
Ano 11 | nº 2711 | 14 de maio de 2026
NOTÍCIAS
Cai a cotação do boi gordo e das fêmeas em São Paulo
Oferta confortável de bovinos e menor demanda de compra dos frigoríficos pressionaram as cotações em São Paulo, com recuo de R$3,00/@ para o boi gordo e o “boi China” e de R$2,00/@ para as fêmeas.
O mercado abriu com queda na cotação de todas as categorias. Em comparação com ontem (12/5), a cotação do boi gordo e a do “boi China” recuou R$ 3,00/@. Entre as fêmeas, a queda foi de R$2,00/@. A oferta de bovinos estava confortável e os frigoríficos vinham comprando sem dificuldade, o que permitia o alongamento das escalas de abate. Esse cenário ocorria em um mercado menos comprador, uma vez que parte das indústrias já havia recomposto suas escalas. As escalas de abate estavam, em média, para 10 dias. Na Bahia, a oferta de bovinos estava elevada e o escoamento da carne estava lento. Frigoríficos já relatavam maior formação de estoques e menor necessidade de compra. Esse cenário resultou em queda na cotação dos machos e das fêmeas. Na região de Sul, queda de R$2,00/@ para a cotação de todas as categorias. Na região Oeste, a cotação do boi gordo recuou R$2,00/@. Entre as fêmeas, a cotação não mudou. As escalas de abate atendiam, em média, entre 17 e 19 dias. No Rio Grande do Sul, a oferta estava mais contida, reflexo do ciclo forrageiro regional. Com menor disponibilidade de bovinos terminados, as cotações estavam sustentadas no estado. Na comparação diária, os preços permaneceram estáveis para todas as categorias nas duas praças pecuárias gaúchas. As escalas de abate atendiam, em média, seis dias. Todos os preços eram brutos e com prazo.
SCOT CONSULTORIA
Boi gordo: negativa da União Europeia já traz reflexos nos preços
Notícia de que países do bloco não comprarão mais produtos de origem animal do Brasil a partir de setembro mexeu com o setor
O mercado físico do boi gordo apresentou maior lentidão, visto que a indústria tem feito tentativas pontuais de compra em níveis mais baixos de preço. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o setor segue envolto de notícias conflitantes. “Desta vez foi o anúncio da União Europeia, que a partir de setembro não comprará mais produtos de origem animal do Brasil por conta das incertezas quanto ao uso de antimicrobianos. A tendência é que o Brasil cumpra as pendências documentais e consiga evitar a suspensão”, destaca. O especialista também pontua o caso dos Estados Unidos. “Aparentemente houve recuo por parte do presidente Donald Trump em sua tentativa de aumentar importações de carne bovina após o descontentamento de grupos de pecuaristas locais.” Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 349,67 — ontem: R$ 350,83. Goiás: R$ 330,54 — ontem: R$ 332,50. Minas Gerais: R$ 334,71 — ontem: R$ 339,41. Mato Grosso do Sul: R$ 348,86 — ontem: R$ 349,43. Mato Grosso: R$ 357,50 — ontem: R$ 356,89. O mercado atacadista se depara com acomodação dos preços da carne bovina. O ambiente de negócios sugere por menor espaço para reajustes nos próximos dias, em linha com um perfil de consumo menos aquecido durante a segunda quinzena do mês. Além disso, a competitividade em relação às proteínas concorrentes segue problemática, em especial na comparação com a carne de frango. Quarto traseiro: ainda é precificado a R$ 27,50 por quilo; Quarto dianteiro: permanece a R$ 21,50 por quilo; Ponta de agulha: foi cotada a R$ 20,00 por quilo.
SAFRAS NEWS
UE enviará ao Brasil pedido de informações sobre carnes exportadas
A União Europeia enviará ao Brasil uma lista de informações adicionais a serem respondidas sobre questões sanitárias envolvendo a exportação de produtos de origem animal, após o bloco ter retirado o País da lista de fornecedores de produtos animais a partir de 3 de setembro. O Brasil terá cerca de duas semanas para devolver as informações para reanálise do bloco europeu, relatou o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua.
