
Ano 3 | nº 623 | 23 de outubro de 2017
NOTÍCIAS
Cai a quantidade de negócios entre pecuaristas e frigoríficos
Durante a semana o anúncio da paralização das compras pelo frigorífico JBS em Mato Grosso do Sul e o anúncio de férias coletivas em plantas da mesma empresa no Pará, fez com que o mercado perdesse fôlego
A quantidade de negócios despencou. As praças pecuárias de São Paulo, Goiás e Minas Gerais puxaram o freio de mão. O que se assistiu na última sexta-feira (20/10), foram ofertas de compra abaixo da referência e mesmo compradores fora do negócio. Devagar, quase parando.
Nas demais regiões pecuárias o mercado está estável. A oferta de boiadas não está abundante, afinal estamos em plena entressafra.
SCOT CONSULTORIA
Baixa oferta e demanda enfraquecida deixam o mercado de reposição travado
O mercado segue travado na maior parte do país
Oferta e demanda estão alinhadas, o que mantém, de certa forma, o equilíbrio nas cotações. Poucas são as negociações efetivadas. No balanço semanal de todas as categorias de machos e fêmeas anelorados pesquisadas pela Scot Consultoria, houve queda de 0,3% nas cotações na semana. Está foi a primeira queda semanal registrada desde o início de agosto, o que deixa evidente a perda de atratividade do mercado, depois das altas observadas entre agosto e setembro. Vale ressaltar também que há estados onde o mercado se comporta de maneira contrária ao restante do país, mostrando aquecimento nas negociações. Este cenário é comum no Rio Grande do Sul e Pará, onde a exportação de gado vivo, principalmente para a Turquia, movimenta o mercado de reposição.
SCOT CONSULTORIA
Maggi rechaça críticas da França sobre carne brasileira
O Ministro de Agricultura, Pecuária e Abastecimento Blairo Maggi disse em entrevista à AFP, ter se surpreendido ao ver a França usar o escândalo da Carne Fraca, deflagrado em março deste ano, nas negociações de um acordo comercial entre Mercosul e União Europeia
“Para mim, foi uma grande surpresa quando o novo embaixador da França disse que o Brasil não fez nada depois da Carne Fraca”, disse Maggi. “Pelo contrário. Nós tomamos muitas atitudes, mudamos muitas coisas e já estamos aperfeiçoando o nosso sistema (de controle sanitário). Isso demonstra um desconhecimento daquilo que aconteceu” por parte do embaixador, acrescentou. O novo embaixador francês em Brasília, Michel Miraillet, tinha dito à imprensa brasileira que autoridades locais não tinham feito nada para garantir a qualidade dos produtos depois do escândalo. Questionada pela AFP, a embaixada da França disse lamentar que as declarações sobre a carne adulterada tenham sido divulgadas “fora de seu contexto global”. Uma porta-voz disse que Miraillet tinha declarado aos jornalistas que “apesar de a investigação ligada ao escândalo revelar um bom funcionamento da democracia brasileira, lhe parecia que o Brasil não tinha compreendido corretamente a dimensão da amplitude do impacto que o escândalo teve nos países europeus”. A porta-voz ainda disse que Miraillet tinha “insistido no fato de que essas preocupações com a segurança alimentar se tornaram muito importantes para a população europeia, inclusive a francesa”. Maggi garantiu que a Carne Fraca é uma página virada, mas afirmou ter ficado surpreso com a postura de Miraillet de trazer isso para as negociações. “Estão querendo colocar uma coisa na mesa que nós, brasileiros e o Mercosul, devemos rechaçar”, afirmou. A pedido do Presidente francês, Emmanuel Macron, a cúpula da UE deve discutir sua política comercial nesta quinta-feira. Macron pede para o bloco ser mais protecionista, em meio à fase crucial das negociações de um acordo com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
AGÊNCIA AFP
Rebanho bovino mundial volta a superar 1 bilhão de animais
Em crescimento há três anos, o rebanho bovino mundial deverá superar 1 bilhão de cabeças em 2018, um patamar já atingido em 2014
