CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2676 DE 23 DE MARÇO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2676 | 23 de março de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: estabilidade no fechamento da semana em São Paulo

Semana marcada por estabilidade, com mercado firme e oferta enxuta.

O mercado esteve firme ao longo da terceira semana de março, sem variações nas cotações. Na sexta-feira, essa dinâmica se manteve e, na comparação feita dia a dia, os preços não mudaram. A sustentação do mercado esteve fundamentada na oferta enxuta de bovinos e, apesar da morosidade nas vendas de carne no mercado interno, isso já era esperado para o período e não trouxe impactos negativos às cotações. Além disso, embora as exportações perderam força na segunda semana de março, em relação à primeira, ainda ocorreram em bom ritmo e com bons preços pagos por tonelada, contribuindo para a sustentação do mercado. Vale destacar que negócios acima das cotações vigentes foram relatados. No entanto, tratava-se de operações pontuais, sem volume suficiente para se tornarem referência. A escala de abate estava, em média, para uma semana. No Rio Grande do Sul, as escalas de abate haviam encurtado e, na comparação dia a dia, ambas as regiões monitoradas registraram alta de R$0,10/kg para os machos. Para a vaca e para a novilha, estabilidade. Na região Oeste, a escala de abate estava, em média, para cinco dias. Na região de Pelotas, a escala de abate estava, em média, para seis dias. Na região Oeste do Maranhão, o mercado esteve firme e a cotação de referência não mudou. A escala de abate estava, em média, para cinco dias.

SCOT CONSULTORIA

Preços do boi gordo devem continuar subindo no curto prazo, com oferta restrita

Mercado segue firme nas principais praças, enquanto cenário externo e clima podem alterar tendência ao longo do segundo trimestre

O mercado físico do boi gordo manteve negociações acima da referência média ao longo da sexta-feira (20), sustentado principalmente pela restrição na oferta de animais terminados. No curtíssimo prazo, a expectativa ainda é de continuidade do movimento de alta nas cotações.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, esse cenário tende a passar por mudanças ao longo do segundo trimestre. A redução dos índices pluviométricos deve impactar a qualidade das pastagens, diminuindo a capacidade de retenção do pecuarista e aumentando a oferta de animais no mercado. Além dos fatores internos, o ambiente externo também exige atenção. O conflito no Oriente Médio e a progressão da cota chinesa aparecem como elementos de risco no curto prazo, podendo dificultar o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina. Confira os preços nas praças pelo Brasil: em São Paulo, a arroba do boi gordo foi cotada, em média, a R$ 352,25 na modalidade a prazo. Em Goiás, a arroba teve indicação média de R$ 339,46. Em Minas Gerais, o preço médio da arroba ficou em R$ 340,88. Em Mato Grosso do Sul, a arroba foi indicada a R$ 338,98. Já em Mato Grosso, o preço médio registrado foi de R$ 344,19. No mercado atacadista, a semana terminou com elevação nos preços da carne com osso. Já os cortes desossados, especialmente os de maior valor agregado, registraram recuo, refletindo um consumo mais enfraquecido na segunda quinzena do mês. A competitividade da carne bovina segue inferior em relação a outras proteínas, como a carne de frango. Entre os cortes, o quarto traseiro foi precificado a R$ 27,30 por quilo, com alta de R$ 0,30. O quarto dianteiro subiu R$ 0,40, para R$ 21,00 por quilo. Já a ponta de agulha apresentou recuperação, com avanço de R$ 0,60, cotada a R$ 19,50 por quilo.

SAFRAS NEWS

Valorização na cotação do boi gordo e da vaca na região do Triângulo Mineiro

Na terceira semana de março, a cotação do boi gordo e da vaca gorda apresentou alta, enquanto a da novilha permaneceu estável.

