinco dias para até sete dias. Se no mercado interno a margem dos frigoríficos melhorou por causa da queda dos preços do boi gordo, na exportação o cenário ainda é ruim, embora também haja recuperação. Conforme a MB Agro, o spread na exportação diferença entre o preço da carne vendida e o do boi gordo atingiu 6% em abril, último dado disponível. Na comparação com o primeiro trimestre, trata-se de uma sensível melhora tendo em vista que o spread de janeiro, fevereiro e março ficou próximo de 1%. “Mas ainda não está bom. Está arrastando”, avaliou o analista. A média histórica do spread na exportação é de 26%, segundo a MB Agro. O levantamento da consultoria teve início no ano de 1997. De acordo com Alves, a margem da exportação melhorou por conta da alta do preço em dólar. Até abril, o câmbio não ajudava. Em maio, o real se desvalorizou em decorrência da crise política detonada pela delação da JBS, o que pode ser positivo para as exportações. Embora não tenha fechado os dados do spread de maio, o analista ponderou que a margem da exportação precisa de um câmbio estável. Em um cenário volátil, também há espaço para que os importadores pressionem por uma queda dos preços da carne exportada. De toda maneira, a desvalorização do real é positiva para a exportação, ressaltou. No início de 2016, quando o dólar estava próximo de R$ 4, o spread dos frigoríficos brasileiros na exportação oscilou entre 30% e 40%, lembrou Alves.
VALOR ECONÔMICO
Ruralistas exigem afrouxamento das regras do passivo do Funrural
Parlamentares ligados ao agro querem que governo perdoe juros e multas, além de reduzir entrada exigida na renegociação de dívidas
Em meio ao julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode levar à cassação do presidente Michel Temer, a bancada ruralista no Congresso Nacional voltou a se reunir com o governo nesta quarta-feira, dia 7, para negociar o afrouxamento das regras de renegociação do passivo do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), que devem ser publicadas por meio de medida provisória (MP). A reunião ocorreu no Palácio do Planalto, logo após a cerimônia de lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2017/2018, e foi conduzida pelo Ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Moreira Franco (PMDB). Dos ruralistas, participaram o Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), e os deputados Marcos Montes (MG) e Tereza Cristina (MS), líderes do PSD e PSB na Câmara, respectivamente. Montes afirmou que a bancada ruralista exigiu do governo pelo menos duas mudanças. A primeira é o perdão total das multas e juros relativos a dividas anteriores do Funrural. Perdão total de multas e juros, além de redução da Até então, o governo federal tinha aceitado dar desconto de 100% apenas dos juros. Para multas e emolumentos, o desconto oferecido era de 25%. “Queremos 100% de tudo”, afirmou o líder do PSD, que foi presidente da FPA antes de Leitão. Os ruralistas também querem que o governo reduza a entrada exigida de produtores e indústrias para que renegociem as dívidas. A equipe econômica já tinha concordado em exigir uma entrada de 5% para que ruralistas possam parcelar suas dívidas em 240 meses, a partir do próximo ano. “Eles estão bem perto de aceitar. Queremos 1%, 2%; não aceitamos 5%”, afirmou Montes. O líder do PSD afirmou que a reunião desta quarta-feira foi para apresentar os “últimos retoques” ao texto da MP. De acordo com ele, se o governo aceitar a proposta dos ruralistas, a medida pode ser publicada ainda nesta quarta. A proposta vai criar uma nova alíquota do Funrural de 1,5% sobre a produção para produtores rurais. Para os que estão com dívidas, a alíquota será de 2,3% até a quitação dos débitos.