“A UE concordou em estratificar as questões por tipo de proteína, já que são estágios diferentes e formas de produção diferentes. Eles também enviarão uma lista de informações para que o Brasil dê garantias adicionais do cumprimento do regulamento de antimicrobianos”, disse Rua ao Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. A questão foi acordada em reunião entre o embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, e a Direção-Geral da Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia (DG Sante). “Houve compromisso por parte da UE em analisar o tema de maneira célere. Com análise baseada em ciência e racionalidade, teremos condição para que o Brasil volte à lista”, acrescentou Rua. Na terça-feira, a UE publicou uma atualização da lista de países autorizados a exportar animais e produtos de origem animal para o bloco, excluindo o Brasil do grupo de nações que cumprem as exigências contra o uso de antimicrobianos na pecuária. A medida, validada pelos Estados-Membros, estabelece quais países poderão continuar acessando o mercado europeu a partir de 3 de setembro de 2026, com base no Regulamento (UE) 2019/6. O Brasil precisará fornecer garantias sobre a não utilização dessas substâncias para fins de crescimento ou rendimento, segundo a decisão sanitária europeia. A decisão decorre do resultado da votação realizada no âmbito do Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, que aprovou uma atualização dessa listagem. A medida abrange carnes, ovos, mel e animais. Agora, o governo brasileiro, que negociava o tema desde outubro do ano passado com a UE, busca reverter a medida antes que entre em vigor em 3 de setembro. O Brasil exporta cerca de US$ 1,8 bilhão por ano em proteínas à EU. No Brasil, Rua se encontrou com a embaixadora da União Europeia (UE) no País, Marian Schuegraf, para tratar do tema na manhã desta quarta-feira. “Externamos a surpresa e o descontentamento com a forma que a medida foi feita e o nosso interesse em encontrar uma solução. A negociação avançou bem com o compromisso da UE com a análise célere”, apontou. “Reforçamos o pedido de prioridade à reanálise do caso e que o Brasil merece ser tratado como bom parceiro comercial”, relatou. As informações adicionais a serem solicitadas pelo bloco europeu são de cunho de sanidade animal e estão relacionadas à apresentação de provas pelo Brasil de rastreabilidade e segregação na produção destinada ao bloco europeu. Não há prazo para reanálise do tema pela UE. Na análise do governo brasileiro, a revisão da medida não exige uma nova auditoria do bloco no sistema sanitário nacional, sendo restrita à troca de documentações.
ESTADÃO CONTEÚDO
Ministério diz que cobra retorno da UE sobre antimicrobianos desde outubro de 2025
Governo brasileiro já teria enviado informações sobre o tema às autoridades europeias
O Brasil aguarda desde outubro do ano passado um posicionamento da União Europeia (UE) sobre protocolos de uso de antimicrobianos, disse a jornalistas o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério de Agricultura e Pecuária, Luís Rua, na quarta-feira (13/5), nos bastidores do Congresso Abramilho, realizado em Brasília. Na terça-feira (12/5), a Comissão Europeia informou que retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco. Segundo Rua, o governo brasileiro já havia enviado informações sobre o tema às autoridades europeias. “Estamos cobrando desde outubro um posicionamento sobre se os protocolos brasileiros estão adequados. Por isso, fomos surpreendidos com a decisão de ontem. Fomos retirados mesmo tendo questionado várias vezes”, disse o secretário. Rua participou na quarta-feira de uma reunião com a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf. Foi realizada ainda outra reunião conduzida pelo embaixador do Brasil na União Europeia, Pedro Miguel, em Bruxelas. Rua disse ter pedido à embaixadora que leve à Comissão Europeia a preocupação do governo brasileiro com a decisão. Segundo ele, o tema é tratado como prioridade. “A gente quer ser tratado como um bom parceiro, como somos. Queremos que isso seja resolvido da maneira mais rápida possível, com celeridade, transparência e com base em questões técnicas”, declarou. Segundo Rua, autoridades brasileiras e europeias concordaram em discutir protocolos específicos para cada grupo de proteínas, tendo em vista que os setores estão em estágios diferentes. “Produtos diferentes devem ser tratados de maneira diferente. Cada um tem uma especificidade. São questões bastante técnicas. Até porque precisamos entender exatamente o que a União Europeia quer de exigências extras”, afirmou. Rua afirmou que parte das informações a serem apresentadas dependerá da elaboração de protocolos pelo setor privado, enquanto outra parte cabe ao governo, responsável por verificar e controlar esses procedimentos. De acordo com o secretário, o Brasil deverá enviar informações específicas para cada cadeia produtiva. A expectativa do governo é que a União Europeia analise os dados e permita o retorno do país à lista de exportadores habilitados, também de forma separada por proteína. A expectativa do governo é que a União Europeia analise os dados e permita o retorno do país à lista de exportadores habilitados, também de forma separada por proteína. O secretário ressaltou que o Brasil exporta proteínas animais para a União Europeia há cerca de 40 anos e cumpre as exigências sanitárias do bloco. Segundo ele, o país também embarca carnes e outros produtos de origem animal para centenas de destinos, o que reforça a posição brasileira como referência em sanidade e saúde animal. Rua lembrou que o Brasil tem uma política nacional de redução do uso de antimicrobianos, independentemente das exigências comerciais de outros países.