A oferta de machos na região está menor em relação à de fêmeas. Na comparação mensal, o boi gordo registrou valorização de R$6,00/@, ou 1,9%. Na comparação semanal, a cotação do boi gordo e a da vaca subiu. A cotação da arroba do boi gordo teve alta de 0,9%, ou R$3,00, negociada em R$323,00. Para a vaca, a alta foi de 1,4%, ou R$4,00/@, apregoada em R$299,50/@. Já a novilha, não apresentou variação, negociada em R$310,50/@. O diferencial de base do boi gordo está em R$19,00/@, ou 5,9% menor na região do Triângulo Mineiro em relação a São Paulo, onde a arroba está em R$342,00. Todos os preços são a prazo, descontados o Senar e o Funrural. No curto prazo, o viés é de estabilidade.

SCOT CONSULTORIA

Com recuo nas escalas de abates, média nacional cai para 5 dias

Seis das nove praças monitoradas pela consultoria Agrifatto registraram retração nas programações dos frigoríficos

A média nacional das escalas de abate dos frigoríficos brasileiros recuou ao longo da semana, na comparação com a semana anterior, segundo levantamento da Agrifatto. Seis das nove praças monitoradas pela consultoria registraram retração nas programações. “No consolidado do País, as escalas recuaram 1 dia útil, encerrando a semana em 5 dias, reforçando o ambiente de oferta mais enxuta e programações encurtadas”, apontou a Agrifatto. No Centro-Oeste, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul obtiveram queda de 1 dia nas programações, concluindo o período com 5 dias de abates agendados, em patamar curto para ambas as praças, acrescenta a consultoria. No mesmo ritmo, Paraná e Pará recuaram 1 dia útil e finalizaram a semana com 5 dias de programação no PR e 4 dias no PA. São Paulo e Goiás, aponta a Agrifatto, registraram 6 dias de abates previstos, ambos sem variação semanal, sendo as únicas praças a não sofrerem alteração. Também com programações encurtadas, Tocantins e Minas Gerais encerraram a semana com 6 dias, apresentaram incremento de 1 dia em MG e recuo, também de 1 dia, em MG. Apesar da queda de 2 dias úteis, Rondônia manteve o patamar confortável, fechando a 12° semana do ano com 8 dias úteis de escala, informa a Agrifatto.

PORTAL DBO

Quase 80% dos brasileiros exigem carne sustentável, mas nem todos aceitam pagar mais

Levantamento foi realizado pelo Instituto Qualibest e apresentado no fim de semana no Simpósio Nutripura, em Mato Grosso. Um terço dos entrevistados disse não saber se a pecuária brasileira avançou em práticas sustentáveis