O Brasil tem grande importância na composição desse número de animais, mas os principais crescimentos do rebanho mundial vêm ocorrendo nos Estados Unidos, na Argentina e na Austrália. Os americanos começam a recuperar o espaço perdido. Viram o seu rebanho, que chegou a superar 100 milhões de cabeças, recuar há quatro anos para 87 milhões. Deve voltar para 94 milhões no próximo ano. Os argentinos, devido a uma política equivocada do governo na última década, também conviveram com uma queda acentuada do rebanho, que recuou para patamares inferiores a 50 milhões de cabeças. No próximo ano, voltará para 54 milhões. Já os australianos, cujos pastos foram castigados por intensa seca nos últimos anos, voltam a ter 25,5 milhões de animais. Os dados são do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que estima o rebanho brasileiro em 232 milhões de animais e o indiano em 305 milhões. No caso da Índia, estão incluídos os búfalos. O rebanho mundial cresce em um bom momento para o mercado internacional de carne, principalmente devido à intensa demanda por parte dos países asiáticos. Os chineses, com renda média maior, vão consumir um volume recorde de 8,1 milhões de toneladas de carne bovina no próximo ano. Nos últimos cinco anos, a produção chinesa de carne bovina cresceu 7%, enquanto o consumo teve evolução de 20%. O país é um dos principais importadores mundiais, adquirindo 1 milhão de toneladas por ano. O Brasil, devido a problemas na produção de outros competidores ganhou boa parte desse mercado. Exporta quase um terço do que a China importa. A demanda mundial por carne bovina abre novos horizontes para o Brasil nos próximos anos. A concorrência, no entanto, aumentará devido à recomposição de produção em outros competidores. O USDA estima que a produção mundial de carne bovina atinja 63 milhões de toneladas em 2018. Em 2015, estava em 59,6 milhões. O Brasil e a Índia são os maiores exportadores mundiais de carne bovina, colocando 1,8 milhão de toneladas cada um no mercado externo. Já os americanos são os principais importadores, comprando 1,4 milhão de toneladas por ano.
Folha de São Paulo
Impacto da redução do ICMS em Goiás
Em setembro, saída de gado para abate em outros Estados aumentou 60%, o que representa 5% do total de animais abatidos em GO. Em setembro, foram vendidos para outros locais 9.680 animais
Em Goiás, a redução da alíquota do ICMS de 12% para 7% na saída de gado para abate em outros Estados a partir de 21 de julho começou a mostrar seus efeitos em setembro, acredita Christiane Rossi, analista técnica da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag). No mês, foram vendidos para outros locais 9.680 animais em um valor de R$ 23,97 milhões, alta de 60% ante o mesmo período de 2016, quando o número ficou em 6.048 (R$ 14,88 milhões). O cenário é diferente de agosto, quando houve ligeira queda (0,02%) em relação a 2016 (6.519 contra 6.658). “Esse crescimento pode ser reflexo de que mais pecuaristas tomaram conhecimento da medida. Além disso, nossa base com São Paulo estava favorecendo a saída”, afirma. De acordo com Rossi, as vendas normalmente são para o Estado paulista, além de algumas para frigoríficos de Minas próximos à fronteira com Goiás. A analista ressalta, porém, que o índice de abate de gado goiano em outros Estados ainda foi baixo em setembro: 5%. Em agosto, o nível ficou em 2% do total. “Não temos tanto problema com concentração de indústrias”, diz. Em setembro, os preços reagiram no Estado, crescimento de 7,3% – de R$ 125/@ para R$ 135/@ em média. Mas, segundo a analista, não se pode atribuir esse aumento apenas à saída de gado para outras regiões por causa da redução do ICMS. Demanda dos frigoríficos e o novo giro do confinamento também influenciaram. A redução da alíquota no Estado deve continuar pelo menos até o final de 2017.