“O Brasil tem avançado nessa linha. Isso pode ser usado para mostrar que o país está avançando nessas políticas de diminuição do uso de antimicrobianos”, afirmou. Questionado sobre o uso de antibióticos promotores de crescimento, Rua disse que o atendimento depende das exigências de cada mercado importador. “Cada país nos dirá o que fazer, e o Brasil é um cumpridor”, disse.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Dólar tem maior alta em 5 meses após reportagem sobre ligações entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro
O dólar disparou durante a tarde e fechou a quarta-feira novamente acima dos R$5,00, após a publicação de uma reportagem do Intercept Brasil sobre ligações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro. Operadores e analistas avaliaram que a reportagem enfraquece a candidatura de Flávio, visto atualmente como o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa eleitoral de outubro.
O dólar à vista fechou a sessão em alta de 2,27%, aos R$5,0059. Foi a maior alta percentual em um único dia desde 5 de dezembro do ano passado, quando a moeda norte-americana subiu 2,34%. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular baixa de 8,80% ante o real. Às 17h05, o dólar futuro para junho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 2,33% na B3, aos R$5,0280. A reportagem do Intercept Brasil disse que Flávio teria negociado com Vorcaro R$134 milhões para bancar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. Vorcaro, também preso, está no centro do escândalo da liquidação do Master, responsável por fraudes bilionárias. Ele negocia atualmente uma proposta de delação premiada que pode atingir parlamentares e outras autoridades. Após a publicação da reportagem, tanto o dólar quanto as taxas dos DIs renovaram máximas sequenciais, enquanto o Ibovespa despencou, em meio à percepção, entre operadores e analistas, de que o relato enfraquece a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Mais cedo, uma pesquisa Genial/Quaest já havia mostrado Lula numericamente à frente de Flávio na disputa presidencial de outubro. Lula tem 42% das intenções de voto no segundo turno, contra 41% de Flávio. Na prática, há empate técnico, já que a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, porém, Lula tinha 40% e Flávio somava 42%. Em simulação de primeiro turno, Lula aparece agora com 39% e Flávio Bolsonaro com 33%. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) estão empatados com 4%. O noticiário político no Brasil, que fez o dólar disparar, acabou deixando em segundo plano o cenário externo na quarta-feira. A moeda norte-americana sustentou ganhos ante as divisas fortes, com investidores atentos à visita do presidente dos EUA, Donald Trump, à China, para negociações com o presidente Xi Jinping.
REUTERS
Ibovespa tem forte queda após notícia ligando Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro
Na visão de gestores, o principal impacto de curto prazo aparece sobre o câmbio e a curva de juros, o que acaba pressionando os ativos domésticos de forma mais ampla
O Ibovespa encerrou em forte queda na quarta-feira, em meio a uma deterioração generalizada dos ativos locais. A percepção de risco no mercado se intensificou após o site Intercept Brasil noticiar que o pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, negociou R$ 134 milhões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — preso sob acusação de fraudes financeiras — para financiar um filme sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nesse ambiente de aversão a risco, o índice recuou 1,80%, aos 177.098 pontos, próximo à mínima de 176.787 pontos, após atingir 180.513 pontos na máxima do dia. O volume financeiro do Ibovespa foi de R$ 29 bilhões, enquanto a B3 movimentou R$ 38,5 bilhões. Segundo gestores ouvidos pelo Valor sob condição de anonimato, o mercado tende a reagir mais à deterioração do cenário macroeconômico do que a um movimento imediato de fluxo ou realocação para a bolsa, já que investidores locais já estavam pouco posicionados no mercado acionário. Na visão deles, o principal impacto de curto prazo aparece sobre o câmbio e a curva de juros, o que acaba pressionando os ativos domésticos de forma mais ampla. No exterior, as bolsas americanas fecharam sem direção