Uma pesquisa realizada com mais de mil pessoas de todo o Brasil aponta que quase 80% dos brasileiros se preocupam tanto com a origem da carne bovina como com a forma como ela é produzida. O levantamento, realizado pelo Instituto Qualibest e apresentado neste fim de semana no Simpósio Nutripura, em Mato Grosso, identificou que 78% dos entrevistados consideram importante ou muito importante que o produto seja produzido de forma sustentável. Desses, 44% disseram que esse ponto é “muito importante” e 34% que o consideram “importante”. Além disso, 44% deles acham relevante saber a origem da carne e 33%, “muito importante”. A pesquisa “O que o brasileiro pensa sobre a carne” foi encomendada pelo movimento “A Carne do Futuro é Animal”, criado em 2022 por produtores de Mato Grosso que hoje conta com 74 integrantes de 27 municípios do Estado. Juntos, eles abatem mais de 200 mil cabeças de gado. A pesquisa também identificou que 34% dos entrevistados disseram não saber se a pecuária brasileira efetivamente avançou em práticas sustentáveis. O dado, na avaliação do movimento, indica uma “lacuna entre a expectativa do consumidor e a visibilidade das ações no campo”. O movimento também considera que os resultados apontam para duas demandas: práticas de produção sustentáveis e comunicação clara sobre essas práticas. “Produtores e indústrias que apresentarem evidências, como rastreabilidade, certificações, controles de bem-estar animal e relatórios de sustentabilidade, poderão agregar valor ao produto e reduzir a incerteza do consumidor. Ao mesmo tempo, é preciso transformar ações no campo em mensagens simples e verificáveis no ponto de venda”, afirmam os organizadores na nota. O levantamento identificou que 80% das pessoas avaliam a carne produzida no Brasil como “boa” ou “ótima” e 91% afirmam que o consumo traz benefícios à saúde – 82% dos entrevistados destacaram a carne como fonte de proteínas e 57% citaram o aporte de nutrientes, como ferro e vitaminas. Mesmo com grande parte dos consumidores considerando relevante a origem e a sustentabilidade da produção pecuária bovina, a parcela dos que não pagariam a mais pela carne para saber sua origem ainda é alta, 38%. Outros 44% disseram que aceitaria pagar “um pouco a mais” e só 19% afirmaram que pagaria mais. Quando o atributo é certificação de sustentabilidade, 51% dos participantes disseram que aceitaria “pagar um pouco a mais” pela carne certificada, enquanto 27% não pagariam. O levantamento buscou entender ainda o que os consumidores esperam da chamada “carne de futuro”, com a possibilidade de indicar até três prioridades. A redução do impacto ambiental foi a mais citada, por 47% dos participantes. Em seguida, ganhou destaque a segurança e qualidade, com menção de 40% dos entrevistados, seguida por sabor e maciez, mencionada por 37%. Sobre as intenções de consumo, a maior parte dos entrevistados (72%) disse que manterá o nível atual de consumo de carne bovina nos próximos seis meses; 12% pretendem aumentar e 12% querem diminuir – dados que, na avaliação do movimento, sinalizam ao mesmo tempo oportunidade e risco. As marcas que comprovarem práticas responsáveis podem conquistar consumidores, mas as que não se adequarem, podem perdê-los, avalia o movimento.

GLOBO RURAL

União Europeia paga o melhor preço pela carne de Mato Grosso no mercado internacional, diz Imac

A União Europeia foi o mercado que melhor remunerou a carne bovina exportada por Mato Grosso em fevereiro de 2026.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que a carne exportada para o bloco atingiu preço médio de US$ 6.082,14 por tonelada, o maior entre todos os destinos da proteína produzida no estado. O valor supera o preço pago por mercados tradicionais como a China, que comprou por uma média de US$ 4.206,20 a tonelada, e países do Oriente Médio, com US$ 4.481,37 a tonelada. Até fevereiro de 2026, a União Europeia importou 5,3 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC), gerando receita de US$ 32,4 milhões para o estado. Mesmo com menor participação no volume total, o mercado europeu se destaca pela maior capacidade de pagamento. O chamado índice de atratividade das exportações, que mede o retorno econômico por tonelada exportada, coloca a União Europeia na liderança, com 119,91 pontos, à frente de outras regiões como Europa (88,65) e Oriente Médio (80,39). “Mato Grosso tem buscado ampliar o número de mercados atendidos e quando conseguimos acessar destinos mais exigentes, como a União Europeia, isso demonstra que a nossa carne atende padrões elevados de qualidade e sustentabilidade”, afirma o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.

INSTITUTO MATO-GROSSENSE DA CARNE (IMAC)

ECONOMIA

Dólar supera os R$5,30 em nova sessão de temores com a guerra no Oriente Médio

O dólar fechou a sexta-feira com alta firme no Brasil e novamente acima dos R$5,30, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, em meio aos receios sobre os impactos econômicos da guerra no Oriente Médio.