Portal DBO
Carne de MT se fortalece com adesão ao Sisbi
Por enquanto, selo será emitido apenas para unidades que não precisam de presença permanente de fiscais. Para liberação do selo para unidades de abate, serão necessárias novas contratações de fiscais ou parcerias com os municípios
O Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) iniciou o processo de certificação de unidades frigoríficas regionais para a exportação de produtos para outros Estados. A adesão de Mato Grosso ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA) foi publicada em agosto deste ano, por meio de portaria do Ministério de Agricultura, Pecuária de Abastecimento (Mapa), e permite que a indústria local amplie seu mercado e impulsione a produção regional. Atualmente, está permitida a emissão do selo do Sisbi-POA para unidades que não exigem a presença permanente de fiscais oficiais públicos, que são as chamadas indústrias de entrepostos, como processadores de carnes ou laticínios. A certificação das indústrias de abate de animais, que demandam a inspeção permanente por fiscais oficiais públicos, depende de uma alteração na legislação estadual. O Presidente do Indea-MT, Guilherme Nolasco, explica que o órgão se adequou a algumas exigências e foi habilitado pelo Mapa para fiscalizar e emitir o Sisbi-POA. Porém, para que as unidades que exigem a presença permanente de fiscais oficiais públicos sejam certificadas, é preciso que haja novas contratações de fiscais oficiais ou parcerias com prefeituras. “Aguardamos inclusão na lei estadual, da exigência de fiscais oficiais permanentemente nas unidades, para então iniciar o processo de credenciamento. Estes fiscais poderão ser tanto estaduais quanto municipais”, explica Nolasco. Algumas unidades de abate, de acordo com Guilherme Nolasco, já fizeram a solicitação, inclusive com a possibilidade de fiscalização por médicos veterinários dos municípios. O Diretor-Executivo da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, analisa o processo como de extrema importância para a indústria local e, consequentemente, para a pecuária mato-grossense. “A Acrimat pleiteou a adesão ao SISBI como uma forma de fortalecer e estimular a produção local. Possuímos excelentes indústrias, que produzem carne de qualidade a partir do rebanho dos produtores locais. Ganha a indústria, o produtor e o Estado como um todo ao colocarmos nossa carne em todo o país”. O superintendente do Mapa em Mato Grosso, José de Assis Guaresqui, afirma que, à medida que as empresas abrem perspectivas de mercado nacional, ampliamos a comercialização e fomentamos a economia local. Sobre o sistema de inspeção, Guaresqui explica que existem diferentes mecanismos para auditar a produção de acordo com o cliente daquele produto. Ou seja, cada país estabelece os requisitos a serem cumpridos pelos exportadores. “Ao aderir ao sistema unificado, o Indea passou a seguir os critérios exigidos pelo Mapa para comercialização em território nacional. Assim, o órgão estadual audita e o Ministério certifica a fiscalização. Para exportação internacional, existe uma lista de exigências sanitárias que exige a presença de profissionais federais nas unidades”. Na última semana, a Celeiro Carnes foi a primeira indústria mato-grossense a conquistar o selo Sisbi-POA. A unidade de Rondonópolis não faz o abate de animais e é chamada de entreposto por ter entre suas aptidões, receber, guardar, conservar, manipular, acondicionar e distribuir carnes. Por enquanto, esta foi a única unidade de entreposto a solicitar a certificação. “Esperamos que, assim como a Celeiro conseguiu o selo, mais indústrias sejam certificadas pelo Sisbi e possam expandir seus mercados”, avalia Luciano Vacari.