única, em meio a um forte desempenho das empresas de tecnologia, que compensou parcialmente o impacto de dados de inflação ao produtor (PPI, na sigla em inglês) acima do esperado nos Estados Unidos. O avanço do setor ajudou a sustentar os índices acionários, apesar do aumento das preocupações com inflação e juros. Em Wall Street, o Nasdaq subiu 1,20% e o S&P 500 avançou 0,58%, enquanto o Dow Jones cedeu 0,14%. A notícia de que Flávio Bolsonaro teria pedido a Daniel Vorcaro financiamento para a produção de um filme sobre seu pai provocou uma venda imediata de ativos locais. Além do episódio, a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, informou que o Banco Master pagou diretamente R$ 2,329 milhões à Entre Investimentos em 2025, segundo declarações de Imposto de Renda da instituição. A empresa entrou no radar após a reportagem do Intercept. Segundo o site, a Entre Investimentos teria sido utilizada para repasses de recursos entre Vorcaro e a produção do filme “Dark Horse”, previsto para ser lançado a menos de um mês do primeiro turno das eleições. “Um pouco de realização e algum recuo de posição devem acontecer. Mas o fator primordial por trás da movimentação mais intensa do mercado continua sendo o investidor estrangeiro”, argumenta um gestor, que diz não ver espaço para uma queda tão profunda do Ibovespa, dados os níveis de alocação locais. “Dito isso, o mercado já reagiu negativamente porque o tema deve começar a aparecer nas pesquisas”, acrescenta. Governo avalia que relação entre Flávio e Vorcaro pode ajudar Lula, mas não vê senador fora da disputa. Zema diz que áudio de Flávio para Vorcaro é ‘imperdoável’, e Caiado cobra senador Outro participante do mercado concorda que o efeito tende a ser limitado no horizonte mais longo, especialmente para investidores estrangeiros. “No fim, para o gringo, mais um governo Lula não muda nada”, afirma. Por outro lado, o papel ON da Vale subiu 1,26%, diante da resiliência do preço do minério de ferro, além da expectativa de que o encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, ajude a destravar acordos comerciais. Um gestor aponta a possibilidade de avanço nas negociações envolvendo chips e ferramentas de inteligência artificial, o que poderia impulsionar a demanda por minerais de forma mais ampla.
VALOR ECONÔMICO
Brasil tem fluxo cambial negativo de US$1,439 bilhão em maio até dia 8, diz BC
O Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$1,439 bilhão em maio até o dia 8, conforme dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central, em um período que corresponde ao acumulado da semana passada.
Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$2,185 bilhões em maio até o dia 8. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de maio até o dia 8 foi positivo em US$747 milhões. Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. No acumulado do ano, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$11,958 bilhões.
REUTERS
Vendas no varejo do Brasil avançam em março pelo 3º mês e renovam recorde com valorização do real
As vendas no varejo brasileiro surpreenderam e cresceram em março pelo terceiro mês seguido, renovando ao final do primeiro trimestre o recorde da série histórica iniciada em 2000 com ajuda da valorização recente do real ante o dólar.
No mês, as vendas registraram alta de 0,5% em relação a fevereiro, depois de terem avançado 0,7% em fevereiro e 0,5% em janeiro, mostraram os dados divulgados na quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, as vendas tiveram ganho de 4,0%. Com isso, o setor encerra o primeiro trimestre com ganho de 1,2% na comparação com os três meses anteriores, melhor resultado desde o segundo trimestre de 2024 (+1,4%). As expectativas em pesquisa da Reuters eram de estabilidade na comparação mensal e de alta de 2,75% na base anual… “Há nesse começo de ano uma apreciação do real frente ao dólar, e muitas empresas aproveitam o dólar mais barato para importar e fazer estoques para depois vender e fazer promoções. Foi exatamente isso que ocorreu em março”, destacou Cristiano Santos, gerente da pesquisa no IBGE. A guerra no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo desde que começou em 28 de fevereiro, lançou uma sombra sobre o mês de março, afetando os preços de alimentos e de combustíveis