O dólar à vista fechou a sessão com alta de 1,84%, aos R$5,3125. Foi a maior alta em um único dia desde 3 de março, na primeira semana da guerra, quando subiu 1,91%. Nesta semana, a divisa acumulou leve baixa de 0,08% e, no ano, recuo de 3,22%. Às 17h18, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — subia 1,54% na B3, aos R$5,3185. O avanço global do dólar ganhou força no fim da manhã, com a percepção de que a guerra no Oriente Médio pode durar mais do que o inicialmente esperado. Três autoridades norte-americanas disseram à Reuters que os EUA estão enviando milhares de fuzileiros navais e marinheiros para o Oriente Médio. As fontes, que falaram sob condição de anonimato, não especificaram qual seria o papel dos soldados adicionais. Além disso, Israel e Irã continuaram seus ataques na região, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, criticou seus aliados da Otan por conta da falta de apoio à guerra, chamando-os de “covardes”. Neste cenário, o dólar subiu ante praticamente todas as demais divisas, incluindo pares do real como o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano. O petróleo tipo Brent zerou as perdas de mais cedo e passou a subir, encostando nos US$112 o barril, e os rendimentos dos Treasuries tinham ganhos firmes, com investidores avaliando que as chances de um corte de juros nos EUA este ano diminuíram. “Essa percepção do mercado de que a guerra pode se prolongar está fazendo o mercado ajustar a perspectiva — e as apostas — sobre o Fed”, comentou no início da tarde Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, ao justificar a aceleração do dólar ante o real. “O ‘driver’ (vetor) dos negócios (no câmbio) é 100% o externo hoje.”

REUTERS

Ibovespa recua para mínima em 2 meses sem sinais de arrefecimento de guerra

O Ibovespa fechou em queda de mais de 2% na sexta-feira, mais uma vez contaminado pela aversão a risco global com os receios envolvendo o conflito no Oriente Médio e seus reflexos na economia mundial.

O índice de referência do mercado acionário brasileiro recuou 2,25%, a 176.219,40 pontos, após os ajustes, acumulando na semana uma perda de 0,81% e ampliando a queda no mês para 6,66%. No ano, ainda sobe 9,37%. Em pregão também marcado por vencimento de opções sobre ações na B3, o Ibovespa chegou a 175.039,34 pontos na mínima da sessão, piso intradia desde 22 de janeiro. Na máxima do dia, alcançou 180.305,22 pontos. O volume financeiro somou R$49,45 bilhões. O barril de petróleo sob o contrato Brent fechou em alta de mais de 3%, a US$112,19, maior valor desde julho de 2022, com a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que já dura três semanas, sem sinais de arrefecimento. Na última sexta-feira de fevereiro, antes dos primeiros ataques contra o Irã, o Brent tinha fechado a US$72,48. As forças armadas dos EUA estão enviando milhares de fuzileiros navais e marinheiros adicionais para o Oriente Médio, disseram três autoridades norte-americanas à Reuters na sexta-feira. O Iraque, por sua vez, declarou força maior em todos os campos de petróleo desenvolvidos por empresas petrolíferas estrangeiras. Também na sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, disse que não vê um fim óbvio para o conflito no Oriente Médio no curto prazo. A fala ocorreu após ele se reunir com o colega israelense Gideon Saar em Tel Aviv. “O conflito vai se arrastando e cada semana praticamente funciona como um ‘tic tac’ na inflação”, observou o analista Felipe Cima, da Manchester Investimentos, destacando receios com o movimento dos juros principalmente nos EUA. Operadores de contratos de juros de curto prazo precificavam na sexta-feira uma chance acima de 50% do Federal Reserve elevar a taxa em dezembro, uma mudança drástica em relação às expectativas do início desta semana de um corte. Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, caiu 1,51%, em pregão também marcado por vencimentos de opções e futuros em Nova York. O rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA marcava 4,3796%, de 4,283% na véspera, em pregão também marcado pela valorização do dólar frente a outras divisas no mundo, incluindo o real. No fechamento, acusou alta de 1,84%, a R$5,3125. Tal cenário desacelerou o fluxo de estrangeiros para a bolsa paulista em março, mas a B3 ainda registra um saldo positivo, de quase R$4,6 bilhões até o dia 17. Em fevereiro, houve entrada líquida de R$15,4 bilhões. Em janeiro, de R$26,3 bilhões.