CANAL RURAL
ECONOMIA
Governo anuncia R$ 190,25 bilhões com juros menores para financiar agricultura
Recursos do Plano Agrícola e Pecuário 2017/2018 contribuem para a retomada do crescimento econômico
O Presidente Michel Temer e o Ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) anunciaram, na quarta-feira (7), no Palácio do Planalto, o maior volume de recursos da história para financiar a agricultura brasileira. São R$ 190,25 bilhões destinados ao Plano Agrícola e Pecuário 2017/2018, por meio do qual médios e grandes produtores poderão acessar o crédito rural, entre 1º de julho deste ano e 30 de junho de 2018. O governo federal também reduziu, entre um e dois pontos percentuais, os juros das operações. O Presidente Michel Temer destacou o crescimento de 13,4% do PIB (Produto Interno Bruto) agropecuário no primeiro trimestre deste ano, que, segundo ele, sustentou a economia no período. E destacou que a destinação de mais de R$ 190 bilhões para o setor não permite ser pessimista ao comportamento da atividade econômica. “O otimismo permeia esta solenidade”, frisou, lembrando que, na semana anterior, já foram anunciados mais de R$ 30 bilhões somente para a agricultura familiar. Temer destacou ainda que o ministro Blairo Maggi adotou medidas de desburocratização desde que assumiu o Mapa e tem viajado ao exterior para abrir novos mercados para os produtos brasileiros. O montante dos recursos destinados ao Plano Agrícola e Pecuário reforça a prioridade dada pelo governo federal ao agronegócio e à geração de emprego e renda. Mesmo com a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) de 2016, que limitou os gastos públicos, o entendimento no Palácio do Planalto é de que é fundamental ampliar os valores para o crédito rural em um momento de incentivo à retomada do crescimento econômico. Maggi falou com entusiasmo sobre a previsão da colheita de 232 milhões de toneladas de grãos neste ano, mas acrescentou que, incluindo toda a produção agrícola e pecuária, o resultado anual supera 1,2 bilhão de toneladas. O ministro enfatizou a importância da pesquisa, da tecnologia para a posição que o Brasil ocupa no mercado mundial do agronegócio (com 6,9% de participação). E frisou que o crescimento da produção tem sido alcançado preservando 61% do território nacional. “Isso não acontece em nenhum outro país do mundo”, afirmou. O plano repercute em criação de vagas em toda a cadeia produtiva, na geração de divisas com exportação de produtos agropecuários, além de proporcionar alimentação mais barata e inflação menor, beneficiando as famílias. O agronegócio impacta a economia não apenas do campo, mas também a da cidade, movimentando lavouras e a agroindústria de alimento, além de setores como de máquinas e equipamentos, de vestuário e transporte de carga. O setor é responsável por metade das exportações e por 21% do PIB (Produto Interno Bruto) do país. O volume de crédito para custeio e comercialização é de R$ 150,25 bilhões, sendo R$ 116,25 bilhões com juros controlados (taxas fixadas pelo governo) e R$ 34 bilhões com juros livres (livre negociação entre a instituição financeira e o produtor). O montante para investimento saltou de R$ 34,05 bilhões para R$ 38,15 bilhões, com aumento de 12%. Apoio à comercialização terá 1,4 bilhão. Quanto aos juros, houve redução de um ponto percentual ao ano nas linhas de custeio e de investimento e, de dois pontos percentuais ao ano nos programas prioritários voltados à armazenagem (Programa para Construção e Ampliação de Armazéns/PCA – 6,5% a.a.) e à inovação tecnológica na agricultura (Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária/Inovagro – 6,5% a.a.). No custeio, os juros caíram de 8,5% ao ano e 9,5% ao ano para 7,5% e 8,5%. O mesmo aconteceu para os programas de investimento, à exceção do PCA e Inovagro, nos quais a taxa foi fixada em 6,5% ao ano. Para acompanhar o crescimento da produção agrícola, que deve se situar em 232 milhões de toneladas de grãos, com aumento de 24,3% em relação à safra 2016/2017, com perspectivas de superar tal recorde em 2017/18, o governo federal garante recursos para investimento em armazenagem, de R$ 1,6 bilhão. Nessa temporada, os cerealistas também serão beneficiados no plano. Os recursos para armazenagem, de acordo com o Secretário de Política Agrícola do Mapa, Neri Geller, vão ajudar o produtor a suprir a necessidade de logística, beneficiando cerealistas e cooperativas, que terão prazo de amortização do crédito em até 15 anos. O Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural) terá juros de 7,5% ao ano e contará com R$ 21,7 bilhões, com alta de 12%. Os médios produtores rurais terão à disposição R$ 18 bilhões em custeio e R$ 3,7 bilhões em investimentos. O programa de Inovação Tecnológica (Inovagro) tem uma linha de crédito para apoiar o uso da conectividade no campo. Isso contribuirá para melhorar ainda mais a gestão das propriedades