e pesando no bolso dos consumidores. O mercado de trabalho robusto e medidas de estímulo ao consumo, entretanto, vêm dando algum suporte ao setor varejista, mesmo diante da taxa de juros elevada, o que ajuda a impulsionar o PIB neste começo de ano. Também colaborou a queda de 5,65% do dólar frente ao real no primeiro trimestre. “A apreciação da taxa de câmbio tem diminuído os custos de segmentos mais dependentes da variação do dólar e a ampliação de programas de crédito também vêm contribuindo para o crescimento do setor”, disse Rafael Perez, economista da Suno Research. O setor do varejo “provavelmente apresentará contribuição relevante para o crescimento do PIB no 1º trimestre, o qual esperamos que avance 0,9%”, disse André Valério, economista sênior do Inter. Entre as oito atividades pesquisadas na pesquisa do IBGE sobre o varejo, cinco tiveram resultados positivos em março, com destaque para Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (5,7%). Também mostraram crescimento das vendas Combustíveis e lubrificantes (2,9%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,9%); Livros, jornais, revistas e papelaria (0,7%); e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,1%). “Mesmo com o preço mais caro, a demanda não caiu no setor de combustíveis. Com preços mais altos, a receita aumentou e, mesmo descontada a inflação, o setor tem um desempenho positivo para o volume”, explicou Santos. “Esse é o único efeito da guerra sobre o varejo.” Móveis e eletrodomésticos (-0,9%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,4%) tiveram perdas — o último segmento, a maior desde junho de 2024. A atividade de Tecidos, vestuário e calçados ficou estável. “Essa queda forte de hipermercados tem a ver com a inflação mais alta de produtos. A alimentação em domicílio está mais alta, e isso aparece nas vendas dos mercados e hipermercados”, explicou Santos. “Há este ano também uma mudança de hábito, em que as pessoas estão aumentando seus gastos com bens de maior valor. As pessoas estão comprando mesmo com juros altos.” No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças; material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas aumentou 0,3% em março sobre o mês anterior.
REUTERS
Número de empregos formais cresce 5% e chega a 59 milhões em 2025
Norte e Nordeste lideram crescimento com alta de 10,1% em cada região. Salário médio cai 0,5% e fecha o ano em R$ 4.434,38
O Brasil registrou estoque de 59,9 milhões de em pregos formais em 2025, aumento de 5% em comparação com o ano anterior. O número representa alta de 2,8 milhões de vínculos em relação a 2024. A maior parte dos vínculos é de celetistas, que somam 46,1 milhões, seguido pelos estatutários (regime do setor público), com 12,6 milhões. O setor público teve uma variação superior ao mercado privado, com variação de 18,2% no setor municipal —a maior dentre entidades de diferentes naturezas jurídicas. A remuneração, no entanto, caiu, com variação de -0,5%. Em 2025, o salário médio foi de R$ 4.434,38, redução de R$ 23 em comparação com o ano de 2024. Por região, o crescimento foi maior no Norte e no Nordeste, com 3,8 milhões e 11,6 milhões de empregos em cada uma, respectivamente. O resultado representa um aumento de 10,1% no total de vínculos formais em ambas as regiões. Em números absolutos, o Sudeste continua sendo a maior região empregadora, com estoque de 28,4 milhões de vínculos formais —um aumento de 2,9% na comparação com 2024. O Amapá foi o estado com maior variação de empregos, com aumento de 20,5% no total de vínculos formais em comparação com 2024. O estado é seguido pelo Piauí, alta de 13,2%, Alagoas, com 13% a mais, e Paraíba, com acréscimo de 12,9%. Por setor, o aumento foi maior em serviços, com 2,4 milhões de vínculos, variação positiva de 7,2%. O setor é seguido pela construção civil, com aumento de 2,5%, comércio (1,7%) e agropecuária (1,6%). Todos registraram saldo positivo. Os dados também revelam mudanças no parâmetro de contratação no serviço público. Em 2025, 26% do total de servidores foram contratados sob contratos com tempo determinado. Eles somam, ao todo, 3 milhões de empregados sem vínculo permanente.
A maioria, segundo a Rais, está em cargos de docência. São 1 milhão de professores de nível médio sob contratos temporários.