REUTERS

Valor Bruto da Produção Agropecuária deve atingir R$ 1,39 tri em 2026

Resultado representa queda de 4,8% em relação a 2025

O Valor Bruto da Produção (VBP), que mede o faturamento da agropecuária, deve atingir R$ 1,39 trilhão, queda de 4,8% em relação a 2025, segundo projeção da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Esse resultado reflete a combinação da redução dos preços reais e, em menor medida, de variações na produção. Para a agricultura, o faturamento estimado para 2026 é de R$ 903,5 bilhões, redução de 5,9% na comparação com 2025. A soja, que tem maior participação no VBP agrícola, deve ter queda de apenas 0,5% no VBP, mesmo com aumento da produção (3,71%). Para o milho, a previsão é de queda de 6,9% no VBP, devido à redução dos preços (-4,9%) e da produção (-2,05%). Já a cana-de-açúcar deve registrar diminuição de 5,6% no faturamento, em razão da queda nos preços (-5,2%), apesar da leve alta na produção (0,37%). Por outro lado, o café arábica terá desempenho positivo, com crescimento de 10,4% no VBP, impulsionado principalmente pelo aumento expressivo da produção (23,29%), apesar da redução esperada nos preços (10,5%). Para a pecuária, por sua vez, o VBP estimado é de R$ 485,3 bilhões, queda de 2,6% em relação a 2025. A carne bovina foi o único produto com projeção de faturamento (7,6%). Para os demais produtos do segmento, a previsão é de queda, reflexo de menores preços reais recebidos pelos produtores. Neste contexto, as reduções de receitas projetadas são de 19,1% para o leite, 13,3% para os ovos, 10,2% para a carne suína e de 5,8% para a carne de frango.

CNA

Produção agrícola nacional posiciona o Brasil entre os principais produtores e exportadores de alimentos do mundo

Segundo a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, em 2025, o agronegócio brasileiro alcançou US$ 169,2 bilhões em exportações. O setor respondeu por 48,5% de tudo o que o país exportou no período

O Brasil consolidou-se como um dos principais produtores e exportadores de alimentos, sendo capaz de abastecer o mercado interno e, ao mesmo tempo, contribuir para a segurança alimentar mundial. Na sexta-feira (20), celebrou-se o Dia Mundial da Agricultura, setor primordial para a sociedade e sob responsabilidade, em parte, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). “O Brasil reúne capacidade produtiva, inovação e sustentabilidade para seguir como um dos principais fornecedores de alimentos do mundo, contribuindo de forma decisiva para a segurança alimentar global. Nosso compromisso é produzir mais, com qualidade e responsabilidade ambiental, ampliando o acesso a alimentos e fortalecendo nossa presença nos mercados internacionais”, destacou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. A agricultura brasileira desempenha papel estratégico na segurança alimentar global, posicionando o país como um dos principais fornecedores de alimentos, fibras e energia renovável do mundo. Segundo a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (Scri), em 2025, o agronegócio brasileiro alcançou US$ 169,2 bilhões em exportações. O setor respondeu por 48,5% de tudo o que o país exportou no período. Entre os produtos brasileiros de maior impacto no mercado global estão soja, milho, açúcar, algodão e suco de laranja. Em várias dessas cadeias, o Brasil ocupa posição de liderança. A Secretaria de Política Agrícola (SPA) informa que a produção brasileira de grãos na safra 2025/26 está estimada em 353,4 milhões de toneladas, um recorde histórico. Dessa forma, o Brasil exerce papel relevante no abastecimento e na segurança alimentar mundial, atendendo cerca de 10% da população nos cinco continentes, conforme dados da SPA. Por exemplo, o país é o maior produtor e exportador de café, com exportações anuais de cerca de 40 milhões de sacas, o que representa aproximadamente 35% do consumo mundial. Estudos e pesquisas realizados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) contribuíram para o desenvolvimento de uma agricultura tropical com alta produtividade, competitividade e sustentabilidade, que hoje se destaca pela eficiência. O Mapa atua na condução e no fomento de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção agrícola nacional, por meio da promoção de um ambiente regulatório estável, do incentivo à inovação e da ampliação do acesso a mercados. Entre os principais instrumentos, destacam-se as ações de defesa agropecuária, que asseguram a sanidade e a qualidade dos produtos, e os programas de apoio à comercialização, especialmente no âmbito da Política de Garantia de Preços Mínimos (Pgpm), cujas diretrizes são coordenadas, elaboradas, acompanhadas e avaliadas para garantir a segurança alimentar e a comercialização dos produtos agropecuários. Destacam-se também os mecanismos de financiamento da estocagem e da armazenagem, a venda de estoques públicos e a equalização de preços, com o objetivo de assegurar o abastecimento; o estímulo à abertura de novos mercados internacionais; a promoção de práticas e sistemas sustentáveis de produção, com baixa emissão de carbono e alta conservação dos recursos naturais; e o crédito rural. No Plano Safra 2025/2026, foram destinados R$ 516 bilhões ao setor agropecuário. O trabalho do sistema de defesa agropecuária garante alimentos seguros e de qualidade, atuando de forma integrada na prevenção, no controle e na fiscalização de pragas, doenças e resíduos ao longo de toda a cadeia produtiva. Esse trabalho protege a saúde dos consumidores e das lavouras e fortalece a confiança nos produtos brasileiros, tanto no mercado interno quanto no comércio internacional. As políticas públicas e os programas nacionais, sob coordenação da Secretaria de Defesa Agropecuária, sustentam esse processo ao estabelecer padrões rigorosos de qualidade e promover a fiscalização contínua, combatendo fraudes e a clandestinidade. A rastreabilidade, o monitoramento e o controle de resíduos e contaminantes garantem a inocuidade dos alimentos e estimulam a adoção de boas práticas ao longo da produção, especialmente nos produtos de origem vegetal.