rurais, por meio da informatização e do acesso à internet. A inovação tecnológica é um dos principais fatores para alavancar a produtividade agrícola. O Inovagro contará, neste ano agrícola, com R$ 1,26 bilhão, com limite de R$ 1,1 milhão por produtor. O programa financia, por exemplo, equipamentos de agricultura de precisão. Entre as novidades do plano está a retomada da linha de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para renovação de canaviais (Prorenova Rural), com recursos de R$ 1,5 bilhão, em condições favorecidas. O Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) passa a contar com R$ 9,2 bilhões, com incremento de 82,2%. A compra de máquinas e implementos agrícolas terá o limite de financiamento de 90% do valor financiado, com prazo de pagamento de 7 anos. O limite de financiamento de custeio é de R$ 3 milhões por produtor, por ano-agrícola. Para o médio produtor, o limite é de R$ 1,5 milhão. O prazo de pagamento é de 14 meses para produtores de grãos. O governo elevou a abrangência de finalidades financiadas com a fonte LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e espera atingir o montante de R$ 27,3 bilhões, dessa fonte, no financiamento da cadeia do agronegócio. Em 2018, o produtor poderá contar com R$ 550 milhões do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), com aumento de 37,5%. O PSR oferece ao agricultor a oportunidade de proteger sua produção agrícola com custo reduzido, por meio de auxílio financeiro do governo federal.
MAPA
EMPRESAS
JBS busca afastar risco de escassez de crédito
Representantes da JBS comunicaram na segunda-feira o Ministério Público que a empresa sofreu um corte repentino de financiamentos na Caixa Econômica Federal
Fontes consultadas pelo Valor afirmaram que a empresa tem um limite de crédito antigo no banco e uma linha de empréstimo que vence em 2018, mas que a instituição estatal decidiu rever as condições nas duas frentes. Segundo essas fontes, a medida, somada a outros “recados” que já teriam sido dados por representantes do governo, foi interpretada pela JBS como retaliação depois dos fatos que vieram à tona com a delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que se tornaram uma ameaça real à permanência de Michel Temer na Presidência. Os Batista são donos da holding J&F, que controla empresas como JBS, Vigor, Eldorado, Alpargatas, Flora e Banco Original, entre outras. Leia mais 1. Governo amplia poderes punitivos da CVM e do BC Ainda que seja natural neste momento um endurecimento da postura dos bancos na concessão de crédito a empresas controladas pela J&F, dadas as turbulências que chacoalham o grupo desde a delação, a decisão da Caixa surpreendeu o mercado, já que o banco tem participação de 4,65% na JBS e a medida, que ameaça a renovação de linhas de crédito de exportação da empresa, pode afetar as ações do carro-chefe dos irmãos Batista. Em evento em São Paulo no fim de maio, o presidente da Caixa, Gilberto Occhi, informou que o banco havia tomado medida prudencial e provisionado as operações que tinha com a J&F e as empresas da holding, mesmo não havendo inadimplência nem terem sido constatadas irregularidades nos negócios do grupo com o banco. Procurada ontem, a Caixa não se pronunciou sobre o fechamento total das torneiras, que a princípio vale para a captação de recursos novos e mesmo para a renovação de linhas. Em nota, a J&F limitou-se a afirmar que “mantém relacionamento de longo prazo com as instituições financeiras e não irá comentar negociações específicas”. O Valor apurou que outros bancos estatais, como Banco do Brasil e BNDES (que tem 21,3% da JBS) não pretendem adotar restrição semelhante. Oficialmente, o BB não se pronunciou, mas fontes da instituição reforçaram que, como em todos os casos envolvendo empresas da Lava Jato é natural que exista uma maior cautela e aumento nos pedidos de garantias para empréstimos com as empresas da holding J&F. Mas essas fontes lembraram que as empresas não estão inadimplentes e que há um esforço dos bancos privados e públicos para “ajudá-las” a superar as turbulências. Um representante de um dos maiores bancos privados do país reforçou essa posição. “Não há o menor interesse em cortar crédito da JBS. Todos os grandes bancos têm muito dinheiro investido na empresa e asfixiá-la só aumentaria o problema”, afirmou. Depois da assinatura do acordo de leniência entre J&F e MPF, que definiu o afastamento de Joesley do grupo por cinco anos e deu aval para as empresas do grupo continuarem a se relacionar normalmente com bancos públicos, essa posição dos bancos se fortaleceu. Em nota, o BNDES informou, como tem feito nas últimas semanas, que “trabalha com critérios técnicos na concessão de financiamentos” para a empresa. Há uma regulação do Banco Central (BC) sobre a necessidade de provisões de acordo com o risco imputado a cada empréstimo. Mas além disso, cada banco tem sua