FOLHA DE SÃO PAULO
EMPRESAS
JBS vê Brasil ‘aderente’ às exigências da UE para exportações de carne
JBS/Tomazoni: Estamos muito bem estruturados dentro e fora do Brasil para tirar vantagem do fim das cotas da China
O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, disse na quarta-feira (13/5) que vê o Brasil “totalmente” aderente às exigências da União Europeia para exportar carnes ao bloco. A declaração foi feita durante teleconferência sobre os resultados da companhia no primeiro trimestre de 2026. Na terça-feira (12/5), a Comissão Europeia informou que retirou o Brasil da lista dos países autorizados a exportar produtos derivados de bovinos, equinos, aves, assim como da aquicultura, além de ovos e mel, com vigência da determinação a partir de 3 de setembro. “É algo muito novo. É importante lembrar que as exportações não foram suspensas, estamos confiantes que Brasil vai conseguir obter um acordo com a União Europeia”, disse Tomazoni a analistas. O executivo também comentou sobre notícias divulgadas na segunda-feira (11/5) pela imprensa internacional, de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspenderia temporariamente tarifas aplicadas às importações de carne bovina feitas pelo país, de diversas origens. Ontem, veículos americanos reportaram que Trump adiou a publicação de decretos com as medidas. “Se as tarifas forem reduzidas, seria um indicativo de maior receita com carne bovina para a Austrália, o Brasil e outras geografias”, afirmou Tomazoni, em referência aos países que exportam o produto para os Estados Unidos. O setor de carne bovina americano há anos enfrenta uma grave escassez de gado para abate, o que tem aumentado os custos dos frigoríficos em maior proporção do que a alta do preço da carne, levando à queda de lucro de algumas companhias e prejuízo de outras. No primeiro trimestre, o prejuízo operacional ajustado da unidade de negócios da JBS no país mais que dobrou (107,7%) em comparação ao mesmo período de 2025, chegando a US$ 329 milhões. Tomazoni disse que a companhia espera um aumento sazonal da demanda por carne bovina nos próximos trimestres, durante o verão do Hemisfério do Norte, quando os americanos costumam fazer churrasco com mais frequência e, por isso, consumir mais carne. Já a realização da Copa do Mundo de futebol no país, entre junho e julho, não deve gerar incremento significativo das vendas, segundo Wesley Batista Filho, diretor executivo da JBS nos Estados Unidos, que também participou da teleconferência. Tomazoni afirmou que a companhia está preparada para o momento em que as cotas de exportação de carne bovina para a China se esgotarem no Brasil e em outros países. A China estabeleceu uma cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina para o Brasil, que poderá ser exportada sem uma tarifa adicional de 55%. O Brasil já usou cerca de 50% dessa cota e o setor estima que ela será totalmente preenchida em meados do ano. Em teleconferência sobre os resultados do primeiro trimestre de 2026, Tomazoni disse que com o preenchimento da cota, é possível que os preços do gado bovino diminuam já que a indústria frigorífica tenderá a reduzir o processamento na ausência de seu maior cliente externo. Além disso, ele também considera a possibilidade de aumento da oferta de animais prontos para abate provenientes de confinamentos, que contribuiriam para reduzir mais a cotação do boi gordo. Este cenário poderia levar a quedas também nos preços da carne e favorecer vendas no mercado doméstico, cuja demanda segue firme. “A demanda no Brasil por carne bovina e todo tipo de proteína continua muito forte”, disse Tomazoni a analistas. “Do nosso lado estamos muito bem estruturados dentro e fora do Brasil para tirar vantagem do impacto do fim das cotas da China”, acrescentou.
VALOR ECONÔMICO
SUÍNOS & FRANGOS
Brasil abre mercado para exportação de produtos de origem animal ao Canadá e Chile
Acordos envolvem embarques de pâncreas suíno para indústria farmacêutica canadense e embriões ovinos e caprinos para o mercado chileno.
O governo brasileiro concluiu novas negociações internacionais que ampliam o acesso de produtos de origem animal do país aos mercados do Canadá e do Chile. No mercado canadense, as autoridades sanitárias aprovaram a importação de pâncreas suíno brasileiro destinado à indústria farmacêutica. A autorização deve ampliar as possibilidades de agregação de valor à cadeia produtiva da suinocultura nacional. De acordo com dados do governo federal, as exportações agropecuárias brasileiras para o Canadá somaram mais de US$ 1,3 bilhão em 2025. Entre os principais produtos embarcados estão itens do complexo sucroalcooleiro, café e carnes. Já no Chile, o Brasil obteve autorização para exportar embriões ovinos e caprinos. O novo mercado amplia as oportunidades comerciais para os segmentos de genética animal. As exportações agropecuárias brasileiras ao mercado chileno ultrapassaram US$ 2,2 bilhões em 2025, com destaque para carnes, produtos florestais e soja. Com os novos anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 612 aberturas de mercado desde o início de 2023. Segundo o governo federal, os resultados são fruto de atuação conjunta entre o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério das Relações Exteriores.
MAPA
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