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA (MAPA)

EMPRESAS

Herdeiro da maior fazenda de criação de bovinos do país, a Roncador, aposta na sua marca de carne

Empresário Caio Penido, que herdou a Fazenda Roncador, diversifica modelo tradicional da pecuária, investe em marca de carne premium e aposta em integração produtiva para aumentar rentabilidade no campo, mirando captura de valor fora da indústria

 A lógica tradicional da pecuária brasileira — baseada na venda do boi gordo para frigoríficos — começa a ser questionada por produtores que buscam capturar mais valor dentro da cadeia. É nesse movimento que se insere o empresário Caio Penido, de Mato Grosso, que decidiu transformar seu modelo de negócio ao investir na criação de uma marca própria de carne premium. Herdeiro de parte da histórica Fazenda Roncador, uma das maiores do país, Penido passou a redesenhar sua atuação no agro com foco em verticalização, diferenciação de produto e acesso direto ao consumidor final. Em entrevista à Bloomberg Línea, o empresário explicou que a decisão de lançar sua própria marca surgiu justamente da dificuldade de capturar valor no modelo tradicional. Segundo ele, produzir melhor nem sempre se traduz em melhor remuneração dentro da lógica da indústria frigorífica. “Decidi fazer a minha carne para conseguir agregar valor, mas isso mudou todo o meu tipo de negócio”, afirmou o empresário à reportagem. Durante anos, Penido operou como a maioria dos pecuaristas brasileiros: produzindo gado e vendendo para grandes frigoríficos como JBS e Minerva. No entanto, esse modelo, segundo ele, limita o potencial de rentabilidade do produtor. A virada estratégica ganhou força em 2024 com a criação da SouBeef, sua marca própria de carne premium. Com isso, o empresário deixou de atuar apenas como fornecedor de matéria-prima e passou a controlar também etapas como processamento, posicionamento de marca e comercialização. A proposta vai além da carne em si. “É a integração lavoura-pecuária-floresta, com turismo e audiovisual. Tudo isso em um só lugar”, disse Penido em entrevista à Bloomberg Línea ao descrever o novo posicionamento do negócio da Fazenda Roncador. A estratégia da SouBeef começa ainda no campo, com o planejamento genético dos animais. A produção envolve cruzamentos de Nelore, Angus e Wagyu, buscando qualidade superior e acesso a nichos mais exigentes do mercado. O foco inicial está no mercado interno, especialmente em São Paulo, com atuação em: Food service, Boutiques de carne e Plataformas digitais. Há também planos de expansão internacional, com interesse em mercados como Ásia e Oriente Médio, possivelmente via parceria com empresas estrangeiras. Apesar de ainda não ter atingido o ponto de equilíbrio financeiro, a SouBeef já apresenta forte crescimento. Segundo informações da empresa, a receita avançou 281% no último ano, com cerca de 20% da produção já destinada à marca própria. A expectativa é de que a operação se torne rentável a partir de 2027, à medida que ganha escala. O plano é ambicioso: sair de cerca de 150 abates mensais para aproximadamente 1.000 animais por mês, consolidando a marca como um player relevante no segmento premium. A antiga Fazenda Roncador, com cerca de 153 mil hectares, foi dividida entre os herdeiros em 2024. Com isso, o empresário passou a administrar áreas próprias e da irmã, estruturando operações em diferentes frentes.