própria política de provisionamento. Procurado, o Palácio do Planalto, informou, em nota, que “os bancos ligados ao governo farão avaliação de renegociações com o grupo J&F seguindo orientações técnicas de mercado de crédito. O Planalto afirma defender que não haja qualquer ingerência política neste tema”. Em relatório sem qualquer relação com a decisão da Caixa, o analista Alexander Robarts, da corretora do Citi, observou que lidar com “imprevistos de dívida no curto prazo” foi um dos motivos que levaram a JBS a vender ativos. Em negócio anunciado na terça-feira, a Minerva Foods adquiriu, por US$ 300 milhões, nove frigoríficos da JBS espalhados por Argentina, Paraguai e Uruguai, além de outras unidades. O acordo de leniência firmado pela J&F com o MPF também protege esse tipo de negócio, já que prevê que a holding ou suas controladas vendam ativos sem que eles carreguem risco de ônus para potenciais compradores. O advogado Igor Tamasauskas, que representou a J&F no acordo, disse que “a questão está devidamente endereçada”. Mas explicou que não é possível entrar em detalhes em razão das cláusulas de confidencialidade do acordo. Ainda que possa considerar se desfazer de outros negócios em proteínas animais, o grupo informou ontem que não planeja vender a americana Pilgim’s Pride, controlada que produz carne de frango, ou outros ativos estratégicos (“core assets”) nos EUA e outras regiões. Não ficou claro, contudo, se a fatia de 75% da JBS na Pilgrim’s poderá ou não ser reduzida.
VALOR ECONÔMICO
JBS dá férias coletivas de 30 dias a funcionários em Ponta Porã (MS)
A JBS S.A. confirmou na quarta-feira (7) que deu férias coletivas de 30 dias aos funcionários da unidade de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, a partir de segunda-feira (5)
“A medida está em linha com planejamento prévio da companhia para a realização de ajustes operacionais na planta. Após esse período, as atividades serão retomadas normalmente”, informou a companhia em nota. Segundo reportagem do jornal Valor Econômico publicada na terça-feira (6), os frigoríficos da JBS reduziram em 65% a escala de abates desde 17 de maio, quando o acordo de delação premiada dos irmãos Batista foi divulgado.
CARNETEC
INTERNACIONAL
Exportações de carne bovina da Austrália caíram 5% em maio
As exportações de carne bovina da Austrália em maio foram de pouco mais de 95.000 toneladas de peso embarcado, uma queda de 5% com relação ao ano anterior – sustentada pelas restrições da oferta
Com relação ao mês anterior, as exportações aumentaram em 43%. Embora isso tenha sido com relação a uma base baixa em abril, os feriados de Páscoa e Anzac Day aumentaram os efeitos das ofertas já apertadas. As exportações de carne em maio foram, na verdade, as maiores dos últimos doze meses anteriores. No entanto, as exportações nos primeiros cinco meses do ano continuam a refletir a disponibilidade limitada de gado na Austrália. O Japão registrou outro mês forte, com 26 mil toneladas. No acumulado do ano, as exportações aumentaram 12%, com 112 mil toneladas – o melhor mercado para a Austrália. Desde 1 de abril, as exportações de carne bovina se beneficiaram de uma redução tarifária no âmbito do Acordo de Parceria Econômica Japão Austrália (JAEPA). Os altos preços domésticos de Wagyu e as excelentes condições sazonais no Japão têm dado suporte à demanda de carne bovina importada. As exportações aos EUA em maio totalizaram 23.000 toneladas – o maior volume mensal a esse mercado até agora neste ano. Em comparação com o mesmo período do ano passado, no entanto, as exportações para o caíram em 21% e, no acumulado do ano, foram 28% menores. O aumento da produção de carne bovina dos EUA, bem como as restrições da oferta de carne bovina australiana, são fatores predominantes que limitam os volumes de exportação para o mercado norte-americano. Até agora nesse ano, as exportações para a Coreia caíram em 23%, para 53 mil toneladas. A recuperação da produção dos EUA criou uma forte concorrência com os exportadores norte-americanos que fornecem a esse mercado. As exportações de carne para a China, em maio, aumentaram em 15% com relação ao ano anterior, para 9.700 toneladas. Os volumes congelados apresentaram forte desempenho, um aumento de 19% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para o acumulado do ano, as exportações cresceram 7% em relação ao ano anterior, com 42.300 toneladas. Embora a demanda por carne a pasto de alta qualidade na China seja grande, a presença de produtos de baixo valor do Brasil continua a desafiar as importações australianas. Em outros mercados, as exportações de carne para a União Europeia (UE) aumentaram em 2% com relação ao ano anterior, para 1.550 toneladas. No entanto, até agora nesse ano, as exportações caíram em 27% em relação ao ano passado. Os volumes para a Indonésia caíram 41% em relação ao mesmo período do ano passado, para 6.130 toneladas.