Acrimat
EMPRESAS
Marfrig arrenda unidade em Mato Grosso
Em meio à estratégia de expansão dos negócios de carne bovina, a Marfrig Global Foods fechou acordo na semana passada para arrendar o frigorífico que a Arantes Alimentos, que está em recuperação judicial, tem em Pontes e Lacerda, na região sudoeste de Mato Grosso
No mês passado, o Valor antecipou que a Marfrig, segunda maior indústria de carne bovina do Brasil, estava negociando o arrendamento da unidade, cuja capacidade diária de abates é de 800 cabeças – mais de 15 mil bovinos por mês. Já o arrendamento do frigorífico da Arantes em Nova Monte Verde (MT), que também estava em negociação, não prosperou em razão de problemas documentais, apurou a reportagem. Ao longo do ano, a companhia já expandiu a capacidade de abate em mais de 50%, para 300 mil cabeças por mês. Nesse processo, a Marfrig reabriu os frigoríficos que possui em Nova Xavantina (MT), Pirenópolis (GO), Paranaíba (MS) e Alegrete (RS). Na semana passada, a empresa também iniciou os abates em Ji-Paraná (RO), unidade que foi arrendada neste ano junto ao Frialto e é capaz de abater mil cabeças por dia. A expansão do negócio de carne bovina da Marfrig no Brasil reflete a avaliação de que o ciclo da pecuária, negativo para os frigoríficos nos últimos três anos devido à retenção de vacas para a produção de bezerros, entrou em uma etapa favorável aos frigoríficos, com maior disponibilidade de boi gordo. Entre analistas, a avaliação é que o ciclo será positivo para o setor ao menos até 2019. Ainda não há previsão para o início dos abates em Pontes e Lacerda. A planta, que estava arrendada à JBS até o início deste ano – quando foi devolvida à Arantes -, está fechada há anos. Para retomar os abates, a Marfrig terá de fazer obras de manutenção e pedir novas licenças de funcionamento e para a exportação. Os negócios de carne bovina da Marfrig no Brasil representam cerca de 40% da receita líquida da empresa. No primeiro semestre, a receita líquida total foi de R$ 8,4 bilhões. Além do Brasil, a Marfrig também produz carne bovina no Uruguai, onde é a maior empresa privada do país. A maior parte das vendas da companhia, porém, é oriunda da Keystone, subsidiária voltada para o fornecimento de produtos à base de carne para redes de restaurantes. Com sede nos EUA e operações na Ásia, a Keystone é a grande aposta da Marfrig para reduzir as dívidas. A companhia já anunciou que pretende abrir o capital da Keystone nos Estados Unidos ainda este ano.
VALOR ECONÔMICO
JBS faz acordo para reabrir frigoríficos em Mato Grosso do Sul
A JBS confirmou que chegou a um acordo para reabrir sete frigoríficos de bovinos em Mato Grosso do Sul, com informações da assessoria de imprensa do governador do Estado, Reinado Azambuja (PSDB). Os frigoríficos da companhia estão fechados desde a última quarta-feira
Os abates serão retomados na terça-feira, dia 24, no Estado. Mato Grosso do Sul é o segundo Estado mais importante para o negócio de carne bovina da JBS e o principal polo de produção de carne de qualidade da companhia. A decisão foi tomada em reunião realizada hoje, na sede do governo estadual, em Campo Grande. De acordo com a assessoria de Azambuja, participaram do encontro representantes da JBS, de parlamentares, do governo de Mato Grosso do Sul e também da Justiça Estadual. A JBS não detalhou as condições do acordo. Mais cedo, a assessoria do governador havia afirmado que a JBS teria aceitado trocar as garantias para ter os R$ 720 milhões desbloqueados pela Justiça. O montante — parte em imóveis — foi bloqueado judicialmente nas últimas duas semanas a pedido da CPI da Assembleia Legislativa que investiga irregularidades no âmbito tributário.
VALOR ECONÔMICO
JBS confirma volta ao trabalho no MS
A JBS, maior produtora global de carne, anunciou neste sábado (21.out.2017), que retomará na 3ª feira (23.out.2017) as atividades de compra e abate de carne bovina nas 7 unidades da empresa em Mato Grosso do Sul
Eis o comunicado: “A Companhia considera que a discussão foi positiva e que acordo com o Executivo e o legislativo estadual, representado pelo Presidente da Assembleia Legislativa do MS, será capaz de manter as condições necessárias à preservação das suas operações em uma região tão importante para a empresa e para o País, protegendo os empregos dos 15 mil colaboradores diretos e 60 mil indiretos no Estado”, dizia a nota divulgada pela empresa.
NOTÍCIAS AGRÍCOLAS
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