BLOOMBERG LÍNEA

FRANGOS & SUÍNOS

Brasil abre mercado para carne suína resfriada em Singapura

Acesso ao país asiático amplia valor agregado das exportações do setor

O governo brasileiro concluiu negociações que ampliam o acesso da carne suína ao mercado internacional. O principal avanço é a autorização para exportação de carne suína resfriada para Singapura, um mercado considerado estratégico por demandar produtos de maior valor agregado. Em 2025, Singapura importou mais de US$ 710 milhões em produtos agropecuários do Brasil, com destaque para carnes, café e itens de origem vegetal. A abertura para a carne suína resfriada tende a fortalecer a presença brasileira no país asiático e ampliar as oportunidades para o setor produtivo. Com os novos acordos, o agronegócio brasileiro soma 548 aberturas de mercado desde o início de 2023.

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA (MAPA) 

CEPEA: preço do frango cai 5,2% em março e atinge menor nível desde 2023

Demanda doméstica enfraquecida e incertezas no mercado externo pressionam cotações, enquanto proteína ganha competitividade frente à bovina e suína, aponta o Cepea.

Os preços da carne de frango seguem em queda no mercado brasileiro em março, pressionados principalmente pela demanda doméstica enfraquecida e por incertezas relacionadas ao cenário internacional, segundo levantamento do Cepea. No atacado da Grande São Paulo, o frango resfriado é negociado à média de R$ 6,73 por quilo na parcial de março (até o dia 18), o que representa queda de 5,2% em relação a fevereiro. Considerando os valores deflacionados pelo IPCA de fevereiro de 2026, esse é o menor patamar registrado desde julho de 2023, evidenciando a pressão recente sobre o setor avícola. De acordo com pesquisadores do Cepea, a principal razão para a queda nos preços é a fraqueza da demanda doméstica, que tem limitado o ritmo de negociações no mercado interno. Além disso, o setor também enfrenta especulações e incertezas ligadas ao conflito no Oriente Médio, uma região estratégica para as exportações brasileiras de carne de frango. Esse cenário tem gerado cautela entre agentes da cadeia produtiva, impactando decisões comerciais e contribuindo para o viés de baixa nos preços. Apesar da desvalorização, o movimento tem um efeito positivo do ponto de vista competitivo. Segundo o Cepea, a carne de frango vem ampliando sua competitividade frente às proteínas concorrentes, especialmente a suína e a bovina. No caso da carne suína, embora também haja queda nos preços, as desvalorizações do frango têm sido mais intensas, ampliando sua atratividade relativa ao consumidor. Já na comparação com a carne bovina, o cenário é ainda mais favorável ao setor avícola, uma vez que os preços da carcaça casada de boi seguem em alta, aumentando a diferença entre as proteínas. O comportamento do mercado nas próximas semanas dependerá da evolução de dois fatores principais: o ritmo da demanda interna e os desdobramentos do cenário geopolítico internacional. Caso o consumo doméstico apresente recuperação ou haja estabilidade nas exportações, os preços podem encontrar um ponto de equilíbrio após as quedas recentes. Enquanto isso, o setor segue atento às movimentações do mercado, buscando ajustar a oferta diante de um ambiente ainda marcado por incertezas.

CEPEA

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