Meat and Livestock Australia (MLA)
Exportações de carne bovina dos EUA podem se beneficiar de problemas na Índia, no Brasil e na Austrália
As exportações de carne bovina dos EUA estão ganhando participação no mercado global e podem continuar ganhando por uma variedade de razões, incluindo menor oferta na Austrália por causa da seca, esforços da Índia para proibir o abate bovino e os pontos de interrogação sobre o impacto de um escândalo no Brasil envolvendo diretores da gigante do setor, JBS
Em um relatório recente publicado no Cow Calf Corner, o especialista em mercado e extensão pecuária da Universidade Estadual de Oklahoma, Derrell Peel, observou que 71% das exportações totais de carne provêm da Índia, Brasil, Austrália, Estados Unidos e Nova Zelândia. Embora um tribunal da Índia na semana passada tenha adiado por quatro semanas a proibição nacional do governo sobre a venda para abate de bovinos, incluindo touros, bois, vacas, búfalos, novilhos, novilhas, bezerros e camelos, permanece a incerteza. Apesar de a carne bovina dos EUA não competir diretamente com a carne bovina indiana em termos de qualidade ou preço, o grande volume de produtos exportados pela Índia afetaria o comércio global de carne, de acordo com a Federação de Exportação de Carne dos EUA (USMEF). Atualmente, a previsão é de que a Índia será o principal país exportador de carne bovina com um total previsto em 2017 de 1,85 milhão de toneladas, principalmente de búfalos d’água. O Brasil, segundo em exportações, deverá exportar 1,80 milhão de toneladas em 2017. No entanto, como Peel aponta, o Brasil foi recentemente abalado por vários escândalos, incluindo um escândalo de suborno de segurança alimentar que envolve várias empresas de carnes e um escândalo de suborno financeiro e político envolvendo a JBS, maior companhia de carne do mundo. “Não está claro quanto impacto esses escândalos podem ter sobre as exportações totais de carne do Brasil em 2017, mas qualquer impacto provavelmente será negativo”, escreveu Peel. Enquanto espera-se que a Austrália exporte 1,4 milhão de toneladas de carne bovina em 2017, tornando-se o terceiro maior exportador de carne bovina, a recuperação da seca ainda está nos estágios iniciais, de modo que a produção e as exportações de carne permanecerão baixas em 2017. “A reconstrução do rebanho está começando em 2017, mas levará algum tempo. A Austrália está vendo as exportações reduzidas de carne para todos os seus principais mercados, incluindo o Japão, os EUA, a Coreia do Sul e a China”. Os Estados Unidos são o quarto maior exportador de carne bovina, devendo exportar 1,236 milhão de toneladas este ano, e esse número poderá crescer. “Os EUA estão em uma posição temporária única para aumentar a participação no nos principais mercados de exportação, tendo em vista as rupturas e a incerteza entre outros principais exportadores de carne bovina. A abertura antecipada da China para a carne dos EUA proporcionará uma oportunidade para que as exportações do país cresçam significativamente ao longo do tempo”, escreveu Peel. Ainda assim, o comércio de carne dos EUA não está sem suas próprias preocupações, entre eles a renegociação antecipada do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) e seu potencial impacto no comércio com o México e o Canadá.
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